Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
MS0 MS1
Taxa de juros
i*0
Figura 7-4:
a oferta de i* Aumentar
1
dinheiro
diminui o
equilíbrio
taxa de juros. nominal da MD
Reias
DO REAL O sistema na Inglaterra funciona da seguinte maneira: O Banco da
MUN Inglaterra controla a oferta de dinheiro por que ele tem um monopólio
legal para fazê-lo. Até 1997, ele o fazia a mando do Ministro das Finanças, mas em uma mudança de política dramática e amplamente aceita, o novo governo trabalhista tornou o Banco independente do governo. Em geral, a forma com que o Banco altera a oferta de dinheiro não é pedindo para a casa da moeda imprimir mais ou menos cédulas, mas ao estabelecer algo chamado taxa de base, que é a mais baixa taxa de juros possível que os bancos comerciais podem usar para fazer empréstimos do governo – em outras palavras, fazendo todas as coisas que falamos anteriormente, mas
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ao contrário! Outra possibilidade, e uma que vale a pena discutir, é usar um método ligeiramente mais sutil chamado operações de mercado aberto. Atualmente olhamos para esse método usando um banco central nocional, já que a maior parte disso é padrão internacional (talvez por bancos centrais serem grandes empregadores de graduados em macroeconomia).
CEIT O-CH A VE O termo operação de mercado aberto se refere à compra e venda de
ON títulos do governo. Isto é, as operações de mercado aberto são transações C realizadas em mercado público aberto de títulos. Dependendo se o banco
compra ou vende títulos, a oferta de dinheiro em circulação na economia aumenta ou diminui:
✓ Se o Banco pretende aumentar a oferta de dinheiro, ele compra
títulos, porque ao comprar títulos o Banco deve pagar por eles em
espécie, o que fará com que este dinheiro circule na economia.
✓ Se o Banco deseja diminuir a oferta de dinheiro, ele vende títulos,
porque as pessoas para quem o Banco esta vendendo têm que
pagar em dinheiro, esse dinheiro é então colocado em cofres e fica
fora de circulação.
Comprando e vendendo títulos dessa maneira, a quantidade de dinheiro em circulação (MS) pode ser precisamente controlada, o que significa que o governo pode, por sua vez, manter um controle estreito sobre as taxas de juros.
Reduzindo as taxas de juros para
estimular a economia
Agora que você entendeu o mecanismo real pelo qual os Bancos Centrais manipulam as taxas de juros, está pronto para compreender como a política monetária afeta a economia.
A ideia básica por trás da política monetária é que baixas taxas de juros causam tanto maior consumo quanto maior investimento, deslocando assim a curva de demanda agregada para a direita. Desta maneira:
✓ Taxas de juros mais baixas estimulam os gastos dos consumidores,
tornando mais atraente contrair empréstimos para comprar coisas
como automóveis e casas.
✓ Taxas de juros mais baixas estimulam as empresas a investirem,
porque com as taxas baixas, um grande número de projetos de
investimento potencial torna-se lucrativo. Ou seja, se as taxas de juros
são de 10 por cento, as empresas só estarão dispostas a emprestar
dinheiro para investir em projetos com taxas de retorno superiores a
10 por cento. Mas, se todas as taxas de juros caírem para 5 por cento,
todos os projetos com taxas de retorno superiores a 5 por cento se
tornam viáveis. Portanto, as empresas fazem mais empréstimos e
começam mais projetos. Para saber mais sobre como as taxas de
juros afetam os investimentos, consulte o capítulo 4.
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Ao tentar lembrar como a política monetária funciona, lembre-se de que ela é um simples processo com três etapas. Quando o Banco Central quer ajudar a aumentar a produção, ele inicia a seguinte cadeia de eventos:
1. Compra títulos do governo, de forma a aumentar a oferta de
dinheiro.
2. O aumento da oferta de dinheiro provoca a queda das taxas de
juros, porque os preços dos títulos também aumentam.
3. Os consumidores e as empresas respondem à redução das
taxas de juros, tomando mais empréstimos e usando o dinheiro
para comprar mais mercadorias.
A parte mais difícil é lembrar o contra intuitivo fato de que os altos preços dos títulos significam redução de taxas de juros. Mas, se você tiver dificuldades para lembrar-se disso, não fique embaraçado. Muitos economistas também ficam presos neste detalhe.
Entendendo como as expectativas racionais
podem limitar a política monetária
A capacidade do governo de utilizar aumentos na oferta de dinheiro para estimular a economia é limitada por expectativas racionais e pelos temores que as pessoas têm da inflação. Especificamente, os investidores entendem que os aumentos na oferta de dinheiro podem causar inflação (como discutimos no capítulo 5). Esta compreensão significa que sempre que um Banco Central aumentar a oferta de dinheiro, a fim de baixar as taxas de juros nominais, ele precisa fazê-lo com alguma moderação, de modo a evitar causar temores inflacionários que podem deslocar o efeito de estímulo do aumento do suprimento de dinheiro.
Representando em gráfico os resultados dos
aumentos na oferta de dinheiro
Observe a Figura 7-5, que mostra uma economia em recessão no ponto A, onde a curva de demanda agregada AD intercepta a curva de oferta 0 agregada de curto prazo SRAS , que é fixada ao nível de preço de P . O 0 0 Banco, então, aumenta a oferta de dinheiro para baixar a taxa de juros e estimular a economia, o que causa o deslocamento da curva de demanda agregada para a direita para AD . 1
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LRAS
Nível de preço
C
SRAS1
P A B
0 SRAS0
Figura 7-5:
do aumento O resultado AD 1
da oferta
de dinheiro
depende das
expectativas AD 0
inflacionárias Y* Produção
Neste ponto, duas coisas podem acontecer, dependendo das expectativas inflacionárias das pessoas:
✓ Se as pessoas acreditarem que o nível de preços permanecerá fixo
em P , o deslocamento à direita na demanda agregada moverá o 0
equilíbrio da economia para a direita ao longo da curva SRAS do 0
ponto A para o ponto B.
✓ Se as pessoas acreditarem que o nível de preço saltará em resposta
ao aumento na oferta de dinheiro, a curva de oferta agregada de
curto prazo se deslocará verticalmente para cima até o montante em
que se espera que o nível de preços aumente. Portanto, o equilíbrio
da economia se moverá de A para C, onde AD intercepta a nova 1
curva de oferta agregada de curto prazo, SRAS . 1
Devido à produção aumentar menos quando a economia se move de A para C do que se ela se move de A para B, o Banco obviamente precisa ser muito cuidadoso sobre as expectativas inflacionárias, ao tentar estimular a economia pelo aumento da oferta de dinheiro. Se as pessoas esperarem que ocorram inflações, suas ações podem contrabalancear alguns dos estímulos esperados pelo aumento na oferta de dinheiro.
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Entendendo como as expectativas inflacionárias afetam as
taxas de juros
O problema subjacente é que o Banco Central tem apenas controle parcial sobre as taxas de juros. Em particular, ele controla a oferta de dinheiro, mas não sua demanda. Isto é um problema, porque se as pessoas imaginam que um aumento na oferta de dinheiro poderá causar inflação, aumentam sua demanda por dinheiro, porque esperam precisar de mais dinheiro em espécie para pagar os altos preços das mercadorias.
Assim, embora o aumento na oferta de dinheiro tenda a reduzir as taxas de juros, como mostrado na Figura 7-4, o aumento na demanda de dinheiro, causado pelo temor de uma inflação, tende a aumentar as taxas de juros. Como taxas de juros elevadas tendem a diminuir os investimentos, qualquer aumento nas taxas causado por temores inflacionários funciona contra o estímulo que o Banco está tentando aplicar na economia pelo aumento da oferta de dinheiro.
Esta diminuição da eficácia do estímulo monetário é o motivo pelo qual o grande deslocamento na demanda agregada na Figura 7-5 não traz toda a economia de volta à produção de Y*. Com as pessoas esperando inflação, parte do estímulo termina causando inflação em vez de estimular a economia a produzir mais.
Então, como o Banco estabelece uma política monetária se ela parece ter pouco ou nenhum efeito? Na verdade, há dois mecanismos escondidos em jogo:
✓ Compromisso Prévio: Ao estabelecer um compromisso credível com
uma política monetária, o Banco é capaz de manter todos os outros
honestos. Se o Banco diz ‘Agirei para garantir que a inflação não seja
maior que 5 por cento’, você sabe que as ações dele serão para prevenir
que a inflação não passe desse nível. Como resultado, as pessoas irão
levar a política do Banco em consideração quando tomarem suas
decisões e agir como se o Banco já tivesse feito o que propõe.
✓ Vantagem: O Banco sabe o que pode fazer quando nós só podemos
supor, então se ele acha que nossas expectativas estão desalinhadas
com a política, ele pode fazer um movimento surpresa e gerar um
estímulo de curto prazo ou uma contração, antes que percebamos.
Mantendo as expectativas inflacionárias baixas para ajudar a política monetária a funcionar bem
Desde 1970, muitos países têm bastante cautela ao utilizar a política monetária. Durante os anos de 1970, os países aprenderam a lição da seção anterior — que se as pessoas acreditarem que um aumento na oferta de dinheiro irá causar inflação, um aumento na oferta de dinheiro pode mesmo acabar causando inflação, ao invés de oferecer estímulo.
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Um caso extremo dessa situação pode ser visto na Figura 7-6, na qual a produção permaneceu inalterada ao nível de recessão Ybaixo, a despeito de um aumento na oferta de dinheiro, que fez com que a demanda agregada se deslocasse à direita de AD para AD . O problema é que a alta 0 1 expectativa inflacionária faz com que a curva de oferta agregada de curto prazo se deslocasse verticalmente para cima de SRAS para SRAS , para 0 1 compensar totalmente o aumento da demanda agregada. O equilíbrio de curto prazo muda de A para B, mas o único efeito é uma alta nos níveis dos preços com nenhum aumento na produção.
LRAS
Nível de preço
B
P1 SRAS1
P A 0 SRAS0
AD 1
Figura 7-6:
Um
estagflação. exemplo de AD 0 Y baixo Y* Produção
A situação na Figura 7-6 veio a ser chamada de estagflação, que os economistas entendem como quando uma economia está, simultaneamente, com o nível de produção estagnado, combinado a uma inflação.
DO REAL A experiência da estagflação durante a década de 1970 ensinou ao Banco
MUN Central que a política monetária funciona melhor se as pessoas acreditarem
que o Banco não causará inflação. Consequentemente, atualmente o Banco faz apenas aumentos moderados na oferta de dinheiro quando deseja estimular a economia. Estes aumentos acabam sendo mais eficientes que grandes aumentos, porque eles não disparam o temor da inflação. Muitos bancos centrais da atualidade, especialmente na Europa, têm metas de inflação para ficarem de olho. Esta situação significa que eles precisam, por contratos com o governo ou pela legislação, manter a inflação dentro de certo limite e, portanto, são bastante circunspectos com relação a aumentar a oferta de dinheiro. O antigo Bundesbank alemão, que constituiu o modelo para o Banco Central Europeu, tinha uma reputação de administrar a economia solidamente desta maneira.
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O que fazemos agora?
Tendo sido apresentados às ferramentas O segundo maior problema é que economia que os criadores das políticas usam para não é como engenharia. Se você tem um ma-controlar a macroeconomia, você está per- quinário que falha, geralmente pode conser-doado por acreditar que as atuais condições tar os problemas ao descobrir qual é a peça econômicas são facilmente solúveis e mal defeituosa e substituí-la. Mas uma economia precisam de discussões mais profundas. se parece mais com uma floresta tropical do Contudo, como você provavelmente está que com um maquinário; é uma teia comple-careca de escutar, não é assim tão simples. xa de relacionamentos que podem se alterar
de formas imprevisíveis. As pessoas mudam
fatores. Em primeiro, a cura depende do melhores palpites sobre como o mundo se parece, ou irá se parecer – e as intervenções diagnóstico – e muitas pessoas discordam econômicas costumam modificar o mundo. do diagnóstico, mesmo quando os sinto-criam as políticas são sensíveis a muitos seus comportamentos com base em seus Crucialmente, as escolhas para os que mas apresentados são similares (produ- Portanto, qual política você defende agora ção baixa). Alguns acham que a demanda depende muito em diversas crenças a res-ainda é deficiente, e outros que a política peito do mundo, tanto as suas quanto outros fiscal, que pode ter mitigado os piores efei- agentes no modelo. Se você acreditar com tos da recessão, foi usada em exagero. O base nos dados de que as políticas fiscais problema, entretanto, é que embora os foram usadas exageradamente, você pre-dados possam eventualmente estabelecer feriria defender cortes. Por outro lado, se a questão, a realidade é que os decisores acreditasse que ainda temos capacidade de políticos operam em uma atmosfera na reserva, ou que ainda perigamos de deslizar qual esperar e ver não é uma opção realis- para uma recessão, você provavelmente ta. Então, eles têm que tomar decisões com defenderia estímulos maiores à economia. os dados que dispõe, e isso nem sempre O que você não poderá fazer é decidir per-pode dar uma ideia geral do quadro. feitamente entre essas duas situações.
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Parte III
Microeconomia:
A Ciência do
Comportamento do
Consumidor e da
Empresa
5ª Onda por Rich Tennant
LUCRO
‘Você está escondendo algo de nós, Dr. Dingwall?’
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Amicroeconomia estuda o comportamento individual das pessoas e das empresas quando tomam decisões. Nesta parte, demonstramos que os modelos econômicos supõem Nesta parte...
que os indivíduos tomam decisões para maximizar sua
felicidade e as empresas tomam decisões para maximizar seus
lucros. O que é agradável, e também surpreendente, é que no
contexto dos mercados competitivos, a busca das empresas
pelo lucro e a busca das pessoas pela felicidade, acabam por
utilizar os recursos limitados da sociedade da melhor maneira
possível — o que significa que o funcionamento apropriado
dos mercados competitivos produz a melhor combinação de
bens e serviços, a partir dos recursos a disposição. Entretanto,
os mercados nem sempre agem corretamente. Deste modo,
também cobrimos situações como a dos monopólios e “o
mercado de limões”, para mostrar o que acontece quando as
coisas dão errado e como é possível consertá-las.
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Capítulo 8
Oferta e Demanda de
Forma Fácil
Neste Capítulo
X Explicando por que um preço alto diminui a quantidade na demanda de
bens e serviços
X Demonstrando por que um preço alto aumenta a quantidade de bens e
serviços oferecidos
X Demonstrando por que a curva de demanda inclina para baixo enquanto que a
curva de oferta inclina para cima
X Focando no equilíbrio de mercado
X Entendendo como os deslocamentos na demanda e oferta podem afetar o
equilíbrio do mercado
X Identificando políticas que impedem o equilíbrio do mercado
As economias modernas continuamente comercializam bens por outros bens, seja diretamente ou por intermédio do dinheiro. Toda esta atividade pode ficar bastante complicada, portanto precisamos de um modelo simples para ajudar a dar sentido a tudo. Este capítulo apresenta a você este modelo, chamado modelo de oferta e procura, para ajudar a dar algum sentido de como a quantidade de bens vendida se relaciona com seus preços.
Por exemplo, este modelo pode dizer por que o preço de quartos de hotel sobe durante o verão e por que o preço do trigo cai após uma boa colheita. Pode também prever – corretamente – que uma intervenção para apoiar os preços agrícolas pode levar a uma superprodução de alimentos e que controle de aluguel conduzirá a uma escassez de habitação.
Se você só tiver tempo para aprender apenas um aspecto da economia, então deveria aprender oferta e procura. Nada mais neste livro trará a você uma recompensa prática tão grande quanto o conteúdo deste capítulo. Esta leitura lhe trará novas perspectivas sobre praticamente tudo o que leu antes sobre comércio, negócios e política.
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Ao mesmo tempo, não o exagere. O modelo de oferta e demanda é um modelo de como os mercados funcionam, mas nem tudo na vida é um mercado. A economia adquiriu uma péssima fama porque às vezes parece que os economistas tentam explicar tudo usando a oferta e a procura. É por isso que o famoso históriador inglês Thomas Carlyle certa vez zombou, “Ensine a um papagaio os termos ‘oferta e demanda’ e você terá um economista.”.
Começamos este capítulo apresentando vocês aos mercados. Em seguida, explicamos oferta e procura separadamente e mostramos como desenhar e manipular a curva de oferta e a curva de demanda; a curva de demanda capta o comportamento dos compradores, enquanto que a curva de oferta capta o comportamento dos fornecedores. O passo seguinte é observar as interações das curvas, para ver como ambos os mercados funcionam quando deixados a sua própria sorte e quando sujeitos às regulamentações e intervenções governamentais.
A Lógica dos Mercados
Na economia moderna, a maioria das atividades econômicas acontece em mercados, lugares onde os compradores e vendedores se reúnem para trocar dinheiro por bens ou serviços. Um mercado não tem que ser um lugar físico real; na verdade, muitos mercados da atualidade são completamente computadorizados e existem apenas no ciberespaço (lojas de música online, por exemplo). Mas não importa que tipo de arranjo institucional os mercados têm, todos eles tendem a se comportar da mesma forma, o que significa que podemos estudar os mercados em geral, em vez de ter que estudar cada um separadamente.
Usamos um modelo muito simples chamado oferta e procura, que relaciona o número de pessoas produzindo ou comprando um bem, com o seu preço – mantendo as outras coisas constantes.
Este modelo separa logicamente compradores de vendedores e então resume o comportamento de cada grupo com uma simples linha em um gráfico. O comportamento dos compradores é captado pela curva de demanda, enquanto que o comportamento dos vendedores é capturado pela curva de oferta. Ao colocar estas duas curvas no mesmo gráfico, os economistas podem demonstrar como os compradores e vendedores interagem para determinar quanto de qualquer item em particular será vendido, bem como a que preço será vendido.
Mas antes de chegar a este conveniente gráfico, precisamos explicar exatamente de onde as duas curvas vêm, e como você pode manipulá-las para descrever os diferentes tipos de comportamento humano. Vamos cuidar da curva de demanda primeiro e, depois, a curva de oferta.
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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 173
Desconstruindo a Demanda
As pessoas querem comprar coisas e os economistas se referem a esse desejo como demanda. Quando dizem demanda, os economistas não se referem a sonhos inviáveis ou meras ilusões além das expectativas, “quero um bilhão de zilhões de bolas de sorvete!”. Pelo contrário, quando dizem demanda, os economistas têm em mente quanto as pessoas estão desejosas e dispostas a pagar por algumas coisas. Então, embora você possa desejar um bilhão de zilhões de bolas de sorvete, este desejo não é uma demanda, no sentido que os economistas a compreendem. Na verdade, essa demanda é de três colheres de sorvete, porque é o quanto você desejo e está disposto a pagar ao valor cobrado pela sorveteria local.
Entendendo corretamente nossos termos
CEIT O-CH A VE Para sermos mais precisos na terminologia, precisamos distinguir entre
ON dois conceitos ligeiramente diferentes. O exemplo da sorveteria na verdade C descreve a quantidade de demanda, que se refere ao quanto você demanda
a um preço específico, de acordo com suas receitas e preferências. Em contrapartida, quando um economista usa a palavra demanda, ele se refere a toda a gama de quantidades que uma pessoa com uma determinada receita e preferências irá procurar a vários preços possíveis.
Isso pode parecer supérfluo, mas a diferença é crucial e evita confusão entre os dois conceitos: lembre-se apenas que demanda é geral para todos os preços e preferências, e quantidade de demanda é específica a um preço.
Para esclarecermos melhor as diferenças entre esses dois conceitos, você precisa entender que os economistas dividem tudo o que pode afetar a quantidade da demanda em dois grupos: o preço e todo o resto. Ambos os grupos têm efeitos diferentes.
Os preços têm uma relação inversa com a quantidade demandada. Em outras palavras, quanto mais altos forem os preços, menos as pessoas procuram pelo produto (se todas as outras coisas que podem afetar a quantidade exigida forem mantidas constantes).
DO REAL Outras coisas que mantemos constante incluem fatores como gostos,
UN preferências e rendas. Por exemplo, não importa quão baixo seja o preço M do ingresso, torcedores do Palmeiras não comprarão um assento para ver
o Corinthians jogar, por que eles não valorizam esse assento. Ao mesmo tempo, tantos milhares gostam tanto do Corinthians, que mesmo que os preços subam, eles ainda estarão dispostos a comprar um assento.
Não importa o preço de um ingresso, as pessoas que adoram o time sempre terão uma alta quantidade de demanda por ele do que as que gostam de outro time. Como isso é verdade, para cada preço possível, dizemos que os fãs têm uma maior procura por este produto em particular do que os outros.
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Outro fator importante é a receita. Na medida em que ganha mais dinheiro, você também aumenta suas compras para certas mercadorias que sempre gostou e pode agora se dar ao luxo de adquirir. Estes são chamados de bens regulares. Por outro lado, você diminui a compra daquelas coisas que adquiria apenas porque dado o seu baixo poder aquisitivo, não podia comprar o que realmente desejava. Estes são chamados de bens inferiores. Por exemplo, carros novos são bens regulares, enquanto que carros realmente velhos, com mau funcionamento, são bens inferiores. Da mesma forma, uma salada orgânica fresquinha é um bem regular, já um pão velho de três dias atrás e com desconto, é um bem inferior.
Dada a complexidade das variáveis, tais como preferências e receita, por que os economistas ainda insistem em dividir tudo que poderia, possivelmente, influenciar nossa quantidade procurada em apenas dois grupos, o preço e o resto? Eles fazem isto por duas razoes:
✓ Quando você não separa os preços do resto, as coisas ficam confusas
e os economistas querem se concentrar nos preços.
✓ Quando você traduz o conceito de procura em um gráfico, e cria uma
curva de demanda, os preços adquirem um efeito bastante diferente
dos das outras variáveis. É este ponto que mostramos a seguir.
Gráfico da curva de demanda
Se adicionarmos a procura de diferentes consumidores em um mercado, obteremos a curva de demanda para aquele mercado.
Uma curva de demanda é mostrada na Figura 8-1. Vamos dizer que esta curva de demanda representa a procura por repolhos. No eixo vertical, está o preço do repolho. No eixo horizontal, estão os números ou a quantidade procurada de repolhos a um determinado valor.
Você obtém a renda total da venda de um dado número de unidades a um determinado preço ao ler o preço e a quantidade demandada. Por exemplo, no ponto A você vende cinco repolhos ao preço de $2,00 por repolho, e portanto recebe um total de $10,00.
Como pode ver, a curva de demanda inclina para baixo, refletindo o fato de que há uma relação inversa entre o preço dos repolhos e o número de repolhos que as pessoas desejam comprar. Por exemplo, considere o ponto A na curva de demanda. Ao preço de $ 2,00 por repolho, as pessoas procuram por cinco repolhos. Entretanto, como você pode notar, observando o ponto B, se os preços caem para $ 1,00 por repolho, as pessoas querem comprar oito repolhos. E se os preços caem para apenas $ 0,50 por repolho, as pessoas procuram quinze repolhos.
Alterações de preços: Movendo-se ao longo da curva de oferta
Quando você considera a relação entre o preço e a quantidade procurada para cada valor, é crucial entender que o aumento ou a diminuição no
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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 175
preço simplesmente faz com que você se mova ao longo de toda a curva de demanda, de forma que você apenas leia o preço e a quantidade em um novo ponto na mesma curva.
Na seção anterior, mencionamos que os economistas dividem todas as variáveis que poderiam afetar a demanda em dois grupos, preços e todo o resto. Geometricamente, esta divisão é refletida no fato de que as alterações nos preços movem-se ao longo da curva de demanda, enquanto que outras variáveis se combinam para determinar exatamente onde a curva está localizada e qual o seu perfil.
A
$2.00
Figura 8-1:
A curva de
apresenta uma demanda Preço B $1.00 inclinação
descendente,
porque C $0.50
quando os D
preços caem,
as pessoas
compram mais. 5 10 15
Quantidade
Por exemplo, se as pessoas odeiam repolho, você não as encontraria comprando cinco deles ao preço de $ 2,00, como fazem no ponto A da Figura 8-1. Se as pessoas os odeiam, elas não estariam comprando nenhum, independente do preço, e a curva de demanda teria uma aparência muito diferente.
Outras alterações: Deslocando a curva de demanda
Como outros fatores além dos preços determinam a localização e a forma da curva de demanda, se qualquer desses fatores mudar, a curva de demanda desloca sua localização.
Por exemplo, suponha que um estudo da secretaria da saúde divulgue que o repolho torna as pessoas realmente atraentes para os membros do sexo oposto. Naturalmente, a notícia aumentaria a demanda por repolhos, a qualquer preço. Usando nossos gráficos, o efeito irá deslocar a curva de demanda para a direita. Ilustramos esse efeito na Figura 8-2, onde o ponto D indica a curva de demanda, antes de o estudo ser anunciado, e a curva de demanda após o estudo ser anunciado, esta rotulada como D’.
Sempre que uma curva de demanda se desloca, os economistas dizem que houve uma mudança na demanda. Neste caso, você pode dizer que a demanda aumentou, ao passo que se a curva tivesse se deslocado para a esquerda você diria que a demanda diminuiu.
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Certificando-nos que esta descrição dos movimentos está clara, as quantidades de demanda aumentam ou diminuem enquanto os preços forem mantidos constantes. Precisamos enfatizar este ponto: você tem que distinguir entre as mudanças nas quantidades demandadas que ocorrem, porque os preços mudam (os movimentos dados ao longo de uma determinada curva) e as alterações nas quantidades demandadas ocorrem porque algo, além dos preços, mudou (os deslocamentos da curva inteira).
A A’
$2.00
Preço
Figura 8-2: B B’
$1.00
Um aumento
na procura
deslocamento causa um C C’ $0.50 D’ à direita da D
curva de
demanda, de D para 5 10 15 20 25 D’.
Quantidade
Para ver a diferença, compare o ponto A e o ponto A’, na Figura 8-2. Ambos os pontos dividem o mesmo preço de $ 2,00 por repolho, mas graças ao estudo governamental recentemente divulgado, as pessoas agora procuram por 15 repolhos àquele preço (no ponto A’) ao invés de 5 repolhos àquele preço (no ponto A). Uma vez que o preço é o mesmo para os dois pontos, você sabe que a mudança na quantidade demandada foi causada por alguma outra coisa além do preço. Semelhantemente, você pode observar o que acontece com a quantidade demandada enquanto o preço é mantido constante em $ 1,00: ela aumenta de 8 antes do estudo, para 18 após a divulgação do mesmo; movendo do ponto B para o ponto B’.
Lembre-se que qualquer outra coisa além do preço que afete a quantidade de demanda desloca a curva de demanda. Em nosso exemplo, a divulgação de uma pesquisa positiva causou uma maior procura por repolhos. Mas muitos outros fatores poderiam influenciar a demanda das pessoas, inclusive mudanças em sua receita ou riqueza e mudanças em seus gostos e preferências. Toda vez que qualquer desses fatores se alteram, a curva de demanda se desloca, tanto para a esquerda como para a direita.
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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 177
Custo de oportunidade: Determinando a
vertente da curva de demanda
As vertentes das curvas de demanda dependem de como as pessoas observam as escolhas que as mudanças de preços as forçam a fazer. Por exemplo, imagine que o preço de uma mercadoria que você compra com frequência, baixe de $ 10,00 para $ 9,00. Qual a sua atitude? Bem, isso depende de como você se sente sobre o bem em questão em relação a outros bens, nos quais poderia gastar o seu dinheiro:
✓ Você pode comprar muito mais da mercadoria em questão, porque
unidades extras dela trazem mais felicidade e, consequentemente, você
fica grato por ser capaz de comprá-las por $ 9,00 em vez de $ 10,00.
✓ Você pode mal aumentar sua compra porque, ao mesmo tempo
em que é bom poder comprar a mercadoria por $ 9,00 em vez de $
10,00, unidades extras não o deixam mais feliz. Em tais situações, a
melhor coisa sobre o corte de preços é que ele libera o dinheiro para
a compra de outras coisas.
Em termos de curvas de demanda, estas reações diferentes conduzem a vertentes diferentes. A pessoa que compra em demasia quando o preço cai possui uma curva de demanda sem expressão, enquanto que a pessoa cujas compras são feitas regularmente quando os preços baixam, tem uma curva de demanda acentuada.
PLO Para tornar este discurso mais completo, considere a Figura 8-3, onde
EX mostramos duas curvas de demanda separadas em dois gráficos. O gráfico EM
à esquerda, representa a sua demanda por sorvetes de limão. O gráfico, a direita, representa a demanda de seu colega.
B B’
$2 $2
Preço Price A A’ $1 $1
Figura 8-3:
Duas curvas
de demanda 5 6 10 5 10 15
por sorvetes Quantidade Quantidade
de limão. (Sua demanda) (Demanda de seu colega)
Note que a sua curva de demanda tem uma vertente acentuada, enquanto que a do seu amigo tem uma vertente pouco significativa. A diferença é completamente o resultado das diferenças com a qual reagimos às mudanças
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nos preços. Você pode ver isto comparando sua quantidade demandada no ponto A com a quantidade demandada no ponto B. Mesmo que o preço dobre de $ 1,00 para $ 2,00 por deliciosos sorvetes de limão, sua quantidade demandada cai apenas de seis para cinco saquinhos. Em contrapartida, quando o preço duplica de $ 1,00 para $ 2,00, a quantidade demandada do seu amigo cai imensamente de quinze para apenas cinco sacos.
Falando francamente, isto significa que seu amigo é muito menos ligado a sorvetes do que você. Quando você vê o preço dobrar, sua quantidade demandada quase não se reduz, significando que você está disposto a desistir de uma série de outras coisas, nas quais poderia ter gasto seu dinheiro, para poder continuar comprando quase a mesma quantidade de sorvetes de antes.
Seu amigo, por outro lado, reage muito diferentemente. Embora ele inicialmente compre mais sorvetes do que você quando o preço é de apenas um real, o dobro do valor faz com que ele corte a compra para dez saquinhos apenas. Quando o preço dobra, ele decide que é melhor cortar a compra, para gastar seu dinheiro em alguma coisa melhor. Em bom português, ele não é tão louco por sorvetes quanto você.
Definindo a elasticidade da demanda
CEIT O-CH A VE Os economistas pegaram emprestado a palavra elasticidade para descrever
ON como a mudança em uma variável afeta outra variável. Quando eles dizem C elasticidade de demanda, se referem a um conceito chamado de elasticidade-
preço da demanda – quanto a quantidade de demanda muda quando os preços se alteram. Na Figura 8-3, sua curva de demanda tem bem menos elasticidade do que a do seu amigo, porque a mesma alteração no preço faz com que a sua quantidade demandada caia muito menos que a dele.
Casos extremos de elasticidade de demanda são ilustrados na Figura 8-4, usando duas curvas de demanda, a primeira começa perfeitamente vertical e a segunda começa perfeitamente horizontal.
A curva de demanda vertical, D, é perfeitamente inflexível, porque exatamente Q unidades são demandadas, sem importar o preço. Você pode estar se perguntando que tipo de mercadoria teria tal curva de demanda e uma responda é: remédios capazes de salvar a vida. Se você precisa de exatamente Q unidades para continuar vivendo, certamente pagará por isso, qualquer que seja o preço. O pagamento do resgate após um sequestro também é perfeitamente inelástico, porque as pessoas estão dispostas a pagar qualquer preço para ter de volta um ente querido. Na verdade, qualquer bem tem uma curva assim quando sua avaliação pelo bem for tão extrema que estaria disposto a pagar qualquer coisa por ele.
Por outro lado, a curva de demanda horizontal, D’, é perfeitamente flexível. Para entender este nome, tente imaginar uma curva de demanda gradualmente inclinada, que é quase — mas não totalmente — horizontal. Em tal curva de demanda, superficialmente inclinada, até mesmo uma pequena alteração nos
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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 179
preços causa uma grande mudança na quantidade demandada. Na verdade, quanto mais estimulada a curva de demanda se torna, maior é a alteração na quantidade demandada para qualquer preço dado. Por exemplo, olhe a Figura 8-3 mais uma vez. Compare como a mudança de $ 1,00 no preço dos sorvetes causa uma mudança muito maior na quantidade demandada por seu amigo do que na sua curva de demanda inclinada.
D
P’ D’
Preço Preço
Figura 8-4:
Dois casos
extremos de
elasticidade Q Quantidade
de demanda. Quantidade
Você pode imaginar uma curva de demanda perfeitamente horizontal como sendo o mais extremo caso deste fenômeno, de modo que até a mínima variação nos preços faz brotar uma mudança bastante grande na quantidade demandada. Isto é, quando os preços estiverem acima de P’ à direita no gráfico da Figura 8-4, você não compra nada, ao passo que, se os preços estiverem em P’ ou um centavo menor, você compra muito mais.
PLO Suponha que você trabalhe para uma grande cadeia de restaurantes e
EX precisa comprar toneladas de EMketchup. Suas escolhas são a marca X e
a marca Y, mas como têm exatamente o mesmo gosto, a única coisa que importa é o preço. Por conseguinte, quando o preço da marca X está mesmo que ligeiramente menor que o da marca Y, você comprará toneladas da marca X e nada da marca Y. Se o preço da marca X for ligeiramente superior ao da marca Y, você comprará toneladas de Y e nenhum de X. Ou colocado de outra forma, quando a marca X for facilmente substituível pela marca Y, a demanda pela marca X tende na direção de ser perfeitamente elástico também.
Neste caso, quando você está do lado do mercado que fornece, uma coisa interessante ocorre: se você tem ciência da elasticidade, pode dizer quando é sábio aumentar os preços. Lembre-se que a curva da demanda mapeia um preço a uma quantidade. Multiplique esse preço por essa quantidade e terá a renda que pode ter por um produto sendo comprado àquele preço. O resultado é a área de um quadro desenhado entre as curvas de demanda e o preço e quantidade.
Agora, se mudar o preço de um bem, você obtém outro quadro com uma área igual à renda a ser feita pela venda ao novo preço. Você pode comparar o tamanho dos dois quadros para dizer se está melhor ao preço mais alto ou mais baixo (contanto que as demais coisas permaneçam constantes, claro).
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Curvas de demanda perfeitamente flexíveis ou perfeitamente inflexíveis não são normais. Quase todas as curvas de demanda inclinam-se descendente, o que significa que mudanças de preços moderadas geram mudanças nas quantidades demandadas. No capítulo 9, explicaremos por que isto ocorre, observando a forma com que os consumidores fazem suas escolhas entre as diferentes mercadorias, de modo a maximizar a felicidade que eles obtêm gastando seus limitados recursos. Mas antes, vamos apresentar-lhe à parceira de crime da curva de demanda: a curva de oferta.
Escolhendo a Oferta
CEIT O-CH A VE Agora vamos ver como os economistas visualizam a oferta de bens e
ON serviços. O principal conceito subjacente é que o fornecimento de coisas C é caro. Como qualquer proprietário de um negócio sabe, é preciso pagar
pessoas para fornecerem aquilo que desejamos. Ainda mais interessante é o fato de que quanto mais você deseja que eles lhe forneçam, maiores são os custos deles para o fornecimento de cada unidade adicional. No capítulo 10, explicaremos por que isto é verdadeiro.
Como o custo da produção aumenta conforme sua produtividade é maior, se quiser que os produtores fabriquem mais e mais, você terá que pagá-los mais e mais. Este fato implica numa curva de oferta com inclinação ascendente.
Gráfico da curva de oferta
EXEM PLO Vamos usar os repolhos como exemplo mais uma vez. Imagine que um
fazendeiro chamado Babbage goste de cultivar repolhos. Na Figura 8-5, fizemos o gráfico da oferta de repolhos e o chamamos de S.
S
$1.50 C
Figura 8-5: Preço $1.00 B
As curvas de
oferta têm uma
inclinação $0.50 A
ascendente
em razão do
aumento nos
custos de 5 10 15 produção. Quantidade
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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 181
O eixo horizontal exibe o número da oferta de repolhos, enquanto que o eixo vertical exibe o preço por repolho que você tem que pagar para conseguir que o senhor Babbage lhe forneça qualquer número de repolhos. Assim, o ponto A indica que você tem que pagar ao senhor Babbage 50 centavos por repolho, se quiser que ele lhe forneça cinco repolhos.
Como os custos de produção do senhor Babbage aumentam à medida que ele tenta cultivar mais e mais repolhos, você tem que pagar a ele $1,00 por repolho, se quiser que ele produza dez repolhos, como mostrado no ponto B. E terá que pagar $1,50 por repolho se quiser que ele lhe forneça 15 repolhos, como mostrado no ponto C.
CEIT O-CH A VE Tenha em mente que os pontos na curva de oferta não representam os preços
ON que o senhor Babbage deseja receber por qualquer quantidade de repolhos C — obviamente, ele quer receber o máximo possível por cada uma delas. Ao
contrário, o que cada real representa na curva de oferta é o valor mínimo que você poderia pagar e ainda conseguir que ele produza a quantidade necessária. No ponto A, você pode conseguir que ele produza cinco repolhos se pagar $ 0,50 por unidade; se lhe oferecer $ 0,49 por unidade, ele recusará. Por quê? Porque ele tem custos (como fertilizantes, mão de obra, tratores, e outras coisas que agricultores precisam comprar), e só consegue cobri-los cobrando 50 centavos por repolho e não com 49 centavos por unidade.
Separando preço de venda de custo de produção
Da mesma forma como ocorre com as curvas de demanda, os economistas dividem todas as coisas que podem afetar a quantidade fornecida em dois grupos: o preço e todo o resto. As coisas que estão incluídas em todo o resto, dizem respeito aos custos de fornecimento do bem em questão.
Ao observar uma curva de oferta específica, você deve imaginar que ela deriva de uma tecnologia de produção especial usada pelo fornecedor (quando um economista diz uma tecnologia, ele quer dizer uma forma em particular de combinar entradas para gerar saídas). Como cada tecnologia possível cria sua própria relação entre os níveis de produtividade e os custos, algumas tecnologias dão origem a curvas de oferta com forte inclinação, enquanto outras geram curvas de oferta bastante planas. Consulte o capítulo 10 para todos os detalhes sobre as curvas de oferta das empresas.
Não obstante a forma de inclinação da curva ou de onde ela está posicionada, o fato de que os custos aumentam à medida que a produtividade aumenta, significa que você precisa oferecer um preço alto ao fornecedor se quiser obter mais unidades. E é basicamente por esse motivo que os preços se movem ao longo da curva de oferta. As próximas duas seções explicam essas ideias com mais detalhes.
Alterações de preços: Movendo-se ao longo da curva de oferta
Variar o preço de um item move você ao longo de uma determinada curva de oferta, porque a curva de oferta representa o pagamento mínimo que você precisa fazer ao fornecedor para que ele forneça a quantidade de produtos que você deseja.
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PLO Para ver como isto funciona, vamos tomar o exemplo dos repolhos
EX novamente. Considere o que acontece se você oferecer ao senhor Babbage EM
$ 1,00 por repolho e deixá-lo escolher quantos repolhos ele quer produzir. De acordo com a curva de oferta do senhor Babbage na Figura 8-5, ele deseja produzir exatamente dez repolhos e nada mais, porque para os repolhos de um até nove, o custo de produção é menor do que o valor que você o está pagando. Por exemplo, considere o ponto A na Figura 8-5. No ponto A, os custos de produção do Sr. Babbage são de 50 centavos por repolho. Isto significa que se você pagar a ele $ 1,00 por repolho, ele terá um bom lucro. Da mesma forma, porque seu custo para produzir seis repolhos também é menor que $ 1,00 por unidade, ele produzirá a sexta unidade. O mesmo vale para os repolhos de números sete, oito e nove.
No repolho de número dez, o senhor Babbage está desinteressado, porque seu custo por repolho é de $ 1,00 e você está oferecendo $ 1,00 a ele. O Sr. Baggage irá fornecer somente até este ponto. Mas repare que o senhor Babbage não produziria no ponto C se você estivesse oferecendo a ele apenas $ 1,00 por repolho, porque seu custo de produção no ponto C é de $ 2,00 por repolho e ele perderia dinheiro.
Portanto, pense na curva de oferta, e como ela responde as alterações nos preços. Os fornecedores observam os preços que estão sendo oferecidos e produzem tantas unidades quantas forem rentáveis, mas nada além. Porque os custos sobem a cada unidade adicional produzida, a única forma de conseguir que os fornecedores produzam mais é oferecendo a eles preços mais altos. Por esse motivo, aumentar ou diminuir os preços faz com que você se desloque ao longo da curva de oferta, conforme as quantidades oferecidas pelos fornecedores respondem a mudança de preços.
Alterações nos custos: Deslocando a curva de oferta
Como uma estrutura de custos do fornecedor determina onde sua curva de oferta está localizada e como ela se inclina, as mudanças na estrutura dos custos causam alterações na curva de oferta. Na Figura 8-6, os custos de produção do senhor Babbage aumentam, porque o governo impos a nova lei de agricultura orgânica, na qual exige-se que ele produza repolhos sem utilizar pesticidas. Em resposta, ele precisa contratar muitos trabalhadores extras para matar as pragas com pinças em vez de, simplesmente, pulverizar produtos químicos mais baratos.
Uma vez que seus custos de produção aumentam, o mínimo que você vai pagar para que ele produza qualquer quantidade solicitada de produtos também aumentará. Por conseguinte, sua curva de oferta pode ser entendida como um deslocamento vertical ascendente, de S para S . 0 1
Desenhamos a mudança na Figura 8-6 para mostrar que os custos de produção do senhor Babbage são 50 centavos mais elevados para cada repolho, não importa quantos repolhos são produzidos. Compare os pontos A e A’. Antes das novas regulamentações ambientais, o senhor Babbage produziria cinco repolhos se você pagasse 50 centavos por unidade. Após a mudança política, você precisa pagar $ 1,00 para cada repolho, se quiser que ele cultive cinco repolhos.
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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 183
Da mesma forma, os pontos B e B’ mostram que, antes da regulamentação, ele poderia cultivar seus dez repolhos se você oferecesse a ele $ 1,00 por unidade. Agora, você precisa oferecer $ 1,50 por repolho, se quiser que ele cultive dez.
Curva de Oferta após
Aumento de Custos de Produção, S1
C’
$2.00
Curva de Oferta Original, S0
B’
$1.50
C
Preço A’
$1.00
B
Figura 8-6:
nos custos Aumento A $0.50
de produção
desloca a
curva de 5 10 15
oferta. Quantidade
É importante lembrar que qualquer coisa que altere as estruturas dos custos de produção também alterará a curva de oferta. Elementos que encarecem os custos de produção farão a curva de oferta se deslocar para cima, enquanto que elementos que baixam os custos de produção, farão a curva de oferta se deslocar para baixo.
Tenha em mente que é perfeitamente verdadeiro pensar que as curvas de oferta se movem para a direita e esquerda quando a estrutura de custos se desloca. Por exemplo, considere a quantidade fornecida ao preço de $ 1,00, antes e depois do aumento de custos. Antes do aumento, o senhor Babbage estava disposto a lhe fornecer dez repolhos por $ 1,00 cada, colocando-o no ponto B da curva de oferta original. Mas, após o aumento nos custos, ele fornecerá apenas cinco repolhos por $ 1,00 cada, colocando você no ponto A’, no deslocamento da curva de oferta. Da mesma forma, ao preço de $ 1,50 por repolho, o senhor Babbage estava disposto a fornecer quinze unidades (ponto C), entretanto, depois do aumento nos custos, ele fornecerá apenas 10 repolhos a este preço (ponto B’).
É perfeitamente possível dizer que a curva de oferta deslocou-se à esquerda quando os custos aumentaram. E você pode, rapidamente, supor que uma diminuição nos custos deslocaria a curva à direita (e você estará certo).
Ter duas formas para interpretar os deslocamentos da curva de oferta é realmente muito útil. Em algumas situações, é mais fácil imaginar os deslocamentos tanto à direita quanto à esquerda, enquanto que em outras, é mais fácil imaginá-las para cima ou para baixo.
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Compreendendo casos extremos de oferta
Duas curvas de oferta extremas nos ajudam a ilustrar como os custos de produção e os preços se combinam para determinar a quantidade que será fornecida a um determinado valor. Estes dois casos são mostrados na Figura 8-7.
O gráfico a esquerda mostra uma curva de oferta vertical e ilustra o que os economistas chamam de oferta perfeitamente não flexível ou inflexível. O gráfico a direita mostra uma curva de oferta horizontal, e ilustra o que os economistas chamam de oferta perfeitamente flexível. Falaremos mais sobre estas duas curvas nas próximas duas seções.
Pagando qualquer preço: Oferta perfeitamente não flexível
O gráfico a esquerda da Figura 8-7 ilustra uma situação na qual o preço tem um efeito sobre a quantidade fornecida. Como você pode ver no gráfico, não importa quão baixo ou alto o preço está, a quantidade Q é fornecida. Como a quantidade fornecida é totalmente indiferente ao preço, os economistas chamam essa situação de perfeitamente inflexível, e situações de oferta que se parecem com esta são geralmente referidas como situações de oferta perfeitamente inflexíveis.
S
P’ S’
Preço Preço
Figura 8-7:
Curvas
extremas. de oferta Q Quantidade
Quantidade
DO Esperamos que você esteja curioso para saber quais as coisas que curvas REAL
M de oferta perfeitamente inflexíveis têm. A resposta é: coisas únicas, que não UN
podem ser reproduzidas. Os exemplos incluem:
✓ Diamante Hope: Porque ele é o único de sua espécie, não importa o
quanto alguém queira pagar, sua curva de oferta será sempre vertical.
✓ Terra: Como disse o comediante Will Rogers no inicio do século XX:
“Compre terra. Não tem ninguém produzindo mais dela.”.
✓ O espectro eletromagnético: Há apenas um conjunto de
frequências de rádio, que todos temos que partilhar, porque não há
nenhuma maneira de fazer mais.
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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 185
Um fato interessante sobre todas essas situações é que não há custo de produção envolvido. Por isso, oferecer ao possuidor um preço não é incentivo, do mesmo modo que é quando você paga para um produtor o suficiente para que ele faça algo para você. Pelo contrário, o preço serve apenas para transferir o direito de propriedade e uso de uma pessoa para outra.
DO REAL Um bom exemplo deste contexto é o leilão do espectro para telefones
UN celulares, que rendeu ao governo inglês 22 bilhões de libras em 2000. Como M a oferta do espectro é fixa e controlada pelo governo, por força da lei e
convenção, eles puderam fazer um leilão e receber altos valores por ele. Redes de celulares compraram a preços altos, por que não existem outros meios para suprir o espectro.
Produzindo quanto você deseja: Oferta perfeitamente flexível
O gráfico à direita na Figura 8-7 ilustra o caso completamente inverso, onde a curva de oferta é perfeitamente horizontal. A ideia aqui é que o fornecedor está produzindo algo que não tem aumento no custo de produção. Qualquer que seja a quantidade de unidades que se queira produzir, o custo delas será de apenas P’ reais para uma unidade. Consequentemente, quer você queira apenas uma unidade ou um zilhão de unidades, o custo por unidade será sempre de P’ reais.