Economia Para Leigos

Sean Masaki Flynn e Peter Antonioni · Capítulo 2 de 3 · parte 4/18

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Economia Para Leigos

Capítulo 2

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.

dores europeus pagavam preços mais al-

O que eles pensaram era simples em teo- tos (através da atribuição de preços garan-ria, mas tiveram algumas consequências tida), impostos mais altos (para o subsídio práticas que provavelmente não foram da superprodução) e receberam lagos de intencionais. Eles desenvolveram o que é vinhos que ninguém queria beber e monta-conhecido como Política de Agricultura nhas de manteiga que ninguém jamais co-Comum (PAC – no original CAP). Em resu- meria. Enquanto isso, reformar o PAC é um mo, esta política garantiria um preço mí- dos problemas mais intratáveis na política nimo para os agricultores e proprietários europeia, assim como um dos que mais so-de terras, com a receita feita a partir de frem pressões.

 

Embora os mercados às vezes falhem em entregar tudo que a sociedade deseja, a intervenção governamental não é uma panaceia. Os mercados desempenham bem a distribuição da grande maioria das coisas que as pessoas desejam e, em geral, eles conseguem fazer isto ao menor custo possível. Consequentemente, a intervenção governamental deveria ser bem ponderada para não tornar as coisas piores.

 

Optando por uma economia mista

No mundo real, poucas sociedades optam por um tipo extremo de economia, tal como uma totalmente baseada no mercado ou uma cuja característica seja a constante e predominante intervenção governamental. Ao invés, a maioria das sociedades opta pelo entrelaçamento entre mercados, intervenção governamental e o que os economistas se referem como produção tradicional. Em suas formas originais, estes três tipos de economia podem ser definidos da seguinte maneira:

 

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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 57

✓ Economia de mercado é aquela em que quase todas as atividades

econômicas acontecem no comércio, com pouca ou nenhuma

interferência do governo. Por causa da falta de intervenção

governamental, este sistema é também chamado de laissez faire, o

termo Francês para “deixem fazer”.

✓ Economia dirigida é aquela em que toda a atividade econômica é

comandada pelo governo.

✓ Economia tradicional é aquela em que produção e distribuição

são gerenciadas nos moldes das antigas tradições culturais. Por

exemplo, até o sistema de castas ser abolido na Índia, durante o

ultimo século, a produção de praticamente todos os bens e serviços

poderia ser feita apenas por aqueles nascidos nas castas apropriadas.

Semelhantemente, na Europa medieval, as pessoas não podiam

fazer parte do governo ou atingir um alto posto militar a não ser que

tivessem nascido na nobreza.

Em razão de quase todas as economias modernas serem uma mistura dessas três categorias econômicas, muitas acabam sendo classificadas como economias mistas. Com exceção de algumas poucas sociedades tradicionais isoladas, contudo, a parte da mistura que cabe à economia tradicional tende a declinar em significância, por que a maior parte da produção tem se deslocado para os mercados e por que as restrições da economia tradicional, em coisas como idade e gênero tem se tornado cada vez menos importante (e mais ilegal).

CEIT O-CHAVE O resultado é que a maioria das economias mistas de hoje são uma mistura

ON dos outros dois tipos puros: a economia dirigida e a economia de mercado. C As misturas que você encontra em grande parte dos países, tipicamente

apresentam governos que, em sua maioria, permitem aos mercados determinarem o que produzir, mas que também combinam intervenções limitadas numa tentativa de melhorar a atuação do mercado, caso fosse deixado por conta própria.

A precisa natureza dessa mistura depende do país, com os Estados Unidos e o Reino Unido dando maior ênfase nos mercados, enquanto que a França e a Alemanha, por exemplo, têm como característica uma ênfase maior em intervenções governamentais. Por outro lado, uns poucos regimes totalitaristas, como o da Coreia do Norte, ainda insistem em governar executando o comando econômico puro, como parte de seus abrangentes regimes autoritaristas. Entretanto, mesmo entre estados totalitários, sistemas de comando puro são raros. Por exemplo, até mesmo em Cuba, uma economia de comando existe ao lado de uma pequena economia florescente, e outros estados que só possuem um partido, como a China ou o Vietnã, deram grandes passos ao libertarem setores empresariais de suas economias.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 57 04/05/2012 18:04:47 58 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez

Como discutimos no complemento “Comunismo, longas filas e papel higiênico”, anteriormente neste capítulo, economias dirigidas tem todas características sombrias quando as avaliamos em termos de produção e eficiência alocativa, embora muitas pessoas ainda sintam-se nostálgicas por elas. Até mesmo governos bem intencionados não podem reunir informação suficiente sobre produção e distribuição para fazer um bom trabalho de alocação de recursos. Na verdade, eles fazem um trabalho muito pior se comparados ao que faz os sistemas de preços.

Consequentemente, o extremo oposto, a absoluta falta de intervenção governamental, é uma opção atrativa. Tais sistemas laissez faire foram sugeridos primeiramente pelos economistas franceses há algumas centenas de anos, em resposta ao hábito dos governantes daquela época de intervirem pesadamente nas atividades econômicas.

Entretanto, uma economia de laissez faire pura jamais existiu e provavelmente, jamais existirá. O simples fato é que o bom funcionamento das economias de mercado que utilizam os mecanismos de preços para alocar recursos, requer uma grande quantidade de apoio do governo. Entre outras coisas, as economias de mercado precisam dos governos para:

✓ Fazer valer os direitos de propriedade para que as pessoas não

roubem

✓ Fornecer sistemas jurídicos para redigir e fazer cumprir contratos

para que as pessoas possam comprar e vender bens e serviços

✓ Aplicar sistemas de pesos e medidas padronizados para que as

pessoas saibam que não estão sendo enganadas

✓ Proporcionar um abastecimento estável de dinheiro, seguro contra

falsificadores

✓ Impor patentes e direitos autorais para incentivar a inovação e a

criatividade

Repare que todas estas coisas devem estar em ordem para que os mercados funcionem. Consequentemente, uma versão mais moderada e mais moderna do laissez faire diz que o governo deve proporcionar a estrutura institucional necessária para que as economias de mercado funcionem, e, em seguida, possa sair do caminho e deixar que as pessoas produzam e vendam o que for necessário.

Entretanto, a grande maioria das pessoas quer que os governos façam mais do que apenas estabelecer as instituições necessárias ao funcionamento dos mercados. Elas querem que os governos parem a produção e a venda de coisas como drogas ou subsidiem a produção de coisas que a economia de mercado não pode fornecer em grande quantidade, como habitação para os pobres. Os governos frequentemente taxam os cidadãos mais abastados para pagar pelos programas governamentais para os pobres.

 

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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 59

DO REAL Muitos programas governamentais são tão banais que você nem mesmo

MUN pensa neles como sendo intervenções governamentais. Por exemplo,

escolas públicas gratuitas, itens essenciais de segurança nos carros, etiquetas de advertência em embalagens de medicamentos, impostos sobre álcool e tabaco e a contribuição obrigatória ao sistema de aposentadoria são exemplos de intervenções do governo na economia.

As intervenções governamentais necessárias para implantar tais programas são, em muitos casos, ineficientes. Mas muitas pessoas defendem que há mais coisas na vida que eficiência e, portanto, as ineficiências causadas por muitas das intervenções governamentais são compensadas pelos benefícios que produzem. Para essas pessoas, as intervenções governamentais em questão aumentam totalmente a felicidade, não obstante o fato de elas serem, estritamente falando, ineficientes.

Em razão de as economias de mercado puras não transmitirem tudo que muitas pessoas desejam, diversas sociedades tem optado, pelo menos, por algumas – e em alguns casos, muitas – intervenções governamentais na economia. O resultado é que muitas economias hoje são economias mistas, com alguns aspectos de controle direto e o controle da atividade econômica misturados com uma grande parte de economia de mercado, que usa o sistema de preços para alocar recursos.

Por fim, todas as intervenções do governo – boas ou más – são resultado de um processo político. Nas democracias, a quantidade de intervenções governamentais é, falando abertamente, um reflexo do desejo do povo.

 

Encorajando a Tecnologia

 

e a Inovação

Uma das tarefas governamentais mais importantes é ajudar a promover a invenção de novas tecnologias para que possamos desfrutar de um padrão de vida ainda mais elevado.

A tecnologia é, de diversas maneiras, como qualquer outro bem que pode ser provido por um mercado. Se há o incentivo do lucro para inventar uma nova tecnologia, os empresários arranjarão um modo de inventá-la, da mesma forma que descobriram maneiras para fornecer todas as outras coisas as quais as pessoas estavam dispostas a pagar.

Empresas e governos gastam centenas de bilhões de dólares todos os anos em pesquisa e desenvolvimento, tentando inventar novas tecnologias. Os governos fornecem uma boa parte do apoio direto por meio de bolsas para pesquisas e subsidio às universidades. Mas uma questão crucial para ser entendida sobre inovação é o papel indireto que os governos representam não apenas por subsidiarem a nova tecnologia, mas por guardá-la.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 59 04/05/2012 18:04:47 60 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez

 

Recuperando-se rapidamente

As pessoas nos Estados Unidos, Europa mas em razão de uma longa história de len-Ocidental e Japão são mais ricas do que to, porém constante, progresso. A lentidão, as que vivem em qualquer outra parte do entretanto, também significa que outros mundo. O fator interessante desta realida- países que não são tão ricos podem cres-de, entretanto, é saber quanto tempo levou cer muito rapidamente e alcançar o padrão para que esses países se tornassem ricos. de vida das nações mais ricas.

Como tais nações estão na vanguarda Países em desenvolvimento como China da tecnologia a um bom tempo, percebe- e Índia podem crescer muito mais rapida-ram que a única maneira de empurrarem mente porque podem saltar da utilização suas CPPs e produzirem mais a partir dos de velhas e menos produtivas tecnologias, mesmos recursos seria inventando novas para outras mais produtivas de vanguarda. tecnologias. Historicamente, estes ajustes Consequentemente, eles estão mostrando significam que o padrão de vida em países taxas de crescimento de 6 a 8 por cento ricos cresce apenas em torno de 2 por cen- ao ano. Com esses índices, os padrões de to ao ano, porque eles precisam inventar vida dobrarão em menos de uma década, novas tecnologias para elevar o nível de e só vai levar algumas gerações para que vida. Neste percentual, os padrões de vida a China e a Índia tenham padrões de vida levam 30 anos para dobrar. comparados àqueles dos Estados Unidos,

Um fato importante a compreender é que Europa Ocidental e Japão. estes países são tão mais ricos que outros

não por causa de algum golpe de sorte,

 

Em especial, as concessões de patentes dadas pelos governos proporcionam um grande incentivo econômico para a inovação tanto de indivíduos como empresas. Na maioria dos países, a patente garante aos inventores de novos produtos ou métodos empresariais, direitos exclusivos ao lucro obtido por suas inovações, geralmente por um período de 20 anos.

CEIT O-CH A VE Não é coincidência que o crescimento da economia nos Estados Unidos e

ON na Europa Ocidental decolou 200 anos atrás, logo após as patentes terem C se tornado obrigatórias. Pela primeira vez na história do mundo, houve

um incentivo financeiro seguro para que as pessoas usassem seus cérebros para inovar. Antes dessa época, era extremamente perigoso inovar porque, depois de todos os seus esforços, outros poderiam simplesmente copiar sua invenção e vendê-la sem sua permissão.

Os direitos autorais sobre trabalhos de literatura, música e cinema servem a um propósito semelhante. Uma grande quantidade de arte é produzida a mais quando os artistas sabem que podem ganhar a vida com seus produtos. Em vista disso, a facilidade da duplicação e distribuição de mídia digital na Internet é um avanço preocupante porque tem enfraquecido a capacidade dos artistas de cobrarem pela arte que trabalham muito para produzir.

 

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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 61

Os governos também têm um papel fundamental a desempenhar no encorajamento da educação. Todos os países ricos do mundo têm uma política universal de educação primária e secundária, bem como universidades fortes. Novas tecnologias inteligentes requerem pesquisadores preparados e instruídos, e você não os consegue sem bons sistemas educacionais.

Economias avançadas também requerem trabalhadores inteligentes e instruídos para implantar as novas tecnologias. Consequentemente, a educação tem que estar disponível para todas as pessoas se uma economia quiser utilizar o fluxo constante de novos processos e ferramentas que os pesquisadores desenvolvem.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 61 04/05/2012 18:04:47 62 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez

 

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Parte II

 

Macroeconomia: A

 

Ciência do Crescimento

 

Econômico e da

 

Estabilidade

 

5ª Onda por Rich Tennant

 

“Eu ignorei os rumores sobre a recessão

varrendo a cidade, e agora eu estou”.

 

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Os capítulos, nesta parte, apresentam você à macroeconomia , o estudo da economia como um todo, que se concentra nos fatores mais amplos da economia, Nesta parte...

 

como taxas de juros, inflação e taxa de desemprego.

Explicamos o que os economistas acreditam que seja a

causa da recessão e usamos o famoso modelo Keynesiano

para ilustrar a política que eles acreditam que melhor

pode ser utilizada para combater recessões. Finalmente,

falaremos sobre os fatores que os economistas acreditam

ser essenciais para promover o crescimento econômico

sustentável e aumentar os padrões de vida.

 

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Capítulo 4

 

 

Medindo a

 

Macroeconomia: Como

 

os Economistas Mantêm

 

o Controle de Tudo

 

Neste Capítulo

X Medindo o PIB: O valor total dos bens e serviços

X Decompondo o PIB em C + I + G + NX

X Entenda por que o livre comércio é bom para você

 

A macroeconomia estuda a economia como um todo. Vista do alto, a produção de bens e serviços é feita igualmente pelas empresas e pelo governo. As empresas produzem o grosso do que as pessoas consomem, mas muitos bens e serviços são providos pelo governo, incluindo segurança pública, defesa nacional e bens públicos como ruas e pontes. Além disso, o governo fornece a estrutura legal na qual as empresas operam e ainda intervém na economia de modo a garantir alguns deveres e direitos, como regular a poluição, a obrigatoriedade de equipamento de segurança e redistribuir a renda dos ricos para os pobres (para saber mais sobre a divisão das tarefas entre empresas privadas e o governo, consulte o capítulo 3).

De modo a estudarem os processos de produção, distribuição e consumo de uma forma mais real, os economistas precisam manter o controle sobre exatamente quanto está sendo produzido, bem como onde tudo acaba. Consequentemente, os economistas desenvolveram um grande dispositivo contábil conhecido por Avaliação de Produto e Rendimentos Nacionais (NIPA, do original National Income and Product Accounts), para medir a atividade econômica. Este sistema produz diversas estatísticas úteis, incluindo o famoso produto interno bruto (PIB), que mede a quantidade total de bens e serviços produzidos em um país em dado período de tempo.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 65 04/05/2012 18:04:47 66 Parte II: Macroeconomia: A Ciência do Crescimento Econômico...

O sistema pode parecer enigmático, mas saber como a contabilidade funciona é indispensável porque ela é a base de todos os modelos matemáticos que os economistas usam para entender e prever coisas como o ciclo dos negócios, inflação, crescimento econômico e ambas as políticas monetária e fiscal (alguns desses modelos são apresentados nos capítulos 6 e 7). Portanto, certifique-se de levar em consideração o que estamos prestes a mostrar.

 

Usando o PIB para Monitorar

 

a Economia

CEIT O-CH A VE O Produto Interno Bruto, ou PIB, é uma estatística que calcula o valor de todos

ON os bens e serviços produzidos em determinado país em um dado período C de tempo. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

computa e publica essa estatística regularmente trimestralmente, revisando-a na medida em que novos dados tornam-se disponíveis, dando-nos uma ideia de quanta atividade econômica ocorreu no primeiro trimestre do ano.

O PIB é muito importante porque, as outras coisas estando bem, pessoas mais ricas são pessoas mais felizes (mais ou menos – pessoas mais ricas também se pronunciam mais alto sobre sua sorte). Não estamos dizendo que dinheiro é a única coisa que importa na vida, mas os economistas avaliam economias pelo quão satisfatoriamente elas maximizam a felicidade e, embora dinheiro não compre amor, ele pode comprar o anel de diamantes que o atrairá, assim como muitas outras coisas que fazem você feliz, como comida, educação e férias (e em termos econômicos, se essas coisas não o deixam feliz, basta que você aplique sue dinheiro em coisas que o deixem). Consequentemente, um crescimento rápido e alto do PIB é preferível porque reflete um grande número de transações econômicas que proporcionam os bens e serviços que as pessoas desejam (para examinar algumas razões pelas quais o PIB nem sempre reflete uma melhoria na felicidade, consulte a próxima seção “O bom, o mau e o feio: Todas as coisas aumentam o PIB”).

Nos capítulos 2 e 3, discutimos como o objetivo econômico fundamental das pessoas é maximizar a felicidade, dados os limitados recursos que as restringem. Em razão de as pessoas gostarem de consumir bens e serviços, medir o PIB permite que os economistas quantifiquem, num certo sentido, o quanto um país está se saindo bem em maximizar a felicidade de seus cidadãos, considerando suas limitações. A elevação do PIB indica que um país está descobrindo meios para proporcionar mais bens e serviços que tornam as pessoas felizes.

Nesta seção, mostraremos a vocês como e por que os economistas, que tabulam as Contas de Produto e Rendimento Nacional, fragmentam o PIB em partes. A fragmentação do PIB permite analisar cada parte separadamente e obter um bom gerenciamento sobre os fatores de maior influência na produção de bens e serviços. Mas primeiro, daremos uma breve explicação sobre o que o PIB não leva em consideração.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 66 04/05/2012 18:04:47 Capítulo 4: Medindo Macroeconomia: Como os Economistas Mantêm... 67

 

Deixando algumas coisas de fora do PIB

A estatística do PIB leva em consideração apenas transações que envolvem dinheiro, portanto, se você toma conta de seus pais idosos ou se uma mãe fica em casa para cuidar de seu bebê, aquela atividade econômica — embora muito produtiva e socialmente benéfica — não é levada em conta no PIB.

Em economias desenvolvidas, o PIB é muito bom em capturar quase toda a vazão de produção, porque quase tudo que é produzido é vendido na sequência. Porém, em uma ampla sociedade rural e agrária, de pequenos agricultores, a maior parte da produção é para consumo doméstico, o que significa que a produção não fará parte das estatísticas oficiais do PIB, mantidas pelos economistas do país. Conforme os países fazem a transição de estruturas econômicas rurais e agrárias, com muita produção doméstica, para economias de mercado em que quase tudo o que é produzido é vendido, o PIB parece se elevar, porque muito do que é produzido está sendo contado pela primeira vez. Entretanto, esta mudança aparente pode não ser um aumento efetivo na produção. Estas limitações podem fazer com que a comparação do PIB entre vários países seja enganosa.

 

Entrando no fluxo: Calculando o que conta

para o PIB

Computar vendas em que o dinheiro troca de mãos pode ser um pouco complicado porque ambos, comprador e vendedor, estão envolvidos em cada uma dessas operações. O dinheiro que o comprador gasta é igual ao que o vendedor recebe. Traduzindo isto em jargão economista, a renda é igual a despesa.

Consequentemente, você pode medir o PIB ao totalizar todas as despesas em uma economia ou ao contar todas as rendas de uma economia. Se seus cálculos estiverem corretos, ambos os métodos darão o mesmo resultado para o PIB.

CEIT O-CHAVE Quando pensamos em PIB, também é necessário levar em consideração

ON os bens e serviços que estão sendo trocados por dinheiro. Os economistas C simplificam a vida dizendo que todos os recursos ou fatores de produção de

uma sociedade — terra, trabalho e capital (veja o capítulo 3) – pertencem à unidade doméstica. Unidades domésticas podem ser constituídas por uma pessoa ou várias – pense em termos de indivíduos ou famílias. As empresas compram ou alugam os fatores de produção das unidades domésticas e os utilizam para produzir bens e serviços, os quais são vendidos de volta para as unidades domésticas. Este processo estabelece um fluxo circular para os recursos, movendo-os das unidades domésticas para as empresas, que devolvem bens e serviços, como mostra a Figura 4-1.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 67 04/05/2012 18:04:47 68 Parte II: Macroeconomia: A Ciência do Crescimento Econômico...

Renda ($)

Recursos (trabalho e capital)

 

Unidades Domésticas Empresas

 

Figura 4-1:

Diagrama Bens e Serviços

simples do

fluxo circular. Despesas ($)

 

Movendo-se no sentido oposto ao do fluxo dos recursos e bens estão os pagamentos em dinheiro. Quando as empresas compram fatores de produção de unidades domésticas, elas têm que pagar dinheiro a estas. Este dinheiro é renda para as unidades domésticas. E, quando as unidades domésticas compram bens e serviços das empresas, pagam por esses bens e serviços em dinheiro, que é mostrado na Figura 4-1 como despesas.

O Museu de Ciências de Londres tem um modelo brilhante de como isso funciona. Quando falamos modelo, queremos dizer um modelo físico inteiramente construído a partir de tubulações e tanques de Perspex*, com água colorida representando os elementos e fluxos. A água flui pelos canos exatamente da mesma maneira que o dinheiro flui pela economia no modelo da Figura 4-1.

Um ponto chave a ser entendido é que as empresas pertencem às unidades domésticas – e não apenas unidades bilionárias. Firmas não existem por si mesmas. Fundamentalmente, as empresas pertencem às unidades domésticas, seja diretamente, no caso de pequenas empresas, ou via fundos de investimentos de bancos e fundos de pensões. Como resultado, qualquer dinheiro que uma empresa receba quando vende um bem ou serviço flui como renda para algum indivíduo ou grupo de indivíduos. Por causa desse fluxo, as rendas na Figura 4-1 têm que corresponder às despesas.

 

Considerando fluxos de renda e ativos

Embora você possa utilizar tanto rendimentos quanto despesas para medir o PIB, os economistas preferem utilizar os rendimentos porque os governos fazem com que ambos, indivíduos e empresas, mantenham o registro até do último centavo que auferem, para que tudo possa ser tributado. Esta exigência do governo proporciona dados extensos e exatos sobre os rendimentos (temos certeza que você não terá qualquer problema em aceitar a verdade desta afirmação, ao menos em teoria).

 

* N.T.: perspex é o nome dado a um plástico resistente, leve e transparente, muito utilizado

em diversos produtos domésticos e industriais)

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 68 04/05/2012 18:04:48 Capítulo 4: Medindo Macroeconomia: Como os Economistas Mantêm... 69

Rastreando o fluxo de renda

Toda a renda na economia flui para uma dessas quatro categorias:

✓ Trabalho assalariado

✓ Receita de aluguel de terra

✓ Juros sobre o capital

✓ Lucros recebidos por empreendedorismo

Você deve reconhecer as três primeiras categorias como sendo os três fatores tradicionais de produção que listamos no capítulo 3. Obviamente, como precisamos de terra, mão de obra e capital para fazermos coisas, é necessário pagar por elas. Isto explica porque alguns rendimentos na economia fluem dessa forma. Mas, em uma economia competitiva e dinâmica, você também precisa de pessoas com disposição para assumir os riscos de um negócio e investir em novas tecnologias. Para conseguir pessoas que façam isso, é preciso pagá-las, motivo pelo qual algumas receitas também fluem para o risco assumido do empreendimento na forma de lucros. Na verdade, muitos economistas gostam de pensar no empreendedorismo como um quarto fator de produção, um fator que deve ser pago se você quiser obter material produzido numa economia de mercado, e essa ideia tem ganhado um amplo valor político.

Cada um dos quatro pagamentos é um fluxo de dinheiro que compensa um fluxo de serviços necessários à produção:

✓ Os trabalhadores cobram salários por serviços prestados.

✓ Os proprietários de imóveis e terras cobram aluguel de seus inquilinos

pelos serviços imobiliários prestados e as estruturas físicas fornecidas.

✓ Empresas que desejam obter serviços de capital, como máquinas e

computadores, devem pagar por eles. Este pagamento é considerado

lucro, porque, por exemplo, o custo da obtenção de serviços de

um equipamento de capital de $ 1.000 é o pagamento de juros que

uma empresa tem que fazer sobre um empréstimo de $ 1.000 para

comprar aquele equipamento individual.

✓ E, finalmente, os lucros da empresa devem fluir para os

empreendedores e donos da empresa, que assumem o risco de que a

empresa pode sair-se mal ou, até mesmo, ir à falência.

Se tudo parecer pouco realista, lembre-se apenas que o propósito deste modelo é ajudar a entender a complexidade de uma economia, ao invés de fornecer uma descrição exata.

Levando os ativos em consideração

O que acontece com o fluxo de renda se uma empresa compra o espaço de seu terreno e escritório em vez de alugá-lo? Ou, se uma empresa possui

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 69 04/05/2012 18:04:48 70 Parte II: Macroeconomia: A Ciência do Crescimento Econômico...

seu próprio capital diretamente em vez de pedir dinheiro emprestado para comprá-lo? Se uma empresa possui tais condições, não precisa mais disponibilizar um fluxo de dinheiro para obter um fluxo de serviços. As despesas ainda se igualam à receita?

Não precisa ter medo: receitas ainda são iguais às despesas. Entretanto, você precisa julgar contabilmente para ver como isso ocorre. A chave para este ato de balanço é entender o que é um ativo.

PLO Um ativo é algo durável, que não é diretamente consumido, mas que

EX gera um fluxo de serviços que você consome. Por exemplo, uma casa é EM

um ativo porque ela proporciona abrigo. Você não consome a casa, mas apenas os serviços que ela proporciona. De modo semelhante, um carro é um ativo porque, embora você não consuma o carro literalmente, ele lhe proporciona serviços de transporte.

Frequentemente você tem uma escolha entre comprar um ativo diretamente e, desse modo, possuir todos os futuros serviços que ele irá proporcionar, ou deixar que outra pessoa o compre e venda a você os serviços que forem produzidos. Por exemplo, você pode comprar uma casa e, assim, obter todos os serviços futuros de abrigo que ela lhe proporcionará ou pode alugar uma casa e obter aqueles mesmos serviços pagando mensalmente por eles. Por esta razão, um ativo é considerado um estoque, enquanto que os serviços que ele proporciona são chamados de fluxo.

Para cada ativo que uma empresa possui os contadores atribuem um valor em dinheiro sobre os serviços que ele proporciona com base em quanto aqueles mesmos serviços teriam custado se a empresa os tivesse alugado. Eles podem distribuir a receita total da empresa chamando uma parte renda, outra parte juros e ainda outra parte lucro, como se os donos da empresa recebessem três fluxos de rendimentos.

Visto que os donos de empresa provêem o dinheiro para comprar os ativos da empresa, parte da renda é a compensação por proporcionar estes bens e serviços, e o restante de seus rendimentos é contabilizado como compensação pelo empreendedorismo, assim como assumir os riscos. Consequentemente, todo o dinheiro gasto em bens e serviços flui como receita para alguém, por proporcionar terra, trabalho e capital ou empreendedorismo (os quatro fatores favoráveis à produção). Esta metodologia permite aos economistas continuarem dizendo que as receitas são iguais as despesas mesmo quando as empresas possuem seus próprios ativos.

 

Seguindo os fundos de perto

O simples diagrama circular da Figura 4-1capta o fato de que existe uma receita para cada despesa. Entretanto, como o diagrama divide a economia apenas em empresas e unidades domésticas, acaba por omitir muito da ação que acontece no mundo real. Na Figura 4-2 você pode observar um fluxo circular muito mais realista e detalhado, que divide a economia entre empresas, unidades domésticas e o governo, com essas entidades realizando transações pelos três seguintes mercados:

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 70 04/05/2012 18:04:48 Capítulo 4: Medindo Macroeconomia: Como os Economistas Mantêm... 71

✓ Mercados por fatores de produção são aqueles em que o dinheiro

é trocado para comprar ou alugar terra, mão de obra, capital e

empreendedorismo usados na produção.

✓ Mercados financeiros são aqueles em que as pessoas que desejam

emprestar dinheiro (poupadores) interagem com aqueles que

desejam tomar dinheiro emprestado (mutuários). Neste mercado,

a oferta e procura por empréstimos determina a taxa de juros, que

é o preço que você tem que pagar para conseguir que alguém lhe

empreste dinheiro por um tempo. Porque muitos governos estão

em déficit (em outras palavras, o governo está sempre no buraco)

e precisa tomar emprestado muito dinheiro, eles são os principais

agentes do mercado financeiro.

✓ Mercados de bens e serviços são aqueles em que o governo e as

pessoas compram o que as empresas produzem.

 

Renda Mercados por Remuneração de fatores fatores de

produção

Economias

Mercado financeiro

Déficit do

Governo

 

domésticas Unidades Impostos Governo Empresas

Compras do

Governo

Investimento

Figura 4-2: Mercados Diagrama Consumo Renda das empresas

detalhado do e serviços de bens

fluxo circular.

Na Figura 4-2 as setas mostram os fluxos de dinheiro por toda a economia. As empresas fazem pagamentos administrativos – aluguel, salários, juros e lucros – às unidades domésticas para obterem os fatores de produção – terra, trabalho, capital e empreendedorismo (consulte a seção anterior, “Levando os ativos em consideração”, para mais informações). As unidades domésticas pegam o rendimento que obtém da venda desses fatores e o utilizam para pagar por bens e serviços, para pagar impostos ou para economizar. O governo compra bens e serviços usando a arrecadação tributaria que recolhe ou o dinheiro que toma emprestado dos mercados financeiros. O mercado financeiro também provê dinheiro para as corporações realizarem investimentos. Esse dinheiro è somado ao que as empresas obtêm da venda de bens e serviços para unidades domésticas e o governo.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 71 04/05/2012 18:04:48 72 Parte II: Macroeconomia: A Ciência do Crescimento Econômico...

Repare que nem todas as transações nos mercados financeiros são relevantes para o cálculo do PIB. O PIB mede a saída de produção atual, e a maior parte das transações nos mercados financeiros são negociações do direito de propriedade por coisas produzidas muitos anos antes (por exemplo, uma casa construída há trinta anos não tem nada a ver com a produção atual, assim, a venda dessa casa não é um fator para o PIB desse ano. Somente as vendas de casas recentemente construídas figuram no PIB deste ano).

 

Contando o produto quando é produzido,

não quando é vendido

A produção (output) recente é contada como parte do PIB tão logo é produzida, mesmo antes de ser vendida. Isso faz com que o rastreamento do dinheiro, associado à nova produção, fique um pouco difícil.

PLO Por exemplo, assim que a construção de uma nova casa é concluída,

EX seu valor de mercado de EM$ 300.000 reais (ou £1 milhão, se você vive em

Londres) é estimado e contado, desde então, como parte do PIB, mesmo que a casa não seja vendida por meses. Suponha que sua construção tenha sido concluída em 29 de dezembro de 2010, acrescentando $ 300.000 reais ao PIB de 2010. Se a casa for vendida posteriormente, em 21 de fevereiro de 2011, seu valor não será computado ao PIB do ano de 2011 porque não é permitido inserir o mesmo valor duas vezes.

Quando a casa for vendida, será considerada propriedade antiga e não produção recente. Os economistas apenas dizem que o direito de propriedade desta casa antiga mudou de mãos do construtor para o novo proprietário. Como o comércio de antigos ativos obviamente não envolvem nova produção, não são computados no PIB.

Esta convenção contábil aplica-se a empresas que produzem qualquer tipo de saída de mercadoria, seja o que for. Se a Sony produzir uma TV em 31 de dezembro de 2011, o valor dessa TV é computado no PIB do ano de 2011, mesmo que ela não seja vendida a nenhum consumidor até dezembro do ano seguinte. Uma maneira útil para entender isso é imaginar que a Sony constrói a TV e, então, com efeito, vende-a para si mesma quando a coloca no inventário. Esta “venda” é computada no PIB do ano de 2011. Mais tarde, quando a TV é vendida do estoque para o cliente, é apenas uma troca de ativos (comercializando a TV por dinheiro).

O fato de o produto ser computado quando produzido ao invés de quando vendido, é uma bandeira vermelha quando se interpretam as estatísticas do PIB para aferir a saúde da economia. Um PIB elevado significa apenas que uma grande quantidade de coisas está sendo produzida e colocada em estoque. Isto não significa que as empresas estão vendendo estas grandes quantidades (na verdade este fato é parte de um problema mais generalizado na interpretação contábil e se refere tanto a empresas quanto à economia como um todo).

 

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De fato, é possível que o PIB esteja alto, mas a economia se encontre à beira da recessão porque os estoques estão cheios e os gerentes logo cortarão a produção para que os estoques diminuam a níveis ideais. Consequentemente, os economistas que tentam prognosticar qual o rumo da economia prestam muito mais atenção aos níveis de estoque do que eles o fazem ao ultimo trimestre do PIB.

 

O bom, o mau e o feio: Todas as coisas

aumentam o PIB

Em linhas gerais, um PIB alto é melhor que um baixo porque mais bens produzidos significam um alto potencial de padrão de vida, o que inclui melhor assistência médica para os doentes e mais dinheiro para ajudar os necessitados.

Um PIB elevado, todavia, não garante que a felicidade está aumentando, porque o PIB frequentemente sobe quando coisas ruins acontecem. Por exemplo, se uma enorme inundação destruir grande parte de uma cidade, o PIB aumentará quando a reconstrução começar e muitos produtos novos serão fabricados para substituir o que foi destruído, Mas, claro, não teria sido bem melhor se a inundação não tivesse ocorrido?

De modo semelhante, um PIB elevado pode ser possível em certas situações somente se você estiver disposto a tolerar mais poluição ou uma grande desigualdade de renda. Países que experimentam rápido desenvolvimento econômico e aumento nos padrões de vida, frequentemente também obtêm um meio ambiente mais sujo e mais desassossego social, porque algumas pessoas estão enriquecendo muito mais depressa que as outras. Os números do PIB não refletem estas condições negativas.

O PIB também não computa o valor do tempo livre. Muitos dos nossos tempos favoritos provavelmente ocorreram quando não estávamos produzindo nem consumindo qualquer coisa que fosse computado no PIB – sentados na praia, escalando uma montanha, dando uma caminhada. Ademais, um aumento do PIB frequentemente vem à custa do sacrifício dessas atividades de lazer – o que significa que quando você vê um aumento no PIB, em termos globais, o bem-estar social e a felicidade não melhoraram necessariamente. Uma pergunta razoável a ser feita é se as taxas de crescimento relativamente desapontadoras da Europa são de fato devidas aos bons burgueses do continente que atribuem um alto valor ao lazer. Pesquisas também sugerem que cidadãos da Zona Euro são relativamente mais felizes do que seus amigos britânicos da Zona não-Euro. Esses dois aspectos podem não ser coincidência.

Assim, embora as políticas que elevam o PIB sejam geralmente benéficas para a sociedade, os custos envolvidos no aumento da produção devem sempre ser examinados.

 

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Apresentando a Equação do PIB

Até o momento, neste capítulo, nós apenas apresentamos a você o PIB. Agora é hora de você e o ele ficarem amigos, para que você possa entender todos os pequenos segredinhos do PIB – em particular, as partes que o constituem e como elas se comportam. A discussão nesta seção é realmente interessante e duplamente útil porque ela torna o modelo Keynesiano macroeconômico padrão (que apresentamos no capítulo 6) bem mais fácil de entender e manejar.

O modelo Leynesiano foi primeiramente desenvolvido em 1936, pelo economista John Maynard Keynes, da Universidade de Cambridge; em seu livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (Editora Atlas). O texto foi imensamente influente – na verdade tão influente que fez com que a macroeconomia se tornasse um campo de estudos separado para economistas.

DO REAL O livro de Keynes foi uma resposta a Grande Depressão da década de 1930.

MUN Ele percebeu que as políticas governamentais destinadas a combater a

desaceleração econômica deveriam concentrar-se em levar as pessoas a aumentarem seus gastos em bens e serviços, portanto iniciou seu modelo usando uma equação que mede o PIB pela soma das despesas.

Na seção “Entrando no fluxo: Calculando o que conta para o PIB”, anteriormente neste capítulo, explicamos que você pode medir o PIB totalizando todas as despesas realizadas na compra de bens e serviços ou somando todas as rendas derivadas da produção de bens e serviços. Os dois números devem ser iguais. Assim, esta mudança para o método das despesas para computar o PIB é totalmente autêntica (o método das despesas também é a oportunidade perfeita para que você entenda a economia do ponto de vista de onde o dinheiro é gasto, em oposição a quem guarda o dinheiro ganho).

A equação das despesas para totalizar o PIB junta as quatro catégorias tradicionais de despesas – consumo (C), investimento (I), governo (G) e exportações liquidas (net exports - NX) – para igualar o valor em reais (ou qualquer que seja a moeda que o pais estiver utilizando) de todos os bens e serviços produzidos domesticamente naquele período, ou o PIB (Y). Em termos de álgebra, a equação fica assim:

Y = C + I +G + NX (1)

 

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Entraremos em mais detalhes nas seções seguintes, mas apesar disso, vamos dar uma rápida olhadela nas quatro despesas variáveis que totalizam o PIB.

✓ C corresponde a despesas de consumo sobre bens e serviços

feitos por unidades domésticas produzidas internamente ou no

exterior.

✓ I corresponde a despesas com investimentos feitos pelas

empresas sobre novos bens de capital, incluindo edifícios, fábricas e

equipamentos. I também contém as mudanças de estoques, uma vez

que qualquer bem produzido, mas não vendido durante um período,

deve ser adicionado ao inventário de uma empresa e contado como

investimentos de inventário.

✓ G corresponde às compras governamentais de bens e serviços

(eles têm que comprar clipes de papel).

✓ NX corresponde ao líquido das exportações, que são definidos

como o valor total das exportações de um país (EX), menos o valor

total de todas as suas importações (IM), ou NX = EX - IM. EX é o

número em reais dos nossos produtos que os estrangeiros compram.

IM e o número em reais dos produtos estrangeiros que nós compramos.

Essas quatro despesas nos dão o PIB porque, como grupo, elas compram até o último produto feito em nosso país em determinado período.

 

C corresponde a despesas de consumo

As despesas de consumo das unidades domésticas representam 67 por cento do PIB – muito mais do que os outros três componentes combinados. Muitos fatores afetam quanto de suas rendas as unidades domésticas decidem gastar em consumo e quanto decidem poupar para o futuro.

Os microeconomistas passam muito de seu tempo estudando os diversos fatores que afetam tais decisões, inclusive expectativas quanto ao futuro, se este parece promissor ou nebuloso e se as taxas de retorno sobre a poupança serão altas ou baixas (consulte a Parte III deste livro para tudo o que você sempre quis saber sobre microeconomia). Os macroeconomistas, por outro lado, não se envolvem nesses fatores porque ao estudar a economia como um todo, o que importa saber é quanto de consumo total existe, em vez de tentar compreender porque as unidades domésticas escolhem aquele nível em particular.

O modelo de consumo dos macroeconomistas é muito simples, como uma função das pessoas depois do pagamento dos impostos ou receitas disponíveis. Você pode obter a receita disponível de maneira algébrica usando este utilíssimo processo em três etapas:

 

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1. Comece com Y o total de rendimentos na economia. Na equação

de Keynes, Y é igual ao total das despesas, mas porque as receitas

são iguais às despesas, você pode usar o mesmo modelo para elas

também. Lembre-se que todo dinheiro gasto por você torna-se a

receita de outra pessoa.

2. Calcule quantos impostos as pessoas têm que pagar. Para

simplificar, suponha que a única taxa é um imposto sobre a renda e

que a taxa do imposto de renda é dada por t. Por exemplo, t = 0.25

significa uma porcentagem de tributação de 25 por cento das receitas

das pessoas. Consequentemente, o total de impostos que as pessoas

pagam, T, é dado por T = t x Y.

3. Subtraia os impostos das pessoas, T, das suas receitas, Y, para

calcular seus rendimentos líquidos. Os economistas se referem a

isto como receitas disponíveis e escreveram algebricamente como Y . D

Subtrair os impostos das receitas se parecera com isto:

Y = Y – T = Y – t x Y = (1 – t) x Y D

Depois de derivar a receita disponível, você usa um modelo muito simples para calcular as despesas de consumo das unidades domesticas. O modelo diz que o consumo, C e uma função da receita disponível e algumas outras variáveis, C e c . o

C = C + c x Y oD

O c minúsculo é chamado de propensão marginal de consumo ou PMC, onde c é sempre um número entre 0 e 1 que indica a taxa em que você escolhe consumir rendimentos ao invés de poupá-los. Por exemplo, se c = 0.9, então você consome 90 centavos de cada real de receita disponível que obteve depois de pagos todos os impostos (você economiza os outros 10 centavos).

O valor vigente da propensão marginal de consumo, c, é determinado pelo indivíduo e varia de pessoa para pessoa dependendo do quanto de suas receitas disponíveis eles gostam de economizar. Mas, o que é C ? Pense nele como a quantidade que as pessoas consomem, mesmo o

que elas tenham zero de receita disponível no ano (se você assumir que Y 0 na equação C = C C = D = + c x Y , então esta equação se reduz em o D C ). Mas, de onde vem o dinheiro para pagar por C se você tem zero de o o receita disponível? Esse valor vem de suas economias pessoais, que você acumulou por anos. Os economistas chamam isso de des-poupar.

O que a equação completa C = C + c x Y diz é que o total de suas despesas o D de consumo em uma economia será seu nível de emergência (quando você tem 0 receita) C mais uma parte das receitas disponíveis dadas por c x Y . o d

Para o resto deste livro, nós assumimos que a equação C = C + c x Y oD é um modelo bom o suficiente de como as despesas de consumo são determinadas na economia. A equação não é perfeitamente realista, mas mostra que o consumo é reduzido por taxas de impostos mais altas e que

 

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as pessoas tomam uma decisão sobre quanto de suas receitas disponíveis economizar ou consumir (e seja como for, quando você entende o modelo, pode jogar com qualquer número de refinamentos, que normalmente é como os economistas fazem suas publicações!). A equação nos permite analisar os efeitos das políticas que alteram as taxas de impostos e os efeitos de outras políticas que encorajam as pessoas a gastar frações maiores ou menores de seus rendimentos.

 

I corresponde a investimento

em títulos de capital

O investimento é de vital importância porque a capacidade econômica para produzir depende de quanto capital está disponível para realizar a produção. O capital de ações aumenta quando empresas adquirem novas ferramentas, edifícios, máquinas, computadores e assim por diante, para ajudar na produção de bens de consumo. O investimento é um fluxo que aumenta o capital de ações da economia.

Contudo, o capital se desgasta na medida em que é utilizado. Alguns enferrujam. Alguns quebram. Alguns são jogados fora quando se tornam obsoletos. Todos estes fluxos que diminuem o capital social são chamados de depreciação pelos economistas.

Naturalmente, as empresas precisam fazer alguns investimentos para repor o capital que foi depreciado. Mas, qualquer investimento em excesso de depreciação faz com que o tamanho global do capital de ações aumente, criando um maior potencial de produção para as pessoas consumirem.

CEIT O-CH A VE O fluxo de investimento gasto em qualquer período de tempo depende

ON das comparações que as empresas fazem entre os benefícios potenciais e C os custos da compra desses pedaços de capital social. Os benefícios em

potencial são medidos em termos de lucro em potencial e os custos da compra são medidos pela taxa de juros, independente de a empresa tomar ou não dinheiro emprestado para pagar pelo referido pedaço de capital.

Por que as taxas de juros interessam tanto? Naturalmente, se uma empresa precisa fazer um empréstimo para comprar capital, altas taxas de juros tornam menos atraente tomar dinheiro emprestado porque os custos do ressarcimento do empréstimo serão altos. Entretanto, mesmo que uma empresa tenha dinheiro suficiente em mãos para comprar algum equipamento, altas taxas de juros forçam a empresa a decidir entre utilizar o dinheiro para comprar o equipamento e emprestá-lo para mais alguém. Quanto mais altas as taxas de juros, mais atrativo o empréstimo se torna. Consequentemente, altas taxas de juros desencorajam os investimentos, independentemente de a empresa precisar tomar dinheiro emprestado para custear o investimento (consulte o capítulo 2 para as razões de as altas taxas de juros aumentarem a oportunidade de custo do investimento).

 

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Os economistas formulam a quantidade de despesas com investimentos que as empresas desejam fazer, I, como uma função da taxa de juros, r que é dado como porcentagem. A equação que utilizamos aqui é padrão em livros introdutórios sobre macroeconomia (embora o sistema de numeração possa variar de livro para livro):

I = I – I x r o r

Esta equação é semelhante, em certo sentido, à equação do consumo, na seção anterior, exceto pelo sinal de menos, que indica que quando a taxa de juros sobe, I cai.

O parâmetro I diz a você quanto de I cai em toda uma economia, por r

qualquer aumento nas taxas de juros. Por exemplo, suponha que r se eleve ao percentual de um por cento. Se I for, digamos, 10 bilhões, você sabe que r para cada um ponto percentual de aumento nas taxas de juros haverá uma diminuição de investimentos perto de $ 10 bilhões.

O parâmetro I nos diz quanto investimento ocorre se as taxas de juros o

forem zero. Na verdade, as taxas de juros jamais caem até zero, mas suponha que sim. Dessa forma, o segundo termo na equação seria igual a zero, deixando você com I = I . o

A equação como um todo diz que se as taxas de juros fossem zero, as despesas com investimentos atingiriam a I . Mas, como as taxas de juros o sobem acima de zero e continuam subindo, os investimentos caem mais e mais. De fato, as tarifas poderiam potencialmente subir tanto que os gastos com investimentos cairiam para zero (na década de 1990, o governo japonês usou taxas de juro zero como parte de sua política para lidar com uma recessão prolongada na sua economia).

O relacionamento entre tarifas e investimentos é uma razão do porque a habilidade do governo em fixar as taxas de juros tem grande sustentação na economia. Ao fixar taxas de juros, o governo pode determinar o valor que as empresas desejam gastar comprando bens de investimento. Em particular, se a economia estiver em recessão, o governo pode baixar as taxas de juros de modo a elevar os gastos das empresas em investimentos e (nós esperamos) ajudar a melhorar a economia.

 

G corresponde a Governo

Em muitos países, uma imensa parcela do PIB é consumida pelo governo. O tamanho da parcela varia. De acordo com a Organização Internacional para a Cooperação e Desenvolvimento da Economia, ela representa 42 por cento para os EUA e uma média de 48 por cento para a União Europeia (no Reino Unido são 46 por cento). Se você tirar os pagamentos de transferência – o que é pago de impostos para transferência, por exemplo, benefícios – que é o que fazemos neste modelo, as figuras são de 23 por cento para os EUA e 27 por cento para o Reino Unido.

 

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O governo obtém o dinheiro para comprar todos esses produtos a

CEIT O-CHAVE partir da tributação e dos empréstimos. Se as taxas de receitas de um

ON governo forem exatamente iguais as de suas despesas, o orçamento é C balanceado. Se as taxas de receitas são maiores que as das despesas,

está ocorrendo um excedente de orçamento (superávit). Mas, se as taxas de despesas excederem as taxas de receitas, o que pode ocorrer quando o governo faz empréstimos no mercado financeiro, teremos um orçamento negativo (déficit).

O governo toma dinheiro emprestado vendendo títulos. Um título característico diz que em troca de $ 10.000 exatamente agora, o governo lhe pagará $ 10.000 em dez anos e, nesse meio tempo, pagará a você $ 1.000 ao ano, para cada ano que utiliza seu dinheiro. Se aceitar o trato e comprar o título, você está, com efeito, emprestando de imediato $ 10.000 ao governo e obtendo um retorno de 10 por cento ao ano até que o governo devolva seus $ 10.000 daqui a dez anos.

Uma grande quantidade de negociações políticas é necessária para determinar o quanto um governo irá gastar em um determinado ano. Normalmente essas negociações ocorrem nas vésperas do relatório financeiro do terceiro trimestre, mas as discussões continuam ao longo de todo o ano. Muitos grupos fazem lobby para programas especiais que beneficiem suas cidades natais ou indústrias e, não importa o que ocorra, os governos têm que provir funções governamentais essenciais, como a defesa nacional ou aplicação da lei.

Entretanto, os economistas ignoram, em grande medida, as maquinações políticas que determinam os gastos do governo, porque os efeitos econômicos dos gastos do governo, G, depende do tamanho que a despesa e não como ela conseguiu ficar daquele tamanho. Consequentemente, para o resto deste livro, faremos a simples suposição de que as despesas do governo podem ser simbolizadas como:

Continuar: parte 5 de 18