Cidades de papel
Hora onze
Entrego tudo para Lacey quando ela sai do banheiro e entro no banheiro feminino, já que Radar ainda está ocupando o masculino. Acho que nunca entrei em um banheiro feminino de posto de gasolina antes.
Diferenças:
Não tem máquina de camisinha
As paredes não são tão pichadas
Não tem mictório
O cheiro é mais ou menos o mesmo, o que é uma decepção e tanto.
* * *
Quando saio, Lacey está pagando, Ben está buzinando, e depois de um instante de confusão eu corro em direção ao carro.
— Perdemos um minuto — diz Ben, sentado no banco do carona.
Lacey pega a rua que nos levará de volta à rodovia.
— Foi mal — responde Radar do banco de trás, ao meu lado, vestindo sua calça camuflada nova por baixo da beca. — O lado bom é que agora tenho uma calça. E uma camiseta nova. Cadê ela, Q? — Lacey joga a camiseta para ele. —
Muito engraçado.
Ele tira a beca e veste a camiseta da vovó enquanto Ben reclama que ninguém comprou calça para ele. Ele diz que está com a bunda coçando. E, pensando bem, ele meio que precisa ir ao banheiro.
HORA ONZE
Chegamos ao trecho em obras. A rodovia afunila para uma pista só e ficamos presos atrás de um caminhão articulado que segue precisamente no limite de velocidade de sessenta quilômetros por hora. Lacey é a melhor motorista para a situação; eu teria ficado batendo no volante, mas ela apenas conversa tranquilamente com Ben, até que finalmente se vira e diz: