Cidades de papel

John Green · Capítulo 36 de 53

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Cidades de papel

Hora cinco

Finalmente ouço a impressão do recibo. A mulher tira o papelzinho da máquina, Lacey rabisca seu nome, e então Ben e eu agarramos as sacolas e corremos de volta para o carro. Radar faz o motor roncar como que para dizer andem logo, e nós corremos pelo estacionamento, a beca de Ben flutuando ao vento como se ele fosse uma espécie de bruxo das trevas, só que com as pernas brancas e os braços cheios de sacolas de compras. Consigo ver as batatas da perna de Lacey sob o vestido, os músculos contraídos devido à corrida. Não sei com o que eu me pareço, mas sei como me sinto: Jovem. Estúpido. Infinito. Lacey e Ben se jogam pelas portas laterais do carro. Mergulho atrás deles, aterrissando em um monte de sacolas plásticas e no colo de Lacey. Radar acelera enquanto fecho a porta de correr e então dispara pelo estacionamento, deixando uma marca de pneu no asfalto pela primeira vez na história das minivans. Radar pega o acesso para a estrada a uma velocidade considerada pouco segura por algumas pessoas e então entra de novo na rodovia. Estamos quatro segundos adiantados no cronograma.

E como em um pit stop da Nascar, a gente comemora com high-fives e tapinhas nas costas. Temos suprimentos. Ben tem lugares o suficiente em que urinar. Eu tenho minhas tirinhas de carne-seca. Lacey tem seus Mentos. Radar e Ben têm

camisetas para usar por cima da beca. A minivan se tornou uma biosfera — nos dê gasolina e seguiremos para sempre.

HORA CINCO

Certo, talvez não tenhamos tantos suprimentos assim. Na correria, Ben e eu cometemos alguns (embora não fatais) errinhos. Com Radar sozinho no banco da frente, Ben e eu nos sentamos atrás dele e começamos a desempacotar, passando todos os itens para Lacey na parte de trás do carro. Lacey, por sua vez, organiza as compras em pilhas seguindo uma lógica que só ela é capaz de entender.

— Por que os remédios para gripe não estão junto com os analgésicos? —

pergunto. — Os remédios não deveriam ficar todos juntos?

— Q, meu amor, você é menino. Não sabe fazer essas coisas. O analgésico fica junto com os chocolates e o Mountain Dew porque todos eles contêm cafeína e ajudam a nos manter acordados. O remédio para gripe fica com as tirinhas de carne-seca porque dá tanto sono quanto comer carne.

— Impressionante — digo.

Depois que entrego a Lacey o último pacote de minha sacola, ela pergunta:

— Q, cadê as comidas… hum… saudáveis?

— O quê?

Lacey pega uma cópia da lista que ela escreveu para mim e lê em voz alta:

— Banana. Maçã. Frutas secas. Uva-passa.

— Ah — digo. — É verdade. O último grupo alimentar não era biscoito.

— Q! — diz ela, furiosa. — Eu não posso comer nada disso!

Ben coloca a mão no ombro dela.

— Mas você pode comer os cookies. Eles não fazem mal. São caseiros.

Lacey bufa, tirando uma mecha de cabelo do rosto. Parece realmente irritada.

— E tem as barrinhas de cereal — digo a ela. — São ricas em vitaminas.

— É, vitaminas e trinta gramas de gordura pura — responde ela.

— Ei, nada de falar mal das barrinhas de cereal — diz Radar lá da frente. —

Você quer que eu pare o carro?

— Sempre que como uma barrinha de cereal — diz Ben —, eu penso: “Então

esse é o gosto do sangue para os mosquitos.”

Abro uma barrinha sabor brownie até a metade e a seguro diante do rosto de Lacey.

— Sinta só o cheiro — digo. — Sinta o cheiro delicioso das vitaminas.

— Eu vou ficar gorda.

— E espinhenta — acrescenta Ben. — Não se esqueça das espinhas.

Lacey tira a barrinha da minha mão e, relutante, dá uma mordida. Ela precisa fechar os olhos para esconder o prazer orgástico inerente ao se saborear uma barrinha de cereal sabor brownie.

— Ai. Meu. Deus. Tem gosto de esperança.

* * *

Enfim, desempacotamos a última sacola. Ela contém duas camisetas grandes, com as quais Radar e Ben parecem muito animados porque significa que eles podem virar garotos que usam camisetas enormes por cima de becas ridículas, em vez de só garotos que usam becas ridículas.