Cidades de papel
Hora dois
— Mas eu… — diz ele.
— Aguenta aí! — responde todo mundo de novo.
Está engraçado, por enquanto, com Ben precisando ir ao banheiro e a gente precisando fazê-lo segurar. Ele ri e reclama que rir só faz com que precise ainda mais ir ao banheiro. Lacey se estica e começa a fazer cosquinha na lateral da barriga dele. Ele ri e reclama, e eu também rio, mantendo a velocidade de cento e quinze quilômetros por hora. Me pergunto se Margo criou esta viagem para nós de propósito ou por acaso — e, qualquer que seja a resposta, é a coisa mais divertida que já fiz desde a última vez que passei horas atrás do volante de um carro.
HORA DOIS
Ainda estou dirigindo. Agora seguimos para o norte, na rodovia I-95, subindo próximos à costa da Flórida, mas não exatamente nela. O caminho é cercado por pinheiros finos demais para a altura deles, mais ou menos como eu. Mas diante de nós só há a estrada, carros ficando para trás e, uma vez ou outra, carros nos ultrapassando, e tenho sempre que prestar atenção em quem está na frente e quem está atrás, quem se aproxima e quem se afasta.
Lacey e Ben estão sentados no mesmo banco, e Radar está na parte de trás, e eles começam a jogar uma versão retardada de “Adivinhação” na qual só é permitido adivinhar coisas que não podem ser vistas fisicamente.
— O que é, o que é… algo tragicamente descolado? — diz Radar.
— É o meio sorriso de Ben? — pergunta Lacey.
— Não — diz Radar. — E pare de ser tão melosa com Ben. É nojento.
— É a ideia de ficar pelado debaixo da beca e então ter que viajar de carro até Nova York, enquanto todo mundo nos outros carros acha que você está de vestido?