Bilionário Indomado: Tate
Capítulo 14
Ele a manteve nos braços por mais de uma hora, sem que nenhum dos dois dissesse muita coisa.
Com as emoções esgotadas, eles adormeceram nos braços um do outro. Tate acordou algumas horas depois e gentilmente carregou-a para o quarto.
O coração de Lara estava apertado quando ela começou a fazer as malas na manhã seguinte. A previsão do tempo não era boa para a terça-feira e ela teria que partir mais tarde naquela noite antes que a tempestade chegasse. Seu chefe reservara uma passagem saindo de Denver e ela pegaria aquele voo. Seria muito mais fácil do que tentar se despedir de Tate em Washington.
Um dia a menos. Importa?
Naquele momento, parecia algo muito importante. Ela queria aquele dia extra, ressentida de ter que desistir dele um dia antes.
— O que está fazendo? — Tate soou confuso ao entrar no quarto.
— Há uma tempestade se aproximando. Vou ter que ir embora hoje à noite. O departamento reservou uma passagem em um voo comercial. Tenho que pegar esse voo. — Ela não podia olhar para ele, pois perderia o controle.
— Você não pode ir embora hoje. Deveríamos ter até amanhã. — A voz de Tate soou desesperada.
— Não tenho outra opção. — Lara dobrou uma calça jeans e guardou-a na mala.
Por favor, não deixe que ele toque em mim. Se ele fizer isso, vou ceder. Provavelmente vou implorar, perguntar se posso ficar aqui com ele, mesmo que não seja para sempre. Não posso fazer isso.
Não posso desistir do emprego que trabalhei tanto para conseguir por causa de um caso amoroso.
— Ótimo. Vou levá-la até Denver — disse ele com voz rouca.
Ela assentiu, sem ter motivos para recusar. Afinal, teria que chegar lá de alguma forma. — Eu gostaria de me despedir de Chloe e de sua mãe.
Ele se aproximou por trás dela, implorando: — Lara, por favor, fique.
— Não posso — respondeu ela firmemente. As lágrimas turvaram sua visão.
Ele moveu as mãos e deu um passo atrás. — Não tenho como fazer com que você me queira, acho.
Não diga nada. Não diga como o quer desesperadamente, como ficará solitária sem ele. Isso só prolongará o inevitável e será ainda pior.
Ela mordeu o lábio. Com muita força. Finalmente, ele saiu do quarto e deixou-a sozinha.
Lara deixou as lágrimas correrem, sentindo a perda de Tate antes mesmo de deixá-lo.
Tate saiu com Shep, sentindo a raiva e o desespero em guerra dentro de si. O que ele poderia fazer? Não podia forçá-la a ficar. Ela queria o emprego. Ele a queria. Eles estavam em um impasse e não havia nada que ele pudesse fazer para que as coisas se resolvessem de forma diferente. Na verdade, ele não a queria daquela forma.
Queria que ela quisesse ficar. Queria um compromisso, algo que a ligasse a ele para sempre.
Ela não perguntou se eu gostaria de morar em Washington. Nunca perguntou isso.
Por Lara, ele faria isso em um piscar de olhos. Não importaria onde morasse, desde que estivesse com ela.
Ela não perguntou. Para ela, o relacionamento é impossível. Só preciso admitir que ela não sente por mim o mesmo que sinto.
No dia anterior, ele ficara muito feliz ao descobrir que Marcus não era um criminoso. Hoje, ele se sentia derrotado.
Os Colters não desistem.
Ora, ele não desistiria se tivesse alguma outra opção.
Ele sentiu o celular vibrar dentro do bolso. Como era um de seus amigos mais antigos, Travis Harrison, ele atendeu.
— Sim?
— Tate? — A voz de Travis estava solene.
— Sou eu.
— Você vai achar que estou louco, mas conhece uma pessoa chamada Lara?
Tate ficou instantaneamente alerta. — Sim, conheço. Sou louco por ela.
Tate rapidamente explicou que Lara estava lá e preparando-se para voar de volta para Washington. Ele fez um resumo do relacionamento conturbado. — Estou apaixonado por ela — admitiu ele a Travis. —
Deixá-la ir embora está me matando, Trav.
— Não a deixe ir embora — disse Travis com um toque de urgência na voz. — Tate, eu tive um sonho. Faz muito tempo que não tenho um sonho tão vívido. Mas sonhei que você estava de luto porque ela tinha morrido em um acidente aéreo. Não importa para onde ela vai, não a deixe entrar naquele avião.
Merda! Tate aprendera a levar muito a sério as premonições de Travis. Um dos sonhos dele salvara a vida de Tate e outro a vida da esposa de Travis, Ally.
— Quando isso vai acontecer? — perguntou Tate desesperado.
— Não sei, mas nunca sonho com nada tão vívido que não aconteça logo em seguida. Se ela ia pegar um voo, não deixe. Sei que você acha que sou louco…
— Não acho — interrompeu Tate. — Sei que o que você vê é real.
Salvou a minha vida e a de Ally.
— Então não deixe Lara voar. Nenhum voo comercial em um futuro próximo — advertiu Travis. — Se você a ama, mantenha-a aí, mesmo que ela não acredite em mim.
Lara podia não acreditar nos sonhos de Travis, mas Tate acreditava.
Ele vira prova daquele estranho fenômeno várias vezes. No passado, ele não acreditara, mas agora acreditava. — Vou pensar em alguma coisa. Ela é agente do FBI e não sei vai aceitar que eu conte a verdade.
— Você está apaixonado por uma agente do FBI? — perguntou Travis. — Por que não estou surpreso? Ela consegue dar uma surra em você?
— Não — negou Tate. — Mas é uma excelente lutadora.
— Bom para ela. Parece o seu tipo de mulher.
— Ela é — concordou Tate. — Nunca senti isso antes, Trav. Como você consegue viver sentindo o que sente por Ally?
— É um inferno, cara. Mas você vai conseguir. Se a ama e se ela ama você, é a melhor sensação do mundo.
Tate balançou a cabeça negativamente, apesar de Travis não conseguir vê-lo. — Ela não me ama.
— Então faça com que ela mude de ideia — respondeu Travis. —
Se há alguém que consegue fazer uma mulher ceder, é você. Não desista. E tente dizer a ela que a ama. Você está disposto a arriscar com tudo o mais, incluindo a própria vida. Dê uma chance a ela.
Tate queria, mas tinha muito medo de que ela partisse seu coração.
— Ela não me disse que me ama. — E ele tinha quase certeza de que não amava, estando disposta a se afastar do relacionamento deles daquele jeito.
— Você disse a ela? — perguntou Travis em tom direto.
— Não.
— Então como sabe o que ela sente? Fale com ela — sugeriu Travis. — E, por enquanto, mantenha-a com você.
— É o que pretendo fazer — respondeu Tate, pensando no horror de perder Lara completamente. Ele não conseguiria sobreviver.
— Telefonarei mais tarde para ver como estão as coisas — disse Travis com a voz preocupada.
— Obrigado, Trav. De verdade. Agradeço muito o aviso. — Tate sabia que Travis não falava com ninguém sobre aquele estranho talento. Mas eles eram amigos havia muito tempo e Travis resolvera arriscar.
— Cuide-se — disse Travis.
— Você também. — Tate desligou. A mente dele girava ao guardar o telefone no bolso.
Lara nunca acreditaria nele se dissesse a ela que tinha um amigo sensitivo. Ela ainda entraria naquele avião e morreria. Ele sentiu aquilo por dentro, da mesma forma como sabia que Ally teria morrido se Travis não a tivesse resgatado.
— Vamos, garoto. Tenho que planejar uma coisa. — Ele puxou a guia de Shep, conduzindo-o de volta para a casa assim que o cachorro terminou de urinar no pé de uma árvore.
Ele pensou ao andar para a casa, finalmente tirando o telefone do bolso ao chegar à varanda. Tate tinha um plano, mas era um pouco
drástico. Lara ficaria furiosa, mas era muito melhor do que morrer.
Ele deu alguns telefonemas.
Lara chorara ao abraçar Shep pela última vez. Ela chorara também ao se despedir de Aileen e Chloe. Ela se sentira como um balde vazando o dia inteiro.
Ela suspirou ao se ajeitar no banco do passageiro do helicóptero, olhando para a parte fechada do aeroporto.
Obviamente, a investigação ainda não terminara e a área ainda estava isolada.
Se não fosse pela investigação, Tate e eu nunca teríamos nos conhecido.
Por mais que tentasse, Lara ainda não conseguia se arrepender de ter conhecido Tate e ficado com ele durante aqueles dias. Ele abrira seus olhos para tantas coisas, principalmente a própria sensualidade.
O problema era que ela não tinha vontade de explorar aquele desejo recém-descoberto com qualquer pessoa além dele.
Tate ficara em silêncio na maior parte do dia, dizendo a ela que tinha que sair e cuidar de algumas coisas. Lara ficara chateada por ele não querer passar as últimas horas com ela no Colorado, mas provavelmente era melhor assim.
Eles voariam para Denver, ela se despediria rapidamente, sem deixar que ele visse as lágrimas até que estivesse bem longe dele.
Eles decolaram rapidamente. Lara sentiu como se o estômago tivesse ficado no solo enquanto o restante do corpo estava dentro do helicóptero. Ela olhou para os pinheiros enormes e os espaços abertos sem pessoas. Ela viu o rancho de Blake à distância, que se espalhava até perder de vista. A única coisa próxima ao rancho de Blake era a fazenda de Gabe.
Ela ficou em silêncio, olhando para as paisagens do Colorado por um longo tempo, tentando nervosamente se manter ocupada.
Finalmente, ela olhou para a posição em que estavam e para onde o helicóptero se dirigia.
E não era para Denver.
— Para onde estamos indo? — perguntou ela nervosa ao perceber que Tate estava preparando-se para pousar.
— Quero mostrar uma coisa a você — respondeu ele com voz séria.
— Não tenho muito tempo, preciso pegar meu voo. — Ela precisava chegar cedo e passara algum tempo com Chloe e a mãe de Tate.
— Não será um problema — respondeu Tate em tom direto.
— É claro que é um problema. Meu voo está listado como estando no horário. Tenho que decolar em menos de duas horas. Temos que ir para o aeroporto agora. — Ela estava ansiosa. Ele desceu o helicóptero sobre uma massa de pinheiros. Não que ela estivesse preocupada com um pouso seguro, mas sim com a área em que ele pousava. Estavam muito longe do aeroporto.
— Não será um problema — repetiu Tate.
— Por que não?
— Porque não vou levar você para o aeroporto — disse ele com voz rouca no ouvido dela.
Lara olhou em volta freneticamente, não vendo nada além de montanhas e árvores.
Ela tirou os fones de ouvido quando Tate desligou o helicóptero. —
Que merda você está fazendo?
Ele também tirou os fones e encarou-a firmemente. Os olhos acinzentados dele estavam incrivelmente intensos quando ele informou: — Estou detendo você temporariamente.
Lara o encarou de volta até que ele saltou do helicóptero sem mais explicações.
Que merda ele está fazendo?
Ela abriu a porta, virou-se no banco e olhou em volta, sem ver nada além de árvores. A plataforma de pouso fora limpa, mas todo o resto estava enterrado na neve.
Tate apareceu, tirou-a do banco, colocou-a no chão e fechou a porta do helicóptero.
Por sorte, ela usava botas, pois suas pernas se enterraram na neve até os joelhos. — Tate, precisamos ir. Meu voo…
— Vai decolar sem você — concluiu Tate. — Vai acontecer alguma coisa naquele voo. Alguma coisa ruim. Você estará o mais longe possível dele.
Ela se arrastou pela neve ao lado dele. — Você sabe de alguma coisa? Precisamos avisar alguém se há alguma coisa planejada…
— Não é assim — resmungou Tate. — Tenho um amigo que tem sonhos mediúnicos. Ele me viu chorando sua morte em um acidente aéreo. É um sonho que não quero ver na vida real. Não vou arriscar.
Lara viu a parte de trás de uma cabana logo à frente. — Seu amigo tem sonhos premonitórios?
— Eu sei que parece loucura, mas Travis sabe. Ele salvou a minha vida uma vez. E salvou a vida da esposa dele.
Ela não achava que ele era louco e não podia negar que aquele tipo de sonho era possível, mas…
— Sonhos premonitórios são bastante imprevisíveis — disse ela ao chegarem à varanda traseira da cabana. — Não acho que você é louco, mas não posso viver minha vida desse jeito porque alguém que não conheço previu minha morte. Poderá acontecer daqui a muitos anos ou nem acontecer. — Ela não conhecia o amigo de Tate, mas podia ser uma pessoa meio doida.
— Eu o conheço e não é algo que acontecerá em um futuro distante. Hoje em dia, os sonhos dele raramente acontecem e somente com pessoas próximas a ele ou familiares. Travis e eu somos amigos há anos. — Tate destrancou a porta com uma chave que estava sob o tapete e abriu-a.
— E um sequestro foi a única resposta? — Ela colocou as mãos nos quadris depois de entrar na cabana.
— Você teria esperado outro voo mais tarde?
— Não — respondeu ela com sinceridade.
— Então, sim… era a única opção.
— Exatamente por quanto tempo? — Ela estava furiosa. Talvez ele achasse que estava fazendo a coisa certa, mas ela não conhecia aquele amigo dele e deveria ser sua opção correr o risco ou não.
Havia pouquíssimos casos documentados de sonhos premonitórios de verdade e não eram nada previsíveis. Lara não descartava a ideia de que aquele sonho pudesse acontecer. O poder da mente humana era um mistério e fora por isso que ela sempre fora fascinada pela psicologia. Mas ela nunca viveria a própria vida com base na possibilidade de que poderia morrer um dia em um acidente aéreo.
Poderia ser uma coincidência ou apenas um sonho comum.
Eles tiraram as roupas quentes, pois a cabana já estava aquecida.
— Pelo tempo que for necessário — respondeu Tate abruptamente ao andar pela cabana.
Lara o seguiu e olhou em volta do pequeno refúgio. A cabana era um aposento enorme, construída com troncos e vigas imensas ao longo do teto alto. Havia uma cozinha pequena no outro lado do aposento, um fogão a lenha perto dela, que parecia gerar uma quantidade incrível de calor, e mobília rústica charmosa. Ao longo de uma das paredes, havia uma cama tamanho king com uma colcha de retalhos de aparência confortável. A cabeceira da cama parecia ter sido entalhada à mão.
— Tate, isso não é nada razoável. Com toda a probabilidade, nada acontecerá. As pessoas acham que têm sonhos premonitórios o tempo todo e são apenas coincidência. — Ela tentou usar a lógica, pois Tate era o homem mais lógico que conhecera. Era difícil manter a raiva quando ele estava obviamente preocupado com ela. Lara percebeu isso na expressão dele.
— Acha que não sei disso? Mas não posso arriscar. Travis estava certo vezes demais — rosnou ele.
— E se nada acontecer?
— Quero ficar aqui só um pouco — admitiu Tate.
— Por quanto tempo?
— Até que eu consiga fazer você me amar — respondeu ele em tom gutural. Ele a encarou de forma intensa.
O coração de Lara deu um salto e começou a bater mais depressa.
Ela sentiu um nó na garganta e engoliu em seco. — Por quê?
— Quero que você me ame o tanto que eu a amo. — Ele andou de um lado para o outro na sala enorme sem parar, desviando das cadeiras. — Sinceramente, duvido que isso seja possível porque eu a amo tanto que não consigo nem pensar direito mais. Você virou uma obsessão. Todos os meus pensamentos se concentram em você praticamente desde o dia em que nos conhecemos. Tenho medo de que se machuque, de que alguma coisa aconteça com você. E estou aterrorizado, acho que vou perder a sanidade depois que você for embora.
Lara reprimiu um soluço ao observar Tate andar como um leão enjaulado. A agitação e a vulnerabilidade dele a deixaram atônita.
Ele me ama.
Não só ele a amava, como a amava exatamente como ela o amava.
As lágrimas desceram pelo rosto dela quando Lara observou o corpo forte, vestindo apenas uma calça jeans e um suéter verde, se mover incessantemente. A expressão dele era sombria e ele correu os dedos agitados pelos cabelos.
Finalmente, ele parou em frente a ela. — Diga-me o que preciso fazer que farei — disse ele, com as narinas dilatando-se. Os olhos brilhavam com uma dezena de emoções, todas poderosas e intensas. — Sem limites.
Lara sentiu os mamilos enrijecerem e a boceta se contrair dolorosamente. A selvageria em Tate a deixou insuportavelmente excitada. A vulnerabilidade dele partiu o coração dela. — Você não precisa fazer nada — confessou ela.
— Então não tenho esperança nenhuma? — perguntou ele em tom ríspido. Os olhos dele brilharam e, em seguida, mudaram para uma expressão de pesar.
O coração de Lara deu um salto. — Eu também não tenho esperança nenhuma — sussurrou ela. — Acho que me apaixonei por você no momento em que guardou aqueles waffles para mim no bufê
— continuou ela em tom leve. — E continuei me apaixonando até que não podia mais escapar.
Por sorte, agora que ela sabia que ele a amava, não queria mais escapar. Ela só queria se perder em Tate.
— Você me ama? — perguntou ele incrédulo.
— Tanto que chega a doer — respondeu ela com um soluço, limpando as lágrimas.
Tate passou os braços musculosos em volta do corpo dela, apertando-a com tanta força que Lara mal conseguia respirar, mas ela não se importou. Lara passou os braços em volta do pescoço dele e inalou seu perfume, afogando-se no seu amor por ele.
— Por que não me disse, querida? Nossa, eu amo tanto você —
disse ele com voz rouca.
— Eu estava com medo. Achei que amor era um fardo que você não queria.
— Alguma vez eu fiz com que você se sentisse um fardo? — rosnou Tate no ouvido dela.
Lara pensou por um momento e respondeu com sinceridade: —
Não. — Ela fora um fardo para os tios, mas Tate nunca fizera com que se sentisse assim. — Acho que foram as minhas inseguranças.
Desculpe. Quase fui embora sem lhe dizer. Eu não deveria ter me importado se você também me amava. Deveria ter contado a você.