Box Hora do Espanto: Série III

Edgar J. Hyde · Capítulo 17 de 17 · parte 5/8

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Box Hora do Espanto: Série III

Capítulo 17

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 8 partes.

Quando entrou na rua onde morava, Gerry olhou para a velha casa abandonada. Ele viu a cadeira de balanço em movimento. Apertou os olhos para identificar a figura do velho. Mas não viu o habitual cabelo grisalho. Tudo parecia tão escuro. Gerry andou em direção à casa. Precisava obter mais respostas de Moot. Mas, ao se aproximar, ele congelou. A imagem na cadeira de balanço começou a lhe parecer familiar. O mesmo espectro encapuzado que ele tinha visto poucos momentos antes estava sentado na cadeira. Ele se levantou e virou em direção a Gerry. O capuz caiu para trás aos poucos. Era Moot.

– Se quiser assumir o meu lugar, Gerry, você terá que ser mais forte e mais corajoso – o velho afirmou, sacudindo a cabeça.

– Era… você! – Gerry gritou, dando um soco no ar.

– Você precisa ficar mais forte, filho, para ter alguma chance de vencer. Vá para casa. Fique mais forte. Prepare-se. Vou testá-lo mais vezes. Quando estiver pronto, lutaremos contra os fantasmas – Moot declarou, sentando-se na cadeira, balançando para a frente e para trás.

Gerry começou a se afastar lentamente, de costas, pois não queria desviar o olhar do velho. Por fim, deu meia-volta e olhou para sua casa. As luzes dos quartos pareciam muito acolhedoras. Ele precisava se sentir seguro. Olhou de novo para a casa velha. Moot tinha ido embora. A varanda estava vazia. Gerry atravessou a rua e foi para casa, onde se sentia seguro.

Capítulo 7

 

– Gerry, qual é a resposta? Estamos todos esperando – a professora Martin questionou, impaciente. – Você está me ouvindo?

Gerry estava em outro mundo. Não tinha conseguido se concentrar a manhã inteira. Não tinha trocado uma palavra com Stevie no caminho para a escola e agora sua cabeça estava dominada pelos estranhos acontecimentos do dia anterior.

– Gerry! – a professora perdeu a paciência.

Gerry olhou para cima. O feitiço que o prendia parecia ter sido quebrado.

– Perdão, professora. O que disse? – perguntou, ao perceber que estava incomodando.

– Gerry, não sei o que há de errado com você hoje. O seu projeto escolar… Lembra? Finlândia? Qual é a capital?

Gerry tentou se concentrar e não pensar em mais nada.

– Helsinque, professora – ele respondeu, ajeitando-se na carteira e tentando demonstrar o máximo de atenção.

– Até que enfim! Obrigada, Gerry – a professora comentou, obviamente pouco impressionada com o comportamento dele.

– Muito bem, turma! Peguem suas apostilas: hora de Álgebra – ela anunciou, limpando a lousa.

Houve um burburinho generalizado na classe. Álgebra não era uma matéria muito popular. A professora Martin gostava de testar todos os alunos com equações pavorosas, que só um ou dois acertavam. Gerry sorriu. Ele era um dos poucos escolhidos. Adorava Álgebra. Hora de se concentrar. Ele tinha certeza de que acertaria mais do que Stevie.

Então, ele levantou a tampa de sua carteira escolar desgastada e soltou um grito. Centenas de ratos cinzentos e imundos saíram correndo da carteira e começaram a subir nele, nos braços, nas pernas, no rosto e na cabeça. Gerry se debateu, tentando afastar aquelas criaturas. Mas, quanto mais ele as afastava, mais surgiam da carteira. Estavam todas em cima dele. Ele não conseguia se livrar delas. Caiu e rolou no chão, gritando por socorro a plenos pulmões. Os ratos pareciam estar em todos os lugares. Corriam por dentro e por fora da calça e da blusa de Gerry. Ele sentia sua pele sendo rasgada, mordida por dentes minúsculos e afiados. Os gritos e chiados dos animais eram ensurdecedores para ele.

Em um instante, os ratos desapareceram, tão rapidamente quanto surgiram. O ruído parou de repente. Gerry olhou ao redor. A classe inteira olhava para ele, num silêncio estarrecedor. Ele olhou para cima. A professora Martin estava parada diante dele, com as mãos na cintura e o rosto distorcido por uma careta feroz.

– Mas o que está acontecendo, Gerry? Isso é algum tipo de piada? – a professora indagou, com a paciência esgotada. Ela olhou para a posição ridícula em que o menino se encontrava: a cabeça e os ombros embaixo da carteira, a cadeira chutada para longe, os pés e as pernas esparramados no chão.

– Levante-se. Espere lá fora da sala. Vou ter uma conversinha com você num instante – ela ordenou, apontando para a porta.

Gerry ficou em pé e se limpou. Ele percebeu o deboche e os risos dos colegas de classe. Sentiu o rosto corado de vergonha. Ninguém havia visto nada. Tudo tinha acontecido na cabeça dele, ou tinha sido algum truque preparado por Moot novamente. Ele queria sair da sala o mais rápido possível. Foi em direção à porta, com as pernas ainda bambas. Quando abriu a porta da sala, ele olhou para trás. Eles estavam vindo atrás dele de novo. Centenas de ratos correndo em direção a ele. Ele bateu a porta e segurou-a com força. Gerry fechou os olhos e tentou se acalmar. Ele mal conseguia respirar.

O corredor estava tranquilo, em silêncio. Gerry olhou para a esquerda… Nada. Olhou para a direita, bem a tempo de ver o velho virando a esquina.

– Moot! – Gerry falou, cerrando os dentes.

Tudo aquilo tinha sido outro teste, outra visão para amedrontá-lo. Moot tentava prepará-lo, fortalecê-lo. Gerry não se sentia nem um pouco forte. Estava uma pilha de nervos. Começou a andar de um lado para o outro no corredor, tentando organizar os pensamentos. Moot estava claramente tentando assustá-lo. Era seu jeito de fortalecê-lo. Se Gerry quisesse enfrentar aquele fantasma, teria de lidar melhor com o medo. Teria de ser capaz de lidar com qualquer coisa que pudesse ver. Pela maneira como Moot descreveu o fantasma, estava claro que ele era muito perigoso. Se Gerry não soubesse se controlar ao enfrentar o fantasma, não haveria chance de vencê-lo.

Gerry começou a se sentir melhor. Precisava controlar melhor as emoções. Moot tentaria assustá-lo de novo. Da próxima vez, ele estaria preparado, seria mais forte. Estava começando a sentir que voltava ao normal, quando ouviu a porta da sala de aula se abrir e viu a professora Martin sair.

Depois da aula, Gerry sentou-se nos degraus da entrada principal. E ficou pensando no sermão que tinha acabado de levar da diretora.

“Você precisa se concentrar, rapaz… Precisa tirar essas coisas absurdas da cabeça… Precisa parar com essas maluquices… É uma fase importante da sua vida.”

Seus pensamentos foram interrompidos pelos gritos de seu amigo Stevie, que estava parado no portão da escola, com uma bola de futebol embaixo do braço.

– Ei, Gerry, mexa-se, garoto! Vamos nos atrasar. O treino começa em cinco minutos – Stevie gritou, começando a brincar de cabecear a bola.

Gerry se recompôs. Seria bom bater uma bola por um tempo. Relaxaria sua mente. Ele foi olhando ao redor, enquanto atravessava o pátio da escola para se juntar ao amigo. Tinha de permanecer vigilante. Não queria que Moot o pegasse desprevenido de novo.

– Certo, então. Vamos lá! Passe a bola – Gerry pediu, estendendo a mão.

Stevie jogou a bola por cima. Gerry a observou em pleno ar, voando em direção a ele. Esticou-se para pegá-la antes que caísse. Assim que ele tocou na bola, ela mudou de forma. A esfera foi se tornando cada vez mais fina e comprida. Gerry olhou para a mão. Ele agora segurava na palma da mão uma cobra preta, sibilante, de cara distorcida, a boca aberta, exibindo enormes presas mortais.

Gerry estava prestes a pular e lançar a cobra para longe. Mas ele hesitou. Em vez disso, agarrou a cobra com força e a puxou para mais perto dele. Levou a cara da cobra até o rosto dele. Olhou nos olhos do animal.

– Desta vez, não! – ele cochichou, quase sibilando no mesmo tom da cobra. Atirou a cobra no chão. Antes de o animal cair no chão, a forma começou a mudar de novo.

Gerry observou a bola saltar pela rua. Virou-se para o amigo. Stevie não estava em lugar nenhum. Na frente dele, estava o velho, sorrindo como sempre. Gerry estava ciente de que não havia ninguém por perto.

– Muito bem. Está aprendendo. Vá até a varanda hoje à noite, depois de escurecer. Então, conversaremos – Moot disse calmamente.

– Gerry, Gerry, mexa-se! – Gerry virou-se e viu Stevie correndo pela rua. Olhou para o velho.

– Vá em frente, não se preocupe… Estou de folga agora… Sem surpresas – ele avisou, sorrindo. – Lembre-se: hoje à noite. Vou ficar esperando.

Stevie foi até o amigo, tentando recuperar o fôlego.

– O que há com você esses dias? Todos estão no campo. Vamos!

Gerry virou-se e seguiu o amigo. Sentia-se bem. Estava ficando mais forte, conseguia se controlar. Estava realmente começando a curtir o desafio que teria pela frente.

Capítulo 8

 

Pareceu uma eternidade o tempo que Gerry ficou olhando pela janela. Os pais tinham ido para a cama fazia tempo. Seus olhos começaram a doer, de tanto espionar sob a luz fraca a casa do outro lado da rua. Finalmente, ele podia ver a imagem. Mas, dessa vez, ele manteve a calma. Ele realmente tinha se fortalecido nos últimos dias.

– Sente-se aqui, filho, aos meus pés. Fique fora de vista.

Moot acenou para Gerry, apontando para o chão perto da cadeira. Gerry sentou-se. O velho se inclinou para a frente. Falou lenta e deliberadamente.

– Gerry, preciso que você me ajude. Temos que destruí-lo de uma vez por todas. Como agora sou do mundo dos fantasmas, não posso fazer isso sozinho. Preciso da sua ajuda. Ele pode ver meus movimentos, mas não pode ver os seus.

Pela primeira vez, o velho tinha confirmado que era um fantasma. Isso não afetava mais Gerry. Afinal de contas, depois de tudo que tinha acontecido com ele nos últimos dias, nada mais o surpreendia. Ele realmente tinha se fortalecido nos últimos dias.

– Mas, quem é ele? O que ele é? Como vamos destruí-lo? O que devo fazer? – Gerry falou sem pensar, quase não conseguindo se conter.

– Uma coisa de cada vez, filho. Segure a onda. Escute-me por um momento. Vou explicar tudo – Moot interrompeu, colocando a mão no ombro de Gerry.

O garoto começou a sentir que podia confiar naquele homem, apesar de tudo o que havia passado por causa dele.

– Há vários séculos, o dono da Pensão Carswell, Ronald Carswell, foi assassinado. Ele foi morto pelos moradores da vila que ficava nos arredores da antiga pensão. Durante anos, ele atormentou os moradores, tratando-os mal, cobrando taxas elevadas de aluguel e, muitas vezes, despejando-os de seus lares pelos motivos mais fúteis. Famílias foram arruinadas por causa de seus atos malignos. Os moradores locais o odiavam e imploravam por um tratamento mais digno, mas ele os desprezava. Ele vivia num mundo de riquezas e privilégios. O povo não tinha a quem recorrer. A lei não os ajudava, pois o próprio Carswell era a lei. Ele controlava a polícia e todos os magistrados locais. Por fim, eles resolveram fazer justiça com as próprias mãos. Um grupo de homens invadiu a pensão tarde da noite. Eles capturaram Carswell, amarraram-no e o jogaram no lago. Ele morreu afogado. Contam que, um pouco antes de ele desaparecer embaixo d’água, jurou se vingar da cidade. Disse que não descansaria até destruí-la. Desde então, ele não descansou. De tempos em tempos, ele volta para prejudicar esta cidade e as pessoas que vivem aqui. Ele não descansará enquanto não destruir a cidade… Ou enquanto ninguém o fizer parar.

Gerry ouviu em silêncio a história do velho, prestando atenção em cada palavra.

– Eu estou atrás dele há muito tempo – Moot continuou. – Descobri como controlá-lo, matá-lo e fazê-lo descansar para sempre. Achei que eu tinha conseguido fazer isso, que tinha destruído aquele fantasma. Voltei para casa, para esta mesma casa, animado pelo que acreditava ter realizado. Mas, quando me sentei aqui na minha cadeira, há muito tempo, senti que ele ainda estava por perto. Foi a última coisa que senti. Ele me matou!

– Mas o que aconteceu? Onde você errou? – Gerry perguntou, impaciente.

– Não sei – o velho respondeu. – Simplesmente não sei. O segredo de lidar com ele, e com fantasmas como ele, é a luz. Eles não podem existir na luz. São fantasmas das trevas, que tiram a força da escuridão. São malignos. Quando alguém consegue pegá-los e mantê-los na luz, o poder deles enfraquece e mingua, até desaparecer. Então, os fantasmas morrem e nunca mais retornam. Eu tinha preparado tudo. Ele estava ali, na minha frente. O fantasma parecia definhar e morrer diante dos meus olhos. Mas, de alguma forma, ele deve ter sobrevivido.

– E o que vamos fazer agora? – Gerry perguntou.

– Tentaremos de novo. Só que, dessa vez, vamos garantir que tudo seja feito corretamente. Da última vez, não consegui segurá-lo na luz por muito tempo. Não quero cometer esse erro mais uma vez – Moot respondeu, apertando os punhos e batendo nos braços da cadeira.

– Mas o que você quer que eu faça? – Gerry perguntou, ainda um pouco intrigado com seu papel nesse caso.

– Primeiro, eu tenho um trabalho para você. Se você for até o porão desta casa, vai encontrar muitos espelhos grandes e meia dúzia de refletores. Também vai encontrar um pequeno gerador a diesel. Eu já verifiquei, ainda funciona. Preciso que leve tudo para a antiga pensão amanhã, logo depois da escola. Você vai ter que fazer várias viagens, então comece assim que chegar à sua casa. Temos que estar prontos antes que escureça – Moot orientou o menino.

– Entendo para que servem os refletores, mas e os espelhos? – Gerry perguntou.

– Esses fantasmas não suportam a própria imagem – o velho continuou. – Temos que pendurar os espelhos nas portas e nas janelas da sala de estar da Pensão Carswell. É lá que vamos prendê-lo. Com os espelhos lá, ele não conseguirá escapar pelas portas nem pelas janelas. Juntando as luzes com os espelhos, a luz ficará tão forte, e a imagem dele tão visível cada vez que ele se virar, que logo ele ficará sem poderes. Se conseguirmos mantê-lo assim por 60 segundos, a luz o destruirá, e ele irá embora para sempre.

– Mas ele é um fantasma. Será que não vai atravessar as paredes? Com certeza, ele não precisa de portas nem de janelas! – Gerry perguntou, confuso.

Moot começou a rir.

– Este é o mundo real, Gerry, não o do cinema. Ele é um fantasma, mas seu corpo é real. Você pode tocar nele, pode senti-lo. Ele tem muitos poderes, mas não pode atravessar paredes. Não estamos lidando com o Gasparzinho… – Moot disse, sacudindo a cabeça.

Gerry olhou para o velho. Seu velho rosto começou a ficar animado, decidido.

– E quanto a você, senhor Moot? O que vai acontecer com você? – o jovem perguntou, olhando para o velho na cadeira de balanço e começando a sentir pena dele.

– É por causa dele que estou preso aqui. Preso a esta cadeira, a esta casa, a esta rua, a esta cidade. Não posso descansar até que ele se vá. Livre-se dele e você se livrará de mim também. Dois pelo preço de um. Nada mal, não é? – Moot retrucou, aproximando-se e segurando no ombro de Gerry.

Gerry deu um sorriso e concordou com a cabeça. Sentiu a tristeza do velho.

– Agora, preste atenção em mais detalhes do nosso plano. Quando você for para a pensão amanhã, quero que você…

Por mais uma hora, Moot repetiu as instruções para Gerry, várias vezes. Quando ele terminou, Gerry voltou para casa com a cabeça cheia. Moot tinha avisado para ele como a missão era perigosa. Ele foi para a cama com a certeza de que ficaria acordado a noite inteira, repassando o plano até a manhã seguinte inúmeras vezes em sua cabeça. Porém, não percebeu o quanto estava exausto e pegou no sono em segundos. Ele também não percebeu a sombra da cadeira de balanço na parede. Desta vez, o velho parecia cuidar dele, protegendo-o.

Capítulo 9

 

No dia seguinte, ele conseguiu evitar mais problemas com a professora Martin. Na aula, prestou atenção apenas o suficiente para não ficar encrencado, mas foi muito difícil. Como podia se concentrar em algo com a noite que teria pela frente? Várias vezes, ele quase contou tudo a Stevie, mas conseguiu se conter. Assim que as aulas terminaram, ele foi direto para casa, trocou de roupa, pegou a bicicleta e foi para a velha casa abandonada, para começar seu trabalho.

A Pensão Carswell ficava atrás de algumas árvores, na parte mais distante do parque, no fim da rua de Gerry. Ele já tinha passado por lá muitas vezes quando ia jogar futebol com os colegas no campo, mas nunca tinha chegado muito perto. Era um daqueles lugares de que ninguém queria se aproximar. Embora a pensão estivesse vazia havia anos, a administração da cidade a tinha conservado razoavelmente bem, na esperança de vendê-la para algum comerciante rico ou para algum empreendedor que pudesse transformá-la em um centro de lazer, spa, hotel ou alguma coisa similar. Mas nunca conseguiram vendê-la. Por alguma razão, nenhuma venda se concretizava. Sempre que o comprador em potencial chegava perto de fechar a compra, ele misteriosamente desistia.

Gerry fez sete viagens de ida e volta à pensão, puxando um carrinho acoplado atrás de sua bicicleta, para levar todos os equipamentos do porão de Moot até o local. Ele demorou mais do que o planejado, pois precisava verificar se seus pais não estavam por perto. Ele lhes havia dito que iria ao cinema com Stevie.

Quando deixou a última carga em frente à enorme porta principal da pensão, ele olhou para o relógio: seis e meia da tarde. Estava atrasado. Levaria uma hora, pelo menos, para montar tudo. Às oito horas, tudo estaria escuro. Moot avisou que cada coisa deveria estar no lugar certo antes que escurecesse. Ele falou muito sério a respeito disso. Seria um trabalho difícil. Ele abriu a porta grande. Teve que usar toda sua força para se espremer e entrar. Já do outro lado, abriu um pouco mais a porta, para ter espaço suficiente para levar todo o equipamento para dentro. O rangido da porta ecoou pela casa vazia.

Gerry olhou ao redor. De repente, sentiu-se muito só. Em frente a ele, um grande salão de entrada levava à base de uma ampla escadaria. No topo da escadaria, olhando diretamente para a porta de entrada, estava pendurado o enorme retrato de um homem de aparência feroz, montado num maravilhoso cavalo branco. A imagem parecia dominar todo o salão. Gerry imaginou que o retrato seria de Ronald Carswell, o patrão assassinado.

À esquerda do salão, ficava a sala de estar. Era lá que Gerry devia instalar o equipamento. Ele caminhou em direção à enorme porta. Entrou lentamente. A sala estava escura. Havia uma grande janela na frente da sala, duas portas que davam para o salão de entrada e outra que dava para a biblioteca. Ou seja, quatro possíveis rotas de fuga para o fantasma maligno. Gerry tinha que colocar os espelhos nesses pontos. Ele pregou um espelho na parte de trás de cada porta e dois na janela. As luzes tinham que ser posicionadas em todos os cantos da sala, apontando para o centro. Gerry trabalhou sem parar. A última coisa que fez foi ligar o cabo das luzes ao gerador. Isso foi mais difícil do que parecia, pois a tomada do gerador estava cheia de pó e o pino continuava caindo. Depois de Gerry limpar a tomada, o pino ficou no lugar. Tudo estava pronto, exatamente como Moot havia orientado. Uma volta na chave do gerador, e o local estaria cheio de luz.

O garoto enfiou a mão no bolso. Moot tinha pedido para que ele deixasse a chave em posição, pronta para o momento certo. Não havia nada lá. Gerry tentou o outro bolso. Nenhuma chave!

O coração de Gerry estava batendo tão forte que parecia que iria explodir.

– Mas onde foi que… – ele cochichou, ficando bravo com ele mesmo.

Como podia ser tão descuidado e estúpido? Gerry correu para o salão de entrada e saiu pela porta principal. Correu até o carrinho, procurando a chave. Nem sinal dela. Ele precisava encontrá-la. De repente, alguma coisa se mexeu no arbusto à esquerda dele. Gerry congelou. Abaixou-se atrás do velho carrinho. A passos curtos, um pequeno gato preto saiu de trás do arbusto, olhou para Gerry e foi embora.

Gerry deixou escapar um suspiro alto e se levantou. Ele mal conseguiu enxergar o gato indo embora. De repente, percebeu que já havia escurecido. Entrou pela porta de novo. Mas, assim que fez isso, ele viu o vulto parado no topo da escadaria. Quem quer que fosse, não percebeu a presença de Gerry. Ele estava em pé de frente para o enorme retrato. O menino deslizou silenciosamente para trás de um armário ao lado da porta.

Gerry espiou da lateral do armário. Analisou o homem no topo da escadaria. Era o mesmo homem do retrato, com as mesmas botas pretas de cano longo, calças de montaria, casaco vermelho e chapéu emplumado. Gerry não conseguia ver o rosto, mas tinha certeza de que era ele, Ronald Carswell.

Gerry olhou para a sala de estar. Não havia jeito de ele ir até lá sem Carswell reparar nele. Sabia que agora estava de fato em apuros. Tentou pensar, mas, ao se inclinar para trás, ele bateu com a cabeça numa espada que estava pendurada na parede atrás dele. O barulho estrondoso ecoou pela sala. Carswell se virou. Gerry se encolheu atrás do armário.

– Quem está aí? – Carswell perguntou, enquanto seus olhos examinavam o salão abaixo dele. – Apareça e morra, quem quer que tenha se atrevido a entrar na minha casa.

Gerry não conseguia parar de tremer. Seria seu fim, com certeza.

Ele podia ouvir Carswell descendo a escadaria, suas pesadas botas de montaria emitindo um arrepiante eco por toda a casa.

De repente, a porta principal se escancarou. Gerry olhou e só conseguiu ver as pernas de alguém que estava parado na entrada.

– Ah… Moot. Você de novo? Vá embora, saia da minha casa, seu verme – Carswell zombou.

Gerry estava assustado demais para olhar.

– Carswell, a sua hora chegou. Desta vez, não vou falhar – Moot disse, com a voz cheia de autoridade.

– Não me faça rir, velhote. Vá embora e me deixe em paz, estou cansado de você. Saia da minha frente! – Carswell exigiu.

Gerry colocou a cabeça para fora. Moot começou a andar em direção a Carswell, que tinha descido o último degrau.

Os dois inimigos se encararam. Então, sem qualquer aviso, Carswell ergueu o braço e acertou o rosto do velho, derrubando-o no chão.

Carswell começou a rir. Uma gargalhada alta de arrepiar que encheu a casa inteira. Carswell levantou o velho e o atirou com força contra a parede.

– Não posso matá-lo novamente, mas posso fazer o seu corpo doer até você implorar por misericórdia.

Carswell gritou, em cima de Moot, pronto para atacá-lo de novo.

Gerry não aguentava mais ver aquilo. Tinha que fazer alguma coisa. Saiu de trás do armário e correu para a porta da sala de estar.

Carswell se virou bem no momento em que Gerry saltou pela porta.

– O que é isso, mais um intruso? Você também vai morrer – Carswell esbravejou. Ele olhou para Moot e rosnou: – Cuido de você mais tarde…

Gerry se escondeu atrás de um sofá grande, e Carswell entrou na sala de estar, que estava muito escura. Gerry começou a engatinhar lentamente para longe da porta, tentando permanecer escondido. Quando ele apalpava o caminho com os dedos, de repente tocou em alguma coisa fria. Olhou para baixo: era a chave do gerador, que devia ter caído de seu bolso quando ele estava preparando a sala. Ele a agarrou com força.

Carswell inspecionou a sala, tentando encontrar o intruso. Começou a identificar as estranhas peças do equipamento espalhadas na frente dele.

– Vocês estão perdendo tempo, seus idiotas. Apareçam, seus covardes! – o velho fantasma maligno gritou em tom ameaçador, começando a perceber o que os intrusos haviam preparado.

Gerry ficou tenso, com a chave na mão. Ele tinha de chegar ao gerador. Carswell estava na porta, ao lado do gerador, encoberto pela escuridão.

De repente, Carswell começou a voar. Ele abriu os braços e as pernas e se atirou ao chão. Moot entrou cambaleante pela porta, com um atiçador de fogo na mão. Ele se jogou em cima de Carswell.

– Rápido, Gerry, as luzes! – Moot gritou.

Gerry aproveitou a oportunidade. Num piscar de olhos, estava perto do gerador. Ele inseriu e girou a chave. O motor ganhou vida. Num instante, a sala ficou cheia de luz. Gerry cobriu os olhos. A claridade o cegava.

Carswell gritou. Foi um grito mortal, agonizante. Ele levantou Moot e jogou-o do outro lado da sala. Gerry só conseguia ver um vulto cambaleante se contorcendo no meio da sala. Para qualquer lado que Carswell virasse, havia luzes. Os raios de luz penetraram seu corpo, no fundo de sua alma. O fantasma perturbado saltou para a janela grande, planejando se atirar dela, mas recuou cambaleando ao se deparar com sua própria imagem maligna.

Gerry olhou para a porta da sala de estar. Ainda estava aberta. Carswell também percebeu e disparou do outro lado da sala, em busca da última saída possível. Parecia que ele estava voando. Gerry fechou a porta bem a tempo. Carswell gritou, enquanto seu rosto distorcido olhava para ele do espelho atrás da porta.

Gerry viu a imagem aterrorizante gemer e cambalear na frente dele.

Por fim, o fantasma caiu no chão, com o rosto retorcido em agonia. Aos poucos, a imagem começou a sumir, derretendo, até finalmente desaparecer, sem deixar vestígios. O barulho dos berros de Carswell cessou, e a sala ficou em silêncio. Gerry esperou, prendendo a respiração. Ele precisava ter certeza. As luzes brilhantes continuavam acesas.

– Acabou, garoto. Ele se foi. Você conseguiu – Moot falou com a voz embargada, levantando-se. – Depois de 300 anos, a vila está livre dele.

Gerry não conseguia se mexer. Seu corpo estava paralisado, pregado na parede da sala de estar.

O velho abraçou o jovem caça-fantasmas.

– Vamos, Gerry. Vamos para casa.

Capítulo 10

 

Gerry inclinou-se na cadeira e voltou a pensar naquela noite. Não tinha esquecido aquela aventura de quase 50 anos atrás, quando ele derrotou o fantasma maligno da Pensão Carswell. Ainda se sentia bem com isso, orgulhava-se muito disso. “Já faz tanto tempo” – ele pensou.

Olhou o recorte de jornal na parede de seu escritório: “Vitória da escola local na Copa: 5 a 4 na cobrança de pênaltis”.

Gerry sorriu. As memórias tomavam conta de sua cabeça.

A porta abriu. Uma criança entrou correndo, perturbando os pensamentos de Gerry.

– Senhor editor, senhor editor… Houve um arrombamento na fábrica de computadores. Acabamos de ouvir no rádio da polícia.

– Jimmy, vá cobrir isso. Já está na hora de você fazer uma reportagem – Gerry disse, acenando para o rapaz sair.

– Obrigado, senhor editor, não vou decepcioná-lo – o jovem aspirante a repórter respondeu animado.

– Jimmy, não me chame de senhor editor. Quantas vezes vou ter que repetir? É Gerry – ele informou.

– Sim, senhor, senhor editor – Jimmy respondeu, correndo para a porta.

Gerry observou o jovem repórter e sorriu. Lembrou-se de sua primeira tarefa. Foi uma reportagem sobre uma epidemia de sarampo na velha escola. Ele próprio acabou adoecendo. Ficou de cama uma semana. O antigo editor já suspeitava que isso fosse acontecer.

A senhorita Cullen, secretária de Gerry, enfiou a cabeça no vão da porta.

– Precisamos de mais gente, Gerry. Não estamos dando conta. Está um caos aqui. Ah! Era o senhor Collins do antiquário no telefone. Ele vai entregar a cadeira de balanço na sua casa em 20 minutos.

– Obrigado, Linda. Estou de saída agora. Prometo reforçar a equipe em breve – Gerry disse, arrumando sua mala, tentando acalmar a secretária.

No fim de semana anterior, Gerry tinha visto uma velha cadeira de balanço que parecia exatamente a que o senhor Moot possuía anos atrás. Ele não resistiu e a comprou. Desde então, não conseguiu mais parar de pensar em sua aventura de caça-fantasmas com Moot na velha pensão. Era estranho, já que ele não havia pensado naquilo por muitos anos. De fato, a última vez que a história lhe tinha passado pela cabeça tinha sido 20 anos antes, quando ele comprou e reformou a velha casa de Moot em frente à casa de seus pais. Agora, ele parecia obcecado por tudo aquilo de novo. Não conseguia tirar aquelas coisas da cabeça.

– Certo, vou embora, Linda. Até amanhã – Gerry acenou e saiu do escritório.

– Tchau, Gerry – a senhorita Cullen respondeu sem levantar a cabeça.

Gerry chegou em casa bem a tempo de ver o senhor Collins descarregar a cadeira de sua van.

– Por aqui, Stan, na varanda – Gerry apontou para o lugar onde a cadeira devia ficar.

– Essa coisa pesa uma tonelada, Gerry. É madeira maciça, dura como a sua cabeça – o senhor Collins gemeu enquanto levava a cadeira para a varanda.

– Foi feita para durar uma eternidade, Stan, assim como eu – Gerry disse, batendo na cabeça alegremente.

– Vai durar muito mais tempo que você. Acredite em mim – o senhor Collins acrescentou, enxugando o suor da testa.

– Muito obrigado, Stan. Estes velhos ossos ainda têm muita vida pela frente. Eu até apostaria uma corrida com você, valendo dinheiro… Que tal? – Gerry desafiou o bom amigo.

– Está brincando? Estou exausto, e só levantei uma cadeira. Estou fora! – o senhor Collins respondeu, sacudindo a cabeça e subindo na van.

– Tchau, Stan. Muito obrigado! – Gerry gritou, acenando para ele.

Gerry foi para a varanda, prestes a experimentar a nova aquisição, quando o telefone começou a tocar.

– Caramba… – ele murmurou, entrando em casa.

– Gerry Tooms – ele atendeu.

– Senhor Tooms, aqui é o Sammy. Desculpe incomodá-lo em casa, senhor, mas não sei o que fazer.

Sammy era o subeditor de Gerry e estava cobrindo o turno da noite no escritório.

– O que foi, Sammy, não dá para esperar? – Gerry perguntou, irritado por ter de trabalhar até em casa.

– Senhor Tooms, recebemos relatos de problemas na antiga Pensão Carswell. Os operários que estavam trabalhando lá estão relatando acontecimentos estranhos de todo tipo. Um deles está desaparecido. Quero enviar alguém até lá, mas não temos ninguém. O que devo fazer, senhor?

Gerry começou a rir.

– Sammy, quantas vezes já fomos àquela velha casa ao longo dos anos por causa de todo tipo de histórias estranhas e fantasiosas? Será inútil, como sempre. Os fantasmas de lá foram embora há muito tempo… – ele disse, sorrindo e pensando em suas façanhas anteriores.

– Mas… senhor… – Sammy insistiu.

– Deixe quieto por enquanto, Sammy. Vamos mandar alguém de manhã. Isso pode esperar até lá – Gerry interrompeu.

– Certo, chefe – Sammy concordou, relutante.

Gerry desligou o telefone. Seu sorriso desapareceu. A Pensão Carswell ainda lhe dava arrepios. Nos últimos dias, ocorreu uma série de relatos intrigantes de várias pessoas, descrevendo visões e sons estranhos. Era normal ouvir um ou dois relatos por ano sobre a pensão desde que ele havia começado a trabalhar no jornal. Mas eram sempre trotes. De repente, o número e a frequência dos relatos começaram a aumentar. Talvez fosse hora de investigar melhor.

Gerry pensou na equipe. Acontece que não havia gente suficiente para a tarefa. Ele decidiu que estava na hora de conseguir mais ajuda. Ele sorriu.

“Precisamos de um novo caça-fantasmas ou, pelo menos, de um caçador de histórias de fantasmas” – ele pensou.

Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho na varanda. Gerry foi ver o que era. Não havia ninguém lá. Gerry olhou para a cadeira de balanço recém-adquirida. Ela balançava para a frente e para trás.

“Engraçado” – Gerry pensou. “Não há um sopro de vento no ar.”

– Hora de colocar os pés para o alto e descansar esses ossos velhos – ele murmurou , enquanto se sentava na antiga cadeira.

Ele começou a balançar a cadeira lentamente. O movimento relaxante foi limpando sua mente, as pálpebras dele começaram a fechar devagar sobre os olhos cansados. Ele começou a sentir tontura e o estômago embrulhando. Sentiu uma dor irritante no pescoço, uma dor que passou logo em seguida. Seus olhos começaram a fechar.

Antes de apagar completamente, olhou ao redor. Viu um menino observá-lo da janela do outro lado da rua. Um garoto assustado, de aparência familiar, olhava para ele por trás das cortinas.

Capítulo 11

 

 

Gerry acordou de repente. Não se sentia muito bem. Olhou o relógio. Estava parado. Ele devia ter dormido na cadeira a noite toda. Rapidamente se trocou e se arrumou para ir ao trabalho. Perambulando pela casa, ele sentiu que alguma coisa estava diferente. Ele se sentia muito diferente. Havia um estranho cheiro de mofo no ar. Gerry olhou em volta. A casa parecia totalmente suja, desarrumada. A decoração, de certa forma, parecia velha e antiquada. Gerry sacudiu a cabeça.

“Esse lugar precisa de uma boa limpeza” – ele pensou, andando até a porta e trancando-a.

Conforme ele andava pelo jardim, percebia o mato crescido, a grama muito alta.

“Tenho passado tempo demais no trabalho” – ele pensou.

Vinte minutos depois, Gerry estava em sua mesa. O escritório principal estava movimentado, mas ninguém tinha reparado nele. Era uma mudança notável. Normalmente sua sala se enchia de gente assim que ele entrava pela porta. Ele gostou da paz e do sossego daquela manhã. Ele parecia outra pessoa, não se sentia bem desde que acordou. Fechou os olhos, tentando impedir a cabeça de girar.

– O que estamos fazendo aqui?

Gerry abriu os olhos. Diante dele, havia um rapaz que parecia um pouco hesitante. Ele tentou organizar seus pensamentos. Estava em busca de novos funcionários. A senhorita Cullen provavelmente tinha marcado alguma entrevista. Ele sentou-se e apontou para uma cadeira no canto.

– Esta é a minha sala, garoto. Sinta-se em casa. Puxe uma cadeira – Gerry disse, de modo automático.

Essas palavras soaram familiares, mas Gerry não conseguia explicar o porquê. Ele olhou para o jovem na frente dele. Tinha certeza de que estava reconhecendo o menino de algum lugar, mas não se lembrava de onde. Sua cabeça ainda girava.

Algo muito estranho estava acontecendo. O que havia de errado com ele? Era como se ele estivesse flutuando, parecia um sonho.

Gerry olhou para fora da janela de sua sala, na direção do escritório principal, atrás do menino. O local estava agitado. Ele conseguia ver Linda parada em frente à mesa, falando com um repórter. Gerry começou a gritar para ela:

– Linda, você pode vir aqui um minuto? – ele estava com a garganta seca e precisava beber algo. – Linda, venha cá, por favor.

Ela não se mexeu. Continuou a conversar com o repórter. Parecia agitada, aborrecida.

Gerry sentou-se de novo em sua poltrona e fechou os olhos. Alguma coisa estava errada com ele. Olhou para o garoto.

– Vá para casa, garoto. Aconteceu alguma coisa. Entrarei em contato quando precisar de você – Gerry disse sem abrir os olhos.

Ele ouviu o barulho da porta. Estava sozinho.

Gerry levantou-se e foi até a porta.

– Linda, um minuto, por favor – ele chamou a secretária.

Ainda assim, ela continuou conversando.

– Linda, pelo amor de Deus! – Gerry ergueu a voz, impaciente, indo até a mesa dela.

A senhorita Cullen não reagiu. Ele se inclinou para tocá-la, mas sua mão passou direto através dela. Ele tentou de novo: a mesma coisa. Era como se ele estivesse num sonho. Ele não conseguia acreditar naquilo! Ela não parecia notar que ele estava ali. Ele olhou o escritório à sua volta. Ninguém parecia saber que ele estava lá. Era como se ele fosse invisível.

– Alguém está me ouvindo? – Gerry gritou a plenos pulmões.

Ninguém esboçou a menor reação. Gerry reparou em duas ou três mulheres chorando, consolando umas às outras. Ele correu na direção delas.

– O que foi? O que aconteceu? – ele perguntou.

Era inútil. Elas não conseguiam ouvi-lo.

Gerry estava confuso. Era como se ele estivesse em outro mundo, num mundo sombrio. Ele fechou os olhos. Sacudiu a cabeça, tentando acordar do pesadelo em que parecia estar. Não adiantou. Ele se jogou numa cadeira próxima e apoiou a cabeça nas mãos. Quando olhou na mesa, as palavras impressas no jornal o atingiram como um raio.

“Editor morre em acidente estranho. Cai da cadeira de balanço e quebra o pescoço.”

Gerry ficou pasmo. Embaixo da manchete estava sua própria foto.

– Não… NÃO! – ele gritou, esmurrando a mesa.

Gerry se levantou. Ele não conseguia acreditar naquilo. Com certeza era alguma piada, algum pesadelo. Ele atravessou o escritório e saiu no salão de entrada.

Ele escancarou a porta do banheiro, encontrou uma pia e abriu a torneira. Sentia-se mal, começou a jogar água fria e refrescante no rosto. Sentiu-se melhor. Olhou no espelho. Ele estava horrível. Seu rosto estava cinzento, e os olhos, inchados. Viu o crachá de identificação pendurado no bolso da camisa. O sobrenome dele refletido no espelho lhe pareceu estranho. Observou melhor. Ele conseguiu ler claramente “TOOM S” no reflexo. Não era possível.

O sangue se esvaiu de seu rosto. Ele removeu o crachá e segurou-o nas mãos: “TOOMS” havia se tornado “Z MOOT”.

“Mas… isso é impossível!” – Gerry pensou.

– Não, não é. É bem possível – uma voz fria cochichou em seu ouvido.

Gerry se virou. A figura diante dele era inconfundível.

– Carswell… Você? Não pode ser… – Gerry tentou falar, com as palavras grudadas na garganta.

– Sim, sou eu mesmo. É a nossa vez de novo – Carswell disse, com o rosto distorcido por uma carranca medonha.

A cabeça de Gerry começou a girar. Ele tinha que escapar, tinha que fugir dali. Sua visão ficou desfocada. Ele sentiu que ia desmaiar. Quando abriu os olhos novamente, a escuridão era total. Ele estava sentado em sua cadeira de balanço, na velha varanda abandonada. A luz amarela do poste lançava um brilho estranho na rua. Ele olhou na janela em frente. Gerry conseguia vê-lo parado lá. Ele sabia exatamente como o menino se sentia e o que pensava. Ele se lembrava muito bem. O garoto olhou de novo. Gerry precisaria da ajuda dele. Teria que entrar em contato com ele. Sorriu para o menino, ergueu a mão e começou a acenar lentamente.

A hora havia chegado de novo. A história tinha recomeçado.

Esperamos que você tenha gostado desta história de Edgar J. Hyde. Aqui estão outros títulos da série Hora do espanto para você colecionar:

A colheita das almas

O doutor Morte

O escritor fantasma

O espantalho

Feliz dia das bruxas

O piano

A COLHEITA DAS ALMAS

Os Grimaldi, uma assustadora família com maus comportamentos e que sempre se veste inteiramente de preto, mudam-se para a vizinhança de Billy e Alice.

Logo depois, a mãe, o pai e seus vizinhos começam a agir de maneira muito estranha, como se de repente eles se tornassem malvados. As crianças e seus amigos, Ricky e Alex, logo são as únicas pessoas normais que sobram no bairro, em meio a ladrões, encrenqueiros e matadores.

A cidade toda, controlada pelos Grimaldi, não demora a perseguir as quatro crianças para capturar suas almas e completar a “colheita”.

O DOUTOR MORTE

Alguma vez você já foi ao médico com uma doença sem importância só para descobrir que iria piorar muito em seguida?

É exatamente isso o que acontece com Josh Stevens e seus amigos. Eles deixam de ser uma turma de adolescentes saudáveis para se tornarem despojos pustulentos, fedidos e ensebados, depois que, por coincidência, passam por uma consulta com o encantador e elegante doutor Blair. As espinhas medonhas de Josh vão colocar em perigo o futuro encontro dele com a adorável Karen, mas existem “remédios” muito mais sinistros no armário do “bom” médico.

Será que Josh e seus amigos conseguirão impedir o doutor Morte de realizar seu plano funesto?

O ESCRITOR FANTASMA

Charlie é um aluno com talento para escrever, mas nem mesmo ele consegue se lembrar de ter escrito todas aquelas palavras que aparecem em seu bloco de notas!

Parece que uma história está sendo contada nas páginas do texto manuscrito, mas quem está fazendo a narrativa e por quê?

O diretor da escola de Charlie está se mostrando um pouco interessado demais no bloco de notas e não parece muito contente. Conforme Charlie investiga, descobre que as coisas são piores do que ele jamais poderia imaginar. Você alguma vez já se assustou com o diretor de sua escola?

Eu quero dizer: ficou realmente assustado?

O ESPANTALHO

Não é raro pessoas se tornarem fortemente apegadas ao lugar onde nasceram… Mas um espantalho?

Uma série de acidentes misteriosos na nova fazenda da família Davis faz David suspeitar de que há uma relação entre eles. Será que existe alguém, ou alguma coisa, por trás desses eventos macabros?

Quanto mais David investiga, mais ele quer manter a boca calada… Até que o terrível segredo do espantalho seja revelado!

FELIZ DIA DAS BRUXAS

Samanta, Tiago e Mandy são irmãos. Os pais deles decidem descansar um pouco em uma tranquila aldeia no fim de semana do Dia das Bruxas. Os adolescentes estão muito preocupados, pois ficar em uma aldeia chata vai estragar a brincadeira de travessuras ou gostosuras.

Com certeza, o Dia das Bruxas será bem diferente do normal, mas longe de ser uma chatice!

Samanta descobre um velho livro de feitiçaria e rapidamente percebe que é capaz de controlar perigosos poderes. Então, ela é levada para um mundo terrível e sinistro de magos e bruxos, e precisa escapar de lá ou perderá a vida.

O PIANO

A família Houston acredita ter encontrado uma grande pechincha quando compra um belo piano por um preço muito baixo.

Mas o piano parece ter vontade própria. Na verdade, não importa qual música as pessoas tentem tocar, ele sempre executa sua própria e triste melodia.

O que o piano tenta dizer ao mundo?

Será que os Houston levaram algo mais além da pechincha?

E quem seria o compositor da bela, mas perturbadora, música que o piano insiste em tocar?

O MISTÉRIO DA CARROÇA

Edgar J. Hyde

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Hyde, Edgar J.

O mistério da carroça[recurso eletrônico] / Edgar J. Hyde; traduzidopor Silvio Antunha. -

Jandira, SP: Ciranda Cultural,2021.

112p.; ePUB ; 1,3MB.–(Hora do espanto)

ISBN 978-65-5500-725-1(Ebook)

1. Literatura juvenil. 2. Ficção. 3. Terror.I. Antunha,Silvio. II. Título.III. Série.

CDD 028.5

2021-871 CDU 82-93

Elaborado por Odilio Hilario Moreira Junior-CRB-8/9949

Índices para catálogo sistemático:

1.Literatura juvenil028.5

2.Literatura juvenil82-93

© 2015 Robin K. Smith

Esta edição de Hora do Espanto foi publicada

em acordo com Books Noir Ltd.

Título original: Rag and Bone Man

© 2015 desta edição:

Ciranda Cultural Editora e Distribuidora Ltda.

Tradução: Silvio Antunha

1ª Edição

www.cirandacultural.com.br

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada em

sistema de busca ou transmitida por qualquer meio, seja ele eletrônico, fotocópia, gravação ou outros,

sem prévia autorização do detentor dos direitos, e não pode circular encadernada ou encapada de

maneira distinta àquela em que foi publicada, ou sem que as mesmas condições sejam impostas aos

compradores subsequentes.

Livro digital: Lucas Camargo e Gabriela Fazoli

Sumário

 

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 1

 

Era sexta-feira à tarde. Cindy, Bryan e Dave estavam com pressa para fazerem as malas. Teriam que sair de carro às quatro e já passava das três e meia.

Naquele dia, ao chegarem da escola, eles foram informados que a sua tia-avó Hattie havia falecido alguns dias antes, sem deixar testamento. Os pais deles eram os parentes mais próximos de Hattie e precisariam viajar para providenciar o funeral e fazer o inventário dos bens dela. Eles só receberam a notícia da morte de Hattie naquela manhã, quando Cindy, Bryan e Dave já estavam na escola. Então, depois da aula, as crianças tiveram que juntar algumas roupas e sacos de dormir para a estadia na remota vila onde Hattie havia morado.

Bryan tinha 14 anos e era o mais velho. Ele tinha olhos castanho-escuros e cabelos castanhos curtos. Cindy e Dave eram gêmeos de 13 anos de idade, mas não poderiam ser mais diferentes. Cindy tinha olhos azuis, era alta e loira, com cabelos que chegavam até o ombro. Dave era ruivo e menor que a irmã, com muitas sardas no rosto.

Como sempre, Cindy e Dave estavam discutindo. Desta vez, por causa de um minigame.

– Dave! Você não vai levar isso. Você fica sempre jogando essa coisa e esquece de cumprir suas obrigações! – Cindy gritou.

– Minhas obrigações? Como brincar com as suas bonecas? – Dave retrucou, sabendo que esse era o ponto fraco de Cindy.

– Eu não brinco com elas! – ela gritou em resposta, com as bochechas vermelhas de raiva.

– Brinca, sim! – caçoou Dave. – Que patético! Alguém da sua idade brincando com bonequinhas.

Cindy se atirou contra Dave, com os punhos prontos para bater nele. Dave se esquivou e Cindy passou direto por ele, escorregou no minigame e caiu na caixa de bonecas.

– Meu minigame! – exclamou Dave. – Você quebrou!

– E as minhas bonecas, elas já eram! – gritou Cindy. – Jane perdeu o braço, e veja a perna do Paul! Tudo culpa sua!

Quando Bryan entrou no quarto, encontrou Cindy correndo atrás de Dave, batendo nele com uma boneca, e Dave fugindo, apertando o minigame quebrado contra o peito e gritando:

– Isso me custou todas as minhas economias, e agora veja só – ele se abaixou quando Cindy o atacou e desviou para a esquerda. – Era da edição especial, por isso custou o dobro do preço normal!

Dave tropeçou e Cindy caiu sobre ele, golpeando-o com uma boneca sem cabeça.

Bryan decidiu intervir e resolver as coisas.

– Ahn…

Foi o máximo que conseguiu dizer, antes de ser golpeado pelo braço de uma boneca e ficar com uma marca vermelha na testa. Ele andou na direção de Cindy e a segurou, dando para Dave a chance de escapar do quarto.

– A mãe falou que está na hora de ir – foi tudo o que ele disse antes de sair do quarto, esfregando a testa.

Às quatro e dez, todos estavam no carro.

– Todos estão aí? – perguntou o pai. – Ninguém esqueceu nada?

– Não, pai – foi a resposta do Bryan.

– Uau! – disse o pai, satisfeito. – Pela primeira vez o Dave não trouxe o minigame. Por que não, Dave?

– Ah… Achei melhor não – disse Dave, com calma, sabendo que estaria em apuros se contasse sobre o minigame quebrado. O pai deu um olhar significativo para o filho pelo espelho retrovisor, sem acreditar na explicação de Dave.

A viagem demorou cerca de cinco horas. Eles chegaram à velha casa isolada que estava em uma péssima situação, na remota vila, por volta das dez horas da noite. Bryan lia seu livro. Dave e Cindy adormeceram, deitados um sobre o outro, depois de esquecerem a briga de cinco horas antes.

– Chegamos! – gritou o pai, acordando Dave e Cindy com um susto.

– Não vejo a hora de dormir – Bryan bocejou.

Dave e Cindy, que não estavam cansados, decidiram explorar a casa antes de dormirem. A mãe e o pai não se importaram. Era fim de semana e normalmente eles deixavam os filhos irem para a cama a hora que quisessem às sextas-feiras. Além disso, eles quase sempre iam para a cama cedo, por estarem cansados da longa semana na escola.

Cindy e Dave quase subiram um no outro para saírem do carro. Bryan desceu pelo outro lado. As crianças olharam para a casa impressionadas. Parecia uma casa de filme de terror. Tinha três andares com janelas compridas e estreitas, que refletiam a lua cheia de maneira assustadora. As paredes externas estavam revestidas de cal, mas precisavam de uma reforma, porque estavam muito sujas.

– Vamos lá! – disse o pai, com alegria.

Capítulo 2

 

 

Todos seguiram para a porta da frente, percorrendo o longo e estreito caminho coberto de vegetação. O pai tirou a chave do envelope que havia recebido e a testou na porta. A fechadura fez um barulho quando a chave foi girada, fazendo todos se arrepiarem. A porta rangeu e eles entraram ao mesmo tempo, fugindo do ar gelado da noite.

– Vou ligar a eletricidade e o aquecimento. Então, poderemos tomar uma xícara de chá – sugeriu o pai.

– Boa ideia – disse a mãe, tremendo de frio.

As crianças ficaram em silêncio no corredor. Ninguém conseguia pensar em nada para dizer. Finalmente, Cindy sugeriu:

– Vamos ver os quartos.

– Tudo bem! – disse Bryan. – Você vai na frente.

– Eu? – balbuciou Cindy. – Por que não você, que é o mais velho?

– Está bem – Bryan concordou, relutante.

Bryan, seguido pelos gêmeos, andou pelo corredor iluminado pela lua, pisando com cuidado. Chegou à escada e colocou o pé no primeiro degrau, que rangeu um pouco com o peso. Colocou o outro pé no degrau seguinte, que também rangeu. Ele chegou ao topo depois de 15 rangidos. Cindy e Dave subiram com ele.

– Por que você parou? – Cindy perguntou, sussurrando.

– Xiiiu! – disse Bryan. – Ouçam.

– Não estou ouvindo nada…

De repente, todos ouviram. Era um som constante de tique-taque. Depois, um passo pesado. Uma sombra se mexeu na soleira da porta, seguida por…

– Pai! – Bryan exclamou.

Uma luz forte de repente brilhou em seu rosto.

– Até que enfim! – disse o pai. – Consegui fazer a lanterna funcionar.

Todos soltaram um suspiro de alívio.

– O que há de errado com vocês? – perguntou o pai. – Parece que viram um fantasma!

– Nada, pai. O que você está fazendo aqui? – perguntou Dave.

– Subi para procurar a caixa de fusíveis. Estão procurando os quartos?

– Sim – respondeu Dave. – Quanto tempo vai demorar para acender as luzes?

– Já encontrei a caixa de eletricidade. Agora só falta achar a chave.

– O que podemos usar como luz por enquanto? – perguntou Bryan. – Não quero andar para cima e para baixo em corredores iluminados pela lua a noite inteira.

– Tome, pegue isto. É a lanterna do meu chaveiro – respondeu o pai.

As três crianças seguiram pelo corredor de novo, agora enxergando melhor, graças à pequena lanterna, que lançava um estreito feixe de luz ao longo do corredor empoeirado. Bryan parou na terceira porta.

– Seria bom começar a escolher os quartos – ele disse.

Dave e Cindy pararam atrás dele. Quando Bryan girou a maçaneta, ela fez um som alto e estridente. Ele abriu a porta, que soou como se nunca tivesse sido lubrificada desde que havia sido instalada ali. O quarto era iluminado pela lua e tudo o que o luar tocava tinha uma cor branca fantasmagórica. Todos os móveis estavam cobertos com lençóis empoeirados. Bryan foi até a parede mais distante, puxou um lençol e iluminou com a lanterna o que havia embaixo. Ele encontrou uma estante com prateleiras cheias de livros. O quarto deve ter sido uma pequena biblioteca. Bryan gostaria de ter ficado para olhar melhor os livros, mas Cindy e Dave estavam ficando inquietos. Eles queriam encontrar seus quartos o quanto antes para poderem desfazer as malas. Ele cobriu a estante de novo com o lençol e saiu, esperando poder voltar de manhã para analisar melhor a biblioteca.

Dave e Cindy continuaram a seguir Bryan pelo corredor até chegarem às duas últimas portas, que ficavam uma de frente para a outra. Bryan abriu bruscamente a porta à direita, fazendo-a bater contra a parede do quarto. Ele entrou, e Cindy e Dave o acompanharam de perto.

Esse quarto tinha duas camas de solteiro separadas por um criado-mudo. À esquerda, havia uma janela alta e estreita com vista para a estrada deserta. Os esqueletos de árvores mortas cercavam a janela. Bryan, Cindy e Dave foram para o centro do quarto e olharam em volta.

– Este quarto é ideal para vocês dois – disse Bryan.

– Onde você vai dormir? – Cindy perguntou.

– Vou ver como é o outro quarto – Bryan respondeu.

Bryan saiu do quarto e atravessou o corredor escuro até o quarto oposto. Dave e Cindy olharam um para o outro e decidiram seguir Bryan até o outro quarto.

O quarto também tinha duas camas. Era quase idêntico ao primeiro.

– Vou ficar neste quarto – disse Bryan, virando para os gêmeos.

– Bem, agora que escolhemos os quartos, precisamos apenas que o pai acenda as luzes – disse Dave.

Ele ficou arrepiado. De repente, o quarto tinha ficado ainda mais frio. Dave começou a tremer. Olhou para os irmãos. Eles também pareciam desconfortáveis. Então, ouviram um som regular de batida.

– Pai? É você? – perguntou Dave, com a voz trêmula.

– Está vindo de lá de fora – disse Cindy, com o rosto mais pálido que o normal.

Devagar, as três crianças foram até a janela estreita. Do fim da rua, vinha uma sombra escura, que se movia lentamente em direção à casa.

À medida que a sombra se aproximava, eles perceberam o que parecia ser um cavalo e uma carroça, com o vulto de um homem curvado no assento. Na lateral da carroça, havia um letreiro pintado à mão: “Sucata”. E ouvia-se uma voz distante, abafada, anunciando:

– Sucata! Sucata!

As crianças ficaram fascinadas com a aparição. A carroça com o vulto curvado passou de maneira sinistra pela casa e desceu a rua devagar, até desaparecer misteriosamente.

De repente, surgiu uma luz forte. As crianças pularam e, em seguida, relaxaram: finalmente o pai havia resolvido o problema da eletricidade.

– Será que isso realmente aconteceu? – Dave perguntou, em choque.

– Deve ter acontecido, porque todos nós vimos – respondeu Cindy com a voz rouca.

– Acho que não devemos falar nada sobre isso – disse Bryan. – Pelo menos por enquanto.

Cindy e Dave concordaram.

– Você tem razão – afirmou Cindy.

– Boa ideia – confirmou Dave.

A decisão das crianças pode ter salvado a vida delas naquela noite, pois existia uma lenda a respeito de uma carroça. Se alguém visse a carroça depois de uma morte e revelasse isso, essa pessoa morreria.

Continuar: parte 6 de 8