Bilionário Indomado: Tate
Bilionário Sem Limites
Foi a primeira vez que Tate Colter entrou em um bufê gigante com um sorriso enorme no rosto, mas certamente não seria a última.
Tate acabou ficando feliz com o combinado e nunca mais reclamou depois da noite de núpcias, em que Lara realmente compensou o esforço dele. Comer a comida ruim valera a pena, considerando o que recebera em troca.
Travis também não reclamou muito, pois Ally fora à mesma loja de roupas íntimas que Lara.
Eles foram a outro bufê no almoço do dia seguinte, os dois homens armados com antiácidos e um sorriso largo no rosto. Eles pareciam muito ansiosos em fazer qualquer sacrifício necessário para manter as esposas felizes depois de uma noite muito boa.
Tate descobrira, logo no início do casamento, que ceder algumas vezes valia a pena a recompensa. A noite de núpcias fora
espetacular, mas o maior prêmio do acordo foi muito simples: ver a esposa sorrir.
Fim
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Última Noite de Ano Novo…
Chloe Colter odiava festas.
Ela não estava em uma casa cheia de estranhos naquela celebração em particular do Ano Novo, eram principalmente familiares e amigos de Rocky Springs, a cidade em que ela crescera.
Ainda assim, ela se sentia desconfortável com tantas pessoas no mesmo lugar e sua confiança desaparecera quando o noivo, James, dissera que o vestido preto que escolhera para o evento não combinava com a silhueta cheia de curvas. Na verdade, ele não fora tão gentil. Ele fora bem direto, dissera que o vestido fazia com que parecesse gorda e que deveria trocar de roupa.
Não fora exatamente por desafio que ela ignorara a sugestão dele e continuara com o vestido. Era porque, sinceramente, aquele era o único vestido decente que ela tinha que cabia nas curvas abundantes. E ela o comprara especificamente para a festa na casa da mãe. Como ela não participava de muitas reuniões sociais, seu armário tinha, em sua maioria, calças jeans confortáveis, camisetas e blusões. Como veterinária, que passava a maior parte do tempo com animais, as roupas casuais eram as mais adequadas.
No início da noite, ela se sentira razoavelmente bem sobre ir à festa de Ano Novo, antes dos comentários desagradáveis de James. A maioria das festas sofisticadas a fazia sentir entediada ou intimidada, apesar de ser bilionária e tais eventos serem parte desse tipo de vida. Mas aquela celebração era diferente. Não era com frequência que a família inteira se reunia no mesmo lugar e ela conhecia a maior das pessoas presentes. Mas o comentário de James a deixara inquieta e trouxera lembranças ruins dos anos de escola, durante os quais ela nunca se encaixara.
Eu provavelmente pareço gorda. Deveria ter escolhido um vestido mais longo para esconder minhas pernas. E este vestido talvez esteja um pouco apertado.
Ela escapou para a cozinha quando a comida e as bebidas começaram a ser servidas, aliviada ao encontrá-la vazia. Chloe precisava de um minuto para lamber as feridas e recuperar-se da declaração dura de James sobre a roupa. Respirando fundo, ela tentou não puxar o vestido para baixo para que parecesse mais longo, desejando desesperadamente que ele cobrisse os joelhos, em vez de terminar na metade das coxas.
Por que comprei este vestido idiota?
Quando ela experimentara o vestido, sua melhor amiga, Ellie, gritara de alegria, dizendo a Chloe como a roupa era fantasticamente sexy. Ela cedera e comprara o vestido depois que Ellie lhe dissera que fora feito para ela. A amiga passara mais de meia hora convencendo Chloe de que o vestido a favorecia.
Pelo jeito, Ellie estivera errada.
James odiara o vestido, dizendo que ela precisava cobrir o corpo o máximo possível e não usar nada muito justo que a fizesse parecer mais gorda. Infelizmente, ela não tivera mais nada para vestir. Ela ganhara um pouco de peso desde que terminara a faculdade de veterinária e nada mais cabia, exceto as roupas casuais que comprara desde que voltara para casa. Apesar de um regime de exercícios físicos e esteira que ela começara algumas semanas antes, não conseguira perder os quilos extras.
Eu gosto demais de comer!
As bebidas com muita proteína e poucas calorias que ela esperara que ajudassem na dieta faziam com que engasgasse e as refeições deliciosas que a mãe fazia todos os dias eram quase irresistíveis.
Infelizmente, a mãe dela também era uma excelente doceira e Chloe nunca vira uma torta ou um biscoito de que não gostasse.
Com um longo suspiro, Chloe parou de puxar o tecido frágil do vestido e encostou-se no balcão da cozinha, perguntando-se se morar com a mãe antes do casamento com James era uma boa ideia. Mas ela sentira tanta falta da mãe durante a década de estudos para se tornar veterinária e Chloe ainda não achava que elas
tinham botado tudo em dia depois de ficarem longe uma da outra por tanto tempo.
Lutar contra o peso não era uma novidade para Chloe. Ela fora gorducha na época da escola e só depois de formar e conhecer James no verão antes de partir para a universidade que ela realmente tivera um namorado.
Ela não fora convidada para o baile de formatura, raramente ia a festas da escola e passara a maior parte do tempo com Ellie e seus animais durante o segundo grau. Sinceramente, ela não achava que os anos da adolescência tinham sido ruins. Sendo gorducha e desajeitada, ela só ficava mais contente passando a maior parte do tempo com os animais, em vez de com os humanos.
Chloe fora a garota de que os rapazes não se importavam de ser amigos, mas nenhum deles tivera interesse romântico nela. James tivera e, para uma garota que mal saíra da escola e estava prestes a entrar na universidade, a atenção de um homem quatro anos mais velho fora lisonjeiro. Lembrando daquela época, Chloe se lembrava de como James fora doce durante os primeiros anos. Chloe se perguntou se ele realmente fora tão gentil ou se ela só se sentira lisonjeada e atraída por ele por ser o primeiro homem a lhe dar uma atenção romântica.
Ela perdera peso durante a universidade de veterinária, pois a agenda ocupada a permitira se livrar de alguns quilos por deixar muito pouco tempo para comer. Talvez ela ainda tivesse muitas curvas pelos padrões atuais da mulher ideal, mas, durante aquele tempo, nunca pensara no peso. Os únicos momentos em que as inseguranças voltavam eram nos fins de semana quando encontrara James.
Chloe endireitou o corpo ao ver uma bandeja extra de doces sobre a mesa da cozinha.
Não vou comer. Não vou comer. Vou sair da cozinha e procurar James.
Ela não vira o noivo desde que ele chegara e dissera-lhe que trocasse de roupa. Provavelmente ele estava andando entre os convidados, vendo se conseguia mais pacientes. Como Rocky Springs tinha um grupo muito bem estabelecido de médicos que praticavam na cidade havia anos, James precisara convencer os moradores a mudarem de médico. Ele fora convidado a participar do grupo local de médicos, mas recusara-se veementemente, querendo começar o próprio consultório.
Chloe apoiara o sonho de James, tanto emocional como financeiramente, ajudando-o a montar o consultório. Ainda assim, ele não parecia feliz e, com frequência, agia como se estivesse estressado e infeliz. Depois de ter admitido que não se sentia organizado, ela convencera Ellie a desistir do emprego para ser gerente do consultório de James. A amiga começaria o novo emprego na semana seguinte.
Talvez isso ajude James a sentir menos pressão. Talvez então ele seja uma pessoa mais simpática. Ellie é brilhante. Ela o ajudará a se organizar. Só preciso ser mais paciente.
Chloe ponderou se fora ela ou James quem mudara desde que voltara para Rocky Springs. Eles passaram o verão inteiro juntos antes de ela partir para a universidade e o tempo livre durante os anos de estudo. Ele a pedira em casamento depois do segundo ano na universidade e ela aceitara feliz, convencida de que nenhum outro homem a amaria como James amava. Ela ficara muito feliz na época, mas as coisas tinham ficado tensas desde que ela voltara para casa e eles começaram a passar mais tempo juntos.
As coisas vão melhorar. Ainda estou tentando encontrar meu lugar profissional em Rocky Springs e a prática de James é lenta e desorganizada. É normal que ele esteja estressado agora.
Chloe só queria que as palavras rudes sobre o vestido deixá-la gorda não estivessem flutuando em sua cabeça.
Ela se sentou à mesa da cozinha e pegou um doce de chocolate de aparência deliciosa sem pensar conscientemente. Ela deu uma mordida grande ao contemplar como o relacionamento deles parecia diferente agora que finalmente estavam de volta à cidade. James a perturbara sobre o peso desde que ela voltara, o que ficara pior a cada quilo que engordava. A desculpa era sempre de que não era bom para a imagem dele como médico ter uma noiva gorda.
Chloe terminou o doce antes mesmo de perceber que estava comendo.
— Merda! — xingou ela em voz alta, limpando os dedos sujos de chocolate em um guardanapo. É difícil se livrar de antigos hábitos.
Ela não estava acostumada a vigiar tudo o que botava na boca.
Se James a pegasse com chocolate, as consequências que pagaria pelo doce que acabara de comer não seriam boas.
Chloe esfregou as manchas com mais força, com o coração batendo mais depressa ao pensar em James encontrando-a naquele momento.
Preciso me livrar das provas!
— É só chocolate, é fácil de lavar. — O sotaque preguiçoso do Texas soou da entrada da cozinha, assustando-a tanto que ela soltou um grito.
Não era James, graças a Deus. Na verdade, a voz era uma que ela reconhecia muito bem.
Gabriel Walker!
Chloe olhou na direção da voz masculina que sempre a fazia estremecer. Gabe Walker tinha a voz mais sexy do planeta. O tom barítono, juntamente com o sotaque texano, sempre causava um arrepio em sua espinha. A bondade inerente nos belos olhos verdes também a atraíam.
Por que ele tem que ser tão bonito? É muito injusto que ele seja tão lindo e tão simpático.
Ela o conhecera desde a infância, mas só o notara depois de voltar para Rocky Springs. Ele crescera no Texas, mas o pai de Gabe fora muito amigo do pai de Chloe e eles passavam os verões em Rocky Springs. Gabe e o irmão dela, Blake, se tornaram melhores amigos.
Depois que os pais de Gabe faleceram, ele vendera a maior parte do patrimônio do pai e mudara-se para Rocky Springs. Ele tinha um rancho de cavalos fora da cidade e Chloe tinha que admitir que criava alguns animais incríveis, cavalos que ela adoraria ter como pacientes de quatro patas. Ela estava familiarizada com alguns dos cavalos que ele adquirira e eram equinos maravilhosos.
O Caubói Bilionário.
Algumas vezes, as pessoas criticavam Gabe por ter desistido do negócio de petróleo para se mudar para o Colorado e criar cavalos em uma pequena comunidade nas montanhas. Sinceramente, as
pessoas podiam dizer o que quisessem sobre a falta de interesse dele em coisas que lhe dariam muito mais dinheiro. Pessoalmente, Chloe o admirava. Gabe não precisava fazer absolutamente nada na vida porque já era rico, ainda mais rico do que ela, mas escolheu fazer o que queria e tinha uma excelente reputação como criador e treinador de cavalos. Ele era simplesmente um homem muito rico que não se importava de se sujar para fazer exatamente o que amava.
— Não estou chateada por causa das manchas — admitiu Chloe ao se levantar e ir até a pia para lavar as mãos.
Só estou com medo que James descubra que eu estava comendo chocolate.
— O que a deixou chateada então, querida? — perguntou ele curioso, aproximando-se lentamente dela.
Ele chegou perto, tão perto que ela conseguiu sentir o hálito de uísque dele em sua têmpora.
— Eu não deveria ter comido aquele doce. Aposto como tinha um milhão de calorias — respondeu ela infeliz ao secar as mãos com uma toalha de papel, tentando não reagir ao calor que irradiava do corpo dele.
Gabe era tão grande, alto e musculoso que quase a fazia parecer pequena. Ele provavelmente tinha os ombros mais largos que ela já vira e uma atitude de que não havia nada com que não conseguisse lidar. Gabe emitia uma sensação de estar confortável em ser exatamente como era, o que impressionava Chloe mais do que qualquer outra coisa.
Será que ele tem medo de alguma coisa?
— Você não precisa se preocupar com isso — respondeu Gabe com voz rouca. — Você é perfeita.
Chloe se virou, arregalando os olhos ao encarar os olhos cor de esmeralda de Gabe. Ela prendeu a respiração ao estudá-lo, vendo que sua expressão era de completa sinceridade. Ele estava sem o chapéu de caubói que sempre usava e vestia um terno cinza feito sob medida deslumbrante. Como sempre, os cabelos castanhos curtos estavam despenteados apenas o suficiente para que ela se
perguntasse se era assim que ele parecia quando saía da cama. Em Gabe, aquela aparência era incrivelmente sedutora e sensual.
— Sou gorda — retrucou ela abruptamente. — Aquele doce era a última coisa que eu precisava comer. — Chloe conhecia Gabe desde a infância e não viu motivo para não ser direta.
Gabe deu um passo atrás, estudando-a abertamente da cabeça aos pés, com os olhos devorando-a de uma forma que deixou Chloe quente e muito desconfortável.
Ele balançou a cabeça negativamente quando seu olhar finalmente encontrou o dela. — Você é linda — disse ele finalmente. — Não vejo uma única coisa errada.
Os olhos de Chloe ficaram úmidos com o elogio, mas era óbvio que ele estivera bebendo… talvez um pouco demais. Ainda assim, era bom ouvir um homem dizer um elogio, para variar, mesmo que fosse um cara bêbado. — Você está bêbado — disse ela, revirando os olhos ao tentar se afastar do calor sedutor do corpo dele.
Gabe reagiu depressa para um homem ligeiramente bêbado, prendendo o corpo dela contra o balcão ao colocar as mãos na superfície de granito perto de seus quadris. — Ele disse isso a você?
— A voz dele estava irritada.
Chloe sabia exatamente de quem Gabe estava falando. Ele nunca gostara de James e não perdia a oportunidade de comentar como o noivo dela era escroto.
Ela respondeu calmamente: — Sim, e ele tem razão. Preciso perder um pouco de peso. Eu não deveria ter comprado este vestido.
Provavelmente não é adequado para uma mulher com um corpo como o meu.
Ela ficou tensa quando Gabe eliminou a distância entre eles, pressionando o corpo musculoso contra o dela. Ela prendeu a respiração quando Gabe ergueu a mão para levantar seu queixo para que olhasse para ele.
— Não deixe que nenhum homem lhe diga que você não é perfeita.
Talvez você não devesse ter comprado esse vestido, mas só porque qualquer homem que a vir vestida assim certamente ficará de pau duro — disse Gabe, correndo o dedo ao longo da bochecha dela.
— Não James — respondeu ela sem fôlego, hipnotizada pelo desejo ardente que viu nos olhos dele.
— Ele é um idiota, sempre foi — respondeu Gabe, com a raiva brilhando nos olhos. — Não se case com ele, Chloe. Se ele não consegue apreciar o que tem e ser muito grato por ter você, livre-se dele.
— Eu o amo — respondeu ela automaticamente.
— Não, não ama, querida — retrucou ele.
— Amo sim — disse ela na defensiva. — Estamos noivos há anos.
— Não vejo um anel no seu dedo e o tempo não tem nada a ver com a forma como um homem trata uma mulher. Como ele não se deu ao trabalho de oficializar o noivado, não me sentirei culpado por fazer isso — resmungou Gabe.
Chloe não teve tempo de reagir antes que a boca de Gabe capturasse a sua. Chocada, ela ficou imóvel, esperando uma sensação de repulsa que nunca surgiu.
Apesar do fato de Gabe estar obviamente bêbado e irritado, ele devorou a boca de Chloe com cuidado. Lentamente. Completamente.
Ele não teve pressa para convencê-la a aceitar o abraço ao explorar seus lábios, invadindo sua boca com a língua.
Atordoada pela onda de calor que fluiu pelo corpo, Chloe passou os braços em volta do pescoço dele, saboreando cada movimento da boca dele, sentindo o sabor estranhamente sedutor de uísque e chocolate quando as bocas se uniram completamente.
Todos os pensamentos sumiram do cérebro dela exceto a sedução doce de Gabe. O corpo dela respondeu de forma natural e automática, como se o abraço ardente dele fosse a única coisa que existia no mundo naquele momento.
Ele provocou.
Ele excitou.
Ele dominou.
O beijo dele controlou todos os sentidos de Chloe, que se perdeu nele, sem saber que uma simples carícia da boca podia ser tão sensual e consumidora.
Ela enfiou os dedos nos cabelos dele, gemendo contra sua boca ao senti-los entre os dedos, adorando a sensação. De Gabe.
Quando ele finalmente ergueu a cabeça, Chloe estava sem ar. —
Ai, meu Deus — gemeu ela, entrando em pânico ao perceber o que realmente estava acontecendo.
Ela estava se esfregando em um homem que estava bêbado. Um homem que não era seu noivo! Chloe estava longe de estar bêbada, pois parara depois de um copo. Ela deveria ter se afastado dele, mas não soubera como resistir à vontade de ficar ainda mais perto.
— Você sabe o que acabou de acontecer, Chloe? — perguntou Gabe com a boca perto de seu pescoço.
Empurrando o peito dele, ela tentou criar uma certa distância entre os dois. — Sim. E eu me odeio neste momento — respondeu ela com a voz confusa. O corpo dela ainda vibrava com as sensações que Gabe despertara com apenas um beijo.
Ele deu um passo atrás, deixando que ela fugisse. — Não faça isso
— pediu ele. — Parece que você faz isso demais sem um bom motivo.
— Estou noiva — disse ela com desgosto, ainda tentando recuperar o fôlego ao andar até o outro lado da cozinha.
— Parece que talvez seja melhor reconsiderar isso — respondeu Gabe com a voz rouca. — Uma mulher realmente apaixonada não responderia a outro homem desse jeito. Você nunca faria isso.
Chloe sentiu o rosto corar, sabendo que ele tinha razão. Ela o deixara beijá-la, sem vergonha alguma, quando estava noiva de outro homem. — Foi um erro. Você bebeu demais e eu estava chateada. — Ela não sabia ao certo como justificar suas ações, mas precisava tentar. Ela nunca beijara nenhum outro homem além de James e não era o tipo de mulher que se oferecia.
Ela ouviu gritos pela casa inteira, sabendo que o relógio devia ter marcado meia-noite sem que nem percebesse.
— Se você se sente melhor pensando assim, vá em frente. Pense o que quiser, mas não foi erro nenhum para mim. Acho que você sabe a verdade — respondeu ele em tom grave. — Feliz Ano Novo, Chloe.
— Gabe acenou com a cabeça na direção dela, virou-se e foi embora.
Chloe se jogou em uma cadeira, observando-o até que desaparecesse a caminho da sala de estar onde acontecia a festa.
Ainda tentando entender o que acabara de acontecer, ela sussurrou automaticamente: — Feliz Ano Novo, Gabe.
Ela perdeu a conta do tempo em que ficou na cozinha até finalmente voltar para a festa.
Dois dias depois, Chloe estava sentada à frente do computador, com o corpo rígido de medo ao olhar para a tela preta sobre a mesa.
Disque o número. Comece a sessão.
Ela finalmente confessara para a cunhada, Lara, exatamente o que estava acontecendo com James. Lara era ex-agente do FBI que largara o emprego para voltar a estudar e tirar o diploma em psicologia. Como Ellie fora embora, Chloe não soubera a quem recorrer e falar com a mãe sobre os problemas estava fora de questão. Depois de uma longa conversa com Lara, a esposa de Tate dera a Chloe o número de telefone para agendar uma consulta com uma das maiores especialistas do mundo em violência doméstica.
A psicóloga, dra. Natalie Townson, morava na Inglaterra e a consulta seria pela internet.
Está na hora. Ligue o computador.
Ai, meu Deus, ela realmente faria aquilo?
Não estou pronta. Não estou pronta.
Ela não sabia se conseguiria falar com uma mulher que não conhecia sobre sua vida pessoal com James.
Entretanto, ela imaginou o rosto de Gabe, a forma como ele a tocara duas noites antes. Ela pensou em Lara e na expressão de puro horror quando Chloe descreveu algumas das coisas que a incomodavam sobre James. Os dois a tinham oferecido formas diferentes de tentativas de ajuda. Ela podia estar irritada e envergonhada com a reação que tivera a Gabe, mas o beijo dele fora uma experiência de aprendizado.
Não fará mal algum tentar, Chloe. Ande logo.
Antes que pudesse mudar de ideia, ela ligou o computador e seguiu as instruções para se conectar à dra. Townson. O rosto da mulher apareceu quase imediatamente, como se estivesse esperando Chloe.
— Olá, Chloe. Está pronta para começar a sessão? Espero poder ajudar a melhorar as coisas para você.
A mulher era linda, com cabelos castanhos na altura dos ombros e os olhos mais gentis que Chloe já vira. Ela tinha um sotaque britânico melodioso adorável, que foi um alento para os ouvidos de Chloe. —
Estou nervosa, dra. Townson — disse ela apressadamente.
— É normal. Mas você é muito corajosa. Por favor, chame-me de Natalie. Posso usar seu primeiro nome, Chloe?
Ela não tinha certeza se Natalie sugerira aquilo por ambas serem doutoras nas respectivas áreas, mas ficou aliviada de poder tratar a mulher de maneira menos formal.
— Sim. — Chloe assentiu lentamente.
— Ótimo. — O sorriso de Natalie ficou mais largo.
— Não sei se preciso disto, nem sei se estou pronta, mas quero tentar. — Chloe olhou para a tela do computador e encontrou o olhar cheio de compaixão da outra mulher, percebendo que Natalie sabia exatamente como ela se sentia.
— Bem, então, querer tentar é a parte mais importante.
Discutiremos o restante à medida que avançarmos, ok? — sugeriu Natalie.
Chloe se endireitou na cadeira, dando um sorriso fraco a Natalie. —
Ok.
Talvez ela não estivesse pronta, mas provavelmente ninguém nunca estava. Havia algo errado e Chloe estava determinada a descobrir exatamente o que era e como poderia curar as feridas em sua alma.
O corpo dela relaxou lentamente quando ela se abriu e deixou que a primeira sessão começasse.
O Presente…
—Chloe, por favor, diga-me que não está ainda considerando seriamente se casar com James — pediu Lara Colter à cunhada enquanto as duas secavam os cabelos no vestiário do resort em Rocky Springs. Havia alguns meses que Lara ensinava autodefesa a Chloe todas as manhãs. Fazer exercícios e tomar banho no resort se tornara parte da rotina matinal das duas.
Chloe olhou para ela, uma mulher que se tornara mentora e amiga desde que Lara se casara com Tate. — Adiei o casamento porque Ellie desapareceu.
Apesar de Chloe estar consultando-se com Natalie havia meses, desde o início do ano, e de saber que não se casaria com James, ela não se apressara em cancelar definitivamente o casamento.
— Cancele. Você sabe que não pode se casar com ele. Ele não ama você, Chloe. E você não o ama — disse Lara em tom suplicante e preocupado.
O que Lara dizia era verdade. Chloe sabia disso desde que Gabe a beijara meses antes. Natalie a forçara a ver a verdade. Chloe passara um tempo em negação, mas, bem no fundo, sabia a verdade. James se tornara cada vez mais cruel, mas ainda estava determinado a vê-los como marido e mulher. Se ele a feria, voltava arrependido, alegando estar estressado. A isso se seguia um breve período de harmonia e tudo começava de novo. Ela não sabia quanto tempo conseguiria ficar naquela montanha-russa sem cair dela.
Ela precisara de tempo para endireitar a mente e evitara o máximo possível de conflitos com ele. Infelizmente, ele ainda insistia no casamento… algo que Chloe sabia que nunca aconteceria. Ela só não encontrara forças para dizer a ele… até recentemente. Ela
demorara meses para finalmente entender que as coisas com James nunca mudariam.
— Não sei o que fazer — admitiu ela pela primeira vez. — As coisas ficam bem por algum tempo e ele simplesmente… muda. — Não que fosse algo muito bom, mas havia períodos ocasionais de paz. No entanto, esses momentos aconteciam com frequência cada vez menor. Ela sabia que precisava cortar relações com ele completamente. James tentava cada vez mais controlá-la.
— É o ciclo do abuso, Chloe. É clássico. Tenho certeza de que Natalie explicou isso a você. Quer mesmo passar a vida inteira com esse homem? — perguntou Lara em tom direto enquanto penteava os cabelos.
— Ele foi a única coisa que conheci — respondeu Chloe ao guardar a escova de cabelos na mochila. — Não tenho nada com que comparar nosso relacionamento.
A falta de experiência dela fora um dos motivos para ter demorado tanto para colocar as ideias em ordem. Era difícil entender o que era
“normal” quando nunca tivera isso em um relacionamento íntimo.
A expressão de Lara ficou mais suave. — Eu sei. Você não tem nada com que compará-lo. Mas acredite quando digo que seu relacionamento não é normal nem saudável. Você precisa de alguém que a adore. Você merece isso.
Desde que a cunhada voltara a estudar psicologia e envolvera-se pesadamente na organização de caridade para mulheres abusadas que a família apoiava, ela conversava com Chloe todos os dias sobre os sinais de abuso no seu relacionamento com James. Por sua vez, Chloe contava tudo a Natalie, tentando entender o comportamento nada natural de James.
No começo, ela inventara desculpas para James, mas começava a entender que até mesmo isso fazia parte do ciclo. A verdade era que ela não queria se casar com James e estava cansada de inventar desculpas. A terapia continuada fora produtiva em fazer com que Chloe acreditasse que o comportamento de James não era culpa dela, mas ela tinha outras preocupações.
— Eu sei — admitiu Chloe com tristeza. — Mas estou preocupada com as notícias negativas na imprensa. Blake tentará a reeleição em
breve. Não quero ser uma fonte de fofocas.
— Seu irmão sobreviverá. Ele é muito querido e não acho que o fim do noivado da irmã dele fará alguma diferença — respondeu Lara em tom firme. — Pergunte a Blake — sugeriu ela ao fechar a mochila. —
Posso garantir que ele será a favor de você tirar James de sua vida.
Ele seria. Chloe sabia disso. A família era importante para Blake e ela ainda era a irmãzinha mais nova, apesar de já ser adulta. — Ele vai querer que eu faça isso. — Ela nunca questionara qual seria a resposta do irmão. Ela estava mais preocupada com as consequências que talvez ele tivesse que enfrentar.
Lara revirou os olhos. — Todos querem que você faça isso. Guardei suas confidências sobre algumas das coisas que acontecem com James, mas sinto-me culpada de esconder coisas assim de Tate. Ele ficaria lívido se soubesse como as coisas são realmente ruins e fico nervosa porque você não terminou completamente com ele. Tate quer que você esteja segura. E eu também.
— Desculpe — respondeu Chloe imediatamente.
Lara deu de ombros. — Meu relacionamento com Tate sobreviverá.
Estou mais preocupada com você.
Chloe ficou imaginando como seria ser tão confiante sobre o homem com quem se casasse, saber que ele a amaria, não importasse o que acontecesse. Ela colocara Lara em uma situação desconfortável ao dividir algumas das preocupações sobre seu relacionamento com James e não era justo.
— Vou terminar. Quando Ellie desapareceu, adiei o casamento, em vez de cancelar, porque estava preocupada com ela. Mas James vem me pressionando recentemente. Preciso dizer a ele. — Chloe sabia que seria o maior alívio da vida dela quando finalmente terminasse com ele, mas seria estranho. Eles acabariam se encontrando em uma cidade pequena como Rocky Springs e ela aprendera que o temperamento de James podia ser feroz.
A última gota acontecera algumas semanas antes e ela não se encontrara sozinha com ele desde então.
Com a ajuda de Natalie, ela estivera trabalhando na coragem para terminar o noivado quando Ellie desaparecera. Bem no fundo, Chloe sabia que não podia se casar com James e estivera planejando
cancelar o noivado e o casamento mesmo antes de a amiga desaparecer.
— Alguma notícia dela? — perguntou Lara.
Chloe balançou a cabeça negativamente, ainda arrasada por Ellie ter desaparecido um dia sem deixar rastros, apenas algumas semanas antes do casamento.
Para desgosto de James, Chloe deixara de lado todos os pensamentos sobre o casamento e juntara-se à busca intensa pela melhor amiga. Agora chegara a hora de cancelar o casamento, especialmente porque ela entendia relacionamentos abusivos muito melhor do que antes devido à paciência e aos conselhos de Natalie.
O “relacionamento” dela com James não tinha nada de saudável e estava na hora de acabar com ele.
— Não ouvi nada. Marcus tem um detetive particular trabalhando nisso agora e Zane está me ajudando a procurar Ellie. O caso ainda está aberto, mas a polícia diz que há todos os motivos para acreditar que ela pode só ter ido embora. Não há provas de que um crime tenha sido cometido. Ela simplesmente… desapareceu. — O vazio em seu coração ficou um pouco maior ao pensar em Ellie, preocupada que estivesse lá fora, em algum lugar, com problemas e sem poder se comunicar. Ou ainda pior…
Chloe não queria pensar no pior. Ela ainda falava com Zane todos os dias, torcendo para que, juntos, conseguissem encontrar a melhor amiga dela.
— Você realmente acredita nisso? — perguntou Lara ao pegar a mochila.
— Não — respondeu Chloe no mesmo instante. — Ela não faria isso. Ellie sempre foi responsável e não tinha motivo para ir embora.
Somos melhores amigas desde a época da escola. Ela teria entrado em contato comigo se pudesse. — Ellie não entrara em contato com Chloe de forma alguma, algo que a estava deixando aterrorizada.
— Acha que tem alguma coisa a ver com James?
Meses antes, ela teria pulado para proclamar a inocência de James.
Agora, ela não tinha certeza se realmente o conhecia.
— Porque ela trabalhou para ele? Não tenho certeza. — Chloe não queria acreditar que James pudesse estar envolvido no
desaparecimento de Ellie. E ele jurara que não sabia por que ela simplesmente não aparecera para trabalhar em um certo dia.
A única coisa que a amiga comentara com Chloe fora que podia ser difícil trabalhar com James, mas ela só trabalhara no consultório dele por um tempo curto antes de desaparecer.
Sinceramente, não fazia sentido que James tivesse algo a ver com o desaparecimento de Ellie. Eles mal se conheciam. Ela não conseguia pensar em um cenário que o tornaria responsável pelo desaparecimento súbito de Ellie.
— E você tem certeza de que não havia um homem na vida dela?
— perguntou Lara, subitamente soando como a ex-agente do FBI que fora antes de se casar com Tate.
Chloe balançou a cabeça negativamente. Ela e Ellie sempre tinham sido as esquisitas da escola, as duas com excesso de peso e desajeitadas durante todos os anos de estudo. Elas ficaram incrivelmente próximas uma da outra por se sentirem desconfortáveis e descobrindo que tinham muito mais em comum entre si do que com as garotas populares. Depois de ficarem amigas, passaram a ter uma à outra e isso fizera toda a diferença para Chloe na escola.
— Não, nenhum namorado — respondeu Chloe finalmente em tom sombrio. — Eu teria ficado sabendo.
— Como uma mulher simplesmente desaparece sem nenhum motivo aparente? — comentou Lara pensativa. — Não faz o menor sentido. Eu não a conhecia bem, mas não parece o tipo de mulher que procura problemas.
— Não era. Ela cresceu em uma família boa, como eu. O pai dela faleceu há vários anos, a mãe dela casou de novo e mudou-se para Montana, mas elas ainda são próximas. Ellie nunca quis atrair a atenção para si mesma. Ela tinha uma vida discreta, até onde sei. —
Chloe não vira a melhor amiga com muita frequência depois de ir para a universidade de veterinária, mas elas conversavam pelo telefone quase todos os dias. Havia pouca coisa que não contavam uma à outra.
— Ela gostava de James? Sabia sobre os problemas que vocês tinham? — perguntou Lara baixinho.
Chloe deu de ombros. — Não contei muita coisa sobre ele a ninguém, exceto você e Natalie. Acho que, algumas vezes, eu tinha vergonha da forma como ele me tratava. Ellie nunca o conheceu bem até começar a trabalhar com ele, o que não durou muito até ela desaparecer.
— Termine com ele e mantenha distância, Chloe. Por favor. — Lara lançou um olhar suplicante a Chloe.
Chloe assentiu lentamente ao colocar a mochila sobre o ombro. —
Vou fazer isso. — Ela sabia que estava na hora. A amiga estava desaparecida havia quase seis meses. Chloe nunca deixaria de procurar Ellie e um pedaço de seu coração sempre estaria faltando, a não ser que a encontrasse. Mas ela tinha que terminar com James.
Já evitara o assunto por tempo demais. Ela tinha informações e aconselhamentos suficientes agora para ser forte e cortar todos os laços com ele.
— Não deixe que ele a culpe nem a convença do contrário —
advertiu Lara.
Chloe sabia como James podia ser quando decidia se mostrar arrependido. Ele era convincente, mas ela não o deixaria levá-la de volta para o ciclo.
Nunca mais, não importa o quanto as coisas fiquem difíceis quando eu falar com ele.
Ela simplesmente assentiu para Lara. — Obrigada — disse ela por sobre o ombro ao andar em direção à porta de saída.
— Pelo quê? — perguntou Lara confusa ao seguir Chloe.
— Por me ajudar, por me apresentar Natalie, por me apoiar e por amar tanto meu irmão. — Tate estava muito feliz e Chloe sabia que isso se devia a Lara. O amor que brilhava entre eles quando ela os via juntos era tão forte que era quase palpável.
— Ele não é um homem fácil de amar o tempo inteiro, mas é o homem certo para mim — disse Lara com um suspiro feliz.
Pensando naquilo, Chloe imaginou que nenhum dos irmãos eram homens fáceis de amar, mas ela os amava mesmo assim. Eles podiam ser teimosos, orgulhosos e exigentes, mas o coração de todos era bom. — Tate virá para o café da manhã novamente? —
perguntou Chloe curiosa.
Lara riu. — É claro. Ele vai tomar um café da manhã que não precisará preparar. Não tenho tempo para cozinhar de manhã.
— Que tal irmos até lá para ver se sobrou algum waffle? — brincou Chloe.
— Ele guardará para nós e sua mãe começou a fazer mais waffles para o café da manhã. Ela sabe que ele vem comer no resort quase todas as manhãs.
A mãe de Chloe administrava o Rocky Springs Resort, um refúgio sofisticado para pessoas que queriam escapar da vida ocupada por um tempo curto.
Sem querer mais falar sobre James, Chloe foi em direção à sala de jantar. — Estou faminta — admitiu ela, sem se preocupar mais tanto com o peso. Ela era cheia de curvas e fim. Além do mais, precisava de uma comida gostosa.
— Vá na frente — disse Lara ansiosa.
Chloe não tinha certeza se Lara estava ansiosa pelo café da manhã ou para ver o marido. Ao andar com Lara em direção à comida, achou que fosse um pouco de cada.
— Vou terminar o noivado com James. Não quero me casar com ele — admitiu Chloe para a mãe, Aileen Colter, enquanto tomava café com ela antes de sair para a clínica veterinária. Tate e Lara tinham comido e saído depressa, pois ela tinha que ir para uma aula. Como sempre, Tate levaria a esposa para a universidade de helicóptero, trazendo-a de volta para casa mais tarde.
Aileen deixara o escritório no resort para se juntar à filha para tomar o café da manhã.
— Graças a Deus — sussurrou Aileen, com o alívio evidente na voz.
Chloe suspirou ao soprar a bebida quente e olhar para a mãe sobre a borda da xícara. — Você também? Achei que queria que eu me casasse.
Aileen encarou a única filha com um olhar de amor. — Eu quero.
Mas a sua felicidade é mais importante do que eu querer netos. Não acho que você seria feliz com James.
— Por quê? — perguntou Chloe curiosa. A mãe sabia muito pouco sobre o relacionamento dela com o noivo.
Aileen lançou um olhar sábio a Chloe. — Uma mãe sabe —
respondeu ela em tom vago. — As coisas nunca foram certas com ele. Foi o único homem que você namorou na vida. Acho que estava disposta a aceitar muito menos do que merece, Chloe.
Atônita, ela perguntou: — Por que você não disse nada?
— Chega uma hora em que uma mãe tem que deixar de lado. Acha que gostei de ver você se torturar quando não precisava? Acha que não fiquei aterrorizada quando Tate estava nas Forças Especiais?
Acha que não me preocupo agora porque sei que Marcus faz algumas coisas perigosas? — Aileen parou para tomar um gole de café antes de continuar: — Todos vocês são adultos e precisam tomar as próprias decisões, goste eu ou não. Criei filhos incríveis e tenho fé de que farão o que for preciso para serem felizes. Mas isso não significa que eu goste de tudo o tempo todo — terminou ela em um tom infeliz.
— Então acha que estou fazendo a coisa certa? — perguntou Chloe ansiosa.
Aileen assentiu. — Com certeza, filhota. Você precisa de um homem que realmente a ame. James não é esse homem. Você só nunca teve a oportunidade de encontrar alguém assim.
O coração de Chloe ficou apertado de amor pela mãe, que obviamente estivera confiante de que ela tomaria a decisão certa em algum momento. — Você teria dito alguma coisa que eu fosse mesmo me casar com ele?
— Talvez — respondeu Aileen pensativa. — Mas eu tinha quase certeza de que não precisaria. Eu sabia que você resolveria as coisas em algum momento. Você é uma mulher inteligente. Mas está me deixando um pouco nervosa.
A mãe não sabia de nada sobre o temperamento de James, mas Chloe tinha a impressão de que ela sabia mais do que dava a entender. Talvez fosse o instinto materno, mas Chloe se perguntou como a mãe parecia saber de praticamente tudo o que acontecia com os filhos, mesmo que não lhe contassem nada.
— Sairemos para jantar amanhã. Vou conversar com ele nesta ocasião — garantiu Chloe em tom suave.
— Seja forte — disse Aileen. — Só lembre-se de que ele não é o homem certo para você. Algum dia, você saberá que tomou a decisão certa.
Chloe já sabia que tinha feito isso, soubera por muito tempo. Ela só precisava de coragem para contar a James. — Obrigada —
respondeu ela simplesmente.
Aquelas palavras simples de gratidão para a mãe envolviam muitas coisas: Obrigada por amar tanto seus filhos.
Obrigada por sempre estar ao nosso lado.
Obrigada por sempre ter fé em nosso julgamento.
E por muitas outras coisas.
A mãe sempre fora o porto seguro de Chloe e não poder contar a ela tudo sobre James quase a matara. Mas ela soubera que a mãe teria falado com os irmãos dela porque a segurança de Chloe estava em risco. E James era um problema que Chloe teria que resolver sozinha. Ele era o único homem que ela conhecera intimamente e demorara muito tempo para entender a verdade. O relacionamento deles não era normal nem saudável e estava na hora de pular fora.
— Vou lhe contar como foi quando voltar para casa amanhã à noite
— disse Chloe, tomando outro gole do café ao notar o olhar gentil no rosto da mãe.
— Esperarei acordada — disse Aileen rapidamente.
Chloe riu. — Você não me espera acordada desde a época da escola.
— É verdade — concordou Aileen. — Mas não porque eu não quisesse — acrescentou ela, soando chateada.
Chloe estendeu o braço sobre a mesa e pegou a mão da mãe. —
Eu amo você, mamãe. — A voz dela estava repleta de emoção. Ela não lembrava muito do pai, mas a mãe sempre fora sua maior defensora sem ser superprotetora. Ninguém ficara mais orgulhosa dela do que a mãe quando Chloe se formara como veterinária.
— Eu também amo você, filhota. — Aileen apertou a mão de Chloe.
— Vai me contar tudo quando terminar? — perguntou ela hesitantemente.
Ela sabe. De alguma forma, minha mãe sabe que James é um escroto abusivo.
— Vou, sim — concordou Chloe, sabendo que era próxima o suficiente da mãe para contar tudo depois que terminasse o noivado.
Como o relacionamento estaria terminado, ela poderia pedir que a mãe jurasse segredo. Havia tantas perguntas que ela queria fazer sobre relacionamentos, mas não podia fazer isso sem revelar o passado com James.
Aileen assentiu. Chloe se levantou e pegou a bolsa, soltando relutantemente a mão da mãe.
— Tenha cuidado — advertiu ela à filha. — Homens desprezados podem ser perigosos.
Chloe respirou fundo, sem querer que a mãe soubesse como estava nervosa sobre terminar o noivado.
— Sou adulta, mamãe. Consigo lidar com isso. — A voz dela demonstrou uma confiança que ela não sentia.
— Eu sei que sim — disse Aileen ao se levantar.
Chloe abraçou a mãe espontaneamente, segurando Aileen um pouco mais do que o normal antes de se despedir e sair do resort.
Era hora de interromper o ciclo, hora de finalmente assumir o controle de sua vida pessoal, não importava o resultado de sua decisão. James poderia ficar furioso agora, mas os dois seriam mais felizes no futuro.
Com a decisão firmemente tomada, Chloe foi trabalhar, tentando não sofrer com o encontro com James.
O Presente…
—Não posso me casar com você — disse Chloe no jantar na noite seguinte. Ela não esperara para começar a comer no restaurante da família em Rocky Springs. Na verdade, ela nem recebera ainda a bebida que pedira.
Agora que ela conseguira reunir coragem para falar com James, não pretendia recuar. Ela queria terminar a tarefa de dizer a ele que estava tudo terminado assim que possível.
Ela viu quando James a olhou com surpresa desagradável. Os olhos dele se estreitaram quando ele a encarou com uma daquelas expressões irritadas que ela passara a conhecer tão bem.
— É claro que você vai casar comigo — disse ele com voz calma, mas ela percebeu a ameaça no tom baixo.
Ela balançou a cabeça negativamente ao encontrar seu olhar irritado. Brincando com o guardanapo no colo, ela respondeu: — Não posso. Não estou feliz, James, nem você. Tenho certeza de que você encontrará uma mulher que lhe agrade, mas não sou essa mulher.
Verdade seja dita, ele parecia gostar de nada nela, exceto o fato de ser rica e muito bem relacionada desde que voltara a Rocky Springs.
Ele sempre fora assim? Ou ela simplesmente passara a maior parte do relacionamento em negação porque eles raramente se encontravam?
Fui realmente tão ridícula que acreditei que nenhum outro homem me amaria e que teria que aceitar o que tinha?
Naquele momento, ela não tinha certeza de por que permanecera por tanto tempo naquele relacionamento, mas Natalie a ajudara a avançar desde o começo. James não seria o futuro dela.
A fúria surgiu brevemente na expressão dele ao dizer em tom firme:
— Você vai se casar comigo, Chloe. Estivemos planejando nos casar durante anos. Aceitei todas as suas falhas, mas o seu julgamento neste momento me deixou confuso. Quem mais amará você?
O comentário dele a atingiu, mas Chloe tentou não demonstrar. Ele tentava argumentar com ela, fazer com que achasse que nenhum outro homem gostaria dela porque não era a mulher ideal. Mesmo se isso fosse verdade, ela estaria melhor sozinha do que com alguém que a tratava como se tivesse sorte de tê-la aceitado em casamento.
Isso transformaria a vida dela em um inferno. Bem no fundo, talvez ela não achasse que alguém a quisesse, mas estaria melhor sozinha do que com alguém que só a desmerecia, certo?
— Não importa se eu nunca encontrar outra pessoa. Não quero me casar com você — repetiu Chloe.
— Você não encontrará mais ninguém — disse James em tom arrogante. — Nenhum homem vai querer você, Chloe. Você se veste como uma mulher pobre, não faz nada para melhorar a sua aparência e prefere ficar com seus animais fedidos. Você até mesmo fede como seus pacientes na maior parte do tempo.
Ela se encolheu ligeiramente ao ouvir as palavras dele, sabendo que a maioria delas era verdadeira. Ela nunca gostara da vida de garota rica e participava de pouquíssimos encontros sociais, a não ser que fossem de caridade. Ela realmente fedia a animais no fim de um dia de trabalho, mas a aparência dela não importava para seus pacientes. Na verdade, ela gostava de estar com os animais. Eles davam amor incondicional.
— Acabou, James — repetiu ela, torcendo para que ele finalmente desistisse.
— Não acabou, Chloe. Nunca acabará. Escolhi você apesar de poder ter praticamente qualquer mulher que eu queira. — A voz dele estava ficando mais alta e mais furiosa.
Ela olhou para James, elegante com o terno e a gravata. Ele era bonito e era médico. Com um físico alto e esguio, cabelos escuros e olhos azuis, a maioria das mulheres o acharia atraente. Infelizmente, a conexão pessoal dela com ele, se era que um dia existira, acabara.
Ela nunca parecia fazer nada certo aos olhos dele e, quanto mais
entendia o relacionamento, mais sabia como ele precisava ser controlador. Alguns dos confrontos tinham terminado com resultados terríveis, com James provando que tinha controle completo das formas mais hediondas.
Ele fez lavagem cerebral suficiente em mim. Acabou. Eu seria como um hamster girando em uma roda sem chegar a lugar algum com ele. Não aguento mais.
Chloe engoliu em seco, reconhecendo o tom de inimizade na voz dele. Aquilo normalmente significava que ela pagaria mais tarde pelo que estava dizendo. — A-ca-bou — disse ela.
Obrigada, Lara e Natalie. Obrigada por me dar coragem para sair deste relacionamento e por me fazer perceber como fui idiota em não notar que não poderia me casar com alguém como ele.
Chloe não podia dizer que ganhara muita autoconfiança ainda, mas conhecer Lara, que virara sua confidente, ajudara muito. Natalie consolidara tudo com suas percepções e apoio. Chloe estava em um ciclo de abuso e ia sair daquele ciclo sem fim, não importava o quanto fosse difícil.
— Nós crescemos — disse ela baixinho. — Não somos mais a pessoa certa um para o outro.
Sinceramente, talvez nunca tivessem sido certos um para o outro, mas Chloe fora jovem e ingênua quando conhecera James e continuara ignorante sobre o que era normal durante anos. Ela estivera tão concentrada na intensidade dos estudos que estivera mentalmente exaurida demais para questionar qualquer coisa que James enfiara em seu cérebro. Ela aceitara tudo como verdade e agora estava pagando pela falta de atenção ao relacionamento, deixando que ele minasse sua confiança.
— Você vai para casa comigo e conversaremos sobre o assunto lá
— disse James impacientemente.
Chloe abriu a boca para falar, mas parou quando a garçonete se aproximou para entregar as bebidas. Ela era uma loira bonita e Chloe ficou atônita ao ver como o comportamento de James mudou para o de um homem charmoso que praticamente flertou com a garota.
Chloe suspirou ao observar a garota colocar o daiquiri de morango em frente a ela com um sorriso gentil. Chloe sorriu de volta ao
segurar o canudo e começar a mexer o creme da bebida.
James também direcionara o charme a Chloe em uma época. Mas aqueles dias tinham acabado havia muito tempo. Ele parecia mudar de personalidade como mudava de roupa. Ela reconheceu o sorriso e o charme pelo que realmente eram… nada mais do que uma encenação.
A afeição dele por ela algum dia fora sincera?
A garçonete foi embora e a expressão dele imediatamente mudou para desaprovação ao encará-la.
Eu sei agora o que esse olhar significa. Se ela fosse para casa com ele, não discutiriam nada de forma racional. Ele descontaria a fúria causando dor.
— Não vou para casa com você. Para mim, acabou — respondeu ela em tom casual, apesar de sentir um frio na barriga.
Chloe raramente ia para casa com James e podia contar nos dedos de uma mão o número de vezes em que fizeram sexo desde que ela voltara para Rocky Springs. Na verdade, ela odiava aqueles encontros porque sexo, para James, era apenas uma forma de puni-la, de demonstrar controle. Ela evitara o máximo possível e, ultimamente, recusava-se a ficar sozinha com ele. Depois da última punição dele, ela não lhe dera a chance de forçá-la novamente a fazer sexo.
Tomando um longo gole da bebida, ela observou James de forma discreta, assustando-se quando a mão dele passou por cima da mesa tão depressa que não teve tempo de reagir. Passando os longos dedos em volta do pulso dela, ele a apertou. Chloe se encolheu, sabendo que aquele gesto poderia parecer romântico à distância, mas era uma ação destinada a causar dor… o que aconteceu. A mão dele a apertou tanto que ela teve medo de que os ossos do pulso se quebrassem.
— Gastei todo esse tempo com você, Chloe. Acha mesmo que vou deixá-la ir? Quero todas as coisas a que tenho direito — disse ele furioso. — Quero os carros sobre os quais conversamos e a casa.
Quero construir minha carreira e ser o médico mais popular do condado. Mereço isso depois de todo o tempo que investi em você.
James queria muitos brinquedos, coisas caras que somente o dinheiro dela poderia comprar. Em um certo momento, ela estivera disposta a dividir tudo com ele, pois seria seu marido. — Desculpe —
disse ela automaticamente para fazer a dor parar.
— Então pare com esse papo de terminar — insistiu James, apertando-a ainda mais de forma cruel. — Pare com isso agora.
As lágrimas começaram a se formar nos olhos de Chloe por causa da dor. — Não posso — disse ela, olhando para ele com expressão de súplica. — Não vou me casar com você.
Ela tentou soltar o braço, lutando com ele. — Você está me machucando.
— Vai doer ainda mais quando voltarmos para casa — disse James, mantendo a mão em volta do pulso dela. — Pare de fazer uma cena, Chloe.
Ela puxou o braço, sem se importar mais se as pessoas notariam.
— Solte-me. — Pela primeira vez, ela sentiu uma raiva real, ódio pelo homem que achou que um dia amara.
Não mereço isto. Nenhuma mulher merece.
— Não vou parar até que você pare de agir como uma puta idiota —
respondeu James. A voz dele ficou mais alta, o rosto ficou vermelho de irritação e a expressão ficou violenta.
Chloe considerou gritar quando um braço, que pareceu ter saído do nada, instantaneamente fez com que James a soltasse. Ela soltou uma exclamação quando ele a soltou e gritou ao puxar o braço com dor.
Ela olhou para seu salvador.
Gabe.
Ela respirava depressa, com o coração disparado, ao esfregar gentilmente o pulso dolorido, tentando recuperar a circulação para a mão.
— Quando uma mulher lhe pede para soltá-la, você a solta — disse Gabe a James em tom exagerado. — Você está bem, Chloe?
Ela olhou para Gabe com os olhos cheios de pânico. — Sim, estou bem.
James ainda segurava o braço depois que Gabe o torcera de forma brutal para forçá-lo a soltar Chloe.
Gabe empurrou o chapéu Stetson preto para cima com o dedo indicador, revelando a raiva nos olhos ardentes. — Ótimo. Esperarei você na minha caminhonete — disse ele calmamente, com a ira ainda voltada diretamente para James.
O corpo de Chloe relaxou quando ela começou a sentir a mão novamente. Ela queria obedecer, fugir do restaurante como uma gazela assustada com um predador logo atrás, mas não queria envolver Gabe em seus problemas. — Venha comigo — pediu ela. —
Não estou me sentindo bem. Quero ir para casa. — Ela se levantou e estendeu a mão para ele.
Gabe hesitou ao olhar para James como se o médico fosse uma barata que gostaria de esmagar. Em seguida, ele olhou para Chloe e segurou a mão estendida dela. — Primeiro você, não importa o quanto eu queira acabar com a raça dele agora — disse ele para Chloe. — Vamos.
— Isso não acabou, Chloe — sibilou James quando Gabe começou a levá-la para fora do restaurante.
Gabe se virou. — Acabou — garantiu ele a James, dando ao homem sentado um olhar mortal. Em seguida, ele gentilmente conduziu Chloe consigo para fora do restaurante.
Chloe o seguiu, sem se sentir afetada pela expressão violenta nos olhos de Gabe. Diferentemente de James, ela sabia que Gabe nunca a machucaria, mesmo se estivesse furioso.
— Que merda foi aquela? — Gabe abriu a porta da caminhonete quando chegaram ao estacionamento.
Chloe segurou a maçaneta do lado de dentro da porta e colocou o pé no estribo para subir para o assento do veículo enorme.
Gabe a impediu, segurando gentilmente o braço dela e passando-o em volta do próprio pescoço. Em seguida, ergueu-a e colocou-a sobre o assento como se ela não pesasse quase nada.
— Eu estava terminando nosso noivado — disse ela com sinceridade, achando que ele merecia saber, pois a ajudara. Ele provavelmente imaginara o que acontecera pelos poucos comentários que ouvira sendo trocados entre ela e James.
Ela não conseguiu ver o rosto dele. Gabe ainda estava parado do lado de fora do veículo e a luz interna não chegava ao seu rosto.
— Graças a Deus! — respondeu ele em tom aliviado. — Deixe-me ver seu braço.
O toque dele foi gentil ao apoiar o braço dela em uma mão e apalpar devagar o pulso com a outra. — Você já tinha alguns machucados antigos. — A voz de Gabe vibrou de fúria.
Chloe sabia que teria marcas novas na manhã seguinte. As anteriores eram quase imperceptíveis e ela não usara uma camiseta com mangas longas. — Eles desaparecerão.
— Eles não deveriam estar lá, para começo de conversa —
resmungou Gabe. — Que merda, Chloe, isso aconteceu antes?
Chloe suspirou. Aquilo acontecera mais vezes do que ela podia contar. Sinceramente, a dor física desaparecera, mas a tortura mental era muito mais difícil de superar.
Ela ficou em silêncio quando Gabe soltou seu braço e afivelou o cinto de segurança. Ele fechou a porta com cuidado e foi para o lado do motorista.
A escuridão invadiu o interior do veículo quando ele se sentou e fechou a porta. Ele não fez movimento nenhum para ligar o veículo.
Estava tudo tão quieto que Chloe conseguiu ouvir a respiração irregular dele.
Finalmente, ele falou. — Quero saber o que aconteceu, Chloe. Eu gostaria de saber de tudo. Não posso ajudar você se não souber de tudo o que aconteceu.
As lágrimas brotaram nos olhos dela ao ouvir a preocupação na voz de Gabe. — É uma longa história — avisou ela, querendo realmente contar a Gabe toda a confusão e dor que sentia.
— Você tem irmãos que a teriam protegido, amigos como eu que a teriam protegido. Você não depende dele para nada. Quero entender o motivo. — A voz dele era uma mistura de confusão e agitação.
— Eu sei. Não tenho certeza se consigo realmente explicar — disse Chloe chorosa.
— Ei, não estou culpando você — explicou Gabe gentilmente. — Só quero entender.
O interesse sincero dele fez com que Chloe cedesse. — Então somos dois — respondeu ela com um soluço estrangulado.
Gabe se referira a si mesmo como amigo dela, apesar de Chloe ter feito todo o possível para evitá-lo ou afastá-lo desde que ele a beijara na noite de Ano Novo.
— Vamos entender, Chloe. Prometo — disse Gabe com a voz rouca. Ele estendeu a mão para segurar a dela na escuridão. — Só me prometa que nunca voltará para ele.
O coração dela deu um salto quando ele segurou sua mão gentilmente e entrelaçou os dedos nos seus. Era uma promessa fácil de fazer. Ela chegara longe o suficiente para que nunca mais voltasse. — Prometo.
Gabe ligou o veículo. — No momento, é a única coisa que realmente preciso ouvir.
O alívio e a sinceridade na voz dele fizeram com que Chloe começasse a chorar, sem perceber como era bom ter alguém que se importava. Sem dúvida, os irmãos desejariam matar qualquer um que lhe causasse dor, mas a preocupação parecia diferente vinda de um homem que não era parente dela.
— Você é um homem bom — disse Chloe, percebendo que era verdade no momento em que disse aquilo em voz alta.
— Não sou perfeito, mas sou um homem muito melhor do que aquele que você acabou de deixar — respondeu Gabe com a voz irritada.
— Obrigada por me ajudar. — Ela estava grata por Gabe ter aparecido no momento em que apareceu.
— Ora, só o que você precisa fazer é pedir. Estou muito feliz por ter sentido vontade de comer carne hoje à noite. — Ele apertou a mão dela e soltou-a para engatar a marcha da caminhonete.
— Não sou muito boa em pedir ajuda — admitiu Chloe.
— Percebi — respondeu Gabe em tom infeliz ao manobrar o veículo para fora do estacionamento. — Agora, fale — insistiu ele.
Chloe respirou fundo e começou a revelar, de forma sincera, tudo o que podia sobre o relacionamento horrível com James. Ela contou o que descobrira durante as sessões com Natalie e como lentamente estava recuperando o controle da própria vida. Ele não a julgou, fazendo perguntas quando queria esclarecer algo, mas sem condená-la por ter ficado tanto tempo com James.
Ela lentamente se abriu, contando a ele mais e mais à medida que Gabe a encorajava a continuar falando.
Chloe nunca se imaginara contando a um homem que não conhecia muito bem sobre os piores erros que cometera na vida.
Com Gabe, era muito mais fácil do que ela achava que seria.
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Document Outline
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Epílogo
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