Bilionário Indomado: Tate
Capítulo 16
— Nunca faço nada porque é o esperado. — Ele sorriu para ela. —
E também detesto casamentos. Minha nossa, você é realmente meu tipo de mulher.
— Vegas? — sugeriu ela.
— Assim que o tempo melhorar — concordou Tate alegremente.
— Acho que teremos que achar algo para nos distrair até lá.
— A tempestade está chegando. Nada de distrações do lado de fora, mas farei o possível para manter você ocupada. — Ele deu uma piscadela, seguida de um olhar malicioso.
— Acho que já estou começando a me sentir entediada aqui dentro
— retrucou ela.
— Vou cuidar desse problema imediatamente. — Tate soou divertido ao colocar docemente a boca sobre a dela.
Ele curou o tédio de Lara imediatamente e tão completamente que ela não teve outro momento de indiferença durante toda a noite.
Foi só na tarde seguinte que Tate descobriu que Travis estivera certo… de novo. O voo que Lara deveria ter pegado para voltar a Washington caíra logo depois de decolar devido a uma falha nos equipamentos. Não havia sobreviventes.
Tate observou o rosto de Lara enquanto ela tentava absorver como estivera perto de morrer. O coração dele bateu mais depressa ao assistirem ao noticiário solene.
Nenhum dos dois se dera ao trabalho de se vestir. Tate usava um pijama que encontrara no armário, provavelmente de Gabe. Lara vestia um pijama de algodão cor-de-rosa. Ele correra até o helicóptero logo depois de acordar para buscar as malas dela.
— Ai, meu Deus — exclamou Lara, colocando a mão sobre a boca em um gesto de horror.
Tate olhou para a televisão na sala de estar que acabara de ligar, desejando não ter feito isso. Lara descobriria em algum momento, mas não precisava ser naquele dia. Ela estivera tão alegre, tão feliz.
Eles ainda estavam desfrutando da alegria de descobrirem que estavam apaixonados um pelo outro.
Ai, merda.
— Ele caiu, Tate. O meu avião. Todo mundo morreu — disse ela com voz chocada e com os olhos grudados na televisão.
Ele se sentou ao lado dela no sofá e passou os braços à sua volta para apertá-la contra o peito.
— Eu sei, Lara, eu sei. — Tate estava praticamente hiperventilando, imaginando como se sentiria naquele momento se Lara tivesse pegado aquele avião, além de se sentir mal pelos passageiros que estavam a bordo. Com muita facilidade, ele poderia ser, naquele
momento, uma das pessoas que choravam a morte de um ente querido.
— Coitadas daquelas pessoas. — Lara começou a chorar.
Tate desligou a televisão, sem conseguir aguentar mais o horror de Lara. — Vamos parar de assistir.
Lara assentiu, mas continuou a soluçar.
Ele a embalou nos braços, sentindo-se extremamente grato por ela estar ali, viva e respirando. — Devo mais uma a Travis.
— O que aconteceu na última vez? Desculpe por não ter acreditado em você.
Tate deu de ombros. — Não posso dizer que acreditei de verdade quando Trav me contou pela primeira vez sobre os sonhos dele. Mas um aviso de Travis me fez hesitar em aceitar uma missão extra. Parei apenas um minuto porque o que ele dissera não saía da minha cabeça. Mas, quando fui voluntário para aquela operação extra, alguém chegara antes de mim. Todos na missão morreram.
— Então você entende como me sinto — murmurou Lara baixinho.
Sim, ele sabia exatamente como Lara se sentia, como se ela também devesse ter morrido. — Sei como você se sente. E todos teriam morrido, com ou sem você a bordo. O fato de você ter sobrevivido não faz diferença nenhuma para aquelas pessoas, portanto, fique grata por estar viva, não culpada.
— É assim que você se sente?
Ele assentiu. — Sim. Exceto que deveria ter sido eu, em vez do outro voluntário. Demorei algum tempo para superar isso.
Lara inalou o ar em uma respiração funda e trêmula. — Preciso conhecer esse Travis. Ele é incrível. Eu só queria que ele tivesse avisado a companhia aérea.
— Tenho certeza de que ele tentou. Mas a companhia aérea nunca cancelaria um voo porque um cara acha que teve um sonho mediúnico. Provavelmente pensaram que ele era doido. Isso nunca será uma bênção para Travis. É como uma maldição. Não acontece com muita frequência. E não acho que ele tenha tido um sonho desses desde que salvou a vida de Ally.
— Ally?
— A esposa dele agora. Você ia adorar Ally. Ela consegue dominar Travis quando quer e era secretária dele. — Ally tinha Travis na palma da mão, como Lara conseguiria fazer com ele com muita facilidade.
— Você tem razão, tenho certeza de que seríamos muito amigas.
Você os encontra com frequência? — perguntou ela curiosa.
Feliz por Lara ter se distraído da experiência de quase morte, ele respondeu: — Não com a frequência com que eu gostaria. Ele mora na Flórida. Mas nós dois estamos envolvidos na organização de caridade para mulheres abusadas sobre a qual falei. Asha, a esposa do irmão dele, Kade, é a mulher que foi abusada e fundou a organização.
— Travis e Kade Harrison? — perguntou Lara em um tom ligeiramente maravilhado.
Tate franziu a testa, sem gostar muito do fato de Lara soar impressionada. — Você ouviu falar deles?
Lara fez um gesto de desprezo. — Quem não ouviu? Kade Harrison foi um jogador de futebol americano famoso e é bilionário. Travis Harrison é um homem de negócios brilhante. Acho incrível que os dois contribuam.
— Nós não simplesmente contribuímos — respondeu Tate. — Nós administramos a coisa toda. Jason Sutherland gerencia as finanças e o restante de nós faz a arrecadação de fundos e outras tarefas necessárias.
Ela recuou para encará-lo. — Todos os bilionários dos Estados Unidos estão envolvidos? Nossa! Jason Sutherland também?
— Nem todos… ainda. Mas estamos trabalhando nisso. — Ele sorriu para ela, orgulho da organização que tinham fundado para combater a violência doméstica.
— Eu realmente gostaria de me envolver — comentou Lara.
— Eu ofereci. — Tate sabia agora por que ela recusara. — Agora que você vai ser minha esposa, talvez ache que pode se envolver da forma como quiser. — Ele hesitou por um momento e acrescentou:
— Não quero nunca que você evite algo que deseja fazer. Eu mudaria para Washington se quisesse para que pudesse continuar a ser agente.
Caralho, aquilo doeu!
A última coisa que ele queria era que Lara se colocasse em perigo todos os dias como agente do FBI. Mas também não queria que ela fosse infeliz. Ele ficaria do lado dela, não importava o que quisesse fazer. Mas isso também não significava que teria que gostar.
— Eu gosto do Colorado — admitiu Lara em tom suave. — E
teríamos família aqui.
O coração de Tate se derreteu com o fato de que Lara consideraria a família dele como dela. Fazia muito tempo desde que ela tivera algum familiar que se importasse. — Talvez você os ache um pouco exagerados às vezes. — Tate achava. Na verdade, algumas vezes, eles o deixavam quase louco. Mas ele amava ferozmente cada membro da família e considerava-se sortudo por ser parte da família Colter.
— A solidão não está com nada — disse Lara pensativa. — Eu adoraria ter uma família.
— Então, prepare-se, querida, pois você terá uma grande família agora. — Ele fez uma pausa. — E como vai se sentir sobre desistir de sua carreira? Ou pretende só se transferir para o escritório de Denver?
Droga, aquilo também doeu. Mas preciso ter certeza de que ela tenha todas as opções na mesa. Tem que ser escolha dela.
— Bem, na verdade, vou ter um marido muito rico. Portanto, acho que vou perguntar a ele se está disposto a nos sustentar por algum tempo se eu voltar a estudar.
Tate soltou um grito. — Puta merda, sim, ele estaria. Ele tem muito dinheiro. — Ele beijou a testa dela. — Tenho que admitir que estou aliviado.
Ela inclinou a cabeça e olhou para ele ao dizer: — Obrigada por me dar a opção de ser livre para fazer o que eu quiser, apesar de talvez não gostar da minha decisão.
— Ficarei perfeitamente feliz com a sua decisão — disse Tate entusiasmado.
— É bom saber que você será o tipo de marido que me apoiará, não importa o que eu queira fazer com a minha carreira. — Ela se aconchegou contra o peito dele. — Você é muito especial.
Ele não se sentia nada especial. De forma egoísta, ele a queria fora do trabalho de campo, mas…
— Quero que você seja feliz — respondeu ele.
— Eu sei. Sinto a mesma coisa. Você vai me dizer exatamente o que ainda faz para o governo?
Tate deu de ombros. — Não é muito e não é nada perigoso, mas ainda trabalho para eles oferecendo consultoria. Se eles têm problemas com uma missão em particular das Forças Especiais, eu os ajudo. Não vou mais para o campo. É estritamente estratégia.
— Então, você é um gênio da arte da guerra? — brincou ela.
— Na verdade… sim, sou. Sempre fui. Missões de estratégia e clandestinas são minha especialidade. — Ele era bom naquelas coisas, portanto, por que negar? Ele nunca fora muito modesto e queria que Lara soubesse quem realmente era. Queria que ela conhecesse todos os seus pontos fortes… e fracos.
— Vai me dizer o que estava fazendo nas Operações Especiais?
— Trabalhando? — tentou ele.
— Tate — disse ela naquela voz de advertência que o deixava muito excitado.
Ora, afinal, eles iam se casar. — A equipe em que trabalhei não existe para a maioria dos militares e civis. Você tinha razão quando disse que era extremamente secreta. Você é a única que sabe. Não podia contar nem à minha família exatamente o que fazia e deixei que pensassem que eu era fuzileiro naval. Fui recrutado depois do treinamento de fuzileiro porque precisavam de outro piloto para a equipe. — A mulher dele já fora muito esperta e descobrira aquilo, mas ele confirmou mesmo assim.
— Nunca vou contar. Juro que vou levar isso para o túmulo — disse Lara em tom solene.
Tate estremeceu quando o comentário dela fez com que ele pensasse novamente na experiência de quase morte dela. — O que é melhor que não aconteça em um tempo muito longo — resmungou ele.
— Você sente falta de estar na ativa?
Ele fez uma pausa breve e pensou na pergunta dela. — Senti por algum tempo. Eu vivia para o meu trabalho, como você fez como
agente. Minha equipe era muito próxima de mim, éramos como irmãos. Morávamos, dormíamos e comíamos juntos algumas vezes.
Desistir desse tipo de trabalho é como arrancar uma perna ou um braço. Mas não era algo que eu faria para sempre. Fiquei inquieto por um tempo, mas lentamente superei, seguindo em frente aos poucos. Agora, fico feliz por ter feito isso. Se não tivesse, provavelmente nunca teríamos nos conhecido.
— E o acidente que quebrou sua perna?
— Era uma missão bem arriscada. Fomos atingidos antes de cumprir nosso objetivo. Tive muita sorte de conseguir pousar o helicóptero sem que ele explodisse. Mas o impacto foi muito forte. O
mais prejudicado fui eu. Os outros conseguiram sair. — A operação inteira fora problemática, mas, pelo menos, ninguém morrera.
— Quem tirou você? — perguntou Lara ansiosa.
— Minha equipe. Eles tiveram que me carregar por quilômetros até sermos resgatados.
— Você deixou que eles o carregassem?
— Era isso ou sangrar até a morte em um território hostil. Neste exato momento, estou muito feliz por ter sobrevivido.
Ela o olhou com suspeita. — Você se feriu intencionalmente?
Tate deu de ombros, sem querer dizer a ela que estivera disposto, literalmente, a levar o tombo pelos homens de sua equipe. Ele tentara fazer com que o impacto ocorresse no lado dele do helicóptero, perto da parte da frente da aeronave. — Eu era o oficial mais graduado e o comandante. — Ele não queria responder à pergunta dela, mas uma expressão de compreensão surgiu no belo rosto de Lara, tornando a admissão desnecessária.
Os olhares dos dois se encontraram e Tate sentiu como se estivesse afogando-se no amor dela por ele. Seu peito doeu quando Lara olhou para ele como se fosse tudo para ela… a mesma forma como ele sabia que olhava para ela.
Ele cobriu a boca de Lara com a própria, algo que precisava fazer.
Ele chegara perto de perdê-la para sempre, sabendo que teria sido um inválido sem ela. Em seguida, colocou as mãos sob a parte de cima do pijama de Lara, precisando sentir a pele quente e sedosa sob os dedos. Afastando a boca, ele gentilmente tirou o pijama dela,
tocando e beijando cada centímetro de pele que revelava, adorando o corpo de Lara da mesma forma como adorava seu coração.
Ele se levantou e tirou a calça do próprio pijama, sorrindo para Lara ao revelar que não usava cueca. Tate ficou parado por um minuto.
Os olhos dele percorreram a pele nua, os longos cachos loiros que flutuavam em volta de seus ombros e, por fim, o rosto dela.
Ela mordeu o lábio inferior. — Trepe comigo? — pediu ela.
Ele abaixou o corpo sobre o dela com cuidado, sabendo que ela provavelmente estava dolorida do ato de amor da noite anterior. Ele afastou os cabelos do rosto dela e correu um dedo pelo seu rosto. —
Não, querida. Vou fazer amor com minha noiva agora. — Ele pegou a mão esquerda de Lara, beijou o anel que a adornava e entrelaçou os dedos nos dela. Em seguida, fez a mesma coisa com a outra mão, apoiando as mãos unidas acima da cabeça dela.
Lara instintivamente passou as pernas em volta da cintura dele. —
Eu amo tanto você — sussurrou ela com os olhos cheios de lágrimas.
Tate moveu os quadris para a frente e gemeu ao senti-la aceitá-lo com um calor molhado. — Eu também amo você, Lara. Sempre amarei.
Ele saboreou cada momento dentro dela, sentindo-a envolvê-la com amor. Não houve pressa ao penetrá-la repetidamente, encostando-se nela com cada movimento do quadril. Eles se moveram juntos. Tate tentou sentir o gosto de cada centímetro exposto da pele de Lara, adorando a sensação das unhas curtas que se enterraram em suas costas quando ela gozou.
Ele enterrou o rosto nos cabelos dela ao senti-la contraindo-se em volta do pênis e massageando-o até que não conseguiu mais se segurar. Ele gozou com um gemido ao derramar sua semente nas profundezas de Lara.
Minha.
Ele a segurou de forma possessiva e protetora, sentindo-se muito grato por ainda tê-la. As coisas poderiam ter acontecido de forma muito diferente e ele jurou que nunca deixaria de dar importância ao amor dela. Tudo poderia ter se perdido em um instante e ninguém
sabia disso melhor do que ele. Ele trataria todos os dias com Lara como um presente.
— Diga-me algo que realmente quer… qualquer coisa. Quero lhe dar alguma coisa — disse Tate em tom desesperado, querendo mostrar a Lara o quanto ela significava para ele.
Ela segurou os cabelos dele e puxou sua cabeça para cima. —
Tenho tudo o que eu quero, Tate. Eu tenho você.
Por algum motivo, ele não se via como um prêmio muito grande. —
O que mais?
Estudando o rosto dele por um momento, ela finalmente respondeu:
— Bom, acabei de fazer trinta anos. Eu gostaria de ter um bebê nos próximos anos. Acho que provavelmente vou precisar da sua ajuda e do seu consentimento, já que estaremos casados.
O coração de Tate começou a bater mais depressa. Um bebê? Ele não pensara tão à frente, mas conseguia imaginar Lara carregando o filho deles, embalando um filho ou uma filha até que dormisse.
Brincando. Rindo. Amando. Seria incrível.
— Eu adoraria. Uma garota com seus belos olhos e seu sorriso maravilhoso seria algo inacreditável.
— Um garoto com os seus olhos e essa sua covinha fofa — corrigiu ela.
— Um de cada? — Parecia um excelente compromisso para ele.
— Não há como encomendar bebês como queremos — brincou ela, apertando os dedos dele com um olhar divertido.