Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
Compreendendo a Tomada
de Decisões Desinformada
Quando os economistas aplicam o modelo de escolhas, eles presumem uma situação em que a pessoa conhece todas as opções possíveis, quanta utilidade cada opção trará e o custo de oportunidade de cada uma. Mas como você avalia se sentar-se no topo do Monte Everest por cinco minutos é melhor que voar de asa delta sobre o Rio Amazonas por dez minutos? Se você não experimentou nem um, nem outro, não está bem informado sobre as restrições e custos da escolha e, provavelmente, nem ao menos sabe quais são as utilidades das duas opções.
Políticos com novos programas nos pedem frequentemente para fazermos escolhas desinformadas. Eles fazem suas propostas soarem tão boas quanto possível, mas em muitos casos, ninguém sabe ao certo onde eles querem chegar.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 34 04/05/2012 18:04:44 Capítulo 2: Biscoitos ou Sorvetes? Rastreando Escolhas do Consumidor 35
As coisas são igualmente sombrias quando as escolhas dizem respeito a eventos aleatórios. As pessoas compram bilhetes de loteria, mas não têm a menor ideia sobre a eventual possibilidade ou a probabilidade de ganhar, porque tanto o tamanho do prêmio quanto a probabilidade de ganhar dependem de quantos bilhetes foram ou não vendidos antes que o sorteio seja realizado.
Economistas calculam esta realidade supondo que quando confrontadas com decisões desinformadas, as pessoas fazem suas melhores suposições não apenas sobre possíveis resultados, como também sobre quanto gostam ou não das coisas com as quais ainda não tiveram uma experiência prévia. Embora isto possa parecer uma fraude, como as pessoas no mundo real estão obviamente tomando decisões em situações assim (elas, de fato, compram muitos bilhetes de loteria), elas devem estar se enganando um pouco também.
Se as pessoas fazem boas escolhas quando estão desinformadas, é difícil dizer. Obviamente, as pessoas preferem estar bem informadas antes de escolherem. E algumas pessoas correm assustadas de opções mais duvidosas. Mas, de forma geral, o modelo econômico do comportamento de escolha parece bastante capaz de lidar com situações de informação incompleta e as incertezas sobre os resultados não esperados.
Tornando-se Racional sobre a
Irracionalidade
Mesmo quando as pessoas estão completamente informadas sobre suas opções, elas frequentemente cometem erros lógicos ao avaliar os custos e benefícios de cada alternativa. Nas próximas seções, falaremos sobre os três erros de escolha mais comuns, mas na medida em que você os ler, não fique muito alarmado. Depois que esses erros lógicos lhes são explicados, as pessoas geralmente deixam de cometê-los e passam a se comportar de maneira mais consistente com a racionalidade, ponderando a margem de benefícios versus a margem de custos.
Custo enterrado está enterrado!
Vamos supor que você gaste $ 15,00 para ir a um restaurante de rodízio de sushi. Quanto você deverá comer? Mais especificamente, enquanto decide quanto deve comer, você deveria levar em consideração quanto pagou para entrar no restaurante?
Para um economista, a resposta para a primeira questão é: coma exatamente a quantidade de comida que te faz mais feliz. E, a resposta para a segunda pergunta é: quanto custa para você ir ao restaurante não importa, porque se comer um sushi ou oitenta, o custo será o mesmo. Colocando de forma diferente, como o custo de entrar no restaurante está agora no passado, ele não deveria ter relação alguma com a sua atual decisão do quanto comer.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 35 04/05/2012 18:04:44 36 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
CEIT O-CH A VE Os economistas referem-se aos custos que já incorreram, e que, portanto,
ON não devem mais afetar a atual e futura tomada de decisões, como custo C enterrado. Falando racionalmente, você deveria considerar apenas o futuro,
custos potenciais e benefícios marginais de suas atuais opções.
Afinal, se subitamente lhe oferecessem $ 1.000,00 para sair do restaurante de sushi e comer no concorrente ao lado, você recusaria simplesmente por que sentiria que precisaria comer muito no restaurante de sushi para fazer valer os $ 15,00 que gastou? Claro que não.
Infelizmente, a maioria das pessoas tende a permitir que os custos enterrados afetem sua tomada de decisão, até que um economista mostre a elas que os custos enterrados são irrelevantes ou, como os economistas nunca cansam de dizer, “Custo enterrado está enterrado!” (por outro lado, os que não são economistas rapidamente se cansam de ouvir esta frase). Felizmente temos outras maneiras de dizer a mesma coisa: por exemplo, falamos sobre a falácia do Concorde, em honra ao jato supersônico que nunca quebrou de fato, independente de quantos dólares ou euros foram colocados no projeto.
Confundindo uma grande percentagem com uma grande
quantia de dinheiro
PLO Suponha que você decida economizar 10 por cento em uma TV, fazendo
EX uma viagem de aproximadamente uma hora até outra cidade para EM
comprá-la por apenas $ 90,00, ao invés de adquiri-la em sua cidade por $ 100,00. Em seguida, pergunte-se também se gostaria de dirigir uma hora para comprar um home theater por $ 1.990,00 na próxima cidade, ao invés de $ 2.000,00 na sua loja local. Você faz as contas e, como economizaria apenas 0,5 por cento, decide comprar o sistema por $ 2.000,00 na sua cidade.
Você pode pensar que está sendo esperto, mas apenas se comportou de uma maneira colossalmente irracional e inconsistente. No primeiro caso, você estava disposto a dirigir uma hora para economizar $ 10,00. No segundo caso, não. Custos e benefícios são absolutos, mas as pessoas cometem o erro de pensar nos custos e benefícios de dirigir até a próxima cidade em termos de porcentagem ou proporções. Em vez disso, compare o custo total com o total de benefícios, porque o beneficio de dirigir até a próxima cidade é a real quantia em dinheiro que você economizou, e não a proporção que economizou.
Confundindo marginal com média
PLO Suponha que seu governo local tenha construído recentemente três pontes
EX ao custo total de $ 30 milhões. Há uma média de custo de $ 10 milhões EM
por ponte. Um economista local faz um estudo e estima que o total dos benefícios das três pontes para a economia local irá acrescer em $ 36 milhões, ou uma média de $ 12 milhões por ponte.
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Um político, então, começa a tentar construir uma quarta ponte, argumentando que, em razão das pontes custarem em média $ 10 milhões, mas seus benefícios serem em média de $ 12 milhões, seria tolice não construir outra ponte. Você deveria acreditar nele? Afinal de contas, se cada ponte traz para a sociedade um ganho liquido de $ 2 milhões, você iria querer construir pontes eternamente.
Entretanto, o que realmente importa nesta decisão é custo marginal e o benefício marginal, e não as médias (consulte a seção “Fazendo sua Escolha Final” para saber mais sobre utilidade marginal). Quem se importa com os custos e benefícios que todas as pontes trouxeram consigo? Você deve comparar os custos marginais daquela ponte extra com os benefícios marginais daquela ponte marginal extra. Se os benefícios marginais excederem a margem de custos, você deve construir a ponte. E, se as margens de custos excederem os benefícios marginais, então não deve.
Por exemplo, suponha que um grupo independente de vigilantes contrate um engenheiro para avaliar o custo de construção de mais uma ponte e um economista para estimar os benefícios da construção. O engenheiro acha que, porque as três primeiras pontas já foram feitas nas três partes mais estreitas do rio, a quarta ponte terá que ser mais longa. Na verdade, o comprimento extra aumentará o custo da construção para $ 15 milhões.
Ao mesmo tempo, o economista faz uma pesquisa e descobre que uma quarta ponte não é realmente necessária. Na melhor das hipóteses, gerará apenas $ 8 milhões por ano em benefícios. Consequentemente, esta quarta ponte não deveria ser construída porque sua margem de custo de $ 15 milhões excede seu beneficio marginal de $ 8 milhões. Dizendo aos eleitores apenas as médias de custos e benefícios das pontes passadas, o político que apoia o projeto os está iludindo grosseiramente. Então fique atento sempre que alguém tentar lhe vender uma ponte.
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Capítulo 3
Produzindo a Coisa
Certa da Maneira Certa
para Maximizar a
Felicidade Humana
Neste Capítulo
X Determinando suas possibilidades de produção
X Partilhando recursos em face à diminuição dos rendimentos
X Escolhendo produções que maximizem a felicidade das pessoas
X Compreendendo o papel do governo e mercados na produção e distribuição
Um otimista vê meio copo de leite e de diz que o copo está meio
cheio. Um pessimista vê meio copo de leite e diz que o copo está
meio vazio. Um economista vê meio copo de leite e se pergunta
por que o copo tem o dobro do tamanho que precisaria ter.
E Anônimo mbora os seres humanos enfrentem a escassez e não possam ter tudo o que desejam (como discutimos no capítulo 2), eles têm muitas opções. A tecnologia da produção está tão avançada agora, que as pessoas podem converter os limitados recursos do planeta em uma extraordinária variedade de bens e serviços, incluindo carros, computadores, aviões, tratamentos contra o câncer, videogames e até mesmo os incríveis livros Para Leigos, como este aqui.
De fato, graças às tecnologias avançadas, as pessoas (em economias desenvolvidas, pelo menos) têm maiores possibilidades de escolhas. A enorme variedade de bens e serviços que podem ser produzidos significa que as pessoas devem escolher sabiamente se querem converter os escassos recursos do planeta em bens e serviços que irão prover a maior felicidade possível quando consumidos.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 39 04/05/2012 18:04:45 40 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
Este capítulo explica como os economistas analisam o processo pelo qual as sociedades escolhem exatamente o que produzir, a fim de maximizar a felicidade humana. Para qualquer sociedade, o processo pode ser dividido em dois passos simples:
1. A sociedade precisa descobrir todas as possíveis combinações
de bens e serviços que pode produzir, dados os recursos
limitados e a tecnologia disponível.
2. A sociedade deve escolher uma dessas combinações de produção
– presumivelmente a combinação que maximiza a felicidade.
Os economistas vêem sucesso em cada um dos dois passos, em termos de dois tipos peculiares de eficiência:
✓ Eficiência produtiva significa produzir qualquer produto ou serviço
usando a menor quantidade de recursos possível.
✓ Eficiência alocativa significa produzir os tipos de bens e serviços que
farão as pessoas mais felizes, e produzi-los nas quantidades corretas.
Este capítulo mostra como uma sociedade atinge a eficiência em ambos os meios, produtivo e alocativo – que significa como uma sociedade determina o que é possível produzir, assim como o que é melhor. Daremos a você a base sobre diminuição dos rendimentos, gráficos de Curva de Possibilidade de Produção e a interação entre mercados e governos.
Atingindo o Limite: Determinando
O que é Possível Produzir
Ao determinar o que é possível produzir em uma economia, os economistas listam os dois maiores fatores que afetam ambos, as quantidades máximas e os tipos de produtos que serão produzidos:
✓ Recursos limitados
✓ Diminuição dos rendimentos
CEIT O-CHAVE O primeiro fator é óbvio: se os recursos fossem ilimitados, bens e serviços
ON também seriam. O segundo fator, apesar de afetar quase todo processo C de produção conhecido, não é compreendido pela maioria das pessoas.
Basicamente, a diminuição dos rendimentos significa que quanto mais você produz alguma coisa, menos retorno obtém de cada unidade sucessiva. Eventualmente, os custos excedem os benefícios, o que limita o quanto disso você quer produzir, mesmo que o produto seja seu objeto favorito. Seus recursos devem ser dirigidos para a produção de unidades de outras coisas para as quais os benefícios ainda prevalecem sobre os custos. A diminuição dos rendimentos implica que, em geral, é melhor não colocar todos os ovos em uma só cesta.
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 41
Esta seção mostra a verdade nua e crua sobre como os recursos limitados e diminuição dos rendimentos determinam as possibilidades da produção. Nós também mostramos como representar essas possibilidades graficamente.
Classificando os recursos utilizados
na produção
Você não pode obter produção sem a entrada de recursos. Os economistas tradicionalmente dividem entradas, ou fatores de produção, em três classes:
✓ Terra: Para os economistas, terra significa um pouco mais do que
imobiliária ou propriedade. Terra se refere a todos os recursos
naturais que podem ser utilizados para produzir coisas que as
pessoas desejam consumir. Terra inclui o clima, vida animal e
vegetal, energia geotermal e o espectro eletromagnético.
✓ Trabalho: O trabalho que as pessoas devem fazer a fim de produzir
coisas. Uma árvore não se torna uma casa sem a intervenção humana.
✓ Capital: Máquinas fabricadas pelo homem, ferramentas e estruturas
que não são consumidas diretamente, mas são utilizadas na produção
de outras coisas que as pessoas irão consumir diretamente. Por
exemplo, um carro, que você dirige por prazer, é um bem de consumo,
enquanto que um carro idêntico que você utilize para rebocar tijolos
em seu trabalho de construção, é capital. Capital inclui fábricas,
estradas, esgotos, rede elétrica, a Internet e assim por diante.
Além destas três entradas tradicionais, os economistas agora falam frequentemente sobre capital humano, que é o conhecimento e a habilidade que as pessoas utilizam para ajudá-las na produção. Por exemplo, nós temos muito capital humano no que diz respeito a ensinar economia, mas temos pouquíssimo capital humano no que diz respeito a pintura e ao canto (considere-se feliz por não ter nos escutado cantar!).
Se você colocar uma pessoa para trabalhar em uma função na qual ela possui um alto capital humano, ela produzirá muito melhor ou muito mais que uma pessoa com baixo capital humano, mesmo que ambas produzam a mesma quantidade de trabalho em termos de horas trabalhadas. Uma consequência importante é que operários hábeis (alto capital humano) são mais bem pagos do que os menos habilitados (baixo capital humano). Por consequência, uma boa maneira das sociedades se tornarem mais ricas é melhorar as habilidades de seus operários através de educação e treinamento. Se as sociedades puderem elevar os níveis de capital humano de seus operários, não somente poderão produzir mais com as mesmas entradas limitadas de terra, trabalho e capital, mas seus operários ainda serão mais bem pagos e apreciarão padrões de vida mais altos.
Uma forma simples de pensar na ideia de capital humano é comparar dois construtores que tenham o mesmo acesso a ferramentas (capital) e trabalham a mesma quantidade de tempo (trabalho), mas têm níveis
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 41 04/05/2012 18:04:45 42 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
diferentes de capital humano, talvez devido ao fato de um ter recebido melhor treinamento que o outro. Aquele com o nível mais alto de capital humano pode ser mais produtivo (capaz de desempenhar mais trabalhos no mesmo montante de tempo, ou mesmo ter menos estragos e confusões para arrumar) do que aquele com um nível inferior de capital humano.
Mas construir capital humano é dispendioso e em momento algum você deveria pensar no nível de capital humano em uma sociedade como sendo fixo. Combinada com as limitações na quantidade de terra, trabalho e capital, a limitação do capital humano significa que a sociedade é capaz de produzir somente uma quantidade limitada de produtos. E, ao longo dessas mesmas linhas, as decisões sobre onde é melhor alocar estes recursos limitados torna-se crucial, porque os recursos devem ser utilizados para produção de bens e serviços, que trarão uma maior quantidade de felicidade consigo (para saber mais sobre recursos limitados e possibilidades de produção, consulte a seção a ser apresentada: “Alocando recursos: Um pouco aqui, um pouco lá”).
Obtendo menos de uma coisa boa:
Diminuição dos rendimentos
CEIT O-CH A VE A diminuição dos rendimentos é, provavelmente, o fator econômico mais
ON importante para determinar o que produzir de todas as coisas que poderiam C ser produzidas, dados os limites do abastecimento de recursos. Isso se
refere ao fato de que, para praticamente tudo o que as pessoas produzem, a quantidade de produto adicional que você obtém de cada unidade adicional de saída diminui à medida que você usa mais e mais da entrada.
Em nossa discussão sobre a diminuição dos rendimentos, tenha em mente que estamos falando sobre retornos para um fato em mudança enquanto os outros são mantidos constantes. Isso é vital. Faz sentido falar sobre diminuição de rendimentos para o trabalho mantendo o capital fixo. Se o capital também puder mudar, teríamos que adaptar o modelo ao fazer um novo cálculo para os rendimentos do trabalho cada vez que mudássemos a quantidade de capital usado. Nós chegamos a isso mantendo o capital constante, ou seja, organizando os rendimentos para o trabalho por cada quantidade de capital usada.
PLO A diminuição dos rendimentos é às vezes chamada de low-hanging fruit
EX principle EM(o princípio da fruta pendurada no galho baixo). Imagine ser
mandado para um pomar de maçãs na época da colheita para apanhá-las. Durante a primeira hora, você apanha muitas maçãs porque procura as que estão penduradas nos galhos mais baixos, que são as mais fáceis de alcançar. Na segunda hora, entretanto, você não pode colher tantas porque terá que começar a alcançar, atabalhoadamente, as frutas que estão no alto. Durante a terceira hora, você apanha uma quantidade ainda menor; agora você precisa pular toda vez que tentar colher uma maçã, porque as únicas que sobraram estão ainda mais distantes. A Tabela 3-1 demonstra como sua produtividade – sua produção para uma dada quantidade de entrada – diminui a cada hora adicional de trabalho.
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 43
Tabela 3-1 Diminuição dos Rendimentos
para Colher Maçãs
Hora Trabalhada Maçãs Apanhadas Custo do Trabalho por Maçã
1ª hora 300 2 centavos
2ª hora 200 3 centavos
3ª hora 120 5 centavos
Outra maneira para ver o efeito da diminuição dos rendimentos é notar o crescimento dos custos de produção. Se você paga aos operários $6,00 por hora, para colherem maçãs, seu custo para ter 300 maçãs apanhadas na primeira hora e de $0,02 centavos por maçã, como mostrado na Tabela 3-1. A segunda hora rende apenas 200 maçãs, custando a você $0,03 centavos por maçã (porque você ainda tem que pagar ao operário $6,00 por aquela hora de trabalho). Apenas 120 foram apanhadas na terceira hora, portanto, o custo do trabalho por maçã subiu para $0,05 centavos.
Eventualmente, os efeitos da diminuição dos rendimentos elevam tanto os preços, que você irá parar de dedicar mais recursos de trabalho para colher maçãs adicionais.
Praticamente, todos os processos de produção mostram diminuição dos rendimentos e não apenas pelo trabalho. Quantidades adicionais de qualquer entrada específica, geralmente resultam em incrementos de produção cada vez menores, mantendo todas as outras entradas constantes (em alguns casos especiais isso não se sustenta, ou pode parecer que não se sustenta por um período, mas acaba sendo o caso para quase todo tipo de produção).
Alocando recursos: Um pouco aqui,
um pouco lá
Como o fator de diminuição dos rendimentos assegura que o processo de produção ficará, eventualmente, mais caro, uma sociedade, normalmente, aloca seus recursos limitados amplamente, para muitos processos de produção diferentes.
PLO Para entender por que isto acontece, imagine que você pode alocar
EX operários para colher maçãs ou laranjas e, crucialmente, tem um número EM
fixo de escadas à sua disposição. Você pode vender ambas, laranjas e maçãs, por $1,00 cada, mas a produção de ambas as frutas envolve diminuição dos rendimentos, de forma que os operários adicionais, atuando como apanhadores, renderão sucessivamente menos incrementos de produção, independente de qual fruta estejam colhendo.
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Alocar todos os seus empregados na colheita de laranjas, por exemplo, é improdutivo porque a produção que você obtém do ultimo operário colhendo laranjas será muito menor que a produção que obtém do primeiro.
A coisa mais inteligente a fazer é retirar um operário da colheita de laranjas é transferi-lo para a colheita das maçãs. Como último operário colhendo laranjas, ele não produz muito. Mas, como primeiro colhendo maçãs, ele colherá muitas delas. Como você paga a ele o mesmo salário independente de que fruta colhe, você usa o trabalho dele mais inteligentemente ao tê-lo colhendo maçãs, porque uma maçã é vendida mais caro do que uma laranja.
Você pode querer transferir um segundo operário, e talvez um terceiro ou um quarto. Mas, porque a diminuição dos rendimentos se aplica tanto a colheita de maçãs quanto a de laranjas, não é bom transferir todos os operários. Cada operário adicional transferido para colher maçãs, produz menos que os primeiros apanhadores. Em certo momento, mover operários adicionais da colheita de laranjas para colher maçãs não irá mais beneficiá-lo, e você alcançou o que os economistas chamam de ótima alocação de seus recursos de trabalho. Assim que encontrar este ponto, você não terá outro incentivo para mover os operários da colheita de uma fruta para outra, porque nenhuma movimentação adicional de operários aumentará a quantidade total de frutas colhidas. Neste ponto, você maximizou seu potencial de colheita.
Representando por gráficos suas
possibilidades de produção
Os economistas possuem um gráfico convenientemente chamado de Curva de Possibilidade de Produção (CPP), que permite a você visualizar o efeito da diminuição de rendimentos e ver o equilíbrio gerado quando você realoca entradas da produção de uma coisa para a produção de outra. A Curva de Possibilidade de Produção também mostra como recursos limitados restringem sua habilidade para a saída de produção. A Figura 3-1 mostra um gráfico CPP que corresponde aos dados da Tabela 3-2.
A Tabela 3-2 mostra como o total de saída de maçãs e laranjas muda quando você faz alocações diferentes de cinco operários disponíveis para colher maçãs ou laranjas. Por exemplo, se você colocar as cinco pessoas para colher apenas maçãs por um dia inteiro, você obterá 700 maçãs colhidas e zero laranjas colhidas. Se você mover um operário para as laranjas (quatro estarão colhendo maçãs e um colhendo laranjas), você obterá 680 maçãs e 300 laranjas colhidas. Por causa da diminuição de rendimentos, tirar um operário das maçãs reduz sua produção de maçãs em apenas 20 unidades. Mas, mover o operário para as laranjas aumenta sua produção em 300, porque aquele operário é o primeiro colhendo laranjas e pode colher as frutas penduradas nos galhos mais baixos.
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 45
Tabela 3-2 Saídas de Maçãs e Laranjas Conforme as
Mudanças na Alocação do Trabalho
Combo 1 Combo 2 Combo 3 Combo 4 Combo 5 Combo 6
Operários 0 1 2 3 4 5
colhendo laranja
Operários 5 4 3 2 1 0
colhendo maçãs
Produção de 0 300 500 620 680 700
laranjas
Produção de 700 680 620 500 300 0
maçãs
A Figura 3-1 representa graficamente as seis combinações de saída que resultam das variações na alocação dos trabalhadores na Tabela 3-2, desse modo, representando graficamente todas as possibilidades de produção. O Ponto A corresponde a colocar todos os trabalhadores para colher maçãs. O Ponto B corresponde a produção que você obtém de quatro trabalhadores colhendo maçãs e um colhendo laranjas.
800
700 B A C
600
500
400
Maçãs
E D
300
200
Figura 3-1:
Possibilidade 100 A Curva de
de Produção F
(CPP) para 0
os dados na 0 100 200 300 400 500 600 700 800
Tabela 3-2 Laranjas
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Note que cada um dos seis pontos é atingível, no sentido de que você pode produzir efetivamente as quantidades correspondentes de cada fruta, por meio de algumas alocações dos cinco trabalhadores. Por outro lado, um ponto como C não é atingível. Você não pode alocar seus cinco trabalhadores de forma alguma para produzir tantas maçãs e laranjas. Talvez, se tivesse mais trabalhadores, poderia produzir uma combinação de produção como essa, mas você se encontra limitado a apenas cinco trabalhadores.
Imagine que, ao invés de alocar trabalho por trabalhador, nós alocássemos o trabalho por tempo. Cada um dos cinco operários trabalharia por dia, assim você teria cinco trabalhadores/dia de trabalho para alocar. Agora você pode alocar, por exemplo, 3.2 trabalhadores/ dia para colher maçãs e 1.8 trabalhadores/dia para colher laranjas. Esta organização permite que você preencha o gráfico e desenhe uma linha conectando os seis pontos que correspondem às combinações de produção que obtém quando aloca o trabalho por operário.
Esta linha é chamada de Curva de Possibilidade de Produção, ou (CPP), porque ela divide a área do gráfico em duas partes: as combinações de saída que são possíveis de serem produzidas dados os seus limites de fornecimento de trabalho estão abaixo da linha; e aquilo que não é possível produzir está acima dela. Deste modo, o gráfico CPP captura o efeito dos escassos recursos de produção. Algumas combinações de saída não podem ser reproduzidas dado o limitado fornecimento de trabalho.
A curvatura para fora do gráfico CPP ilustra que as saídas entre a produção de maçã e a produção de laranja dependem de onde você começa. Se você está no ponto A, onde todos os seus recursos estão alocados na produção de maçãs, você pode, pela realocação de recursos, produzir muito mais de laranjas ao custo de ceder apenas poucas maçãs. Mas, se você começar no ponto D, no qual já está produzindo muitas laranjas, terá que desistir de muitas maçãs para conseguir apenas umas poucas laranjas.
Em jargão econômico, a vertente alterada do CPP em face da diminuição dos rendimentos é devido ao fato que os custos de oportunidade de produção variam dependendo de sua atual alocação de recursos (examine o capítulo 2 para saber mais sobre custos de oportunidade). Se você já está produzindo muitas maçãs, os custos de oportunidade de empregar ainda mais trabalho para uma maior produção de maçãs é muito alto porque você está abrindo mão de uma provável produção de laranjas. Por outro lado, os custos de oportunidade de dedicar este trabalho para a produção de laranjas é muito baixo, porque você tem que abrir mão de produzir apenas umas poucas maçãs. Claramente, você deve dedicar o trabalho para colher a fruta que tem o menor custo de oportunidade porque, neste exemplo, ambas as frutas trazem o mesmo beneficio: $1,00 por fruta vendida.
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 47
CEIT O-CH A VE A CPP também é muito conveniente porque quaisquer pontos marcados no
ON próprio gráfico (na curva) mostram claramente as combinações de produção C obtidas quando você é produtivamente eficaz, ou não desperdiça nenhum de
seus recursos. Você não pode aumentar a produção de maçãs sem reduzir a produção de laranjas e vice-versa. Por exemplo, se começar no ponto B, o único modo para aumentar a produção de maçãs é deslizar a linha para cima e ao longo da curva, o que implica reduzir a produção de laranjas. Você tem que fazer esta permuta, uma vez que não tem qualquer desperdício de trabalho ao seu redor, com o qual poderia obter mais maçãs sem reduzir a quantidade de trabalho já designado para a colheita de laranjas.
Todos os pontos abaixo da linha são produtivamente ineficientes. Considere o ponto E na Figura 3-1, que corresponde a produção de 300 maçãs e 300 laranjas. Você produz até um ponto como E somente se estiver sendo produtivamente ineficiente. De fato, pode ver pela Tabela 3-2, que pode produzir estes números ao mandar apenas um operário para colher maçãs e outro para colher laranjas. Você esta utilizando apenas dois de seus cinco operários; a força de trabalho dos outros três, está sendo desperdiçada ou não utilizada (esta ilustração também ilumina a piada no começo deste capítulo – um economista pode pensar que o copo é duas vezes maior do que precisa ser, em outras palavras, que o copo exibe ineficiência de produção!).
No mundo real, você acaba em um ponto como o E em razão de tecnologia de produção ineficiente ou de má gestão. Por uma razão ou por outra, os recursos disponíveis não estão sendo usados para a produção com tanto rendimento quanto poderiam.
Qualquer gerente que tenha cinco operários alocados, mas atinge o rendimento de produção da combinação E, deveria ser demitido! Economias eficientes devem sempre estar produzindo em algum ponto de suas curvas, porque se estão dentro da linha, eles estão desperdiçando os recursos limitados e não maximizando a felicidade que poderia ser obtida deles.
Impulsionando a linha com
melhor tecnologia
A CPP é uma simplificação do mundo real, derivada da alocação de uma entrada (input) entre exatamente duas saídas (outputs). O mundo real é, com certeza, mais complicado, com muitos recursos diferentes alocados entre muitos produtos diferentes. Mas, os princípios de recursos limitados e diminuição de retorno, que aparecem claramente no gráfico CPP, também se aplicam à grande variedade de ambas, entrada e produção, no mundo real.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 47 04/05/2012 18:04:45 48 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
Outra simplificação do modelo de diminuição dos rendimentos é que, exceto o insumo particular que está alocando, você está implicitamente mantendo constantes todos os outros insumos produtivos, incluindo a tecnologia. Mas o nível de sofisticação da tecnologia da humanidade está aumentando constantemente, permitindo às pessoas produzirem muito mais a partir de um dado conjunto de recursos. Então, enquanto este é um modelo elegante para ajudar com o problema, ele precisa ser adaptado para ser utilizado no mundo real.
A economia representa esse aumento na produtividade movimentando a CPP para fora. Na Figura 3-2, a área sombreada representa novas combinações de produção que, graças a uma melhor tecnologia, podem agora ser produzidas utilizando a mesma quantidade de recursos que antes. A CPP ainda está curvada porque melhores tecnologias não se livram da diminuição de rendimentos. Mesmo com uma tecnologia melhor, se você começar a aumentar a quantidade de um insumo em particular, conseguirá diminuir sucessivamente o acréscimo adicional na produção.
Maçãs
Figura 3-2:
Um desloca-
mento tecno-
logicamente
equilibrado
para fora da
CPP. Laranjas
Na Figura 3-2, a nova mudança da nova tecnologia é equilibrada no sentido de que ela melhora sua habilidade para produzir mais de ambas as mercadorias. Um exemplo de alteração por tecnologia equilibrada são as melhorias dos fertilizantes e pesticidas, que incrementam os lucros das colheitas de ambas, maçãs e laranjas.
Mas, a maioria das inovações tecnológicas é tendenciosa. Por exemplo, suponha que você está considerando um gráfico CPP no qual as mercadorias em produção são é trigo e aço. Uma melhoria na tecnologia de fabricação do aço obviamente permitiria que você produzisse mais aço a partir dos seus recursos limitados, mas não tem qualquer efeito em sua habilidade para produzir trigo. Consequentemente, como nos mostra a Figura 3-3, a CPP não desvia para fora equilibradamente. Ao invés, o gráfico desvia para fora no final, onde todos os seus insumos
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 49
em particular (digamos, trabalho), estão devotados ao aço, mas permanecem fixos no final, onde todos os seus insumos especiais estão devotados a produção de trigo.
Trigo
Figura 3-3:
Um desloca-
mento tecno-
logicamente
inclinado para
fora da CPP. Aço
Determinando O que Deve Ser
Produzido
Após uma sociedade situar a fronteira das combinações eficientes de produção, o próximo passo é escolher o ponto ao longo da fronteira que produza a combinação de mercadorias e serviços que melhor fará as pessoas felizes. Escolher apenas a partir de combinações de fronteira garante a eficiência produtiva. Escolher a única combinação de fronteira que maximize a felicidade assegura a eficiência alocativa.
Porque determinar onde a fronteira está situada é, sobretudo, uma questão de engenharia e aplicação da tecnologia atual para os recursos disponíveis; esta questão gera pouca controvérsia. Porém, decidir qual combinação especial de produção uma sociedade como um todo deve escolher, é muito mais complicado. As pessoas têm preferências, tanto como indivíduos quanto como grupos, sobre que produtos as tornam mais felizes. A escolha de um indivíduo sobre um determinado ponto em sua própria CPP não gera conflito. Ele só determina que combinações de produtos o torna mais feliz e então os produz e consome.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 49 04/05/2012 18:04:46 50 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
PLO O processo de tomada de decisão torna-se vastamente mais complicado
EX quando você considera uma CPP de toda uma sociedade. Neste caso, tenha EM
certeza de um vigoroso descontentamento sobre que tipo de combinação de produtos fabricar com os recursos limitados da sociedade. Por exemplo, seu vizinho pode não se importar com toda a poluição gerada por ele gostar de dirigir seu SUV (Utilitário esportivo 4x4), dia e noite. Se ele estivesse vivendo em seu próprio mundo, a poluição não importaria, mas porque você vive próximo a ele, é afetado pela poluição e desaprova. Talvez você busque intervenção do governo para limitar o que seu vizinho está fazendo. Da mesma forma, o governo argumenta sobre o que deveria produzir com seus recursos limitados: algumas pessoas são a favor dos subsídios agrícolas enquanto outras defendem gastos com defesa ou programas de auxílio aos pobres.
Essas prioridades concorrentes significam que algum tipo de processo de tomada de decisão deve ser estabelecido para determinar o que será, de fato, produzido e para (tentar) assegurar que ele agradará a maioria das pessoas na maior parte do tempo.
Em muitas economias modernas, este processo é o resultado de ambas as decisões, privada e pública, atuando por meio de uma combinação de mercados livres e ação governamental. O processo nem sempre é tranquilo – e negociações orçamentárias já levaram muitos políticos ao desesperou ou alcoolismo – mas ele tem permitido o mais alto padrão de vida da história mundial.
Avaliando os prós e contras dos mercados
e intervenções governamentais
Quando analisamos as maneiras como as economias modernas e as sociedades selecionam uma combinação de mercadorias e serviços para produzir, é necessário compreender que as leis e as instituições econômicas atuais são o resultado de pressões conflitantes sobre deixar o mercado aos seus próprios dispositivos durante a transformação de recursos em produtos, ou utilizar o poder do governo para intervir nos mercados, de modo a garantir um conjunto diferente de resultados.
Tenha em mente os três seguintes fatores quando considerar a disputa entre deixar o mercado por sua conta própria ou intervir:
✓ As economias modernas são imensamente complicadas, com
literalmente milhões de bens e serviços produzidos utilizando
recursos limitados de terra, mão de obra e capital. Os mercados
gerenciam estas complexidades facilmente, mas as intervenções
governamentais geralmente não – o que significa que eles
frequentemente arriscam reduções substanciais na produção e na
eficiência da alocação.
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 51
✓ Alguns bens e serviços, como cocaína e usinas de energia que
queimam combustíveis fósseis, têm consequências negativas. Essas
consequências negativas trazem pressão decisiva para a intervenção
governamental na economia, porque esses mercados, se deixados
sozinhos, produzirão grandes quantidades desses bens e serviços.
✓ Algumas pessoas acabam consumindo uma grande proporção dos
bens e serviços produzidos, enquanto que outros terminam com
muito pouco. Tal distribuição desigual também gera uma grande
pressão para a intervenção governamental na economia de maneira
a equalizar os padrões de vida.
Estes fatores são ambos a causa e a consequência do fato de nossas economias modernas serem amplamente uma mistura de mercado de produção e intervenção governamental. Para a maior parte, o que produzir, quanto produzir e quem obtém tais produções, é decidido por transações voluntárias feitas por indivíduos e empresas. Mas algumas vezes, o governo utiliza seus poderes coercivos para alcançar resultados que não aconteceriam se os indivíduos e empresas fossem deixados aos seus próprios interesses.
Em ambos os casos, um vasto aparato de leis e tradições que governam as transações econômicas ajuda a sociedade a produzir uma combinação de produtos que seja produtivamente eficaz (de forma que os recursos não sejam desperdiçados) e alocados com eficiência (assim, a economia está produzindo aquilo que as pessoas mais desejam). A seguir, esboçamos os benefícios e as desvantagens que ambos, mercados e governos, trazem para a mesa econômica.
A magia dos mercados: Indo onde nenhum homem jamais poderá ir
Produção de mercado é o termo que os economistas utilizam para capturar o que acontece quando um indivíduo se oferece para fazer ou vender algo para outro indivíduo a um preço que agrada a ambos. Os mercados são muito bons em produzir coisas que as pessoas desejam pagar para ter. Além do mais, os mercados tendem a ser bastante eficientes quando existem muitos fornecedores de bens e serviços.
Um mercado competitivo é aquele em que muitos vendedores competem uns contra os outros para atrair os consumidores. Em tal situação, cada vendedor tem um incentivo para vender ao preço mais baixo possível de modo a “boicotar” seus concorrentes e “roubar” seus clientes. Embora todas as empresas possuam este incentivo, os preços em alguns momentos são tão baixo que as empresas podem apenas aferir um lucro escasso.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 51 04/05/2012 18:04:46 52 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
C ON CEIT O-CH A VE Um mercado competitivo também tende a garantir produtividade eficaz porque a melhor maneira para os vendedores manterem os preços baixos é a certeza que estão utilizando todos os seus recursos de modo eficiente e
que nada é desperdiçado. Como a concorrência é contínua, a pressão para ser eficaz é constante. Os vendedores também têm um grande incentivo para melhorar sua eficiência, de forma a vender por um preço mais baixo que os seus rivais e assim, poderem roubar seus clientes.
Em termos de CPP (que discutimos na seção anterior “Representando suas possibilidades de produção por meio de gráficos”), a produção do mercado com muita concorrência tende a garantir não apenas que as economias produzam além dos limites, mas também que elas tenham limites que sejam constantemente superados, ao passo em que as empresas melhorarem sua eficiência.
Os mercados também têm o benefício de calcular, automaticamente, os itens que as pessoas desejam. Para compreender por que isto é tão extraordinário, considere que vivemos em um mundo de aproximadamente 7 bilhões de pessoas. Seria muito difícil para qualquer pessoa reunir informações suficientes para entender o que cada um mais deseja comprar. Levaria muitas vidas para falar com cada um deles apenas para descobrir o que querem para o jantar, deixando de lado todas as outras coisas que eles gostariam de comprar em um dia típico.
Mas, em razão de a produção e a distribuição nas economias modernas não serem centralizadas, não precisamos saber todos os seus aspectos. De fato, a magia real das economias de mercado é que elas são apenas uma coletânea de milhões e bilhões de pequenas transações cara a cara entre compradores e vendedores.
PLO Por exemplo, a pessoa que vende uma TV para você na loja de sua cidade,
EX não faz ideia da demanda total de TVs no mundo, quantas toneladas de EM
aço ou plástico são necessárias para produzi-las ou quantas outras coisas não foram produzidas por que o aço e o plástico necessários para fazer TVs foram utilizados nelas ao invés de em qualquer outra coisa. Tudo o que o vendedor sabe é que você está disposto a pagar pela TV. E, se ele estiver fazendo uma venda lucrativa dessa TV, levará em consideração sua lucratividade e pedirá mais TVs para a fábrica. A fábrica, por sua vez, aumentará a produção, utilizando os recursos da produção de outras coisas. A realocação de recursos também ocorre nos mercados porque cada recurso tem um preço e quem quer que esteja disposto a pagar por ele, obtém o recurso.
CEIT O-CH A VE De fato, economias de mercado são chamadas com frequência de sistemas
ON de preços porque os preços servem como sinais que demarcam os recursos. C Itens em alta demanda têm preços altos e itens de baixa demanda têm
preços baixos. Como a atividade comercial gosta de ganhar dinheiro, eles seguem os sinais dos preços e produzem mais daquilo que tem o maior preço e menos daquilo que tem o menor preço. Dessa maneira, os mercados tendem a tomar nossos parcos recursos e utilizá-los para produzir aquilo que as pessoas mais desejam – ou ao menos aquilo que os consumidores estão mais dispostos a pagar. E eles fazem isso tudo de uma forma completamente descentralizada.
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 53
Comunismo, longas filas e papel higiênico
Em uma economia dirigida, toda atividade mados planejadores centrais, tentaram econômica é feita sob as ordens do go- determinar as quantidades corretas a se-verno. Até a queda do muro de Berlin e o rem produzidas para 24 milhões de itens subsequente colapso do comunismo no fi- diferentes! Esta era uma tarefa impossível. nal dos anos 1980 e começo dos anos 1990, Pegue, por exemplo, o papel higiênico. Pri-uma grande parte da população mundial meiro, estima-se quantos milhões de rolos vivia em países com economias dirigidas. de papel higiênico são necessários. Então, Infelizmente, eles não viviam muito bem. era necessário descobrir quantas árvores
pas e papel higiênico, era constante. Mais viários eram necessários para transportar sério ainda, médicos muitas vezes care-todas aquelas árvores até as fábricas de ciam de seringas e medicamentos para papel e quantos operários para a produção A escassez de tudo, desde açúcar até rou- todo aquele papel e quantos vagões ferro-precisavam ser cortadas para fabricar
sempre, pouco fornecidos. na fábrica. Ao mesmo tempo, é necessário seus pacientes e os alimentos eram, quase
balancear a produção de papel higiênico
Bens e serviços não eram alocados utilizan- contra outro zilhão de coisas que também do-se o sistema de preços no qual a produção requerem árvores, vagões ferroviários e chegava àqueles que desejavam e podiam trabalhadores.
o governo tentou dar a todos uma quota igual requer uma grande quantidade de informa-ção para ser resolvida. O resultado foi que dos bens e serviços produzidos. O resultado, os recursos eram constantemente mal dire-no entanto, não foi uma divisão por igual, ao país comunista são ideologicamente iguais, Toda a questão é demasiado complexa e pagar por ela. Ao invés, porque todos num
eram capazes de ficar longos períodos nes- os vagões ferroviários para o transporte do sas filas, conseguiam mais do que aquilo que produto não eram escalados para trazê-los lhes era devido. As filas eram tão grandes do campo para a cidade; os funcionários invés disso, havia longas filas e, aqueles que alimentos apodreciam nas fazendas porque cionados e desperdiçados. Por exemplo, os
rolo de papel higiênico. Se você visse uma deria ser antecipada e os vagões estavam ocupados em outro lugar. Em um sistema de fila se formando entrava nela o mais rápido preços, os agricultores teriam simplesmente possível, mesmo se não soubesse para quê. dia inteiro nelas apenas para conseguir um não haviam contabilizado que a colheita po-que as pessoas frequentemente passavam o
Como tudo era escasso, o produto quase cer- ção não era possível em uma economia cen-pago pela utilização dos vagões. Esta solu-tamente era algo que você queria. tralizada, em que preços não eram utilizados O que causou essa desordem? Centralização. para alocar recursos. Em Moscou, funcionários do governo, cha-
Os delitos dos mercados
Os mercados não são perfeitos. Em particular, eles sofrem de dois grandes problemas:
✓ Mercados produzem qualquer coisa desde que as pessoas estejam
dispostas a pagar por elas, mesmo que essas coisas não sejam
necessariamente boas para as pessoas ou para o meio ambiente.
✓ Os mercados são amorais: eles, de forma alguma, garantem equidade
ou justiça.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 53 04/05/2012 18:04:46 54 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
DO REAL O fato de que as drogas ilegais permanecem disponíveis em grandes quantidades
MUN e a preços baixos, apesar dos grandes esforços dos governos em programas
para a erradicação de sua produção e distribuição, é, provavelmente, o melhor exemplo da força dos mercados. Enquanto houverem lucros a serem feitos, você pode ter certeza de que o abastecimento aumentará para satisfazer a demanda. Mas, embora os mercados sejam tão determinados em dar as pessoas o que elas desejam pagar, as drogas ilegais são um excelente exemplo do fato de que os mercados produzirão coisas sem se importarem com seu valor social ou suas consequências negativas.
No mesmo sentido, os produtores frequentemente fazem coisas das quais não gostamos para nos dar aquilo que desejamos. O trabalho infantil e o trabalho quase escravo, em alguns estabelecimentos, são outros exemplos do que falamos. Muitas vezes o governo tem que intervir para mudar isso, quando o sistema de preços não proporciona incentivo suficiente para que os produtores mudem essas práticas condenáveis.
Outro grande problema com os mercados é que eles fornecem a todos aqueles que têm dinheiro para gastar. O sistema de preços incentiva a produção apenas daqueles itens que as pessoas estão dispostas a pagar. Se a pessoa for pobre, não consegue dar aos produtores os incentivos para que produzam para ele nem sequer os itens básicos para suas necessidades, como medicamentos e comida. Num autêntico sistema de preços, os recursos são direcionados para a produção de itens para os que têm dinheiro para gastar.
Um problema relacionado aos mercados é a desigualdade entre renda e riqueza. Como sistemas de mercados recompensam aqueles que estão mais bem preparados para prover bens e serviços que as pessoas querem adquirir, alguns vendedores tornam-se muito ricos porque eles são melhores em proporcionar às pessoas o que elas desejam. Isso leva invariavelmente a grandes desigualdades em termos de riquezas que muitos consideram ofensivas, mesmo quando o dinheiro é honestamente ganho, e a despeito de pessoas altamente produtivas fazerem grandes contribuições para o aumento da produção e maximização da felicidade.
O caso da intervenção governamental
Muitas sociedades usam seus governos para intervir e tratar dos problemas que os mercados criaram ou não conseguem resolver. As intervenções governamentais na economia geralmente acontecem de uma dessas três formas:
✓ Sanções ou embargos sobre a produção ou consumo de bens
e serviços considerados perigosos ou imorais: Por exemplo, os
governos podem proibir drogas ou impor “impostos pesados” sobre itens
como álcool ou tabaco que, embora legais, são tidos como produtos
cuja utilização deve ser desencorajada. Contudo, proibições raramente
funcionam porque o mercado, que não precisa ser legal, continua tendo
grandes incentivos para prover tais bens e serviços. Impostos, apesar de
mais inteligentes, funcionam até que seu valor supere o do produto e o
mercado ilegal consiga minar o mercado legal.
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Capítulo 3: Produzindo a Coisa Certa da Maneira Certa... 55
✓ Subsídios para encorajar a produção de bens e serviços
considerados desejáveis: Por exemplo, a maioria dos governos investe
pesado em subsídios para a educação infantil e assistência médica. Eles
fazem assim por temer que sem os subsídios a educação e assistência
médica oferecidas seriam insuficientes e inadequadas.
✓ Impostos sobre os abastados para prover bens e serviços para
os menos afortunados e reduzir as desigualdades de renda e
riqueza: Estes impostos são colocados em parques, ar puro e arte,
assim como bens e serviços, em prol dos pobres. Os governos taxam
os indivíduos e as empresas para aumentar a arrecadação e suprir as
necessidades dos menos abastados.
Em termos do gráfico CPP, cada uma dessas intervenções governamentais obriga a economia a produzir e alocar uma combinação de produção diferente da que a sociedade teria resolvido se os mercados tivessem tomado todas as decisões sobre produção e alocação.
Dependendo da situação, a combinação da produção feita pela intervenção governamental pode ser melhor ou pior que a combinação do mercado em termos de eficácia de produção, eficácia de alocação ou ambas. A melhor combinação depende das especificações de cada caso.
O processo contra a intervenção do governo
A intervenção do governo é uma força poderosa para redirecionar a atividade econômica, mas ela, necessariamente não torna a economia melhor. De fato, existem três boas razões para a intervenção governamental piorar as coisas:
✓ Programas governamentais são, frequentemente, resultado de lobbies
de interesses pessoais, que buscam ajudar algum pequeno grupo
em vez de maximizar a felicidade da população em geral. Esses
lobbies de interesse especial levam os recursos de outros usos, que
geralmente beneficiariam um grande número de pessoas, no intuito
de prover benefícios para apenas alguns poucos.
✓ Mesmo quando perseguindo o bem comum, programas
governamentais, com frequência, oferecem um serviço de má
qualidade porque não existe concorrência para criar incentivos à
produção governamental de bens e serviços eficientes.
✓ As intervenções governamentais geralmente deixam uma carência
na flexibilidade do sistema de preços, que é capaz de redirecionar
constantemente recursos para acomodar as alterações nos desejos
das pessoas de pagar mais por um determinado produto do que por
outro. Políticas governamentais levam anos para terminar e as leis
são, em geral, escritas de uma maneira bastante precisa que não
permite alterações circunstanciais e inovações rápidas – coisas que o
sistema de preços controla com facilidade.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 55 04/05/2012 18:04:46 56 Parte I: Economia: A Ciência de Como as Pessoas Lidam com a Escassez
REAL
DO
UN
M
Os Lagos de Vinho
Nos anos que se seguiriam imediatamente tributação geral (via imposto sobre o valor à Segunda Guerra Mundial, os políticos eu- acrescentado).
que diminuir os preços das fazendas era e uma eficiência maior na agricultura se combinaram com um preço garantido para uma fonte de empobrecimento para muitos dar incentivo a uma superprodução. Como dos pequenos agricultores proprietários de lições do passado. Uma dessas lições era O problema foi que o progresso técnico ropeus foram perspicazes ao aprenderem
tura da Europa. Por diversos motivos, os ninguém precisava de fato comprar, eles políticos foram bastante sagazes em nun-sempre tinham um incentivo para produzir ca replicar as condições econômicas dos mais do que o mercado precisava. Como terras que constituíam o grosso da agricul- simplesmente para produzirem bens que os agricultores podiam exigir subsídio
uma solução para o problema. resultado da superprodução, os consumi-anos da guerra, então eles pensaram em