Economia Para Leigos

Sean Masaki Flynn e Peter Antonioni · Capítulo 2 de 3 · parte 14/18

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Economia Para Leigos

Capítulo 2

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.

Em outras palavras, se o monopólio quer vender apenas uma unidade (veja o ponto A), ele pode obter $ 9,00 por ela. Mas, se o monopólio quer vender duas unidades (veja o ponto E), ele tem que baixar o preço para $ 8,00 por unidade para ambas, a primeira e segunda unidades.

Porque a receita total é igual ao preço vezes a quantidade (TR=p x q), você pode ver que o monopólio enfrenta um dilema quando ele aumenta a produção e desliza para baixo na curva de demanda. Quanto mais ele produz, q obviamente aumenta, mas p deve cair. O que acontece com TR depende se os aumentos em q (efeitos da produção) são maiores que a diminuição de p (efeitos de preço).

Você pode ver a partir da Tabela 12-1, que enquanto o monopólio aumentar a produção para as quatro primeiras unidades, a receita total continua crescendo, o que significa que os ganhos das vendas de mais unidades, mais que compensa o declínio de obter menos dinheiro por unidade. A uma produção de cinco unidades, os dois efeitos cancelam um ao outro. E para produtividades maiores, a receita total cai, porque o efeito negativo de menos dinheiro por unidade esgota o efeito positivo de vender mais unidades.

Como a receita marginal lhe diz como a receita total muda quando você aumenta a produção, as mudanças na TR, causadas pelo aumento na produção, aparecem na MR também. Se você olhar para a Figura 12-1, poderá ver que MR está sempre em declínio. Isso por que o efeito do preço negativo de obter menos por unidade se mantém cada vez mais forte em relação ao efeito positivo da quantidade de vender mais unidades.

Preste atenção, lá vem a ciência! Como observamos anteriormente neste capítulo, para uma curva de demanda em linha reta como a que você observa na Figura 12-1, a curva MR é uma linha reta que tem duas vezes

 

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uma inclinação mais íngreme que a curva de demanda. Se você entende de cálculo, pode provar que a curva MR cai duas vezes mais rápido que a curva de demanda, usando a equação da curva de demanda mostrada na Figura 12-1, p = 10 - q; substituindo-a pela equação de receita total, TR = p x q; e depois pegando a primeira derivada com respeito a produção, q. Porque a receita marginal é dTR/dq, você verá que MR = 10-2q, significando que MR tem a mesma interceptação vertical que a curva de demanda, mas como uma inclinação duas vezes mais íngreme.

Agora que você já viu uma situação de receita marginal enfrentada por um monopólio, pode combiná-la com a curva de custo marginal, para calcular o nível de produção e maximização de seu lucro. Como mostraremos na próxima seção, este nível é menor que o escolhido por uma empresa competitiva — um comportamento que leva a danos sociais, que podem ser quantificados usando o método de perdas inesperadas que explicamos em detalhes no Capítulo 11.

 

Escolhendo um nível de produção para

maximizar os lucros

CEIT O-CH A VE Um monopólio não é diferente de uma empresa competitiva no que

ON tange aos custos de produção de mercadorias. Exatamente como uma C empresa competitiva, um monopólio tem custos fixos, custos variáveis e

custos marginais (consulte o Capítulo 10). Mais importante, estes custos se comportam exatamente do mesmo modo tanto para uma empresa competitiva como para um monopólio. Isto significa que você pode usar os custos para ajudar a analisar o processo de tomada de decisão das empresas competitivas.

A principal diferença, entretanto, é que o monopólio está diante de uma curva de receita marginal inclinada decrescente. Como estamos prestes a mostrar, este fator faz com que um monopólio produza menos do que produziria uma empresa competitiva.

Configurando MR = MC para um monopólio

O monopólio busca a maximização dos lucros em muitos aspectos do mesmo modo que uma empresa competitiva. Para ver como isso acontece, observe a Figura 12-2, na qual desenhamos a média do custo total de um monopólio (ATC) e as curvas de custo marginal (MC) no mesmo gráfico da curva de demanda do monopólio e curva de receita marginal (MR).

Como explicamos no Capítulo 10, para cada nível de produção, q, a curva ATC dá a média de custo total por unidade de produzir q unidades. Esta curva tem formato de U porque a média total de custos primeiro cai devido aos retornos crescentes, e depois aumenta devido aos retornos decrescentes. A curva de custo marginal dá o custo da produção de mais de uma unidade, isto é, diz a você quanto os custos totais sobem se você aumentar a produção em uma unidade.

 

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MC

Lucro

 

p m C ATC

Preço

A B

 

Figura 12-2:

Um monopólio produz onde D

sua curva MC O L m H Quantidade se cruza com q q q

a curva MR.

MR

Como a Figura 12-2 ilustra, a maximização do lucro do monopólio, no nível de produção de excelência qm, é determinada por onde as curvas MR e MC se cruzam. Como acontece com uma empresa competitiva, escolher produzir onde a receita marginal é igual aos custos marginais (MR = MC) nem maximiza os lucros nem minimiza as perdas, dependendo se a demanda for forte o suficiente para a empresa ser capaz de fazer lucro (Consulte o Capítulo 10).

A razão pela qual qm é excelente pode ser vista observando as duas diferenças nos níveis de produção, qL e qH, onde L significa baixo (low) e H significa alto (high):

✓ Baixa produção: No nível de produção qL, você pode subir

verticalmente para ver que MR naquela produção excede MC, o que

significa que, se você produzir e vender aquela unidade, isto lhe trará

mais em receita do que o custo para produzi-la. Evidentemente, esta

é uma boa unidade para ser produzida. Uma relação semelhante se

verifica para todos os níveis de produtividade menores que qm, o que

significa que o monopólio deve manter o aumento da produção até

atingir qm.

✓ Alta produção: Por outro lado, o monopólio não quer aumentar o

produção além de qm. Para ver por que, examine o nível de produção

qH. Neste nível de produção, os custos marginais são maiores que as

receitas marginais, significando que se você produzir aquela unidade

de produção, o custo de produzi-la excederá o dinheiro que poderia

receber vendendo-a. Em outras palavras, se você produzir aquela

unidade, perderá dinheiro.

 

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Portanto, como pode ver, o monopólio quer produzir exatamente qm unidades, porque para todas as unidades superiores a qm, as receitas marginais excedem os custos marginais, significando que você recebe mais dinheiro vendendo tais unidades do que gasta para produzi-las.

Calculando que preço cobrar

Para calcular qual deve ser o preço de cada unidade de produção, utilize a curva de demanda. Suba verticalmente do nível de produção que maximiza os lucros do monopólio para a curva de demanda e então conduza lateralmente. Na Figura 12-2, você pode ver que no nível de produção qm, o monopólio por cobrar o preço pm.

De olho nos lucros do monopólio

Na Figura 12-2, o lucro que o monopólio faz é mostrado pelo retângulo sombreado com os ângulos A, pm, C, e B. Como discutimos no Capítulo 10, tais retângulos de lucro são derivados pela comparação de dois retângulos que dão, respectivamente, receitas totais e custos totais.

O truque básico é lembrar que a área de um retângulo é definida como um produto — o produto do seu comprimento vezes a largura. Para o monopólio maximizar lucros, produzindo qm unidades e vendendo-as por pm, a receita total é o preço vezes a quantidade (TR = pm x qm). Consequentemente, a receita total é a área do retângulo cujo comprimento é igual ao preço e cuja largura é igual a quantidade. Ou seja, TR é a área do retângulo que tem os ângulos O, pm, C, e qm.

Você pode derivar um retângulo de custo total, compreendendo primeiro que os custos totais são também um produto — um produto da média do custo por unidade vezes o número de unidades. Se você subir verticalmente do ponto qm até atingir a curva ATC, obtém o ponto B. A distância vertical até o ponto B apresenta o custo médio por unidade da produção qm. Assim, se você multiplicar esta quantia pela produção qm, obterá o custo total. Geometricamente, isto significa que os custos totais são dados pelo retângulo cujos ângulos são O, A, B, e qm.

Na Figura 12-2, o retângulo de receita total (O, pm, C, qm) é maior que o retângulo de custo total (O, A, B, qm), o que significa que o monopólio está tendo lucro. Esse lucro é dado pelo retângulo sombreado, cujos ângulos são A, pm, C, e B, que representam a diferença nas áreas entre os retângulos de receita total e do custo total.

Compreendendo que o monopólio não

é garantia de lucratividade

CEIT O-CHA VE Apenas porque uma empresa tem um monopólio, não significa, todavia,

ON C garantia de lucro. Se a demanda for muito fraca, os preços serão muito

baixos para ganhar qualquer dinheiro.

 

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Para ver um exemplo desta situação, observe a Figura 12-3, na qual desenhamos uma situação em que há uma demanda muito baixa. A nova curva de demanda, D , conduz a uma curva de receita marginal muito baixa, MR . 1 1

 

MC

Perda

 

E ATC

Preço

Figura 12-3: m p

1

Um monopólio

enfrentando

uma demanda

fraca pode

sofrer perda. D1

monopólio não Ser um m q Quantidade 1

garante lucro.

MR1

O monopólio estabelece novamente a receita marginal igual ao custo marginal para encontrar o excelente nível de produção, qm . Mas, em razão 1 da fraqueza na demanda, o monopólio opera com uma perda, representada pela área sombreada do retângulo.

Uma maneira de ver que o retângulo sombreado gera uma perda é comparar o retângulo de receita total com o retângulo do custo total, como fazemos na Figura 12-2 na seção anterior. Neste caso, o retângulo de custo total excede o retângulo de receita total pela quantia do retângulo sombreado.

Uma maneira diferente de compreender de onde as perdas vêm, é comparar a média do custo total por unidade do monopólio com o preço por unidade que ele obtém quando produz e vende ao nível de produção qm . Naquele nível de produção, o preço por unidade, pm , é encontrado 1 1 começando no eixo horizontal em qm e seguindo então verticalmente para 1 cima na curva de demanda. Como pode ver, você tem que subir ainda além para obter a curva ATC, significando que a média de custo total por unidade para fazer qm unidades excede o preço por unidade que você 1

obtém das vendas destas unidades. Este fato implica que a empresa irá perder dinheiro produzindo ao nível de produção qm . 1

Como mostramos no Capítulo 10, uma empresa em tal situação não pode fazer nada melhor. Isto é, qualquer outro nível de produção além de qm produziria 1 uma perda ainda maior. Se o monopólio não achar um modo de reduzir os custos ou aumentar a demanda, ele irá rapidamente para a falência.

 

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Então, tenha em mente que, mesmo se você for o único vendedor em um setor, a baixa demanda pode significar que você não irá conseguir cobrir seus custos de produção e, consequentemente, não terá lucro.

 

Comparando Monopólios com

 

Empresas Competitivas

Até aqui, neste capítulo, examinamos como um monopólio age para maximizar seus lucros. Queremos agora comparar a maximização dos lucros de um monopólio e a maximização dos lucros de uma empresa competitiva. Esta comparação é ruim para o monopólio porque, como explicamos no Capítulo 11, as empresas competitivas apresentam níveis de produtividade excelentes para a sociedade. Porque os monopólios sempre terminam produzindo menos que as empresas competitivas, os níveis de produção deles é sempre menor que o socialmente excelente.

 

Observando a produção e níveis de preço

Os monopólios produzem menos que as empresas competitivas porque eles têm curvas de receita marginal diferentes. Como mostramos anteriormente neste capítulo, os monopólios enfrentam uma inclinação decrescente das curvas de receita marginal. Em contraste, empresas competitivas enfrentam curvas de receita marginal horizontal.

Você pode ver a comparação na Figura 12-4, na qual desenhamos ambas as curvas de receita marginal inclinadas decrescentes de um monopólio, MRm, e a curva de receita marginal horizontal de uma empresa competitiva, MRC. O gráfico também tem uma curva de média de custo total, ATC, bem como a curva de custo marginal, MC.

A Figura 12-4 supõe que a empresa competitiva e o monopólio têm a mesma estrutura de custos, motivo pelo qual mostramos apenas uma curva MC e uma curva ATC. Supondo que ambas as empresas tenham a mesma estrutura de custos, podemos isolar o efeito que a diferença nas curvas de receita marginal tem em cada decisão de produtividade da empresa.

Maximizando os lucros para cada empresa

Como explicamos no Capítulo 11, a curva de receita marginal para uma empresa competitiva, MRC, é uma linha horizontal fixada ao preço de mercado, pc. Acontece desta maneira porque uma empresa competitiva é uma parte muito pequena de seu setor, e não pode afetar o preço de mercado. Como resultado, ela pode vender muitas ou poucas unidades, quantas desejar, ao preço de pc, o que significa que a receita marginal que ela obtém para cada unidade que escolhe produzir é pc. Como mostramos na Figura 12-4, MRC = pc para uma empresa competitiva.

 

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Perda Inesperada MC

ATC

pm

 

uma empresa monopólio e c E F c c p MR = p Figure 12-4: Se um Preço

competitiva

têm a mesma

estrutura

de custos, o D

produz menos, monopólio m s c q q q Quantidade

o que causa

uma perda

inesperada.

MRm

Em somatória, mostramos no Capítulo 11 que as forças de mercado ajustam a oferta e a demanda até que o preço de mercado seja igual a média mínima de custo total no qual uma empresa poderia produzir. Geometricamente, isto significa que a linha horizontal MRC = pc apenas toca a base da curva ATC em forma de U.

Como observamos anteriormente neste capítulo, monopólios e empresas competitivas seguem a mesma regra básica para maximizar lucros: cada um deles produz onde suas curvas de receita marginal se cruzam com suas curvas de custo. Mas porque ambos têm curvas de receita marginal diferentes na Figura 12-4, têm produção diferente. A empresa competitiva produz qC, enquanto que o monopólio produz qm.

Entendendo por que os monopólios produzem menos

A empresa competitiva produz mais que o monopólio porque a empresa competitiva não precisa se preocupar com a redução de sua receita por unidade se aumentar sua produção. Não importa quanto produza, ela sempre receberá MRC = pC em cada unidade vendida, porque sua produção é muito pequena em relação a produção total para afetar o preço de mercado.

Em contraste, o monopólio enfrenta a curva de demanda do mercado, o que significa que cada unidade adicional que ele vende baixa o preço por unidade que recebe sobre todas as unidades vendidas. Geometricamente, isto implica em inclinação descendente de MRm, que conduz o monopólio a restringir a produção, porque ele sabe que quanto mais produzir, menos dinheiro por unidade recebe.

 

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Como o monopólio restringe sua produção em comparação com a empresa competitiva, o seu preço, pm, também é maior que o da empresa competitiva, pC. Este fato realmente aborrece os consumidores, mas como vamos mostrar, o prejuízo real vem da redução na produção.

 

Perdas inesperadas: Quantificando o

prejuízo causado pelos monopólios

Os monopólios causam prejuízo porque reduzem o nível de produção abaixo dos níveis socialmente ideais produzidos pelas empresas competitivas. Olhe novamente para a Figura 12-4 e considere se seria bom para a sociedade se todas as unidades de produção entre o nível de produção do monopólio, qm, e o nível de produção da empresa competitiva, qC, fossem produzidos.

Por exemplo, observe a unidade qs. Naquele nível de produção, a curva de demanda está acima da curva de custo marginal. Isto faz com que as pessoas queiram pagar mais por aquela unidade de produto do que ela custa para ser fabricada. Em outras palavras, os benefícios excedem os custos para aquela unidade de produção. Uma vez que isto é verdadeiro para todas as unidade entre qm e qC, os monopólios ferem a sociedade ao falhar em produzir unidades para as quais os benefícios excedam os custos.

O prejuízo causado à sociedade quando o monopólio falha em produzir ao nível de produtividade qspode ser quantificado pela distância vertical entre a curva de demanda e a curva de receita marginal acima do nível de qs. Aquela distância vertical é uma quantia que podemos escrever em termos de dinheiro como o número de reais pelos quais os benefícios excedem os custos para cada unidade se ela fosse produzida e consumida.

Se fizermos o mesmo exercício para cada unidade entre qm e qC, podemos aumentar o total de prejuízo causado pela falha do monopólio em produzir aquelas unidades. Graficamente, o prejuízo total medido em reais é igual à área do triângulo sombreado de perdas inesperadas, na Figura 12-4.

Como explicamos no capítulo 11, você obtém este triângulo pensando em todas as distâncias verticais entre a curva de demanda e a curva de custo marginal que estão sobre todas unidades de produção entre qm e qC. Todas estas pequenas distâncias verticais, sombreadas no triângulo de perdas inesperadas, resumem a quantia perdida resultante das restrições da produção exercidas pelo monopólio.

O triângulo de perda inesperada demonstra que quando os monopólios restringem a produção de modo a maximizar seus lucros, eles falham em produzir as unidades para as quais os benefícios excedem os custos, o que prejudica a sociedade. A próxima seção mostra que a decisão de restringir a produção também aumenta os custos.

 

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Focando na eficiência

Outro problema com os monopólios é que eles não são produtores eficientes. Você pode ver isso ao olhar novamente para a Figura 12-4.

As empresas competitivas produzem ao nível de qC. Se você subir verticalmente a partir daquele nível de produção para a curva ATC, você termina no ponto F, que acontece de estar muito em baixo na curva ATC em forma de U. Como explicamos no Capítulo 10, a concorrência conduz as empresas competitivas a produzirem ao nível que as coloca no fundo da curva ATC em forma de U.

Aquele nível de produção minimiza os custos de produção por unidade do produto, que você pode ver ao comparar qC com qualquer outro nível de produção. Quer você produza mais ou menos que qC, o custo médio por unidade será maior devido a curva ATC em forma de U.

Em particular, observe o nível de produção do monopólio, qm. Se você subir verticalmente daquele nível de produção para a curva ATC, você chega ao ponto E. Como a distância vertical entre o eixo horizontal e E é mais longa que a distância vertical entre o eixo horizontal e o ponto F, você sabe com certeza que os custos totais por unidade quando produzindo ao nível do monopólio, qm, são maiores que aqueles ao nível de produção competitiva, qC. Consequentemente, uma empresa de monopólio produz a um nível mais oneroso do que uma empresa competitiva.

CEIT O-CH A VE Este mau resultado é ainda outra manifestação do fato de que os

ON monopólios enfrentam curvas inclinadas decrescentes de receita marginal. C Uma empresa competitiva tem um incentivo para aumentar a produção

de todas as maneiras para qC por que isso reduz os custos de produção por unidade e pode, portanto, aumentar os lucros. O mesmo incentivo existe para um monopólio, mas é mais do que compensado pela redução das receitas que aconteceriam se a empresa de monopólio aumentasse sua produção. Como resultado, os lucros do monopólio são maximizados em qm, mesmo que qC seja o menor custo de produção.

 

Considerando Exemplos

 

de Bons Monopólios

Até agora, neste capítulo, mostramos que em comparação com uma empresa competitiva, um monopólio produz muito pouco a um custo muito alto e, numa reviravolta, vende toda a produção por muito dinheiro. Dadas estas três coisas ruins, você pode simplesmente dizer, “Cartão vermelho!” e livrar-se dos monopólios totalmente. Mas se o fizesse, você estaria agindo com um pouco de pressa. Em alguns casos, os benefícios dos monopólios superam seus custos. Em outros, superam os custos em algumas circunstâncias e ainda em outras situações, a sociedade ainda está decidindo quais são maiores, os custos ou benefícios.

 

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Incentivo à inovação e

ao investimento em patentes

O lugar mais óbvio onde os monopólios fazem bem à sociedade é nas patentes. As patentes dão aos inventores direito exclusivo de mercado sobre suas invenções por 20 anos; após este tempo seus inventos passam a ser de propriedade pública. Isto é, as patentes dão aos inventores os direitos de administrar um monopólio por 20 anos.

CEIT O-CH A VE Monopólios são tão importantes neste contexto de inovação por que sem

ON eles, provavelmente um inventor nunca veria qualquer retorno financeiro C por seu trabalho; plágios copiariam sua ideia, roubando-a e inundando o

mercado com imitações do produto real, causando um colapso nos preços. Consequentemente, em um mundo sem patentes, poucas pessoas iriam se incomodar em colocar tempo, esforços e dinheiro necessários para surgir com novas invenções.

Para remediar esta situação, as nações de todo o mundo oferecem o monopólio de patentes aos inventores. Os resultados são inovações mais rápidas, crescimento muito mais veloz da economia e aumento nos padrões de vida.

Contudo, essas patentes são limitadas no sentido de equilibrar a balança para dar incentivo aos inventores de forma que criem, e evitar que as pessoas tenham monopólios permanentes (por exemplo, você não pode patentear algo óbvio, ou que já existe).

 

Reduzindo concorrentes

incomodamente redundantes

As sociedades também incentivam a criação de monopólios em situações em que a concorrência significa uma redundância irritante. Considere os seguintes exemplos:

✓ Coleta de lixo: Caminhões de lixo são extremamente barulhentos

e irritantes. Se uma empresa tem um monopólio para coleta de lixo,

você precisa aguentar um caminhão barulhento e irritante apenas

uma vez por semana. Mas se, digamos, sete empresas de coleta de

lixo diferentes estejam competindo, você pode ter que aguentar uma

por dia, e seis de seus vizinhos irão escolher utilizar uma empresa

diferente que coleta o lixo em um determinado dia da semana.

✓ TV a cabo: Só existe uma fornecedora de TV a cabo em toda

Inglaterra. Pense no custo de levar cabos até sua casa e você

entenderá o motivo. Se dez empresas de televisão a cabo competem

por seu negócio, os bairros terão dez tipos diferentes de conjuntos de

cabos de TV disputando entre eles — a um custo muito maior do que

apenas um conjunto de cabos.

 

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✓ Gás natural: A colocação de canos para a entrega de gás é cara e a

colocação de múltiplas redes em uma área seria um absurdo completo.

Consequentemente, muitas cidades têm decidido que haverá apenas uma empresa de coleta de lixo, uma empresa de TV a cabo e uma empresa de gás natural. A cada empresa é dado um monopólio e este é regulamentado para assegurar que não aconteça a exploração dos clientes. Por exemplo, o fornecimento de água em Londres é um monopólio (Thames Water). Consulte a seção “Regulamentando Monopólios”.

 

Mantendo os custos baixos com

monopólios naturais

Outra área na qual uma sociedade pode decidir se é melhor ter um monopólio em vez de uma empresa competitiva é no caso daquilo que os economistas se referem como setores de monopólios naturais ou monopólios naturais.

CEIT O-CH A VE Um setor é um monopólio natural se um grande produtor puder produzir

ON mercadorias a custos menores que diversos outros pequenos produtores. C Um bom exemplo é a distribuição de energia elétrica. O enorme custo fixo

de estabelecer uma grade de distribuição de força nacional significa que não existe como estabelecer uma grade que sirva uma fração do mercado. Neste caso tem que ser tudo ou nada.

Um setor assim é chamado de monopólio natural porque ele naturalmente se torna dominado por um único produtor. O problema aqui, para a política de mercado, é o que fazer com um monopólio natural.

Por um lado, todos agradecem o fato de que a grade serve a nação inteira. Mas por outro, uma vez que não pode existir competição econômica, agora as pessoas têm que se preocupar com este novo monopólio cobrando preços mais altos e produzindo menos que o nível socialmente ideal de produção.

Este conflito entre pontos bons e maus significa, normalmente, que os governos permitem que o monopólio natural permaneça em um negócio como a única empresa do setor, mas ao mesmo tempo, ele o regula de modo que as pessoas não precisam temer que os preços subam ou que o nível de produtividade baixe. Ao agir assim, a sociedade obtém os benefícios trazidos pela produção mais eficiente, sem ter que temer os problemas que poderiam resultar se o monopólio fosse deixado sem regulamentação.

 

Regulamentando Monopólios

Os governos devem decidir quando apoiar e quando suprimir os monopólios. Por exemplo, as patentes apoiam o direito do inventor ao monopólio de produzir e vender sua invenção por 20 anos. Depois disso, a produção e venda da invenção são lançadas para a livre concorrência.

Em outras situações, muitas instituições regulamentadoras foram desenvolvidas, ou para destruir um monopólio, quebrando-o, ou para

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 285 04/05/2012 18:05:21 286 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

regulamentá-lo após decidir deixar que ele continue absoluto em seu setor. Nesta seção, nós apresentamos vários desses esquemas reguladores e exploramos o que eles fazem para melhorar o comportamento dos monopólios.

 

Subsidiando o monopólio

para aumentar a produção

Estabelecemos anteriormente neste capítulo que a maximização dos lucros do monopólio produz menos que o nível socialmente ideal. Em particular, a maximização do lucro do monopólio na Figura 12-4 produz onde sua curva de receitas marginal inclinada decrescente, MRm, intercepta sua curva de custos marginais inclinada ascendente, MC. Este nível de produção, qm, é menor que o nível de produtividade socialmente ideal, que deveria ser produzido por uma empresa competitiva em qC.

Outro modo de conseguir que o monopólio produza mais é subsidiando seus custos de produção. Desse modo, a curva de custo marginal atual se desloca para baixo verticalmente. Fazendo isto, as curvas de custo marginal e receita marginal se encontram no mais alto nível de produção. E, se o subsídio for alto o suficiente, o monopólio pode ser induzido a aumentar a produção até qC.

Alguns governos usam este tipo de subsídio para conseguir que as empresas de gás, eletricidade e telefone atendam mais pessoas, especialmente os pobres. Se os custos das empresas de monopólio para fornecimento aos consumidores são subsidiados, as empresas desejarão fornecer aos consumidores muito mais que elas poderiam sem o subsídio.

Algumas pessoas são contra o subsídio ao monopólio, então este tipo de solução não é necessariamente a mais politicamente popular. Mas é efetiva em aumentar a produção.

 

Impondo requisitos mínimos de produção

Outra maneira de conseguir que um monopólio produza mais é simplesmente exigir que ele produza mais. Por exemplo, em diversos lugares, companhias telefônicas são solicitadas para oferecer serviços básicos de telefonia para todos — até mesmo para pessoas que não podem pagar por eles. (A ideia é ter certeza que todos serão capazes de pedir ajuda se tiverem uma emergência.) O mesmo acontece com as empresas que fornecem aquecimento no inverno. Em algumas jurisdições, não é possível cortar o aquecimento de alguém por falta de pagamento da conta.

Requerimentos mínimos de produção podem forçar um monopólio a produzir a níveis socialmente ideais de produção. Eles são muitas vezes politicamente populares, porque várias pessoas pensam que os monopólio são maus e exploradores, e não se importam em vê-los tendo que produzir mais.

 

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Qualquer aumento forçado na produção também significa uma redução nos lucros do monopólio. Portanto, esses programas também são muito populares, uma vez que as pessoas consideram os lucros do monopólio como conseguidos de forma ilícita, visto que a empresa não precisa competir para ganhá-los.

Os reguladores, entretanto, devem ser cuidadosos de modo a não levar a falência os monopólios que eles regulamentam. Dependendo das curvas de custos de um monopólio, é possível forçá-lo a produzir a um nível em que ele perca dinheiro. Como os reguladores não querem quebrar os monopólios e, assim, negar aos consumidores o acesso aos bens e serviços produzidos, são cuidadosos ao levar em consideração a estrutura de custos do monopólio quando analisam os requisitos mínimos de produção.

 

Regulamentando os preços do monopólio

Talvez o modo mais comum de regular um monopólio seja estabelecer o preço no qual ele pode vender cada uma de suas unidades de produção. Esta abordagem funciona porque altera a curva de receita marginal do monopólio de inclinada decrescente para horizontal. Por isso, elimina-se o problema usual do monopólio que é, quanto mais ele vende, menos ele pode cobrar por unidade.

No entanto, em relação às quantidades requeridas, os reguladores têm que prestar muita atenção à estrutura de custos do monopólio, quando escolhem os preços regulados, de forma a não quebrarem o monopólio.

Para compreender o problema enfrentado pelo regulador, considere um monopólio cujas curvas de custos são dadas na Figura 12-5. Deixado sem regulamentação, o monopólio irá escolher produzir ao nível de produção que maximiza os lucros, qm, definido onde MR cruza MC. A partir da curva de demanda, você pode ver que ele vai ser capaz de cobrar o preço pm por unidade para aquela quantidade de produção (para saber mais sobre o comportamento do monopólio não regulamentado, consulte a seção anterior “Escolhendo um nível de produção para maximizar os lucros”).

Em seguida, pense em como o regulador pode querer modificar o comportamento do monopólio. Por exemplo, um regulador bem intencionado quer que o monopólio produza cada unidade para a qual os benefícios excedam os custos. Observando a Figura 12-5, você pode ver que ele quer conseguir que o monopólio produza ao nível de produtividade qmc, definido como o ponto em que a curva de demanda inclinada decrescente intercepta a curva MC.

Conforme explicamos na seção anterior, “Perdas Inesperadas: Quantificando o prejuízo causado pelos monopólios”, é socialmente benéfico produzir cada unidade acima, incluindo qmc. Tal afirmação é verdadeira porque para cada unidade, o que as pessoas querem pagar para consumir (dado pela distância vertical do eixo horizontal acima da curva de demanda) excede o custo marginal de produção (dado pela distância vertical do eixo horizontal acima da curva MC).

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 287 04/05/2012 18:05:21 288 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

 

MC

 

p m

ATC

Preço

pac

Figura 12-5: mc p Regulamen-

tando um

monopólio

usando a mé- D

de preço e o q q q Quantidade dia de custo m ac mc

custo de preço

marginal.

MR

Como resultado, o regulador estabelecerá o preço em pmc. Naquele preço, a curva de demanda diz que os consumidores desejarão comprar qmc unidades de produção. Melhor ainda, o monopólio vai querer fornecer aquele nível de produção porque a receita marginal da venda de cada unidade excede o custo marginal de sua produção.

No entanto, existe um grande problema com esta política dada esta estrutura particular de preço do monopólio: tal empreendimento irá à falência porque ao nível de produção qmc os custos totais da empresa excedem suas receitas.

Você pode ver este problema em uma base por unidade ao notar que a média do total de custo unitário no nível de produção de qmc (dado pela distância vertical do eixo horizontal acima da curva ATC) é mais do que as receitas impostas pelo regulador de pmc por unidade. Porque a média total dos custos por unidade excede as receitas por unidade, o monopólio estará operando uma perda. Se o regulador não abrandar e permitir um preço mais alto, o monopólio eventualmente acabará na falência, a menos que governo dê os passos necessários ao subsídio da empresa, dando-lhe um subsídio em dinheiro igual ao valor de sua perda.

CEIT O-CHA VE O método de regulamentação que acabamos de descrever é chamado de

ON preço de custo marginal porque o preço regulado, pmc, está colocado onde a C curva de custo marginal cruza a curva de demanda. Mas como este método

pode levar o monopólio a perder dinheiro, uma alternativa mais comum é a média de preço de custo, que estabelece o preço regulado onde a curva de média do custo total (ATC) intercepta a curva de demanda.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 288 04/05/2012 18:05:22 Capítulo 12: Monopólios: O Quanto Você se Comportaria Mal... 289

Na Figura 12-5, um regulador usando a média de preço de custo estabeleceria o preço em pac. Naquele preço, você pode ver a partir da curva de demanda que os consumidores demandam qac unidades de produção. O monopólio está feliz em oferecer aquele nível de produção, porque para cada e toda unidade acima de qac, a receita marginal (o preço regulador por unidade, pac) excede o custo marginal — significando que o monopólio ganha financeiramente por produzir cada uma destas unidades.

O principal benefício desse sistema é que você não tem que se preocupar com a falência do monopólio (ou onde conseguir dinheiro para subsidiar um monopólio que iria falir sob o preço de custo marginal). A média de preço de custo garante que o monopólio não ganhe nem perca.

Você pode ver este fato ao comparar a média total de custos por unidade no nível de produção qac com a receita por unidade no nível de produção. Você obtém a média de custo total por unidade indo verticalmente para cima até atingir a curva de média de custo total. Porque a distância vertical é igual ao preço regulado por unidade, pac, você sabe que as médias totais de custos por unidade são iguais ao preço regulado por unidade — assim a empresa deve estar equilibrando as finanças.

A desvantagem da média de preço de custo para este monopólio é que todas as unidades socialmente benéficas entre qac e qmc não são produzidas. Por outro lado, a única maneira de manter este monopólio no negócio, de modo a produzir aquelas unidades se você impusesse o preço de custo marginal, seria subsidiando-o. Utilizar a média de preço de custo elimina qualquer preocupação associada ao provimento de subsídios. Em especial, você não tem que se preocupar com qualquer prejuízo potencial que possa causar quando aumenta as taxas que têm que ser impostas em algum outro lugar na economia, a fim de subsidiar o monopólio.

 

Dividindo um monopólio em várias

empresas concorrentes

Finalmente, outra solução para o problema do monopólio é destruí-lo, quebrando-o em muitas empresas concorrentes (é justo dizer que isso é tido como uma opção nuclear na lei da competição, então é algo que ocorre raramente; em geral outras opções são preferidas). O caso mais famoso deste tipo de solução foi a divisão da AT&T (American Telephone and Telegraph Corporation – Empresa de Telefonia e Telégrafo da América), em um grupo de pequenos competidores, em 1984 (os economistas com frequência gostam de comparar este tratamento dado à AT&T com o tratamento mais leniente dado à British Telecom pelas autoridades britânicas).

DO REAL Antes de 1984, a AT&T era um monopólio nacional. Se você quisesse fazer

UN uma ligação telefônica para qualquer lugar nos Estados Unidos, teria que M usar a AT&T, porque ela era a única companhia telefônica do pais. Ela era

altamente regulamentada, com requisitos de quantidade, para fornecer a todos um telefone, e os requisitos de preço, que a encorajava a fornecer

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 289 04/05/2012 18:05:22 290 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

uma alta quantidade de serviços de telecomunicações. Mas a empresa continuava sendo um monopólio e, por isso, um juiz determinou, em 1984, que ela deveria ser dividida em várias outras empresas locais, de tal maneira a estimular a concorrência.

A política de transição correu extremamente bem. Rapidamente um mercado muito competitivo no ramo de serviços de telefonia emergiu entre as empresas que tinham feito parte da AT&T. E, mais recentemente, o setor de serviços telefônicos se tornou muito mais competitivo devido à chegada das companhias de telefonia celular, Internet e, até mesmo, companhias de TV a cabo oferecendo serviços de telefonia. Esta robusta concorrência eliminou os problemas associados aos monopólios e assegurou que os serviços de telecomunicações fossem oferecidos a baixos custos e em grandes quantidades.

Criar concorrência também é uma forma de lidar com um monopólio, porque se eliminam os custos associados ao contínuo monitoramento do monopólio regulado. Como explicamos no Capítulo 11, a concorrência leva você ao nível socialmente ideal de produtividade sem qualquer tipo de controle central. O que está em contraste com monopólios regulamentados, que normalmente requerem uma burocracia cara para desenvolver e reforçar suas leis e regulamentações.

 

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Capítulo 13

 

 

Oligopólio e Competição

 

Monopolista: Meio Termo

 

Neste Capítulo

X Decidindo entre competir e tomar parte em um oligopólio

X Entendendo como o conluio das empresas fere os consumidores e a sociedade

X Usando o modelo do Dilema do Prisioneiro

X Examinando por que alguns pactos de conluio funcionam enquanto que outros não

X Regulamentando as empresas para que não possam fazer conluio

X Usando a diferenciação do produto para evitar a concorrência perfeita

X Limitando os lucros na concorrência monopolística

 

Os capítulos 10 e 12 examinam em detalhes as duas formas mais extremas que uma indústria pode seguir: a concorrência perfeita, com muitas empresas pequenas competindo, e monopólios, em que há apenas uma empresa (e, consequentemente, nenhuma concorrência.) Este capítulo se concentra em dois interessantes casos intermediários.

A primeira possibilidade é um oligopólio, um setor no qual há apenas um pequeno número de empresas — duas, três, um punhado. A palavra “oligopólio” vem do grego e significa “poucos vendedores”. Um grupo diversificado de setores tem tais características, como empresas de refrigerantes, produção de petróleo e máquinas de videogame. Por exemplo, Coca-Cola e Pepsi dominam o mercado de refrigerantes, superando em muito os outros fabricantes de bebidas carbonadas. De modo semelhante, apenas três ou quatro países produzem a maior parte do petróleo do mundo. E apenas três empresas produzem e vendem virtualmente todos os consoles de videogames usados no mundo.

Os setores oligopolistas são interessantes porque, dependendo das circunstâncias específicas, as empresas podem tanto competir brutalmente umas com as outras ou se unir para se comportar de maneira semelhante a um monopólio. Isto significa que em alguns casos os oligopólios podem ser deixados sozinhos, porque a concorrência assegura que eles

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 291 04/05/2012 18:05:22 292 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

produzam a níveis socialmente ideais, enquanto que, em outros casos, a regulamentação governamental é necessária para prevenir que eles atuem como monopólios e se comportem de modo socialmente indesejável.

O segundo tipo de setor intermediário é um em que você encontra a competição monopolista — uma forma híbrida entre a concorrência perfeita e o monopólio. O ponto principal que distingue as empresas neste tipo de setor daquelas do setor de concorrência perfeita, é a diferenciação do produto — o fato de que cada empresa fabrica um produto ligeiramente diferente das outras. Um excelente exemplo de uma indústria que só é cada vez mais monopolisticamente competitiva é a televisão, onde a competição pela audiência tem a ver com a grade de programação que está sendo mostrada.

Este capítulo começa com um olhar detalhado sobre os oligopólios e as decisões que as empresas neste tipo de setor precisam tomar. Depois, apresentamos a concorrência monopolista e mostramos como a diferenciação do produto nem sempre se traduz em lucros limpos.

 

Escolhendo Competir ou Conspirar

Em setores nos quais apenas poucas empresas operam, elas têm uma escolha sobre se competem ou cooperam. Esta situação é muito diferente da concorrência perfeita, que discutimos no Capítulo 11.

Em mercados perfeitamente competitivos, o fato de existirem muitas empresas e de que cada empresa é apenas uma pequena parte do mercado, significa que suas produções individuais não têm qualquer efeito nos preços do mercado. Como resultado, as empresas concorrentes apenas tomam um dado preço de mercado e ajustam seus níveis de produção de acordo com ele, de modo a tornar o lucro o maior possível.

 

Percebendo que empresas de oligopólio

interagem estrategicamente

DO REAL Em um mercado em que há apenas alguns poucos vendedores, cada um

MUN produz o suficiente da produção total para ser capaz de afetar o preço de

mercado. Por exemplo, existem duas grande produtoras de refrigerantes sabor cola: Coca e Pepsi. Estas duas corporações produzem frações tão altas da produção total que se qualquer uma delas subitamente aumentasse a oferta, o preço no mercado de refrigerantes sabor cola cairia dramaticamente. Um aumento na produção feito por uma das companhias causaria, igualmente, a diminuição no preço de outras empresas no mercado.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 292 04/05/2012 18:05:22 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 293

Em outras palavras, se a Pepsi produzisse duas vezes mais que sua produção normal e, literalmente, inundasse o mercado, seu preço cairia radicalmente. Mas porque a maioria das pessoas não é 100 por cento leal a uma marca ou a outra. Se o preço da Pepsi cair abruptamente, vários consumidores regulares de Coca passarão a beber Pepsi. Em contrapartida, o preço da Coca cairia também.

A Pepsi e a Coca estão envolvidas em uma situação onde cada uma de suas decisões de oferta afeta não apenas suas próprias vendas, mas também a de seus concorrentes. Os economistas se referem a tal situação como situações estratégicas, porque as empresas envolvidas têm que decidir que tipo de estratégia adotar. Em particular, elas têm que decidir se competem ou se são coniventes entre si:

✓ Se elas fizerem um conluio, irão juntas cortar a produção, a fim de

conduzir um aumento de preços e de seus lucros.

✓ Se elas escolherem competir, ambas tentarão aumentar a produção, de

modo a baixar os preços e captar tantos consumidores quanto possível.

 

Comparando os resultados da concorrência

e do conluio

Estas duas estratégias, competir ou conluiar, conduz a resultados enormemente diferentes para ambos, produtores e consumidores:

✓ Para os produtores, o conluio é melhor que a concorrência, porque

conduz a lucros que duram tanto quanto a conivência das empresas.

✓ Para os consumidores, a conivência é pior que a concorrência,

porque conduz a altos preços e baixa produção.

Observando estes resultados, você pode supor que as intervenções governamentais são necessárias para proteger os consumidores desses conluios. Mas tal intervenção só é necessária se as empresas realmente estiverem em conluio.

O que é fascinante no mundo real é que os conluios não acontecem em vários setores onde se poderia esperá-los. Por exemplo, a Coca e a Pepsi são competidoras ferozes que gastam centenas de milhões de dólares ao ano em propaganda tentando roubar os consumidores uma da outra.

Da mesma forma, muitas cidades têm apenas um pequeno número de companhias de telefonia celular competindo. Mas, em vez de conluio, elas competem tão agressivamente que muitas delas estão constantemente flertando com a falência. Outros setores com concorrência feroz incluem o setor de linhas aéreas, onde as sacudidas do mercado são rotina.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 293 04/05/2012 18:05:22 294 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

A grande questão que os economistas precisam responder é “por que vemos tão poucos conluios em setores onde se deveria esperar haver mais deles?” As próximas seções mostram a você como os economistas respondem esta questão.

 

Comportamento de Cartel: Tentando

 

Imitar os Monopolistas

CEIT O-CH A VE Um grupo de empresas que conluiem e agem como um único organismo

ON coordenado é conhecido como um cartel. Porque um cartel age C essencialmente como uma empresa gigante, ele efetivamente se torna um

aglomerado de empresas individuais dentro de um único e grande monopólio.

Este fato facilita a compreensão do comportamento de maximização do lucro do cartel, porque é exatamente igual ao do monopólio. De fato, você pode observar o que um cartel quer fazer olhando as figuras no Capítulo 12, que ilustram o que um monopólio gosta de fazer.

Em especial, a maximização do lucro do cartel irá escolher o nível de produção de maximização do lucro do monopólio de qm unidades mostrado na Figura 12-2. Produzir àquele nível maximiza o lucro coletivo do cartel, o que é mostrado na área sombreada da Figura 12-2. E, melhor ainda para o cartel, que o lucro do monopólio persiste tanto quanto as companhias participantes se mantenham cooperando e produzindo uma saída combinada de qm.

 

Coordenar um cartel é trabalho duro

Infelizmente para as empresas no cartel é frequentemente muito difícil conseguir que todas as empresas coordenadas produzam coletivamente o nível de produção do monopólio, qm. Para conseguir que cada empresa individual coopere e produza exatamente qm unidades de mercadoria combinada, você precisa conseguir que elas concordem sobre dois aspectos relacionados:

✓ Como dividir os lucros: Obviamente, todas as empresas desejam o

maior lucro possível.

✓ Cotas de produção: As empresas devem concordar, e acatar, o

quanto do total da produção (qm) cada empresa irá produzir. Cada

empresa será constantemente tentada a produzir mais que sua cota

porque, fazendo isto, traria maiores receitas.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 294 04/05/2012 18:05:22 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 295

Examinando a OPEC para ver as

dificuldades do conluio

DO REAL As dificuldades de unir esses dois requisitos são ilustradas pelo cartel

UN de petróleo da OPEC. OPEC é a sigla para Oil Producing and Exporting M Countries (Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo).

Embora OPEC seja um nome bobo, o grupo é bastante ativo, e inclui Arábia Saudita, Iraque, Venezuela, Nigéria, Kuwait, Indonésia e vários outros países exportadores de petróleo.

Juntas, estas nações controlam a grande maioria das reservas mundiais de petróleo. Elas vendem o direito da extração de petróleo para companhias que, por sua vez, o revendem para o consumidor. A importância das reservas significa que elas constituem um setor de oligopólio com apenas um pequeno número de participantes. Como existem apenas alguns poucos jogadores, eles têm a chance de formar um cartel e tentar produzir ao nível do monopólio, de modo a obter lucros como os de monopólio. Eles são bem sucedidos?

Em geral, não. Dizemos “em geral” porque, apesar de ser verdade que as empresas negociam acordos sobre a produção de petróleo, estes acordos são constantemente quebrados. Por exemplo, suponha que o nível de produção do monopólio que maximizaria o lucro coletivo da OPEC seja de 20 milhões de barris por dia, e que o preço para aquele nível de produção é de 60 dólares por barril.

Para atingir a produção acordada, a OPEC precisa concordar com uma cota de produção. Por exemplo, a Arábia Saudita pode produzir 4 milhões de barris por dia, enquanto a Venezuela tem uma cota de apenas 2 milhões de barris por dia, deixando os outros 14 milhões para serem divididos entre os demais países membros.

Infelizmente, para a OPEC, fazer valer as cotas é impossível. Em suma, não há como fazer a Venezuela parar de bombear mais do que seus 2 milhões de barris por dia e vender o excedente nos mercados de petróleo do mundo. Quase todos os países da OPEC trapaceiam e produzem em demasia.

A razão de agirem assim é por que os altos preços do petróleo são muito tentadores. Por exemplo, se todos os outros países cumprirem o acordo e aumentarem os preços do petróleo, a Venezuela vai achar muito tentador produzir mais que sua cota, porque cada barril adicional trará muito mais dinheiro.

Infelizmente, cada país enfrenta esta mesma tentação, então quase todos aumentarão a produção de suas cotas. O aumento na oferta causado por todo esse trapaceio inunda o mercado e reduz os preços para menos do que os países poderiam ter recebido se tivessem permanecido com suas respectivas cotas.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 295 04/05/2012 18:05:22 296 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Colocando de forma um pouco diferente, os cartéis têm incentivos autodestrutivos: eles trabalham e criam lucros monopolistas, mas também criam tentações para que seus membros trapaceiem. No caso da OPEC, estas tentações são tão fortes, que a OPEC tem sido apenas ocasionalmente capaz de agir como um cartel efetivo (e este sucesso ocasional é amplamente devido a posição dominante da Arábia Saudita dentro do cartel – ou seja, quando outros membros trapaceiam, a Arábia Saudita tem sido capaz de utilizar a sua enorme capacidade e ameaçar dobrar sua produção no mercado, forçando os trapaceiros a tornarem à mesa de renegociação).

Na próxima seção, falaremos sobre um modelo de teoria dos jogos chamado o Dilema do Prisioneiro, que nos leva ao centro da questão do porque de as empresas em cartéis trapacearem, e por que, em muitos casos, é quase impossível que elas deixem de agir assim.

 

Entendendo o modelo do

 

Dilema do Prisioneiro

O comportamento dos cartéis e seus incentivos para quebrar acordos é melhor compreendido quando se aplica aos cartéis um modelo muito famoso de teoria dos jogos, conhecido como O Dilema do Prisioneiro.

Continuar: parte 15 de 18