Bilionário Indomado: Tate
Capítulo 13
Na tarde de domingo, Lara estava parada em frente à janela da casa de Tate e observava enquanto ele passeava com Shep. Ela sorriu ao vê-lo mover os lábios. Ele conversava com o cachorro, provavelmente contando ao animal como ela estava sendo teimosa.
Tate passara o dia anterior inteiro tentando convencê-la dos méritos de ficar no Colorado. Depois que ela terminara uma sessão matinal com Chloe na academia, ele a levara para esquiar. No fim do dia, ela estava sentindo o traseiro dolorido e machucado, mas conseguira ficar de pé nos esquis nas encostas para principiantes. E fora divertido, desafiador, eles riram muito, algo que ela quase não fizera até conhecer Tate.
Ele a levara a Denver na noite anterior para um jantar completo, com vinho, rosas e champanhe. Ele fora doce e sedutor, levando-a diretamente para a cama ao chegarem em casa, onde virou o mundo dela de cabeça para baixo novamente.
Se ele estava tentando fazê-la aceitar o Colorado e o estilo de vida bilionário, ela certamente não tinha argumentos. Tate tinha uma família incrível, uma casa maravilhosa e Lara já amava o Colorado.
Era diferente de viver em Washington, mas de uma forma boa. Era pacífico e Rocky Springs era uma cidade pequena deslumbrante.
O problema era que… ela estava apaixonada por Tate Colter.
Ela suspirou ao apoiar o quadril na janela e observou enquanto ele esperava pacientemente que Shep encontrasse um local para urinar.
Não era que ela não quisesse ficar, simplesmente não podia. O coração dela já estava dilacerado. Estar perto de Tate todos os dias sem dizer exatamente como se sentia seria impossível.
Ele queria que ela ficasse, mas isso não significava que a amava.
Tate não parecia pronto para amar e ela não conseguia aguentar a
agonia de amar alguém tanto quanto o amava sem que o sentimento fosse recíproco.
Não é culpa dele se não sente a mesma coisa.
Lara não o culpava. Talvez ele não estivesse pronto, ou talvez ela não fosse a mulher da vida dele. Ela não se arrependia do tempo que passara com ele. Ele… a mudara de alguma forma, fizera com que se sentisse mais mulher. Agora que ele abrira um mundo novo para ela, Lara não podia voltar no tempo. E não podia ignorar o fato de que seu coração se abrira totalmente para ele. E ele não o queria.
Ficar seria apenas um curativo na ferida aberta. Talvez ela se sentisse melhor por algum tempo, mas, no final, ficaria arrasada. Ela teria que tirar o curativo e deixar o coração se curar… se era que isso seria possível. De alguma forma, Lara não achava que conseguiria esquecer Tate Colter em um futuro próximo. Ela nunca conhecera um homem como ele, e conhecera muitos homens na vida. Ele era… único.
Ela se afastou da janela com os olhos cheios de lágrimas. Ao se sentar à mesa, ela limpou os olhos furiosamente. A última coisa de que precisava era que Tate a visse chorando. Ele tinha o suficiente com o que lidar com a família no momento. Não precisava de uma mulher chorosa ridícula que o amava tanto que mal conseguia respirar ao pensar em deixá-lo.
No jantar da noite anterior, ela perguntara a Tate se ele queria falar sobre Marcus. Ela sabia que ele estava arrasado, mas não quisera conversar sobre o assunto. Ele dissera que ainda era muito cedo e precisava entender o que sentia. Ele estava em estado de negação e Lara sabia que, uma hora, a ficha cairia em relação à traição de Marcus. Ela queria ajudá-lo, mas não queria forçá-lo se não estivesse pronto para conversar.
Talvez ele me telefone quando estiver pronto para conversar.
Uma coisa era certa: ela conversaria com ele, mesmo se ouvir a voz dele de tão longe quase a matasse. Ele precisaria de alguém para escutar quando finalmente aceitasse o que Marcus fizera.
Tate entrou na casa naquele instante, deixando as botas na varanda e soltando a guia de Shep. Ele tirou o casaco e o capuz. Os cabelos dele tinham aquele jeito espetado que fazia com que ela quisesse
saltar sobre ele. Ok, ela sempre sentia vontade de saltar sobre ele, mas os cabelos dele deixavam a vontade ainda mais forte. Ele estava particularmente atraente naquele dia, vestindo calça jeans desbotada e um suéter marrom claro.
Shep correu na direção dela, balançando o rabo aos seus pés e tentando subir pela perna da calça. Ela o pegou no colo com uma risada alegre e abraçou-a contra o pescoço. — Por que você sempre me procura quando está com frio? — Ela estremeceu quando o corpo pequeno e gelado do cachorro encostou nela.
— Porque você é muito ardente. Ele sabe como se esquentar. É um cachorro esperto — disse Tate com um sorriso malicioso.
Lara revirou os olhos para Tate, mas secretamente adorava quando ele inferia que ela era atraente. Um homem que realmente a tratava como se fosse uma mulher desejável era uma novidade para ela, que devorava aquilo como se fosse chocolate.
Lara olhou de relance para o traseiro perfeito e firme de Tate quando ele foi para a cozinha servir a comida de Shep. O cachorro saltou do colo dela no momento em que Tate encheu o prato. —
Abandonada pela comida — resmungou ela de bom humor.
Tate olhou para ela com um olhar ardente. — Acho que ele não é esperto o tempo inteiro. Eu desistiria da comida em um piscar de olhos para ficar abraçado com você.
Ela abriu um sorriso bobo. — Mas que honra.
Lara deu um salto quando a campainha tocou.
— Eu atendo. Provavelmente é sua mãe e Chloe — disse Lara ao se levantar. Ela gostava de ver Aileen e Chloe. Não esperara vê-las naquele dia porque ela e Tate as visitaram na manhã do dia anterior depois da sessão na academia.
Ela abriu a porta com um sorriso e a expressão alegre deu lugar à confusão ao ver um rosto completamente diferente dos esperados.
— Blake? Achei que ainda estivesse em Washington.
A expressão no rosto do irmão de Tate era sombria. Naquele dia, ele não usava o chapéu de caubói e vestia um terno escuro, com um casaco de lã no mesmo tom.
— Posso entrar? — perguntou ele educadamente.
Lara abriu a porta completamente para deixá-lo entrar.
— Que porra você está fazendo aqui, Marcus? — soou a voz furiosa de Tate atrás de Lara.
Marcus? Aquele era Marcus?
— Tem certeza? — perguntou ela a Tate ao se afastar do homem que acabara de entrar e pegar a arma do coldre preso às costas. Ela tinha certeza de que Tate estava correto. Parecia impossível, mas ele reconhecia os próprios irmãos.
— Sim, tenho certeza — respondeu Tate enfurecido.
Lara se afastou de Marcus o suficiente para que ele não conseguisse pegar a arma e mirou-a nele. — É melhor explicar depressa antes que eu atire em você. — Como diabos ele escapara da prisão e chegara até o Colorado? E por que estava vestido como se estivesse indo para o escritório?
Marcus estreitou as sobrancelhas. — Abaixe a arma. Estou aqui para conversar. Preciso falar com Tate.
— Falar? Se der um passo na direção dele, matarei você. Como saiu da prisão? — repetiu ela, com a arma firmemente apontada para ele.
— Fui legalmente liberado — respondeu Marcus calmamente.
— Mentira — explodiu Tate ao andar na direção de Marcus e agarrar o colarinho do casaco dele. — Eles não deixam terroristas saírem da prisão. Tente novamente.
— Tate, você está me bloqueando. Saia da frente — exigiu Lara, nervosa porque agora Tate estava no caminho.
Marcus se soltou da mão de Tate. — Escute o que tenho a dizer.
Não sou terrorista. Eu trabalho para a CIA. — Ele abriu uma carteira de couro e mostrou uma identificação.
Tate arrancou a carteira da mão dele e examinou-a com cuidado. —
Parece legítima — disse ele a Lara.
Ela deu um passo à frente e pegou a carteira, reconhecendo a identificação. Se fosse falsa, ele era um falsificador muito bom. E de que adiantaria?
Marcus levantou o telefone que segurava na outra mão. — O
número da CIA está no meu telefone. Ligue para o diretor. Verifique o número, telefone para a central e peça para falar com ele. Ele está esperando seu telefonema.
Lara colocou a carteira dele sobre a mesa, mas manteve os olhos em Marcus enquanto Tate fazia o que o irmão instruíra. Ele verificou o número no notebook antes de telefonar. Ela ouviu Tate falando, mas sua atenção estava concentrada no irmão dele.
Ele parecia diferente e os olhos estavam longe de não ter expressão. Marcus parecia cansado e os olhos acinzentados brilhavam com tristeza e remorso.
Meu Deus… seria mesmo possível que Marcus estivesse dizendo a verdade? Por favor. Por favor, que seja verdade. Significaria tanto para Tate se Marcus fosse realmente o mocinho. Mas, se era, o que diabos ele estava fazendo com todos aqueles explosivos?
Tate terminou a conversa, desligou o telefone e devolveu-o a Marcus. — Abaixe a arma, Lara — disse Tate. — Ele está dizendo a verdade.
Mas. Que. Diabos?
Lara guardou a arma, ainda confusa. — Como? Por quê?
Marcus inclinou a cabeça na direção dela. — Obrigado por não atirar em mim.
— Agradeça a Tate. Eu queria atirar em você — resmungou ela irritada. Depois do que ele fizera Tate passar, ela quisera machucar Marcus. Muito.
Marcus riu. — Tenho certeza de que queria e provavelmente ainda quer. — Ele olhou para Tate. — Você encontrou uma mulher leal.
— Ela é o máximo — corrigiu Tate. — Pretende me contar o que está acontecendo? Os outros todos já sabem? — Ele acenou para a mesa.
Eles se sentaram e Lara percebeu como era irreal a situação de estar sentada à mesa, à frente de um homem que, pouco tempo antes, ela achava ser um terrorista.
Marcus começou a falar. — Blake sabe desde que foi para Washington e eu podia conversar com ele pessoalmente. Encontrei com Zane em Denver antes de vir para cá e acabei de sair de uma longa conversa com Chloe e mamãe.
— Então, sou o último a saber — resmungou Tate.
— Eu sabia que você seria o mais difícil — disse Marcus em tom sério. — Eu fiz com que fosse ferido, Tate. E Lara foi humilhada e
também se machucou. Desculpem.
— Faz parte do meu trabalho — respondeu Lara baixinho. — Pode explicar como o FBI não sabia sobre você?
Marcus assentiu. — Poucas pessoas sabiam e não fico surpreso por terem colocado uma equipe antiterrorismo do FBI no caso. Eu esperava que isso acontecesse. Meus rastros não foram exatamente discretos e não eram para ser. Mas era uma missão supersecreta e não queríamos que nenhuma informação vazasse. A pessoa de posição mais baixa na CIA que sabia era o diretor substituto do departamento de serviços clandestinos. O diretor do FBI foi informado, mas não foi autorizado a dividir as informações com ninguém.
— Qual era a sua missão? — perguntou Tate.
Marcus fez uma careta. — Era algo em que eu me envolvi de forma inadvertida. Esse grupo era razoavelmente sofisticado e tinha dinheiro. Eles fingiam ser homens de negócios legítimos e respeitados. Ouvi uma conversa que tenho certeza de que não deveria entender. Estavam discutindo uma função comercial em árabe.
— Você fala vários idiomas — comentou Lara.
Marcus deu de ombros. — Lido com muitos países e tenho facilidade em aprender os idiomas.
— E depois? — insistiu Tate.
— Abordei a CIA com as informações.
— Há quanto tempo você ajuda a CIA?
— Faz algum tempo — admitiu Marcus relutantemente. — Eu viajo e consigo informações limitadas que os ajudam. Ajudei a obter informações para eles no passado, mas nada na mesma escala dessa operação em particular. Eles me perguntaram se eu poderia me aproximar desses homens, tentar me infiltrar no grupo de alguma forma. Não foi fácil. Sou norte-americano e eles não confiavam em mim. Demorei dois anos para finalmente convencê-los que eu só queria dinheiro e que não me importava com a causa deles. Eles não queriam que eu me importasse. Só precisavam de uma cobertura nos Estados Unidos para comprar os explosivos e não levantar muitas suspeitas. Como somos uma família importante, decidiram
aceitar o risco. O plano era reunir todos os explosivos e depois faríamos a transação final. Eu receberia o pagamento e eles levariam os explosivos embora. O que você interrompeu foi a verificação da remessa final antes de fazermos a transação. Nada deveria acontecer naquele dia. O diretor estava planejando montar uma equipe especial, incluindo o FBI, para a operação final. Eu queria garantir que minha família estivesse afastada da área antes que alguma coisa acontecesse. — Marcus fez uma pausa antes de continuar. — Eu nunca deveria ter usado a pista de pouso nem Rocky Springs.
— Você não teve muita opção. É um aeroporto particular. Onde mais poderia ter providenciado isso? — disse Lara baixinho, sabendo que ele tinha a isca perfeita para os terroristas, pois tinha um aeroporto particular e os Colters eram uma família muito respeitada.
— Colocou minha família em perigo — respondeu Marcus.
— Normalmente, isso não teria acontecido — disse Tate com sinceridade. — A pista de pouso fica a uma distância segura de nossas casas e do resort. Lara e eu estarmos lá foi algo acidental. Eu queria provar a ela que você não estava envolvido para que Lara parasse de tentar atrair sua atenção.
Marcus sorriu e olhou para Lara. — Ah, ela teria chamado minha atenção. Mas eu provavelmente teria imaginado que ela era federal.
— Você não saberia — disse Lara na defensiva. — Sou muito boa no meu trabalho.
O sorriso de Marcus se alargou. — E eu tenho muitos contatos. —
Ele olhou para Tate. — Você a identificou como federal?
— Sim, mas só porque verifiquei as informações pessoais dela. Não suspeitei que fosse do FBI. Só sabia que não era o tipo normal de hóspede no resort.
— Verifiquei todo mundo que falou comigo nos últimos dois anos.
Eu não tinha dúvidas de que o FBI estava investigando, mas não estávamos prontos para montar uma equipe. Precisávamos primeiro de provas — explicou Marcus.
— Por que deixou a equipe prender você? — perguntou Lara curiosa.
— Nem todos os terroristas estavam lá. Tínhamos que capturar o restante do grupo. Eles teriam desaparecido imediatamente se soubessem que eu estava envolvido com a CIA. Eu teria que esperar até que os outros estivessem sob custódia e precisávamos montar uma armadilha. Se eu tivesse me exposto naquele momento, teria sido muito mais difícil ajudar a atrair o resto do grupo para uma área em que fossem presos — informou Marcus. — Fiquei muito feliz por você ter uma equipe de apoio, agente Bailey. Eu fui para o depósito para tentar enviar uma mensagem de emergência para o diretor enquanto os terroristas estavam ocupados conferindo a mercadoria, mas a CIA não chegaria a tempo. Eu já estava tentando pensar em um plano alternativo.
— Você não disse a eles que eu era seu irmão — comentou Tate. —
Não entendo árabe como você, mas pareceu que estava dizendo a eles que éramos da polícia.
Marcus assentiu. — Eu não queria que eles soubessem de jeito nenhum que éramos parentes. Eles são paranoicos e loucos. Era melhor deixar que achassem que tínhamos sido descobertos pelas autoridades locais e que precisavam se mexer mais depressa. Meu plano era tentar fazer com que me dessem o dinheiro para que começassem a transportar a mercadoria enquanto eu mantinha vocês dois para dar a eles tempo de escapar. Isso teria nos dado algum tempo, mas não sei se teriam concordado. E eu não sabia com que rapidez a força policial seria enviada. Acredite… fiquei mais do que feliz em ser preso com os outros pelo FBI. E fiquei feliz por eles estarem sob custódia. E pela agente Bailey ter pensado em levar uma equipe de apoio. Eu estava preocupado que você fosse sangrar até a morte.
— Por favor, chame-me de Lara. E não confiei em você como Tate confiou.
— Fico feliz. — Marcus lançou um olhar grato a Lara.
— Nada vazou para a imprensa ainda — observou Tate.
Marcus balançou a cabeça negativamente. — Com sorte, não vazará. Mantivemos tudo isso em segredo. Os únicos civis que sabem são Gabe e a minha família. E Gabe agora sabe a verdade.
Ele disse que não contará a ninguém e acredito nele. O hospital não
tinha ideia do que aconteceu com você, Tate. Eles denunciaram a facada, mas a denúncia foi para a polícia, que não vai dizer nada. Eu realmente prefiro que isso não se transforme em uma fofoca e que o mínimo possível de pessoas saiba que trabalho com a CIA.
— Faz sentido que você ainda queira trabalhar como agente de operações — concordou Lara.
— Não acredito que meu irmão é um maldito espião — resmungou Tate. — Minha nossa, você provavelmente vai acabar morto se continuar brincando de James Bond.
Marcus lançou um olhar reprovador a Tate. — Como se você pudesse dizer alguma coisa. O que faço é muito mais seguro do que qualquer uma de suas missões do passado. — Marcus se virou para Lara. — E qual era o seu objetivo aqui no resort?
— Aproximar-me de você e seduzi-lo para que falasse. Só o que sabíamos era que estava comprando e trazendo para cá grandes quantidades de explosivos. Era uma missão investigativa.
— Bacana — disse Marcus em um tom macio como seda. Os olhos dele a percorreram de cima abaixo. — Exatamente quanta sedução isso teria envolvido? — questionou ele.
— Nenhuma — rosnou Tate. — Ela está fora dos limites.
Marcus sorriu. — Não mais. Estamos do mesmo lado.
— Eu me arrependi de ter dado um soco na sua cara. Não me obrigue a fazer isso de novo — advertiu Tate em voz ameaçadora.
— Um pouco possessivo, não é, maninho? — disse Marcus em tom divertido.
— Sim — afirmou Tate.
— E o que você acha disso, Lara? — perguntou Marcus.
É maravilhoso. Tão maravilhoso que quero jogar Tate no chão e trepar com ele até não conseguir mais respirar.
— Consigo lidar com ele — disse Lara a Marcus com um sorriso.
— Por algum motivo, tenho certeza de que consegue — disse Marcus ao se levantar. — Preciso cuidar de alguns detalhes, mas conversaremos mais depois. Eu só queria que vocês dois soubessem que sinto muito. Vocês não têm ideia de como foi difícil não revelar quem eu era. Mas acho que isso provavelmente teria
causado a morte de todos nós. Fiquei com medo de Tate sangrar até a morte. Cheguei muito perto de entregar meu disfarce.
Lara estava certa de que Marcus tinha razão. Ele lidara bem com as coisas, considerando que estava preocupado com o irmão mais novo. Mesmo que ela não tivesse percebido o disfarce de Marcus antes, conseguia ver a preocupação e o arrependimento agora.
Ela e Tate se levantaram para acompanhar Marcus até a porta. Por instinto, ela segurou o braço de Marcus. Ele se virou para ela com expressão interrogativa.
— Tate sempre acreditou em você. Mesmo quando apresentei as provas que o incriminavam, ele riu na minha cara. Nunca acreditou que você fosse culpado — disse ela a Marcus, querendo garantir que nenhum dos irmãos guardasse ressentimento.
— Eu sei. — Marcus bateu de leve na mão dela. — Desculpe, mano
— disse ele a Tate com sinceridade.
Lara tirou a mão do braço de Marcus e observou quando os dois pares de olhos acinzentados se encontraram em entendimento.
Marcus estendeu a mão e puxou Tate para um abraço apertado. Tate colocou os punhos cerrados nas costas de Marcus. Os dois bateram nas costas um do outro. Eles tinham aproximadamente o mesmo tamanho e Lara ficou imaginando se eles se machucariam naquela demonstração masculina de afeição.
— Fico muito feliz por saber que está são e salvo — disse Tate quando os dois homens se afastaram, ainda batendo nas costas um do outro.
— Fico feliz por vocês dois estarem bem. — Marcus alternou o olhar entre Tate e Lara.
Lara deu um passo à frente e puxou Marcus para um abraço. —
Obrigada.
Aquela palavra abordava muitas coisas:
Obrigada por ser inocente para que Tate pare de sofrer.
Obrigada por ser um cara rico e ainda se preocupar o suficiente para ajudar a deter terroristas.
Obrigada por se importar com uma agente obscura do FBI que só estava fazendo o trabalho dela.
Obrigada por amar seu irmão mais novo porque eu também o amo.
Marcus não hesitou ao abraçá-la. Em seguida, afastou-se. Lara pegou a identificação dele que deixara sobre a mesa e devolveu-a.
Com a mão ainda na maçaneta, Marcus se virou para ela com um sorriso malicioso que subitamente a lembrou muito de Tate. — Sabe, talvez eu tivesse deixado que me seduzisse. Mas eu nunca teria falado — disse ele em tom de flerte, aproximando-se dela o suficiente para que Tate não o escutasse.
Ela revirou os olhos ao ouvir aquelas palavras arrogantes e sussurrou no ouvido dele: — Você teria cantado como um passarinho, Colter.
Marcus soltou uma risada e saiu, fechando a porta atrás de si.
— Ele estava flertando com você? — perguntou Tate irritado ao olhar para a porta fechada.
— Ele bancou o espertinho — admitiu Lara. — Parece ser algo em que todos vocês irmãos Colter são ótimos.
— Meu irmão não é um terrorista — disse Tate baixinho.
— Eu sei. — Ela ergueu a mão para acariciar o maxilar dele.
— Meu irmão não é um terrorista! — gritou ele, erguendo-a pela cintura e girando-a até chegar à sala de estar.
O coração de Lara alçou voo ao ouvir a alegria na voz de Tate.
Lágrimas de felicidade correram pelo rosto dela. — Eu sei.
— Ele é um espião da CIA. Marcus é um espião. — Tate se jogou no sofá, puxando-a com ele, e riu. Ele a abraçou com força. A voz dele estava cheia de emoção ao dizer enfaticamente: — Puta merda, obrigado!
Lara o abraçou de volta, embalando-o contra si, compartilhando da alegria dele enquanto as lágrimas continuavam a escorrer: lágrimas de alívio por Tate e por toda a família Colter. Eles seriam completos novamente, sem máculas, porque Marcus era tudo o que Tate sempre dissera que ele era.