Cartas a um Jovem Fotógrafo

Bob Wolfenson · Capítulo 9 de 25

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Cartas a um Jovem Fotógrafo

Notas

Talvez seja justamente por isso que o retrato não nos permite grandes intimidades com o retratado. Todos acham que conheço muita gente importante, que tenho uma oportunidade de conviver com pessoas célebres. Isso é um fato; contudo a sessão dura tão pouco, e o contato é tão breve que tenho plena consciência de que muitos não se lembram de mim, assim como muitas vezes não reconheço alguém que já fotografei.

A esse respeito, Avedon deu uma entrevista à inspiradora e alternativa revista francesa Egoiste sobre um dia em sua vida na casa de Jean Renoir, um dos grandes gênios do cinema francês do século XX, filho do grande pintor impressionista Pierre Renoir. Jean morava em Los Angeles e em 1972 foi fotografado por Avedon em sua casa, num domingo daqueles em que se recebe a família e os amigos para um almoço. Acabado o trabalho, Renoir o convidou para almoçar e ele recusou. Avedon talvez fosse até mais famoso que Jean, porém não se sentiu íntimo suficiente para aceitar aquele convite. Já considerava uma invasão o próprio fato de estar lá num domingo familiar. Eu me sinto assim, sem licença para privar da intimidade de meus fotografados.

Notas

1. BARTHES, Roland. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p.

27.

2. SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.