Dois Anos de Férias

Júlio Verne · Capítulo 30 de 32

Páginas do PDF

Dois Anos de Férias

Capítulo XIII

 

No dia seguinte, apesar da fadiga daquela noite sem sono, ninguém pensou em descansar, nem sequer um momento. Agora havia a certeza de Walston empregar a força, visto que a astúcia não dera bom resultado. Rock, em quem o tiro do mestre não acertara, devia ter ido encontrar-se com ele, e informá-lo de que os seus planos tinham sido descobertos e não podia entrar em French-den sem lhe arrombar as portas.

Logo ao amanhecer, Evans, Briant, Doniphan e Gordon saíram do hall com a maior cautela. Com o nascer do Sol, os nevoeiros matinais condensavam-se a pouco e pouco, descobrindo o lago enrugado por uma leve brisa de leste.

Nas proximidades de French-den tudo estava tranquilo, tanto do lado do rio Zealand como do lado de Traps-woods. No interior do cerrado os animais andavam de um lado para o outro, como de ordinário. Phann, que corria em Sport-terrace, não dava o mínimo sinal de inquietação.

Evans tratou de ver, primeiro que tudo, se o solo tinha vestígios de passos. Efetivamente, descobriu muitos — sobretudo perto de French-den. Cruzavam-se em sentidos diversos, e indicavam que, durante a noite, Walston e os seus companheiros tinham avançado até ao rio, esperando que lhes abrissem a porta de French-den.

Quanto a manchas de sangue, não viram nenhuma na areia — prova de que Rock não havia sido ferido pelo tiro do mestre.

Mas havia uma questão a decidir: Walston viera, como os falsos náufragos, pelo sul do Family-lake, ou chegara a French-den descendo pelo norte? Neste caso, Rock devia ter fugido para os lados de Traps-woods, a fim de ir ter com ele.

Ora, como era conveniente esclarecer este facto, decidiu-se que se interrogaria Forbes no intuito de se saber que caminho Walston tinha seguido. Forbes consentiria em falar, e, se falasse, diria a verdade? Despertaria nele algum sentimento bom, lembrando-se de que Kate lhe tinha salvo a vida? Esqueceria que tinha pedido hospitalidade aos habitantes de French-den unicamente para traí-los?

Querendo ele mesmo interrogá-lo, Evans entrou no hall, abriu a porta do armazém onde Forbes estava encerrado, alargou as cordas que o amarravam e conduziu-o para fora.

— Forbes — disse Evans —, o ardil que tu e Rock puseram em prática não teve bom resultado. Preciso saber quais são os projetos de Walston, e tu deves conhecê-los. Queres responder?

Forbes curvara a cabeça e, não se atrevendo a erguer os olhos para Evans, para Kate e para os rapazes que o cercavam, conservava-se silencioso.

Kate interveio.

— Forbes — disse ela —, já mostrou alguma compaixão impedindo que os seus companheiros me matassem, por ocasião da mortandade do Severn. Não quer agora salvar estas crianças de morte ainda mais horrível?

Forbes não respondeu.

— Forbes — prosseguiu Kate —, eles perdoaram-lhe quando merecia a morte! Vamos, a humanidade não pode estar completamente extinta na sua alma! Depois de ter feito tanto mal, pode ainda fazer bem! Lembre-se do crime horrível de que ia ser cúmplice!

Forbes soltou um suspiro, meio abafado.

— Mas que posso eu fazer? — Respondeu ele confuso.

— Podes dizer-nos -— replicou Evans — o que tencionavam fazer esta noite, e mais tarde. Esperavas Walston e os outros, que deviam introduzir-se aqui logo que uma das portas se abrisse?...

— É verdade! — Confessou Forbes.

— E estas crianças, que te receberam tão bem, deviam morrer?...

Forbes curvou ainda mais a cabeça, e, desta vez, não teve forças para responder.

— Por que lado vieram Walston e os outros ter aqui? — perguntou o mestre.

— Pelo norte do lago — respondeu Forbes.

— E Rock e tu vieram pelo sul?...

— Viemos!

— Visitaram a outra parte da ilha, a oeste?

— Ainda não.

— Onde devem estar agora?

— Não sei...

— Não podes dizer mais nada, Forbes?

— Não... Evans... não!...

— E julgas que Walston voltará?

— Parece-me que sim!

Era evidente que Walston e os seus, assustados pelo tiro do mestre, e compreendendo que o seu plano estava descoberto, tinham achado prudente conservar-se afastados, esperando alguma ocasião mais favorável. Evans, vendo que Forbes não sabia mais nada, conduziu-o para o armazém, cuja porta foi fechada pelo lado de fora.

A situação continuava a ser extremamente grave. Onde estava agora Walston? Estaria acampado debaixo das árvores de Traps-woods? Forbes não pudera ou não quisera dizê-lo. E, contudo, era importantíssimo saber a verdade. Por isso ocorreu ao mestre a ideia de fazer uma exploração para aqueles lados, apesar dos perigos que isso apresentava.

Perto do meio-dia, Moko foi levar algum alimento ao prisioneiro. Forbes, muito abatido, quase que não lhe tocou. Que se passava na alma deste desgraçado? A sua consciência ter-se-ia aberto ao remorso? Não se sabia.

Depois do almoço, Evans informou os moços colonos do seu Projeto de avançar até Traps-woods, tal era o desejo que tinha de saber se os malfeitores ainda estavam nos arredores de French-den. Esta proposta foi aprovada sem discussão, e tomaram-se precauções para prevenir qualquer eventualidade desagradável.

É certo que Walston e os seus companheiros eram apenas seis, depois da captura de Forbes, enquanto que a pequena colónia se compunha de quinze rapazes, sem contar Kate e Evans — ao todo dezassete. Mas deste número deviam eliminar-se os mais novos, que não podiam tomar parte diretamente em uma luta. Portanto, decidiu-se que, enquanto o mestre operasse o reconhecimento, Iverson, Jenkins, Dole e Costar ficariam no hall, com Kate, Moko e Jaime, protegidos por Baxter. Quanto aos maiores, Briant, Gordon, Doniphan, Cross, Service, Webb, Wilcox e Garnett, acompanhariam Evans. Oito rapazes para lutarem com seis homens na força da idade era uma partida desigual. É verdade que cada um deles tinha uma espingarda e um revólver, enquanto que Walston possuía apenas cinco espingardas, que pertenciam ao Severn. Por isso, nestas condições, um combate a distância parecia apresentar probabilidades mais favoráveis, visto Doniphan, Wilcox e Cross serem bons atiradores e muito superiores, nisto, aos marinheiros americanos. Além disso, as munições não lhes faltariam, e Walston, segundo dissera o mestre, devia estar reduzido a alguns cartuchos apenas.

Eram duas horas depois do meio-dia quando o pequeno exército se formou, dirigido por Evans. Baxter, Jaime, Moko, Kate e os pequenos entraram imediatamente para French-den, cujas portas fecharam; mas não as barricaram, a fim de que, sendo preciso, o mestre e os outros pudessem abrigar-se rapidamente.

Afinal não havia que temer do lado do sul, nem mesmo de oeste, pois para seguir essa direção era preciso que Walston chegasse a Sloughi-bay para subir o vale do rio Zealand — o que levaria muito tempo. Além disso, a julgar pela resposta de Forbes, ele descera pela margem oeste do lago e não conhecia essa parte da Ilha. Evans não devia, pois, recear ser surpreendido. Um ataque só podia vir do lado do Norte.

Os rapazes e o mestre avançaram prudentemente, costeando a base de Auckland-hill. Para diante do cerrado, as moitas e os grupos de árvores permitiam-lhes que alcançassem a floresta sem se descobrirem muito.

Evans caminhava na frente — depois de ter reprimido o ardor de Doniphan, sempre pronto para ir adiante. Quando passou o outeirinho que cobria os restos do náufrago francês, o mestre julgou oportuno cortar obliquamente, a fim de se aproximar da margem do Family-lake.

Phann, que Gordon diligenciava conter, mas em vão, parecia escutar, de orelha fita e o nariz no solo, e em breve pareceu ter achado uma pista.

— Atenção! — recomendou Briant.

— Sim — disse Gordon. — Não é a pista de um animal! Vejam as maneiras de Phann!

— Vamos devagar por entre as ervas — aconselhou Evans —, e o Sr. Doniphan, que é bom atirador, se algum daqueles bandidos aparecer a distância conveniente não erre o tiro! Nunca uma bala seria tão bem empregada!

Alguns momentos depois todos tinham chegado aos primeiros grupos de árvores. Aí, no limite de Traps-woods, havia ainda vestígios de paragem recente, ramos meio consumidos, cinzas ainda quentes.

— Foi aqui, com certeza, que Walston passou esta noite — observou Gordon.

— E talvez estivesse aqui há poucas horas! — sugeriu Evans.

— Parece-me que é melhor descermos para a penedia...

Neste momento ouviu-se uma detonação, à direita. Pela cabeça de Briant roçou uma bala, que foi cravar-se na árvore à qual ele estava encostado.

Quase em seguida ouviu-se outro tiro, seguido por um grito, enquanto que uma massa disforme caía por detrás de uma das árvores, a cinquenta passos dali.

Era Doniphan que acabava de disparar na direção do fumo do primeiro tiro.

O cão precipitou-se então para aquele lado, ladrando furiosamente.

— Aqui, Phann, aqui! — gritou Gordon.

Mas o cão não obedeceu, e Doniphan, não podendo conter-se, correu atrás dele.

— Avante! — disse Evans. — Não podemos deixá-lo ir só!...

Um momento depois, tendo-se reunido a Doniphan, paravam todos diante de um corpo estendido no meio das ervas, e que já não dava sinal de vida.

— Este é Pike! — informou Evans. — Morreu, o patife. Não se perdeu nada. É um de menos!

— Os outros não podem estar longe! — observou Baxter.

— Não, decerto, meu rapaz! Por isso não nos descubramos!... De joelhos!... De joelhos!...

Ouviu-se terceira detonação, desta vez partindo da esquerda. Service, que não curvou a cabeça a tempo, sentiu uma bala roçar-lhe pela fronte.

— Feriu-te?... — exclamou Gordon, correndo para ele.

— Não é nada, Gordon, não é nada! — respondeu Service. — É uma arranhadura!

Neste momento, era conveniente que não se separassem. Com a morte de Pike, restavam Walston e quatro dos seus companheiros, que deviam estar a pequena distância, atrás das árvores. Por isso, Evans e os outros, agachados entre as ervas, formavam um grupo compacto, pronto para a defensiva, de qualquer lado que partisse o ataque.

De repente, Garnett exclamou:

— Onde está Briant?

— Não o vejo — respondeu Wilcox.

Efetivamente, Briant tinha desaparecido, e como naquele momento Phann começou a ladrar com violência, era possível que o corajoso rapaz estivesse nas mãos de alguns homens do bando. — Briant!... Briant!... — gritou Doniphan.

E sem refletirem correram todos, seguindo as pegadas de Phann. Evans não pudera contê-los. Iam de árvore em árvore, ganhando terreno.

— Cuidado, mestre, cuidado! — gritou de repente Cross, deitando-se de bruços no chão.

O mestre curvou a cabeça instintivamente, no momento em que uma bala passava algumas polegadas acima dele.

Em seguida, erguendo-se, avistou um dos companheiros de Walston, que fugia através do bosque.

Era exatamente Rock, o que lhe escapara na véspera.

— Sentido, Rock! — gritou ele.

Fez fogo, e Rock desapareceu, como se o solo se tivesse aberto, de repente, a seus pés.

— Erraria outra vez o tiro?... — exclamou Evans. — Com mil diabos! Já era infelicidade!

Tudo isto se passara em alguns segundos. Neste momento ouviu-se ladrar o cão perto dali. Quase em seguida ouviu-se a voz de Doniphan.

— Coragem, Briant!... Coragem! — gritava ele.

Evans e os seus amigos dirigiram-se para aquele lado e viram Briant lutando com Cope, a vinte passos dali.

O miserável deitara o rapaz por terra, e ia feri-lo com a faca de mato quando Doniphan, que chegou a tempo de desviar o golpe, se atirou a Cope, antes de ter podido agarrar no revólver.

A faca acertou-lhe em cheio no peito... O rapaz caiu sem soltar um grito.

Cope, vendo que Evans, Garnett e Webb procuravam cortar-lhe a retirada, fugiu na direção do norte, perseguido por muitos tiros, que foram disparados simultaneamente. Desapareceu, e Phann voltou sem ter podido alcançá-lo.

Logo que pôde erguer-se, Briant correu para Doniphan, amparando-lhe a cabeça e tentando reanimá-lo...

Evans e os outros tinham Ido ter com eles, depois de tornarem a carregar as armas.

Realmente a luta começara com desvantagem para Walston, visto que Pike estava morto, e provavelmente Cope e Rock deviam estar fora de combate.

Infelizmente, Doniphan tinha sido ferido, e mortalmente, segundo parecia. Com os olhos fechados, o rosto branco como a cera, não fazia um movimento, nem ouvia Briant, que o chamava.

Entretanto, Evans curvara-se sobre o corpo do pobre rapaz. Desabotoou-lhe o casaco e rasgou-lhe a camisa, que estava banhada em sangue. Uma ferida triangular vertia sangue, na altura da quarta costela, do lado direito.

A ponta da faca tocara-lhe no coração? Não, visto que Doniphan ainda respirava. Mas devia-se recear que tivesse chegado ao pulmão, porque a respiração do ferido era extremamente fraca.

— Transportemo-lo para French-den! — disse Gordon. — Só aí é que podemos tratá-lo...

— E salvá-lo! — exclamou Briant. — Ah! meu pobre camarada!... Foi por mim que expuseste a vida!

Evans aprovou a proposta de levarem Doniphan para French-den — mesmo porque naquele momento a luta parecia ter um intervalo. Provavelmente, Walston, vendo que as coisas corriam mal, tomara o partido de bater em retirada para as profundezas de Traps-woods.

Contudo, o que inquietava Evans era ele não ter avistado Walston, nem Brandt, nem Cook, e estes não eram os menos temíveis do bando.

O estado de Doniphan exigia que o transportassem sem o agitarem. Assim, Baxter e Service formaram rapidamente uma padiola de ramos, onde estenderam o ferido, que não tornara a si. Depois, quatro dos seus camaradas ergueram-no suavemente, enquanto os outros o rodeavam, de espingarda armada e revólver em punho.

O cortejo seguiu diretamente a base de Auckland-hill. Era melhor do que seguir a margem do lago. Costeando os rochedos, não era preciso tomar sentido senão no lado esquerdo e no de trás. Esta marcha penosa não foi perturbada pelo mínimo incidente. Às vezes, Doniphan soltava um suspiro tão doloroso que Gordon fazia sinal para suspenderem a marcha a fim de lhe escutar a respiração, e, um momento depois, continuavam a caminhar.

Três partes do caminho foram feitas nestas condições. Restavam apenas oitocentos ou novecentos passos para chegarem a French-den, cuja porta ainda não se podia avistar, oculta como estava por uma saliência de rochedos.

De repente, ouviram-se gritos do lado do rio Zealand. Phann correu nessa direção.

Era evidente que French-den estava sendo atacada por Walston e pelos seus dois companheiros.

Efetivamente, eis o que se passara — como se soube depois.

Enquanto Rock, Cope e Pike, emboscados detrás das árvores de Traps-woods, entretinham o pequeno bando do mestre, Walston, Brandt e Cook tinham subido Auckland-hill, atravessando o leito seco da corrente de Dick-creek. Em seguida, depois de percorrerem rapidamente o planalto superior, desceram pela garganta que ia ter à margem do rio, perto da entrada de Store-room.

Chegando aí, conseguiram arrombar a porta, que não estava barricada, e invadiram French-den.

E, agora, Evans chegaria a tempo de evitar uma catástrofe?

O mestre tomou o seu partido rapidamente. Enquanto Cross, Webb e Garnett ficavam junto de Doniphan, que não se podia deixar só, Briant, Gordon, Service, Wilcox e ele precipitaram-se na direção de French-den, pelo caminho mais curto.

Alguns minutos mais tarde, logo que puderam avistar Sport-terrace, o que viram tirou-lhes toda a esperança!

Walston saía, naquele momento, pela porta do hall, arrastando uma criança para o rio.

Esta criança era Jaime. Kate, que se precipitara sobre Walston, diligenciava, debalde, tirar-lha.

Um momento depois aparecia o segundo companheiro de Walston, Brandt, que se apoderara do pequeno Costar, levando-o para o mesmo lado.

Baxter correu para Brandt; mas, repelido violentamente, caiu no solo.

Quanto às outras crianças, Dole, Jenkins, Iverson, não apareciam, da mesma maneira que Moko. Já teriam sucumbido no interior de French-den?

Entretanto, Walston e Brandt dirigiram-se rapidamente para o rio. Podê-lo-iam atravessar sem ser a nado?

Decerto, pois Cook estava lá, junto da canoa, que tinha ido buscar a Store-room.

Logo que chegassem à margem esquerda estavam livres de perigo.

Antes que pudessem cortar-lhes a retirada, chegariam ao acampamento de Bear-rock, com Jaime e Costar, que serviriam de reféns!

Evans, Briant, Gordon, Cross e Wilcox corriam sem tomar fôlego, esperando chegar a Sport-terrace antes que Walston, Cook e Brandt estivessem em segurança do outro lado do rio. Não podiam servir-se das espingardas porque isso seria exporem-se a ferir Jaime e Costar ao mesmo tempo.

Mas Phann estava lá. Acabava de se atirar a Brandt e agarrava-o pela garganta. Este, não podendo defender-se, teve de largar Costar, enquanto Walston arrastava Jaime para a canoa.

De repente, um homem saiu precipitadamente do hall.

Era Forbes.

Iria juntar-se aos seus antigos companheiros de crime, depois de ter arrombado a porta do armazém? Foi o que Walston pensou.

— Ajuda-me, Forbes!... Depressa!... Depressa!... — gritou ele.

Evans parou e ia fazer pontaria quando viu Forbes atirar-se a Walston.

Walston, surpreendido por esta agressão inesperada, foi obrigado a deixar Jaime, e, voltando-se, deu uma facada em Forbes.

Este caiu aos pés de Walston.

Isto passou-se em tão pouco tempo que, neste momento, Evans, Briant, Gordon, Service e Wilcox estavam ainda a uns cem passos de Sport-terrace.

Walston quis tornar a apoderar-se de Jaime, a fim de o levar até à canoa, onde Cook o esperava, com Brandt, que conseguira desembaraçar-se do cão., Não teve tempo para isso. Jaime, que tinha um revólver na mão, descarregou-lho no peito. Walston, ferido gravemente, arrastou-se com muito custo para junto dos seus dois companheiros, que lhe pegaram e embarcaram, impelindo vigorosamente a canoa.

Nesse momento ouviu-se uma detonação violenta. As águas do rio foram açoutadas por uma descarga de metralha.

Era a peça, que o grumete acabava de disparar através da canhoneira do Store-room.

E agora, à exceção dos dois miseráveis que tinham desaparecido debaixo dos maciços de Traps-woods, a ilha Chairman estava livre dos assassinos do Severn, arrastados para o mar pela corrente do rio Zealand.