Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
Portanto, quais fatores combinados aceleraram tão radicalmente o crescimento da Economia no final do século XVIII? A resposta é que as seguintes instituições estavam presentes:
✓ Democracia: Sim, podemos expor com exagero esta aqui. Contudo,
faz sentido considerar que existe uma probabilidade maior de você
investir se o seu investimento estiver protegido pela lei, ao invés de
depender da vontade de um tirano. Fora isso, os governos da era
democrática incorporaram melhor as visões dos comerciantes e
fabricantes que criaram a riqueza que todos gostamos.
✓ As sociedades anônimas: Sob esta estrutura empresarial, os
investidores poderiam perder somente o montante de seus
investimentos e não serem responsabilizados por eventuais dividas
que a empresa não pudesse pagar. A responsabilidade compartilhada
reduziu grandemente os riscos de investimentos em negócios e,
consequentemente, levou a investir muito mais.
✓ Direitos de patente para proteger os inventores: Antes das
patentes, os inventores viam suas ideias serem roubadas antes que
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 11 04/05/2012 18:04:42 12 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
pudessem ganhar algum dinheiro. Ao garantirem aos inventores o
direito exclusivo para comercializar e vender suas invenções, as
patentes deram um incentivo financeiro para a produção de muitas
invenções. De fato, depois que as patentes passaram a existir, o
mundo viu seus primeiros inventores de tempo integral — pessoas
que ganhavam a vida inventando coisas.
✓ Expansão da alfabetização e educação: Sem inventores com
educação de alto nível, as novas tecnologias não seriam inventadas.
E, sem uma força de trabalho aperfeiçoada, não haveria produção
em massa. Consequentemente, a decisão tomada por várias nações,
em tornar obrigatória a educação primária e secundária, pavimentou
o caminho para um crescimento econômico rápido e sustentável.
Instituições e políticas como estas nos deram um mundo em crescimento e oportunidades, e uma abundância sem precedentes na história humana, tanto que um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade, em muitos países, é a obesidade.
Olhando para o futuro
O mundo encara diversos desafios hoje, alguns dos quais resultam de nossos sucessos e outros são extensivos a todos os cidadãos do planeta. Entre os primeiros estão as mudanças potenciais no clima e nossa reação à elas, e entre os últimos a questão sobre como melhorarmos as condições de cidadão pobres sem criar danos ambientais
Alguns problemas como o aumento da pobreza podem ser aliviados ao estender às nações carentes as instituições que comprovadamente se mostraram úteis para o aumento dos padrões de vida das nações ricas. Mas outros problemas, como a poluição e o esgotamento dos recursos que acompanham as estruturas institucionais usadas nos países ricos, requerem novas invenções e novas instituições.
Portanto, há duas excelentes razões inter-relacionadas para que você leia este livro e aprenda um pouco mais sobre economia:
✓ Você descobrirá como as economias modernas funcionam, o que lhe
dará não só compreensão do motivo de elas terem proporcionado
um aumento nos padrões de vida, mas também onde precisam de
melhorias.
✓ Você adquirirá conhecimento dos principais fundamentos da
economia, o que o tornará apto a julgar por si mesmo as propostas
para a política econômica que políticos e outros promovem. Após ler
este livro você será capaz de distinguir o joio do trigo.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 12 04/05/2012 18:04:42 Capítulo 1: O que a Economia Estuda? E por que Devemos nos Importar? 13
Diferenciando Macroeconomia
e Microeconomia
Organizamos este livro para tentar incutir em você o máximo de conhecimento em economia, tão rápido e eficaz quanto possível. Também nos esforçamos para mantê-lo vigoroso e divertido. O históriador e ensaísta escocês Thomas Carlyle chamou a economia de “ciência lúgubre,” (ele tem um pouco de gaiato), mas isto não é realmente justo, e iremos dar o nosso
CEIT O-CH melhor para termos certeza de que você não concordará com ele. A VE
ON O princípio organizacional principal que usamos neste livro é dividir C
economia em duas partes amplas: macroeconomia e microeconomia:
✓ A macroeconomia olha para a economia como um todo orgânico,
concentrando-se nos fatores econômicos mais amplos, como taxas
de juros, inflação e desemprego. Ela também abrange o estudo do
crescimento econômico e como os governos utilizam a política monetária
e fiscal para tentar moderar os prejuízos causados pela recessão.
✓ A microeconomia se concentra em indivíduos e empresas. Ela explica
como os indivíduos se comportam quando encaram decisões sobre
onde gastar seu dinheiro ou como investir suas economias. Para
os negócios, ela explica como as empresas maximizam os lucros
individualmente ou quando estão competindo com outras no mercado.
O fundamental para ambas, microeconomia e macroeconomia, são alguns princípios básicos como escassez e diminuição de recursos. Consequentemente, passaremos o restante da Parte I explicando estes fundamentos antes de mergulhar na macroeconomia, na Parte II, e microeconomia, na Parte III.
A maior parte do restante deste capítulo servirá como um trailer para o resto do livro, portanto, se você quiser ser surpreendido mais tarde, é só pular algumas paginas agora mesmo. A exceção é a ultima seção, onde falamos sobre como os economistas usam tabelas e gráficos. Se você precisa se atualizar em como ler tabelas e gráficos, leia esta seção antes de pular para os outros capítulos.
Enquadrando a Economia Como a
Ciência da Escassez
A escassez é um fenômeno fundamental e inevitável que cria uma necessidade para a ciência da Economia. Sem escassez de tempo, de recursos, de informação, de bens de consumo, de paz e boa vontade na Terra, os seres humanos não teriam falta de nada.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 13 04/05/2012 18:04:42 14 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
Escassez é o motivo pelo qual você não pode ter tudo, mesmo se for a pessoa mais rica do mundo. Mesmo se o dinheiro não for escasso, tempo e/ ou recursos físicos serão. Em algum nível, você fará escolhas sobre como gastará todo seu amado dinheiro. Um economista é entusiástico ao pontuar que você não pode ter tudo.
CEIT O-CHA VE Infelizmente, a escassez é um fato. Não existe tempo ou coisas suficientes
ON para satisfazer a todos os seus desejos, por isso as pessoas têm que fazer C escolhas difíceis sobre o que produzir e consumir; se elas não podem
ter tudo, pelo menos têm o melhor possível diante das circunstâncias. O capítulo 2 aborda a escassez mais profundamente e trata dos dilemas que ela pode causar nas pessoas.
O capítulo 3 se baseia no capítulo 2, mostrando-lhe como os economistas analisam as decisões que as pessoas tomam sobre como maximizar a felicidade humana em um mundo de escassez. Este processo acaba por estar intimamente ligado a um fenômeno conhecido como rendimentos decrescentes , que descreve o triste fato de que cada montante adicional de recurso que é colocado em um processo de produção traz sucessivamente quantidades menores de saída.
Como a escassez, rendimentos decrescentes são inevitáveis e no capítulo 3 explicaremos como as pessoas podem lidar com este fenômeno de maneira inteligente, de modo a obterem o máximo de um mundo com recursos limitados.
Detalhando: Macroeconomia e o
Quadro Geral
A Parte II deste livro aborda macroeconomia, que trata a economia como um todo unificado. Estudar macroeconomia é útil porque alguns fatores, tais como taxas de juros e política tributária, têm largos efeitos sobre a economia e, também, porque quando a economia entra em recessão ou em “boom”, cada pessoa e empresa são afetadas. Macroeconomia é aquilo que cobre o quadro geral e aparece nos noticiários.
Medindo a Economia
No capítulo 4, mostraremos como os economistas medem o produto interno bruto (PIB), o valor de todos os bens e serviços produzidos na economia em um determinado período de tempo, normalmente um trimestre ou um ano. Totalizar esse número é absolutamente vital, porque se você não puder medir como a economia está indo, não poderá dizer se as políticas governamentais destinadas a melhorá-la estão ajudando ou piorando.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 14 04/05/2012 18:04:43 Capítulo 1: O que a Economia Estuda? E por que Devemos nos Importar? 15
A inflação mede a variação dos preços na economia ao longo do tempo. Este tópico, que é o foco do capítulo 5, é crucial porque altas taxas de inflação geralmente acompanham enormes problemas econômicos, incluindo recessões profundas e países que não conseguem pagar suas dividas.
Estudar a inflação também é importante porque uma política governamental pobre e a única culpada pelas altas taxas de inflação — o que significa que os governos são totalmente responsáveis quando altas taxas de inflação acontecem.
Reconhecendo o que causa as recessões
CEIT O-CH A VE As recessões acontecem quando fatores institucionais na economia
ON tornam a queda de preços muito difícil. Como explicamos no capítulo C 6, se os preços pudessem cair de forma rápida e fácil, as recessões se
resolveriam facilmente. Mas como os preços não baixam de forma rápida e fácil, os economistas precisaram desenvolver políticas antirrecessivas para ajudarem as economias a saírem das recessões o mais rapidamente possível.
Enfrentando as recessões com políticas
fiscais e monetárias
O principal responsável pelo desenvolvimento de políticas antirrecessão foi o economista inglês John Maynard Keynes que, em 1936, escreveu o primeiro livro de macroeconomia sobre como lutar contra a recessão. O capítulo 6 apresenta seu modelo de economia e como ele leva em conta explicitamente o fato de que os preços não podem baixar de forma rápida e fácil para sair das recessões. Como seu modelo leva o fato em consideração, ele serve como veiculo perfeito para ilustrar as duas coisas que podem ajudar a sair de uma recessão.
Essas duas coisas são política monetária e fiscal, que serão analisadas em profundidade no capítulo 7.
✓ A política monetária usa as mudanças no fornecimento de
dinheiro para alterar as taxas de juros, a fim de estimular a atividade
econômica. Por exemplo, se o governo provoca a queda das taxas
de juros, os consumidores pegam mais dinheiro emprestado para
comprar coisas como casas e carros, estimulando assim a atividade
econômica e ajudando-a a se movimentar mais rapidamente.
✓ A política fiscal se refere ao aumento das despesas públicas ou a
diminuição das taxas de impostos para ajudar a combater a recessão.
Por exemplo, se o governo comprar mais bens e serviços, aumentará a
atividade econômica. De modo semelhante, se o governo cortar taxas de
impostos, os consumidores terão maiores rendimentos após o pagamento
do imposto que, quando gasto, aumenta a atividade econômica.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 15 04/05/2012 18:04:43 16 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
Nas primeiras décadas após as ideias antirrecessivas de Keynes terem sido colocadas em prática, elas pareciam realmente funcionar. Entretanto, tais ideias não se saíram tão bem durante os anos de 1970 e ficou aparente que, embora as políticas monetária e fiscal fossem ferramentas poderosas de antirrecessão, elas tinham suas limitações.
Por esta razão, o capítulo 7 também analisa como e por que as políticas monetária e fiscal são limitadas em sua eficácia. O conceito chave é chamado de expectativas racionais. Isso explica como as pessoas muito frequentemente mudam racionalmente seus comportamentos em resposta às mudanças nas formas políticas que limitam a eficácia daquelas alterações. Este é um conceito que você precisa entender se quiser estar bem abalizado sobre os debates atuais da política macroeconômica.
Ficando Mais Próximo e Pessoal:
Microeconomia
Embora a macroeconomia esteja preocupada com políticas governamentais para melhorar a economia global, a microeconomia vai até os pormenores, estudando os agentes econômicos mais importantes: indivíduos e empresas.
Equilibrando oferta e procura
Na economia moderna, os indivíduos e empresas produzem e consomem tudo que é produzido. Consequentemente, a Parte III tratará da microeconomia, começando do capítulo 8, concentrando-se em como a oferta e a procura determinam os preços e os níveis de produção em mercados competitivos. Este é o lugar lógico para começar porque os produtores determinam a oferta, os consumidores determinam a procura e a interação de ambos no mercado determina o que é produzido e seu custo.
O capítulo 9 irá mais fundo ao examinar como os indivíduos tomam decisões econômicas para obter a máxima satisfação dos seus parcos recursos. Estas decisões geram as curvas de demanda que afetam os preços e os níveis de produção dos mercados.
De modo semelhante, as decisões de maximização dos lucros das empresas geram curvas de demanda que afetam os mercados. No capítulo 10, explicamos como isto acontece e também como a maximização da lucratividade das empresas realmente atinge a maximização dos lucros. Se alguma vez você já teve pensamentos sórdidos com relação ao capitalismo – e quem nunca teve? – este capítulo o colocará olho a olho com o inimigo.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 16 04/05/2012 18:04:43 Capítulo 1: O que a Economia Estuda? E por que Devemos nos Importar? 17
Analisando porque
a competição é tão grande
Você pode não se sentir entusiasmado e acalentado quanto às empresas que maximizam seus lucros, mas os economistas as adoram – contanto que elas estejam presas a indústrias competitivas. A razão, em síntese, pela qual as empresas são obrigadas a competir acaba por satisfazer duas maravilhosas condições:
✓ Empresas competitivas são alocativamente eficientes, o que
significa simplesmente que elas produzem bens e serviços que os
consumidores desejam muito consumir.
✓ Empresas competitivas são produtivamente eficientes, o que significa
que produzem estes bens e serviços ao menor custo possível.
CEIT O-CH A VE Estes dois grandes fatores a respeito das empresas concorrentes são as
ON bases da famosa “mão invisível” de Adam Smith — a ideia de que quando C forçada pela concorrência, a ganância de cada empresa acaba levando-a
a agir socialmente de maneira ótima, como se orientada para fazer a coisa certa por meio de uma mão invisível. Discutimos essa ideia e muitos outros benefícios da concorrência no capítulo 11.
Examinando problemas causados por
ausência de concorrência
Infelizmente, nem toda empresa tem concorrentes. E, quando isto acontece, as empresas frequentemente não agem de forma socialmente correta.
O caso mais extremo é o monopólio, uma situação em que apenas uma empresa atua em determinado segmento – o que significa que ela não tem absolutamente nenhum concorrente. Como explicamos no capítulo 12, os monopólios se comportam muito mal, restringem a produção para aumentar os preços e inflar os lucros. Estas ações, que prejudicam os consumidores, continuam de forma indefinida a menos que o governo tome medidas para regulamentar o comportamento da empresa.
O caso menos radical de ausência de concorrência é o oligopólio, uma situação em que há apenas um pequeno número de empresas em um determinado ramo. Em tais situações, as empresas podem promover acordos para não competirem umas com as outras, de forma a manterem os preços elevados e obter maiores lucros. Para evitar isso, a maioria dos países tem leis que tornam ilegal estabelecer tal fixação de preços.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 17 04/05/2012 18:04:43 18 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
No capítulo 13, nós analisamos profundamente as empresas de oligopólios. Explicaremos não apenas como elas se comportam mal, mas também o fato de que elas têm dificuldades em cumprirem seus acordos para manter os preços e lucros altos. Este fato significa que as empresas de oligopólio muitas vezes acabam competindo umas com as outras, apesar de todos os esforços para que isso não aconteça. Por isso, regulamentações governamentais nem sempre são necessárias.
Melhoria nos direitos de propriedade
Os mercados e a concorrência só podem ser chamados à responsabilidade para produzir resultados que beneficiem a sociedade se esta criar um bom sistema de direitos de propriedade. Quase todas as questões de poluição, bem como todos os casos de extinção de espécies, são o resultado direto de direitos de propriedade mal concebidos, que geram incentivos perversos a coisas ruins. Os economistas levam este problema muito a sério e têm feito o melhor para uma reforma de direitos de propriedade, a fim de atenuar a poluição e reduzir a ameaça da extinção de espécies animais. Discutiremos essas questões em detalhes no capítulo 14.
Lidando com outras
falhas comuns do mercado
Monopólios, oligopólios e a péssima regulamentação do direito de propriedade levam ao que os economistas gostam de chamar de deficiências de mercado – situações em que os mercados não distribuem bons resultados socialmente. Duas outras causas comuns de falha do mercado são informações assimétricas e bens públicos:
✓ Informação assimétrica se refere a situações nas quais o comprador
sabe mais que o vendedor sobre a qualidade do bem que estão
negociando, ou então o vendedor sabe mais que o comprador.
Devido a esse campo desigual entre as duas partes, e as suspeitas que
ele cria, muitos transações econômicas potencialmente benéficas,
não chegam a se concretizar.
✓ Bens públicos referem-se a bens ou serviços que são impossíveis
de ser fornecidos a apenas uma pessoa; se você os provê para uma
pessoa terá que provê-los para todo mundo (pense em uma exibição
pirotécnica, por exemplo). O problema é que a maioria das pessoas
tenta conseguir o beneficio sem pagar por ele.
Discutiremos ambas as situações e as maneiras para lidar com elas no capítulo 15.
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Entendendo Como os Economistas
Utilizam Modelos e Gráficos
Economistas gostam de ser lógicos e precisos, motivo pelo qual eles usam muita álgebra e matemática. Mas eles também gostam de apresentar suas ideias de maneiras intuitivas e mais fáceis de serem entendidas, e por isso eles usam tantos gráficos. Para evitar o pânico induzido por gráficos como os que você verá nas páginas deste livro, queremos passar algumas páginas ajudando você a se familiarizar com o que encontrará nos outros capítulos. Respire bem fundo; prometemos que não irá doer.
A abstração da realidade é uma coisa boa
Economistas utilizam gráficos que são, quase sempre, representações visuais de modelos econômicos. Um modelo econômico é uma simplificação matemática da realidade, que permite a você concentrar-se naquilo que realmente é importante, ignorando muitos detalhes irrelevantes.
Por exemplo, o modelo dos economistas para demanda do consumo concentra-se em como os preços afetam as quantidades de bens e serviços que as pessoas desejam comprar. Obviamente outras coisas, como mudanças nos estilos e gostos, também afetam a demanda de consumo, mas o preço é fundamental. Considere o suco de laranja, por exemplo. O preço do suco de laranja é o principal aspecto que afeta a quantidade de suco de laranja que as pessoas compram (não nos importamos com a tendência dietética que está em voga – se o suco de laranja custar $ 50,00 o litro, você provavelmente achará outra dieta). Portanto, abstrair-se de todas aquelas outras coisas é útil, e permite que você se concentre apenas em como o preço do suco de laranja afeta a quantidade de suco que as pessoas desejam comprar.
Apresentando seu primeiro modelo:
A curva da demanda
PLO Suponha que os economistas saiam e façam uma pesquisa com os
EX consumidores perguntando a eles quantos litros de suco de laranja eles EM
gostariam de comprar a cada mês, ao custo de três preços hipotéticos: $ 10,00 por litro, $ 5,00 por litro e $ 1,00 por litro. Os resultados estão resumidos na Tabela 1-1.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 19 04/05/2012 18:04:43 20 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
Tabela 1-1: Litros de Suco de Laranja que os
Consumidores Desejam Comprar
Preço Litros
$ 10,00 1
$ 5,00 6
$ 1,00 10
Os economistas se referem às quantidades que as pessoas estão dispostas a comprar a preços variados, como a quantidade exigida, ou a demanda, para aqueles preços. Ao olhar para os dados da Tabela 1-1, você descobre que os preços do suco de laranja e sua quantidade demandada têm uma relação inversa um com o outro – significando que quando um sobe o outro desce.
CEIT O-CHA VE Porque esta relação inversa entre preço e quantidade exigida é tão universal
ON e vale para quase todos os bens e serviços, os economistas se referem a ela C
como Lei da Oferta. Mas, francamente, a Lei da Oferta torna-se muito mais imediata e interessante se você puder vê-la ao invés de apenas pensar nela.
Criando a curva de demanda por acréscimo de dados
A melhor maneira de ver os dados da Tabela 1-1 é colocando-os em um gráfico. Na Figura 1-1, marcamos e etiquetamos três pontos como A, B e C. O eixo horizontal da Figura 1-1 mede o número de litros de suco de laranja que as pessoas procuram a cada mês a vários preços por litro. O eixo vertical mede os preços.
A
10
E
9
8
7
6
B
5
Preço por litro 4 F 3
Figura 1-1: 2
gráfico de C 1 demanda
para suco de 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 laranja. Litros comprados por mês
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 20 04/05/2012 18:04:43 Capítulo 1: O que a Economia Estuda? E por que Devemos nos Importar? 21
O ponto A é a representação visual dos dados do topo da Tabela 1-1. Isto nos diz que a $ 10,00 por litro, as pessoas querem comprar apenas 1 litro por mês de suco de laranja. Semelhantemente, o ponto B nos diz que os consumidores comprariam 6 litros por mês ao preço de $ 5,00, enquanto que o ponto C nos diz que eles comprariam 10 litros por mês ao preço de $ 1,00 por litro.
Repare que os pontos A, B e C foram conectados com uma linha. Nós fizemos isso para compensar o fato de que os economistas que conduziram a pesquisa, perguntaram o que as pessoas fariam somente com esses três preços. Se tivessem tido um orçamento grande o suficiente para perguntar aos consumidores sobre cada um dos preços possíveis ($ 8,46 por litro, $ 2,23 por litro, e assim por diante), haveria uma quantidade infinita de pontos no gráfico. Mas, como eles não fizeram isso, nós interpolamos desenhando uma linha reta. A linha faz um bom trabalho ao estimar quais são as demandas das pessoas para os preços que os economistas não pesquisaram.
A linha reta conectando os pontos na Figura 1-1 é chamada de curva de demanda. Sabemos que ela não faz curva alguma, mas para simplificar, os economistas usam o termo curva de demanda para se referir a todas as relações enredadas entre preço e quantidade demandada, independente do fato de serem linhas retas ou curvas (esta convenção é coerente com o fato de que os economistas são tanto “cabeças de ovo” quanto quadrados).
Reta ou curva, agora você pode visualizar o fato de que preço e quantidade de demanda têm uma relação inversa. A relação inversa implica que a curva de demanda se inclina para baixo. Você agora pode ver que quando os preços sobem, a quantidade demandada desce.
Usando a curva de demanda para fazer previsões
A representação gráfica da curva de demanda também permite uma maior capacidade para fazer previsões rápidas. Por exemplo, a linha reta da Figura 1-1 pode ser usada para estimar que a um preço de $ 9,00 por litro, as pessoas gostariam de comprar 2 litros por mês de suco de laranja. Etiquetamos este ponto como E no gráfico.
Suponha que você possa apenas observar os dados da Tabela 1-1 e não possa ver a Figura 1-1. Seria capaz de fazer uma estimativa de quantos litros as pessoas gostariam de comprar ao mês se o preço do suco de laranja fosse $ 3,00 por litro? Olhando para a segunda e terceira linhas da Tabela 1-1, você conclui que as pessoas demandarão algo em torno de 6 a 10 litros por mês. Mas descobrir exatamente quantos litros serão demandados levaria um pouco mais de tempo e requereria um pouco de álgebra.
Se olhar para a Figura 1-1, é fácil descobrir quantos litros por mês as pessoas demandariam. Apenas comece com o preço de $ 3,00 no eixo vertical, mova lateralmente para a direita até atingir a curva de demanda no ponto
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 21 04/05/2012 18:04:43 22 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
F e desça verticalmente até chegar ao eixo horizontal, no qual descobrirá que está em 8 litros por mês (para esclarecer o que queremos dizer, desenhamos este caminho em linha pontilhada).
Como pode ver, usar um gráfico ao invés de uma tabela faz surgir previsões baseadas no modelo muito, muito mais simples.
Desenhando sua própria curva da
demanda
Para verificar se você está confortável na utilização de gráficos, queremos encorajá-lo a fazer um simples exercício que envolve entender alguns pontos e desenhar linhas entre eles. Nada tão difícil, certo?
PLO Imagine que o governo saiu com um relatório de pesquisa mostrando que as
EX pessoas que bebem suco de laranja tem pressão arterial mais baixa, menos EM
AVEs (Acidente Vascular Encefálico) e uma vida sexual muito melhor do que as pessoas que não bebem suco de laranja. O que você pensa que iria acontecer com a demanda de suco de laranja? Obviamente ela deve aumentar.
Para verificar isto, nossa intrépida equipe de economistas pesquisadores vai a campo mais uma vez e pergunta para as pessoas quanto suco de laranja elas gostariam de comprar a cada mês aos três preços listados na Tabela 1-1: $ 10,00, $ 5,00 e $ 1,00. As novas respostas constam na Tabela 1-2.
Tabela 1-2: Litros de Suco de Laranja que os
Consumidores Desejam Comprar Depois
de Lerem a Nova Pesquisa do Governo
Preço Litros
$ 10,00 4
$ 5,00 9
$ 1,00 13
Sua tarefa, caso escolha aceitá-la, é enredar estes três pontos na Figura 1-1. Depois que fizer isto, conecte-os em uma linha reta (sim, você pode escrever no livro!).
O que você acabou de criar é uma nova curva de demanda que reflete as novas preferências das pessoas pelo suco de laranja, à luz da pesquisa governamental. O aumento da demanda está refletido no fato de que, a qualquer preço dado, elas agora demandam uma maior quantidade de suco de laranja do que antes. Por exemplo, considerando que antes elas queriam apenas 1 litro por mês ao preço de $ 10,00, agora estarão dispostas a comprar 4 litros por mês pelo mesmo preço.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 22 04/05/2012 18:04:44 Capítulo 1: O que a Economia Estuda? E por que Devemos nos Importar? 23
Ainda há uma relação inversa entre preço e quantidade demandada, significando que, apesar dos benefícios a saúde que o suco de laranja traz, as pessoas ainda são suscetíveis aos aumentos de preço. Preços altos ainda significam baixas quantidades de demanda e sua nova curva de demanda ainda está inclinada para baixo.
Pronto para um último exercício antes de continuarmos a leitura do livro? Use sua nova curva de demanda para descobrir quantos litros por mês as pessoas irão querer comprar ao preço de $ 7,00 e ao preço de $ 2,00. Perceber estas coisas a partir dos dados na Tabela 1-2 seria difícil, mas descobri-los usando sua nova curva de demanda deverá ser fácil.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 23 04/05/2012 18:04:44 24 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 24 04/05/2012 18:04:44
Capítulo 2
Biscoitos ou Sorvetes?
Rastreando Escolhas do
Consumidor
Neste Capítulo
X Determinando o que traz mais satisfação
X Catalogando os processos que limitam a escolha
X Modelando o comportamento de escolha como um economista
X Avaliando as limitações do modelo de escolha
Economia é tudo o que diz respeito a como grupos e indivíduos fazem escolhas e por que . A economia tem gasto muito tempo analisando como os grupos fazem escolhas, mas por que o comportamento das escolhas do grupo geralmente demonstra ser semelhante ao comportamento das escolhas individuais, nosso foco neste capítulo está nos indivíduos.
Para simplificar, nossa explicação sobre o comportamento das escolhas individuais se foca no comportamento do consumidor, por que a maioria das escolhas que as pessoas fazem no seu dia-a-dia envolve quais mercadorias e serviços elas irão consumir. Mas é certo que as escolhas da vida real frequentemente estão cercadas por muitas outras coisas, algumas delas bastante importantes. Por exemplo, as pessoas devem fazer escolhas a longo prazo, como conseguir um emprego ou continuar a estudar, e também precisam decidir sobre aspectos da maior seriedade possível, como saber se continuam negociando ou declaram guerra.
Os seres humanos estão constantemente sendo forçados a escolher porque nossos desejos quase sempre excedem nossos meios. Recursos limitados, ou escassez, não é apenas o centro para os economistas, mas também para a ecologia e biologia. A evolução Darwiniana tem tudo a ver com animais e plantas competindo por recursos limitados para produzirem o maior número de descendentes. A economia diz respeito às escolhas dos seres humanos em meio a opções limitadas para maximizar sua felicidade.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 25 04/05/2012 18:04:44 26 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
Considerando um Modelo de
Comportamento Humano
Os seres humanos podem ser criaturas complicadas, com comportamentos por vezes misteriosos, mas em geral, podemos compreender suas escolhas de uma forma bastante universal. Como resultado, pode-se ganhar muito ao estudar o processo de escolha, porque se pudermos entender o como e o porquê das escolhas que as pessoas fizeram no passado, nós teremos uma chance muito boa de entender as escolhas que farão no futuro.
Entender (e até mesmo eventualmente prever) o comportamento das escolhas futuras é muito importante porque grandes mudanças no ambiente econômico são, tipicamente, o resultado de milhões de pequenas decisões individuais que se somam a uma tendência maior. Por exemplo, as circunstâncias sob as quais milhões de indivíduos optam por buscarem empregos ou continuarem estudando, acumuladas ao longo dos anos, produzem grandes efeitos na taxa de desemprego. E as escolhas que esses indivíduos fazem sobre quanto poupar ou quanto gastar de seus salários determina se as taxas de juros aumentam ou diminuem, e também se o Produto Interno Bruto (PIB) e o rendimento econômico geral aumentam ou diminuem (discutiremos o PIB no capítulo 4).
Para prevermos como interesses pessoais levam os indivíduos a fazerem suas escolhas, os economistas criaram um modelo do comportamento humano que presume a racionalidade e a habilidade de calcular o sutil dilema entre as possíveis escolhas. Este modelo é um processo de três estágios:
1. Avaliar como cada opção pode fazê-lo mais feliz;
2. Olhar para as restrições e dilemas que limitam suas opções;
3. Escolher a opção que maximiza sua felicidade global.
Embora não seja uma descrição completa do comportamento do ser humano, este modelo, geralmente, faz previsões exatas. Contudo, muitas pessoas questionam esta explicação do comportamento humano. Aqui estão três objeções comuns:
✓ As pessoas são realmente tão egoístas? As pessoas não são motivadas
pelo que é melhor para os outros?
✓ As pessoas estão, de fato, conscientes de suas opções todo o tempo?
Como esperam fazer uma escolha racional em meio a coisas novas
que elas nunca experimentaram?
✓ As pessoas são realmente livres para tomar decisões? Elas não são
constrangidas por padrões legais, morais e sociais?
Passarei as próximas seções deste capítulo expandindo o conceito dos três passos do modelo econômico de escolha e abordando as suas objeções.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 26 04/05/2012 18:04:44 Capítulo 2: Biscoitos ou Sorvetes? Rastreando Escolhas do Consumidor 27
Maximizar a Felicidade é o Objetivo
Economistas gostam de pensar nos seres humanos como agentes livres, com vontade própria. Para os economistas, as pessoas são plenamente racionais e capazes de decidir as coisas por si mesmas. Mas isso levanta a questão do que motiva as pessoas e, por sua vez, quais as escolhas que fariam com o seu livre arbítrio.
Em resumo, os economistas assumem que a motivação básica que dirige a maioria das pessoas, a maior parte do tempo, é o desejo de estar satisfeito. Esta suposição deduz que as pessoas fazem suas escolhas baseando-se no fato de se elas as farão felizes ou não, dadas suas circunstâncias.
Usando a utilidade para
medir a satisfação
Se as escolhas das pessoas estão baseadas no máximo de satisfação que terão, então elas precisam encontrar um modo de comparar quanta satisfação cada possibilidade trará. De forma similar, os economistas assumem que as pessoas obtêm um senso de satisfação ou prazer das coisas que a vida oferece. O pôr do sol é agradável. Tomar sorvete é agradável. A amizade é agradável. E algumas pessoas gostam de dirigir depressa.
CEIT O-CH A VE Os economistas supõem que você pode comparar todas as coisas possíveis
ON que pode experimentar, com uma medida comum de felicidade ou C satisfação, que eles chamam de utilidade. Coisas que você gosta muito têm
uma alta utilidade, ao passo que coisas que você gosta pouco têm pouca ou, até mesmo, utilidade negativa.
O conceito de utilidade é bastante inclusivo. Para um hedonista, utilidade pode ser o prazer físico obtido a partir de experimentar várias coisas. Mas para uma pessoa moralmente conscienciosa, utilidade pode ser o senso de satisfação moral que vem ao fazer a coisa certa em determinada situação. O importante para os economistas é que as pessoas sejam capazes de averiguar e comparar as utilidades de várias atividades possíveis. A utilidade atua como um denominador comum, que permite às pessoas compararem com sensibilidade até mesmo coisas radicalmente diferentes.
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Levando em consideração o altruísmo e a
generosidade
Os economistas dão como certo que as pessoas fazem suas escolhas a fim de maximizarem sua felicidade pessoal. Este ponto de vista levanta imediatamente objeções uma vez que as pessoas estão, frequentemente, dispostas a suportar grande sofrimento pessoal para ajudar os outros.
Contudo, para um economista, você pode ver o desejo de ajudar os outros como sendo uma preferência pessoal. A mãe que não come para dar o pouco de comida que tem ao seu filho pode estar perseguindo um objetivo (ajudar a criança), o que maximiza a própria felicidade da mãe. O mesmo pode ser dito das pessoas que fazem doações para a caridade. Tal generosidade, que muita gente considera ‘altruísta’, também pode ser vista como sendo consistente com a hipótese de que as pessoas fazem coisas para se sentirem felizes. Se as pessoas doam porque isso faz com que se sintam bem, seu ato de altruísmo é motivado por intenções ‘egoístas’. Como os economistas sempre veem as motivações humanas como egoísmo, a economia é frequentemente acusada de ser imoral.
A economia preocupa-se com a maneira com que as pessoas atingem suas metas, em vez de questionar a moralidade destas. Por exemplo, algumas pessoas gostam de mel, outras não. Os economistas não fazem distinção entre esses dois grupos no tocante às suas preferências, se estão certas ou erradas. Pelo contrário, o que interessa aos economistas é a forma como cada grupo se comporta dadas as suas preferências. Consequentemente, a economia é amoral, ao invés de imoral.
Contudo, os economistas também são pessoas, e estão bastante preocupados com questões como justiça social, aquecimento global e pobreza. Eles apenas tendem a modelar o desejo de buscar moralidade e equidade como um objetivo pessoal que maximiza a felicidade individual, ao invés de como um objetivo coletivo, que deveria buscar atingir algum tipo de bem comum.
Percebendo que o interesse próprio pode
promover o bem comum
Adam Smith, um dos pais da economia moderna e o rosto na nota de £20, acreditava que se a sociedade fosse corretamente estabelecida, a busca das pessoas por sua felicidade individual proporcionaria felicidade para as outras pessoas também. Como observou de forma contundente em sua obra mais famosa, A Riqueza das Nações, publicado em 1776, “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração de seus próprios interesses”.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 28 04/05/2012 18:04:44 Capítulo 2: Biscoitos ou Sorvetes? Rastreando Escolhas do Consumidor 29
CEIT O-CH A VE Em outras palavras, o açougueiro, o cervejeiro e o padeiro não provêem os
ON bens que você necessita porque gostam de você, mas porque querem o seu C dinheiro. Contudo, porque querem seu dinheiro, eles terminam produzindo
tudo o que é necessário para que você tenha uma refeição agradável. Quando negocia com eles seu dinheiro em troca de seus produtos, todos ficam mais satisfeitos. Você pensa que não ter que preparar toda aquela comida vale mais do que guardar o seu dinheiro. E eles pensam que conseguir o seu dinheiro vale mais para eles do que o trabalho pesado que envolve a preparação de toda aquela comida.
Adam Smith expandiu esta noção dizendo que uma pessoa perseguindo seus próprios interesses egoístas pode ser “levada por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte do seu propósito”. Por conta de os economistas reconhecerem esta “mão invisível”, eles estão menos preocupados com intenção do que com resultado, e menos preocupados com o que deixa as pessoas felizes do que como estas pessoas perseguem as coisas que as fazem felizes.
Sinal Vermelho: Examinando suas
Limitações
A vida é cheia de limitações. Tempo, por exemplo, sempre é limitado, assim como os recursos naturais. O segundo estágio do modelo econômico de escolhas olha para as restrições que obrigam você a escolher entre suas opções de felicidade.
PLO Por exemplo, o petróleo pode ser usado na manufatura de produtos
EX farmacêuticos, que podem salvar muitas vidas. Mas também pode ser EM
usado para fazer gasolina, importante para movimentar ambulâncias, que igualmente salvam vidas. Ambos os usos, o farmacêutico e a gasolina, são boas formas de utilização do petróleo. Dessa forma, a sociedade deve decidir quanto de petróleo será destinado para cada um desses dois bons usos, tendo consciência de que cada litro de petróleo utilizado em um setor não poderá ser utilizado em outro.
Esta seção apresenta as varias limitações, bem como o custo inevitável – custo de oportunidade – de obter o que se deseja. Para saber mais sobre como os mercados utilizam oferta e procura para alocar recursos em face às restrições, consulte o capítulo 8.
Restrições de recurso
As restrições mais óbvias à felicidade humana são as limitações físicas da natureza. Não apenas os suprimentos de petróleo, água e peixe são limitados, mas também o número de frequências de radio, nas quais enviamos sinais, e as horas de sol para dirigir carros movidos a energia solar. Em suma, simplesmente não há recursos naturais suficientes para que todos tenham tudo o que desejam.
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O fornecimento limitado de recursos naturais está alocado de várias maneiras diferentes. Em certos casos – por exemplo, em algumas espécies de animais em extinção – as leis garantem que ninguém pode ter qualquer dos recursos. Com o espectro eletromagnético, os governos disponibilizam porções do espectro para a radiodifusão ou para operadoras de telefonia celular. Mas, em sua maior parte, a propriedade privada e os preços controlam a alocação dos recursos naturais.
Com tal sistema, a utilização do recurso vai para a melhor oferta. Embora este sistema possa discriminar os pobres, porque eles não possuem muito para oferecer, ele garante que os suprimentos limitados dos recursos irão ao menos para as pessoas que mais os valorizam – em outras palavras, para aqueles que escolheram estes recursos para maximizar sua felicidade.
Restrições tecnológicas
Não existe mais petróleo, luz solar ou madeira agora do que havia há 1.000 anos, mas você tem um padrão de vida bem mais elevado do que seus ancestrais. Você tem uma vida mais confortável por conta das melhorias na tecnologia que converte matérias primas em coisas que gostamos de usar.
Nos últimos 200 anos, as pessoas entenderam como imunizar crianças contra doenças fatais, como utilizar a eletricidade para obter luz e força mecânica, como construir um foguete capaz de transportar pessoas até a lua, e como melhorar significativamente os rendimentos agrícolas com os quais podemos alimentar muito mais pessoas. Apenas nos últimos 20 anos, a Internet e telefones celulares baratos revolucionaram todas as áreas, desde o entretenimento eletrônico até o valor do mercado de ações.
CEIT O-CH A VE Conforme a tecnologia melhora com o passar do tempo, as pessoas
ON tornam-se capazes de produzir mais a partir dos limitados recursos de nosso C planeta. Ou, colocando de forma um pouco diferente, à medida que a
tecnologia evolui, nós temos mais e melhores escolhas a fazer.
Entretanto, como a tecnologia evolui vagarosamente, nossas escolhas são limitadas pelo avanço dela em cada época. Portanto, é natural pensar na tecnologia como uma restrição que limita nossas escolhas. Felizmente, porém, a tecnologia melhora ao longo do tempo – o que significa dizer que se esperarmos um pouco, teremos mais e melhores opções de escolha.
Restrições de tempo
Tempo é um recurso precioso. Pior ainda, tempo é um recurso de suprimento fixo. Portanto, o melhor que a tecnologia pode fazer é permitir que as pessoas produzam mais na limitada quantidade de tempo que dispõe, ou conceder mais alguns anos de vida graças a melhor tecnologia médica.
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Mas mesmo com um tempo de vida maior, você não pode estar em dois lugares simultaneamente. Se pudesse, o tempo realmente não seria um limite e você poderia fazer o dobro do trabalho na mesma quantidade de tempo. Mas, como você só pode estar em um lugar na mesma hora, é constantemente forçado a escolher, em todo e cada momento, a fazer aquilo que melhor irá aproveitar cada minuto do seu tempo.
Custo de oportunidade:
Uma restrição inevitável
A ideia econômica de custo de oportunidade está intimamente ligada à ideia de restrição de tempo. Você só pode fazer uma coisa por vez, o que significa que, inevitavelmente, está sempre abrindo mão de muitas outras coisas.
CEIT O-CHA VE O custo de oportunidade de qualquer atividade é o valor da segunda
ON melhor alternativa que poderia ter sido feita em seu lugar. Por exemplo, C imagine que você tenha três opções: bater papo no telefone com um
amigo, assistir TV ou se concentrar em ler este capítulo. Se escolher ligar para o seu amigo porque isto o deixa mais feliz, não iremos usar isso contra você. Só assumimos que das duas outras coisas que não escolheu, você considera ler este capítulo melhor do que assistir TV. Portanto, o custo de oportunidade de conversar com seu amigo ao telefone foi sacrificar o tempo de leitura deste capítulo.
O custo de oportunidade depende apenas do valor da próxima melhor alternativa. Não importa se você tem 3 alternativas ou 3.000. O custo de oportunidade é simplesmente o valor da próxima melhor alternativa, porque você pode sempre reduzir uma escolha complicada, com diversas opções, para uma escolha simples, entre duas coisas. Opção X versus a melhor alternativa dentre todas as outras.
PLO O custo de oportunidade pode dizer-lhe quando não fazer algo como
EXEM também quando fazê-lo. Por exemplo, você pode amar sorvete, mas ama
torta de chocolate ainda mais. Se alguém lhe oferecesse apenas sorvete, você aceitaria. Mas, se lhe oferecessem sorvete ou torta de chocolate, você escolheria a torta. O custo de oportunidade de tomar sorvete é renunciar a oportunidade de comer torta. Como o custo de não comer a torta é maior que os benefícios de tomar sorvete, não faz sentido escolher o sorvete.
Claro, se você escolher a torta de chocolate, ainda estará diante do custo de oportunidade de ter que abrir mão do sorvete. Mas, está disposto a fazer isso porque o custo de oportunidade do sorvete é menor que os benefícios da torta. Os custos de oportunidades são limitações inevitáveis ao comportamento porque você sempre terá que decidir o que é melhor e desistir da segunda melhor alternativa.
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Fazendo Sua Escolha Final
Basicamente o terceiro estágio do modelo econômico de escolhas nada mais é do que a análise custo-benefício. No primeiro estágio, você avalia quanta felicidade cada uma de suas opções pode lhe trazer mensurando a utilidade de cada uma. No segundo estágio, você determina as restrições e oportunidade de custos de cada opção. No terceiro estágio, você simplesmente escolhe a opção na qual os benefícios superam em maior margem os custos.
O modelo custo-benefício de como as pessoas tomam decisões é muito poderoso no que parece descrever corretamente como a maioria das decisões são tomadas. Mas esta versão da analise de custo-benefício pode dizer-lhe apenas se as pessoas escolhem uma determinada opção. Em outras palavras, este modelo só é bom para descrever todas as decisões ou nenhuma, como comer ou não o sorvete.
Uma versão muito mais poderosa de análise do custo-benefício usa um conceito chamado utilidade marginal para dizer-lhe não só se você irá tomar o sorvete, mas também quanto sorvete irá tomar.
Para ver como a utilidade marginal funciona, você tem que reconhecer que a quantidade de utilidade que determinada coisa traz geralmente depende do quanto dessa coisa a pessoa já possui. Por exemplo, se você estiver com muita fome, o primeiro pedaço de pizza que come lhe traz muita utilidade. O segundo pedaço também é agradável, mas não tão bom quanto o primeiro porque você já não está mais faminto. O terceiro, por sua vez, traz menos utilidade que o segundo. E, se você se forçar a comer mais, descobrirá que o décimo segundo ou décimo terceiro pedaços irão na verdade fazer com que se sinta mal e trarão uma utilidade negativa.
Os economistas referem-se a este fenômeno como utilidade marginal reduzida. Cada pedaço de pizza adicional, ou marginal, traz menos utilidade que o primeiro, de forma que a utilidade extra, ou utilidade marginal, trazida por cada pedaço sucessivo diminui à medida que você come mais e mais.
PLO Para ver de que maneira a utilidade marginal reduzida prediz como as
EX pessoas tomam decisões sobre quanto de alguma coisa irão consumir, EM
considere ter $ 10,00 para gastar em fatias de pizza ou saquinhos de batatas fritas. Suponha que os pedaços de pizza custem $ 2,00 cada e as batatas fritas custem $ 2,00 cada.
Os economistas presumem que o objetivo das pessoas quando confrontadas com um orçamento limitado, é ajustar as quantidades para cada possível item que queiram consumir, para maximizar sua utilidade total. Neste exemplo, como você sabe que a utilidade marginal de pizza diminui rapidamente com cada pedaço adicional, você não gasta todos
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Utilidade marginal é para os pássaros!
Os economistas estão muito seguros de Os pássaros parecem entender que eles que a análise do custo-benefício e utilidade têm apenas um número limitado de cliques marginal diminuída são boas descrições que podem fazer antes que fiquem exaustos, para o processo de tomada de decisão, e distribuem esses cliques entre duas porque há muitas evidências de que opções, maximizando assim sua utilidade outras espécies também se comportam total. Consequentemente, quando os custos de maneira coerente com esses conceitos. e benefícios correspondentes às opções
Por exemplo, os cientistas podem treinar muito racionalmente em resposta. mudam, eles alteram seu comportamento pássaros para bicarem um botão para
ganhar comida e outro botão para ganhar Muitas espécies também parecem ser tempo. Se os cientistas aumentam o custo afetadas pela utilidade marginal reduzida de uma das opções, aumentando o número e ficam indiferentes às unidades marginais de cliques necessários para obtê-los, os de algo que recentemente gostaram muito. pássaros respondem de forma racional não Até mesmo as bactérias parecem exibir clicando muito no botão para essa opção. este comportamento. Dessa forma, embora Mas, ainda mais interessante, é que eles os modelos dos economistas sobre o também mudam para clicar no botão da comportamento humano pareçam ignorar outra opção. alguns fatores relevantes, eles levam em
conta certos comportamentos fundamentais
e universais.
os $ 10,00 em pizza, uma vez que o quinto pedaço não lhe traria muita utilidade marginal. Seria melhor alocar um pouco dos seus gastos em fritas.
Se você comprar apenas quatro pedaços de pizza, então terá $ 2,00 livres para gastar em um saquinho de fritas. E como este será seu primeiro saquinho de fritas, comê-lo, provavelmente, lhe trará muita utilidade marginal. De fato, se a utilidade marginal ganha a partir das fritas, exceder a utilidade marginal perdida por desistir do quinto pedaço de pizza, você definitivamente fará a troca. E continuará ajustando as quantidades de cada comida até encontrar a combinação que maximize quanto de utilidade total poderá comprar usando seus $ 10,00.
Porque pessoas diferentes têm preferências diferentes, as quantidades de cada produto que irão maximizar a utilidade total de cada pessoa serão geralmente diferentes. Alguém que deteste fritas gastará seus $ 10,00 em pizza. Uma pessoa que não suporta pizza irá gastar todo seu dinheiro em fritas. E para aqueles que escolherem ter um pouco de cada, a quantidade certa de cada coisa dependerá de seus próprios sentimentos pelos dois produtos e o quão depressa sua utilidade marginal decresce. Para obter informações detalhadas sobre a utilidade marginal reduzida e como ela provoca curvas de demanda descendentes, consulte o capítulo 9.
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Permitir a utilidade marginal reduzida torna este modelo de comportamento por escolhas muito poderoso: ele não só lhe diz o que as pessoas escolherão, mas também informa a quantidade de cada item que será escolhido. Entretanto, o modelo não é perfeito. Por exemplo, ele assume que as pessoas têm uma boa noção da utilidade de várias coisas, uma boa ideia do quão rápido a utilidade marginal diminui, e que não tenham problemas em fazer comparações. Discutiremos essas críticas substanciais na próxima seção.
Explorando Limitações e Violações do
Modelo de Escolha dos Economistas
Os economistas supõem que as pessoas são completamente informadas e totalmente racionais quando tomam decisões. Essa é uma tremenda presunção – seria justo perguntar se ela é remotamente realista. A resposta para sua questão é que ela varia de acordo com o renque de decisões que tomamos e o tipo de comportamento que estamos observando. Por exemplo, ser capaz de entender risco e probabilidade e levá-los em consideração ao tomar nossas decisões não é tipicamente uma habilidade humana. Outros casos podem não ser remotamente representativos para um determinado indivíduo, mas depois que você os coloca na média do mundo o resultado se destaca mais robustamente. Em outros ainda, as pessoas tomam decisões que são influenciadas pelo montante de informação que elas têm ou pelo comportamento de outras pessoas (por exemplo, decidir em que bar se encontrar). O modelo do comportamento humano favorecido pelos economistas funciona bem como ponto de partida, mas não é capaz de dizer com 100 por cento de precisão se a Sra. Miggins irá escolher bolinhos de creme ao invés de rocambole em uma terça-feira.