Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
A Figura 6-4 também tem duas curvas de demanda agregada, AD e AD , que 0 1 novamente mostra o que acontece quando a demanda agregada é reduzida, como resultado de um choque de demanda negativo. O nível inicial de produtos que a empresa produz, Y , é determinado pela intersecção da curva 0 de demanda agregada original, AD , com a curva SRAS. Em outras palavras, 0 ao nível de preços de P , as pessoas demandam produtos nível Y , e as 0 0 empresas respondem fornecendo-os.
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Supermercados e Y*
As duas mais recentes recessões nos Esta- rapidamente. O líder nesta matéria tem sido dos Unidos, em 1991 e 2001, foram muito le- o Wal-Mart, o varejista norte-americano e ves — muito mais suaves que a maioria das parente da rede britânica de supermerca-recessões anteriores – e particularmente a dos ASDA, que tem sido o sujeito de in-recessão do início dos anos 1990 foi sen- contáveis teses de estudo de escolas de tida mais fortemente em outros países negócios. O Wal-Mart desenvolveu o mais desenvolvidos como Inglaterra e Japão. O sofisticado sistema de gerenciamento de motivo exato para isso não está totalmen- estoques do setor varejista. Com sistemas te claro, mas muitos economistas tem uma informatizados, os gestores do Wal-Mart resposta interessante: gestão de inventá- podem dizer minuto a minuto o que está rio. Uma combinação de pressão compe- sendo vendido e o que não. Como resulta-titiva e progresso tecnológico capacitou do, os preços de itens de baixa movimen-os gerentes a administrarem preços mais tação são cortados muito rapidamente, de eficientemente do que faziam no passado. forma que os produtos não fiquem nas pra-Gestão de inventário significa que as lojas teleiras por semanas ou meses. Claro que normalmente têm um estoque muito menor os concorrentes do Wal-Mart rapidamente do que costumavam ter, fazem pedidos de o seguiram, e agora esses sistemas são maneira mais flexível e cobram mais apro- lugar comum dentro do gerenciamento no priadamente, o que significa que as coisas setor varejista.
não tendem a ficar sem serem vendidas por Como resultado de tal inovação, os preços tanto tempo quanto costumavam. Os esto-podem ser ajustados rapidamente para ques nas lojas costumavam ser contados equilibrar a oferta e a procura. Os preços e etiquetados à mão, geralmente uma vez agora caem muito mais depressa, para fa-por mês ou algo assim. Agora, com a apli-zer com que a economia volte à produtivi-cação de sistemas computadorizados, os dade de pleno-emprego (Y*), o que resulta gerentes podem ajustar os preços dos es-em recessões curtas e leves. toques que não foram vendidos muito mais
Quando o choque de demanda negativo acontece, ele altera a demanda agregada a esquerda para AD . Reduzir a demanda significa que no nível de 1 preços fixados, os consumidores estão desejando comprar menos produtos. Uma vez que as empresas não podem reduzir os preços, seu único recurso é reduzir a produção para se igualar à diminuição da demanda; esta redução no nível de produtividade (Y ) aparece no gráfico onde a curva SRAS cruza 1 com AD . Baixa produtividade significa que as empresas precisam de poucos 1
empregados, o que tem como consequência uma recessão. A produtividade cai e o desemprego aumenta.
Se você comparar as Figura 6-3 e 6-4, verá que a mudança de direção à esquerda na demanda agregada tem efeitos bastante diferentes a curto e longo prazos:
✓ A curto prazo, quando os preços são fixos, a produtividade cai e o
desemprego aumenta.
✓ A longo prazo, os preços caem e a produtividade retorna ao nível de
pleno-emprego.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 123
Por que a diferença tão grande entre curto e longo prazo? As empresas não estão presas para sempre aos seus catálogos originais de preços. Eventualmente, elas imprimem novos catálogos com preços mais baixos. Os baixos preços atraem os consumidores e, rapidamente, a economia pode retornar a produção ao nível de produtividade de pleno-emprego, Y*.
Colocando juntos o longo e o curto prazo
Se você compreendeu a seção anterior, aperte seu cinto, agora é um perito em ambas as respostas de longo e curto prazos para um choque econômico (Parabéns! Você deveria agendar um jantar especial para poder impressionar seus amigos!). Vamos agora compreender este assunto colocando duas respostas muito diferentes juntas em uma mesma visão abrangente.
A Figura 6-5 permite que você observe como a economia se adapta a choques de demanda negativa tanto a curto quanto a longo prazo. A economia começa no ponto A, onde a curva de demanda agregada original, AD ,cruza com ambas as curvas LRAS e SRAS. No ponto A, a 0
economia está em equilíbrio, porque no nível de preços P , a demanda 0 agregada para produção é igual ao nível de produtividade de pleno-emprego, Y*. Não há nem excedente nem escassez, que poderia causar a mudança nos preços.
CEIT O-CH A VE A curva SRAS é horizontal ao preço P para refletir o fato de que, após a 0
C ON economia atingir seu equilíbrio (onde AD cruza LRAS em produtividade 0
nível Y*), os preços que são determinados naquele nível são fixados a curto prazo; eles não podem mudar imediatamente, mesmo se um choque de demanda acontecer .
P
LRAS
P A 0 SRAS B
Figura 6-5:
Respostas de C
curto prazo
e de longo
prazo para
de demanda um choque AD1 AD0
negativa. Low Y Y* Y
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Por exemplo, suponha que a curva de demanda agregada se desloca a esquerda de AD para AD devido a um choque de demanda negativa de 0 1
algum tipo. Como os preços são fixados a curto prazo em P , a primeira 0 resposta da economia será mover-se do ponto A para o ponto B. Em outras palavras, em razão de os preços estarem fixos, a produção cai de Y* para Ybaixo , na medida em que as empresas respondem à diminuição da demanda pelo corte de produção. As setas pequenas indicam o movimento da economia do ponto A para o ponto B.
No ponto B, a economia está operando abaixo do pleno-emprego, o que implica que há muitos trabalhadores desempregados. Este alto nível de desemprego causa queda salarial. Conforme os salários caem, os custos das empresas também caem, permitindo que elas cortem preços de modo a atrair mais consumidores.
A queda de preços causa um aumento na demanda agregada para bens e serviços, que eventualmente moverá a economia ao longo do ponto B para o ponto C (este movimento é indicado pelas setas no gráfico). Quando a economia atinge o ponto C, ela está, mais uma vez, produzindo a pleno-emprego, Y*.
A curto e a longo prazo, os efeitos de um choque de demanda negativa são basicamente totalmente opostos:
✓ A curto prazo, os preços são fixados enquanto que a produtividade
diminui.
✓ A longo prazo, os preços diminuem enquanto que a produtividade
retorna a Y*.
Se os preços não permanecerem fixos por muito tempo, a economia pode se mover rapidamente de A para B para C. Mas se os preços se ajustarem lentamente ao choque de demanda negativa, a economia pode levar muito tempo para conseguir ir de A para B para C. Em tais situações, o resultado é uma recessão de longa duração, durante a qual a produtividade se mantém abaixo de Y e muitas pessoas estão desempregadas.
Por essas razões, precisamos descobrir o que afeta a capacidade dos preços de mudarem tão rapidamente. Os principais culpados são os preços que não se alteram, ou mais precisamente, os salários.
A Caminho da Recessão:
Paralisado pelos Preços Inflexíveis
Quando a economia encontra um choque de demanda negativo, como o retratado na Figura 6-5, a flexibilidade de preço (ou a falta dela) determina tanto a severidade quanto a duração de qualquer recessão que possa resultar. Se os preços fossem infinitamente flexíveis — se pudessem mudar em segundos ou minutos logo após um choque — a economia poderia
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imediatamente mover-se do ponto A para o ponto C e tudo ficaria bem no mundo. Mas se os preços estiverem fixos por qualquer período de tempo, a economia entra em recessão quando ela se move do ponto A para o ponto B, antes que os preços eventualmente caiam e tragam de volta a produtividade de pleno-emprego ao ponto C.
No mundo real, os preços são, de fato, lentos para a mudança, ou como os economistas gostam de dizer, preços são rígidos. Interessantemente, eles tendem a ser mais rígidos quando estão baixando e não quando estão aumentando; isso significa que os preços parecem relutar quando são reajustados para baixo e não resistirem tanto quando o reajuste é para cima.
O principal culpado dessa situação parece ser uma categoria de preço em especial: os salários. Salário é o preço que os empregadores devem pagar aos empregados por sua força de trabalho. Diferente de outros preços na economia, as pessoas são, em particular, emocionalmente vinculadas aos salários e como eles mudam ao longo do tempo.
Em geral, os empregados não gostam de ver seus salários reduzidos. Eles têm um forte senso de justiça quando se trata de seus salários e, como resultado, geralmente, irão retaliar qualquer corte salarial trabalhando com menos afinco (isso sem mencionar que as leis empregatícias da União Europeia têm regras bastante severas contra empresas cortando salários quando os trabalhadores têm contratos!). Como resultado, os gestores normalmente acham contra produtivo reduzir salários, mesmo se uma empresa estiver perdendo dinheiro e precisar cortar custos.
Diminuindo salários ou
o número de trabalhadores
Suponha que um choque de demanda negativa atinja uma economia e reduza drasticamente as vendas em uma determinada empresa. A empresa está perdendo dinheiro, portanto os gestores precisam achar uma solução para cortar os custos. Aproximadamente 70 por cento do total dos custos desta empresa estão relacionados a mão de obra (salários e outros vencimentos). Naturalmente, os custos da mão de obra são um alvo óbvio para as reduções.
Mas os gestores da empresa percebem que, se cortarem os salários, os empregados ficarão furiosos e trabalharão menos. De fato, a produtividade pode cair tanto que reduzir os salários pode tornar a situação do lucro da empresa ainda pior: a produtividade pode cair tanto, que as receitas das vendas diminuirão mais do que a redução nos custos trabalhistas. Portanto, cortar salários não é realmente uma boa opção.
Então, em vez disso, os gestores demitem grande parte de sua força de trabalho para reduzir os custos trabalhistas. Por exemplo, se as vendas caem 40 por cento, a empresa pode demitir 40 por cento de sua força de trabalho. Entretanto, os demais, que permanecem no emprego, ficam com seus antigos salários, deste modo, eles não ficam furiosos e sua produtividade não cai.
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CEIT O-CH A VE Pelas razões que estamos apresentando aqui, o que se vê durante uma
ON recessão é um grande aumento no desemprego, mas uma pequena C diminuição no valor dos salários. O fato de os gestores não estarem dispostos
a reduzir salários, no entanto, tem um efeito colateral desagradável: como discutirei na próxima seção, não cortar os salários torna muito difícil para a empresa cortar os custos dos bens e serviços que vendem.
Somando os custos dos salários e lucros
Obviamente, as empresas necessitam gerar lucro para continuarem no negócio. E isto significa garantir que o preço por unidade cobrado em seus produtos exceda o custo da produção por unidade destes.
Durante uma recessão, menor procura agregada significa que as empresas reduzem a produção e vendem menos unidades. Como já discutimos nas seções anteriores, os salários são os maiores componentes dos custos da maioria das empresas — de fato, eles representam 70 por cento da média dos custos da empresa. Se uma empresa não pode cortar salários por medo de causar queda na produtividade, tampouco pode reduzir o custo de produção por unidade. Portanto, a empresa não pode reduzir muito seus preços, porque eles precisam ficar acima dos custos de produção, isso se as empresas pretendem ter lucro e permanecerem nos negócios.
O que tudo isto significa? Quando a demanda cai, os preços são, normalmente, rígidos. Eles permanecem altos, a despeito do fato de existir menor demanda de produção na economia. Esta é a razão por trás do movimento horizontal da economia do ponto A para o ponto B na Figura 6-5, após o choque de demanda negativa. Com os preços irredutíveis porque as empresas não podem cortar os salários, o choque de demanda negativa resulta em recessão, com a produtividade caindo e o desemprego aumentando, já que muitos trabalhadores são demitidos.
Pior que isso, a menos que os preços possam, de alguma forma, começar a cair, a economia não será capaz de mover-se de B para C para voltar ao nível de produtividade de pleno-emprego (Y*). Os preços eventualmente caem, mas este processo pode levar muito tempo, o que significa que o choque de demanda negativa pode causar uma recessão de longa duração.
Retornando para Y* com e sem
intervenção governamental
No capítulo 7, explicaremos como o governo pode fazer uso de estímulos monetários e fiscais para contornar o problema dos preços rígidos, ao impulsionar a demanda agregada. Aqui, vamos dar-lhe uma visão de como este processo funciona.
EM Imagine que, após o choque de demanda negativa, representado na Figura PLO
EX 6-5, que move a procura agregada a esquerda de AD para AD , o governo
0 1
não fica esperando passivamente que os preços eventualmente caiam.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 127
Em vez disso, ele estimula a demanda agregada, de forma que a curva de demanda agregada se volta à direita e retorna para onde ela iniciou, em AD . A tomada desta ação retorna a economia à produção de pleno-0
emprego sem precisar esperar pela queda de preços.
O que acontece se o governo não agir para estimular a demanda agregada dessa maneira? E se a economia estiver no ponto B e o governo não intervir? Nesses casos, os preços caem porque os custos de produção das empresas eventualmente caem.
Como vimos na seção anterior, os custos trabalhistas caem muito lentamente porque os gestores não querem arriscar ter seus trabalhadores infelizes ao cortar seus salários. Mas, como há muitos trabalhadores desempregados quando a economia está no ponto B, os salários eventualmente declinam. Algumas empresas contratam pessoas desempregadas por baixos salários, o que reduz seus custos, ou seja, elas podem vender por preços inferiores aos de empresas que mantém salários altos. Eventualmente, tal pressão competitiva significa que todas as empresas acabam por reduzir os salários.
Outros custos também declinam porque durante uma recessão, com a produtividade tão reduzida, uma porção significativa da capacidade produtiva da economia não é utilizada: existem fábricas, caminhões, vagões de trem e navios sem uso, assim como grandes quantidades não utilizadas de madeira, ferro, petróleo e outros insumos produtivos.
Os proprietários desses insumos não utilizados baixam seus preços, para tentar vendê-los. À medida que os preços caem, os custos das empresas também caem, permitindo assim que reduzam os preços de vendas de seus produtos. E, conforme estes preços de venda caem, a economia se move do ponto B para o ponto C na Figura 6-5, restaurando a economia para a produtividade de nível de pleno-emprego (Y*). Viram como tudo (às vezes) se resolve satisfatoriamente?
Atingindo o Equilíbrio com Preços
Rígidos: O Modelo Keynesiano
Mesmo que este seja o primeiro livro sobre economia em que você tenha posto as mãos, pode ser que já tenha ouvido falar sobre Keynes antes. Quem é esse homem e por que os economistas gostam tanto dele?
CEIT O-CH A VE John Maynard Keynes foi o economista mais influente do século XX. Ele
ON foi o primeiro economista a compreender que os preços rígidos (causados C pelos salários inflexíveis) eram os culpados por trás das recessões. Se você
leu a seção anterior, pode não ter pensado que as ideias ali contidas fossem revolucionárias, mas confie em nós: a visão de Keynes mudou o modo como as pessoas estudavam economia.
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O que inspirou Keynes a ter essa visão? Ele chegou a essas conclusões pelo terrível estado que a economia alcançou durante a Grande Depressão dos anos 1930. O nome em si — Grande Depressão — já nos dá alguma ideia de quão ruim as coisas estavam. As desacelerações normais da economia são chamadas recessões. Recessões profundas são chamadas de depressões (sim, as definições técnicas se aplicam a ambas as palavras – veja o quadro “O que faz de uma recessão, uma recessão?” posteriormente neste capítulo). Mas, o que aconteceu em 1930 foi tão ruim, que as pessoas começaram a chamá-la de Grande Depressão para indicar o tanto que ela foi grave.
A Grande Depressão começou com uma recessão prolongada de 1929 até 1933. Esta recessão é mais comumente descrita como tendo começado com a famosa quebra da bolsa de 1929 (a quebra de Wall Street). Os Estados Unidos, por exemplo, só voltaram a ver sua produção retornar ao nível de 1929 após entrarem na Segunda Guerra Mundial, em 1941, e os resultados para a Inglaterra foram pouco melhores, apesar de a recessão de 1921 ter sido mais severa. Para colocarmos a Grande Depressão em perspectiva, observe a Tabela 6-1, que fornece dados para cada uma das sete recessões que os Estados Unidos experimentaram desde 1960, acrescido (na primeira linha) os mesmos dados para a Grande Depressão. Usamos dados americanos por que sua consistência ao longo do tempo dá uma visão geral mais clara: é possível traçar uma imagem similar para a Inglaterra ou qualquer outro país.
Tabela 6-1 A Grande Depressão e Recessões dos EUA desde 1960
Início Término Duração Maior Taxa de Mudança Real
(Meses) Desemprego do PIB (%)
8/1929 3/1933 43 24,9 -28,8
4/1960 2/1961 10 6,7 2,3
12/1969 11/1970 11 5,9 0,1
11/1973 3/1975 16 8,5 1,1
1/1980 7/1980 6 7,6 -0,3
6/1981 11/1982 16 9,7 -2,1
6/1990 3/1991 8 7,5 -0,9
3/2001 11/2001 8 6,0 0,5
Fonte: NBER - Economic Report of the President, Bureau of Labor Statistics, Relatório Econômico do Presidente, Agencia de Estatísticas do Trabalho.
Como você pode ver, a Grande Depressão foi muito, muito pior que qualquer recessão comum. Perto de 25 por cento da força de trabalho estava desempregada, e a desaceleração inicial levou cerca de quatro vezes mais tempo que a média de 10,7 meses de duração das recessões pós 1960.
A produção econômica total medida pelo PIB real (que discutimos no capítulo 5) também caiu muito mais do que em uma recessão normal. Uma vez que o PIB real se ajusta para a inflação, ele capta mudanças na quantidade física das mercadorias produzidas. Em recessões recentes, a
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 129
O que faz de uma recessão, uma recessão?
No início do capítulo, nós definimos uma Econômico – embora os governos tenham recessão como um período de tempo no a tendência, por algum motivo obscuro, qual a produtividade cai e o desemprego de preferir usar a sua própria definição. aumenta. Mas esta não é a única definição. O NBER possui um longo conjunto de cri-Por exemplo, você pode ler em um livro di- térios, que começa com a queda da pro-dático ou em um artigo de jornal que uma dutividade e o desemprego aumentando economia está em recessão se o PIB real e incluem muitas outras coisas, tal como cair por dois trimestres consecutivos. Po- com que rapidez as fábricas recebem no-rém, se você observar a Tabela 6-1, notará vos pedidos. Algumas vezes, esses outros que durante determinadas recessões (como fatores fazem o NBER pressentir que a a que começou em abril de 1960 nos EUA), economia passou por um pico e que entrou a produtividade real na verdade aumentou, em recessão, mesmo que a produtividade em vez de cair. Então, por que aquele perío- não esteja caindo. Contudo, uma boa re-do foi classificado como recessão? gra de ouro, uma que é geralmente aceita
Muitos fatores determinam o que é classifi- pelos comentaristas no Reino Unido, é que uma recessão é caracterizada pela queda cado como recessão. A mais bem interna-de produção medida pelo PIB ao longo de cionalmente aceita definição vem do NBER dois trimestres sucessivos. Qualquer coisa (National Bureau of Economic Research, pior que isso é uma depressão. O humor Agência Nacional de Investigação Eco-dos economistas caracteriza a diferença nômica), nos EUA, que é aceita e utilizada da seguinte forma: em uma recessão, seu por outras entidades, incluindo a Organiza-vizinho perde o emprego, enquanto que em ção para Cooperação e Desenvolvimento uma depressão, você perde o seu.
produtividade caiu, no Maximo, de 2 ou 3 pontos percentuais. Durante a Grande Depressão, caiu 28,8 por cento!
Em comparação, a miséria da Grande Depressão atingiu um pico na Inglaterra em 1932. A taxa de desemprego chegou em 22 por cento, embora a produção medida pelo PIB tenha caído somente em 5 por cento em relação aos anos anteriores. As próximas piores recessões, no início dos anos 1980 e 1990, por contraste, foram caracterizadas por um persistente desemprego alto, com picos de 10 por cento, mas quedas no PIB de apenas 3 por cento e 1.5 por cento cada.
Como testemunha da Grande Depressão, Keynes obviamente desejou entender o que poderia causar uma desaceleração econômica tão drástica – e o que poderia prevenir tal devastação de acontecer novamente.
Ajustando o estoque em vez dos preços
Keynes não só compreendeu que os preços rígidos causam recessões; ele também desenvolveu um amplo e influente modelo que ainda é apresentado em muitos livros didáticos de macroeconomia. Este modelo é uma pequena parte de uma abordagem maior à gestão da macroeconomia, que passou a ser chamada de Keynesianismo – uma abordagem que favorece grandes intervenções governamentais na economia, em vez
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das políticas de laissez faire, de não intervenção, preferida por outras pessoas (para uma discussão sobre os custos e benefícios da intervenção governamental na economia, consulte “Determinando o Que Deve Ser Produzido” no capítulo 3).
Para ser justo, precisamos salientar que o Keynesianismo tem atraído um grande número de críticos e não é a quintessência da macroeconomia. Porém, a parte que apresentamos aqui não é controversa. Ela explica como uma economia se ajusta ao equilíbrio — um lugar onde a oferta agregada corresponde à demanda agregada — no extremo curto prazo, após um choque econômico, quando os preços não podem mudar de modo algum.
Olhe novamente para a Figura 6-4 por um momento. O modelo Keynesiano baseia-se exatamente em como a economia se move a partir do nível de produtividade Y para o nível de produtividade Y , quando um choque na 0 1 demanda agregada acontece e os preços são fixados ao nível de P . 0
O modelo de Keynes chama nossa atenção para o estoque das mercadorias que foram produzidas, mas que ainda não foram vendidas. De acordo com Keynes, as mudanças no estoque podem guiar as empresas a aumentar ou diminuir a produção durante situações nas quais os preços estão rígidos e não servem como sinal do que fazer.
Para ver a inovação das ideias de Keynes sobre estoques, entenda que, se os preços pudessem mudar, então eles (não os estoques) guiariam as decisões das empresas sobre quanto produzir:
✓ Se os preços estiverem subindo, a empresa saberá que seu produto é
popular e que deve aumentar a produção.
✓ Se os preços estiverem caindo, a empresa saberá que seu produto
não está indo bem e que, provavelmente, deveria interromper a
produção (e, talvez, entrar em outro ramo de negócios!).
Em uma economia com preços fixos, entretanto, as empresas precisam de algum outro modo para decidir se devem aumentar ou diminuir a produção. Keynes percebeu que o fator orientador seriam as mudanças nos estoques.
Mantendo os olhos no alvo dos níveis de estoque
Os estoques estão constantemente mudando de posição, com o fluxo de mercadorias entrando e saindo. Novas produções aumentam os estoques, enquanto que novas vendas os diminuem. Os dois fatores interagem para determinar se os estoques estão aumentando, diminuindo ou permanecendo igual. Por exemplo, se novos produtos igualam as novas vendas, os níveis de estoque permanecem constantes. Se as novas produções excederem novas vendas, o estoque aumenta.
A interação entre nova produção e nova venda é importante porque cada empresa tem um nível alvo de estoques que ela gostaria de manter para as situações em que as vendas sejam, temporariamente, mais rápidas do que a capacidade de produção. O nível alvo é determinado pelos custos e benefícios de ter um grande ou pequeno estoque em mãos.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 131
Ter menos estoque que o nível alvo é perigoso, porque a empresa pode não ser capaz de acompanhar o crescimento das vendas. Ter mais estoque do que o nível alvo é desperdício, porque não há vantagem em ter coisas que não se pode vender, ano após ano. Cada empresa pesa estes custos e benefícios para determinar seu próprio nível alvo de estoque.
Níveis alvo do estoque podem variar de ano para ano, dependendo se as empresas esperam um volume de vendas forte ou fraco. Se os gestores esperam vendas fortes, eles podem planejar um aumento dos estoques, ao passo que, se esperarem vendas fracas, eles podem planejar uma diminuição dos estoques.
Keynes compreendeu que os choques de demanda agregada (que são, por definição, inesperados) apareceriam como mudanças inesperadas nos estoques da empresa.
✓ Demanda agregada inesperadamente baixa significa que as vendas
estão tão lentas que o estoque aumenta e atinge níveis mais altos do
que as empresas haviam planejado.
✓ Demanda agregada inesperadamente alta significa que as vendas
aumentaram tanto, que o estoque diminui, e atinge níveis mais
baixos do que as empresas haviam planejado.
Aumentando ou diminuindo a produção com estoques flutuantes
Grandes alterações inesperadas dos estoques fazem com que as empresas mudem seus níveis de produção como mostrado a seguir:
✓ Se os estoques aumentam acima dos níveis alvo, as empresas
respondem cortando a produção. Ao reduzir os índices de produção
para menos que os índices de vendas, os estoques começam a cair em
direção aos níveis alvo.
✓ Se os estoques diminuem abaixo dos níveis alvo, as empresas
respondem aumentando a produção. Aumentando os índices de
produção para mais que os índices de vendas, os estoques começam a
subir em direção aos níveis alvo.
As mudanças nos níveis de produção, causadas pelas mudanças no estoque, são muito importantes, uma vez que elas determinam não apenas se a produção (Y) está aumentando ou diminuindo, mas também se o desemprego está em ascensão ou queda.
Por exemplo, se as empresas aumentam a produção, porque os estoques caíram abaixo do nível alvo, elas precisam contratar mais empregados e o desemprego diminui. Se, por outro lado, as empresas diminuem a produção porque os estoques aumentam acima do nível alvo, elas precisam demitir empregados e o desemprego aumenta.
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Ajustando os estoques com base em gastos planejados e reais
O modelo Keynesiano difere entre gastos planejados reais como segue:
✓ Gastos planejados são a quantia em dinheiro que as famílias,
empresas, o governo e estrangeiros gostariam de gastar em produtos
e serviços produzidos no país.
✓ Gastos reais são iguais ao produto interno bruto (PIB), que
discutimos no capítulo 4; eles são o que as famílias, empresas, o
governo e os estrangeiros realmente gastam em bens e serviços
produzidos no país.
CEIT O-CHA VE O que acontece quando os gastos reais são diferentes dos gastos
ON planejados? Os estoques automaticamente mudam. Por exemplo, se C mais dinheiro é gasto em bens e serviços do que foi planejado, as
pessoas estão comprando mais mercadorias do que o que está sendo produzido atualmente. Esta situação é possível porque as empresas vendem mercadorias de seus estoques que foram produzidas em períodos anteriores. Por outro lado, se as pessoas gastam menos dinheiro em bens e serviços do que foi planejado, os estoques das empresas aumentam, porque elas precisam estocar todas as mercadorias que não podem vender.
Keynes representou os gastos planejados, PE (planned expenditures), algebricamente com a seguinte equação:
PE = C + IP + G + NX (1)
O que todas essas letras significam? Nós as discutimos em detalhes no capítulo 4, mas aqui vai um resumo:
✓ C representa a quantidade de mercadorias que os consumidores
desejam consumir.
✓ IP representa a quantidade de produtos que as empresas planejam
adquirir, como investimento em mercadorias, tais como novas
fábricas e equipamentos, bem como quaisquer alterações de
estoques que planejam fazer.
Se, mais tarde, as empresas precisarem aumentar ou diminuir seus
estoques mais do que planejaram, então o investimento real, I, não
será igual ao investimento planejado, IP.
✓ G representa quantos produtos o governo quer comprar para coisas
como o investimento na construção de escolas ou assegurar o
suprimento necessário de papel para o trabalho administrativo.
✓ NX representa o líquido das exportações — o valor de suas
exportações menos o valor de suas importações. NX nos informa a
demanda do setor estrangeiro da economia sobre nossos produtos
internos.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 133
Para os gastos reais, Y, Keynes usou a mesma equação que usamos para calcular o produto interno bruto (que discutimos no capítulo 4):
Y = C + I + G + NX (2)
Por que podemos utilizar a equação do PIB para calcular os gastos reais? Conforme explicamos no capítulo 4, o gasto real é igual ao rendimento nacional, porque cada centavo de despesa feito na economia é receita para alguém. Além disso, o gasto real também é igual ao valor em dinheiro de todos os bens e serviços produzidos na economia, porque cada pedaço de mercadoria produzida é vendido para alguém (este processo na verdade faz parte da forma com que os estoques são avaliados para propósitos contábeis: qualquer produto que a empresa faz, mas não pode vender ao cliente, é contado como sendo “vendido” para si própria e colocado em seu inventário. Estas mudanças no estoque são conhecidas como investimentos em inventário e são totalizadas no PIB como parte do investimento total, I).
Ter três maneiras de olhar para Y é realmente muito útil quando você começa a se familiarizar com o modelo Keynesiano. Às vezes, é mais fácil entender o modelo se você pensar em Y como sendo os gastos reais; noutras ocasiões, é mais fácil entender se você pensar em Y como sendo a receita nacional ou produção (output). Alternamos entre essas três definições sempre que isso ajudar a entender o modelo mais facilmente.
A única diferença entre os lados direitos da equação (1) e da equação (2) é o investimento variável, que é investimento planejado (IP) na primeira equação e investimento real (I) na segunda. Em outras palavras, a única razão que Y e PE diferem é devido às diferenças nos investimentos causados pelos inesperados aumentos ou diminuições dos estoques, quando as vendas são maiores ou menores do que o planejado.
Trazendo alguma álgebra à mistura
Você sabia que a hora estava chegando: vamos aprender cálculos algébricos. Nossa meta? Identificar o modelo Keynesiano do equilíbrio econômico usando nossos superpoderes matemáticos (Rápido, corra para a cabine telefônica mais próxima).
Primeiro, precisamos definir uma função de consumo — uma forma de calcular o consumo total — que possamos substituir na equação (1). No capítulo 4, nós apresentamos a seguinte formula para calcular o consumo:
C = C + c (1 – t) Y (3) 0
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Para todos os detalhes, consulte o capítulo 4. Por ora, o que você realmente precisa saber sobre esta fórmula é que a maior receita (Y) leva ao maior consumo (C).
Se você substituir a equação (3) na equação (1), você tem:
PE = C + c (1- t) Y + I P + G + NX (4) 0
Se olhar cuidadosamente, verá que esta equação mostra que o total das despesas previstas para a aquisição de bens e serviços na economia (PE) depende do rendimento total da economia (Y). Quanto maior o rendimento total, mais dinheiro as pessoas planejarão gastar.
Uma boa forma para simplificar essa equação é criar uma variável chamada A e defini-la como se segue:
A = C + I P + G + NX 0
Se fizer isso, a equação (4) parecerá um pouco mais agradável:
PE = A + c(1-t) Y (5)
A variável A corresponde às despesas autônomas, termo usado pelos economistas para traduzir a parte dos gastos planejados que não depende da renda (Y). A parte das despesas planejadas que não depende de rendimentos, c(1-t) Y, é conhecida como despesa induzida.
Para compreender as despesas induzidas, entenda que como t representa a taxa de renda com impostos, (1-t)Y é o que as pessoas deixam de gastar depois que o governo cobra seus impostos. E, desse montante, a fração c é gasta em consumo, de forma que c(1-t) Y nos diz quanta despesa é “induzida” por um rendimento de tamanho Y.
A Figura 6-6 grafa a equação (5) e designa-a linha de despesas previstas.
Para encontrar o equilíbrio especifico do modelo Keynesiano, compreenda que todos os equilíbrios possíveis são captados pela seguinte equação:
PE = Y (6)
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 135
Gastos Planejados
PE
Gastos Planejados
PE = A + c(1 - t)Y
Figura 6-6:
A Linha de
despesas
previstas.
Receita, Produção, Y
Esta equação pode ser lida como “gastos planejados são iguais a gastos reais” (lembre-se que Y é igual ao total de receitas e ao total de despesas na economia porque todas as despesas equivalem a receitas para alguém).
Qualquer situação em que PE = Y é de equilíbrio. Por quê? Porque se a economia puder atingir o ponto onde PE = Y, então ninguém teria qualquer razão para mudar seu comportamento. Os consumidores estariam consumindo tanto quanto planejaram (C). O governo estaria comprando tanta produção quanto desejasse comprar (G). Os estrangeiros estariam comprando nossas mercadorias tanto quanto pretendessem (NX). E, mais importante, as empresas estariam gastando exatamente o que planejaram em investimentos – o que implica que os estoques não se alterariam inesperadamente.
Se os gastos previstos se igualam aos gastos reais, você realmente tem um equilíbrio, porque todos estão obtendo o que desejam e ninguém tem qualquer incentivo para mudar seu comportamento.
Você pode resolver o valor de equilíbrio da produção, que chamarei de Ỹ, pela substituição da equação (5) pela equação (6). Se você fizer isso obterá o seguinte:
Ỹ = A + c (1 – t)Y
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Mostrando o equilíbrio graficamente
Se a ultima equação for muito assustadora, fique conosco por que é muito mais fácil encontrar o equilíbrio do modelo Keynesiano graficamente. Para isso, você precisa representar graficamente a equação PE = Y no mesmo gráfico da equação PE = A + c(1 - t) Y, como fazemos na Figura 6-7. O ponto no qual as duas linhas se cruzam é o equilíbrio. Nesse ponto, os gastos previstos e os gastos reais são exatamente iguais na economia.
Gastos Planejados
Gastos Reias
PE PE=Y
Gastos Planejados
PE =A+ c(1 -t)Y
Figura 6-7:
O modelo
Keynesiano de 45°
equilíbrio Y ~ Receita, Produção, Y Y
Este equilíbrio é estável, o que significa que se a economia se iniciar em qualquer nível de receitas que não seja Ỹ, ela rapidamente retornará de volta à Ỹ. O que faz com que a economia retorne para Ỹ são as alterações no estoque.
Para ver por que isto é verdade, observe a Figura 6-8, que explora um artifício geométrico elegante sobre a linha PE =Y, para mostrar como a economia se comporta quando não esta produzindo ao nível de equilíbrio de produção, Ỹ.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 137
Gastos
Planejados
PE
Gastos Reais
Y1 Aumentar estoques causa
corte de produção
Gastos Panejados
PE1
Figura 6-8: PE2
ajustes no Como os Diminuir estoques causa aumento de produção Y 2
estoque
sempre
movem a
produção de 45°
volta a Ỹ. ~ Y 2 Y Receita, Produção, Y 1Y
O truque é que a linha PE = Y aparece no gráfico em um ângulo de 45 graus, o que significa que ela pode ser usada para desenhar quadrados — formas cujos lados têm o mesmo comprimento. Isto significa que você pode transpor qualquer valor de Y para o eixo vertical. Para fazer isso, pegue qualquer valor de Y, siga em frente até atingir a linha de 45 graus e, então siga em linha reta lateralmente até atingir o eixo vertical. O ponto que você atinge representa tanto dinheiro verticalmente quanto Y representa horizontalmente.
Por exemplo, na Figura 6-8, comece no eixo horizontal no nível de produção Y , que é menos que o nível de equilíbrio de produção . Se você 2 Ỹ subir verticalmente para a linha de 45 graus e depois para a esquerda, você pode representar graficamente o nível de produção Y no eixo vertical. Por 2 que isto é útil? Porque Y pode então ser comparado diretamente com o 2 nível de gastos planejados, PE , que você obtém começando no nível de 2 produção Y no eixo horizontal. 2
Como você pode ver, PE > Y , o que quer dizer que os gastos planejados 2 2 excedem a produção na economia. Isto significa que os estoques baixarão inesperadamente, conforme as empresas venderem parte de suas reservas de estoque para compensar o fato de que as pessoas estão comprando mais mercadorias do que as empresas estão realmente produzindo. Esta baixa nos estoques leva a economia de volta ao equilíbrio.
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Conforme os estoques caem inesperadamente, as empresas aumentam a produção. Como resultado, Y aumenta. Além disso, continua a aumentar até atingir Ỹ , porque para qualquer valor de Y < Ỹ , você pode ver no gráfico que os gastos previstos continuarão a exceder a produção.
Os ajustes no estoque também retornam a economia ao equilíbrio se começarem em um nível de produção como Y , que é maior que . Como 1 Ỹ você pode ver na Figura 6-8, utilizando a linha de 45 graus, a produção real, Y , excede os gastos planejados, PE . Em outras palavras, as pessoas então 1 1 comprando menos (PE ) do que as empresas estão produzindo atualmente 1
(Y ), dessa forma os estoques começarão a crescer. 1
As empresas respondem aos aumentos nos estoques com a redução da produção. Eles demitem trabalhadores e cortam a produção. Como resultado, Y diminui, e continua a cair até atingir Ỹ porque, para qualquer valor de Y < Ỹ , você pode ver no gráfico que a produção continuará a exceder os gastos reais.
Impulsionando o PIB
no modelo Keynesiano
Keynes não inventou seu modelo para explicar como as economias com preços rígidos alcançam um equilíbrio estável. O que ele realmente queria era usá-lo para mostrar o que os governos poderiam fazer durante uma recessão para melhorar a situação.
Por exemplo, considere a Figura 6-8 mais uma vez. Suponha que os ajustes de estoque tenham levado a economia ao equilíbrio das receitas, Ỹ , mas que Ỹé menor que o nível de produtividade de pleno-emprego da economia, Y*. Neste caso, Keynes perguntou, o que — se existisse algo — deveriam fazer os governos?
CEIT O-CH A VE Os governos poderiam escolher não fazer nada. Eventualmente, porque Ỹ
ON < Y*, os preços iriam cair e a economia retornaria ao emprego-pleno (o C que acontece movendo-se do ponto B para o ponto C na Figura 6-5). Mas
Keynes argumentou que os governos poderiam acelerar a recuperação incrementando os gastos previstos.
Por exemplo, suponha que o governo decida aumentar G, os gastos do governo com bens e serviços. Se ele fizer isso, então PE na equação (4) claramente se tornará maior. Como G é uma parte de gastos autônomos (A), o aumento em G significa um aumento em A na equação (5). Graficamente, um A maior significa que a linha de gastos previstos mudou verticalmente de PE , para PE , como mostrado na figura 6-9. Dado o fato de a linha de despesa 1 2
real ( PE = Y) não mudar, a troca vertical na linha dos gastos previstos faz com que o equilíbrio da produção aumente de Ỹ1, para Ỹ2.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 139
Gastos Gastos
Planejados Reias
PE
Gastos Planejados após
aumento de G Increases, PE2
Gastos Planejados
Inicias, PE 1
Figura 6-9:
Aumentar
os gastos
do governo
aumenta o
equilíbrio da
produção Ỹ , 1 45° para Ỹ . 2 ~ ~ Receita, Produção, Y Y 1 Y 2
Keynes sugeriu utilizar a política do governo para aumentar as despesas previstas, com qualquer que fosse a quantia necessária para aumentar, a curto prazo, o equilíbrio da economia dos preços rígidos, Ỹ, abrindo caminho para o nível de produtividade de pleno-emprego, Y* (é notório que ele estendeu esta ideia com a metáfora de pagar algumas pessoas para abrirem buracos no chão e outras para enchê-los – em outras palavras, qualquer ação é melhor que nenhuma!). No capítulo 7, discutimos essas políticas com mais detalhes, inclusive por que elas nem sempre funcionam na prática.
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Juntando tudo: A economia é a quebra
do crédito
Explicar a quebra do crédito é como explicar Tudo isso estava indo bem enquanto o a trama de Assassinato no Expresso Oriente mercado continuava a crescer. Entretan-– cuidado, spoiler! Para chegar aos even- to, aumentos nas taxas de juros nos EUA tos que dinamitaram a crise bancária, você levaram a mais inadimplências, na medida precisa entender as condições básicas, e em que clientes de alto risco se tornavam tais condições têm raízes que remontam menos capazes de arcar com suas dívidas. muito tempo atrás. Portanto, para começo Como resultado, mais instituições ficaram de conversa, iremos expô-las. Em primeiro com dívidas de risco. Conquanto bancos lugar, o boom dos anos 1990 fez com que pudessem emprestar dinheiro uns dos uma grande quantidade de capital fosse outros, isto não era um problema. Mas os acumulado por instituições de empréstimos. bancos começaram a perceber que alguns Os proprietários desse capital naturalmente dos tomadores de empréstimos estavam de buscavam novas formas de fazer com que posse de dívidas incobráveis e isso os tor-o dinheiro trabalhasse para eles, ao encon- nava opções arriscadas para empréstimos. trarem novos mercados nos quais poderiam Antes que você pudesse dizer “mercado investir. Governos, liderados pelas econo- de limão” os bancos que emprestavam co-mias ‘anglo-saxãs’ incluindo a Inglaterra e meçaram a se preocupar com os mutuários os EUA, tentaram encontrar novas maneiras ruins, e o mercado para empréstimo ban-de encorajar as pessoas a comprarem suas cário secou, igual sugere o modelo Akerlof próprias casas (afinal, pessoas que não (que discutimos nos capítulo 15).
possuem casa própria são capazes de fazer Considerando o efeito do empréstimo empréstimos em detrimento aquele ativo bancário no modelo da oferta de dinheiro, para custear novos negócios, e isso, em ge-passou a ser mais difícil não só para os ral, é uma boa coisa para a criação de em-pretensos compradores de casas terem pregos). Entretanto, estender casa própria acesso ao capital, como também as em-para aqueles que atualmente não as esta-presas não obtinham mais acesso fácil ao vam comprando significava encontrar uma capital para expandir. Os efeitos atordoan-maneira de gerenciar os riscos de devedo-tes na economia, através dos empréstimos res inadimplentes. A solução para ajuntar ao consumidor, também levaram a quedas maus e bons riscos e vender tudo como um na demanda agregada, que chamamos de pacote só, era que mais capital poderia ser recessão. A partir de 2010, o consenso pa-emprestado para as pessoas a quem, de ou-rece ser que a resposta à quebra, injetar tro modo, seria um empréstimo considerado gastos governamentais, obteve algum efei-muito arriscado. Como resultado, o valor to estabilizador, porém foi caro e precisará da hipoteca subiu (em parte incendiando o ser recuperado. Atualmente, a discussão é boom imobiliário) e mais pessoas puderam a velocidade desejável para se fazer isso. tomar mais dinheiro emprestado para com-prar suas casas.
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Capítulo 7
Combatendo a
Recessão com Política
Monetária e Fiscal
Neste Capítulo
X Usando a política monetária e fiscal para estimular a economia
X Enfrentando o fato de que muito estímulo causa inflação
X Percebendo que as expectativas racionais podem frustrar a política monetária e fiscal
X Compreendendo os detalhes por trás da política monetária e fiscal
As políticas monetária e fiscal são duas das mais importantes funções dos governos modernos. A política monetária se foca em aumentar ou a diminuir a oferta monetária a fim de estimular a economia, enquanto que a política fiscal utiliza os gastos do governo e o código fiscal para estimular a economia.
Graças ao desenvolvimento de uma boa teoria econômica, atualmente os governos têm uma boa ideia de como utilizar as políticas monetária e fiscal para abrandar a duração e a severidade das recessões. Este desenvolvimento é extremamente importante, porque dá aos governos a oportunidade de fazer uma diferença positiva nas vidas de bilhões de pessoas. Boas políticas econômicas podem tornar uma nação próspera, da mesma forma que más políticas econômicas podem arruiná-la.
No entanto, as políticas monetária e fiscal não estão isentas de problemas e, neste capítulo, mostraremos não apenas o quão bem elas podem funcionar no melhor cenário possível, mas também seus limites e problemas quando implementadas no mundo real. Vendo o quadro completo, você poderá decidir por si mesmo quando e como as políticas monetária e fiscal devem ser usadas.
A informação contida neste capítulo o colocará dois passos à frente de muitos políticos e o ajudará a julgar quando economistas politicamente corruptos estiverem tentando enganar alguém. Como disse Joan Robinson, um dos maiores economistas do século XX: “O propósito do estudo da economia não é adquirir um conjunto de respostas sem originalidade para
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as questões econômicas, mas aprender como evitar ser enganado por um economista”. Concordamos totalmente. Mas, não se preocupe, você pode confiar em nós, afinal, somos todos economistas.
Se você ainda não leu o capítulo 6, o encorajamos a fazê-lo antes de seguir em frente. Embora nosso objetivo com este livro seja tornar cada capítulo individual, de modo que o leitor possa consultar qualquer assunto que necessitar sem estar obrigado a obedecer a uma sequência, muito da terminologia que você encontrará neste capítulo é apresentada e explicada no capítulo anterior. Pode ser que você ache mais fácil enfrentar as políticas monetária e fiscal se tiver uma compreensão básica de como as recessões funcionam, que é o foco do capítulo 6.
Estimulando a Demanda para
Acabar com as Recessões
Antes de examinarmos as políticas monetária e fiscal separadamente e em detalhes, é importante compreender que o propósito de ambas é alterar a demanda agregada para bens e serviços. A demanda agregada é a demanda total de bens e serviços de uma economia. Em particular, ambas podem ser utilizadas para aumentar a demanda agregada durante uma recessão.
Buscando a produção de pleno-emprego
A capacidade de usar a política monetária e a fiscal para estimular a economia é importante porque você sempre deseja finalizar uma recessão e retornar a economia para a produção em nível de pleno-emprego o mais rapidamente possível.
Como explicamos no capítulo 6, o nível de produção de pleno-emprego – simbolizado por Y* – é a quantidade de produtos que a economia produz em pleno-emprego, que ocorre quando todas as pessoas que desejam um emprego de tempo integral podem conseguir um. Se a economia entra em recessão e produz um valor menor do que Y*, milhões de pessoas perdem seus empregos, porque as empresas necessitam de poucos trabalhadores para produzir uma pequena quantidade de produtos.
Pior ainda, a taxa de desemprego permanece alta até a produção retornar ao nível de pleno-emprego. As políticas monetária e fiscal são úteis, justamente porque podem ajudar a retornar a economia à produção em Y* tão rápido quanto possível; elas podem encurtar o período de frustração e miséria que os desempregados têm de suportar.
Observe a Figura 7-1, que mostra como as políticas monetária e fiscal podem ser usadas para estimular a demanda agregada e retornar a economia à produção em Y*, após esta ter sido atingida por um choque de demanda negativa. Como explicamos no capítulo 6, choque de demanda
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negativa são coisas que inesperadamente diminuem a demanda agregada, tal como uma queda de confiança por parte dos consumidores.
LRAS
Nível de Preço
B A
P 0 SRAS
Figura 7-1: C AD0 Como um
choque de
demanda
negativo afeta AD 1
a economia. YLow Y* Produção
Na Figura7-1, a economia começa em equilíbrio no ponto A, onde a curva de demanda agregada de inclinação para baixo, AD , cruza a curva vertical 0 da oferta agregada de longo prazo, LRAS. Como explicamos no capítulo 6, os preços na economia são fixados a curto prazo. Por esta razão, a curva de oferta agregada de curto prazo, SRAS, é horizontal no ponto inicial de nível de preço (P ), que é determinado pela intersecção de AD e LRAS 0 0 (explicamos no capítulo 6, na seção chamada “Lidando com preços fixos a curto prazo”, que por razão de simplicidade, usamos curvas horizontais SRAS neste livro, em vez de curvas inclinadas ascendentes usadas em outros livros. Se você estiver acostumado a ver curvas SRAS inclinadas ascendentes, dê uma espiadela naquela seção).
Quando o choque de demanda negativo vem, aqui está o que acontece:
✓ A curva de demanda agregada se desloca para a esquerda para AD , 1
refletindo a redução dos gastos com bens e serviços.
✓ Com os preços fixados em P a curto prazo, o equilíbrio da economia 0
se desloca a esquerda do ponto A para o ponto B, e a produção na