Cidades de papel
Hora dezesseis
Gosto de ficar apenas escutando, vadiando na relva. Então decido que, se chegarmos lá a tempo e não a encontrarmos, é isto que vamos fazer: dirigir por Catskill e achar um lugar para me sentar e passar o tempo, vadiando na relva, conversando, contando piadas. Talvez a certeza de que ela está viva torne tudo isso possível de novo — mesmo que eu nunca tenha a prova disso. Eu quase posso imaginar uma felicidade sem ela, a capacidade de deixá-la ir embora, de sentir que nossas raízes estão interligadas mesmo que eu nunca mais veja aquela folha de relva novamente.
HORA DEZESSEIS
Eu durmo.
HORA DEZESSETE
Eu durmo.
HORA DEZOITO
Eu durmo.
HORA DEZENOVE
Quando acordo, Radar e Ben estão debatendo o nome do carro aos berros. Ben quer chamá-lo de Muhammad Ali, porque, exatamente como Muhammad Ali, a minivan leva um soco, mas segue em frente. Radar diz que não se pode batizar um carro com o nome de uma figura histórica. Ele acha que a minivan devia se chamar Lurlene, porque gosta da sonoridade.
— Você quer colocar o nome Lurlene? — pergunta Ben, erguendo a voz de tanto horror. — Não acha que o pobre coitado do carro já sofreu o suficiente?!
Solto um dos cintos de segurança e me sento. Lacey se vira para mim:
— Bom dia. Bem-vindo ao grande estado de Nova York.