Cavalo de Tróia 1: Jerusalém

J. J. Benítez · Capítulo 17 de 19 · parte 11/11

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Cavalo de Tróia 1: Jerusalém

7 de abril, sexta-feira

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 11 partes.

ninguém; eu era o primeiro a saber. Agradeci sua informação e pedi-lhe que se

recolhesse e descansasse.

– Amanhã, à primeira hora, se não for inconveniente – disse-lhe –, quero que

me acompanhes até aquele lugar...

João Marcos concordou como um autômato, desaparecendo em seguida no pátio, onde a ceia pascal estava a ponto de começar.

A versão do menino mudava ligeiramente a sempre trágica sorte do traidor. Era

preciso confirmar se Judas havia morrido por enforcamento ou pela queda. Ainda

que sua intenção, no fundo, estivesse clara – suicidar-se –, talvez a forma definitiva

de sua morte (supondo que tivesse morrido) não tenha sido a que sempre

conhecemos e aceitamos.

E, abusando da generosidade daquela família, escolhi um dos cantos do piso

térreo para descansar, envolvido em meu manto. Ao ficar a sós, estabeleci uma

última conexão com o módulo, anunciando a Eliseu minha intenção de visitar o

Hinom e examinar o cadáver de Judas, na expectativa de que ele ainda estivesse

ali.

Às 21h30, o sono dissipou minha fadiga e minhas angústias. Parecia estranho,

muito estranho, que Jesus de Nazaré não estivesse vivo e próximo. Sem querer, eu

havia-me acostumado à sua majestosa presença...

 

125 Cavalo de Troia, graças a um esplêndido serviço da inteligência norte-americano, havia obtido em fins de 1972 os planos do radar “Gun Dish”, que seria utilizado meses depois pelos egípcios na guerra do “Yom-Kippur” (outubro de 1973) e cuja frequência era de 16 GHz. Ou seja, 16 mil megaciclos/segundo. Esse complexo radar havia sido instalado a bordo do módulo. (N. do M.)

126 A posição do “objeto” era de 360 graus (ao Norte) e a 30 milhas de distância do ponto onde se achava pousado o módulo. (N. do M.)

127 O objeto, que havia seguido uma trajetória Norte, começava a deslocar-se na direção Oeste-Sudoeste, justamente para a área de Jerusalém. (N. do M.)

128 Ou seja, havia permanecido estático ou imóvel. (N. do M.)

129 Como não podíamos tocar em Jesus, o Cavalo de Troia colocara no interior da “vara de Moisés” uma complexa trama de equipamentos miniaturizados, destinados a explorar o corpo do Mestre, tanto no singular fenômeno do suor sanguinolento do horto de Getsêmani, como na flagelação e nas longas horas de crucificação. Esse sistema, que irei detalhando aos poucos, consistia fundamentalmente em um equipamento de “teletermografia” e no de ultrassons, já referido.

Este último foi selecionado pelos peritos do projeto por sua natureza inofensiva e por suas características, que o tornavam idôneo para o exame – e posterior conversão em imagens – de órgãos internos tão importantes como pâncreas, bexiga, fígado e abdomen em geral, assim como para o controle da corrente sanguínea através das grandes artérias e dos vasos intermediários, do coração, dos olhos e dos tecidos moles em geral. O Cavalo de Troia, com base no chamado “efeito piezelétrico”, já descrito pela dupla Curie e, segundo o qual, a compressão da superfície de um cristal de quartzo cria nele uma corrente (ultrassom), dispôs na cabeça emissora uma placa de cristal piezelétrico, formado por titanato de bário. Um gerador de alta frequência alimentava a placa, produzindo assim as ondas ultrasônicas (com frequência oscilando entre 16 mil e 1010 Hertz). Esses ultrassons – com uma velocidade de propagação no corpo humano de 1 mil a 1.600 metros por segundo, com exceção dos ossos – permitem, como disse, um excelente exame e posterior visualização dos órgãos desejados, conseguindo-se até a captação do som cardíaco e do fluxo sanguíneo, através de um sistema de adaptação denominado “efeito Doppler”. Com intensidades que oscilam entre 2,5 e 2,8 miliwatts por centímetro quadrado e frequências aproximadas de 2,25 megaciclos, o dispositivo de ultrassom transforma as ondas iniciais em outras audíveis, mediante uma complexa rede de amplificadores, controles de sensibilidade, moduladores e filtros de faixas.

Com a finalidade de resolver o árduo problema do ar, inimigo vital dos ultrassons, e já que as medições e rastreamentos só podiam ser efetuadas a certa distância de Jesus, os especialistas do projeto idealizaram um revolucionário sistema, capaz de “encarcerar” e “guiar” os ultra-sons através de um finíssimo “cilindro” de luz laser de baixa energia, cujo fluxo de elétrons livres ficava “congelado” no mesmíssimo instante de sua emissão. O processo para “congelar” o laser, dando lugar ao que poderíamos qualificar de “luz sólida”, cujas aplicações no futuro serão inimagináveis, não me é permitido revelar. Certamente, ao conservar um comprimento de onda superior a 8 mil angströns (0,8 micro), o “tubo” laser continuava desfrutando da propriedade essencial do infravermelho; com isso, só podia ser visto mediante as lentes especiais de contato que o Cavalo de Troia me havia dotado. Dessa forma, as ondas ultra-sônicas deslizavam pelo interior do feixe de “luz sólida ou coerente”, podendo ser lançadas a distâncias que oscilavam entre 5 e 25 metros. (N. do M.)

130 Precisamente por sua relativa semelhança com as fossas “infravermelhas” dessas serpentes, que lhes permitem a caça pelas emissões de radiação infravermelha do corpo de suas vítimas. (N. do M.)

131 Geralmente, as lentes de contato do tipo duro baseiam-se em um produto chamado polimetil-metacrilato (PMMA). (N. do M.)

132 Como se sabe, qualquer corpo cuja temperatura seja superior ao zero absoluto (menos 273 graus centígrados) emite energia IV (infravermelha), invisível aos olhos humanos e provocada pelas oscilações atômicas no interior das moléculas, estando, por consequência, estreitamente ligada à temperatura de cada corpo. Pois bem, o olho do homem, como está demonstrado, só vê uma pequena parcela do espectro eletromagnético da luz: a que se estende dos 400 aos 700 nanômetros. Acima desta última, aparece toda a gama do infravermelho. Mas mediante o uso de óculos especiais adequados à emissão do infravermelho, o homem pode “ver” também nessa frequência. (Por sua vez, essa região do infravermelho está subdivida em infravermelho curto, médio, longo e extra longo.) Os sensores IV das serpentes norte-americanas – crótalos – são formados precisamente por uma membrana dotada de abundantes terminações nervosas, que lhes permitem detectar variações de temperatura da ordem de um milésimo de grau. (N. do M.)

133 Os especialistas do projeto haviam conseguido confeccionar essas quase milagrosas lentes de contato “infravermelhas” incorporando uma série de faixas periféricas à superfície básica monocurva, dotadas de centenas de microcélulas, que não eram outra coisa senão filtros “Wratten 89B”, que só deixavam passar a radiação infravermelha. O peso específico obtido foi de 1,19. Sua força flexional (ppi) era de 10 mil-15 mil e a dureza Rockwell, de M85-M105.

134 Ainda que a possibilidade fosse remota, se eu tropeçasse com uma fonte de energia natural de grande intensidade (no caso de ter olhado para o sol), esta teria provocado graves lesões em meus olhos. E ainda que nada disso tenha ocorrido, o contato direto da córnea com as “crótalos” desaconselhava seu uso prolongado.

135 No caso dos ultrassons, a cabeça de cobre, de cor branca, podia adotar duas posições diferentes: a primeira, para ativar o lançamento de ondas com a frequência de 3,5 MHz (suficiente para explorar órgãos internos), e a segunda, de 7,5 a 10 MHz (para rastreamento de superfícies e tecidos moles). (N. do M.)

136 Embora se pensasse no início que talvez a “hematoidrose” tivesse sido provocada por um excesso de histamina, liberada pelo sistema nervoso em consequência da grande tensão emocional e lançada na corrente sanguínea, rompendo assim os capilares, as investigações sobre o pâncreas inclinaram os peritos para a hipótese da chamada fibrinólise, consistente na ativação patológica de um mecanismo normal. Um súbito aumento de plasmina (lisoquinase) pode ter originado o derrame generalizado de sangue, diluindo o “cimento endotelial”, o que resultaria na passagem do sangue para o exterior. (N. do M.)

137 Nível 30: 3 mil pés ou cerca de mil metros. (N. do M.)

138 Radial 100: o objeto se aproximava com rumo de 100 graus (na direção Leste-Sudeste, aproximadamente). (N. do M.)

139 A essa altura, o vento tinha a direção de 120 graus (Sudeste) e cerca de 50 nós de velocidade (ao redor de 100 quilômetros/hora). (N. do M.)

140 No jargão aeronáutico, à esquerda do observador, tomando sempre as 12 horas do relógio como o ponto frontal de observação. Às “três” seria, portanto, à direita. (N. do M.)

141 “Colimado”: Eliseu havia localizado e centrado o objeto em seu painel de instrumentos. (N. do M.)

142 O radar do módulo estava sendo “silenciado” ou inutilizado por outra possível emissão de radar ou por alguma interferência eletrônica proveniente do objeto. (N. do M.)

143 Como membro da Força Aérea, sei até onde chega hoje a resistência humana diante da gravidade. Alguns astronautas, com trajes muito especiais, têm suportado até 11 “g” (o valor normal da “aceleração da gravidade” – ou seja, de um “g” – é de 9,80665 metros por segundo a cada segundo). Na minha estimativa, aquele objeto realizou uma “queda” e uma posterior “arrancada” que deve ter submetido seus possíveis “pilotos” a 20 ou 30 “g”. (N. do M.)

144 A figura do optio representava um suboficial diretamente sob o comando de um centurião. Em geral, comandava pequenos grupos de tropa, aliviando o oficial de suas tarefas administrativas, disposição das guardas, instrução militar etc. Segundo Festo, o nome optiones foi dado a eles porque, “desde o tempo em que se permitiu aos centuriões escolher (optare) o que desejassem, aplicou-se a eles também o nome de optio, pelo fato de escolherem”. (N. do M.)

145 Alguns especialistas lembraram a possibilidade de que a alegada “lei” fosse, na realidade, “uma adaptação” muito particular do regime de garantia de apresentação ante o juiz, mediante os chamados praedes vades, que serviam com precisão para a prisão preventiva do réu, tal como se faz hoje com a abusivamente chamada “fiança” (que não é uma garantia pessoal, mas um depósito em dinheiro). (N. do M.)

146 O argumento daquele levita era correto. A profunda superstição daquela gente considerava que os demônios atacavam principalmente os aleijados, os noivos e os jovens “de honra”, segundo informação que me deu “Papai Noel”. Não era lógico, pois, que um suposto “demônio” (Jesus) curasse aleijados... (N. do M.)

147 Como creio que já expliquei anteriormente, os levitas (uns 10 mil) estavam divididos, como os sacerdotes, em 24 seções semanais, que se revezavam a cada semana. Cada seção tinha um chefe. Além dos serviços inferiores (música e algo semelhante ao que fazem os atuais “sacristãos”), os levitas se encarregavam da vigilância do Templo. Filon descreve suas funções com detalhe: “Uns, os porteiros, ficavam às portas; outros, no interior da esplanada do Templo, no terraço, e os demais, patrulhando os arredores. Havia, naturalmente duas guardas: a diurna e a noturna”. A vigilância, portanto, estava dividida em três grupos: os porteiros das entradas exteriores do Templo, os guardiães do “terraço” que separava a esplanada dos Gentios do recinto sagrado do Santuário; e as patrulhas do citado átrio dos Gentios. Durante o dia, vigiavam também o átrio das Mulheres. Uma vez fechadas as portas do Santuário, ao pôr do sol, os policiais noturnos ocupavam seus postos: 21 no total. A zona sagrada, à qual não tinham acesso os levitas, era custodiada pelos próprios sacerdotes. Os chefes desses levitas eram chamados strategoi, como cita Lucas (22,4).Vários deles, na verdade, estavam presentes na captura de Jesus. (N. do M.)

148 Quando consultei o módulo sobre os zelotes, “Papai Noel” forneceu-me a seguinte informação: “Esse movimento revolucionário e clandestino – similar, até certo ponto, aos atuais grupos terroristas da Europa e América – começou a desenvolver suas atividades guerrilheiras e de fustigamento ao exército romano na época de Augusto e era chefiado por um tal de Judas ben Ezequias, da Galileia, que já se havia destacado nos tempos de Herodes pelo assalto a um arsenal do exército real e por seus desmandos e incêndios. Ao ter notícia desses bandos que assolavam o país, Varo chegou de Antióquia com duas legiões, arrasou as cidades de Zippora (Séforis) e Emmaús, e vendeu seus habitantes partidários de Judas ben Ezequias como escravos. Varo ordenou ainda a captura e execução de todos os partidários de Judas ben Ezequias, crucificando mais de 2 mil guerrilheiros. Mas o chefe, Judas “Galileu”, conseguiu fugir e, com a ajuda de outro extremista, um fariseu chamado Jadok, iniciou um lento, mas profundo movimento de luta clandestino contra o Império Romano. Já nos tempos de infância e juventude de Jesus de Nazaré, esse movimento – que adotou o nome de zelotes, isto é, “zeladores” – começou a ganhar adeptos, estendendo-se como uma mancha de azeite por toda Israel. Galileia, uma vez mais, foi o berço e o coração desses patriotas extremistas, que não cessaram suas hostilidades contra as tropas romanas assentadas em Cesareia e no resto da nação judia. Camuflados sob um ardente espírito religioso, esses “terroristas” do século I empunhavam as armas sob uma doutrina que poderia ser sintetizada nos seguintes princípios:

1. O reinado de Deus sobre Israel é incompatível com qualquer jugo estrangeiro. Aceitar o César de Roma como rei é violar a lei divina. Deus é o único rei do povo.

2. O culto ao Imperador, em qualquer de suas formas, é abominável. O zelo de muitos desses zelotes era levado ao extremo de não tocar sequer as moedas romanas que levavam a efígie de César. O pagamento de tributo a Roma era uma idolatria e uma apostasia, já que implicava submissão a Roma e ao Imperador. (Precisamente, o nacionalismo zelote surgiu com Judas ben Ezequias e originou-se da ordem de Augusto de que toda a nação hebreia fosse recenseada. Essa operação de censo tinha, na realidade, uma motivação econômica, mais do que estatística. E isso indignou os judeus.)

3. Os judeus não deveriam esperar passivamente a chegada do Reino de Deus. Era necessário colaborar com Deus por meio da revolução e da guerra santa. Eles acreditavam nos milagres de Deus e consideravam que estes deviam estar sempre a serviço de uma ideia libertadora.

4. O objetivo principal de sua luta armada era conquistar a liberdade e a independência política de Israel. Os zelotes haviam adotado a libertação do Egito por Jeová como símbolo e modelo a imitar. 5. Segundo a filosofia zelote, a conversão a sua fé exigia necessariamente desobediência à autoridade romana e disposição de sacrificar o dinheiro, a tranquilidade e até a vida em benefício desses princípios “salvadores”. Diante de tudo isso, é fácil entender a confusão de alguns dos discípulos e apóstolos de Jesus (caso de Simão, o Zelote, e do próprio Judas, que acreditaram desde o princípio que a doutrina do Galileu tinha muito a ver com todo esse movimento de libertação nacional).

Os zelotes foram os causadores das sangrentas revoltas contra Roma nos anos 68 a 70 da nossa Era, assim como daquela registrada no ano 135. (N. do M.)

149 Na primeira oportunidade que tive, pedi a “Papai Noel” informação sobre as principais superstições dos judeus naquela época. E entre outras figurava, de fato, a de não empreenderem viagem alguma, por mais curta que fosse, sem antes colocar essa cauda de raposa, ou um trapo vermelho, entre os olhos do animal. Se os dois convidados de um banquete, por exemplo, jogavam um no outro bolinhas de pão, era certo que ficariam doentes. Outra superstição, relacionada com a presença de demônios nas latrinas, chegava a sugerir que se devesse entrar nesse lugar em companhia de um cordeiro. Dessa forma, o judeu poderia fazer suas necessidades sem problemas. (N. do M.)

150 A lei judia permitia esse tipo de maldição – contra o pai e a mãe –, embora esta não fosse nominal. Nesse sentido, Pedro teve o especial cuidado de não citar os nomes de batismo de seus progenitores. (N. do M.)

151 O Cavalo de Troia dotara o módulo de um sistema múltiplo de relógios, cujo fundamento não era o sistema tradicional de radiação do Césio 133 dos relógios atômicos, mas a “manipulação” e o “aprisionamento” de um íon – um só – em um campo magnético, mediante o uso de um finíssimo raio de luz laser. É quase certo que esse novo sistema de medição do tempo, com precisão 100 mil vezes superior à dos relógios atômicos, seja incorporado definitivamente à vida do homem nos próximos anos. Graças a esse delicado instrumental, a aparição, ou orto, do limbo superior do sol no horizonte – para Jerusalém: latitude aproximada de 32 graus Norte – foi prevista para as 5h42 naquele 7 de abril do ano 30 (sempre hora local). Quanto ao ocaso, ou a desaparição do citado limbo superior do sol sob o horizonte, foi calculado para as 18h22 (levou-se em conta a refração que nos referidos acontecimentos eleva o astro cerca de 34 segundos de arco). Para essa latitude, a variação das horas de orto e ocaso é de aproximadamente quatro minutos a cada cinco graus de separação em latitude. (N. do M.)

152 Não era exato, como pretendem alguns exegetas que se apoiam nos escritos rabínicos Baba gamma (VII, 7 – VIII, 10 e 82b), que a criação de galináceos estivesse proibida em Jerusalém. (Pensava-se que, ao ciscar, poderiam retirar coisas impuras.) Segundo a Misná, o canto do galo servia precisamente como sinal para o toque das trombetas, o que é confirmado pelos textos da Sukka V, 4, do Tamíd I, 2 e do Yoma 1, 8. Entre as informações fornecidas pelo computador do módulo, a Misná menciona um galo de Jerusalém que, segundo Yuda ben Baba, “havia sido lapidado por haver matado um homem”. A presunção é que o galo havia atravessado com o bico o crânio de um menino. Também em Tos. B. Q. 19 (361, 29) se diz que a criação dessas aves domésticas era permitida na Cidade Santa desde que se dispusesse de um horto ou esterqueira onde pudessem ciscar. (N. do M.)

153 Tanto Josefo, em sua obra Guerras dos Judeus (V 4, 2 e VI 6, 3), como a Misná (Mid. V 5; Sanb. XI 2 e Tamid II 5, entre outros documentos) asseguram de forma muito precisa que o Sinédrio “mudou-se”, 40 anos antes da destruição do Templo, da sala das “pedras talhadas” a uma espécie de “bazar” praticamente acoplado ao Santuário pela face oeste. O mesmo se depreende também de Fatos (23,10). (N. do M.)

154 “Papai Noel” forneceu os seguintes dados sobre a composição oficial do Sinédrio naquele tempo: uma instituição superior, ou “Sinédrio maior”, formado por 72 membros, e um “Sinédrio menor”, constituído por 23 membros. Ambos os tribunais eram competentes em matéria criminal. Os dois membros mais destacados do “Grande Sinédrio” eram o nasi, ou presidente, e o ab bet din, ou “pai do tribunal”, títulos, ao que parece, puramente honoríficos. As três fileiras de bancos do “Sinédrio menor” eram destinadas aos discípulos dos sábios. Dadas as características daquele “julgamento” e seu horário irregular, era natural que os “alunos” dos juízes não estivessem presentes. (N. do M.)

155 Após a destruição do Templo, alguns não comiam carne assada para evitar a aparência de que fosse carne do sacrifício pascal, que passara a ser proibido. (N. do M.)

156 A astrologia era então severamente punida. Rops assegura que era uma “ciência funesta” que engendrava todas as maldades. (N. de J.J.Benítez)

157 Naquele tempo, nem os homens nem as mulheres usavam botões. Em Israel não eram conhecidos. Em seu lugar, eram utilizados passadores: uma espécie de agulha grande com um orifício no centro, ao qual se prendia um cordão. Era usado aplicado no pano e passando-se o cordão por trás da cabeça. (N. do M.)

158 Nos antigos textos gregos, descreve-se um jogo, chamado muïnda, que consistia em vedar os olhos de um dos jogadores (com um lenço ou com a própria mão). Este devia adivinhar o objeto que lhe apresentavam ou a pessoa que o tocava. Se acertasse, seu posto era ocupado por quem havia perdido. (N. do M.)

159 O “bastardo”, ainda que existissem diferentes interpretações, era, em geral, o filho nascido do adultério. Não eram admitidos na assembleia de Israel, nem mesmo seus descendentes, “até a décima geração”. Não podiam contrair matrimônio com nenhum membro legítimo da comunidade judaica, discutindo-se vivamente até mesmo se as famílias dos bastardos poderiam participar da libertação final de Israel. Esse insulto era considerado como uma das piores injúrias. Aquele que o empregasse poderia ser condenado a 39 açoites. (N. do M.)

160 Graças àquele gesto, a Operação Cavalo de Troia pôde obter uma inestimável amostra do sangue de Jesus de Nazaré. E ainda que a análise dos coágulos que aderiram ao retalho de minha túnica não pudesse ter sido efetuada com a velocidade aconselhada nesses casos, pudemos averiguar, entre outras coisas, que o volume de eritrócitos por milímetro cúbico de sangue naquele momento (sete da manhã) era de aproximadamente 4.900 mil, pouco menos que o normal, possivelmente em razão da perda que havia começado a ocorrer). Também observamos alguns leucócitos (muito poucos). Por meio da análise comparativa, estabeleceu-se que tanto o número dessas células (7 mil por milímetro cúbico) como os tipos examinados (neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos) correspondiam ao que é normalmente encontrado num indivíduo são. E, ainda que a primeira análise tivesse sido feita antes das 36 horas, não foi possível encontrar plaquetas. Todas haviam desaparecido. No entanto, encontramos restos de trombina e alguns elementos próprios da degradação da fibrina. Em um dos coágulos – que conservava leve resto de umidade –, foi possível detectar algumas proteínas do plasma (fundamentalmente albuminas e globulinas), assim como ligeiros indícios de glicose, vitaminas, hormônios e diversos aminoácidos. Não pudemos descobrir restos de colesterol. Quanto à coagulação, só por meio da observação pessoal das feridas pudemos estabelecer que era normal. Essa dedução foi reforçada pela análise das proteínas do plasma – o fibrinógeno –, que, depois de se converter em fibrina, tinha-se degradado. (N. do M.)

161 Assim diz a lei (Misch., tratado “Sinédrio”, capítulo IV, no 1). (N. do M.)

162 Assim pensam e escrevem, entre outros, autores como S. Zeitlin (The Crucifixion of Jesus Reexamined), H. Mantel (Studies in the Story of the Sanhedrin), P. Winter (On the Trial of Jesus), J. Carmichael (The Death of Jesus), D. Flusser, J. Isaac, H. Cohn, W. R. Wilson, Catchpole e um longo etc. (N. do M.)

163 Entre os defensores desta segunda hipótese se acham, por exemplo, Blinzler (El Processo de Jesús), Jeremias, E. Lohse (Sunedrion), Strack-Billerbeck, Mommsen (Römische Strafrecht), Sherwin-White (Roman Society and Roman Law in the New Testament), A. Strobel (Die Stunde der Wharheit), E. Schurer, etc. (N. do M.)

164 Em sua ordem segunda, a Misná estabelece que, na noite de 14 do mês de Nisan (vigília da festa de Páscoa), “devia-se buscar meticulosamente toda substância com levedura (em geral cereais) à luz de uma vela”. (N. do M.)

165 Antes de iniciar a missão, eu havia recebido uma informação completa sobre quem era esse tetrarca ou governador da Galileia: Herodes, de apelido Antipas (ou “igual a seu pai”). E a verdade é que esse apelido se encaixava com perfeição. Herodes Antipas havia herdado o governo das terras do norte (Galileia) pela morte de seu funesto pai, Herodes, o Grande, no ano 4 a.C. Tinha 17 anos. Pelo primeiro testamento de seu pai, Antipas deveria receber o reino da Judeia, mas Herodes, o Grande, mudara de ideia e substituíra Antipas pelo outro filho, Arquelau. E Herodes Antipas recebeu, portanto, a Galileia. Um terceiro filho, Felipe, foi designado tetrarca da Itureia. Foi exatamente dele que Herodes Antipas tirou a mulher, Herodíades, responsável, ao que parece, pelo assassinato do primo distante de Jesus de Nazaré, João Batista. (N. do M.)

166 Ao consultar os arquivos de “Papai Noel”, o computador central confirmou que o nome “Barrabás” era de origem semítica (mais exatamente aramaica), e podia ter vários significados: “Bar” quer dizer filho em aramaico, e “Rabba”, o mestre, ou rabi; também cabia a explicação de “Bar Abba” ou “filho de seu pai”, que era um modo de chamar qualquer um cujo pai fosse desconhecido. (N. do M.)

167 Alguns daqueles gálicos haviam feito parte da guarda de Cleópatra, rainha do Egito, calculando-se seu número em mais de quatrocentos. (N. do M.)

168 Plínio, o Velho, em sua História Natural, descreve essa doença afirmando que as citadas úlceras começavam sempre pelo mento (queixo). Daí o nome de “mentagra”. Segundo nosso computador, a doença foi importada da Ásia por um cidadão de Perusa. (N. do M.)

169 Quando Herodes Antipas se enamorou da mulher de seu irmão Felipe, tetrarca, como ele, mas da região da Pereia, ao norte do Jordão, aproveitou uma viagem a Roma para unir-se a Herodíades. Sua esposa legítima, filha do árabe Areta, quarto rei dos nabateus, teve de sair de Israel e voltar para sua família. Desde então, João Batista aproveitou todas as oportunidades que teve para reprovar Herodes e sua amante Herodíades pelo adultério permanente. As críticas do primo de Jesus foram tão duras que Antipas, possivelmente a conselho de Herodíades, mandou encarcerar João Batista em uma solitária fortaleza situada na orla do mar Morto, chamada pelos beduínos de “Mashnaka”, ou “Palácio Pendente”. Ali ele seria decapitado logo depois. Desde então, Antipas viveu consumido pelo medo, acreditando que o fantasma de João Batista regressaria algum dia para exigir justiça. Segundo nossas investigações, era muito improvável que Antipas houvesse concordado em degolar o Batista por causa da famosa dança de Salomé, a filha de Herodíades. Naquela época, Salomé devia ser uma adolescente. O verdadeiro nome da enteada de Herodes é conhecido graças ao testemunho de Flávio Josefo e à inscrição de uma moeda em que ela aparece junto de seu marido Aristóbulo. Segundo os historiadores, a versão mais racional e verossímil é que João Batista tenha sido encarcerado e executado em consequência de suas ácidas críticas contra o tetrarca e contra a esposa de Felipe. (N. do M.)

170 A lenda grega relata que existiam três irmãs – as Górgonas –, que só dispunham de um olho e de um dente para as três, que os passavam uma para as outras quando queriam ver ou comer. Isso, segundo a lenda, simbolizava que a inveja, a calúnia e o ódio viam com um só olho e se alimentavam com o mesmo dente. Umas dessas terríveis irmãs, velha como a humanidade e com serpentes em lugar de cabelos (Medusa), tinha o poder de converter em pedra quem a olhasse. Mas foi morta por Perseu, que lhe cortou a cabeça. E, segundo a mitologia, uma parte de seu sangue foi cair no mar e se converteu em coral. Daí o coral ter tido sempre uma grande aceitação entre esses povos como valioso amuleto contra o “mau olhado” e a inveja. (N. do M.)

171 Essa fulminante afirmação do Major levou-me a pesquisar todos os documentos que me foi possível, em busca do desgraçado final de Herodes Antipas. Para minha grande surpresa, descobri que o filho de Herodes, o Grande, havia sido vítima, finalmente, da ambição e do domínio de sua amante, Herodíades. Depois da morte do imperador Tibério, no ano 37 de nossa Era, outro membro da numerosa família de Herodes, precisamente um irmão de Herodíades, foi tirado do cárcere de Roma pelo novo César, Caio, aliás Calígula, ou “Botinha”. E, para desespero de Antipas e sua amante, Herodes Agripa foi designado rei de toda a Israel. Antipas deixou-se influenciar por Herodíades e correu para Roma, disposto a pedir para si o título de rei. Mas Calígula, que estava na ocasião – ano 39 – em plena campanha militar nas Gálias, não só não atendeu aos desejos do tetrarca da Galileia como, ante o desconcerto da “velha raposa”, despojou-o do título e o desterrou. Flávio Josefo e Tilemont concordam em que Herodes e sua mulher se viram obrigados a peregrinar para a Espanha, onde possivelmente se estabeleceram e morreram. Àquela época, já existiam na Península Ibérica sete cidades mediterrâneas com importantes colônias judaicas, assim como em outras regiões de Andaluzia, onde Herodes pode ter fixado residência. (N. de J.J.Benítez)

172 Ainda que naquela primeira “grande viagem” da Operação Cavalo de Troia eu não chegasse a me encontrar com Cláudia Prócula ou Procla, todas as nossas informações apontavam a origem dessa mulher como “distinta” e, possivelmente, entroncada – segundo Tácito – no ramo dos Próculo, pertencentes, como Pôncio, à ordem equestre. Foram muito conhecidos Tício Próculo, amigo de Sila; Cervário Próculo, que conspirou contra Nero; Licínio Próculo, servidor de Oton e prefeito do Pretório, e Volúsio Próculo, que comandou a frota de Messina. Uma das tradições considerava Prócula descendente dos “Cláudio”, oriundos por sua vez das Gálias, e talvez aparentada longinquamente com Tibério. Se isso for certo, talvez possa explicar por que Pôncio Pilatos foi desterrado para as Gálias por Calígula depois do falecimento de Tibério. (N. do M.)

173 A lei judaica estabelecia para o castigo da flagelação um total de quarenta açoites menos um. Assim estava escrito: “Em número de quarenta” (o acrescentado, segundo R. Yehudá, seria o quarenta). O réu era açoitado com as mãos atadas a uma coluna. O servidor da sinagoga agarrava-lhe as vestes e as rasgava e rasgava, e as dilacerava e dilacerava, até que o peito ficasse descoberto. Atrás dele havia uma pedra e sobre ela subia o servidor da sinagoga, tendo na mão uma correia de bezerro, dobrada em duas, primeiro, e depois em quatro; outras duas correias subiam e baixavam nela. (N. do M.)

174 Um aumento na intensidade de um estímulo que origina uma diferença perceptível no grau de dor recebe a designação de “diferença apenas perceptível” ou “just noticeable difference” – JND). Aplicando todas as intensidades de estímulo entre o nível em que não há dor e o nível da dor mais intensa, comprovou-se que o paciente médio pode alcançar até 22 JND. (N. do M.)

175 A detecção da temperatura cutânea a distância – base de nossas experiências de “teletermografia” – realizou-se graças à propriedade da pele humana capaz de comportar-se como emissor natural de radiação infravermelha (RI). Como se sabe, pela fórmula da lei de Stephan-Boltzmaan (W = e JT4), a emissão é proporcional à temperatura cutânea e, como T é elevada à quarta potência, pequenas variações em seu valor provocam aumentos ou reduções que são assinalados na emissão infravermelha (W: energia emitida por unidade de superfície; e: fator de emissão do corpo considerado; J: constante de Stephan-Boltzmaan; e T: temperatura absoluta.).

Em numerosas experiências iniciadas por Hardy em 1934, foi possível comprovar que a pele humana se comporta como um emissor infravermelho similar ao “corpo negro” e, consequentemente, não emite radiação infravermelha refletida de volta. (Esse espectro de radiação infravermelha emitida pela pele humana é amplo, com um pico máximo de intensidade fixado em 9,6 μ.)

Nosso dispositivo de “teletermografia” consistia, portanto, em um aparelho capaz de detectar, a distância, intensidades mínimas de radiação infravermelha. Basicamente constava de um sistema óptico que localizava a RI sobre o detector. Este era formado por substâncias semicondutoras (principalmente SbIn e Ge-Hg) capazes de emitir um mínimo sinal elétrico cada vez que um fóton infravermelho, de intervalo de comprimento de onda determinado, incidia em sua superfície. E, embora o detector fosse do tipo “pontual” capaz de detectar a RI procedente de um único ponto geométrico, o projeto Cavalo de Troia havia conseguido ampliar seu raio de ação mediante um complexo sistema de varredura, formado por mini-espelhos rotatórios e oscilantes. A alta velocidade da varredura permitia analisar a totalidade do corpo de Jesus várias vezes por segundo. Isso, por sua vez, possibilitava a obtenção de imagens dinâmicas (daí o nome de “teletermografia” dinâmica). Em seguida à emissão, o sinal elétrico correspondente à presença de fótons infravermelhos era amplificado e filtrado, para ser conduzido depois a um osciloscópio miniaturizado. Nele, graças à alta voltagem existente e à varredura sincronizada do detector, obtinha-se a imagem correspondente, que ficava armazenada na memória de cristal de titânio do computador. Certamente, nosso “teletermógrafo” dispunha de uma escala de sensibilidade térmica (0,1; 0,2 ou 0,5ºC, etc.) e de uma série de dispositivos técnicos adicionais, que facilitavam a medição de gradientes térmicos diferenciais entre zonas do termograma (isotermas, análise linear etc.). As imagens assim obtidas podiam ser de dois tipos: em escala de branco e preto, muito adequada para o estudo morfológico dos vasos; e em escala de cor, entre oito e dezesseis cores, muito útil para efetuar medições térmicas diferenciais com precisão.

Ambos os sistemas, naturalmente, podiam ser usados de forma complementar. O Cavalo de Troia, depois de numerosas provas, selecionou os equipamentos AGA-661, assim como uma associação do Barnes-Pyroscan e os do sistema CSF-IR-815, como os mais indicados para nossa missão. (N. do M.)

176 Em um primeiro exame visual, acreditei poder identificar aquela sarça com a planta denominada Poterium spinosum, muito comum na Palestina e usada habitualmente como provisão para o fogo. Isso confirmava a hipótese do doutor Ha Reubeni, diretor do Museu Botânico da Universidade Hebraica de Jerusalém, desqualificando outras muitas teorias sobre a possível origem da planta utilizada para o trançado do “elmo” de espinhos. (A mais conhecida e popular indicava a ziziphus ou Spina Christi (Palinurus aculeatus) como a sarça utilizada nessa “coroação”.) (N. do M.)

177 Poucos anos depois da morte de Cristo, numerosos samaritanos se congregaram em torno de um suposto Messias que lhes prometera descobrir os vasos sagrados enterrados por Moisés em um dos montes de Samaria. Pilatos soube dessa manifestação popular no monte Garizim e, envolvendo com suas tropas os samaritanos, deu ordem de avançar sobre eles, do que resultou grande mortandade. Samaritanos e judeus se dirigiram então a Vitélio, supremo governador da província da Síria, acusando Pilatos do horrível massacre de milhares de samaritanos. Vitélio não tinha autoridade para julgar o governador da Judeia e enviou-o a Roma para que comparecesse diante do Imperador. Mas, durante a viagem, Tibério morreu, assumindo o imperador Caio, aliás, “Calígula”. Este, ao conhecer os fatos, desterrou Pôncio e sua família para as Gálias, onde, ao que parece, morreu. (Algumas tradições apontam para o fato de que Pilatos terminou por se refugiar no que hoje conhecemos como Lausanne, na Suíça, suicidando-se.) (N. do M.)

178 O famoso governador Cirino desempenhou um papel destacado sob as ordens de Augusto, tendo sido responsável pelos seis censos efetuados sob o mandato do citado César na então província romana da Síria. O primeiro desses censos ocorreu entre os anos 10 e 7 antes de Cristo e foi, precisamente, o que mobilizou José e Maria em direção a Belém. O segundo ocorreu entre os anos 6 e 7 de nossa Era, e nessa ocasião Sulpícius Quirinius, ou Cirino, foi enviado por Roma, em companhia de Copônio, primeiro governador da Judeia. (N. do M.)

179 Felizmente para mim, eu havia sido instruído na arte dos áugures e arúspices gregos e romanos antigos. Uma vez sob o espaço de céu que devia observar, o áugure tomava seu lituus e voltava-se para o Sul, traçando uma linha sobre o céu, de Norte a Sul, chamada cardo. Depois fazia o mesmo de Leste para Oeste (decumanus), dividindo assim em quatro áreas a parte visível do céu. Em seguida, tirando duas linhas paralelas às duas traçadas anteriormente, formava um quadrado que, projetado sobre a terra, constituía o citado prisma, ou templum. A zona que ficava diante dele era denominada antica, e a que ficava atrás, postica. (N. do M.)

180 A origem do patibulum remonta à viga que servia para trancar as portas de Roma. Ao removê-la, abria-se a porta. Daí o nome. (N. do M.)

181 Denomina-se haboob, em termos meteorológicos, uma tempestade de areia que se forma nos desertos durante o período de convecção do ar. O termo haboob deriva de outro, igualmente árabe, que significa “vento violento”. São notáveis e famosos os haboobs do Sudão, com velocidade de até 85 quilômetros por hora. (N. do M.)

182 O termo Gulgutha é a forma aramaica do hebreu Gulgoleth, que significa crânio. Por eliminação de um dos “eles” aparecem o termo grego Gólgotha e o siríaco Gugultha. Na versão latina, lê-se Calvarium. Daí a denominação final de Calvário. (N. do M.)

183 Nas diversas interpretações que eu havia estudado sobre esse lugar, durante meu treinamento para a missão Cavalo de Troia, só a que associava a forma do penhasco com a palavra “crânio” me parecera a mais verossímil. E eu não me havia equivocado. Para alguns, entre os quais estava são Jerônimo, o Gólgota tomara aquele nome por ser o lugar onde se justiçavam e sepultavam os criminosos. Crasso erro, já que os judeus tinham por costume enterrar os executados em uma vala comum, ou mesmo jogá-los nas barrancas da Geena, ou Hinom, ao sul de Jerusalém, onde eram devorados pelos cachorros, ratos e outros animais. Uma segunda teoria – mais peregrina que a anterior –, alude a uma velha lenda, segundo a qual aquele promontório recebeu tal nome porque em uma caverna interior estava o crânio de Adão. Assim acreditaram, por exemplo, personagens tão importantes como Orígenes, santo Atanásio, santo Ambrósio, santa Paula etc. Nesse sentido, uma vidente chamada Ana Emmerich chegou a escrever o seguinte em sua obra La dolorosa Pasión de Nuestro Señor Jesús Cristo: “Quanto ao nome, apareceu no tempo do profeta Eliseu. Então não era como no tempo de Jesus; era uma elevação com muitas muralhas e grutas que pareciam sepulcros. Vi o profeta Eliseu baixar nessas grutas (não sei se o fez de verdade, ou se era simplesmente uma visão). Eu o vi retirar um crânio de um sepulcro de pedra onde repousavam ossos. Um que estava a seu lado, creio que um anjo, disse-lhe: ‘É o crânio de Adão’. O profeta quis levá-lo, mas o anjo não permitiu. Vi sobre o crânio alguns cabelos ruivos espalhados. Soube também que, havendo o profeta contado o que lhe acontecera, o lugar veio a receber o nome de ‘Calvário’. Enfim, eu vi que a cruz de Jesus estava colocada verticalmente sobre o crânio de Adão”. Com todo o meu respeito pela citada vidente, seus “informes” não concordam com os estudos arqueológicos nem com a própria natureza da humilde rocha. (N. do M.)

184 O sedilis era uma peça de madeira ou metal – geralmente ferro – que se colocava às vezes nas zonas baixas do stipe. Era usado quando se desejava prolongar a agonia do crucificado. Nessa peça, que adotava formas diversas – desde uma simples barra até um taco de madeira, passando por uma estrutura similar a um chifre –, o réu podia apoiar os pés e, consequentemente, o peso de seu corpo. Tertuliano o cita em uma ocasião, chamando-o sedilis excelsus, ou assento elevado. (N. do M.)

185 A partir do imperador Adriano (117-138), oficializou-se esse costume, denominado pannicularia, ou “propina”, por decreto recolhido no Digesto. (N. do M.)

186 Um simples cálculo matemático nos mostra a terrível imagem do peso que Jesus teve de suportar durante esse angustioso içamento. Dividindo o peso total do Mestre por ambos os braços (40 quilos em cada um), a força da tração exercida sobre cada um deles é igual a 40/co-seno de 65° = 40 : 0,4226 = 95 quilos, aproximadamente. (N. do M.)

187 Ainda que eu não seja entendido nos mistérios da chamada Cabala ou Qábbalah (vocábulo hebreu equivalente a “conhecimento” ou tradição), convido os prováveis leitores deste diário a submeterem as sucessivas numerações surgidas nos lances dos dados ao método de conversão utilizado por Cagliostro, que supõe uma pretensa equivalência entre os números e as letras, segundo os alfabetos hebreu e latino. Eu o fiz e fiquei surpreso diante das palavras que os números “153-634-135-153” parecem formar... Não só aparece o nome “cósmico” de Jesus – sempre segundo o Esoterismo – como também, quando essa sequência numérica é “traduzida” ou “convertida” em letras (as do alfabeto hebreu), os peritos em Cabala descobriram com assombro toda uma “mensagem”. Através desse sistema – conhecido na ciência cabalística como “gueematria” –, esses números (na mesma ordem em que aparecem no texto) foram “decifrados” e interpretados, obtendo-se, como eu disse, uma “mensagem múltipla”. Não vou revelar aqui e agora essa incrível “mensagem”. Prefiro que o leitor trabalhe sobre esse impressionante enigma e descubra por si próprio o “segredo” da citada numeração. Só acrescentarei algo: em meu desejo de comprovar e analisar tudo quanto aparece neste diário, submeti os números resultantes dos lances dos dados a um frio e rigoroso exame do catedrático de Ciências Matemáticas e Estatísticas J. A. Viedma e de um grupo de especialistas em Informática, encabeçados por meu bom amigo José Mora, todos eles residentes em Palma de Mallorca. Pois bem, segundo esses peritos, o cálculo de probabilidade matemática de que tais números possam sair nessa ordem é de 1/1.679.616 = 0,00000059537. Ou seja, a probabilidade é baixíssima. (N. de J.J.Benítez)

188 Como bem sabem os seguidores das igrejas – especialmente da católica –, o número atual de relíquias supostamente relacionadas ou pertencentes à Paixão do Galileu supera o milhar. Isso, do ponto de vista objetivo, arqueológico e científico é tão absurdo quanto impossível. Na basílica de Saint-Denis, em Argenteuil, ao norte de Paris, conserva-se por exemplo uma suposta “túnica sagrada”. E o mesmo ocorre na catedral de Tréveris. Com o devido respeito aos que creem em ambas as “túnicas”, nenhuma delas pode ser a que usou o Mestre da Galileia. Na primeira, não obstante as dimensões serem aproximadas das reais (1,45 metro de comprimento por 1,15 metro de largura) e não mostrarem costura, o cânhamo nada tem a ver com a natureza das vestimentas usadas habitualmente pelos hebreus na época. Algodão, lã e linho. (Por uma túnica confeccionada com um tecido tão ralo como tosco, os soldados não teriam perdido tempo em sorteá-la.). Quanto à segunda, ainda é mais difícil de identificar. Trata-se de uma série de fragmentos de um tecido muito fino e pardacento, envolto e protegido contra as traças entre dois panos. Um destes é de seda adamascada, fabricado possivelmente no Oriente, entre os séculos VI e IX. Com os cravos e a cruz de Cristo ocorre algo parecido. Segundo a tradição, a piedosa imperatriz santa Helena os desenterrou no século IV. (Para começar, duvido que as forças romanas perdessem tempo e dinheiro sepultando as stipes e os patibulum, assim como os cravos, após cada execução, como pretendem alguns exegetas em defesa da história da mencionada mãe do Imperador Constantino.) Segundo essas mesmas lendas, santa Helena mandou fazer um freio, com um dos cravos, para o cavalo de seu filho (que hoje se conserva em Carpentras). Com outro, fez um círculo para o capacete de Constantino, e se diz que esse círculo faz parte agora da coroa de ferro dos reis lombardos, conservada em Monza. O terceiro cravo, dizem que serviu para apaziguar uma tempestade no Adriático... O certo é que, hoje, em várias igrejas da Europa são venerados supostos cravos da Paixão, até um total de dez (!): dois em Roma e um em cada um dos seguintes locais: Santa Cruz de Jerusalém, Santa Maria do Capitólio, Veneza, Tréveris, Florença, Sena, Paris e Arras. Com respeito à madeira da cruz de Cristo, o assunto se complica ainda mais. O mundo dos cristãos está materialmente semeado de estilhas de todos os tamanhos, todas elas presumidamente extraídas da verdadeira cruz. Como diziam Breckhenridge e Salmásio, entre outros, “se se juntassem essas relíquias poderíamos plantar um bosque...”. Talvez o fragmento maior seja o que se venera no Norte da Espanha, em São Toríbio de Liébana, na província de Santarém. A tradição assegura que esse lignum crucis foi levado a Jerusalém por são Toríbio, bispo de Astorga, na Espanha, e contemporâneo de são Leão I, o Grande. Um dos dados a favor desse suposto fragmento da cruz em que foi pendurado o Mestre é ser de madeira de pinho. Mas, do ponto de vista científico, as dúvidas continuam envolvendo sua origem. (N. do M.)

189 Os peritos do Cavalo de Troia, em informe posterior a esta primeira “grande viagem”, baseados em dados de Jesus (peso, comprimento dos braços, distância ombros-cravos e o ângulo de trinta graus que formavam seus membros superiores com a horizontal), expuseram, entre outros, os seguintes cálculos: a distância entre os cravos dos punhos e uma linha horizontal (imaginária) que passasse pelo centro das articulações dos ombros era de 26 centímetros, aproximadamente. Essa era, em suma, a arrepiante altura a que devia elevar-se o Mestre cada vez que inspirava mais profundamente. Considerando que uma das funções do músculo deltoide (que se estende da clavícula e da omoplata ao úmero) é elevar o membro superior, cujo peso é de mais de um quilo, o esforço a que se viu submetido o Galileu foi simplesmente excepcional. É fácil comprovar sua enorme dificuldade se pensarmos no singular exercício de ginástica que se executa com argolas, popularmente conhecido como “fazer de Cristo”. Não podendo contar com a ajuda dos músculos da perna, a musculatura do ombro tem de erguer o peso correspondente ao conjunto formado por cabeça, tronco e pernas. Ou seja: supondo que a massa total de Cristo fosse de 82 quilos, a musculatura deveria arcar com 2/3 de massa corporal. Em outras palavras, com quase 54,6 quilos. De acordo com a expressão peso = massa x gravidade, obtém-se que 54,6 x 9,8 = 535,73 newtons. Ao cronometrar a elevação de 26,5 centímetros (0,265 metro) em 1,5 segundo, o Cavalo de Troia deduziu que a aceleração sofrida por Jesus de Nazaré foi de 0,2355 metro por segundo a cada segundo (m/s2). Foram levados em conta, obviamente, os seguintes parâmetros: “e” = espaço (ou distância) percorrido;

“V0” = velocidade inicial – neste caso, zero; “a” = aceleração; e “t” = tempo gasto. A fórmula que relaciona esses parâmetros é: e = V0 ± 1/2 a.t2. Isso significa o seguinte: 0,265 = 1/2a. 1,52. Também foi calculada a força que teve de fazer o Mestre em cada uma das violentas elevações na vertical: peso-força = massa x aceleração. Ou seja, 535,73 – F = 54,6 x 0,2355. O resultado foi F = 522,87 joules. Quanto ao “trabalho” desenvolvido, eis aqui a arrepiante cifra: trabalho = força x distância, ou seja: T = 522,87 x 0,265 = 138,56 newtons. Isso equivale a uma potência de 92,37 watts! (potência = trabalho/tempo, ou 138,56/1,5). Se compararmos esses 92,37 watts com os 2,5 normalmente gerados pela mesma musculatura para simplesmente elevar o braço, começaremos a intuir o gigantesco e dolorosíssimo esforço que Jesus de Nazaré desenvolveu na cruz. (N. do M.)

190 “Pegeons”: entre os pilotos e astronautas, indica distância e rumo. (N. do M.)

191 Não posso resistir à tentação de lembrar ao leitor outro fato que parece manter estreita relação com este: o sol que “dançou” em Fátima em 1917. Quanto ao objeto que provocou as “trevas” sobre Jerusalém e imediações, o computador do módulo avaliou que girava geossincronicamente sobre a Cidade Santa (paralelo calculado para Jerusalém: 5.463 quilômetros). (N. do M.)

192 Utilizando o chamado “Sistema 1”, baseado em tabelas francesas elaboradas em Nancy, foram desenvolvidos por volta de quarenta parâmetros. Por exemplo, “VC” (capacidade vital); “VT” (volume corrente); “RV” (volume residual); “TLC” (capacidade pulmonar total); “MV” (volume minuto); transferência ou difusão pulmonar do oxigênio; “RAW” (resistência de vias aéreas); distensibilidade pulmonar e torácica; e “PST” (pressão de retração “elástico-pulmonar”). (N. do M.)

193 Esse “sinal”, que costuma preceder a morte, bem conhecido dos médicos, apresenta geralmente no olho direito uma opacidade da esclerótica um pouco mais pálida que a do esquerdo. Quase sempre essa “mancha ocular” aparece primeiro em um olho, e só depois no outro. (N. do M.)

194 A energia liberada em um terremoto se desloca pela rocha em forma de ondas. A rocha atua como um corpo elástico. As partículas individuais nos estratos rochosos vibram de uma parte a outra com grande rapidez, à medida que se transmite o movimento ondulatório. Ainda que seus padrões se mostrem complexos ao extremo, constantemente modificados pelas propriedades de reflexão, difração, refração e dispersão das ondas, estas foram internacionalmente divididas em três grandes grupos: A onda “P” ou “primária”, “de empuxo”, “compressional” ou “longitudinal”, viaja pelo interior da Terra a grande velocidade (entre 6 e 11,3 quilômetros/segundo), sendo a primeira a chegar à estação rastreadora. Transmite-se, como as ondas sonoras, por compressão e expansão alternadas do volume da rocha, ao longo da rota de viagem das ondas. Pode atravessar sólidos, líquidos e gases.

A onda “S” ou “secundária”, “de sacolejo”, de “esforço cortante”, “distorcional” ou “transversal”, forma um corpo de ondas mais lentas que a “P”, viajando entre 3,5 e 7,3 quilômetros/segundo. São as segundas a chegar ao sismógrafo. Viajam também pelo interior da Terra, sendo transmitidas – como as ondas da luz – por vibrações perpendiculares à trajetória em que viajam as ondas nas rochas. Sua velocidade é proporcional à rigidez do material que atravessam, não podendo cruzar líquidos.

E, por último, as ondas “L”, também conhecidas pelos nomes de “longas” ou “superficiais”. São lentas – ao redor de 3,5 quilômetros/segundo –, variando seu deslocamento com a elasticidade da rocha. Têm natureza ondulante, movimentando-se fundamentalmente sob a superfície terrestre. Conhecem-se duas classes principais: as ondas “Love”, em sólidos uniformes, e as “Raleigh”, em sólidos não uniformes. (N. do M.

195 Como base puramente comparativa, o famoso terremoto de 1755 em Lisboa, cuja magnitude foi estimada em 9, provocou uma onda sísmica (ou maremoto) denominada “tsunami”, que arrasou a capital portuguesa e seus arredores, ocasionando 60 mil mortes. Trata-se do sismo mais forte da História Moderna; até o lago Lomond, na Escócia, balançou por causa do tremor. (N. do M.)

196 Um dos testemunhos mais antigos de que se dispõe hoje sobre os sismos em Israel procede de Flávio Josefo. Em seu livro I, capítulo XIV, da Guerra dos judeus, e sob o título de “A cilada de Cleópatra contra Herodes, e da guerra de Herodes contra os árabes, e um enorme tremor de terra que então aconteceu”, diz o historiador: “... Perseguindo (Herodes, o Grande) seus inimigos, aconteceu-lhe, por vontade de Deus, outra desgraça aos sete anos de seu reinado, e no tempo em que fervia a guerra de Accio, porque no princípio da primavera houve um tremor de terra no qual morreu infinito gado e pereceram 30 mil homens, restando salvo e inteiro todo o seu exército porque estava no campo.” O terremoto ocorreu, portanto, por volta do ano 35 antes de Cristo, justamente 64 ou 65 anos antes do sismo que os Evangelhos mencionam. (N. do M.)

197 Das dimensões desse grande véu, dá-nos ideia o seguinte escrito rabínico Middot (III,8): “Se o véu do Templo se manchou, deve-se lançá-lo em um banho, na presença de trezentos sacerdotes”. (N. do M.)

198 Medida antiga de comprimento, correspondente a 1,10 metro. (N. T.)

199 Essa moeda, similar à perutah de Agripa I, era cunhada em Jerusalém. Encontraram-se exemplares dela emitidos sob Copônio, Valério Grato, Pôncio Pilatos e Antônio Félix. Seu valor era mínimo: um denário de prata equivalia a 192 perutah, aproximadamente. (N. do M.)

200 Ao consultar os principais catálogos mundiais de moedas judaicas do tempo de Cristo – especialmente o de moedas antigas do Museu Britânico – e o livro de Madden sobre moedas judaicas, publicado em 1864 e reimpresso em 1967, os especialistas do Cavalo de Troia comprovaram que a maior parte das moedas cunhadas por Pôncio Pilatos (de 26 a 36 da nossa Era) distinguia-se precisamente por signos como o lituus, simpulum etc., que, por seu caráter pagão, ofendiam os sentimentos religiosos do povo hebreu. No caso do lituus, ou cajado do áugure ou adivinho, supõe-se que essa ousadia de Pôncio, único governador romano que se atreveu a agredir a fibra religiosa da Judeia – guardasse também um alto grau de adulação para com Tibério, grande entusiasta, como já vimos, dos astrólogos. (N. do M.)

201 Uma das falhas ortográficas mais evidentes era o “c” inicial da palavra “CAICAPOC”. O lógico é que o responsável pela gravação houvesse cunhado o referido título com o “K” grego: “KAICAPOC” ou “Káisaris” (de “César”). Mas, de outra parte, conhecida a péssima reputação do governador romano como cunhador de moedas, isso tampouco me causou estranheza. Outro erro, consequência do “comodismo” dos cunhadores, aparece nos dois últimos “C” de “CAICAPOC”. Na realidade, a mencionada palavra grega deveria ter sido escrita em “E” (letra “S” ou “sigma”). Provavelmente os artesãos preferiram truncar o aborrecido signo, deixando-o pela metade: “<”, “C”. (N. do M.)

202 Duzentos dólares de 1973, bem entendido. (N. de J.J.Benítez)

203 Nos relatos tradicionais da festividade judia das luminárias, ou “Chanucá” (que costuma coincidir com as natalinas), conta-se que, durante a ocupação romana, no século I, era proibido reunir-se em grupos para estudar a Torá. Quando um vigia alertava o grupo de estudiosos sobre a aproximação dos soldados, alguém apanhava um zevivon, espécie de dado com uma base pontiaguda e uma asa superior que o fazia girar. Dessa forma, dissimulavam, fazendo apostas sobre a face do dado que cairia para cima. Mesmo hoje, é frequente ver meninos israelitas jogando com um desses dados durante os dias da “Chanucá”. (N. do M.)