Box Hora do Espanto: Série III

Edgar J. Hyde · Capítulo 17 de 17 · parte 6/8

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Box Hora do Espanto: Série III

Capítulo 17

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 8 partes.

Capítulo 3

 

Eles jantaram tarde naquela noite, na cozinha quente e aconchegante, que poderia abrigar pelo menos dez cozinheiros. Enquanto eles comiam, a aparição começou a ficar cada vez menos real. Depois da refeição, eles contavam piadas alegremente, e Dave e Cindy tiveram um pequeno desentendimento sobre quem ficaria na cama perto do aquecedor.

Agora que as luzes funcionavam, os corredores sombrios pareciam só uma memória distante. Eles estavam bem iluminados e nada assustadores. No fundo, Bryan, Cindy e Dave ficaram um pouco envergonhados por terem sentido medo uma hora antes e foram para a cama felizes e despreocupados. Mesmo assim, os três insistiram em deixar as luzes do corredor acesas e as portas abertas quando foram para a cama. A desculpa: assim eles poderiam conversar até pegarem no sono. Em ambos os quartos, as cortinas estavam bem fechadas antes mesmo de as crianças irem para a cama.

Bryan acordou primeiro. Ele se sentou, bocejou e se espreguiçou, tudo no mesmo movimento. Afastou as cobertas ainda sonolento e quase caiu da cama. Cambaleou alguns passos, ainda semiacordado, e tropeçou na mala, caindo e batendo o queixo no chão. Ele sacudiu a cabeça para se livrar das luzes e das estrelinhas, e resmungou. Olhou para o relógio e viu que marcava oito horas. Resmungou de novo, com mais intensidade dessa vez. Oito horas em plena manhã de sábado!

Bem, agora ele já estava acordado. Ainda grogue e ligeiramente mal-humorado, ele foi ao banheiro com algo em mente. Tirou as escovas e pastas de dentes do pote e o encheu com água. Foi para o quarto dos gêmeos e derramou o conteúdo do pote sobre o tranquilo rosto adormecido de Dave, que havia perdido a briga e estava na cama mais próxima da porta e mais distante do aquecedor.

Dave acordou bruscamente. Ficou em estado de choque. Olhou ao redor, com água pingando do rosto. Viu Bryan com o pote cheio d’água derramando o conteúdo em cima da figura adormecida de Cindy, que também acordou surpresa. Por fim, Dave se recuperou e xingou Bryan, que estava rolando no chão de tanto rir.

Dave saiu da cama e pegou o pote, com a intenção de jogar água no risonho Bryan. Cindy o viu com o pote e saltou da cama, achando que Dave tinha jogado água nela. Ela avançou no irmão gêmeo, mas tropeçou em Bryan, que continuava no chão, recuperando-se do ataque de riso. Cindy e Dave se entreolharam. Os dois se entenderam e logo saíram do quarto. Voltaram segundos mais tarde com um penico antigo de porcelana, cheio de água. Juntos, eles derramaram a água na cabeça de Bryan. Ele engasgou, pareceu estar irritado por um segundo, depois teve mais um ataque de riso. Dave e Cindy também começaram a rir, e foi assim que os pais os encontraram quando foram acordá-los: rolando no chão de tanto rir, totalmente encharcados.

Os pais viram o que tinha acontecido e começaram a rir também. Isso durou alguns minutos, até que a mãe se recuperou e disse:

– O café da manhã está pronto. É uma fritada.

De repente, ela se mostrou chocada.

– Essa não! – ela exclamou. – Não desliguei o fogo. Vai ficar tudo queimado!

Ela correu para a cozinha, com o roupão voando como uma capa. Todos no quarto dos gêmeos se entreolharam e recomeçaram a rir ao mesmo tempo.

No final, eles tiveram que se contentar com cereais. Os ovos com bacon, as linguiças, os cogumelos e os tomates fritos ficaram tão queimados que ninguém conseguiu comer.

Naquele dia, todos tinham alguma coisa para fazer. Os gêmeos precisavam estocar suprimentos para o fim de semana e para a semana seguinte, que era o período das férias escolares. Bryan estava em êxtase, olhando todos os livros da biblioteca e procurando coisas sobre a vila em que estavam. A mãe e o pai estavam ocupados organizando o funeral e providenciando os documentos. Uma descoberta foi particularmente animadora: eles descobriram, em uma correspondência recente, que as ações que a tia havia comprado 40 anos antes estavam valendo mais de 50 mil libras! Resolveram contar para as crianças no jantar daquela noite.

Na biblioteca, Bryan não tinha conhecimento do que acontecia ao redor. Ele estava lendo um livro particularmente interessante, a respeito de mitos e lendas locais. Assim como ele, Cindy e Dave tinham esquecido completamente o que tinha acontecido na noite anterior. Bryan virou uma página do livro e teve um choque enorme. Na página, havia a foto de um cavalo com uma carroça antiga, tirada na virada do século. Bryan ficou surpreso ao perceber que era a mesma carroça que ele e os gêmeos tinham visto na noite anterior, com a palavra “Sucata” escrita na lateral. Perto do cavalo, segurando as rédeas, havia um homem de meia-idade, com uma boina e casaco de lã. Ele sorria exibindo dentes tortos, que seguravam um velho cachimbo de barro. Embaixo da foto, Bryan leu as seguintes palavras:

“Acredita-se que a lenda tenha se originado num acidente de 1910, quando um homem morreu em circunstâncias trágicas. Ele caiu do assento de sua carroça e foi esmagado pela roda, que passou em cima de sua cabeça. Testemunhas disseram ter visto o homem descer a rua com o cavalo e a carroça, tarde da noite, após alguma morte. A lenda conta que quem afirmar ter visto a carroça do homem morrerá em seguida. Assim, por muitos anos, a vila tem concordado em manter silêncio, pois todos têm medo de confirmar a aparição. Houve muitos casos de pessoas céticas. Mas elas quase sempre descobriam que estavam erradas e ficavam quietas depois de verem a carroça. Por isso, o mistério continua.”

Bryan se sentou, com uma expressão atordoada no rosto. A morte de sua tia-avó deveria ter alguma conexão com a aparição da noite passada. Ele precisava avisar Cindy e Dave. Embora eles tivessem prometido não falar da aparição, ele sabia que os gêmeos eram propensos a deixarem escapar segredos, como já tinham feito antes.

Capítulo 4

 

Cindy e Dave caminharam lentamente pela tranquila rua principal, curtindo o sol agradável e conversando à toa.

Eles entraram na mercearia local e começaram a selecionar os itens da lista de compra que a mãe tinha feito para eles. Pegaram tudo e levaram a cesta para o caixa. A velha senhora que estava no caixa somou tudo na antiga caixa registradora, que parecia indestrutível.

– Quatorze e cinquenta – ela disse com um sorriso.

Cindy pagou a senhora com três notas de cinco. A velha senhora apertou um botão na caixa registradora, fazendo a pesada gaveta de ferro fundido se abrir com um tremendo estrondo e o som de uma sineta: ting!

– Faltam os 50 centavos de troco, querida – ela disse, entregando o dinheiro a Cindy.

– São vocês que estão na velha casa da Hattie? – a senhora perguntou.

– Sim, somos – respondeu Cindy. – A senhora a conhecia?

– Sim, querida. Ela era uma boa mulher, mas a saúde dela era ruim, embora ela nunca demonstrasse.

– Faz muito tempo que vocês se conheciam? – perguntou Dave.

– Claro, muitos anos, querido. Digam-me uma coisa: vocês não viram nada estranho, viram? – ela perguntou, mudando de assunto de repente.

– Bem, já que mencionou, vimos sim – começou Dave.

– Então, não contem para ninguém, ninguém mesmo! Não se quiserem continuar a viver – disse a senhora, insistente. – Vivo aqui há muitos anos e sei que, se vocês virem algo depois de uma morte, não contem para ninguém e vocês continuarão vivos.

Com isso, ela se virou bruscamente com o rosto pálido e os olhos azuis-claros cheios de lágrimas, passou pela cortina de contas e foi para os fundos da loja, murmurando baixinho:

– É uma pena! Crianças tão pequenas…

Cindy olhou para Dave, que olhou para ela. Concordaram em silêncio, como se um estivesse lendo os pensamentos do outro.

– Temos que avisar o Bryan antes que ele conte para alguém – disse a irmã.

– É – Dave retrucou e saiu da loja correndo. Cindy foi atrás dele, gritando:

– A casa fica para o outro lado!

Dave derrapou e correu de volta, passando pela loja, e Cindy se juntou a ele. Eles correram de volta para a casa e irromperam pela porta da frente.

– Para a biblioteca! – gritou Dave.

Ambos correram para a biblioteca e se atiraram pela porta recentemente lubrificada. Bryan levantou os olhos e disse para Cindy e Dave:

– Por favor…

– … não conte para ninguém! – finalizaram Dave e Cindy juntos.

Capítulo 5

 

Bryan olhou para os gêmeos.

– Vocês sabiam? – ele perguntou, surpreso, com as sobrancelhas erguidas.

– Sim, a senhora da mercearia nos contou, ou nos avisou ou algo assim – Dave respondeu. – De qualquer forma, ela parecia muito assustada.

– Como você ficou sabendo? – Cindy interrompeu.

– Li a respeito num livro de lendas antigas – respondeu Bryan.

– Claro. Mas a questão é: a lenda é verdadeira? – perguntou Dave.

– Não sei – retrucou Bryan. – Mas acho que é. Tenho certeza de que não estávamos vendo coisas na noite passada.

– O que vamos fazer agora? – perguntou Cindy, olhando para Bryan. Dave também olhou para ele.

– Acho que a primeira coisa a fazer é tentar descobrir algo mais. Por exemplo, a biblioteca local deve ter mais informações sobre o homem da carroça – respondeu Bryan.

– Será que é seguro falar sobre isso? – Cindy interrompeu.

– Não estamos divulgando e, além disso, já tocamos no assunto. Não temos nada a perder – Bryan afirmou.

– Você tem razão. Vamos para a biblioteca agora? – disse Dave.

– Não, acho que devemos esperar até depois do almoço. Assim, passaremos a tarde toda na biblioteca para descobrir tudo sobre a lenda – Bryan sugeriu.

– Que lenda? – perguntou a mãe, entrando no quarto.

– Ah, estamos apenas procurando algumas histórias da vila, mãe – respondeu Bryan, com sinceridade.

– Isso é ótimo, mas receio que seus irmãos não vão poder ajudá-lo à tarde. Uma velhinha simpática da mercearia trouxe vários mantimentos. Ela disse que os dois esqueceram as coisas na loja. Só Deus sabe o que vocês estavam pensando. Coitadinha.

– Essa não! – exclamou Dave. – Na correria, esquecemos completamente das compras!

– Por que estavam correndo? – perguntou a mãe, intrigada.

– Eles queriam me contar uma piada que inventaram na loja – disse Bryan.

– Bem, essa falta de cuidado vai lhes custar uma tarde de trabalho, vão ter que nos ajudar a organizar móveis antigos.

– Ah, mããeee! – resmungou Cindy. – Foi um acidente!

– Difícil – a mãe disse, brava. Ela então mudou o tom de voz, agora estava novamente intrigada. – A senhora também me entregou uma carta.

Bryan, Cindy e Dave entreolharam-se agitados. O fato de os gêmeos terem deixado as mercadorias na loja tinha seu lado bom e seu lado ruim. A mãe desviou o olhar das crianças e continuou:

– Eu ia abrir a carta, mas ela insistiu para que eu a entregasse aos dois – ela disse, observando os gêmeos e entregando a carta para Cindy. A mãe olhou para ela esperando que a filha a abrisse.

– É para nós, e não para você – disse Cindy.

– Bem, nesse caso vocês podem lê-la depois – respondeu a mãe, pegando a carta de volta. – Agora, vocês vão me ajudar com uma coisa.

– E o almoço? – perguntou Dave.

– Vocês vão fazer o almoço! – disse a mãe, triunfante.

Os gêmeos olharam um para o outro e resmungaram.

Naquela tarde, enquanto os gêmeos estavam trabalhando, Bryan teve a oportunidade de ir à biblioteca.

A biblioteca era escura e empoeirada. A única pessoa que estava lá era a bibliotecária, que estava dormindo na cadeira atrás do balcão na recepção. Bryan passou por ali em silêncio e foi para a seção de história local, que tinha poucos livros. Ele teve que limpar a poeira de alguns livros só para ler as lombadas. Encontrou o livro que tinha lido naquela manhã e também outro, mais volumoso, com o título Nossa vila: história, lendas e folclore. Bryan sentou-se à mesinha da seção de leitura da biblioteca e abriu o livro na página do sumário.

A formatação do título, estranha e rebuscada, mostrava que o livro era velho. Era mesmo, porque a data na parte inferior da página mostrava 1925. Ele encontrou a parte sobre lendas e virou as páginas até chegar ao capítulo. Folheou a seção, até chegar ao título: O homem da carroça volta para os mortos.

Bryan se arrepiou ao ler o título, compreendendo que aquela lenda não era falsa. Ele leu:

“Embora recente, essa lenda é possivelmente a mais popular de todas, e por isso é narrada nesta seção. A lenda conta que, quando uma pessoa morre nesta pequena vila, um parente dessa pessoa pode presenciar uma carroça fantasmagórica descendo a rua.”

– Então são os parentes que veem – murmurou Bryan. Ele continuou a ler:

“Se o parente relatar que viu o espectro, esse parente com certeza vai morrer. Algumas pessoas dizem que a origem dessa lenda surgiu quando um homem foi amaldiçoado por uma cigana e morreu ao cair da carroça, que passou por cima da cabeça dele. Outras pessoas afirmam que o espectro é uma criatura das trevas disfarçada. O que quer que essa aparição seja, uma coisa é certa: quem relatar o que viu será a próxima pessoa da família a morrer. O

corpo do homem da carroça, de acordo com a lenda, jaz no cemitério local, na quadra norte. Alguns dizem que o único jeito de acabar com a maldição do homem da carroça está no túmulo dele. Quem encontrar o túmulo estará a meio caminho de resolver o mistério. A primeira pessoa que relatou a assustadora imagem foi James Grey, em 1910, algumas semanas depois do acidente do homem da carroça. James, um contador jovem e saudável, morreu de uma doença desconhecida poucos dias depois de relatar o que tinha visto. Dias antes de morrer, ele ficou completamente louco. A única coisa inteligível que ele escreveu durante essa loucura foi algo que parecia um enigma. O enigma foi preservado pela esposa dele, Mary, e diz o seguinte:

Onde estou enterrado? Eu não estou lá.

Se você me desenterrar,

será que vai me encontrar?

Você pode me encontrar com uma pedra,

o caminho a coruja vai indicar.

Amaldiçoado e enterrado

onde eu não deveria estar.”

O enigma estava assinado por Samuel Kert, o homem da carroça.

Bryan esfregou os olhos. Com cuidado, ele copiou o enigma num pedaço de papel velho que estava sobre a mesa e voltou a se sentar, pensativo. Ele se levantou, colocou o livro na prateleira e olhou pela janela. Parecia escuro. Olhou no relógio: ainda eram quinze para as seis.

De repente, ele escutou uma trovoada e o céu se iluminou quando um imenso relâmpago o atravessou como uma cobra enorme. Ele piscou e se virou. Droga, teria que voltar para casa na chuva.

Bryan foi até a porta da biblioteca e saiu sob a chuva torrencial. Era quase impossível enxergar. Ele logo percebeu que estava perdido.

Ele chegou a um portão e decidiu entrar para ver se encontrava uma casa onde pudesse pedir informações. De repente, ele tropeçou numa pedra e caiu de cara na lama. Quando se levantou, ele viu uma pedra lisa e alta, com uma inscrição gravada. Aproximou-se e leu as palavras:

Em memória de Richard Groats

1908-1970

Ele partiu, mas não foi esquecido

Essa não! Ele entrou em um cemitério, e não na casa de alguém.

Olhou ao redor para encontrar o caminho por onde havia entrado, mas a chuva estava ainda mais forte e ele não enxergava direito nem um metro à frente.

Uma espessa névoa branca subia do chão e sombras surgiam da repentina escuridão, como enormes fantasmas.

Bryan caminhou na direção que ele acreditava ser a certa, tateando o caminho para não tropeçar em mais nenhuma lápide. Ainda assim, tropeçou mais duas vezes.

Por fim, chegou a um muro.

– Ótimo – ele começou a falar sozinho. – Agora vou encontrar o caminho para o portão.

Ele continuou ao longo do muro, seguindo para o oeste. De repente, escorregou e caiu na lama, revestindo suas roupas enlameadas com mais lama. Olhou para a lápide diante dele, que dizia:

Samuel Kert

Morreu na flor da idade

1870-1910

Bryan piscou. Na mesma hora, enfiou a mão no bolso e tirou o papel com o enigma. Ele mal conseguia ler o borrão que estava escrito, mas o nome de Samuel Kert ainda era legível. Ele não acreditou. A coincidência era enorme, mas havia ali algo mais do que os olhos podiam ver. O garoto olhou ao redor em busca de alguma coisa para marcar o caminho. Olhou para baixo, pegou um pouco de lama e sujou a parede. Depois disso, ele se levantou e deu um passo adiante. O pé dele afundou direto no solo encharcado até o tornozelo. Ele olhou para baixo com medo, pois o ar se tornava abafado, e percebeu que seu pé estava afundado bem em frente à lápide. Isso só podia significar uma coisa. Com a respiração acelerada, ele se curvou e seu pé afundou mais na lama. Hesitante, ele colocou a mão no buraco e sentiu alguma coisa sólida e plana. Alguma coisa sólida e plana como madeira…

Com determinação, enfiou a mão no túmulo e procurou o corpo com as mãos. Não havia nada ali, nenhum corpo, nada. De repente, sua mão bateu em alguma coisa macia, parecida com plástico. Com crescente pavor, ele gradualmente retirou o que parecia ser uma boneca de cera. Ele a virou com as mãos. Ela era malfeita e tinha apenas alguns fios de cabelo preto presos na cabeça. Tinha um anel colado na frente e algumas gravuras pretas desbotadas nas costas. Embora estivesse chovendo, Bryan derretia de tanto suor. Não havia nenhum corpo naquilo que parecia ser um caixão e que estava enterrado a menos de um palmo de profundidade. Havia apenas uma boneca esquisita. Deveria ser magia negra. De repente, com um poderoso clarão, um raio atingiu a cabeça da boneca. O choque fez o garoto voar para trás e bater em uma lápide, ficando inconsciente. A boneca caiu de volta no buraco, que se encheu de lama segundos depois.

Bryan estava caído em cima da lápide, completamente desmaiado. Quando acordou, uma hora depois, o sol brilhava e não havia sinal de chuva ou de queda de raio em lugar nenhum. Ele olhou para suas roupas, que estavam completamente limpas e secas. O garoto se levantou e coçou a cabeça. Então, ele abriu a mão, e alguns fios de cabelo preto caíram na terra seca e rachada do chão. Bryan ajoelhou-se e os apanhou, empolgado. Com cuidado, ele os colocou no papel onde estava escrito o enigma. A escrita estava completamente legível e sem borrões. Ele dobrou o papel, embrulhando os fios de cabelo na dobra.

O jovem colocou o papel no bolso e olhou para o túmulo de Samuel Kert, que estava completamente intacto, sem nenhum sinal de buracos ao redor ou nas proximidades. Ele deitou e bateu com força no chão, várias vezes. Não conseguiu ouvir um som oco. Num lampejo, como o raio que o havia atingido, Bryan examinou as três primeiras linhas do enigma:

Onde estou enterrado? Eu não estou lá.

Se você me desenterrar,

será que vai me encontrar?

É claro que Samuel Kert não estava enterrado em seu túmulo, ele tinha sido transferido. Onde estaria enterrado agora? O enigma mencionava uma coruja…

Bryan decidiu examinar o resto do enigma depois. Ele tinha que voltar para casa antes que as pessoas começassem a ficar preocupadas. A entrada para o cemitério estava bem visível agora, e ele seguiu para lá rapidamente. Enquanto caminhava para casa, Bryan estudava o enigma em sua cabeça.

Capítulo 6

 

Os gêmeos tiveram que trabalhar a tarde inteira, até que finalmente a mãe decidiu que o castigo tinha acabado. Ela entregou a carta para eles e saiu do quarto, sabendo que eles não a abririam enquanto ela estivesse lá.

Os gêmeos resolveram esperar Bryan voltar para abrirem a carta, pois de certa forma sabiam que ela teria algo a ver com o homem da carroça.

Às seis da tarde, Bryan finalmente chegou em casa, parecendo extremamente pensativo. Os gêmeos estavam no corredor com a carta, mas Bryan passou direto e subiu a escada para a pequena biblioteca sem reparar neles.

Intrigados, Cindy e Dave o seguiram e o encontraram vasculhando uma pilha de livros.

– Não vai falar com a gente? – perguntou Cindy.

Bryan olhou surpreso.

– Eu ia mesmo procurar vocês para me ajudarem a encontrar informações sobre um pomar – ele respondeu.

– Você passou direto por nós no corredor – disse Dave.

– Passei? – Bryan respondeu. – Ah, eu estava preocupado.

– Percebi – disse Dave. – Encontrou algo interessante?

– Sim, mas é uma longa história – Bryan comentou.

– Temos uma semana, então seria bom você começar agora – disse Dave, decidido.

Bryan começou a falar:

– Tudo começou quando…

Ele contou sobre a visita à biblioteca e o enigma que encontrou. Quando ele falou da violenta tempestade, Dave e Cindy ficaram confusos.

– Tempestade? – Dave perguntou, incrédulo.

– Sim, aconteceu por volta das cinco e meia.

– Não teve tempestade nenhuma, foi um dia ensolarado na vila inteira. Dave saiu para buscar algumas coisas na mercearia às cinco e ficou lá até umas quinze para as seis – disse Cindy.

– Então, o que significa isso? – Bryan estranhou.

– Significa que você deve terminar a sua história para entendermos o que está acontecendo – emendou Cindy.

Bryan finalizou sua história enquanto Cindy e Dave o ouviam, atônitos. Quando ele acabou, Cindy disse:

– Talvez seja melhor lermos a carta, ela pode esclarecer o assunto.

– A carta! – Bryan exclamou. – Como fomos esquecer?

Dave pegou a carta no bolso de trás da calça. Rasgou o envelope e retirou um pedaço de papel dobrado. Abriu o papel e o colocou sobre a mesa, enquanto todos puxavam cadeiras para dar uma olhada naquilo. Dave leu em voz alta:

– Se quiserem saber mais a respeito dele, encontrem-me na loja amanhã, às nove da manhã. Lembrem-se do que eu disse: não mencionem para mais ninguém que o viram. Se fizerem isso, vocês vão morrer. De Beth Giby.

– É só isso? – perguntou Bryan.

– Sim – respondeu Dave.

– Bem, então já sei o que vamos fazer amanhã – disse Bryan. – Vamos nos encontrar com a senhora Beth.

– O que vamos fazer agora? – perguntou Cindy.

– Nada, por enquanto – retrucou Bryan. – A menos que queiram decifrar o enigma.

– Então mostre-me esse pedaço de papel e vou ver o que posso fazer – disse Cindy.

Bryan entregou a ela o papel com o enigma. Cindy o leu várias vezes e disse:

– Está vendo essa referência à coruja?

– Sim – disse Bryan.

– Bem, acho que ela não deve ser uma coruja real, pode ser uma coruja de pedra.

– Acho que é algo assim – disse Bryan. – É! Deve ser isso! E o pedaço de pedra? Como vamos encontrá-lo com uma pedra?

– Não sei – disse Cindy.

– Encontrá-lo com uma pedra? – disse Dave. – Acho que significa encontrá-lo por meio de uma pedra, tipo “perto de”.

Bryan e Cindy olharam para ele.

– É claro! – disse Bryan por fim. – Dave tem razão.

Dave sorriu e olhou para o relógio.

– Bem, acho que é hora de jantar.

Bryan olhou para seu relógio.

– Sim, é melhor descermos. Estou faminto.

Depois do jantar, as crianças voltaram para a biblioteca, que tinha se tornado uma espécie de sala de reuniões. Eles ficaram lendo livros por muito tempo, e foram para a cama por volta das dez.

Capítulo 7

 

 

No dia seguinte, as crianças dormiram até as oito da manhã. Bryan acordou primeiro e olhou para o relógio. Levantou-se rapidamente, correu para o outro quarto e acordou os gêmeos. Os três desceram as escadas correndo e engoliram o café da manhã, então saíram correndo na direção da mercearia. Chegaram às nove e entraram. Beth, a dona da loja, estava sentada atrás do balcão lendo um jornal. Ela ergueu os olhos quando a sineta da loja fez “ting”.

– Olá! – ela sorriu.

As crianças a cumprimentaram e Cindy disse:

– Você queria nos ver…

– Sim, querida – retrucou Beth. – Eu queria contar uma coisa sobre o homem da carroça.

– Samuel Kert? – perguntou Bryan.

– Sim, esse é o nome dele, querido. E você, quem é?

– Sou o Bryan – ele respondeu.

– Bem, Bryan, esse era o nome dele. E ele morreu num terrível acidente. A cabeça dele foi esmagada pela roda da carroça.

– E ele não foi amaldiçoado por uma cigana? – perguntou Dave.

– Isso mesmo, querido. Dizem que ela amaldiçoou o corpo depois de enterrado. Dizem que ela trocou o corpo por um boneco de vodu. Ninguém teve coragem de ver se isso aconteceu ou não. Tudo o que as pessoas sabem é que não se pode falar sobre aquilo que se vê.

– O que mais você sabe? – perguntou Cindy.

– Também sei onde o velho Sam foi realmente enterrado.

– Como? – perguntou Bryan.

– Minha mãe viu quando o enterraram ao lado das pedras verticais, no Morro do Corvo.

– Morro do Corvo? Onde fica? – perguntou Dave.

– Logo na saída da vila, perto da fazenda abandonada – respondeu Beth.

– Sei onde fica. Vi quando chegamos à vila! – exclamou Bryan.

– As pedras estão atrás da fazenda. Os fazendeiros costumavam acreditar que elas davam sorte.

– Sorte? – perguntou Cindy.

– Sim, querida, sorte. Os fazendeiros achavam que as pedras ajudavam a produzir boas colheitas.

De repente, a sineta da loja tocou e um senhor idoso entrou. Ele olhou para as crianças e foi mancando para os fundos da loja. Parecia que ele estava resmungando e murmurando. O homem usava um casaco de lã sujo, uma calça marrom imunda e uma boina velha. Ele tinha um cachimbo curto e grosso pendendo no canto da boca e estava com a barba por fazer.

Ele pegou uma enorme faca de pão da prateleira nos fundos da loja e se virou. Voltou para a frente da loja, com firmeza, em direção às crianças. Ele chegou perto delas e virou de frente para o balcão.

– Um pouco de tabaco – ele grunhiu.

Beth ergueu uma sobrancelha, mas pegou um pacote de tabaco na prateleira atrás dela. Ela mexeu na caixa registradora e disse para o homem:

– Quatro e cinquenta, Bill.

Bill pagou enquanto murmurava:

– Ah, isso é um assalto. No meu tempo, não se pagava mais do que 60 centavos por um pedaço de tabaco.

– Não se esqueça que você também comprou uma faca, Bill – retrucou Beth, bem-humorada.

– E uma faca não custava quase nada.

– Se você diz… – Beth disse, cedendo.

– Não tenha pena de mim, mulher! – ele exclamou.

Então, ele olhou para as crianças, esbarrou nelas e saiu resmungando:

– E vocês, crianças, deveriam estar na escola! No meu tempo, apanhariam por cabular aula.

Bill desceu a rua. As crianças puderam ver que ele continuava falando sozinho.

– O que aconteceu com ele? – perguntou Dave, incrédulo.

– Não se preocupe com ele, querido. Ele é sempre assim – respondeu Beth.

– Sempre? – questionou Bryan.

– É um idoso, querido, está ficando meio maluco.

– Meio? – Dave ironizou.

Bryan olhou para o relógio:

– Bem, é melhor voltarmos logo – ele disse. – A mãe e o pai provavelmente vão ficar bravos. Esquecemos completamente de dizer aonde íamos.

– Essa não! – gritou Cindy. – Temos que ir embora. Não quero passar mais um dia arrumando a casa.

– Queridos! – disse Beth. – Vou dar algumas barras de chocolate para vocês. Se eles perguntarem, digam que sentiram vontade de comer uma guloseima.

– Não! Não podemos aceitar – Bryan falou.

– Eu insisto, querido – Beth o interrompeu. – Recebam como um agradecimento por terem vindo falar comigo. Quase não tenho visitantes, e é sempre uma alegria falar com pessoas que têm tempo.

– Obrigada! – disse Cindy, agradecida. – De verdade.

– Obrigado! – Dave concordou. – É muito gentil da sua parte.

– Agora vamos, senão a mãe e o pai vão enlouquecer. Até mais, Beth.

Cindy riu e disse:

– Tchau, Beth. Voltaremos mais vezes. Obrigada.

– Tchau! – Dave e Bryan disseram juntos.

– Tchau! – disse Beth. – Foi bom conversar com vocês.

As crianças se apressaram e saíram correndo.

Enquanto eles corriam, Bryan perguntou a Cindy:

– O que achou tão engraçado?

– Quando você disse que a mãe e o pai iam enlouquecer, eu pensei: que nem o velho Bill.

Bryan e Dave acharam estranho, mas deram de ombros.

– Ligue para nós quando estiver no mesmo planeta que nós – disse Dave.

Cindy e Dave se entreolharam. Dave de repente apertou o passo quando Cindy foi para cima dele. Dave disparou na frente, seguido por Cindy, que estava logo atrás.

Bryan viu Cindy pegar Dave pelo braço. Ela o girou e bateu no outro braço dele em um só movimento.

– Ai! – Dave gritou. – Pare com isso! Eu só estava brincando!

– Peça desculpas – gritou Cindy.

– Não! Ai! Desculpe, desculpe, pare com isso!

Cindy voltou a acompanhar Bryan enquanto Dave esfregava os machucados. Bryan e Cindy voltaram a correr. Dave foi atrás deles gritando:

– Parem! Parem! Esperem por mim!

As crianças chegaram em casa às dez horas e atravessaram a porta da frente quando o pai descia a escada.

– Bom dia, crianças – ele cumprimentou. – Não sabia que estavam acordados. Querem uma xícara de chá?

– Por favor, pai… – disse Bryan.

Dave e Cindy concordaram com a cabeça.

Eles seguiram o pai até a cozinha enquanto ele colocava no fogo uma velha chaleira de ferro fundido e conversava.

Alguns minutos depois, o chá ficou pronto. Eles sentaram-se ao redor da velha mesa de madeira e tomaram o chá, agradecidos.

Todos pareciam distraídos e pensativos, curtindo o sol matinal que entrava pela janela.

A cozinha estava tranquila e não se ouvia nada além do canto dos pássaros.

De repente, o pai sorriu e disse:

– Foi engraçado, sabiam? Ontem à noite, a mãe de vocês me contou que viu alguma coisa estranha lá fora na noite em que chegamos. Ela disse que tinha visto uma carroça velha circulando na frente da casa. Eu disse que ela só podia estar vendo coisas.

Ele olhou para as crianças.

– O que há com vocês? Parece que viram um fantasma – ele brincou.

De repente, houve um forte barulho. As crianças e o pai foram para o corredor.

A mãe estava caída no chão, inconsciente, com uma bandeja e xícaras quebradas ao redor dela.

– Essa não! – as crianças cochicharam entre si.

O pai correu em direção à mãe e pediu para Bryan chamar uma ambulância. O filho pegou o telefone e discou o número do serviço de emergência.

Bryan informou a situação e o endereço à pessoa do outro lado da linha, enquanto Cindy chorava e Dave simplesmente estava sem ação, pálido.

– Leve a Cindy para a cozinha – Bryan ordenou a Dave.

Dave concordou e colocou o braço em volta do ombro da irmã.

– Ela vai ficar bem? – Dave perguntou, tremendo.

– Claro! – respondeu Bryan, esperançoso. – Ela deve ter batido a cabeça.

– Mas e quanto ao… – Dave começou a falar.

– Olhe, não fale sobre isso. Vá para a cozinha, agora! – Bryan gritou.

Dave concordou com a cabeça e foi para a cozinha, com a Cindy chorando em seu ombro.

Minutos depois, as crianças se amontoaram quando os paramédicos levaram a mãe para fora de casa em uma maca, com uma máscara de oxigênio na boca. O pai a acompanhou e subiu na ambulância. Ele chamou Bryan e lhe deu dinheiro e as chaves da casa. Pediu para o filho ficar de olho nos gêmeos e não deixar que eles pensassem no acidente.

As portas foram fechadas. A ambulância foi embora deixando para trás uma nuvem de poeira.

Bryan ficou parado observando a ambulância se afastar. Dave e Cindy ficaram ao lado dele, um de cada lado. Ele olhou para os irmãos e sorriu sem graça, depois voltou para dentro de casa seguido pelos gêmeos.

Os dois acompanharam Bryan até o quarto dele e se sentaram na cama vazia.

– A mãe vai morrer, não é? – disse Cindy, soluçando.

– Sim, não, não sei! – respondeu Bryan, totalmente confuso. – Não! – ele declarou com firmeza. – Nós vamos salvá-la.

– Como? – perguntou Dave, surpreso, com o ânimo ligeiramente recuperado.

Se Bryan acreditava que eles podiam salvá-la, talvez eles conseguissem.

– Vamos fazer o que tínhamos planejado: cavar e enterrar Samuel Kert e acabar com essa maldição antes que a mãe morra.

Cindy olhou para Bryan, incrédula, e suas lágrimas secaram.

– Será que vai dar certo? – ela perguntou. – Será que vai dar certo mesmo?

Bryan ficou em silêncio por um segundo, como se estivesse pensando em algo. Ele não tinha certeza de nada, estava apenas consolando os irmãos. Ele precisava parecer seguro de si mesmo. Então, ele disse:

– Sim, vai dar certo!

Capítulo 8

 

 

As crianças estavam procurando o equipamento necessário para escavar os restos mortais de Sam, quando o celular começou a tocar. Bryan atendeu.

– Alô? – ele disse.

– É você, Bryan? – foi a resposta. Era o pai.

– Pai! Como está a mãe? – perguntou Bryan, agitado. – Quando poderemos visitá-la?

– Talvez hoje à noite – respondeu o pai. – No momento, acham que ela está em coma, embora não entendam o porquê.

– Não foi porque ela caiu da escada? – Bryan perguntou, surpreso.

– Eu pensei que fosse, mas ela quase não tem ferimentos na cabeça. Ela bateu a cabeça quando caiu, mas o médico disse que, pelas marcas na cabeça, a queda não pode ter causado o coma.

– Eles acham que ela vai acordar? – perguntou Bryan, apreensivo.

– A situação não parece nada boa, filho… – disse o pai. – Sinto muito, mas o médico falou que a situação dela está piorando.

Bryan tentou conter as lágrimas quando perguntou:

– Então eu devo contar para os meninos?

– Sim, temos que ser honestos, não podemos dar falsas esperanças a eles.

– Tudo bem, pai. Vamos visitá-la à noite então – disse Bryan, soluçando. – Tchau.

– Tchau, filho – disse o pai. A linha ficou muda.

Bryan se virou exatamente na hora em que Dave e Cindy chegaram.

– Era o pai? – perguntou Dave.

– Era – respondeu Bryan, inexpressivo.

– E aí? Como está a mãe? – Cindy perguntou, esperançosa.

– Ela não está bem – Bryan lamentou. – Ela está em coma, está piorando.

– Essa não! – disse Dave, tentando segurar as lágrimas. – Temos que desenterrar Sam o mais rápido possível, antes que ela morra.

Cindy começou a chorar desesperadamente. Bryan, que já tinha se recuperado, abraçou a irmã.

– Ela não vai morrer, entendeu? Não importa o que o médico diga, ela vai viver!

Cindy enxugou as lágrimas e olhou surpresa para Bryan.

– Tem certeza? – ela perguntou. – Mesmo?

Bryan apenas concordou em silêncio.

– Afinal, vamos ou não? – perguntou Dave, quebrando o silêncio.

Bryan sacudiu a cabeça, tentando limpar a mente. Então, ele concordou.

– Vamos nessa! – ele disse simplesmente. – Vamos desenterrar um corpo.

Por fim, eles juntaram os equipamentos. Bryan verificou tudo:

– Só duas pás? Por que não três? – ele perguntou.

– Foi o que consegui encontrar – respondeu Dave.

– Tudo bem, então. O que mais nós temos? Mapa, corda, telefone… tudo.

– Ahn… nem tudo – disse a irmã.

Bryan e Dave olharam para ela.

– O que falta? – perguntou Bryan. – Já verifiquei tudo. Do que mais precisamos?

– De alguma coisa para carregar o Sam até o cemitério – respondeu Cindy.

Bryan ficou em silêncio por alguns segundos e disse:

– Muito bem, maninha.

Ele se aproximou e lhe deu um grande beijo na testa.

– Mia sorella é uma ragazza fantástica! – ele disse com sotaque italiano.

Cindy riu.

– Seu bobo! – ela disse, caindo na gargalhada.

De repente, eles se lembraram da situação e ficaram sérios.

– Vou ver se encontro um carrinho de mão no jardim – disse Bryan.

Cinco minutos depois, os gêmeos escutaram o barulho de um rangido, que ficava cada vez mais alto.

Lá estava Bryan, virando a esquina da casa, trazendo um carrinho de mão enferrujado, com um pneu quase murcho preso no eixo.

Os meninos amontoaram as pás, o mapa e a corda no carrinho, enquanto Cindy guardava o telefone no bolso. Por fim, o carrinho estava cheio.

Eles partiram em ritmo acelerado pela estrada que saía da vila. Viraram à direita e depois novamente à direita. Aos poucos, passavam por uma rua estreita e sinuosa, sempre no acostamento, pois às vezes aparecia algum carro.

As crianças viraram à esquerda e seguiram até a estrada que dava acesso à casa velha e abandonada de uma fazenda.

As molduras das janelas estavam vazias e não havia porta da frente. A maior parte do telhado havia desabado sobre um lado da casa, e a parte que não havia caído estava coberta de musgos e fungos.

As crianças tiveram que pular o portão do pátio, pois ele estava emperrado de tanta ferrugem. Eles tiveram que esvaziar o carrinho de mão e passar tudo para o outro lado, uma coisa por vez.

O antigo pátio da fazenda estava em ruínas e coberto de vegetação. Havia restos de arreios de cavalos amontoados num canto. O couro estava torcido e rachado, por causa da constante exposição ao sol, à chuva e à neve.

As crianças seguiram com pressa pelo pátio da fazenda e depois pelos fundos, que tinham grandes campos verdes.

Era impossível não ver as pedras, pois elas dominavam a paisagem. As crianças lentamente caminharam em direção às pedras antigas.

Eram quatro pedras, dispostas mais ou menos em um quadrado. Eles chegaram e se jogaram perto da pedra mais próxima, exaustos.

Depois de alguns minutos, Bryan se levantou, foi até o lugar onde tinha deixado o carrinho de mão e pegou uma pá. Caminhou ao redor das pedras examinando-as, enquanto ainda segurava a pá.

– Procurem uma coruja ou coisa parecida marcada numa pedra – ele disse aos irmãos.

Cindy e Dave começaram a examinar as pedras. Poucos minutos depois, Dave de repente berrou:

– Achei!

– Maravilha! – gritou Bryan, correndo até a pedra de Dave. – Onde?

– Bem ali, olhe – disse Dave, apontando para uma imagem malfeita de algo que parecia ser uma coruja.

– Vamos cavar! – Bryan gritou, animado.

– Espere – disse Cindy. – O enigma não dizia que a coruja indicava o caminho?

– Minha irmã é muito inteligente – disse Bryan, num tom de voz de tédio. – Só tenho a aprender com ela, um gênio.

– Tudo bem, não precisa zombar de mim só porque sou inteligente.

– E muito modesta. Impressionante! – continuou Bryan.

Cindy sorriu e depois disse num tom mais sério:

– A coruja está apontando para lá, em direção àquela pedra. O meu palpite é que existe outra coruja naquela pedra, apontando para cá.

– O cérebro dela vai superaquecer! Temos que salvá-la! – disse Bryan, rindo. – Nossa! Você está certa! Tem outra coruja apontando para cá.

– Bem, então vamos cavar – disse Dave.

Relutantes, os meninos cavaram o solo grosso cheio de barro enquanto Cindy os observava. Algum tempo depois, eles ouviram uma forte pancada. Os meninos se entreolharam e começaram a cavar com mais cuidado.

Uma das pás tinha batido em um objeto coberto com uma lona suja.

De repente, um vento forte veio do nada e houve o estrondo de uma trovoada. Uma chuva torrencial repentina caiu, encharcando completamente as crianças.

– Ah, não! – gritou Bryan. – De novo, não!

– De novo? – Dave gritou.

– Foi exatamente assim da última vez! – Bryan relembrou.

– Essa não! – gritou Cindy. – O que vamos fazer?

– Não podemos fazer nada! – respondeu Bryan.

– O que é aquilo? – Dave perguntou, apontando para a névoa.

Uma sombra se aproximava lentamente. Ela se transformou em um vulto e parecia estar lutando contra o vento. Cindy arquejou:

– É o Bill, da loja! – ela gritou.

– O que ele está fazendo aqui? – perguntou Bryan.

– Vamos descobrir em breve – respondeu Dave.

Quando Bill se aproximou, Bryan olhou para ele de perto pela primeira vez e ficou pensativo.

– Ele parece familiar – Bryan disse. – Já o vi antes.

– Agora que você falou, ele parece mesmo familiar – concordou Dave. – O que acha, Cindy?

– Sim, ele parece familiar. Mas também estamos sozinhos aqui com ele – respondeu ela.

Bill alcançou as crianças e disse, ríspido:

– O que estão fazendo aqui?

– Ahn… Estamos perdidos… – balbuciou Dave.

– Desenterrando o velho Sam? – Bill perguntou. – Ele não está aí.

As crianças engasgaram.

– Como sabe a respeito de Sam? – perguntou Bryan. – E como sabe que ele não está aqui?

– Eu sei disso porque todos na vila sabem. E sei que ele não está aí embaixo porque ele está enterrado no cemitério.

– Quer dizer que… estamos fazendo papel de idiotas? – perguntou Bryan.

– Não, vocês estavam procurando a coisa errada, só isso.

– Como assim? – perguntou Bryan.

– Vocês deveriam ter procurado outra coisa… Aqui, você pode me emprestar uma pá?

Bill cavou em volta do objeto que os meninos estavam cavando, que era menor do que as crianças imaginavam. Bill se agachou, pegou o objeto e colocou-o no chão. Desembrulhou a lona, revelando uma caixa de madeira. Abriu a tampa e tentou ver o que havia ali dentro, enquanto as crianças espiavam por cima do ombro dele. Era outro tipo de boneco de vodu, mas este tinha uma espécie de ossinho preso no peito.

– Mas a Beth disse que a mãe dela viu os ciganos enterrarem o Sam – disse Bryan, confuso.

– A mãe da Beth sempre exagerava – disse Bill. – Ela só viu alguma coisa sendo enterrada. Na época, as pessoas achavam que ela estava mentindo, então ninguém tentou descobrir o que estava enterrado no morro.

– A questão é: como podemos acabar com a maldição? – perguntou Bryan.

– Isso é fácil – respondeu Bill. – Leve o boneco para o cemitério e remova o osso. Em seguida, queime o boneco. Depois, você só precisa enterrar o osso ao lado da lápide de Sam.

– Só isso? – perguntou Dave.

– Acha pouco? Não vai ser fácil. Vocês estão agindo contra as forças das trevas, filho. Eles vão tentar impedi-los.

– Quem?

– Você verá – respondeu Bill, que entregou o boneco a Dave, virou-se e voltou para a névoa.

– Então, acho que é isso – disse Cindy. – Vamos fazer o que ele disse.

– Forças das trevas! – zombou Dave. – Só acredito vendo.

Quando Dave terminou de falar, um raio atingiu o chão ao lado dele. Em vez de desaparecer instantaneamente, o relâmpago permaneceu, estalando e soltando faíscas. Dave saiu do caminho, pois o relâmpago estalava em sua direção, queimando o solo úmido com torrentes de vapor. Ele olhou para o boneco em sua mão.

– Retiro o que eu disse – ele exclamou e jogou o boneco para Bryan, que o pegou em um ritmo lento, antes de acelerar para longe das pedras, seguido pelo relâmpago.

Cindy e Dave observaram Bryan correr e desaparecer na névoa. Depois, ele voltou alguns metros e foi seguido de perto pelo raio.

Bryan jogou o boneco no carrinho de mão e saiu do caminho do raio enquanto o relâmpago estalava em direção ao carrinho e o atingia com um poderoso clarão.

As crianças se aproximaram do carrinho de mão e olharam os objetos que estavam lá dentro. O boneco intacto estava cercado por pedaços de corda carbonizada e uma coisa estranha, que as crianças acreditavam ser o que restou do frasco.

– O que acontece com essas forças das trevas que sempre parecem querer fritar as pessoas com relâmpagos e raios? – perguntou Bryan, irônico. – Por que elas não pensam em alguma coisa mais original e mais difícil de vencer do que um simples raio?

Cindy olhou para ele, incrédula. Ele tinha acabado de escapar de um ataque de milhões de volts de eletricidade e estava fazendo piadinhas. Ela balançou a cabeça.

Ambos perceberam a mudança na expressão de Dave.

– O que foi, Dave? – perguntou Bryan.

– Você não deseja nunca ter dito isso? – retrucou Dave.

– Não entendi – disse Bryan.

– Silêncio! Ouçam… Estão ouvindo isso?

– Ouvindo o q… – começou Bryan, quando de repente ouviu um ruído vindo das profundezas da terra. – Corram! – ele gritou.

Ele agarrou o boneco que estava no carrinho de mão e correu, e Cindy e Dave foram atrás dele, bem no momento em que a terra se abriu, ao redor das pedras. Uma explosão lançou terra para cima com um estrondo ameaçador. Conforme as crianças corriam, mais terra era lançada, cobrindo suas costas de lama.

– Vamos! – gritou Bryan. – É a nossa única esperança! – ele continuou, enquanto os gêmeos se posicionavam ao lado dele.

Quando as crianças se separaram, a erupção continuou lançando pedaços de terra e lama. As explosões continuaram seguindo Bryan, que estava com o boneco.

Bryan correu para o pátio da fazenda e parou para respirar, apoiando-se na parede. Olhou para trás e viu as erupções chegando. Apavorado, ele continuou correndo pelo cimento. Chegou ao portão e começou a escalá-lo. Quando se sentou na cerca, ele olhou para trás. As explosões tinham parado. Cindy e Dave pararam no portão, atrás de Bryan.

– Não pare! – gritou Cindy.

– As explosões pararam – disse Bryan, pulando de volta no pátio da fazenda. – Essa “coisa” que está causando as erupções não consegue atravessar o cimento. Acho que, se tentarmos sair do pátio da fazenda, as erupções vão nos seguir.

Parecia que a “coisa” tinha ouvido as palavras de Bryan. O chão irrompeu no caminho de cascalho, bombardeando as crianças com pedras. A terra entrou em erupção numa espiral longa e contínua que subia cada vez mais alto, como um tornado. O tornado saiu do buraco e foi em direção à cerca, quebrando-a em pedaços com facilidade.

– Ou talvez eu esteja errado… Talvez as erupções se transformem em um redemoinho gigante e nos detone em 1 milhão de pedacinhos – disse Bryan, ainda com humor na voz.

Cindy achou incrível como Bryan conseguia manter o bom humor, mesmo sob circunstâncias que ameaçavam sua vida.

As crianças resolveram se separar de novo. O tornado seguiu Bryan pelo pátio até que o garoto ficou encurralado num canto.

“Para onde vou?” – pensou Bryan freneticamente. “Para cima? Para baixo? Não!”

De repente, Dave correu em direção a Bryan, antes que o tornado o sugasse.

– Jogue o boneco para mim! – gritou Dave.

Bryan atirou o boneco de qualquer jeito para Dave. O tornado imediatamente mudou de direção, Dave correu pelo pátio da fazenda e pulou os restos do portão destroçado. O tornado o perseguiu, com Bryan e Cindy logo atrás. Dave correu para a estrada, e o tornado quase o sugou. Ele arremessou o boneco no ar, na vã esperança de que Bryan ou Cindy o pegassem. Bryan deu um mergulho e o agarrou. Antes de cair, ele lançou o boneco para Cindy, que o pegou enquanto corria a toda velocidade.

Aquele “jogo de rúgbi mortal” continuou estrada abaixo: de um lado, as crianças, e do outro, o tornado, que tentava atacá-las a qualquer custo para capturar a bola.

Apavorada e com a adrenalina à flor da pele, Cindy não parava de correr. Ela sabia que não conseguiria manter o ritmo por muito tempo e que estava ficando para trás.

Ela começou a tropeçar, exausta. Com cuidado, ela virou para a esquerda até que de repente caiu no fosso à beira da estrada.

Ela estava segurando o boneco na hora, mas conseguiu jogá-lo a tempo para Dave, que também estava ficando cansado.

Ele aumentou o ritmo um pouco, mas ainda conseguiu olhar para Cindy. Se ele pudesse apenas…

– Esqueça! – gritou Bryan, interrompendo os pensamentos de Dave, como se pudesse lê-los. – Isso é mais importante!

– Mais importante do que a Cindy? – Dave retrucou.

– Ela está bem! – respondeu Bryan. – Ela vai nos alcançar.

E assim os meninos continuaram pela estrada de terra. Quando eles chegaram a uma encruzilhada deserta, o tornado parou de repente. Os garotos derraparam e pararam para recuperar o fôlego. Bryan falou primeiro.

– Vamos nessa! – disse, ofegante.

– Não… Não devemos esperar a Cindy? – Dave perguntou, arfando.

– Ela vai conseguir – respondeu Bryan. – Temos que continuar. Pela mãe, lembra?

Dave baixou os olhos, depois olhou para cima, determinado:

– Você está certo, não podemos desapontar a mãe. Vamos!

Os meninos corriam cambaleando pelas tortuosas pistas da estrada.

Tinham deixado para trás a monstruosa tempestade quando fugiram da fazenda minutos antes, minutos que pareceram horas.

Embora fosse um pouco depois do meio-dia, o céu estava muito escuro, e as sombrias cercas vivas pareciam encurralar os dois garotos cansados.

Bryan sacudiu a cabeça e piscou. Estava tão cansado que pensou ter visto uma raiz grossa se mexendo na estrada à frente deles.

Quando reabriu os olhos, a raiz continuava lá, mexendo-se como uma cobra em direção a eles.

Dave também tinha visto a raiz e parou. Ouviu um ruído e olhou para trás. Parou, como se estivesse plantado naquele ponto.

Atrás deles, toda a estrada estava coberta de vegetação e bloqueada por um paredão de galhos e raízes torcidos e retorcidos, que desciam da copa das árvores até o asfalto.

Os meninos se entreolharam e viraram lentamente em perfeita sincronia.

A estrada à frente deles também estava quase toda coberta de vegetação.

– Rápido! Passe pela fenda! – gritou Bryan, passando por uma fenda que estava a um metro do chão, antes que ela se fechasse por completo.

Então, ele se virou para ver se Dave tinha conseguido. Bryan não viu sinal do irmão, mas o boneco estava no chão. Ele o pegou e colocou-o no bolso.

– Droga! – Bryan praguejou em voz baixa.

Dave estava preso na armadilha de galhos e raízes. Bryan estava completamente sozinho.

Sabia que a responsabilidade agora era toda dele. Tinha que usar toda sua inteligência se quisesse resolver aquilo e rever o irmão, a irmã e a mãe.

Ele tinha que acabar com a maldição para salvar a mãe, Cindy, Dave, Bill, Beth e toda a vila.

As pernas de Bryan estavam doendo muito. Ele precisava descansar.

Ao lado da estrada, havia uma cama de musgo, macia e seca. Parecia muito convidativa. Tudo o que ele precisava fazer era se deitar e adormecer.

Não! Era isso o que eles queriam: que ele adormecesse e imaginasse que tudo não passava de um sonho.

Ele tinha que ficar acordado. Precisava manter a mente ocupada.

Agora, por que Bryan se referiu a “eles” quando pensou na “coisa” que estava perseguindo as crianças?

Quem seriam “eles”? Talvez fosse “ele”, como um espírito do mal. Ou uma criatura das trevas, ou talvez fosse uma força e não um ser, uma composição maligna, uma força de pura maldade, perturbando a humanidade…

Não. Bryan sabia que estava pensando nisso à toa, então resolveu pensar em outra coisa.

O velho Bill. Como ele sabia tanta coisa? Como sabia o que as crianças estavam fazendo?

Bryan olhou para cima e viu uma placa indicando que a vila ficava a meio quilômetro de distância. Com uma súbita energia, ele apertou o passo. Ele calculou que chegaria à vila em cerca de dez minutos.

O caminho ficou mais fácil nesse meio quilômetro. Bryan se permitiu relaxar pela primeira vez desde o momento em que havia encontrado o boneco. Ele só não aproveitou a corrida por causa da carga de responsabilidade que pesava sobre seus ombros.

Agora a estrada estava mais larga do que antes e tinha uma nova camada de asfalto.

O percurso também estava mais fácil, e as pernas de Bryan doíam menos, agora que ele estava com os pés apoiados numa superfície plana, finalmente.

De repente, ele diminuiu o ritmo. Sentiu que estava andando sobre alguma coisa melada.

Ele olhou para os pés e viu o porquê: o asfalto estava derretendo e se tornando pegajoso. Um vapor subiu do chão, e o asfalto começou a borbulhar.

– E agora, o que será isso? – Bryan se perguntou, ofegante.

Bryan percebeu o que estava acontecendo. A estrada estava esquentando cada vez mais. A sola dos tênis já estava começando a queimar, e seus pés estavam se tornando insuportavelmente quentes.

Bryan olhou ao redor, em busca de um lugar onde ele pudesse pisar. Viu uma longa fila de pedras brancas alinhadas no canto da estrada, à esquerda dele. As pedras tinham meio metro de distância umas das outras.

Bryan saltou para a pedra mais próxima e se equilibrou.

Com cuidado, ele pulou para a pedra seguinte e, depois, para a outra, enquanto o chão ao redor começava a cozinhar e a borbulhar. Em cinco minutos, o asfalto tinha ficado líquido como água. Bryan continuou avançando lentamente pela estrada, até que não havia mais pedras.

Ele olhou ao redor em busca de outro lugar onde pudesse pisar, para seguir pela estrada em ebulição. Ele percebeu que havia um muro de aproximadamente 2 metros de altura ao lado da estrada. Bryan saltou da pedra onde estava e agarrou-se ao muro de pedra, antes de escalá-lo freneticamente até o topo e subir nele.

Bryan correu ao longo do muro pelo resto do caminho. À medida que ele se aproximava da vila, o solo esfriava. Pelo menos o suficiente para que ele, mais uma vez, conseguisse andar com os pés no chão.

Capítulo 9

 

O percurso ficou mais fácil, agora que Bryan estava na vila. Mas ele já estava esgotado da longa corrida que havia feito desde a fazenda abandonada e teve que caminhar, cedendo aos seus músculos doloridos.

Ao redor de Bryan, a vila estava escura. Ele caminhava arrepiado pelas ruas e avenidas na direção do cemitério. As janelas das casas pareciam ficar mais escuras quando ele passava. Também não parecia haver ninguém por lá, o que era estranho, pois, embora a vila fosse tranquila, sempre havia pelo menos uma pessoa fazendo alguma coisa na rua, fosse limpando a calha ou levando o cachorro para passear. Mas, desta vez, não havia ninguém.

Bryan virou a esquina e relaxou um pouco ao ver uma mulher com um carrinho de bebê na rua. Mas havia algo estranho com a mulher, algo que ele não conseguia entender. Ele logo percebeu o que era quando se aproximou.

A mulher não se mexia. Ela não estava simplesmente parada, ela parecia estar congelada no local.

Ao se aproximar da mulher, Bryan viu que ela havia sido congelada quando estava caminhando. Ele olhou para o carrinho e viu um bebê de menos de 1 ano de idade. O bebê estava tão rígido quanto a mãe.

O garoto ficou arrepiado e andou em volta da mulher e do bebê. Ele continuou andando e viu outras pessoas congeladas. E isso não aconteceu só com as pessoas, aconteceu com cães, gatos, esquilos e até com insetos.

Continuar: parte 7 de 8