Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
Mas tal sistema ainda é melhor que a alternativa mais injusta, em que todos os bons motoristas teriam que pagar as mesmas taxas dos maus motoristas, que é o que aconteceria se as companhias de seguros fossem proibidas de utilizar informações de grupos para tentar distinguir seus clientes. Quanto mais as companhias de seguros puderem distinguir totalmente os bons dos maus motoristas, utilizando a informação de grupos de risco, tanto mais justas serão as taxas.
Tenha em mente que os motoristas para quem as companhias de seguros têm maiores necessidades de usar o critério de informações de grupo, são os novos condutores. Uma vez que elas não têm quaisquer registros de violações ou acidentes para os novos motoristas, há uma necessidade premente de tentar separar os bons dos maus condutores utilizando a informação do grupo de risco. À medida que os condutores ganham mais experiência, as companhias de seguros podem obter informações cada vez mais precisas sobre acidentes ou violações, o que distingue os bons condutores dos maus.
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Evitando seleção adversa
Utilizar os grupos aos quais uma pessoa pertence para estimar seu risco individual para o seguro é apenas parte da maneira de resolver o problema da informação assimétrica que existe entre as companhias de seguros e seus clientes.
Obviamente, existem ainda muitas outras variações individuais dentro de qualquer grupo. Por exemplo, mesmo que as mulheres jovens sejam, em média, melhores motoristas que os homens jovens, algumas delas são más motoristas. Se uma companhia de seguros estabelece um prêmio para mulheres jovens baseado na média de frequência de acidentes em que elas se envolvem, os seguros serão mais atrativos para as mulheres que são realmente más motoristas do que para aquelas que são boas.
Como resultado, jovens mulheres más motoristas estarão mais inclinadas a procurarem pelo seguro do que jovens mulheres boas motoristas. A tendência é conhecida como seleção adversa, por que é como se o mau, ou adverso, risco para o seguro se autosselecione para comprar apólices. O resultado é um grupo de clientes que apresentam um número alto e bastante desproporcional de maus motoristas.
CEIT O-CH A VE A seleção adversa é um problema difícil porque se alimenta de si mesmo.
ON As companhias de seguros têm que elevar as taxas para levar em conta o C fato de que os maus motoristas são mais susceptíveis a se inscrever do que
os bons motoristas. Mas, ao aumentarem as taxas, o problema fica pior, porque as altas taxas tornam o seguro muito menos atraente para os bons motoristas, o que significa que o número de requerentes será ainda mais desproporcionalmente dominado por maus motoristas.
Uma solução para a seleção adversa é a companhia de seguros oferecer uma taxa para um grande grupo de pessoas — com a condição de que ninguém opte pela saída. Por exemplo, em uma universidade norte-americana, uma empresa de seguro saúde oferece para a universidade uma pequena taxa para todos os empregados, sob a condição de que todos têm que estar registrados. Englobando todos, não há chances de que o grupo segurado seja dominado apenas pelos doentes porque todos os saudáveis declinaram de serem incluídos.
Atenuando o risco moral
O outro grande problema enfrentado pelas companhias de seguros é chamado de risco moral. O risco moral acontece porque adquirir um seguro tende a mudar o comportamento das pessoas. Por exemplo, se você não tivesse seguro automóvel, é provável que dirigisse muito mais devagar, sabendo que teria que utilizar seu próprio dinheiro para pagar por qualquer dano que causasse. Mas, porque você o tem, pode dirigir mais rápido e imprudentemente, sabendo que, se alguma coisa der errado, a companhia de seguros pagará a conta. De forma parecida, como você tem seguro de bens, a probabilidade de deixar a porta de sua casa destrancada é maior (por favor, note que quando dizemos ‘você’ nos exemplo, não queremos dizer você de verdade. Temos certeza que você está acima do risco moral, mesmo que seus amigos e vizinhos não estejam).
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PLO
EM
EX
Discriminação de grupo, identificação
individual
A ideia de agrupar os indivíduos para ajudar tá-lo. Você pode na verdade ser pregui-a classificá-los vai além dos seguros. Por çoso, mas por ver a que grupo pertence, a exemplo, as companhias querem funcioná- empresa aumenta suas probabilidades de rios que trabalhem muito, mas não podem, de que você não o seja. fato, dizer se este é seu perfil quando você
participa de uma entrevista de emprego. En- do grupo ao qual um indivíduo faz parte A prática de usar informações a respeito
tão, elas tentam estimar as suas chances ob- para tentar identificar características pes-servando os grupos aos quais você pertence. soais é chamada de discriminação esta-Por exemplo, quase todos os alunos com tística. Embora esta prática normalmente média A trabalham muito. Portanto, se melhore os resultados econômicos, você você é um estudante média A, a empresa tem que decidir sozinho se — e em quais estará muito mais interessada em contra- casos — acha isso justo ou injusto.
As companhias de seguro de carros lidam com o risco moral oferecendo descontos em troca de altas franquias. Por exemplo, se você se envolver em um acidente, os $ 1.000,00 de franquia que escolheu significam que de qualquer conta que advenha do acidente, você terá que pagar apenas os primeiros $ 1.000,00.
A franquia serve como um forte incentivo para que você não incorra em risco moral e dirija de forma imprudente. E, como a companhia sabe que sua alta franquia o desembaraça do problema de risco moral, ela estará disposta a oferecer um seguro com taxas muito baixas, para que você opte por uma franquia de apenas $ 100,00.
Franquias são uma maneira inteligente de reduzir problemas de risco moral e ajudar a tornar o seguro mais acessível para os motoristas responsáveis.
Oferecendo Bens Públicos
Bens públicos são coisas que não podem ser lucrativamente produzidas pelas empresas privadas, porque não há meios de excluir os não pagadores de utilizá-las. A incapacidade das empresas particulares de produzirem bens públicos de forma lucrativa deriva do fato de eles terem duas características muito especiais. Os bens públicos são nãorivais e nãoexclusivos:
PLO ✓ Não rivais significa que uma pessoa utilizando o bem, não diminui
EXEM a capacidade de outra pessoa de desfrutar o mesmo bem. Pense em
uma exibição de fogos de artifício, uma estátua em um parque ou um
show de televisão difundido por ondas. Seu consumo não diminui de
modo algum o consumo dos outros. Isto está em gritante contraste
com a maioria dos bens, onde se você consome mais, sobra menos
para os outros (pense em biscoitos).
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✓ Não exclusivos significa que é difícil impedir que os não pagadores
consumam um bem ou serviço. Por exemplo, quando você faz uma
exibição de fogos de artifício, todos nas proximidades podem ver
gratuitamente, não importa quanto você gostaria de cobrar deles por
isso. Um exemplo mais sério é o exército: quando está posicionado
para prover a defesa nacional, ele a oferece para todos, inclusive
para aqueles que não querem contribuir com os custos de mantê-lo.
CEIT O-CHA VE As características não rival e não exclusivo dos bens públicos tornam muito
ON difícil para as empresas privadas ganhar algum dinheiro produzindo estes C bens. Pense em tentar conseguir com que as pessoas comprem ingressos
para uma exibição de fogos de artifício ao ar livre. Como as pessoas sabem que conseguirão assistir ao espetáculo de graça, elas não irão comprar os ingressos. Como elas não querem pagar pelos ingressos, não há como levantar o dinheiro necessário para a exibição.
Este tipo de problema ‘ovo e galinha’ é frustrante, por que embora as pessoas não queiram pagar por algo que terão de graça, elas na verdade gostam de fogos de artifícios, o que significa que estariam dispostas a pagar para vê-los. O problema é criar uma forma de como fazê-las pagar.
Taxando para oferecer bens públicos
A solução mais comum para o problema de como fornecer bens públicos tem sido a intervenção dos governos, que usam dinheiro dos contribuintes para pagar por eles. No caso dos fogos de artifício, como quase todos gostam de fogos de artifício, não há dificuldade em conseguir suporte político suficiente para gastar dinheiro dos contribuintes nessas exibições. E, depois de terem sido financiados pelo contribuinte, todos podem desfrutar dos fogos.
A defesa nacional é, historicamente, oferecida pelo governo, porque ela também é um bem público muitíssimo não exclusivo e não rival. Por exemplo, porque a proteção contra invasões estrangeiras é não exclusiva, há sempre uma tentação em não ajudar a pagar por isto, porque você sabe que se alguém mais pagar, você pode desfrutar de graça da segurança contra invasões estrangeiras. E, como a defesa nacional é não rival, sabe também que a segurança que você desfruta é de uma qualidade tão alta quanto a que todos os demais desfrutam. Este fato também diminui o incentivo para pagar. Como resultado, os governos forçam as pessoas a dividirem as despesas da segurança nacional cobrando impostos.
Os impostos e uma boa parte das despesas públicas são frequentemente ridicularizados como desperdício (e muitas vezes são desperdício), mas lembre-se que, em muitos casos, eles são a única forma de financiar a ampla variedade de bens públicos dos quais dispomos. Apesar de ninguém gostar de impostos, você provavelmente, não desejaria negociar a redução da carga fiscal em favor de não ter parques públicos, exército nacional, exibições de fogos de artifício, vias públicas, serviços
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públicos de esgotos, e assim por diante. Sem a capacidade do governo em obrigar as pessoas a pagarem por essas coisas — nós provavelmente não as teríamos — pelo menos não nas quantidades e variedades que atualmente gozamos.
Recorrendo à filantropia para fornecer
bens públicos
DO REAL Embora a maior parte dos bens públicos seja paga por impostos cobrados
UN pelo governo, alguns bens públicos são pagos pela iniciativa privada. Por M exemplo, na cidade de Dundee, você encontrará uma diversidade de
parques públicos originalmente doados à cidade por grupos de Barões como os irmãos Cox, que conseguiram sua riqueza no setor industrial têxtil do século XIX. Os bens públicos (parques) foram, portanto, fornecidos às custas de despesas pessoais.
Na Grécia e Roma antigas, a filantropia pública foi mais além, com ricos aristocratas construindo estradas, aquedutos e templos para uso público. Em alguns casos, homens ricos pagavam até mesmo exércitos inteiros para serem enviados para defender o país em tempos de guerra.
Assim, não pense que os governos são absolutamente necessários para oferecer bens públicos. Eles não são. Mas eles são uma forma muito mais confiável no fornecimento de bens públicos, porque você não precisa invocar a magnanimidade filantrópica dos ricos, que não têm nenhuma obrigação de gastar suas riquezas com bens públicos ao invés de particulares.
No mesmo sentido, não cometa o erro comum de pensar que os bens públicos são chamados públicos porque são, normalmente, fornecidos pelo governo, em vez do setor privado. Os economistas os chamam de bens públicos porque as empresas privadas não podem lucrar com sua produção, não por que eles tenham que ser produzidos pelo governo. A filantropia privada pode produzir bens públicos sem qualquer ajuda do governo.
Proporcionando um bem público pela
venda de um bem privado
DO REAL A radiodifusão televisiva é um bem público. Depois que o sinal de um
UN programa de TV é transmitido, ele é não rival: a audiência do programa M não reduz a capacidade de ninguém de sintonizá-lo. Os programas também
podem ser vistos praticamente como não exclusivos: mesmo que você pudesse impedir alguém de sintonizar sem um cartão de acesso ou sem pagar uma taxa de licenciação, os canais ainda teriam que se preocupar com as pessoas recebendo os programas por outros meios (geralmente ilegais.) Assim, dado que a programação da TV é um bem público, por que muitos programas de TV são produzidos por propriedade privada e operados em estações de TV?
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A resposta é que a indústria da difusão descobriu que embora a TV por si só, seja um bem público, as propagandas que acompanham os programas de TV são bens para lá de privados, para os quais se pode cobrar muito dinheiro. Ou seja, se os fabricantes de automóveis ou de cervejas, ou o editor de um livro de economia revolucionário de capa preta e amarela, querem que sua propaganda seja mostrada para milhões de telespectadores que sintonizam gratuitamente um bem público conhecido como TV, a empresa tem que pagar pelo tempo em que o comercial vai ao ar.
O truque por trás da TV é que o setor privado vendeu um bem chamado publicidade, que paga pelo bem público gratuito chamado televisão. Em um alcance mais limitado, os jornais trabalham da mesma maneira. Embora levantem dinheiro dos assinantes ou das vendas nas bancas de jornais, uma grande parcela de suas receitas vem dos anúncios e publicidade que vendem. Este modelo agora é lugar comum como método de negócios para a maior parte de mídias novas e antigas e até mesmo algumas formas de software.
Claro, o subsídio do anunciador não é a história completa. Em muitos países, existe um equilíbrio entre patrocínio e fornecimento privado. Na Inglaterra, a BBC, fundada a partir de uma taxa de licença, é a solução para a condição de não exclusividade. Com o tempo, a Inglaterra moveu-se lentamente em direção a uma mistura de soluções patrocinadas para diferentes canais, incluindo inscrição, anúncios, pay-per-view (pagar-para-ver), e combinações de todas essas. Entretanto, o princípio de que todos pagam a taxa de licença acabou tornando-se constante.
Categorização das novas tecnologias como
um bem público
Vivemos em uma era de rápida elevação do padrão de vida. Por que disto? Porque as instituições estão incentivando a criação de novas e melhores tecnologias, que nos permitem produzir mais bens e serviços a partir dos mesmos velhos recursos, ou produzir bens e serviços inteiramente novos cuja produção era impossível.
O progresso tecnológico é um bem público. Portanto, a sociedade teve que chegar a formas de certificar-se de que ele acontecesse independente do fato de que os indivíduos e empresas têm pouco incentivo para investir em novas tecnologias.
DO REAL Para entender como as novas tecnologias são bens públicos, considere
MUN a invenção da prensa móvel para impressão por Gutenberg por volta de
1440. Antes de Gutenberg, os livros eram copiados a mão. Mas depois da invenção da prensa tipográfica, passou a ser muito mais barato fazer novas cópias, imprimindo-as.
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Além disso, pense em como a tecnologia é realmente simples. A máquina tipográfica é, basicamente, uma grande versão dos carimbos de borracha com os quais as crianças pequenas gostam de brincar. A invenção foi imediatamente compreensível para qualquer um que ouvia falar dela, o que significou que todos poderiam fazer suas próprias gráficas tão logo ouvissem falar delas.
Deste modo, como esta invenção satisfaz as características de um bem público?
✓ Ela é não rival porque construir e utilizar uma prensa não diminui em
nada a capacidade de outros de construírem e utilizarem o mesmo
tipo de máquina.
✓ Ela é basicamente não exclusiva porque o custo de comunicar a
nova ideia para outra pessoa é muito baixo — apenas uma pequena
conversa faz o truque.
O resultado é que, a menos que a sociedade crie algum tipo de instituição para recompensar a criação de novas ideias, não há nada mais que o incentivo do lucro para entrar no negócio de invenção. De fato, o que aconteceu com Gutenberg foi que todos copiaram sua ideia e não pagaram nada a ele por isso. Então, a menos que seja proposta uma maneira de recompensar financeiramente a criação de novas invenções, é improvável que obtenhamos muitas delas.
Patenteando para transformar bens públicos em bens privados
A solução tem sido a criação de patentes. Ao dar aos inventores o direito exclusivo de comercializar e vender suas invenções por vinte anos, as patentes oferecem um incentivo financeiro para conseguir que as pessoas invistam seu tempo e energia, necessários para apresentar novas tecnologias que beneficiem a todos. Não é por coincidência que a revolução industrial decolou somente após as patentes impostas pelo governo tornarem-se amplamente disponíveis na Europa ocidental no século XVIII.
Subsidiando pesquisas em tecnologias que
não podem ser patenteadas
Mas, mesmo nos dias de hoje, nem toda inovação pode ser patenteada porque você só pode patentear aquilo que inventa e não algo que descobre. Por exemplo, se você inventar um produto químico que nunca existiu antes e sintetizá-lo, então pode patenteá-lo. Mas, se você simplesmente descobrir um produto químico existente, que estava flutuando no mar ou no solo, não pode.
Esta situação é um grande problema para coisas como a pesquisa do câncer, porque muitas curas em potencial são substâncias químicas derivadas de plantas e animais, substâ ncias químicas que existem na natureza desde épocas remotas. Estes produtos químicos têm enormes benefícios potenciais, mas como eles não podem ser patenteados, ninguém tem um forte incentivo financeiro para tentar descobri-los.
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Como resultado, o governo e muitos grupos privados de filantropia financiam pesquisas nas áreas da ciência, onde o problema dos bens públicos poderia, de outra maneira, limitar as pesquisas.
Esta solução é muito importante para um economista, porque prover bens públicos é um problema econômico que os mercados e a mão invisível não podem resolver. Outros tipos de falhas de mercado, como a informação assimétrica, têm muitas soluções importantes no setor privado (como discutimos na seção “Fazendo limonada: Soluções para os problemas do limão”, anteriormente neste capítulo).
Mas, a menos que a sociedade possa encontrar boas maneiras de prover bens públicos, ela é permanentemente privada de seus benefícios. Para bens públicos como exibições de fogos de artifícios, pouco importa. Mas para inovações tecnológicas como a cura do câncer, os bens públicos são, literalmente, uma questão de vida ou morte.
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Parte IV
A Parte dos Dez
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Os capítulos nesta parte apresentam alguma diversão e leitura rápida. O Capítulo 16 fala sobre as vidas e os ideais de alguns grandes economistas. O Capítulo Nesta Parte...
17 desmascara os dez mais comuns e mais incorretos
fragmentos do pensamento econômico — aquele do tipo
que você ouve o tempo todo, geralmente no rádio, nos
programas de entrevistas da televisão e nos discursos
políticos. O Capítulo 18 caracteriza dez das grandes e
corretas ideias econômicas que devem guiar seu modo
de pensar com relação a política pública e como melhor
administrar uma economia.
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Capítulo 16
Dez (Ou Quase)
Economistas Famosos
Neste Capítulo
X Percebendo que nenhum economista trabalha isoladamente
X Destacando alguns economistas extraordinários
Neste curto capítulo, damos uma descrição resumida das ideias apresentadas por 12 dos melhores e mais influentes economistas da história (apenas dez não são suficientes.) Cada um deles mudou radicalmente a maneira como a economia conceitua o mundo ou o modo como os políticos e funcionários de governo formulam as políticas públicas.
Mas nem por um segundo pense que estes homens fizeram isso tudo por conta própria (e, sim, eles eram todos homens – a história funciona assim às vezes.) Como acontece com qualquer ciência, na economia a descoberta de uma única pessoa é construída sobre a fundação de centenas de contribuições feitas por incontáveis pesquisadores.
Em outras palavras, há muito mais que 10 — ou mesmo 12 — grandes economistas. Com alguma sorte, este livro despertou seu interesse em aprender mais sobre economia, desse modo você poderá conhecer as ideias estelares de diversos outros grandes economistas que não fizeram parte dessa lista.
Adam Smith
Adam Smith (l723-1790) era um professor de Filosofia Moral que desenvolveu a ideia de que ao mesmo tempo em que as empresas são forçadas a fortes competições, sua busca pelo lucro individual faz com que, de forma não intencional, elas ajam de maneira socialmente correta — como se fossem guiadas por uma mão invisível para fazer a coisa certa. Ele também analisou a forma pela qual as novas tecnologias e organizações se combinavam para criar maneiras novas e mais eficientes de fazer as coisas, levando ao progresso técnico e econômico.
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Mas Smith não era ingênuo. Ele acreditava que os empresários preferiam conluiar-se a competir entre si sempre que possível, e que os governos têm um papel muito importante a desempenhar na economia, para a promoção da concorrência sadia, necessária para que a mão invisível possa fazer sua mágica. Ele também acreditava que os governos deveriam oferecer muitos serviços públicos essenciais, como a defesa nacional, que não são facilmente produzidos pelo setor privado.
David Ricardo
David Ricardo (1772-1823) descobriu o conceito de vantagem comparativa e demonstrou (corretamente) que o comércio internacional é uma situação de ganho-ganho para os países envolvidos. A vantagem comparativa destruiu a respeitabilidade intelectual do mercantilismo, a teoria equivocada por trás do colonialismo que considerava o comércio de modo unilateral e, consequentemente, argumentava que ele deveria ser estabelecido para beneficiar a pátria mãe à custa de sua colônia.
Além disso, Ricardo analisou corretamente o fenômeno econômico dos retornos decrescentes, que explica por que os custos tendem a crescer quando você aumenta os níveis de produção. Ele também foi um forte proponente da teoria quantitativa do dinheiro — a ideia de que ao aumentar a oferta de dinheiro os preços também aumentam.
Karl Marx
Karl Marx (1818-1883) foi o principal economista entre os socialistas do século XIX. Atualmente, nenhuma de suas principais teorias econômicas é aceita como sendo verdadeira, mas por alguns dos defensores das suas ideias terem chegado ao poder em dezenas de países durante o século XX, ele foi, certamente, um dos mais influentes economistas que já viveu (Marx tem um espaço maior aqui não porque ele é o economista mais importante da nossa lista, mas porque precisamos de espaço para explicar suas ideias antes de desacreditá-las. As ideias dos outros economistas da lista já estão explicadas em detalhes em outras partes deste livro. Fora isso, ao ler sobre Marx, tenha em mente que uma pergunta justa a ser feita é: quão marxistas eram os governos marxistas do século XX?)
CEIT O-CH A VE A mais importante contribuição intelectual dada por Marx é sua ideia
ON de que o capitalismo é historicamente uma forma única de organização C produtiva e social. Em O Capital, ele analisou o capitalismo como uma
nova forma de organização social e econômica baseada no acúmulo de capital e produção industrial. Ele chamava os proprietários das fábricas de “capitalistas” e argumentava que eles seriam forçados a explorar os trabalhadores de suas fábricas.
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Capítulo 16: Os Dez (Ou Quase) Economistas Famosos 349
Em especial, ele acreditava que os únicos capitalistas que sobreviveriam e cujos negócios cresceriam, eram aqueles que pagavam salários mínimos aos seus empregados para que estes pudessem sobreviver. Assim, mesmo que a produtividade aumentasse rapidamente, os trabalhadores suportariam permanentemente a opressão da pobreza, da qual não poderiam sair, exceto se acontecesse uma queda violenta dos capitalistas — uma queda na qual os trabalhadores ganhariam o controle das fábricas.
Marx argumentava que esta queda violenta seria facilitada pelo que ele via como uma tendência inevitável à concentração e ao monopólio. Quando houvesse apenas o monopólio de uma empresa em cada ramo de atividade, seria fácil para os trabalhadores se revoltarem e assumir o controle do sistema.
Com um século e um quarto de retrospectiva, sabemos que Marx estava errado em seu pensamento econômico. Em particular, os salários dos trabalhadores aumentaram ao longo do tempo — de fato, eles aumentam, em média, mais rápido que as inovações tecnológicas aumentam os níveis de produtividade. Isto porque os capitalistas competem pela oferta limitada de trabalhadores, e os salários sobem tão rapidamente quanto as melhorias na produtividade permitem um capitalista subir o valor dos salários para “roubar” trabalhadores de outros capitalistas.
Além do que, a concorrência não permite que cada ramo de atividade seja dominado por um único monopólio empresarial. Ao contrário, a concorrência permanece sadia em muitos mercados e, consequentemente, oferece a todos os benefícios da mão invisível de Adam Smith.
Alfred Marshall
Alfred Marshall (1842-1924) inventou o método de oferta e demanda para analisar os mercados. Aplicando matemática à teoria econômica, ele diferenciou claramente os deslocamentos das curvas de demanda e oferta e os movimentos ao longo das curvas de demanda e oferta. Fazendo isto, eliminou até 2.000 anos de raciocínio falho. Ele também fez a previsão revolucionária de que os preços de mercado estariam onde acontece o cruzamento das curvas de demanda e de oferta.
Em seguida, Marshall deu um passo além e percebeu que ao comparar os pontos ao longo das curvas de oferta e de demanda com o preço de mercado, seria possível quantificar os benefícios que os consumidores e produtores teriam com as transações de mercado. Estes benefícios, respectivamente, o excedente de consumidores e produtores e sua soma, é o total do superávit econômico.
Este método de quantificação dos benefícios da produção e do consumo ainda hoje é usado e constitui a base da economia social, que estuda os custos e benefícios das atividades econômicas. Este método também acontece apenas para ilustrar em um gráfico muito simples a intuição por trás da mão invisível de Adam Smith. O equilíbrio de mercado livre, onde a
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demanda cruza a oferta, é exatamente o mesmo que um planejador social benevolente escolheria fazer se estivesse tentando maximizar o bem-estar social pela maximização do superávit total da economia. Em outras palavras, um mercado livre age de fato “como que se movido por uma mão invisível” para promover o bem comum.
John Maynard Keynes
John Maynard Keynes (1883-1946) inventou a macroeconomia moderna e a ideia de usar estímulos econômicos fornecidos pelo governo para superar as recessões. Grande parte da macroeconomia do restante do século XX foi uma série de respostas a disseminação de suas ideias.
Suas ideias mais famosas foram desenvolvidas em resposta à longa agonia da Grande Depressão de 1930. Ele afirmou primeiro que a Grande Depressão foi o resultado de um colapso nos gastos realizados com bens e serviços. Em seguida, afirmou que a política monetária havia sido ineficiente no combate ao declínio das despesas. E finalmente concluiu, demonstrando seu desânimo com a política monetária, que a política fiscal era a única fonte de salvação. Em especial, Keynes acreditava que a melhor forma de aumentar as despesas em circunstâncias terríveis, era que o governo gastasse pesadamente para pagar por programas que comprariam grandes quantidades de bens e serviços, de modo a colocar a economia em movimento novamente.
As prescrições de Keynes para a política foram adotadas durante a Grande Depressão, em muitos países e, posteriormente, constituíram o alicerce do estado de prosperidade Welfare State pós-guerra. E, embora muitas das suas ideias específicas sobre a causa da Grande Depressão e as melhores políticas para lidar com as recessões não sejam mais abraçadas, sua ideia fundamental de que os governos são responsáveis por domar o ciclo de negócios, permanece muito forte ainda hoje.
Kenneth Arrow e Gerard Debreu
Kenneth Arrow (nascido em 1921) e Gerard Debreu (1921-2004) provaram matematicamente que a intuição de Adam Smith sobre a mão invisível, de fato, estava correta. Não apenas as empresas concorrentes provêm a sociedade com uma combinação utilitária maximizada de bens e serviços, como também o fazem eficientemente e a um custo mínimo. Uma vez que esta prova veio na década de 1950, ela serviu para refutar as afirmações do totalitarismo e comunismo de que a economia planificada centralmente era mais produtiva e eficiente que as economias de mercado.
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Capítulo 16: Os Dez (Ou Quase) Economistas Famosos 351
Milton Friedman
Milton Friedman (1912-2006) convenceu os economistas de que a teoria quantitativa da moeda era, de fato, verdadeira: inflações prolongadas resultam do encorajamento no aumento da oferta de dinheiro (imprimir muito dinheiro). Este insight colocou limites no uso da política monetária para estimular a economia.
Friedman também argumentou que a Grande Depressão foi, principalmente, uma catástrofe monetária, e que sua gravidade foi o resultado de um horrível aperto na oferta de dinheiro, que manteve as reais taxas de juros muito altas. O diagnóstico da causa da Grande Depressão é agora a explicação padrão, significando que a munição intelectual para a solução de Keynes para as recessões — grandes aumentos nos gastos do governo — perdeu muito da influência que já teve. Isto levou os economistas a concluírem que a política monetária é mais importante que a política fiscal para regular a economia e prevenir recessões.
Paul Samuelson
Paul Samuelson (1915-2009) fez várias contribuições para a economia. Talvez a mais importante tenha sido a cristalização da ideia de que todo o comportamento econômico pode ser pensado como consumidores e empresas maximizando ou sua utilidade ou seu lucro, sujeitos a uma série de restrições. Esta ideia de maximização restrita tornou-se o paradigma dominante, que rege como os economistas concebem o comportamento econômico.
Samuelson também desenvolveu uma harmoniosa mistura das ideias Keynesianas e clássicas sobre a utilização adequada da intervenção governamental na economia. Keynes defendia as grandes intervenções governamentais para abrandar as recessões. Economistas clássicos como Smith e Ricardo defendiam a menor intervenção governamental possível, temendo que as intervenções do governo piorassem ainda mais as coisas.
A síntese neoclássica de Samuelson declara que durante recessões, o governo deveria estar disposto a fazer grandes intervenções na economia para conseguir que ela se movimentasse de novo, mas quando a economia está operando a pleno potencial, a tarefa apropriada do governo é prover bens públicos e cuidar das externalidades. Muitos economistas aderem a esta visão sobre o papel do governo na economia.
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Robert Solow
Robert Solow (nascido em 1924) tem dado enormes contribuições ao entendimento do crescimento econômico e elevação dos padrões de vida. Além de desenvolver modelos inovadores de como as economias crescem ao longo do tempo, ele também mostrou que a principal força propulsora de longo prazo para o crescimento econômico é a inovação tecnológica.
CEIT O-CH A VE Antes de Solow, a economia declarava acreditar que os aumentos na
ON produção eram resultado dos aumentos nos insumos. Em particular, os C aumentos na produção eram apenas o resultado de usar mais trabalhadores
ou mais capital (tal como fábricas maiores). O que Solow demonstrou foi que pelo menos 50 por cento do crescimento do padrão de vida a longo prazo pode ser explicado pelo aumento do trabalho e do capital. O restante tem que ser resultado da inovação tecnológica.
Esta visão criou uma enorme mudança de paradigma entre os economistas, que resultou no estudo sistemático da inovação tecnológica e as formas pelas quais ela pode ser melhorada por políticas governamentais como patentes, ou pelo investimento em capital humano. O insight de Solow também abre a refrescante possibilidade de que a inovação tecnológica nos permitirá desfrutar do mais alto padrão de vida, sem termos que aumentar constantemente nossa utilização dos recursos da Terra.
Gary Becker
Gary Becker (nascido em 1930) tem sido extremamente influente porque ele tem empurrado a economia para áreas anteriormente imunes ao pensamento econômico.
Sua primeira grande contribuição foi argumentar que os mercados livres tendem a trabalhar para a igualdade e contra a discriminação racial e de gênero. O pensamento é que as empresas que recusam contratar a mão de obra melhor qualificada devido a raça ou sexo, se colocam em uma situação de desvantagem competitiva em relação as empresas não preconceituosas. Becker apoiou esta visão mostrando que as empresas que são mais competitivas, de fato, empregam mais minorias e mulheres.
Outra contribuição significativa de Becker foi o modelo de famílias como unidades econômicas, nas quais cada membro da família tende a agir nas bases da analise de custo-benefício. Por exemplo, à medida que as sociedades se tornaram mais ricas e a mão de obra assalariada se tornou mais abundante (e mais bem paga), Becker previu que mais mulheres prefeririam trabalhar fora a ficar em casa. Ele ofereceu uma explicação econômica para uma enorme mudança na força de trabalho que, de outra forma, teria sido explicada apenas em termos de considerações sociológicas (tal como mudar os papéis dos gêneros).
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Capítulo 16: Os Dez (Ou Quase) Economistas Famosos 353
Do mesmo modo, ele foi o primeiro a criar o modelo de comportamento criminoso, em termos de como os criminosos observam os custos e benefícios potenciais de cometer qualquer crime. Se os benefícios esperados excederem os custos previstos, o criminoso estará muito mais propenso a tentar o crime. Esta teoria do comportamento criminoso é radicalmente diferente das explicações anteriores, e isto levou Becker a propor uma ideia muito influente, de que a melhor maneira para dissuadir o crime é aumentar os custos em relação aos benefícios.
Robert Lucas
Robert Lucas (nascido em 1937) mostrou que as pessoas são planejadoras sofisticadas, que modificam constantemente suas estratégias em respostas às mudanças na política do governo. Se você assume que as pessoas mudam seu comportamento provavelmente somente muito lentamente em resposta as mudanças na política, você estará, provavelmente, exagerando os resultados dessas mudanças.
Em particular, a política monetária perderia a maior parte de sua eficácia se as pessoas racionalmente delineassem as mudanças na política. Suponha que o governo anuncie que dentro de três meses irá dobrar a oferta de dinheiro numa tentativa de estimular o aumento das compras de bens e serviços. Se os donos das lojas mantiverem o mesmo preço, a despeito do fato de que mais dinheiro está a caminho, a economia é estimulada, porque as pessoas poderão comprar muito mais coisas com todo aquele dinheiro novo.
Mas se em vez disso os donos das lojas reagirem racionalmente ao anúncio do governo, eles irão aumentar seus preços em antecipação a todo aquele dinheiro novo que está chegando para ser gasto em suas lojas. Ao fazer isso, eles reduzem enormemente o montante pelo qual as vendas de bens e serviços aumentam quando as pessoas começam a gastar todo aquele dinheiro novo.
Assim, se os lojistas dobrarem seus preços em antecipação à duplicação da oferta de dinheiro, a política de mudança não resultará em qualquer aumento na quantidade de bens e serviços vendidos. Com preços duas vezes mais altos, ter duas vezes mais dinheiro permitirá que os consumidores comprem exatamente a mesma quantidade de antes.
A ideia de Lucas veio a ser conhecida como expectativas racionais, e ela trouxe consigo uma nova humildade sobre em que medida a política do governo — especialmente a política monetária — pode influenciar o mundo.
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Capítulo 17
Dez Falácias Sedutoras
Sobre a Economia
Neste Capítulo
X Evitando falácias lógicas que enganam pessoas inteligentes
X Afastando-se do mau pensamento econômico
Neste curto capítulo, iremos sublinhar as mais atraentes, convincentes e erradas ideias em economia. Algumas são falácias lógicas. Umas poucas são opiniões míopes, que não levam em consideração a realidade geral. E outras são exemplos econômicos pobremente planejados. Todas estas falácias devem ser evitadas.
A Falácia do Grupo de Trabalho
O argumento de que existe uma quantidade fixa de trabalho que você pode dividir entre tantas pessoas quanto desejar é, frequentemente, apresentado como a cura para o desemprego. A ideia é que se você converter uma semana de 40 horas de trabalho em uma semana de 20 horas de trabalho, as empresas terão que contratar duas vezes mais trabalhadores. Em 2000, a França, por exemplo, reduziu sua semana de trabalho para apenas 35 horas na esperança de que as empresas pudessem contratar mais trabalhadores e curar o persistente problema de desemprego no país.
A ideia não funcionou; tais políticas nunca funcionaram. Um problema é que contratar trabalhadores envolve muitos custos fixos, incluindo custos de treinamento e seguro saúde. Então, trabalhadores da jornada de 20 horas semanais custam mais para contratar do que trabalhadores com jornada de 40 horas semanais. Além do mais, dois trabalhadores da jornada de 20 horas semanais não produzem mais do que um trabalhador com jornada de 40 horas semanais.
Então, se forem aprovadas leis que forcem as empresas a mudar a semana de 40 horas para uma semana de 20 horas de trabalho, as empresas não dobrariam o tamanho de sua força de trabalho. Elas contratariam menos que duas vezes a quantidade de trabalhadores, porque os custos seriam muito elevados, um dos motivos pelos quais, em 2005, a França relaxou sua experiência com a semana de 35 horas.
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Além disso, mesmo cortando a jornada de trabalho semanal pela metade, isso não dobraria o número de trabalhadores utilizados, apenas ocultaria o problema geral do desemprego ao espalhá-lo por todas as partes. Se 100 por cento dos funcionários estiverem trabalhando meio-período, eles estarão todos 50 por cento desempregados. Esta situação não é uma melhora significativa, já que temos 50 por cento da população empregada em tempo integral e 50 por cento desempregada.
O que você realmente deseja é uma situação na qual cada trabalhador que deseja um emprego em tempo integral seja capaz de consegui-lo. Diminuir o tempo de trabalho semanal não atinge este objetivo.
O Mundo Está Enfrentando um
Problema de Superpopulação
Várias versões desse mito têm circulado a humanidade desde o final do século XVIII, quando Thomas Malthus fez tal afirmação pela primeira vez. Ele argumentou que o padrão de vida não poderia aumentar permanentemente, porque os altos padrões de vida causariam um aumento populacional rápido. Ele acreditava que o crescimento demográfico iria ultrapassar nossa capacidade de produzir mais comida, portanto, estaríamos condenados a retroceder aos níveis de subsistência de nutrição e padrão de vida.
Mesmo na época da primeira publicação dessa ideia de Malthus, muitas evidências indicavam que ela era um disparate. Por gerações, o padrão de vida tem aumentado enquanto que a taxa de nascimentos tem diminuído. E como esta tendência se manteve até os dias de hoje, nós não vamos retroceder aos níveis de subsistência.
DO REAL De fato, agora muitas nações encaram o problema da subpopulação. Em
UN muitos países desenvolvidos, as taxas de nascimentos têm ficado abaixo M das taxas de reposição necessárias para manter o equilíbrio da população.
Como resultado, essas populações irão encolher dramaticamente muito em breve. E, porque a taxa de natalidade está caindo rapidamente em todo o mundo, a previsão das Nações Unidas é de que a população mundial total esteja, no máximo, em torno dos 9 bilhões de pessoas em 2070.
Um problema relacionado é que a rápida queda nas taxas de natalidade está acarretando caos aos sistemas de aposentadoria patrocinados pelo governo, porque não existem trabalhadores jovens o bastante para pagar todas as taxas necessárias para financiar as pensões dos aposentados. Desesperados, alguns países estão chegando ao ponto de pagar subsídios em dinheiro às mães para cada nova criança que trazem ao mundo (a Itália, que teve uma das menores taxas de nascimento assim como um dos mais generosos sistemas de pensões, está particularmente preocupada.)
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Capítulo 17: Dez Falácias Sedutoras Sobre a Economia 357
Embora muitos países com elevadas taxas de natalidade tenham problemas com pobreza e desnutrição, muitos economistas estão dispostos a atribuir as causas do problema a políticas governamentais pobres.
Em tempo, este argumento não busca negar que o mundo encarará diversos problemas ambientais ao longo do século vindouro. Entretanto, conforme as pessoas recebem uma educação melhor e tornam-se mais cientes do impacto ambiental, a superpopulação será um problema menor.
A Falácia de Confundir Sequência
com Causalidade
Post hoc ergo propter hoc é uma frase em latim que se traduz aproximadamente como “porque você vê uma coisa precedendo outra, imagina que ela causa a outra.” Isto é, se A acontece antes de B, você assume que A causa B.
Tal dedução é falsa, porque A e B, frequentemente, não têm qualquer relação. Por exemplo, às vezes chove pela manha e você tem dor de cabeça a tarde. Isto não significa que a chuva causou sua dor de cabeça.
Os políticos tentam puxar este engano de lógica todo o tempo quando discutem economia. Por exemplo, suponha que o político A foi eleito e, uns poucos meses depois, há uma recessão. Um não tem nada a ver com o outro mas, você pode ter certeza de que nas próximas eleições um oponente do político A irá alegar que a recessão é o resultado das políticas do político A. A única prova oferecida é que um evento aconteceu antes do outro. Nesses casos, vale a pena procurar bons motivos que deem apoio ao argumento.
O Protecionismo É a Melhor Solução
para a Concorrência Estrangeira
Para ser sincero, você pode encontrar bons e maus argumentos em favor do protecionismo. Os bons argumentos incluem a necessidade da segurança estratégica para certos bens. Por exemplo, a maioria dos países desenvolvidos estabelece um grau de proteção para suas indústrias de defesa. Entretanto, argumentos a favor de barreiras comerciais e impostos sobre importações, com base de que essas políticas beneficiam os cidadãos e evitam que empregos sejam exportados, tendem a não ser bons argumentos. O problema é que tais argumentos consideram apenas os benefícios do protecionismo sem considerar os custos.
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Barreiras comerciais e impostos sobre importações realmente protegem os empregos específicos que intencionam proteger. Entretanto, outros empregos são frequentemente sacrificados no processo.
PLO Por exemplo, elevar as tarifas sobre o carvão estrangeiro protege os
EX empregos dos mineiros domésticos. Mas, tal política resulta em custos mais EM
elevados de energia para toda a economia. Os fabricantes domésticos têm que pagar custos mais altos de energia, maior do que se tivessem acesso ao carvão estrangeiro mais barato. Desse modo, eles têm que aumentar os preços dos bens que produzem. Como resultado, a procura destes produtos diminui, e os fabricantes não precisam mais de tantos trabalhadores.
Outro problema com o protecionismo é que os cidadãos são consumidores, assim como produtores. Por exemplo, se o governo evita a importação a baixo custo de automóveis estrangeiros de alta qualidade, ele preserva os empregos da indústria automobilística interna. Mas, como resultado, os custos para o consumidor interno se elevam.
Proteger uma indústria improdutiva que enfrenta concorrência estrangeira, só lhe permite manter a utilização de recursos que seriam mais bem utilizados por indústrias mais vibrantes. Trabalhadores que, de outro modo, mudariam para empregos em novas empresas inovadoras e altamente produtivas, ao invés ficam presos em uma indústria tão improdutiva que só pode sobreviver tendo o provimento necessário do governo a seu favor.
A verdade é que, a mudança de uma empresa agonizante para uma nova indústria inovadora pode ser áspera para um trabalhador individual. Mas, em vez de evitar a necessidade de mudanças protegendo as indústrias improdutivas, o governo pode ajudar os trabalhadores domésticos de forma mais eficiente, proporcionando programas de requalificação. No caso dos trabalhadores mais velhos, que têm apenas uns poucos anos de trabalho restantes, a aposentadoria antecipada pode ser mais viável que treinamento.
A Falácia da Composição
Supor que o que é bom para uma pessoa, é bom para todas as demais de uma só vez, é outro engano comum. Por exemplo, se você estiver em um evento esportivo com ingressos esgotados e quiser ter uma melhor visão, uma boa ideia é ficar em pé – mas somente se você for o único a se levantar. Se todos os demais também se levantarem, a visão será exatamente tão ruim quanto quando todos estavam sentados (mas agora, todos estão ficando com as pernas cansadas). Consequentemente, o que era bom para você fazer sozinho é realmente ruim para todos fazerem ao mesmo tempo.
PLO O engano da composição é falso porque algumas coisas na vida têm a ver
EXEM com a posição relativa. Por exemplo, se você começa como o empregado
de menor salário em sua empresa, mas depois consegue um aumento de 50 por cento enquanto ninguém mais conseguiu, sua posição relativa dentro da empresa melhora. Entretanto, se todos conseguem um aumento de 50 por cento ao mesmo tempo, você ainda é a pessoa mais mal paga pela
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Capítulo 17: Dez Falácias Sedutoras Sobre a Economia 359
empresa. Se o que importa para você é sua permanência relativa dentro da empresa, obter o mesmo aumento que todos os outros não o fará mais feliz. Por outro lado, se você estiver mais interessado em saber sua posição em relação as pessoas que trabalham em outras empresas, conseguir 50 por cento de aumento é bom, mesmo que todos os outros trabalhadores na sua empresa também o recebam (o que é engraçado, as pesquisas mais recentes sugerem que quando pensamos naquilo que nos torna melhores, somos tremendamente motivados em sermos melhores que nossos pares!).
Se Valer a Pena Fazer,
Faça 100 Por Cento
Todos nós valorizamos a segurança. Porém, um político americano famoso estava realmente sendo sensato quando disse que deveríamos gastar tanto quanto o necessário para tornar o voo em companhias aéreas comerciais “tão seguros quanto possível”?
Os economistas diriam “Não!” O problema é que tornar as viagens aéreas comerciais “tão seguras quanto possível” significaria torná-las proibitivamente caras. Embora a segurança seja uma coisa boa, alcançar a segurança completa não é um objetivo louvável se isto tornar o voo tão caro, que apenas os extremamente ricos poderiam pagar por ele.
O político falhou em aplicar o marginalismo — a ideia de que a melhor maneira para se aproximar de um problema é comparando seus benefícios marginais com os custos marginais. Ao aplicar o marginalismo à segurança aérea, você percebe que voar “de forma tão segura quanto possível” é desperdício.
As primeiras inovações na segurança aérea (tais como cintos de segurança e radares) são sensatas de se aceitar porque o benefício extra, ou marginal, que cada uma delas trouxe é maior que o custo extra, ou marginal, necessário a se pagar por elas. Mas, depois que a primeira inovação na segurança foi implementada, as inovações sucessivas se tornaram mais caras e menos eficientes. Em algum ponto, inovações adicionais trazem apenas pequenas melhorias marginais em segurança, ao passo que acumulam altos custos marginais.
Não estamos sugerindo que investimentos em segurança não são válidos. Embora o aumento na segurança dos aeroportos fira as companhias aéreas, é algo que podemos aceitar por que os riscos associados a uma pessoa penetrando com más intenções é tão alto, que estamos dispostos a pagar o preço. Entretanto, mesmo aqui há um ponto no qual estabelecemos um limite e deixamos de nos preocupar. Afinal, se ninguém voar, os terroristas não podem atacar aviões, mas o custo para a economia global seria enorme.
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Livres Mercados são
Perigosamente Instáveis
Livres mercados são voláteis porque a oferta e a demanda frequentemente mudam com muita rapidez, causando mudanças bruscas no equilíbrio dos preços e quantidades (o que discutimos no Capítulo 8). Entretanto, a mudança rápida não é o problema. A receptividade do mercado é realmente um dos seus grandes benefícios. Diferente da burocracia governamental, que nunca pode reagir rapidamente para coisa alguma, os mercados podem ajustar-se às enormes mudanças de eventos mundiais em poucos minutos.
O novo equilíbrio dos preços e das quantidades vê que os recursos são alocados para seus melhores usos, e que a sociedade não sofre nem de escassez nem de fartura. Portanto, não chame os mercados de instáveis. Chame-os de receptivos.
Baixos Salários dos Estrangeiros
Significam Que Os Países Ricos não
Podem Competir
Frequentemente é dito que empresas americanas não podem competir com as empresas estabelecidas em países em desenvolvimento devido às enormes diferenças dos salários por hora. Para ver o problema com este pensamento, vamos comparar uma fábrica nos Estados Unidos com uma fábrica em um país em desenvolvimento.
PLO Digamos que a empresa americana pague a seus funcionários $ 20,00 por
EXEM hora, enquanto que a fabrica no país em desenvolvimento pague $ 4,00 por
hora. As pessoas, erroneamente, tiram a conclusão de que como os custos de trabalho nas fábricas estrangeiras são muito baixos, essas empresas podem, facilmente vender seus produtos a um preço inferior ao das fábricas nos Estados Unidos. Mas esse argumento cai quando se leva em consideração duas coisas:
✓ O que realmente importa é o custo do trabalho por unidade, não o
custo do trabalho por hora.
✓ As diferenças na produtividade normalmente significam que os
custos do trabalho por unidade são quase idênticos, apesar das
enormes diferenças nos custos do trabalho por hora.
Para compreender o que isso quer dizer, compare quão produtivas as duas fábricas são. Como a fábrica nos Estados Unidos usa tecnologia muito mais avançada, um trabalhador, em uma hora, produz 20 unidades
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Capítulo 17: Dez Falácias Sedutoras Sobre a Economia 361
de mercadoria. O trabalhador americano é pago a $ 20,00 por hora, por isso o custo do trabalho por unidade produzida é de $ 1,00. A fábrica no país em desenvolvimento é muito menos produtiva; nela, um trabalhador produz apenas 4 unidades em uma hora. Dado o salário do estrangeiro de $ 4,00 por hora, o custo do trabalho por unidade de produção no pais em desenvolvimento também é de $ 1,00.
Obviamente, a taxa de menor salário por hora do país em desenvolvimento não se traduz em baixo custo de trabalho por unidade — o que significa que o país não será capaz de vender por um preço inferior ao seu concorrente americano.
Pessoas que atentam exclusivamente às diferenças nos custos de trabalho por hora, nunca mencionam as diferenças na produtividade que, normalmente, equilibram os custos trabalhistas por unidade. O custo da produção também depende de fatores como a disponibilidade de capital, maquinário e recursos, ou regulações impostas pelo governo local. Os economistas discordam do impacto exato que esses fatores têm, entretanto concordam que o labor por si só é insuficiente para contabilizar as diferenças no custo da produção de itens em diferentes países.