Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
Continue comprando menos cerveja e mais pizza até chegar à combinação de quatro pedaços de pizza e três cervejas. Isto é, reajuste meus gastos até que a utilidade marginal de ambas, cerveja e pizza, sejam iguais, como na equação (1).
A mesma regra se aplica se você começar a gastar todo seu dinheiro em pizza. Se comprar dez pedaços, você pode observar na Tabela 9-2 que a utilidade marginal do décimo pedaço é, na realidade, -4 útils. Entretanto, a utilidade marginal em cerveja é 10. Você deve claramente tirar o dinheiro da pizza e usá-lo para aumentar a compra de cerveja.
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Inflação e alocação no mundo real
Uma coisa interessante ao olhar para a Mas, no Capítulo 5, explicamos os grandes equação (1) ou a equação (3) neste ca- horrores da inflação. Estes horrores são pítulo, é que, se todos os preços nos de- causados pelo fato de que você nunca vê, nominadores forem repentinamente au- na vida real, uma inflação perfeita como mentados pelo mesmo múltiplo, todas as aquela que descrevemos, na qual os preços igualdades permaneceriam intactas, sig- de todos os bens e serviços sobem exata-nificando que as pessoas ainda poderiam mente o mesmo valor e ao mesmo tempo.
se repentinamente houvesse uma inflação ços de diferentes bens e serviços sobem a taxas diferentes, assim, as frações nas que dobrasse os preços, as pessoas ainda equações (1) e (3) ficam completamente escolheriam comprar exatamente as mes-de todos os produtos. Em outras palavras, Em vez disso, o que acontece é que os pre-escolher comprar as mesmas quantidades
mas quantidades de todas as coisas, como mudam em valores diferentes. Quando isto irregulares, porque seus denominadores faziam antes. acontece, as pessoas começam a mudar As pessoas sentem que, pela lógica, se suas quantidades de demanda drastica-sua receita dobrasse ao mesmo tempo mente, numa tentativa de restabelecer a em que os preços de tudo que se compra igualdade entre toda sua utilidade marginal dobra, nada realmente mudaria. Você ain- por real. Quando elas fazem isto, o resulta-da pode comprar exatamente as mesmas do é o caos; algumas empresas percebem, quantidades de bens e serviços como repentinamente, que a demanda de seus costumava antes da inflação. E, uma vez produtos está caindo, enquanto que outras que aquelas quantidades eram as que descobrem que ela está subindo.
ainda a estarão maximizando agora. Como Assim, não deixe que as equações (1) e (3) maximizaram a sua utilidade antes, elas
resultado, você pode, erroneamente, con- façam você pensar que a inflação não im-porta no mundo real. Ela, de fato, importa. cluir que a inflação não importa.
Aplicando a fórmula para multiplicar bens e serviços
Você quer lembrar a regra representada na equação (1). Ela diz simplesmente que, para maximizar a utilidade total, você deve reorganizar as suas compras, a fim de que para as unidades finais de cada produto, as utilidades marginais sejam iguais. Se isso não for verdade, um dos produtos oferece a você uma quantidade maior de felicidade para cada unidade gasta, o que significa que você irá reorganizar suas compras, de modo a gastar mais dinheiro naquele produto. Apenas quando a equação (1) se sustentar você não irá querer reorganizar mais, porque nenhum produto lhe oferece mais felicidade do que outro.
A equação (1) também pode ser generalizada para ser aplicada a muitos produtos. Por exemplo, no caso de três bens, você organizaria sua compra, de modo a incluir uma ultima unidade de cada um dos três produtos X, Y e Z:
MU = MU = MU (3) x y z P P P x yz
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Se qualquer um dos três produtos tiver uma utilidade marginal maior que os outros, você irá reorganizar as compras para comprar menos dos outros e mais daquele. E você continua reorganizando até que a equação (3) seja verdadeira.
Para manter as coisas bem simples (por que a vida já é bem complicada sem economistas para piorá-la), nós geralmente tratamos o exemplo como sendo aplicável para dois bens, X e Y. Se quisermos lidar com uma multiplicidade de bens nos quais temos interesse de compra, tratamos como produto X e todo o resto.
Derivando Curvas de Demanda da
Utilidade Marginal Reduzida
CEIT O-CH A VE A utilidade marginal reduzida é uma das razões para a curva de demanda
ON de inclinação decrescer. Você pode ver um exemplo disso na Figura C 9-2, onde é visível que a utilidade marginal que vem com cada pedaço
sucessivo de pizza diminui. Se o seu objetivo for usar seu dinheiro para comprar utilidades tanto quanto possível, de forma a ficar tão feliz quanto possível, você estaria disposto a pagar cada vez menos em cada pedaço de pizza, já que cada pedaço sucessivo lhe traz menos utilidade do que o anterior.
Entretanto, a Figura 9-2 não é uma curva de demanda, por duas razões:
✓ Ela não leva em consideração o efeito dos preços sobre a quantidade
demandada.
✓ Ela contempla apenas um produto isolado, enquanto que a
quantidade demandada de um produto é determinada ao encontrar-
se a solução para o problema mais geral de alocação para um
orçamento limitado, entre todos os produtos disponíveis, de modo a
maximizar a utilidade total.
Em outras palavras, você não pode olhar para cada produto
isoladamente. O quanto dele você deseja comprar depende não apenas
do preço, mas também do preço de todo o resto e como suas utilidades
marginais variam quando você compra mais ou menos deles.
Observando como alterações de preços
afetam as quantidades demandadas
PLO No exemplo que estamos usando neste capítulo, você tem que decidir
EX como gastar melhor seus EM$ 10,00 quando as escolhas são pedaços de pizza
ou garrafas de cerveja. Vamos fazer agora uma mudança no exemplo: vamos dizer que a pizza custe agora $ 2,00 por pedaço, em vez de $ 1,00. O que queremos mostrar é que a mudança de preço afeta a quantidade demandada, tanto da pizza quanto da cerveja.
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As mudanças nas quantidades demandadas resultam do fato do novo e alto preço da pizza reduzir sua utilidade marginal. Dobrar o preço da pizza significa que a utilidade marginal por unidade gasta em cada pedaço é exatamente metade do que era antes. Você pode ver isso ao comparar a quarta e a quinta colunas da Tabela 9-2. Como o aumento no preço diminui a utilidade marginal que cada unidade gasta em pizza compra, naturalmente, esta nova circunstancia irá afetar onde você gasto seu orçamento limitado a $ 10,00.
Como você deve esperar, o preço mais alto o levará a comer menos pizza e beber mais cerveja. Você pode provar isto por si mesmo gastando, por fim, cada uma de suas moedas, para que compre qualquer produto que tiver a maior utilidade marginal (a seção “Alocando dinheiro entre dois produtos para maximizar a utilidade total”, vista anteriormente neste capítulo, o conduzirá neste processo. Os resultados estão resumidos na Tabela 9-5).
Tabela 9-5 Como Gasto Meu Orçamento da Melhor
Maneira Quando o Preço da Pizza é de $ 2
Unidade de Melhor Escolha MU
moeda
1 Pizza 10
2 Cerveja 10
3 Cerveja 10
4 Cerveja 9
5 Cerveja 8
6 Pizza 8
7 Cerveja 8
8 Cerveja 8
9 Cerveja 8
10 Cerveja 8
Total de útils 90
Ao comparar a Tabela 9-5, com a Tabela 9-4, você pode ver que o aumento no preço da pizza de $ 1,00 para $ 2,00, reduziu a quantidade demandada de pizza, embora, uma vez que você não pode dividir pedaços ou garrafas neste modelo, ela ainda não afetou a quantidade demandada de cerveja. Agora você só pode bancar dois pedaços de pizza e três garrafas de cerveja. Se aumentássemos ainda mais o preço da pizza, você rearranjaria de forma a comprar apenas um pedaço de pizza e quatro garrafas de cerveja. Ao preço de $3,00 por pedaço, você estaria completamente fora do mercado de pizza, já que a utilidade obtida pelo gasto de seus $10,00 em cinco garrafas de cerveja seria maior do que a utilidade obtida por comer pizza. Em outras palavras, você a substituiria em direção ao bem mais em conta, a fim de obter o máximo de utilidade possível em geral. Os economistas chamam isso de efeito de substituição à mudança de preço.
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Para entender o motivo, pense no assunto da seguinte maneira. Nós lhe demos uma escolha de duas coisas para gastar seu dinheiro, e uma vez que você optou por selecionar suas compras de forma a obter o máximo de utilidade possível delas, você irá favorecer o bem que lhe trará maior retorno em termos de maximização de utilidade. Então, quando o preço de um produto sobe e você obtém menos utilidade pela compra, você o substituirá pelo bem que o favorecer mais.
CEIT O-CH A VE O aumento no preço da pizza também o deixou mais pobre no único
ON sentido que realmente importa: você está menos feliz. Devido ao aumento C de preço, o numero total de útils que pode comprar com seus $ 10,00
de orçamento, cai de 112 para apenas 86. Apesar de reorganizar as quantidades de consumo de cerveja e pizza, para tirar o maior proveito possível da nova situação, no geral, o aumento de preços ainda dói. Isso é chamado de efeito-renda.
Colocando em gráfico as mudanças de
preço e quantidade para formar uma
curva de demanda
Você pode usar as informações sobre como sua quantidade demandada mudou quando os preços subiram para colocar em gráfico dois pontos de sua curva de demanda para pizza: quatro pedaços demandados ao preço de $ 1,00 e dois pedaços demandados ao preço de $ 2,00. Na Figura 9-3, representamos graficamente esses dois pontos e esboçamos o restante da curva de demanda. Ao observar a figura, tenha em mente duas coisas:
✓ A inclinação decrescente da curva de demanda de pizza deriva, em
parte, da diminuição da utilidade marginal reduzida da pizza, mas...
✓ Como o preço da pizza muda, a quantidade demandada de pizza não
muda isoladamente, ela muda como resultado da reorganização da
quantidade demandada de ambas, cerveja e pizza, para maximizar a
utilidade total.
CEIT O-CH A VE Curvas de demanda para bens individuais não são feitas isoladamente.
ON Certamente, existe uma relação entre o preço do bem e sua quantidade C demandada. Entretanto, quando o preço do bem muda, os efeitos daquela
mudança afetam todas as decisões orçamentárias — não apenas para aquele bem, mas para todos os demais. A mudança de resultado na quantidade demandada do bem é apenas parte de uma reorganização geral de gastos, que se empenha para manter a máxima utilização total, dados os novos preços.
Considere como o aumento no preço da pizza afeta a curva de demanda da cerveja. A quantidade demandada de cerveja foi de três garrafas para quatro garrafas quando o preço da pizza aumentou de $ 1,00 para $ 2,00. Mas, o preço da cerveja não mudou. O que isto significa é que a curva de demanda para a cerveja foi deslocada (como explicamos no Capítulo 8).
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£2
Preço por Fatia £1
Figura 9-3:
Curva de
demanda
para pedaços 2 4
de pizza. Quantidade
Ilustramos este deslocamento na Figura 9-4. O ponto A na curva de demanda D se desloca para se tornar o ponto A’ na curva de demanda D’. Eventos como este, em que as mudanças nos preços de um bem afetam a quantidade demandada de outro, são chamados efeitos de preços cruzados. Em contrapartida, quando uma mudança no preço de um bem afeta sua própria quantidade demandada, você tem um efeito de preço próprio. Observe que, enquanto os efeitos de preço cruzado fazem a curva de demanda se deslocar, os efeitos de preço próprio causam movimentos ao longo da curva de demanda.
D= Demanda por cerveja quando a pizza
custa $1,00 a fatia. D’=Demanda por
cerveja quando a pizza custa $3,00 a fatia
A A’
£2
Figura 9-4:
Curva de
demanda
por cerveja
desloca-se Preço por Garrafa
à direita D D’ quando
o preço
aumenta. da pizza 3 5 Nº de garrafas de cerveja compradas
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Bens complementares e bens substitutos
Algumas coisas simplesmente andam E, se o custo regular dos correios subir, juntas: filme e pipoca; hambúrgueres e mais pessoas usarão e-mails.
um desses pares, os bens em questão Ambos os bens complementares e os ketchup; sapatos e cadarços. Em cada
são mais úteis ou mais agradáveis quando substitutos são resultado dos efeitos do preço cruzado. Um aumento no preço de consumidos com o outro par. um complemento faz com que a quanti-Uma vez que cada bem complementa o ou- dade de demanda de seus pares baixe, tro, os economistas se referem a eles como enquanto que um aumento no preço de bens complementares. Uma coisa interes- um substituto faz com que a quantidade sante sobre bens complementares é que demandada de seus pares suba.
afeta o outro complemento. Por exemplo, Quando você olhar para a economia, cer-a mudança no preço de um complemento
em seu carro afeta também a demanda por acontecem de forma isolada. Quando o carros; se o preço do combustível sobe, preço de um bem muda, não afeta apenas menos carros são vendidos. aquele bem, mas também muitos outros; o preço do combustível que você coloca de conjunto orgânico, onde as coisas não tifique-se de pensar nela como um gran-Em contraste, considere os bens substitu- substitutos ou complementos. E se os pre-tos, que são bens que servem a objetivos ços dos substitutos ou complementos tam-semelhantes, de forma que se o preço de bém mudam, como resultado da mudança um subir, as pessoas procurarão outro. inicial de preços, todos os substitutos e Por exemplo, se o preço das passagens de complementos também serão afetados. É trem subirem, mais pessoas usarão carros. como um gigantesco efeito propagador.
A direção do efeito de preço cruzado depende da situação. Neste capítulo, nós permitimos que os consumidores comprem apenas dois produtos, cerveja e pizza. O resultado é que quando o preço da pizza sobe, eles alternam parte de seu poder de compra para comprar mais cerveja — ou, como dizem os economistas, eles substituem um bem por outro (veja a coluna “Bens complementares e bens substitutos”). É por isso que, quando o preço da pizza sobe, a curva de demanda por cerveja, na Figura 9-4, desloca-se a direita.
Mas, no mundo real, onde muitos outros bens de consumo estão disponíveis, a curva de demanda poderia muito bem se deslocar em outra direção. Por exemplo, algumas pessoas gostam de beber cerveja apenas quando comem pizza. Para elas, um aumento no preço da pizza pode diminuir tanto a quantidade de pizza quanto de cerveja consumidas.
Algumas pessoas pensam em cerveja e pizza como pacote. Um aumento no preço de um membro desse pacote aumenta o preço do pacote inteiro. Estas pessoas comprariam menos de cada membro do pacote para liberar dinheiro para gastar em muitos outros bens de consumo disponíveis. Para os consumidores com estas preferências, e com a opção de comprar bens além de cerveja e pizza, quando o preço da pizza sobe, a curva de demanda da cerveja se desloca para a esquerda.
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Capítulo 10
O Cerne do Capitalismo:
A Empresa de
Maximização de Lucro
Neste Capítulo
X Entenda por que as empresas escolhem maximizar os lucros
X A concorrência como um fator na mistura
X Desconstrua a estrutura de custos da empresa
X Determine o nível de produtividade da empresa que maximiza seus lucros
X Compreenda como os custos determinam a curva de oferta da empresa
X Entenda como as empresas reagem à perda de dinheiro
Nas economias de mercado modernas, como a inglesa, quase tudo o que você come, bebe, veste, dirige, monta, voa ou usa, é feito por algum tipo de empresa. Assim, naturalmente, os economistas dedicam uma enorme quantidade de esforço para estudar como as empresas se comportam.
Neste capítulo, mostramos como os economistas modelam uma empresa que é membro de um ramo de negócio competitivo; uma empresa que é apenas uma das muitas empresas concorrentes umas das outras em seus negócios. É importante entender como as empresas se comportam em ramos competitivos por duas razoes:
✓ A maioria das empresas no mundo real enfrenta muita concorrência
porque elas são membros de indústrias nas quais as empresas
podem entrar e sair relativamente ao seu próprio desejo. Portanto, as
empresas têm que se preocupar com os concorrentes que já estão na
indústria e com aqueles que podem potencialmente ingressar nela.
✓ Todas as empresas — mesmo aquelas que não enfrentam muita
concorrência — se comportam de modo muito semelhante.
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Acima de tudo, as empresas gostam de maximizar seus lucros. E, ainda mais importante, todas as empresas procuram maximizar seus lucros da mesma maneira: fabricando exatamente o nível de produção no qual o custo de uma unidade a mais seja exatamente igual ao aumento na receita que a empresa obtém ao vender aquela unidade.
Neste capítulo, nós mostramos por que as empresas se comportam dessa maneira. Conhecer os motivos ajuda a entender como todas as empresas funcionam, mesmo se enfrentam uma concorrência acirrada ou se ainda não tem rivais.
Maximizar os Lucros é o
Objetivo da Empresa
As pessoas criam empresas com a finalidade de produzirem coisas. Essa afirmação deve fazer você se perguntar uma questão fundamental: Por que as pessoas se importam em criar empresas para fabricar coisas? Uma razão poderia ser o altruísmo. Outra poderia ser que fazer coisas é divertido. Outra razão poderia ser que as pessoas que iniciam uma empresa estão saturadas de fazer outras coisas. Mas os economistas pensam que a resposta é muito mais simples.
CEIT O-CH A VE Eles supõem que o principal objetivo de todas as corporações é fazer o
ON C máximo de lucro possível. Os economistas partem deste pressuposto por
duas razões:
✓ Todas as empresas têm a maximização do lucro no topo da lista.
✓ Todas as empresas querem maximizar seus lucros, depois de
terem tomado as medidas para atingir quaisquer outros objetivos
que elas tenham.
Por exemplo, uma empresa pretende ter uma fábrica que não emita gases do efeito estufa. Contudo, depois de construir a tal fábrica, ela ainda quer ganhar tanto dinheiro quanto possível. Afinal de contas, depois de tomar as medidas necessárias para proteger o meio ambiente, por que não construir um grande e agradável lucro?
DO REAL Quando a companhia de sorvetes Ben & Jerry começou, ela doou uma
UN grande porcentagem de seus lucros para caridade. Diante de tal política, M a melhor maneira para a Ben & Jerry ajudar estas causas nobres, foi lucrar
tanto quanto possível. Na Inglaterra, a ética companhia de cosméticos The Body Shop e a fabricante de smoothie Innocent seguem um propósito social, e o fazem como empresas lucrativas.
Para colocar de forma mais clara, se você não tiver lucros em longo prazo, não terá um negócio por muito tempo. Ainda que suas metas pessoais para seu negócio não incluam torná-lo um grande fundo de aposentadoria, você terá que se preocupar com os lucros em algum nível.
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Muitos não economistas desaprovam que as pessoas e empresas alcancem lucros, mas tente pensar nisso da seguinte perspectiva: se os lucros forem medidos pelas diferenças entre benefícios (rendas) e custos, então os lucros obtidos pelo seu negócio são outra maneira de dizer que as pessoas valorizam mais o que quer que você esteja vendendo do que você valoriza o custo de produzi-lo. Fora isso, você pode obter lucros e, em vez de gastá-los no que quer que o atraia, pode reinvesti-los, criando mais coisas, de maior valor para mais pessoas, ou então gerando mais empregos. O fato é que tal qual a maior parte das coisas na economia, lucros não são uma medida moral. Você pode usar o excesso gerado de formas sábias ou imbecis. A existência do lucro é meramente uma forma de dizer que, em algum nível, as pessoas valorizaram seu empreendimento o suficiente para que você se mantenha nos negócios (voltaremos a este ponto um pouco mais adiante, quando discutirmos como as estruturas do mercado afetam a lucratividade.)
Encarando a Concorrência
As empresas podem ou não enfrentar muita concorrência de outras empresas. Em um extremo está o monopólio, em que a empresa não encontra qualquer concorrência porque é única em seu ramo de atividade. No outro extremo, está o que os economistas chamam de concorrência perfeita, uma situação na qual a empresa compete contra muitas outras empresas em um ramo de atividades em que todas produzem mercadorias iguais. E, entre os extremos existem duas situações: oligopólio, onde existem duas, três ou (no máximo) um pequeno número de empresas em um determinado ramo de atividade; e concorrência imperfeita (monopolista), em que existem muitos concorrentes, mas cada um produz mercadorias singulares – ao menos de certa forma. (Consulte os Capítulos 12 e 13 para detalhes sobre monopólios, oligopólios e concorrência monopolista.)
Neste capítulo, você descobre como as empresas se comportam sob a concorrência perfeita. Esta situação é o caso mais simples de ser entendido por que em uma indústria em que muitos concorrentes estão produzindo mercadorias idênticas, nenhuma das companhias tem qualquer controle sobre os preços que cobram.
Listando as exigências para a
concorrência perfeita
CEIT O-CHAVE Para saber por que as empresas envolvidas na concorrência perfeita não
C ON têm controle sobre os preços praticados, você precisa entender que a
concorrência perfeita pressupõe três coisas sobre as empresas dentro de um ramo de atividade:
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✓ Cada empresa é apenas uma entre muitas.
✓ Cada uma delas representa uma parte muito pequena do ramo de
atividade.
✓ Todas vendem produtos iguais ou semelhantes.
PLO No passado, as pessoas costumavam fazer suas compras nas feiras, e uma
EX feira chega perto de preencher os três critérios acima. Feirantes individuais EM
são postos juntos de forma que cada qual tenha apenas uma pequena parcela da indústria (neste caso, a feira). Esta situação significa que os feirantes individuais são tomadores de preço, ou seja, nenhum feirante pode afetar por si só o preço que os consumidores estão dispostos a pagar por seu produto. Uma bela e brilhante maçã provavelmente custará a mesma coisa, não importa de qual feirante você a esteja comprando.
Mercados de commodities também têm essa propriedade. Uma commodity é algo que tem uma qualidade definida, como um metal. Por exemplo, ou algo é ouro ou não é. Em todo o mercado de vendas não existe algo que seja “mais ouro” do que outro ouro. O ouro que é comercializado em Londres ou satisfaz a definição, ou então é algo completamente diferente.
Para ver por que estas coisas juntas significam que os mineradores individuais não têm qualquer controle sobre os preços do ouro, comece com o fato de que eles estão produzindo uma mercadoria quase idêntica. Como o ouro de uma mina é idêntico ao de qualquer outra, a única maneira que um produtor angolano tem para convencer você a comprar dele ao invés de um produtor russo, é oferecendo um preço mais baixo. Uma vez que todo o ouro é igual, tudo o que importa é o preço, isto significa que os produtores só têm os preços para competir e nada mais.
Com o preço saltando à frente como fator chave no mercado de commodity, podemos usar a análise da curva de oferta e procura para descobrir o preço. Como descrevemos no Capítulo 8, o preço é determinado onde a curva de demanda do mercado para trigo se cruza com a curva de oferta do mercado para trigo. Como estas curvas são determinadas?
✓ A curva de demanda de mercado para ouro é determinada pela
adição das curvas de demanda individuais de todas as pessoas que
desejam comprá-lo.
✓ A curva de oferta de mercado para ouro vem da adição das curvas de
oferta individuais dos produtores.
É aqui onde as duas primeiras hipóteses de concorrência perfeita entram em jogo: em razão da existência de tantos produtores de ouro, e porque cada um deles produz uma parte muito pequena de seu fornecimento total, a curva de oferta de mercado para ouro basicamente não é afetada pela presença ou ausência de uma determinada curva de oferta individual de qualquer produtor em particular. Se um trilhão de gramas de ouro forem vendidos todos os anos, os preços de mercado não serão afetados, mesmo
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se um pequeno produtor com apenas mil gramas se aborrecer e não quiser vender. Ele é apenas um pequeno jogador para causar a mudança no preço de mercado.
Se cada jogador é muito pequeno para causar mudanças nos preços de mercado, então cada um tem que tomar como dado qualquer preço gerado pela demanda de mercado interagindo com a oferta de mercado.
Atuando como seguidores do preço de
mercado e produtores de quantidade
Se as três hipóteses de concorrência perfeita são encontradas, elas produzem uma situação na qual as empresas individuais não têm controle sobre os preços que podem cobrar. De fato, sob a concorrência perfeita, as empresas são chamadas pelos economistas de seguidoras do preço.
Uma vez que você não tem controle geral dos processos de produção e nem de o quanto pode tornar seu produto distinto, até mesmo a mais poderosa empresa pode esperar controlar apenas duas coisas: quanto de seus produtos fabricar e qual preço cobrar. Uma vez que as empresas não têm controle sobre seus preços sob a concorrência perfeita, a lista se estreita para um item: a única coisa que empresas seguidoras do preço de mercado podem controlar é quanto produzir.
As empresas escolhem produzir qualquer quantidade que maximize seus lucros. Este fato é matematicamente conveniente, porque constata que a quantidade de produtos que uma empresa escolhe produzir controla as duas coisas que determinam os lucros: total de receitas e total de custos.
Para ver este fato mais claramente, você precisa saber que o lucro de uma empresa é definido simplesmente como seu total de receitas menos seu total de custos. Colocados matematicamente:
Lucro = TR - TC (1)
TR representa o total de receitas e TC representa o total de custos.
Para uma empresa competitiva, seu total de receitas é simplesmente a quantidade, q, de sua produção que ela escolhe vender, vezes o preço de mercado, p, que ela pode obter para cada unidade.
TR = p x q (2)
EX EM PLO Por exemplo, se um vendedor pode vender 37 maçãs por $ 1,00 cada, sua receita total é de $ 37,00 (sim, essas maçãs são caras, mas você entendeu
a ideia). Mas observe que o preço que cada vendedor pode vender (p) está fora do alcance, se ele é um seguidor de preço de mercado, a única maneira pela qual pode controlar sua receita total é decidindo quantas maçãs vender. Assim, uma empresa pode determinar sua receita total decidindo quão grande ou pequeno será q.
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Muito do restante deste capítulo é dedicado a mostrar que o custo total de uma empresa, TC, também é determinado pelo tamanho de sua q. Mas, o interessante é que, embora cada unidade extra de q vendida tenha importância na receita de p, o custo de cada unidade de q manufaturada depende de quantas unidades de q já foram produzidas. Os custos tendem a aumentar à medida que as empresas produzem mais e mais, dessa forma, cada unidade sucessiva custa mais que a unidade anterior. Este fato acaba limitando o número de unidades que uma empresa deseja produzir.
Por exemplo, suponha que o vendedor de maçãs possa vender tantas quanto desejar por $ 1,00 cada. A primeira maçã custa 10 centavos para produzir, a segunda custa 20 centavos, a terceira custa 30 centavos, e assim por diante. Neste caso, ele está disposto a produzir não mais que dez maçãs. Por quê? Porque para cada uma das nove primeiras, ele teria lucro, mas, para a maçã dez (que custa $ 1,00 para ser produzida), ele só iria empatar. Se produzisse qualquer outra maçã, sustentaria uma perda. A maçã de numero 11, por exemplo, custaria $ 1,10 para ser produzida, mas ele só conseguiria $ 1,00 por sua venda.
Consequentemente, você pode observar que ambos os termos, TR e TC na equação de lucro (1), são determinados pela escolha de q da empresa. A única coisa que resta para descobrir é o tamanho exato de q, de modo a maximizar os lucros. Acontece que há uma fórmula ridiculamente simples que nos dá essa solução. Preste atenção, porque você só tem a, hum, lucrar, lendo este capítulo. (Desculpe!)
Mas antes de chegar à fórmula, precisamos esclarecer uma grande fonte de confusão causada pelo fato de que, quando os economistas dizem a palavra lucro, eles querem dizer algo ligeiramente diferente do que as pessoas normais entendem.
Distinguindo entre lucro contábil
e lucro econômico
Para um economista, os termos lucros e perdas se aplicam se os ganhos decorrentes da administração dos negócios são maiores ou menores que os custos envolvidos. Se os ganhos excedem os custos, diz-se que você está tendo lucro, entretanto, se os custos excedem os ganhos, diz-se que você está tendo prejuízo. Se os dois forem absolutamente iguais, diz-se que você está no ponto de equilíbrio.
As coisas se complicam, entretanto, porque os contabilistas e os economistas concordam sobre o que conta como receita, mas discordam sobre o que conta como custos.
Levando em consideração o custo de oportunidade
PLO Considere uma empresa que vende limonada. Tanto o contabilista quanto
EX o economista concordam que as receitas da empresa são simplesmente EM
quanto dinheiro ela ganha na venda de limonada. Entretanto, eles divergem sobre o que considerar como custos:
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✓ Os contabilistas consideram custo apenas o dinheiro real gasto na gestão
do negócio: quanto a empresa paga aos funcionários, quanto ela paga
na compra dos limões e assim por diante. Se a empresa tem receita de $
10.000,00 e gasta $ 9.000,00 para compor aquela receita, os contabilistas
concluem que a empresa tem um lucro de $ 1.000,00. Este número é o
lucro contábil da empresa — o tipo de lucro que é reportado todos os
dias nas demonstrações financeiras e artigos de jornais.
✓ Os economistas preferem um conceito mais sutil, a que se referem
como lucro econômico. O lucro econômico leva em consideração
não apenas o dinheiro gasto diretamente na gestão do negocio, mas
também os custos de oportunidade incorridos.
Como explicamos no Capítulo 2, os custos de oportunidade são o que você tem de abrir mão para fazer alguma outra coisa. Pense no empreendedor que começou este negócio de limonada. Após pagar por seu material e os salários dos empregados, seu lucro contábil é de $ 1.000,00. Mas, isto é realmente um bom negócio?
Suponha que esta pessoa deixou um emprego como programador de computadores para abrir um negócio de venda de limonada e, no mesmo período de tempo que ele levou para lucrar $ 1.000,00 com o negócio de limonada, ele teria ganhado $ 10.000,00 de salário se tivesse permanecido em seu antigo emprego. Ou seja, ele abriu mão da oportunidade de ganhar $ 10.000,00 em salários para abrir um negócio que retorna apenas $ 1.000,00 em lucro contábil. Ele realmente arca com uma perda econômica de $ 9.000,00. Diante deste fato, a decisão dele de mudar de carreira não parece ter sido uma boa ideia.
Estando motivado pelo lucro econômico
Os economistas gostam de concentrar-se em lucros e perdas econômicas, em vez de lucros e perdas contábeis, porque os lucros e perdas econômicas são o que motiva as pessoas. Em nosso exemplo, você pode imaginar que, quando outros programadores observam o que aconteceu com aquele rapaz que mudou de carreira, jamais seguirão seu exemplo.
Para o restante do capítulo, sempre que você observar custos listados presuma que são custos econômicos; isto é, eles não incluem apenas o dinheiro diretamente gasto na operação do negócio, mas também os custos de oportunidades anteriores para operar o negócio. Do mesmo modo, sempre que observar um lucro ou uma perda, presuma que ele é um lucro econômico ou uma perda econômica — o fator que motiva os empreendedores a desejar fazer alguma coisa ou evitar fazê-la.
A mais importante aplicação deste conceito é determinar quanto uma empresa precisa produzir. Se produzir a décima segunda unidade de um produto gera lucro econômico, obviamente a empresa quererá produzi-la. Mas, se o aumento da produção para a décima terceira unidade causar um resultado de perda econômica, obviamente a empresa não desejará produzi-la.
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Levando em consideração os lucros e perdas econômicas, você vai diretamente ao ponto de motivação das empresas para produzir, não apenas os tipos de bens que elas escolhem produzir, mas também as quantidades de todos aqueles bens.
Analisando a Estrutura de Custos
de uma Empresa
Para entender como os custos e as receitas interagem para determinar os lucros ou perdas econômicas, os economistas gostam de fragmentar os custos totais de uma empresa em duas categorias:
✓ Custos fixos são aqueles que devem ser pagos mesmo se a empresa
não estiver produzindo nada. Por exemplo, uma vez que um contrato
de aluguel é assinado para a matriz da empresa, aquele aluguel deve
ser pago, quer a empresa produza algo ou não. Do mesmo modo,
se a empresa tomou um empréstimo, é legalmente requerido o
pagamento do débito, não importando se ela produz zero unidades de
mercadorias ou um bilhão de unidades.
✓ Custos variáveis são aqueles que variam com a quantidade de
mercadorias produzidas. Por exemplo, se você está no negócio de
fazer limonada e escolhe não produzir nada, obviamente não terá
que comprar nenhum limão. Mas quanto mais limonada produzir,
mais você gastará comprando limões. Da mesma forma, produzir
mais limonada requer mais trabalhadores, assim, os custos da mão
de obra também variam com a quantidade de mercadoria produzida.
Os custos fixos podem ser representados como FC, e custos variáveis como VC. Juntos, eles perfazem o custo total da empresa, ou TC.
TC = FC + VC (3)
Ao olhar a equação (3), tenha em mente que ela lida com os custos econômicos encarados pela empresa e, por consequência, capta os custos de oportunidades das despesas da empresa de ambos os custos; fixos e variáveis. (Todas as despesas, sejam custos fixos ou variáveis, envolvem custos de oportunidade — as outras coisas que você abre mão de comprar para gastar o dinheiro em seus custos fixos e variáveis.)
Concentrando nos custos
por unidade de produção
A razão pela qual os economistas fazem distinção entre custos fixos e custos variáveis é que eles têm efeitos muito diferentes sobre as decisões das empresas no que diz respeito a quanto produzir. Observe a Tabela 10-1, que fornece dados sobre a LemonAid Corporation, nosso produtor de limonada. Para manter a simplicidade, estamos apenas variando o montante de mão de obra na produção de uma garrafa.
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PLO Quando a LemonAid Corporation inicia suas atividades, ela compra uma
EX máquina para fazer suco de EM$ 100,00, que lhe confere o custo fixo de $ 100,00.
Em seguida, ela precisa decidir quanto produzir, o que por sua vez, determina quantos trabalhadores ela precisa contratar. Na primeira coluna, o número de trabalhadores varia de zero até oito. Se a empresa não contratar ninguém, você pode ver no topo da segunda coluna que não há produção. Mas, se ela contrata trabalhadores, a produção aumenta à medida que você desce pela segunda coluna. Mais trabalhadores significa mais produção.
Tabela 10-1 A Estrutura de Custos da LemonAid Corporation
Funcionários Pro- Custo Média Custo Média Total Média Custo
-du- Fixo de Variá-de Custo de Total Mar-ção Custo vel Variável Custos de ginal
Fixo Custos
0 0 100 --- 0 --- 100 --- ---
1 50 100 2.00 80 1.60 180 3.60 1.60
2 140 100 0.71 160 1.14 260 1.86 0.89
3 220 100 0.45 240 1.09 340 1.55 1.00
4 290 100 0.34 320 1.10 420 1.45 1.14
5 350 100 0.29 400 1.14 500 1.43 1.33
6 400 100 0.25 480 1.20 580 1.45 1.60
7 440 100 0.23 560 1.27 660 1.50 2.00
8 470 100 0.21 640 1.36 740 1.57 2.67
Estudando os retornos crescentes e decrescentes
Preste atenção ao fato de que a quantidade adicional, ou marginal, de mercadoria produzida por cada trabalhador adicional não é, entretanto, constante. Ou seja, se você passar de nenhum trabalhador para um trabalhador, a produção aumenta de nada para 50 garrafas de limonada. No entanto, quando você vai de um trabalhador para dois, a produção aumenta de 50 para 140 garrafas. Colocando em jargão econômico: a produção marginal do segundo trabalhador é de 90 garrafas, ao passo que a produção marginal do primeiro é de apenas 50 garrafas.
Agora, analise estes fatos em termos de custo e beneficio. Se você tem que pagar a cada trabalhador o mesmo salário de $ 80,00 ao dia ($ 10,00 por hora para oito horas de trabalho), irá gostar do fato de que, enquanto o primeiro trabalhador produz 50 garrafas a $ 80,00, o segundo produz 90 garrafas pelo mesmo salário.
Os economistas referem-se a situações como esta como retorno crescente, porque a quantidade de retorno que você obtém para uma determinada quantidade de entrada (um trabalhador a mais), aumenta na medida em que você adiciona sucessivas unidades de entrada. Mas se você olhar mais para baixo na segunda coluna, descobrirá que o retorno crescente não dura para sempre.
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De fato, no caso da LemonAid Corporation, o retorno crescente termina quase que imediatamente. Considere o que acontece com a produção quando você adiciona um terceiro trabalhador. A produção aumenta, mas apenas 80 unidades, de 140 para 220 garrafas. E as coisas ficam piores a cada trabalhador que você adiciona. O acréscimo do quarto trabalhador aumenta a produção em apenas 70 garrafas e, adicionar um quinto, a aumenta em apenas 60 garrafas.
Os economistas chamam as situações como esta de retorno decrescente, porque cada unidade sucessiva de entrada, como a mão de obra, traz consigo um aumento na produção menor que a unidade de entrada anterior.
Determinando a causa do retorno decrescente
Vemos mais detalhes sobre o que causa o retorno decrescente no Capítulo 3, mas explicaremos rapidamente aqui. O que está acontecendo é que a LemonAid Corporation comprou apenas uma máquina para espremer o suco dos limões.
O primeiro trabalhador pode usar a máquina, para espremer suco suficiente para 50 garrafas, carregando os limões até a máquina e, então, manuseando-a. Mas, acontece que dois trabalhadores juntos podem fazer melhor, dividindo o trabalho: um traz os limões até a máquina e o outro a opera. Trabalhando juntos, eles podem produzir um total de 140 garrafas — mais que o dobro de 50 garrafas que um trabalhador poderia produzir trabalhando sozinho.
No entanto, um terceiro trabalhador não aumenta a produção tanto quanto o segundo trabalhador, porque as duas maiores tarefas – carregar e operar – já estão sendo feitas. Na melhor das hipóteses, ele pode apenas ajudar o primeiro trabalhador a fazer aquelas tarefas mais rapidamente. O mesmo é verdadeiro para todos os trabalhadores sucessivamente: tê-los é útil, mas cada um acrescenta menos produtividade que o anterior, porque as coisas começam a ficar lotadas e não resta muito espaço para avanço.
Examinando a média de custos variáveis
Os custos variáveis são afetados pelo fato de que trabalhadores adicionais primeiro trazem retornos crescentes, mas depois, retornos decrescentes. No caso do exemplo da LemonAid Corporation, na Tabela 10-1, os custos variáveis são todos os custos trabalhistas, com cada trabalhador sendo pago a $ 80,00 por dia. Você pode ver estes custos variáveis aumentando à medida que desce a quinta coluna.
Mas o que é muito mais interessante é olhar a média de custos variáveis (AVC – average variable costs), que é definida como os custos variáveis divididos pela quantidade (VC/q). Por exemplo, uma vez que um trabalhador produz 50 garrafas de produção a um custo variável de $ 80,00, a média de custo variável é $ 80,00/50 = $ 1,60 por garrafa. Quando dois trabalhadores juntos custam $ 160,00 em custos variáveis, mas produzem 140 garrafas, a média de custo variável para os dois trabalhadores é apenas $ 160,00/$ 140,00 = $ 1.14 por garrafa.
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A diminuição na média de custos variáveis é o resultado do retorno crescente: o fato de que quando vamos de um trabalhador para dois, os custos variáveis dobram (de $ 80,00 para $ 160,00), mas a produção mais que dobra (de 50 para 140 garrafas).
Quando os retornos decrescentes se instalam, a média de custos variáveis começa a subir, o que você pode ver movendo-se para baixo na sexta coluna da Tabela 10-1. Isto acontece porque, embora cada trabalhador adicional custe um extra de $ 80,00, após o segundo trabalhador, cada qual traz um aumento menor na produção do que seu predecessor. Cada pagamento sucessivo de $ 80,00, traz consigo cada vez menos garrafas adicionais produzidas. Assim, a média de custo variável por garrafa deve subir.
A média dos custos variáveis da LemonAid Corporation aparece como uma forma sutil de U, quando ela é colocada em um gráfico, o que fazemos na Figura 10-1. Também apresentamos a média de custos fixos e a média total de custos da companhia. Tenha em mente a média da curva de custo variável, porque ela terá um grande efeito na quantidade de garrafas que os gerentes da empresa desejam produzir, de modo a maximizar os lucros da empresa.
$4.00
$3.50
$3.00
$2.50
os
$2.00
Figura 10-1: Cust ATC
Média de $1.50
custo variável, AVC $1.00 média de
e média de custo fixo $0.50 AFC
custo total da. $0.00
LemonAid. 0 100 200 300 400 500
Garrafas
Observando a média de custos fixos cair
A média dos custos fixos (AFC) é definida como os custos fixos divididos pela quantidade (FC/q). Os custos fixos da LemonAid Corporation são sempre de $ 100,00, pagos pela máquina de sucos, independente da quantidade de mercadoria produzida. Como resultado, quanto mais limonada ela produz, menor é a média de custos fixos. É por isso que a AFC cai (observe a quarta coluna na Tabela 10-1) de um valor de $ 2,00 por garrafa quando 50 garrafas são produzidas usando apenas um trabalhador, para apenas $ 0,21 por garrafa quando 470 garrafas são produzidas usando oito trabalhadores.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 227 04/05/2012 18:05:09 228 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...
CEIT O-CH A VE A média de custos fixos sempre declina, porque o mesmo custo fixo é dividido
ON por um número cada vez maior de unidades de produção na medida em que C a saída aumenta. Quando você coloca em gráfico a média de custos fixos por
garrafa, como na Figura 10-1, consegue uma curva AFC inclinada descendente. Tenha isto em mente, porque ajudará a explicar o formato da curva de média de custo total (ATC), como explicamos na próxima seção.
Rastreando o movimento da média
dos custos totais
Nas duas primeiras seções, mostramos a você que a média fixa dos custos sempre declina quando a produção aumenta, enquanto que a média dos custos variáveis, primeiro cai (devido ao aumento do retorno) e depois sobe (devido à diminuição do retorno). Uma vez que os custos totais são a soma dos custos fixos e custos variáveis, a média de custos totais, obviamente, depende de como é totalizada a média de custos fixos e a média de custos variáveis.
A média dos custos totais (ATC – average total costs) é definida como os custos totais divididos pela quantidade (TC/q). Agora, observe novamente a equação (3), anteriormente neste capítulo. Se você dividir cada termo na equação (3) por q, terá o seguinte:
TC/q =FC/q + VC/q (4)
Você pode simplificar a equação (4), percebendo que ATC = TC/q, AFC = FC/q e AVC = VC/q. O resultado é:
ATC = AFC + AVC (5)
Você pode observar, claramente na equação (5), que a média dos custos totais depende de como interagem a média de custos fixos e a média de custos variáveis. Existem dois pontos chave para serem entendidos aqui:
✓ ATC deve ser sempre maior que AVC, porque você tem que adicionar
na AFC.
✓ ATC irá atingir seu valor mínimo em um nível mais alto de
produtividade do que AVC.
Para verificar que o primeiro ponto é verdadeiro, observe a Figura 10-1, que mostra que a curva ATC está acima da curva AVC. A distância vertical entre elas, em qualquer nível particular de produção, é igual ao AFC naquele nível de produção. À medida que você passar de níveis baixos de produção para níveis mais altos, as curvas ATC e AVC irão convergir, porque AFC se tornará cada vez menor. Em outras palavras, a distância vertical entre as curvas ATC e AVC também fica cada vez menor.
Para verificar que o segundo ponto é verdadeiro, observe a Tabela 10-1 novamente. Você vera que a média de custos variáveis atinge seu valor mínimo, de $ 1,09, quando três trabalhadores são contratados e 220 garrafas produzidas. A média total dos custos, entretanto, atinge seu mínimo de $ 1,43, quando cinco trabalhadores são contratados e 350 garrafas são produzidas.
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Isso acontece por que a média de custos fixos está sempre caindo, significando que na equação (5), a parte AFC no lado direito da equação está ficando cada vez menor. Este declínio constante ajuda a equilibrar, temporariamente, os aumentos na média de custos variáveis que acontece quando o retorno decrescente começa. Consequentemente, embora a média de custos variáveis atinja o ponto mais baixo em três trabalhadores, a média de custo total não atinge o ponto mais baixo, e começa a aumentar até o quinto trabalhador.
Focando nos custos marginais
O que o gerente de uma empresa quer saber é qual a quantidade, q, de mercadoria ele tem que produzir para maximizar os lucros. Acontece que, para resolver este problema, ele precisa de mais um conceito de custo: o custo marginal.
O custo marginal é quanto o custo total aumenta, quando você produz uma unidade a mais de mercadoria. O custo marginal de uma unidade a mais de mercadoria depende de quanta mercadoria você já produziu.
Para perceber isto, examine a coluna de custo total da Tabela 10-1. Observe que o custo total aumenta de $ 100,00, na primeira linha, para $ 180,00 na segunda linha, enquanto que a produção aumenta de 0 para 50 garrafas quando a empresa contrata o primeiro trabalhador. Em outras palavras, os custos sobem $ 80,00, enquanto a produção sobe 50 garrafas. Então, cada um desses extras, mínimo de 50 garrafas em média, aumenta os custos para $ 80,00/50 = $ 1,60 cada. O custo marginal por garrafa, MC, é definido como segue:
MC = (Mudança em TC)/(Mudança em q) (6)
Quando você desce pela coluna de custos marginais da Tabela 10-1, pode ver que o custo marginal primeiro cai, para depois subir. Isto é ainda outro reflexo de que o processo de produção da LemonAid Corporation exibe um retorno crescente, seguido por um retorno decrescente. Uma vez que o segundo trabalhador produz muito mais que o primeiro, mas os custos são iguais, o custo marginal cai quando o segundo trabalhador é adicionado. Para trabalhadores sucessivos, os custos continuam aumentando, mas a produção marginal ainda declina, o que significa que os custos marginais devem subir.
Observando onde a curva MC cruza as
curvas AVC e ATC
Aqui está um fato engraçado que os economistas adoram: se você representar graficamente o custo marginal para criar uma curva de custo marginal (MC), esta curva irá cruzar tanto com a curva de média de custo variável (AVC), quanto com a curva de média de custo total (ATC), em seus pontos mínimos — que estão na parte inferior de seu contorno em forma de U (O que? Você não vê motivo para celebração? Continue lendo — talvez eu possa impulsionar seu quociente de diversão.)
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 229 04/05/2012 18:05:09 230 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...
Observe a Figura 10-2, onde desenhamos as curvas AVC, ATC, e MC, que você obtém ao traçar os dados da Tabela 10-1. A curva MC atravessa o mínimo de pontos de ambas as curvas, AVC e ATC.
£4.00
£3.50
£3.00
o MC
£2.50
Cust
£2.00
Figure 10-2: £1.50 ATC AVC
Curvas AVC, £1.00
ATC e MC £0.50
da empresa
LemonAid £0.00
Corporation. 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
Garrafas
A razão para que isto ocorra é porque o custo marginal em cada unidade determina se as curvas AVC e ATC estão aumentando ou diminuindo. Huh? Vamos tentar simplificar mudando o nosso exemplo por um momento; em vez de pensarmos a respeito de custos, vamos pensar a respeito de altura.
EXEM PLO Imagine uma sala com dez pessoas dentro. Suponha que você determinou