Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
G = Go
Isto é, G é igual a algum número determinado pelo processo político, G . o Este número pode ser alto ou baixo, dependendo da política, mas no final, você só se interessa pelo quão grande ou pequeno este número se tornara e pode ignorar de onde vem.
G inclui apenas as despesas de governo sobre bens e serviços recentemente produzidos. Ele não inclui despesas que simplesmente transferem dinheiro de uma pessoa para outra. Por exemplo, quando o governo cobra impostos de você, e o dinheiro é transferido para uma pessoa pobre, esta transação não tem nada a ver com a produção atual de bens e serviços e, consequentemente, não conta como parte de G. Assim, lembre-se de que quando falamos de G, nos referimos apenas ao que o governo adquire da produção atual de bens e serviços.
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NX: Exportações menos importações
Quando seu país vende bens e serviços para alguém ou uma empresa em outro país, esse tipo de venda é chamado de exportação. Quando alguém em seu país compra algo que foi produzido fora dele, este tipo de compra é chamado de importação. O valor líquido das exportações, ou NX (do inglês Net exports), é simplesmente a soma de todos os valores das exportações menos todos os valores das importações durante um determinado período de tempo. Quando usar o método de despesa para calcular o PIB, você acrescenta esse valor em líquido das exportações, NX.
Mas, por que apenas o líquido das exportações? Boa pergunta, e os economistas, geralmente, explicam muito mal o motivo de por que você deve subtrair as importações das exportações nesta equação. Aqui está uma demonstração.
Toda a questão da totalização das despesas para se obter o PIB é calcular quantos reais são gastos em produtos feitos dentro das fronteiras de nosso país. A maior parte desses gastos é feita pelos nativos, mas os estrangeiros também podem gastar dinheiro com nossos produtos. Isto é o que exatamente acontece quando eles pagam pelas mercadorias que você exporta para eles. Consequentemente, você tem que adicionar as exportações se quiser obter o valor correto das despesas sobre as mercadorias produzidas internamente.
Você precisa subtrair suas importações de mercadorias estrangeiras por que é preciso diferenciar o total das despesas que os residentes fazem sobre todos os bens e serviços, daquelas despesas sobre os produtos e serviços produzidos internamente. O total dos gastos sobre bens e serviços, tanto os internos quanto os estrangeiros, é C (consulte a seção “C corresponde a despesas de consumo”). Se você quiser obter apenas a parte gasta em materiais produzidos internamente, precisará subtrair o valor das importações, IM, porque todo o dinheiro gasto em importações é dinheiro que não foi gasto na produção interna de bens e serviços. Portanto C - IM nos dá a quantia em dinheiro que a população gastou em produtos produzidos no pais.
O resultado é que você pode escrever sua equação de despesas do PIB, que totaliza todos os gastos internos sobre a produção doméstica, como segue:
Y = C – IM + I + G + EX
Mas, geralmente a equação é reorganizada, a fim de colocar as exportações e importações próximas umas das outras, dessa forma:
Y = C + I + G + EX – IM
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A razão para esta reorganização é porque EX - IM rapidamente revela o balanço comercial de seu país. Quando o resultado de EX - IM é positivo, você está exportando mais do que importando; quando é negativo, está importando mais do que exportando. Os economistas gostam quando a matemática está presente de forma a contar uma historinha.
Comércio internacional é muito importante, e você deve ter um bom conhecimento não apenas do por que os balanços comerciais podem ser positivos ou negativos, mas também, por que você não deveria necessariamente preocupar-se quando eles são negativos em vez de positivos. Cobrimos este assunto na próxima seção.
Entendendo Como o Comércio
Internacional Afeta a Economia
Os países modernos têm um volume enorme de comércio com outros países – na verdade tão grande que para muitos países as importações e exportações são iguais ou superiores a 50 por cento de seus PIBs. Então, agora é uma boa hora para focarmos um pouco mais profundamente na partícula NX da equação de despesas do PIB, Y=C+I+G+NX.
Entender como o comércio internacional afeta a economia é absolutamente essencial se você espera ter uma compreensão ampla da macroeconomia. Também é importante porque os políticos estão constantemente sugerindo novas políticas para as tarifas alfandegárias e novos controles para as taxas de cambio, que miram diretamente o comércio internacional – mas cujos efeitos reverberam por toda a economia interna.
Esta seção explica por que déficits comerciais (valores negativos de NX) não são necessariamente ruins e por que envolver-se com comércio internacional – mesmo quando isso significa sustentar déficits comerciais – em geral, é extremamente benéfico.
Déficits comerciais podem
ser bons para você!
Se suas exportações excedem as importações, você tem um superávit comercial, ao passo que, se suas importações excedem suas exportações, você tem um déficit comercial. Infelizmente, as palavras superávit e déficit carregam uma conotação extremamente forte, que nos faz pensar que superávits são, necessariamente, melhores que déficits. Isto não é verdade, mas você não saberia disso pela retórica dos políticos. Eles fazem parecer que o déficit comercial é sempre ruim e que está conduzindo a economia a uma calamidade.
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PLO Para entender por que os políticos estão errados (como se você precisasse
EX ser convencido disto), considere o exemplo de dois indivíduos que querem EM
fazer um comércio. Cada um deles começa com $100,00 em dinheiro e cada qual produz uma mercadoria para vender. O primeiro produz e vende maçãs ao preço de $1,00 cada. O segundo também produz e vende laranjas ao preço de $1,00 cada. Cada um deles produz 50 frutas.
Em seguida, suponha que o produtor de maçãs realmente goste de laranjas e queira comprar 30 laranjas por $30,00 e o produtor de laranjas queira comprar 20 maçãs ao preço de $20,00. Ambos estão satisfeitos por poderem satisfazer o desejo um do outro, dessa forma, o produtor de maçãs gasta $30,00 comprando laranjas e o produtor de laranjas gasta $20,00 comprando maçãs.
A atividade comercial que acabaram de praticar não soa nenhum alarme, mas se as pessoas olharem para essa operação comercial em termos de superávit comercial e déficit comercial chegarão à falsa conclusão de que apenas uma das pessoas envolvidas realmente se beneficiou com esta transação comercial, que na realidade, ambos estavam ansiosos para realizar.
Para saber onde começa a confusão, note que no vocabulário de comércio internacional, o produtor de maçãs exporta apenas o valor de $ 20,00, mas importa o valor de $ 30,00. Ao passo que, para o produtor de laranjas a exportação é de $ 30,00 em laranjas e a importação é de apenas $ 20,00 em maçãs. Como resultado, o produtor de maçãs terá um déficit comercial de $10,00, já o produtor de laranjas terá um superávit comercial de $ 10,00.
Isto significa que o produtor de maçãs está em pior situação do que o produtor de laranjas? Não. Cada um deles começou com o valor de $ 150,00 em mercadorias: seus respectivos $ 100,00 em dinheiro acrescidos de $ 50,00 relativos a quantidade de frutas produzidas. Quando terminam sua transação comercial, eles ainda têm $ 150,00 em mercadorias. O produtor de maçãs tem $ 90,00 em dinheiro mais o valor de $ 30,00 em maçãs e $ 30,00 em laranjas. O produtor de laranjas tem $ 110,00 em dinheiro mais a importância de $ 20,00 em laranjas e o valor de $ 20,00 em maçãs.
Dizer que esta transação comercial empobreceu um deles é totalmente equivocado. De fato, ambos estão mais satisfeitos com suas disposições financeiras após a comercialização do que antes, porque seu comércio foi voluntário. Se o produtor de maçãs ficasse feliz conservando consigo seus $ 100,00 em dinheiro e mais 50 maçãs, ele não as teria comercializado por laranjas. O mesmo vale para o produtor de laranjas.
CEIT O-CH Enquanto a prática comercial internacional ocorrer de maneira voluntária, A VE todas as transações comerciais elevam a felicidade (ou seja, gera ganhos,
ON C embora esses ganhos não sejam divididos igualmente). Concentrar-se na
existência de déficit ou superávit comercial é simplesmente perder o foco de que o comércio internacional é apenas uma reorganização dos ativos entre duas nações para tornar todos mais felizes. Até mesmo o país com déficit comercial fica mais feliz.
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Considerando os Ativos –
Não apenas o dinheiro
Para aqueles que odeiam déficit comercial, o fato de que o acúmulo monetário do produtor de maçãs caiu de $ 100,00, antes da transação comercial, para apenas $ 90,00 depois desta, parece assombroso porque eles estão atentos apenas ao fato de que o produtor de maçãs ficou $ 10,00 mais pobre em termos de dinheiro vivo, depois da transação. E eles estão ainda mais irritados porque aqueles $10,00 acabaram ficando com o produtor de laranjas, dando-lhe a vantagem de $110,00 versus $90,00, em termos de acúmulo em numerário.
Esta perspectiva encobre o fato de que a riqueza geral do produtor de maçãs ainda é de $ 150,00 e que ele agora tem uma distribuição de ativos que lhe agrada mais do que a anterior. Mas, se você deixar isso de lado, aqueles que odeiam o déficit comercial respondem perguntando a você o que acontece depois que o produtor de maçãs comer suas 30 maçãs e laranjas, e depois que o produtor de laranjas também comer suas 20 maçãs e 20 laranjas. No final, tudo o que ambos os produtores terão será o valor em espécie que acumularam. Como o produtor de maçãs tem $ 20,00 a menos em seu caixa do que o produtor de laranjas, ele deve estar em pior situação por causa do déficit comercial.
Novamente, estas alegações perdem o foco de que o produtor de maçãs ficou mais feliz com a negociação e em terminar com $ 90,00 em dinheiro, do que teria ficado se não tivesse feito o negócio e terminado com $ 100,00 em caixa. Se não fosse pelo comércio, ele teria tido uma dieta muito enfadonha comendo apenas maçãs.
Aqueles que se opoem ao déficit comercial realmente fazem as coisas parecerem terríveis quando começam a falar sobre a terra trocando de mãos devido ao comércio internacional (Oh não, os estrangeiros estão assumindo o controle de nosso pais!). Para entender o raciocínio deles, imagine que em vez de começar com $ 100,00 cada, os produtores de frutas começassem com 100 acres de terra cada um, ao preço de $ 1,00 o acre. A única maneira para o produtor de maçãs conseguir $ 10,00 para pagar por seu déficit comercial, é vendendo 10 acres de terra ao produtor de laranjas. Ou seja, em linhas gerais a troca a que se comprometeram é 20 maçãs mais 10 acres de terra combinados, que valem $ 30,00, em troca de 30 laranjas ao preço de $ 30,00. Porque agora, 10 acres de terra do produtor de maçãs pertencem ao produtor de laranja, aqueles que odeiam o déficit comercial imaginam que o produtor de maçãs vendeu seu país – literalmente.
DO REAL Esse tipo de transferência de propriedade acontece na vida real. Durante
MUN a década de 1980, os Estados Unidos atingiram um formidável déficit
comercial com o Japão. O resultado foi que corporações japonesas e indivíduos terminaram por possuir muitas empresas e edifícios americanos famosos. Isto realmente assombrou diversos políticos americanos, nacionalistas exacerbados (e o detetive interpretado por Harvey Keitel no filme Sol Nascente, de 1993), mas eles perderam o foco de que toda a
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atividade comercial na vida – seja com estrangeiros ou concidadãos – é concebida para fazer as pessoas felizes. Afinal, qual a finalidade de manter todos os seus 100 acres de terra se você fica mais feliz ao comercializar 10 deles por mercadorias estrangeiras? Ou, no caso dos Estados Unidos durante a década de 1980, que bem havia em continuar possuindo a Times Square ou os estúdios da Columbia Pictures se você preferiria trocá-los por carros Honda e videocassetes da Sony? (a histeria anti-Japão naquela ocasião foi ainda mais estúpida, se considerarmos que o maior grupo estrangeiro a possuir propriedades americanas era, e ainda é, o britânico!). Este exemplo não é isolado. Políticos em todos os países ficam satisfeitos ao abraçarem essa linha de raciocínio por razões tão nobres quanto ignorantes. Alguns deles levam isso muito a sério.
Para o desapontamento dos economistas, o argumento de que o objetivo do comércio é deixar você mais feliz nem sempre dá resultado. Muitas pessoas veem o comércio como uma disputa antagônica para dominar outros países pela competição comercial constante do superávit; assim, eventualmente, você terá todos os ativos dos outros competidores. Com esse objetivo, eles argumentam que são necessárias restrições ao comércio destinadas a regulamentar as relações comerciais, de forma que seus próprios países sempre obterão superávit.
O problema aqui é que se o seu país coloca barreiras, outros países podem fazer o mesmo. Isso reduz o volume de comércio e deixa todos menos felizes. Ao extremo, tais restrições levam a guerras comerciais que jamais são do interesse de ninguém.
Consequentemente, nos últimos 50 anos, os governos nacionais têm impulsionado, de maneira crescente, a diminuição de restrições ao comércio internacional (por meio de fóruns como o General Agreement on Tariffs and Trade, ou GATT, e o World Trade Organisation, ou WTO). Este movimento de livre comércio tem resultado em centenas de milhares de novos empregos e uma ampla melhoria nos padrões de vida e felicidade, porque as pessoas em todo o mundo são livres para comercializar e comprar o que desejam para torná-las mais felizes – mesmo que isso implique em comprar de um estrangeiro.
Esta situação significa que não deveríamos levar a sério os argumentos de protestantes anti-globalização? Não, por que conforme percebemos anteriormente, embora o comércio deixe ambas as partes felizes, uma parte pode ficar bem mais feliz do que a outra, e isso decorre pelo fato de o comércio não ter sido feito em termos justos. As pessoas têm diversos argumentos para o sistema de comércio internacional, mas poucos deles chegam a dizer que comércio como um todo é ruim. Ao invés, as discordâncias dizem respeito à maneira pela qual o comércio é conduzido e os sistemas pelos quais os governos negociam.
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Dominando uma vantagem comparativa
O argumento de que mesmo países com déficit comercial estão em melhores condições baseia-se no fato de que eles consomem um misto de mercadorias e serviços que não obteriam de outro modo, e se beneficiam do comércio de produtos que já foram produzidos. Mas um argumento ainda melhor para o comércio internacional é o fato de que ele aumenta, efetivamente, o montante total de mercadorias produzidas no mundo, o que significa que há mais produtos por pessoa e, em linhas gerais, o aumento dos padrões de vida.
Este argumento, conhecido como vantagem comparativa, foi desenvolvido pelo economista inglês David Ricardo em 1817, como uma refutação enérgica contra a tarifa de importação conhecida por Corn Laws (Leis do Grão), que no passado, estabelecia impostos pesados para as importações de grãos produzidos no exterior. Estas leis mantinham os preços dos grãos altos, desse modo, a nobreza, que possuía a grande maioria das terras produtivas, era favorecida. Naturalmente, com os pobres dava-se o contrário, pois isso encarecia o preço de seu alimento principal: o pão.
Ricardo pontuou que a abolição das restrições ao comércio internacional deveria, além de ajudar aos pobres da Inglaterra, efetivamente tornar a Inglaterra e todos os países que comercializavam com ela mais ricos, encorajando-os a especializarem-se na produção de bens e serviços que cada um deles pudesse produzir aos mais baixos custos. Ele demonstrou que este processo de especialização deveria melhorar a produção mundial e, desse modo, elevar os padrões de vida.
A lógica por trás do argumento da vantagem comparativa é entendida mais facilmente se pensarmos em termos de pessoas ao invés de países. Considere uma advogada de patentes chamada Heather e seu irmão Adam, que trabalha como mecânico de bicicletas. Heather é muito boa em arquivar patentes de novas descobertas, mas ela também é muito boa em consertos de bicicletas. De fato, ela é mais rápida para consertar bicicletas do que seu irmão. Por outro lado, Adam pode arquivar patentes muito bem, embora não tão rapidamente quanto Heather. A Tabela 4-1 lista quantas bicicletas consertadas e quantas patentes arquivadas eles podem fazer em um dia se colocarem todos os seus esforços em apenas uma das atividades.
Tabela 4-1 Produtividade de Heather e Adam por Dia
Pessoa Produtividade de Patentes Produtividade Conserto de
Bicicletas
Heather 6 12
Adam 2 10
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Em um dia de trabalho Heather pode arquivar 6 patentes ou consertar 12 bicicletas, ao passo que Adam pode arquivar 2 patentes ou consertar 10 bicicletas. Heather é mais eficiente que seu irmão, tanto produzindo patentes, quanto consertando bicicletas, porque ela pode converter um dia de trabalho na produção de mais de um produto, enquanto que Adam não pode.
Os economistas dizem que Heather tem uma vantagem absoluta sobre Adam na produção de ambos os produtos, o que significa que ela é a produtora mais eficiente dos dois; com a mesma entrada de trabalho (um dia), ela pode produzir mais que seu irmão. Antes de David Ricardo surgir e inventar a vantagem comparativa, a única coisa que todos queriam ver era a vantagem absoluta. E quando os economistas viam situações como a de Heather e Adam, concluíam (incorretamente) que, porque Heather é mais eficiente que Adam em ambas as tarefas, ela não precisaria negociar com ele.
Em outras palavras, as pessoas costumavam acreditar, erroneamente, que porque Heather é melhor que Adam no conserto de bicicletas, ela poderia não só trabalhar duro como advogada de patentes, arquivando grandes quantidades, como também consertar sua própria bicicleta quando esta quebrasse. Ricardo apontou que este argumento baseado em vantagem absoluta é falso e que Heather deveria, de fato, nunca consertar bicicletas, a despeito do fato de ser a melhor mecânica de bicicletas em toda a região. O que Ricardo percebeu é que o mundo fica em melhores condições se cada pessoa (e país) se especializar.
ONCEIT O-CH A O ponto chave dentro da vantagem comparativa é que a proporção VE adequada de custo, quando se considera se Heather deveria produzir C um produto ou outro, não é quantas horas de trabalho ela levaria para
produzir uma patente ou consertar uma bicicleta (que é a lógica por trás da vantagem absoluta). Em vez disso, o custo real é quanto da produção de uma mercadoria você terá que abrir mão para produzir uma unidade de outro produto.
Para produzir uma patente, Heather deve abrir mão da chance de consertar duas bicicletas. Em contraste, para produzir uma patente, Adam teria que abrir mão da chance de consertar cinco bicicletas. Assim, Heather é o menor custo para produção de patentes e, por consequência, deve especializar-se nisso. Adam deve especializar-se em consertos de bicicletas porque ele é o produtor de menor custo para essa atividade.
Em uma escala maior, países devem especializar-se na produção de bens e serviços que possam distribuir a baixos custos em relação aos outros. Se as nações forem livres para fazerem isso, tudo o que é produzido virá a partir dos mais baixos custos de produção. Como esta disposição leva à produção mais eficiente possível, a produção total aumenta e, desse modo, eleva-se o padrão de vida.
economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 86 04/05/2012 18:04:49 Capítulo 4: Medindo Macroeconomia: Como os Economistas Mantêm... 87
Os políticos frequentemente argumentam que os países não deveriam ser “dependentes” de outros, em diferentes bens e serviços. Qualquer política que leve essa advertência a sério, impedindo o comércio e a especialização, aumenta os custos e provoca a total queda da produção.
Permitindo que a vantagem comparativa guie quem faz o que, o livre comércio aumenta a produção global e eleva o padrão de vida. Sob o livre comércio, cada país se especializa em sua(s) área(s) de vantagem comparativa, e então, comercializa com os outros países para obter os bens e serviços que deseja consumir.
Não se engane com a vantagem absoluta. Como você viu no exemplo desta seção, Heather tem uma vantagem absoluta em tudo, mas tem uma vantagem comparativa apenas em arquivar patentes. Ter uma vantagem absoluta significa que você pode fazer algo a baixo custo, como os medidos pelas entradas (inputs) (por exemplo, Heather precisa de menos horas de trabalho que Adam para arquivar uma patente). Entretanto, o que importa na vida não são as entradas (inputs), mas as saídas (outputs) – as coisas que a pessoas realmente desejam consumir. Ao focar nos custos medindo-os em termos de tipos alternativos de produção os quais precisam ser cedidos para a produção de algo, a vantagem comparativa assegura que você estará focado na eficiência, naquilo que realmente importa: saída (output).
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Capítulo 5
A Frustração da Inflação:
Por que Mais Dinheiro
Nem Sempre é Uma
Coisa Boa
Neste Capítulo
X O risco de inflação por causa da impressão de muito dinheiro
X Medindo a inflação com indexador de preços
X Ajustando as taxas de juros para tomar a inflação em consideração
Inflação é a palavra que os economistas usam para descrever uma situação na qual o nível geral dos preços na economia está subindo. Isto não significa que todos os preços de todas as mercadorias estão aumentando – alguns poucos podem até mesmo estar caindo – porém, a tendência geral é ascendente. Normalmente, a tendência é que os preços aumentem apenas uma pequena porcentagem a cada ano, mas, as pessoas têm antipatia até mesmo por uma inflação moderada, porque, vamos ser honestos, quem gosta de pagar preços altos? A inflação moderada também causa problemas como dificultar o planejamento da aposentadoria. Afinal, se você não sabe o valor que as coisas custarão quando se aposentar, calcular com algum acerto quanto dinheiro você precisa poupar agora será difícil.
As coisas podem ir de mal a pior se a inflação realmente ficar fora de controle, e os preços subirem 20 ou 30 por cento ao mês – algo que tem acontecido em alguns países desde o século passado. Tais situações de hiperinflação geralmente acompanham um colapso econômico maior, caracterizado por altos níveis de desemprego e uma diminuição na produção de bens e serviços (para saber mais sobre preços e como eles afetam a economia, consulte o capítulo 6).
A boa notícia, contudo, é que os economistas sabem exatamente o que causa a inflação e precisamente como pará-la. O culpado é uma oferta
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de dinheiro que cresce muito rapidamente e a solução é torná-la mais lenta ou travar o aumento da oferta de dinheiro. Infelizmente, alguma pressão política é sempre exercida em prol da inflação, de maneira que simplesmente saber como preveni-la não significa necessariamente que ela não se desenvolverá.
Neste capítulo, vamos partilhar algumas coisas sobre dinheiro e inflação que você pode ainda não saber, inclusive por que os governos são sempre tentados a imprimir uma grande quantidade de dinheiro para cobrir os déficits orçamentais, por que fazer isso é na verdade uma forma de tributação, e por que sempre há um eleitorado encorajando o governo a seguir adiante e imprimir uma tonelada de dinheiro. Também mostraremos por que imprimir grandes quantidades de dinheiro causa inflação, como medir a inflação e como medir seus efeitos sobre as taxas de juros. A única coisa que não vamos dizer é como imprimir seu próprio dinheiro – este livro não é Falsificação para Leigos.
Comprando uma Inflação: Os Riscos
de Muito Dinheiro
Não podemos aferir o suficiente o quanto o dinheiro é importante para o funcionamento adequado da economia. Sem ele você gastaria muito de seu tempo trocando gêneros ou organizando trocas de um bem por outros – sabe, igualzinho ao jardim de infância (“eu troco com você minha maçã pelo seu bolo de chocolate”). O sistema de trocas só funciona bem em raras circunstâncias em que você recorre a alguém que tenha o que você quer e que quer o que você tem.
O dinheiro proporciona um intermediário entre as trocas, de forma que você ainda possa fazer uma troca com o garoto que está próximo de si, mesmo que não tenha uma maçã. O dinheiro pode ser qualquer mercadoria, objeto ou coisa, mas a característica que o define é que ele é aceito como pagamento para todos os outros bens e serviços (por isso as notas promissórias para pagar o portador sob demanda). Na economia de hoje, as pessoas pagam pelas coisas usando uma ampla variedade de dinheiro, inclusive moedas e numerários emitidos pelo governo, cheques sacados em bancos privados e pagamentos eletrônicos facilitados por cartões de credito e débito. Uma vez que afeta diretamente qualquer transação econômica que acontece, o dinheiro está no coração da macroeconomia , o estudo da economia como um todo.
Equilibrando oferta e procura de dinheiro
Como tudo na vida, equilíbrio é essencial. Se um governo imprime muito dinheiro, os preços sobem e temos inflação. Se um governo imprime pouco dinheiro, os preços baixam e temos uma deflação. Mas qual é a quantia certa? E por que imprimir muito ou pouco dinheiro causa inflação ou deflação?
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Surrando o escambo: Mostre-me o dinheiro!
Historicamente, as pessoas têm utilizado uma mofa como cevada e pode ser facilmente ampla variedade de coisas como dinheiro: carregado por aí, em seu bolso, ao contrário ✓ das enormes pedras com formato de ros-Conchas marinhas foram utilizadas
como moeda na China antiga, ao longo quinha. Moldar o dinheiro de metal em mo-de todo o Pacífico e até mesmo por edas, contudo, foi inventado mais tarde. Os nativos americanos. primeiros dinheiros de metal tinham outras
✓ formas, com os antigos Celtas preferindo Maços de cigarros foram utilizados como anéis de dinheiro; os antigos mesopotâmios moeda nos campos de prisioneiros de tinham carinho por longas fitas helicoidais guerra, durante a Segunda Guerra Mundial. de metal e os chineses utilizavam dinheiro Uma variedade de produtos agrícolas, ✓ de metal na forma de facas e espadas.
como cevada ou gado, foram utilizados
como moeda por muitas culturas. Independente da forma ou substância, qua-
✓ se todas as sociedades designaram um bem Enormes pedras em formato de rosquinha ou outro para servir como dinheiro. Caso
foram utilizadas na Ilha de Yap, no Pacífico. contrário, elas teriam que enfrentar uma
Por fim, a maior parte do mundo antigo com- troca direta – um fato que todos queriam preendeu que metal era o que produzia o evitar. Casos em que a moeda local caiu em melhor dinheiro. O metal não se desgasta descrédito tendem a envolver alguma moe-ou estilhaça como conchas marinhas, não da estrangeira bem conceituada.
Basicamente, o valor do dinheiro é determinado pela oferta e pela procura (que discutiremos detalhadamente no capítulo 8):
✓ O fornecimento de dinheiro está subordinado ao controle do governo
e este pode, muito facilmente, imprimir mais dinheiro sempre que
quiser.
✓ A procura por dinheiro provém de sua utilidade como meio de
pagamento e pelo fato de que com dinheiro você não precisa se
envolver em escambo.
Para um determinado suprimento de dinheiro, a oferta e procura interagem para fixar um valor para cada unidade monetária. Se o dinheiro está em pequena oferta, ele se torna valioso; dinheiro se traduz em poucas chances de evitar ter que se envolver em escambo. Mas se o governo aumentar tremendamente a oferta de dinheiro, então cada unidade individual de dinheiro perde valor porque juntar dinheiro suficiente para evitar a permuta é fácil.
CEIT O-CH A VE Os preços e o valor do dinheiro estão inversamente relacionados
ON significando que, quando o valor do dinheiro sobe, os preços baixam (e C vice-versa). Para ver como esta relação funciona, suponha que a oferta de
dinheiro seja pouca e, consequentemente, seu valor esteja elevado. Como
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ele está valorizado pode comprar muitas coisas. Por exemplo, imagine que $ 10 possam comprar 1000 gramas de café (ou seja, você obtém 10 gramas por 10 centavos). Mas se o dinheiro estiver muito disponível, então cada uma de suas unidades não será muito valiosa. Neste caso, digamos que $ 10 só podem comprar 100 gramas de café (ou seja, você obtém 1 grama por 10 centavos e tem que pagar $ 1 para ter suas dez gramas). Assim, quanto maior a oferta de dinheiro, mais elevados serão os preços.
A demanda por dinheiro tende a crescer lentamente ao longo do tempo, economias em desenvolvimento produzem mais coisas e os consumidores procuram por mais dinheiro com o qual possam comprar as coisas disponíveis. Dependendo de como o governo reage à demanda por dinheiro, três cenários são possíveis:
✓ Se o governo aumentar a oferta de dinheiro na mesma proporção do
crescimento da demanda, os preços não mudam. Em outras palavras,
se a oferta e procura por dinheiro crescerem em proporções iguais, o
valor relativo do dinheiro não muda.
✓ Se o governo aumentar a oferta de dinheiro mais rápido do que
cresce a demanda por ele, o resultado é inflação, porque o dinheiro
se torna relativamente mais abundante e cada fração dele passa a
ter, relativamente, um valor menor. Com cada fração de dinheiro
carregando um valor menos, você precisará de mais dele para suas
compras, acarretando aumento nos preços.
✓ Se o governo aumentar a oferta de dinheiro mais lentamente do que
cresce a demanda, o resultado é deflação, porque cada fração dele
passa a ter, relativamente, um valor maior. A compra de qualquer
bem ou serviço requer menos dinheiro.
ONCEIT O-CHA Você pode estar imaginando se existe alguma maneira de saber exatamente VE quanta inflação pode ser esperada, a partir da impressão de uma determinada C quantia de dinheiro extra. Você esta com sorte! A Teoria Quantitativa da Moeda
afirma que o nível global de preços na economia é proporcional a quantidade de dinheiro circulando nela. Proporcional significa apenas que as coisas sobem em quantidades iguais, assim, a teoria quantitativa pode ser apresentada dessa maneira: Se você dobrar a oferta de dinheiro, dobrará os preços.
Mas, por que qualquer governo iria querer causar inflação ou deflação qualquer que fosse o tamanho? Para a resposta desta pergunta, continue lendo!
Cedendo às tentações da inflação
A inflação de preços é normalmente explicada pela impressão de grandes quantidades de papel-moeda pelos governos ou devido à produção de grandes quantidades de moedas em metal barato, o que aumenta a oferta de dinheiro amplamente e torna cada fração deste, menos valiosa. Como os vendedores estipulam preços mais elevados para compensar o fato do dinheiro ter menos valor, acontece a inflação.
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Creso e Kublai Khán: Os reis do dinheiro
Historicamente, é atribuído ao rei Creso, da criar o primeiro papel-moeda, no século Lydia, o crédito por ter resolvido o proble- XIII. Esse papel-moeda era, na realidade, ma da falsificação do dinheiro de metal. No um tipo de certificado de metal precioso; sexto século A.C., Creso emitiu o primeiro as pessoas que possuíssem um desses certificado governamental de moedas que certificados poderiam ir a um cofre do garantia a pureza e o peso. A Lydia estava governo e trocá-los por ouro. Consequen-localizada onde é agora o oeste da Turquia, temente, os papéis eram tão bons quanto e rapidamente todas as nações comerciais ouro, mas um monte de papel era muito do Mediterrâneo estavam usando as no- mais fácil de carregar do que uma pesada vas moedas da Lydia por que elas eram de bolsa com moedas.
longe os mais confiáveis meios de troca O papel-moeda foi uma inovação tão radi-disponíveis. A nova cunhagem deu aos co-cal que quando Marco Polo voltou da Chi-merciantes de Lydia uma vantagem maior na e contou aos europeus a novidade, eles e o reino logo se tornou muito abastado, riram, incapazes de conceber qualquer ou-tanto que Creso era considerado o homem tra coisa que não fossem moedas de ouro mais rico do mundo – mais rico até do que ou prata servindo como dinheiro. A incre-o rei Midas (famoso pelo toque de Midas), dulidade deles foi difícil de ser superada, e cujo ouro Creso usou para cunhar moedas. depois que o papel-moeda caiu em desuso Mas moedas são pesadas para serem car- na China, levaria séculos antes que outro regadas em grandes quantidades, e ficou governo emitisse algum novamente. a cargo do imperador mongol Kublai Khán
Então por qual razão deste mundo os governos imprimiriam tanto dinheiro? Boa pergunta. Historicamente, os governos circulam mais dinheiro em três circunstâncias:
✓ Quando os governos não podem aumentar suficientemente a receita
fiscal para pagar suas obrigações
✓ Quando os governos sentem a pressão feita pelos devedores que
querem a inflação para poder restituir seus débitos usando dinheiro
com menor valor
✓ Quando os governos querem estimular a economia durante uma
recessão ou depressão
À medida que você for descobrindo mais sobre essas três razões para o aumento da oferta de dinheiro, tenha em mente o que leu na seção anterior: se a oferta de dinheiro aumentar mais rapidamente que a procura, o resultado é inflação. Consequentemente, não importa qual motivo um governo tenha para aumentar a oferta de dinheiro, ele correrá o risco de inflação. E, este fato é verdadeiro tanto para boas razões, como querer ajudar a economia a sair da recessão, quanto para as más razões, como ajudar devedores a restituir seus empréstimos usando dinheiro desvalorizado para isso.
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A Hiperinflação e Hitler
A mais vergonhosa hiperinflação da histó- Naquele ano, os alemães pagaram 200.000 ria golpeou a Alemanha na década de 1920, marcos por uma fatia de pão e dois milhões durante a economicamente incompetente de marcos por aproximadamente um quilo República de Weimar. Ela destruiu de tal de carne. Os preços subiam tão rapidamente forma a economia alemã que, mais tarde, o que os garçons nos restaurantes tinham que povo alemão colocou Adolf Hitler no poder, alterar, a lápis, os preços no cardápio, muitas porque ele prometeu consertar as coisas. vezes ao dia. E, se você comesse devagar,
manha enfrentou o fato de ter que saldar gar a conta. Em alguns lugares na Alemanha, débitos pesados gerados durante o conflito, as pessoas pararam de se dar ao trabalho além dos custos normais de administração de perder tempo contando dinheiro. Em vez No final da Primeira Guerra Mundial, a Ale- alterado, no mínimo duas vezes, antes de pa-provavelmente veria o preço da refeição ser
vam em sua própria moeda, o marco alemão. disso, elas amarravam cédulas de papel de um governo. Muitos desses débitos esta-
em enormes tijolos e pesavam os tijolos de
Em razão de o governo alemão ter direito dinheiro. Por exemplo, poderia ter custado exclusivo sobre a produção de marcos ale- dois quilos de dinheiro para comprar uma mães, seus débitos se tornaram uma forte galinha. Embora esta catástrofe seja uma tentação para começar a produzir dinheiro das mais famosas, provavelmente não foi para pagá-los. Rapidamente, todo o dinhei- a primeira (pode muito bem ter ocorrido na ro novo causou uma feroz hiperinflação. antiga Roma também), e certamente não foi Na verdade, a taxa de inflação em Viemar, o último caso. No Brasil, até pouco tempo, Alemanha, em 1922, era bem superior a 100 os principais jornais costumavam imprimir por cento ao mês – que quase atingiu 6.000 a taxa de indexação, para que as pessoas por cento perto do final do ano! pudessem calcular os preços naquele dia, de
Então, as coisas acordo com os preços do dia anterior e a taxa realmente ficaram fora de de inflação. A última década viu inflações em controle. Os preços subiram 1.300.000.000.000 outros lugares também, como por exemplo, vezes (isto não é erro de impressão!) em 1923. o Zimbábue.
Pagando contas imprimindo cédulas: Rumo à hiperinflação
Governos, quase sempre, têm débitos, e imprimir dinheiro extra é uma maneira muito tentadora de pagá-los. Muitas vezes, um governo pode querer gastar mais dinheiro do que recolhe com a arrecadação fiscal. Uma solução é pedir emprestada a diferença, mas outro modo seria simplesmente imprimir novas cédulas para cobri-la.
Até bem pouco tempo atrás, imprimir novas cédulas era difícil porque a maioria do papel-moeda do mundo era endossada por um metal precioso, como ouro. Sob esse sistema, cada porção de papel-moeda em circulação na economia era convertida em uma quantidade especifica de ouro, dessa maneira, qualquer um que tivesse dinheiro poderia trocá-lo por ouro quando desejasse. Por exemplo, nos Estados Unidos, você poderia ir até o Banco da Inglaterra com uma soma em dinheiro e trocá-lo por um montante preciso de ouro. Este chamado padrão ouro tornava difícil para o governo desvalorizar o dinheiro em circulação pela impressão de mais, porque primeiramente ele tinha que obter mais ouro para apoiar o novo
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dinheiro. Como adquirir ouro é caro, os governos efetivamente refreavam o aumento de suas ofertas de dinheiro.
Mas em 1971, a fim de pagar pelos custos enormes da Guerra do Vietnã, o Presidente Nixon tirou os Estados Unidos do sistema de padrão ouro e colocou os americanos no sistema fiat, no qual o papel-moeda não era endossado por coisa alguma. As pessoas simplesmente tinham que aceitar o dinheiro como se ele tivesse valor. De fato, fiat é o termo em Latim para “Assim seja!”. Portanto, quando você diz dinheiro fiat, está basicamente se referindo a como um governo cria dinheiro simplesmente ordenando sua existência . O problema com o sistema monetário fiat é que nada limita o número de pequenas porções de dinheiro que o governo pode imprimir para pagar seus débitos.
O problema com a impressão de dinheiro para pagar seus débitos e obrigações é que, tão logo o dinheiro circula, as pessoas o gastam, os preços aumentam e causam inflação. E se você imprime mais e mais dinheiro, terminará com as pessoas oferecendo aos comerciantes e produtores mais e mais dinheiro pela mesma quantidade de mercadorias. O resultado será como um leilão gigante onde todos estão dando lances para os itens, mantendo a oferta de mais e mais dinheiro para vencer a concorrência. Quanto mais dinheiro imprimir, menos valor terá a libra, euro, dólar, real ou o que quer que seja.
Se um governo adquire o hábito de rapidamente imprimir mais dinheiro para pagar suas contas, a inflação pode , na mesma velocidade, atingir ou até mesmo superar os 20 ou 30 por cento ao mês, uma situação chamada de hiperinflação. Os economistas odeiam hiperinflação porque ela perturba enormemente a vida quotidiana e estraga o clima de investimento.
DO REAL Primeiro, a hiperinflação faz com que as pessoas percam muito tempo tentando
UN evitar os efeitos das altas dos preços. Durante a hiperinflação de Weimar na M Alemanha (que discuto no quadro “Hiperinflação e Hitler”), os homens que
trabalhavam nas fábricas eram pagos duas, ou até três vezes ao dia, porque o dinheiro perdia seu valor muito rapidamente. Suas esposas esperavam as portas das fabricas para imediatamente usar o dinheiro nas lojas mais próximas, tentando gastar o pagamento antes que o dinheiro perdesse a maior parte de seu valor. Fazer compras pode ser divertido, mas não quando você está correndo desesperadamente contra um ultrajante aumento de preços!
A hiperinflação também destrói o incentivo a poupança, porque a única coisa sensata a fazer com o dinheiro durante uma hiperinflação é gastá-lo o mais rápido possível, antes que ele perca mais do seu valor. As pessoas cuja poupança de toda uma vida estava em marcos alemães durante a hiperinflação de Weimar, rapidamente descobriram que aquilo pelo que elas trabalharam arduamente para acumular havia se tornado inútil. E os indivíduos que pensavam em poupar para o futuro ficavam totalmente desencorajados porque sabiam que qualquer dinheiro economizado poderia perder todo seu valor rapidamente. Esse medo de poupar causava um problema maior aos negócios porque, se as pessoas não estão poupando, então não há dinheiro disponível para que as empresas possam tomar emprestado para fazer novos investimentos. E sem novos investimentos a economia não pode crescer.
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Sentindo a pressão para a impressão: A política da inflação
Mesmo que o governo não esteja tentando utilizar a inflação para evitar o aumento da arrecadação fiscal, a política de certos círculos eleitorais sempre irá pressioná-lo para circular mais dinheiro. Você mesmo pode até ser um membro desse grupo – eles são chamados de mutuários.
PLO Para entender a política da inflação, entenda que uma das funções do dinheiro
EX é funcionar como um EMpadrão de pagamento deferido. O que isto significa?
Imagine que você tomou emprestado $ 1.000,00 para investir em sua fazenda, comprometendo-se a devolver ao banco o valor de $ 1.200,00 no próximo ano. Nos últimos anos, os preços na economia se mantiveram estáveis, e particularmente os porcos que você cria foram vendidos por $ 100,00 cada. Essencialmente, seu empréstimo lhe permitiu tomar emprestado o equivalente a 10 porcos com a promessa de restituir 12 porcos no ano seguinte.
Mas, você tem uma ideia. Você pressiona seu congressista para que ele pressione o governo para imprimir mais dinheiro. Por conta de uma pressão coletiva, o Tesouro concorda e instrui a casa da moeda a imprimir muito dinheiro. Todo esse novo dinheiro provoca inflação, e posteriormente o preço do porco sobe para $ 200,00 cada. Agora, você só precisara vender seis porcos para restituir o empréstimo de $ 1.200,00, deixando-o com mais porcos, seu porco!
Aqueles que emprestam dinheiro, com certeza, se opõem aos desejos inflacionários dos mutuários. Se você fosse o banco, faria tudo ao seu alcance para parar a inflação. Se ela continuasse, não apenas seus lucros seriam arruinados, mas você também seria um completo perdedor. No primeiro ano, seu empréstimo de $ 1.000,00 equivaleria a dez porcos. Mas, depois da inflação, você recebe a restituição equivalente a seis porcos. Você teve uma perda de 40 por cento sobre o valor do seu empréstimo. Inflação demais e um financiador terminaria comprando gato por lebre.
Enquanto as economias utilizarem dinheiro, emprestadores e tomadores de empréstimos estarão sempre em direção contrária uns dos outros, ambos tentando manejar o governo.
Estimulando a economia com inflação
Uma razão muito mais legítima para estimular o governo a produzir mais dinheiro tem o respeitável nome de política monetária. Política monetária refere-se às decisões tomadas pelo governo sobre aumentar ou diminuir o suprimento de dinheiro, de modo a estimular ou desacelerar a economia.
Estudaremos a política monetária em detalhes no capítulo 7, mas a ideia básica é que se a economia estiver em recessão, o governo pode imprimir dinheiro novo e gastá-lo. Todos os bens e serviços comprados com esse dinheiro novo estimularão a economia imediatamente. Além disso, todas aquelas empresas que recebem dinheiro do governo podem agora gastá-lo por conta própria. E, qualquer pessoa que receber dinheiro deles, também vai sair e comprar coisas. De fato, isto pode, teoricamente, continuar para sempre e estimular uma gama de outras atividades econômicas – o suficiente para erguer uma economia de uma recessão.
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Inflação, fazendeiros zangados
e O Mágico de Oz
Na segunda metade do século XIX, os fazen- do cultural de luta política contra a inflação – deiros americanos do oeste recém-desbrava- embora muitas pessoas não percebam isso.
com os banqueiros do leste, como resultado Em 1964, um professor chamado Henry do, encontravam-se inteiramente em débito
da revolução tecnológica, nessa ocasião, vilhoso Mágico de Oz Littlefield especulou que o livro O Mara-
nicas, máquinas de debulhar e outros equi- fazendeiros ao padrão ouro. Dorothy é uma pamentos agrícolas grandes e caros aumen-jovem fazendeira do Kansas que represen-taram tremendamente a produtividade e a ta a população rural dos Estados Unidos, o varrendo a agricultura. Colheitadeiras mecâ- político para dar suporte à oposição dos fosse um trabalho
a queda dos preços dos produtos agrícolas. Homem de Lata representa os trabalhado-venda, porém, o aumento da oferta significou
res das cidades, o Leão Covarde é William
Os agricultores estavam amarrados, por- Jennings Bryant, a quem o autor tratou que embora estivessem recebendo menos como um líder que não era forte o suficien-por suas colheitas, precisavam manter os te e o Espantalho representava os agricul-altos pagamentos dos empréstimos feitos tores americanos. Os quatro viajam para para comprar todo aquele novo equipa- o leste pela estrada de tijolos amarelos – mento das fazendas. A maioria dos agricul- uma estrada feita de ouro – para verem o tores concordou com a solução de apoiar Mágico de Oz, que representa os perver-candidatos políticos que fossem a favor de sos banqueiros do leste, que manipulam a mudar os Estados Unidos de um sistema economia puxando cordas e alavancas por padrão ouro para um sistema padrão bi- trás de uma cortina. Seu destino, Oz, é ape--metal, ou ouro e prata. Em meio a esses nas a abreviação da palavra inglesa ounce candidatos estava o senador de Nebraska (onça), como em onças de ouro.
e duas vezes candidato democrata à presi- Depois que Dorothy e seus companheiros ex-dência chamado William Jennings Bryant. põem o Mágico e o padrão ouro como frau-Ele defendeu vigorosamente que o papel-de, tudo se acerta no mundo. O Espantalho é -moeda americano fosse endossado com inteligente, o Leão recupera sua coragem e o ambos, prata e ouro, porque o governo Homem de Lata não precisa mais se preocu-poderia então produzir mais moeda do que par com a ferrugem (isto é, estar desempre-se o dinheiro fosse apenas garantido pelo gado) nunca mais. E no livro, Dorothy volta ouro. Embora não tenha dito diretamente, o para casa graças a seus chinelos de prata. que ele desejava era uma grande inflação. Segundo Littlefield, a adaptação para o cine-Esta luta política gerou a competição entre ma usou chinelos rubis porque eles pareciam fazendeiros do oeste contra banqueiros do melhor nas telas – uma decisão que pode ter leste. Os banqueiros do leste, afinal, ganha- levado os americanos a esquecerem de que ram e os Estados Unidos permaneceram a história tinha a intenção de ser muito mais com apenas o padrão ouro. Entretanto, os do que um livro infantil. americanos ainda possuem um grande lega-
Se esse resultado soa muito bom para ser verdade, é por que ele é. E o motivo é a inflação. Quando as pessoas começam a gastar todo aquele dinheiro novo, isto faz com que os preços subam. Eventualmente, o único efeito das boas intenções do governo será que os preços subirão e
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mercadorias adicionais não serão vendidas. Por exemplo, se o governo dobrar a oferta de dinheiro, as empresas dobrarão os preços cobrados porque cada fração do dinheiro passa a valer metade do que valia antes. Consequentemente, a quantidade total de bens e serviços vendidos será a mesma porque, embora exista duas vezes mais dinheiro sendo gasto, os preços também estarão duas vezes mais altos.
A triste conclusão é que um aumento no fornecimento de dinheiro estimula a economia apenas quando é uma surpresa.
Se o governo puder imprimir dinheiro e começar a gastá-lo antes que as pessoas possam aumentar os preços, obtém-se um aumento na quantidade de bens e serviços vendidos. Eventualmente, com certeza, as pessoas calculam e aumentam os preços, mas até que façam isso, o estímulo monetário funciona.
Infelizmente, é difícil enganar as pessoas continuamente. Você pode surpreendê-las uma vez, mas é muito difícil uma segunda, e muito mais difícil a terceira. Na realidade, se o governo continuar tentando surpreender as pessoas, elas começarão a antecipar seus atos e aumentarão os preços mesmo antes que mais dinheiro seja impresso. Consequentemente, muitos governos modernos decidiram contra a utilização deste tipo de estímulo monetário, e agora se esforçam ao máximo para chegar a inflação zero ou uma inflação muito baixa.
Calculando os efeitos da inflação
Recentemente, os preços têm subido ligeiramente no Reino Unido por ano (por volta de 2.5 por cento anualmente, embora esse número tenha sido bem mais alto no passado). Entretanto, mesmo a inflação moderada causa problemas, ao reduzir os benefícios práticos do uso do dinheiro em vez de escambo. Você pode ter uma ideia melhor deste fato, observando as quatro funções que os economistas geralmente atribuem ao dinheiro e as maneiras pelas quais a inflação esmaga cada uma delas:
✓ Dinheiro é uma provisão de valor. Se você vender uma vaca
hoje por uma moeda de ouro, você deveria ser capaz de voltar e
negociar aquela mesma moeda de ouro por uma vaca, amanhã ou
na próxima semana ou no próximo mês. Quando o dinheiro mantém
seu valor, você pode retê-lo ao invés de reter vacas, ou bens imóveis
ou qualquer outro ativo.
A inflação enfraquece o uso do dinheiro como uma provisão de valor
porque cada unidade de moeda vale cada vez menos com o passar
do tempo.
✓ Dinheiro é uma unidade de cálculo. Quando o dinheiro é
amplamente aceito em uma economia, ele frequentemente torna-se
uma unidade de cálculo na qual as pessoas escrevem contratos. As
pessoas escrevem frases como “$ 50 o valor da madeira serrada” em
vez de dizer “50 o metro quadrado de madeira serrada”.
Esta prática faz sentido se o dinheiro mantém este valor ao longo do
tempo, mas em presença da inflação, utilizar dinheiro como uma
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unidade de cálculo cria problemas porque o valor do dinheiro declina.