Dois Anos de Férias
Capítulo VI
O primeiro cuidado de Doniphan, Wilcox, Webb e Cross foi descerem a margem do curso de água até à foz. Daí olharam avidamente para aquele mar que viam pela primeira vez. Não era menos deserto do que no litoral oposto.
— E, contudo — observou Doniphan —, se, como devemos acreditar, a ilha Chairman não estiver longe do continente americano, os navios que saem do estreito de Magalhães e se dirigem para os portos do Chile e do Peru devem passar a leste! Mais uma razão para nos fixarmos na costa de Deception-bay, e, posto que Briant lhe desse este nome de mau agouro, espero que ela não o justifique por muito tempo!
Talvez, fazendo esta observação, Doniphan procurasse desculpar-se ou justificar-se do seu rompimento com os seus camaradas de French-den. Além disso, pensando bem, era naquele lado do Pacífico, a oriente da ilha Chairman, que deviam aparecer navios com destino para os portos da América do Sul.
Depois de ter observado o horizonte com o óculo, Doniphan quis visitar a embocadura do East-river. Do mesmo modo que Briant, ele e os seus companheiros verificaram que a Natureza criara ali um porto pequenino, muito abrigado do vento e das ondas. Se a escuna se tivesse aproximado da ilha Chairman naquele ponto, talvez não fosse impossível evitar que encalhasse e se pudesse conservá-la intacta para os moços colonos regressarem à pátria.
Por detrás das rochas que formavam o porto acumulavam-se as primeiras árvores da floresta, que se prolongava, não só até Family-lake, mas também para o norte, onde o olhar não encontrava senão um horizonte de verdura. Quanto às escavações feitas nas massas graníticas do litoral, Briant não exagerara. Doniphan não teria outro embaraço senão o da escolha. Contudo, pareceu-lhe conveniente não se afastar das margens do East-river, e achou, em breve, uma chaminé atapetada pela areia fina, com cantos e escaninhos, e não menos confortável do que French-den. Esta caverna seria suficiente até para a colónia toda, porque continha uma série de cavidades anexas, que serviam para quartos separados, em lugar do hall e do Store-room.
Este dia foi empregado em visitar a costa, na extensão de uma a duas milhas. Entretanto, Doniphan e Cross mataram alguns tinamus, enquanto Wilcox e Webb estendiam uma linha de pesca nas águas do East-river, cem passos acima da foz. Apanhou-se meia dúzia de peixes, do género dos que subiam a corrente do rio Zealand — entre outros, duas percas de bom tamanho. Os mariscos também abundavam nos buracos dos recifes que, a nordeste, resguardavam o porto das ondas do largo. Os mexilhões e as amêijoas eram abundantes e de boa qualidade. Portanto, ter-se-ia sempre à mão, por assim dizer, moluscos, assim como os peixes que deslizavam entre as grandes algas acumuladas junto do banco de recifes, sem que fosse necessário ir buscá-los a quatro ou cinco milhas.
Não deve esquecer-se que por ocasião de explorar a embocadura do East-river tinha Briant feito a ascensão de uma rocha alta, que se parecia com um urso gigantesco. Doniphan ficou impressionado igualmente com a sua forma singular. Foi por este motivo que, em sinal de posse, deu o nome de Bear-rock-harbour (porto da Rocha do Urso) ao pequeno porto que dominava esta rocha, e é esse nome que figura agora na carta da ilha Chairman.
Durante a tarde, Doniphan e Wilcox subiram a Bear-rock, a fim de verem em maior extensão a baía. Mas a leste da ilha não lhe apareceram nem navio nem terra alguma. Aquela mancha esbranquiçada, que tinha atraído a atenção de Briant para o nordeste, nem sequer foi por eles vista, quer porque o Sol estivesse já muito baixo no horizonte oposto, quer porque essa mancha não existisse e Briant tivesse sido enganado por uma ilusão de ótica.
Logo que a tarde chegou, Doniphan e os seus companheiros tomaram a sua refeição debaixo de um grupo de soberbos almezes, cujos ramos baixos se estendiam por cima do curso de água. Depois de comerem, tratou-se da seguinte questão:
Conviria voltar imediatamente a French-den, a fim de trazer dali os objetos necessários a uma instalação definitiva na caverna de Bear-rock?
— Eu penso — declarou Webb — que não devemos demorar-nos; só tornar a fazer o trajeto pelo sul do Family-lake levará alguns dias!
— Mas — observou Wilcox — não seria melhor, quando voltássemos aqui, atravessar o lago, na intenção de tornar a descer o East-river até à sua foz? Porque não faremos nós o que Briant fez já com a canoa?
— Isso era tempo ganho, e que nos pouparia bastantes fadigas — acrescentou Webb.
— Que pensas disto, Doniphan? — perguntou Cross.
Doniphan estava refletindo nesta proposta, que apresentava vantagens reais.
— Tens razão, Wilcox — respondeu ele —, se embarcarmos na canoa conduzida por Moko.
— Com a condição de que Moko consentisse nisso — observou Webb, em tom duvidoso.
— E porque não havia ele de consentir? — volveu Doniphan. — Não tenho eu, como Briant, o direito de lhe dar uma ordem? Além disso, bastava que ele nos guiasse através do lago.
— É necessário que ele obedeça! — exclamou Cross. — Se fôssemos obrigados a transportar por terra todo o nosso material, isso nunca teria fim! Além disso, talvez que o carro não achasse passagem pelo meio da floresta. Por isso é melhor servirmo-nos da canoa.
— E se não nos quiserem dar a canoa?— — objetou Webb, insistindo.
— Se não quiserem! — exclamou Doniphan. — E quem havia de recusá-la?
— Briant. Não é ele o chefe da colónia?
— Briant, recusar!... — repetiu Doniphan. — Essa embarcação pertence-lhe, porventura, mais a ele do que a nós? Se Briant se atrevesse a recusar...
Doniphan não acabou de expor o seu pensamento; mas percebia-se que, neste ou em qualquer outro ponto, este rapaz imperioso não se submeteria às imposições do seu rival.
Demais — assim o fez observar Wilcox —, era inútil discutir este assunto. Em sua opinião, Briant facilitara aos seus camaradas a instalação em Bear-rock, e não valia a pena quebrar a cabeça por causa disso. Faltava decidir-se se voltariam ou não imediatamente a French-den.
— Parece-me impossível — disse Cross.
— Então, amanhã? — perguntou Webb.
— Não — respondeu Doniphan. — Antes de partir, desejava passar um pouco para além da baía, para reconhecer a parte norte da ilha. Dentro de quarenta e oito horas poderemos voltar a Bear-rock, depois de termos chegado à costa setentrional. Quem sabe se, nesta direção, não haverá alguma terra que o náufrago francês não tenha podido ver, nem por consequência, indicar na carta. Seria pouco razoável ficarmos aqui sem sabermos o que havemos de fazer.
Era justa a observação. Por isso, se bem que esse projeto prolongasse a ausência em dois ou três dias, decidiu-se pô-lo sem demora em execução.
No dia seguinte, 14 de outubro, Doniphan e os seus três amigos partiram de madrugada, tomando a direção do norte e seguindo o contorno do litoral.
Em uma extensão, pouco mais ou menos, de três milhas, desenvolviam-se entre a floresta e o mar as massas das rochas, não deixando na base senão um areal da extensão máxima de cem pés.
Foi ao meio-dia que os quatro rapazes, depois de terem passado a última rocha, pararam para almoçar.
Naquele lugar, um segundo curso de água lançava-se na baía; mas pela sua direção, de sudoeste para nordeste, era de supor que não saísse do lago. As águas, despejadas por ele numa enseada estreita, deviam ser as que eram recolhidas ao atravessar a região superior da ilha. Doniphan denominou-o North-creek (regato do Norte), e, realmente, não merecia a qualificação de rio.
Alguns movimentos de remos foram suficientes para o halkett-boat o transpor, e não foi preciso senão costear a floresta, cujo limite era formado pelo limite do rio.
Pelo caminho, Doniphan e Cross dispararam dois tiros de espingarda, nas circunstâncias seguintes:
Eram três horas, pouco mais ou menos. Seguindo a corrente do North-creek, Doniphan dirigia-se para o norte mais do que convinha, porque se tratava de chegar à costa setentrional. Ia, portanto, dirigir-se para a direita quando Cross, detendo-o, exclamou:
— Olha, Doniphan, olha!
E com a mão indicava uma grande massa avermelhada, que se agitava entre as grandes ervas e os caniços do creek, debaixo das árvores.
Doniphan fez sinal a Webb e a Wilcox para não se moverem. Em seguida, acompanhado por Cross, dirigiu-se de espingarda ao ombro e sem ruído para a massa em movimento.
Era um animal de grande estatura, parecido com um rinoceronte se tivesse a cabeça armada de chifres e se o beiço inferior se estendesse demasiadamente.
Neste momento ouviu-se um tiro de espingarda, que foi logo seguido por outra detonação. Doniphan e Cross tinham disparado quase ao mesmo tempo. Decerto que, a uma distância de cento e cinquenta pés, o chumbo não produzira efeito algum na pele grossa do animal, porque este, saltando para fora dos caniços, transpôs rapidamente a praia e desapareceu na floresta.
Doniphan teve tempo de reconhecê-lo. Era um anfíbio completamente inofensivo, uma anta, de pelo escuro, ou, antes, um desses tapires enormes que se encontram quase sempre nas proximidades dos rios da América do Sul.
Como semelhante animal para nada servia, não houve razão para lastimar a sua fuga — a não ser debaixo do ponto de vista do amor-próprio cinegético.
As massas verdejantes prolongavam-se ainda, a perder de vista, deste lado da ilha Chairman. A vegetação era prodigiosa, e, como as faias cresciam aos milhares , Doniphan pôs-lhe o nome de Beechs-forest (floresta das Faias), e escreveu-o no mapa, como as denominações de Bear-rock e de North-creek, admitidas anteriormente.
Quando veio a noite, tinham-se percorrido nove milhas. Com mais outro tanto, os moços exploradores chegariam ao norte da ilha. Era tarefa para o dia seguinte.
Ao romper do dia continuou-se a marcha. Havia razões para andar depressa. O tempo parecia querer mudar. O vento, que soprava de oeste, manifestava tendências para refrescar. As nuvens já vinham do largo, conservando-se numa zona ainda bastante elevada, é certo, o que fazia esperar que não se resolvessem em chuva. Afrontar o vento, mesmo de tempestade, não era coisa que assustasse rapazes resolutos. Mas a rajada, com o seu acompanhamento de aguaceiros torrenciais, incomodá-los-ia muito, e seriam obrigados a interromper a expedição, a fim de voltarem ao abrigo de Bear-rock.
Portanto, apressaram o passo, apesar de terem de lutar contra a borrasca, que os atacava de lado. O dia foi extremamente penoso, e anunciava uma noite péssima. Efetivamente, era nada menos do que uma tempestade que assaltava a ilha, e às cinco horas da tarde ouviram-se bramidos do trovão no meio do cruzar dos relâmpagos.
Doniphan e os seus camaradas não hesitaram. A ideia de estarem perto do seu fim animava-os. Além disso, os maciços de Beechs-forest prolongavam-se ainda naquela direção, e sempre tinham o recurso de poderem abrigar-se debaixo das árvores. O vento desencadeava-se com muita violência, razão para não temer a chuva. Demais, a costa não devia estar longe.
Cerca das oito horas ouviu-se o bramido sonoro da ressaca, o que indicava a presença de um banco de recifes ao largo da ilha Chairman.
Entretanto, o céu, já coberto de vapores espessos, escurecia a pouco e pouco. Para o olhar poder dirigir-se para o longe, no mar, enquanto os últimos clarões iluminavam ainda o espaço, era preciso caminhar depressa. Para além do renque de árvores estendia-se uma praia do comprimento de um quarto de milha, onde as ondas, brancas de espuma, se quebravam, depois de terem batido, embravecidas, de encontro aos recifes do norte.
Doniphan, Webb, Cross e Wilcox, apesar de estarem muito fatigados, ainda tiveram forças para correr. Queriam, pelo menos, avistar aquela parte do Pacífico enquanto havia alguns clarões do dia. Seria um mar sem limites, ou um canal estreito, que separava aquela costa de um continente ou de uma Ilha?
De repente, Wilcox, que ia um pouco adiante, parou.
Indicava com a mão uma massa escura que se desenhava no pontalete da praia. Seria um animal marinho, um desses grandes cetáceos, tais como a baleia ou o baleote, que estivesse encalhado na areia? Não seria antes uma embarcação que estivesse deitada de costado, depois de ter sido arrastada para além dos recifes?
Sim! Era uma embarcação, deitada sobre o lado de estibordo. E, deste lado, junto do cordão de sargaços enrolados no limite da maré cheia, Wilcox divisou dois corpos estendidos a alguns passos da embarcação.
Doniphan, Webb e Cross tinham, primeiro, suspendido a marcha. Depois, sem refletir, correram pela praia fora e pararam em frente dos dois corpos estendidos na areia — talvez dois cadáveres!...
Foi então que, cheios de susto, não se lembrando, ao menos, de que aqueles corpos podiam ter alguma vida, e que se lhes devia prestar socorros imediatos, voltaram para trás precipitadamente, a fim de se refugiarem debaixo das árvores.
A noite já estava escura, apesar de ser ainda iluminada por alguns relâmpagos, que não tardaram em extinguir-se. No meio daquelas trevas profundas, os bramidos da tempestade reuniram-se ao estrondo do mar embravecido.
Que tempestade! As árvores estalavam por todos os lados, o que não deixava de ser perigoso para os quatro rapazes; mas era impossível acampar na praia, onde a areia, arrebatada pelo vento, açoutava os ares como metralha.
Doniphan, Wilcox, Webb e Cross conservaram-se naquele lugar durante toda a noite, sem poderem fechar os olhos um só momento. O frio fê-los sofrer cruelmente, porque não tinham podido acender uma fogueira, que seria logo apagada se tentassem incendiar os ramos secos acumulados no solo.
E, depois, a comoção não os deixava adormecer. Aquela barca, de onde vinha?... Aqueles náufragos, a que nação pertenciam?... Havia então algumas terras nas proximidades, visto que a embarcação pudera chegar à ilha?... A não ser que pertencessem a algum navio que tivesse soçobrado naquelas paragens, durante a maior força da tempestade.
Todas estas hipóteses eram admissíveis, e, durante os raros momentos de calma, Doniphan e Wilcox, chegados um ao outro, comunicavam-nas em voz baixa.
Ao mesmo tempo, com o cérebro tomado por alucinações, julgavam ouvir gritos longínquos, quando o vento abrandava um pouco, e, aplicando o ouvido, perguntavam a si mesmos se pela praia andariam errantes outros náufragos! Não! Eram vítimas de uma ilusão dos sentidos. Não ressoava grito algum de desespero no meio das violências da tempestade. Agora arrependiam-se de ter cedido ao primeiro movimento de susto!... Queriam dirigir-se imediatamente para os recifes, com risco de serem derrubados pelas rajadas!... Mas, no meio daquela escuridão, numa praia descoberta, varrida pelas ondas da maré cheia, como poderiam achar o sítio onde a embarcação encalhara, o lugar onde os corpos estavam estendidos na areia?
Além disso, as forças moral e física começavam a faltar-lhes. Depois de estarem tanto tempo entregues a si mesmos, e de se julgarem quase homens, sentiam-se novamente crianças na presença dos primeiros seres humanos que encontravam depois do naufrágio do Sloughi, depois que o mar os arremessara, no estado de cadáveres, àquela ilha!
Finalmente, recuperando o sangue-frio, compreenderam qual era o seu dever. No dia seguinte, ao romper do dia, voltariam ao pontalete da praia, fariam uma cova na areia e enterrariam os dois náufragos, depois de terem dito uma oração pelo descanso das suas almas.
Como aquela noite lhes pareceu interminável! Realmente, parecia que o Sol nunca viria dissipar-lhe os horrores! E ainda se pudessem saber o tempo que decorrera, consultando o relógio! Mas foi impossível acender um fósforo — mesmo abrigando-o debaixo dos cobertores. Cross, que tentou fazê-lo, teve de renunciar a isso.
Wilcox lembrou-se então de recorrer a outro meio para saber pouco mais ou menos que horas eram.
Dava-se corda ao relógio fazendo com o remontoir doze voltas para vinte e quatro horas — ou uma volta para duas horas. Ora, como ele lhe dera corda naquela noite, às oito horas, não era preciso mais que contar o número de voltas que restavam para o número de horas decorridas. Foi o que ele fez, e, não tendo de dar mais que quatro voltas, concluiu daí que deviam ser, pouco mais ou menos, quatro horas da manhã. O dia não tardaria a aparecer.
Efetivamente, daí a pouco, os primeiros clarões da manhã desenharam-se a leste. A tempestade não abrandara, e, como as nuvens desciam para o mar, devia-se recear a chuva antes que Doniphan e os seus companheiros tivessem chegado ao cimo de Bear-rock.
Mas, primeiro que tudo, tinham de prestar os últimos deveres aos náufragos. Assim, logo que a aurora rompeu através da massa dos vapores acumulados ao longe, arrastaram-se no areal, lutando, não sem custo, contra o impulso das rajadas de vento. Por muitas vezes tiveram de agarrar-se uns aos outros para não serem derrubados.
A embarcação tinha encalhado perto de um pequeno montículo de areia. Via-se, pela disposição do mar, que a maré, aumentada pelo vento, tinha passado para além dela.
Os dois corpos já não estavam ali... Doniphan e Wilcox avançaram uns vinte passos sobre o areal.
Nada!... Nem sequer uns sinais, que, além disso, o refluxo da maré teria decerto apagado.
— Estes desgraçados — exclamou Wilcox — estavam portanto vivos, visto que puderam levantar-se!...
— Onde estão eles?... — perguntou Cross.
— Onde estão?... — volveu Doniphan, mostrando o mar, que espumava com fúria. — Estão ali, para onde a maré baixa os levou!
Doniphan arrastou-se então até à parte mais alta do banco de recifes e estendeu o óculo pela superfície do mar...
Nem um cadáver!
Os corpos dos náufragos tinham sido arrastados para o largo! Doniphan tornou a voltar para junto de Wilcox, Cross e Webb, que tinham ficado perto da embarcação.
Talvez que houvesse algum sobrevivente desta catástrofe!
A embarcação estava vazia.
Era uma chalupa de navio mercante, com uma coberta só à proa, e cuja quilha media uns trinta pés. Já não estava em estado de navegar, pois que o lado de estibordo estava arrombado na linha de flutuação pelos choques que tinha sofrido. Um bocado de mastro quebrado, alguns bocados de vela agarrados aos traquetes, restos de cabos, era tudo o que restava. Quanto a provisões, utensílios e armas, nada havia nos cofres nem no castelo da proa.
À ré, dois nomes indicavam a que navio tinha ela pertencido, bem como o porto de onde viera: Severn — São Francisco.
São Francisco! Um dos portos do litoral da Califórnia!... O navio era de nacionalidade americana! Quanto à parte da costa sobre a qual os náufragos do Severn tinham sido lançados pela tempestade, era o mar que lhe limitava o horizonte.