Economia Para Leigos

Sean Masaki Flynn e Peter Antonioni · Capítulo 2 de 3 · parte 15/18

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Economia Para Leigos

Capítulo 2

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.

Teoria dos jogos é um campo da matemática que estuda como as pessoas se comportam em situações estratégicas — situações nas quais suas ações, ou a antecipação de suas ações, são levadas em consideração por outras pessoas que, então, modificam suas próprias ações com base nas suas. Se você assistiu ao filme Uma Mente Brilhante, viu alguns desses modelos sendo usados.

Por exemplo, xadrez e damas são situações estratégicas, porque o que você faz em seu movimento atual muda o que seu oponente fará no movimento subsequente dele. E, mais importante, o que você pensa que seu oponente fará em resposta a cada um dos seus movimentos exatamente agora, o ajudará a escolher a melhor coisa a ser feita. Ou seja, você leva em consideração como ele reagirá em cada possível ação antes que decida qual a melhor coisa a fazer.

Os cartéis também são situações estratégicas, porque cada empresa precisa levar em consideração o que acha que as outras empresas farão antes de decidir o que ela própria deve fazer. Consequentemente, modelos de teoria dos jogos são o melhor modo para se entender as motivações e tentações que dirigem o comportamento dos membros dos cartéis.

Para simplificar, vamos examinar um duopólio, um setor no qual existem apenas duas empresas. Elas têm a oportunidade de formar um cartel, agir como um monopólio agiria, e gerar o lucro de um monopólio que poderia depois ser repartido. Mas, elas agirão desta maneira? Tudo depende se uma empresa (ou ambas) irá quebrar o acordo do cartel.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 296 04/05/2012 18:05:22 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 297

A melhor maneira de entender as tentações que rondam cada uma das empresas é primeiro estudar o Dilema do Prisioneiro, um jogo em que dois parceiros de crimes precisam decidir, individualmente, se rompem ou não o acordo previamente feito entre eles, de que cada um manteria silêncio sobre suas atividades ilícitas caso a policia os capturasse.

 

Desvendando o Dilema do Prisioneiro

PLO Imagine que dois criminosos chamados Jesse e James acabaram de

EX roubar um banco. A polícia sabe que foram os dois, mas não tem qualquer EM

evidência forte contra eles. De fato, a única maneira de obter uma condenação é conseguir que um ou ambos os ladrões confessem o crime e forneçam evidências contra o outro.

Felizmente para a polícia, eles ainda têm alguma vantagem porque conseguiram pegar Jesse e James cometendo outros crimes menores, não relacionados. Por esses outros crimes, eles teriam uma sentença de um ano de cadeia. A polícia espera conseguir usar essa pena de um ano de prisão para negociar com eles, e conseguir que um ou ambos os ladrões do banco acuse o parceiro em troca de imunidade da acusação.

Jesse e James juraram entre si, muitos dias antes, que jamais denunciariam um ao outro, mas vamos ver o que acontece quando seus interesses são confrontados.

Comparando os benefícios de confessar e o

de permanecer em silêncio

Seguindo o procedimento padrão, a policia separa Jesse e James, interrogando-os em salas separadas, o que evita que os ladrões se comuniquem entre si, reduz a possibilidade de eles renovarem seus comprometimentos e os impede de ter qualquer ideia sobre qual será o próximo movimento do outro. A polícia oferece a cada um a chance de dar provas contra o parceiro em troca de imunidade.

O problema para cada homem é que o que acontece com ele depende não apenas de si, mas daquilo que seu parceiro também fará. Cada homem pode negociar uma confissão por imunidade, mas ele só conseguirá esse acordo se seu parceiro, na outra sala de interrogatório nesse mesmo tempo, não confessar.

Quatro resultados são possíveis:

✓ Se cada homem mantiver seu pacto de não falar e nem confessar o

roubo ao banco, cada um irá para a cadeia por um ano apenas, pelos

crimes mais leves.

✓ Se Jesse confessar e concordar em dar provas contra James,

enquanto James permanece calado, Jesse ficará livre porque

cooperou com a polícia, mas James pegará dez anos de prisão por

assalto a banco.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 297 04/05/2012 18:05:22 298 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

✓ Se James der provas, enquanto Jesse permanece calado, James ficará

livre e Jesse irá para a prisão por dez anos.

✓ Se ambos os homens admitirem o crime, ambos pegarão cinco

anos de prisão. Por que cinco anos cada? Se ambos confessarem,

a polícia não precisa fazer um acordo generoso; eles não precisam

dar imunidade a qualquer dos homens para conseguir provas contra

o outro. Por outro lado, a polícia quer dar a cada criminoso um

incentivo para confessar, assim eles mandam cada homem para a

prisão por apenas cinco anos em vez de dez anos que um deles teria

se permanecesse calado enquanto seu parceiro fornecesse provas.

Colocando as recompensas em uma matriz

para uma fácil comparação

A Figura 13-1 contém uma matriz de compensação. Ela ilustra os resultados em termos de tempo de prisão que cada ladrão de banco receberia, dependendo da decisão que cada homem tomasse, sobre se deveria ou não manter silêncio ou confessar.

Escolhas de Jesse

Confessar Permanecer em Silêncio

Jesse pega 5 Jesse pega 0

anos de prisão anos de prisão

Confessar

James pega 5 James pega 0

Figura 13-1: anos de prisão anos de prisão A matriz de

compensação Escolhas de James

do tempo Jesse pega 0 Jesse pega 1 de prisão anos de prisão ano de prisão Permanecer em

enfrentado Silêncio James pega 10 Ronnie gets

por Jesse e anos de prisão 1 year

James.

 

As colunas mostram as opções de Jesse, Confessar ou Permanecer em Silêncio. As linhas dão cada qual as opções de James, que são as mesmas. Cada um dos quatro retângulos na grade mostram o tempo de prisão que resulta das quatro possíveis combinações das decisões individuais de cada um sobre se deveriam ou não confessar.

Por exemplo, o retângulo superior à esquerda representa o que acontece se ambos confessarem. Ele esta dividido diagonalmente ao meio, com o resultado de cinco anos de prisão para Jesse, no triângulo sombreado superior, e o resultado de cinco anos de prisão para James dado no triângulo inferior. Da mesma forma, o retângulo superior direito mostra os resultados de ambos se Jesse permanecer em silêncio enquanto James confessar. Jesse pega dez anos de prisão e James pega zero anos, porque ele deu provas contra Jesse.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 298 04/05/2012 18:05:23 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 299

Determinando a estratégia dominante de cada prisioneiro

O Dilema do Prisioneiro é famoso por que o modo como a polícia estabelece os resultados potenciais significa que cada criminoso tem um incentivo para confessar — independente do que o outro faça.

Por exemplo, concentre-se em James. Ele deveria confessar ou permanecer em silêncio? Bem, primeiro examine qual é a melhor opção para ele se seu parceiro na outra sala de interrogatório confessar. Observando a coluna esquerda do resultado, você pode ver no retângulo superior esquerdo que se James confessar enquanto Jesse confessa, James pega cinco anos. Por outro lado, o retângulo inferior esquerdo diz que se James permanecer em silencio enquanto Jesse confessa, James pega dez anos.

Claramente, a melhor coisa para James fazer se Jesse confessar é confessar também. Mas, vamos considerar se é melhor para James confessar ou permanecer calado, enquanto que Jesse permanece em silêncio na outra sala de interrogatório. Começando com o retângulo superior direito, que mostra que se James confessar enquanto Jesse fica em silêncio, James pegará zero anos de cadeia. Ao contrário, o retângulo inferior direito diz que se James ficar calado enquanto Jesse também fica calado, James pegará um ano de prisão. Está claro, se Jesse permanecer em silêncio, a melhor coisa para James fazer é confessar e obter zero anos de prisão em vez de um ano.

Em outras palavras, é sempre melhor para James confessar. Se James confessa enquanto Jesse confessa, James pega cinco anos em vez de dez. E se James confessa enquanto Jesse permanece em silêncio, James pega zero anos em vez de um. Assim, James deve sempre confessar, não importa o que Jesse está dizendo ou não para o policial na outra sala.

Porque os resultados da confissão são sempre melhores para James do que os resultados de não confissão, o confessar é chamado pelos teóricos do jogo como sendo a estratégia dominante de James, ou seja, a estratégia superior.

Se observar o resultado pela perspectiva de Jesse, você descobrirá que confessar também é a estratégia dominante para Jesse, porque não importa o que James está fazendo, os resultados para Jesse, se ele confessar, são sempre melhores do que permanecer em silencio.

Confessar é, assim, a estratégia dominante para ambos os jogadores, o que significa que você deve esperar que ambos, separadamente, confessem. Se fizerem isto, eles terminam no canto superior esquerdo da caixa de matriz de compensação, onde ambos pegam cinco anos de prisão cada.

 

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Percebendo que a estratégia dominante conduz ambos os

jogadores a um resultado ruim

A polícia, certamente, quer que cada criminoso confesse separadamente e que cada um vá para a prisão por cinco anos, que é a razão de se manter os prisioneiros separados e estabelecer as compensações da maneira que fazem.

Jesse e James prometeram anteriormente um ao outro não falar para a polícia, mas o fato de as recompensas estarem estruturadas de modo que confessar é a estratégia dominante, coloca-os em um dilema. Ou cada homem mantém sua promessa e arrisca um tempo enorme na prisão caso seu parceiro confesse, ou quebra sua promessa, num esforço de reduzir seu próprio tempo de prisão. Esta difícil escolha é a razão dessa situação ser conhecida como o Dilema do Prisioneiro.

Normalmente, ambos permanecem com sua estratégia dominante e confessam. Mas, porque ambos separadamente decidiram confessar, cada um acaba recebendo uma pena de cinco anos de prisão — um resultado muito pior do que se eles tivessem mantido sua promessa de permanecer em silêncio. Se eles tivessem mantido sua promessa, cada um deles receberia uma pena de um ano. Contudo, a lógica da estratégia dominante é tão atraente que cada um deles quebra o acordo e acaba indo para a prisão por cinco anos em vez de apenas um.

Como mostraremos posteriormente neste capítulo (veja a seção “Aplicando o Dilema do Prisioneiro aos Cartéis”), os membros do cartel também enfrentam o Dilema do Prisioneiro, porque eles devem decidir se obedecem ao acordo do cartel (para reduzir a produção ao nível de monopólio) ou se desobedecem e produzem a mais. Conforme mostraremos, a tentação dos membros do cartel de produzir a mais e quebrar seu acordo de produção com o cartel é tão forte quanto a tentação dos prisioneiros de confessarem e quebrarem seu acordo de não colaborar com a policia.

 

Usando o pacto de silêncio (Omertà)

para resolver o Dilema do Prisioneiro

Então, como você contorna esse problema? O crime organizado encontrou uma resposta, que é criar uma estrutura para fortalecer as barganhas feitas pelos cartéis de uma forma eficiente, para não dizer sanguinária.

O sistema é chamado de omertà, que significa “silêncio” em Siciliano. Basicamente, o que a máfia faz é mudar os resultados do Dilema do Prisioneiro, de modo que a estratégia dominante muda de confessar para permanecer em silêncio. A máfia fazia isto explicando aos seus membros criminosos que se alguém falasse com a polícia ou confessasse qualquer coisa ou acusasse alguém, essa pessoa morreria.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 300 04/05/2012 18:05:23 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 301

Esta ameaça reorganiza totalmente os resultados do Dilema do Prisioneiro. Em vez de apenas comparar o tempo de prisão, como na Figura 13-1, os prisioneiros têm que considerar agora o elemento morte, como na Figura 13-2. Se você olhar atentamente para a Figura 13-2, descobrirá que a estratégia dominante para ambos os jogadores passou a ser permanecer em silêncio, porque se algum deles falar, a máfia irá caçá-lo e matá-lo, não importa o que o outro rapaz faça. O resultado é que ambos, Jesse e James, irão para a cadeia por apenas um ano cada, porque ambos irão manter suas bocas fechadas.

Escolhas de Jesse

Confessar Permanecer em Silêncio

Jesse morre Jesse pega 10

anos de prisão

Figura 13-2: Confessar

James morre James morre

A estratégia

dominante

do Dilema do Escolhas de James

 

mudou quando anos de prisão Permanecer em SIlêncio a morte Prisioneiro Jesse morre Jesse pega 10

resultado para tornou-se o James pega 10 James pega 1 anos de prisão ano de prisão

a confissão.

 

Paradoxalmente, a ameaça de morte beneficia os dois criminosos. Muito embora a ameaça seja assustadora tanto para ambos, ela realmente atende aos interesses individuais de cada um, porque significa que eles irão para a cadeia por apenas um ano em vez de cinco. Se você pretende se tornar um criminoso, é melhor fazer parte de uma organização criminosa que tem poder o bastante de intimidá-lo e impedi-lo de revelar os acordos feitos com seus colegas criminosos.

Esta ideia de um mandante forte é crucial. Você verá nas seções seguintes que uma maneira de conseguir que um grupo de empresas crie adesão a um acordo de cartel, é se o cartel estabelecer uma forte ameaça contra aqueles que quebram o acordo, do mesmo modo que a máfia ameaçava matar qualquer um que quebrasse seu pacto de silêncio de nunca falar com a polícia.

Incidentalmente, o sistema omertà não é eficiente apenas por ser um mecanismo de reforço externo, mas também – e mais importante – por causa de seu efeito nos incentivos individuais. Repare no exemplo acima de que o incentivo que acompanha o tipo de punição é que ambos os homens sairão muito mais rapidamente da cadeia (e provavelmente passarão aquele ano encarcerado aperfeiçoando seu molho marinara junto com os colegas da máfia.) De fato, o efeito nos incentivos individuais pode fazer com que sindicatos criminosos se ergam ou caiam.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 301 04/05/2012 18:05:23 302 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

 

Aplicando o Dilema do

 

Prisioneiro aos Cartéis

PLO Para ver como o Dilema do Prisioneiro se aplica aos cartéis, imagine

EX um setor de duopólio — um setor onde existem apenas duas empresas. EM

Suponha que o setor em questão seja o mercado de lanchonetes em uma pequena cidade chamada South Park e as duas únicas lanchonetes sejam Cheezy Poofs, Ltd. e Snacky Smores, Inc.

As empresas podem competir uma contra a outra de forma agressiva ou restringir a oferta para manter os preços altos e obter altos lucros monopolistas. Para simplificar, imagine que os gerentes de ambas as empresas reflitam sobre sua situação em termos de dois preços que poderiam cobrar, $ 3,00 ou $ 2,00 por saco.

A Figura 13-3 mostra uma matriz de compensação para ambas as empresas, dependendo das escolhas que cada uma faz sobre que preços cobrar. As compensações são dadas em termos do lucro diário das empresas, com as compensações da Snacky Smores dadas nas áreas sombreadas.

Escolhas de Snacky Smores

Cobra $3 Cobra $2

Figura 13-3:

O lucro de $1,000 por dia para £2,000 por dia para

cada empresa Cheezy Proofs Snacky Smores

não depende Cobra $3

apenas de $1,000 por dia para £500 por dia para

sua própria Cheezy Proofs Snacky Smores

decisão de Escolhas de

preço, mas Cheezy Proofs

também £500 por dia para £800 por dia para

da decisão Cheezy Proofs Snacky Smores

 

pela outra £2,000 por dia para £800 por dia para Cheezy Proofs tomada Cobra $2

empresa. Snacky Smores

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 302 04/05/2012 18:05:24 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 303

Por exemplo, no canto superior esquerdo do retângulo, onde ambas as empresas cobram $ 3,00 por saco, as duas obtém um lucro diário de $ 1.000,00. Em contraste, se ambas cobrassem $ 2,00 por saco, o lucro individual diário cairia para apenas $ 800,00, como você pode ver no retângulo inferior à direita.

Certamente, se estas duas empresas entrassem em conluio e cobrassem $ 3,00 em vez de $ 2,00 por saco, elas poderiam aumentar seus lucros em $ 200,00 ao dia. A junção dos lucros do monopólio que eles podem obter é de $ 400,00 total ao dia ($ 200,00 cada). O problema delas é formar, efetivamente, um cartel que irá proporcionar-lhes os lucros do monopólio.

Tal cartel seria difícil de ser mantido porque haverá sempre a tentação de trapacear. Por exemplo, os outros dois retângulos (o superior à direita e o inferior à esquerda) mostram o que acontece se uma das empresas cobrar $ 3,00 enquanto a outra cobra apenas $ 2,00. A empresa cobrando $ 2,00 rouba os negócios da empresa de $ 3,00 e obtém um lucro muito maior. Decerto a empresa cobrando $ 2,00 por dia lucra $ 2.000,00 por dia, enquanto que a empresa cobrando $ 3,00 obtém um lucro de apenas $ 500,00, porque está perdendo negócios para seu concorrente cujo preço é mais barato.

Se você observar os incentivos de cada empresa, notará que a estratégia dominante para cada uma delas é cobrar o menor preço, $ 2,00 por saco. Para comprovar, observe os resultados da Cheezy Poofs. Se a Snacky Smores cobrar $ 3,00 por saco, a melhor coisa para a Cheezy Poofs fazer é cobrar $ 2,00 por saco. Você pode ver isso comparando os resultados da Cheezy Poofs de $ 1.000,00 por dia em lucros no retângulo superior esquerdo com seus resultados de $ 2.000,00 por dia no retângulo inferior esquerdo.

Do mesmo modo, se você observar os retângulos superior direito e inferior direito, verá que a melhor coisa para a Cheezy Poofs fazer, se a Snacky Smores cobrar $ 2,00 por saco, é cobrar o mesmo valoro. Isto porque o lucro da Cheezy Poofs será de $ 500,00 por dia se ela cobrar $ 3,00 por saco, e de $ 800,00 por dia se ela também cobrar $ 2,00 por saco.

O que tudo isto significa para a Cheezy Poofs é que não importa o que a Snacky Smores decida cobrar, sempre será melhor para a Cheezy Poofs cobrar apenas $ 2,00 por saco.

Se você observar novamente os retângulos, notará que, cobrar $ 2,00 por saco também é a estratégia dominante da Snacky Smores, não importa o quanto a Cheezy Poofs cobre. O resultado é que ambas as empresas sempre decidirão cobrar $ 2,00 por saco — e perderão suas chances de unir forças, reduzir a produção, aumentar preços e obter lucros de monopólio.

Se ambas as empresas pudessem, de alguma forma, calcular um modo de realmente vender a $ 3,00 por saco, elas poderiam terminar no retângulo superior esquerdo, e lucrar, cada uma, $ 1.000,00 ao dia. Mas sem uma maneira de confiar, cada uma delas seguirá suas estratégias dominantes: cobrar $ 2,00 por saco e terminar no retângulo inferior direito, lucrando apenas $ 800,00 por dia. Recusando-se a trabalharem juntas, ambas deixam de obter um lucro diário de $ 200,00.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 303 04/05/2012 18:05:24 304 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

 

ON Park, que preferem muito mais pagar $ 2,00 por seus lanches preferidos. C Assim, tenha em mente que a estratégia dominante de cobrar o preço mais CEIT O-CH A VE Com certeza esta situação é muito boa para os consumidores de South

baixo trabalha em benefício dos consumidores e da sociedade como um todo. Por esta razão, a sociedade frequentemente não tem a incômoda tarefa de regulamentar os setores de oligopólio. Graças ao Dilema do Prisioneiro, os cartéis muito frequentemente não aumentam seus preços.

 

Percebendo que a OPEC está aprisionada

no Dilema do Prisioneiro

A versão básica do Dilema do Prisioneiro que mostramos nas seções anteriores foi estabelecida para apenas duas pessoas ou duas empresas. Porem, os matemáticos desenvolveram versões mais avançadas do Dilema do Prisioneiro que podem ser utilizadas para analisar o comportamento de um grande número de participantes. Estes modelos são inestimáveis para a compreensão dos setores de oligopólio com várias empresas, e os incentivos enfrentados por elas em tais setores quando tentam formar cartéis. A conclusão básica desses modelos de multiempresas é que a estratégia dominante geralmente é não cumprir os acordos do cartel.

Este resultado segue um longo caminho em direção a explicação do motivo pelo qual o cartel de petróleo da OPEC passa por momentos difíceis quando tenta atingir suas metas de aumentar os preços do petróleo ao reduzir sua produção. Colocado de forma simples, trair os acordos do cartel da OPEC é a estratégia dominante dos países membros.

Para ver como isso funciona você tem que primeiro compreender que a OPEC tem reuniões onde se decide o quanto do total de petróleo deve ser produzido, e qual fração da produção geral será feita por cada país. Nas reuniões, cada país recebe uma cota — a quantia máxima que se estima que ele produza. Por exemplo, a Arábia Saudita pode receber uma cota de dez milhões de barris por dia, enquanto que a Venezuela pode receber uma cota de um milhão de barris por dia.

O problema começa depois das reuniões, quando todos os ministros do petróleo vão para casa. Cada nação percebe que produzir mais do que sua cota é a melhor estratégia, não importa o que o outro país faça. Por exemplo, para a Venezuela é melhor produzir mais do que sua cota de um milhão de barris ao dia, não importa o que os outros países façam.

✓ Se os outros países cumprirem suas cotas, a Venezuela está em melhor

condição de produzir acima de sua cota, porque ela pode vender

enormes quantidades de petróleo a um alto preço. O alto preço é

causado pelo fato de que os outros países estão cumprindo suas cotas.

✓ Se os outros países quebrarem suas cotas e produzirem

demasiadamente, o preço do petróleo será baixo, o que significa que

a Venezuela deve também produzir além do que determina sua cota.

Não há razão para obedecer a cota se os preços são baixos devido à

quebra da fidelidade de todos os outros.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 304 04/05/2012 18:05:24 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 305

Uma vez que cada país está diante das mesmas tentações de produzir acima de sua cota, o cartel da OPEC normalmente não funciona muito bem. Produzir a mais é uma estratégia dominante e é simplesmente muito tentadora para resistir dadas as recompensas.

 

Usando um fiscal para ajudar os membros

da OPEC a aderir às cotas

Na seção anterior “Usando o pacto de silêncio (omertà) para resolver o Dilema do Prisioneiro”, explicamos como a máfia utiliza a morte para ameaçar seus membros, de tal maneira que estes nunca delatem à polícia. A ameaça de morte altera tanto as recompensas, que a estratégia dominante no Dilema do Prisioneiro muda de confessar para permanecer em silêncio.

De forma semelhante, a OPEC também poderia se beneficiar se, de algum modo, pudesse ameaçar os seus membros caso violassem suas cotas. Como os países membros são nações soberanas, ameaças de morte não são uma opção. Em vez disso, a Arábia Saudita tem, por vezes, tentado oferecer uma ameaça econômica contra os violadores de cotas.

A ameaça econômica vem sob a forma de super baixas dos preços de petróleo. A Arábia Saudita está na melhor posição de fazer uma ameaça como esta por duas razões:

✓ Ela é a maior produtora mundial de petróleo. A Arábia Saudita

produz em torno de 25 por cento de todo o petróleo do mundo.

✓ Ela tem o menor custo de produção de petróleo do mundo.

A Arábia Saudita pode produzir com lucro mesmo se o preço do

petróleo cair para 3 dólares por barril. No momento de produção

deste livro, outros países precisavam no mínimo de um valor de 10

dólares por barril para empatar.

Estes dois fatos significam que, se os outros países desrespeitarem suas cotas, a Arábia Saudita pode, potencialmente, aumentar sua produção de modo que que o preço do petróleo cairia muito. Por exemplo, suponha que o preço caia para 3 dólares por barril. A Arábia Saudita seria o único país membro da OPEC que conseguiria obter lucro com este preço. Todos os demais membros estariam perdendo muito dinheiro.

Como resultado, ela parece estar em posição de ameaçar os demais membros da OPEC com a falência se eles violarem suas cotas. Infelizmente, as ameaças não funcionam muito bem no mundo real.

O problema é que a Arábia Saudita tem limitações na capacidade de bombeamento. Embora ela seja capaz de produzir um extra de 10 ou 20 por cento a mais de petróleo por dia do que normalmente produz, este aumento não é suficiente para levar a uma queda no preço para 3 dólares por barril, e assim falir os demais países membros da OPEC.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 305 04/05/2012 18:05:24 306 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Como resultado, a Arábia Saudita não é nem de perto uma ameaça forte o suficiente para mudar a estratégia dominante da quebra do limite das cotas. E, porque a OPEC não descobriu um modo de ameaçar com eficiência os que violam as cotas, o cartel não funciona muito bem.

 

Regulando Oligopólios

Nas seções anteriores, explicamos por que o Dilema do Prisioneiro significa que as empresas em muitos setores de oligopólio têm uma tarefa difícil quando tentam formar cartéis eficientes. Em alguns setores, entretanto, os cartéis são eficazes para reduzir a produção e aumentar os preços. Normalmente, estes são setores onde uma empresa é grande e poderosa o suficiente para verdadeiramente ameaçar as outras com falência.

 

Lidando com empresas dominantes

DO REAL Na história dos Estados Unidos, a Standard Oil Company, administrada por

UN John D. Rockefeller, dominou durante o século XIX o setor oligopolista. Ela M controlava algo em torno de 90 por cento do petróleo vendido nos Estados

Unidos e, se um concorrente não fizesse o que Rockefeller queria, ele simplesmente levava o concorrente a falência, ao oferecer o petróleo a um preço ridiculamente tão baixo, que o concorrente não poderia competir.

Rockefeller perderia dinheiro temporariamente enquanto tomava esta atitude, mas após a falência do concorrente, nenhum outro competidor ousava desobedecer. Desse modo, ele era capaz de convencer as empresas restantes a ajudá-lo a restringir a produção e aumentar os lucros. De fato, como a Standard Oil exercia tamanho controle, seu setor estava muito mais para um monopólio do que um oligopólio.

A eficácia de Rockefeller, entretanto, logo trouxe uma resposta governamental. A Standard Oil foi divida em dezenas de companhias de petróleo, pequenas e independentes. Nenhuma delas era grande ou poderosa o suficiente para dominar seu setor e obrigar as demais ao conluio, como fez a Standard Oil.

 

Aplicando as leis antitruste

No século XIX os cartéis eram chamados de trusts — por exemplo, cartel do açúcar ( sugar trust), o cartel do aço (steel trust) ou o cartel das ferrovias (railroad trust), e assim por diante. Por consequência, as leis que dividiram os monopólios e os cartéis foram chamadas de leis antitruste. Uma abordagem ligeiramente diferente ocorre na União Europeia onde as penalidades incluem a cobrança de multas (até 10 por cento da receita global para os casos mais extremos). Casos recentes incluem multas significativas para os cartéis de suprimento de vitaminas pela indústria farmacêutica e punições por mau comportamento na FA Premier League.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 306 04/05/2012 18:05:24 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 307

O Ato de Competição e os Artigos 81 e 82 do Tratado Da União Europeia governam essa área.

Um grande problema com as leis antitruste é decidir quando regulamentar um oligopólio ou fragmentá-lo para promover a concorrência. O primeiro sinal de que existe um cartel em potencial é, com certeza, quando você observa apenas umas poucas empresas em um determinado setor. Mas por causa do Dilema do Prisioneiro, em alguns casos nem mesmo um setor com apenas duas empresas será capaz de formar eficientemente um cartel. Consequentemente, os promotores de justiça precisam de mais evidências do que apenas mostrar que não existem muitas empresas em um setor.

Tipicamente, é necessário haver prova concreta de conluio. Em outras palavras, se um dia todas as empresas em um oligopólio decidirem, sem coordenação, cortar a sua produção pela metade e, desse modo, aumentar os preços, isto pode não ser ilegal. Mas, se um e-mail de um gerente de uma empresa para o gerente de outra empresa for encontrado dizendo que as empresas devem ingressar em um cartel, isto é ilegal, e suficiente para um promotor iniciar um processo.

REAL Uma tática específica e altamente eficiente que é usada em todo o mundo

UNDO é dar imunidade durante uma investigação judicial para a primeira empresa M que confessar fazer parte do cartel. Em vista do tamanho das multas

potenciais, é do interesse das empresas soltar a língua na primeira evidência do problema. Um caso em que isso aconteceu foi uma investigação sobre o uso de sobretaxas de combustível da British Airways e Virgin Atlantic: assim que ficaram cientes da investigação, os executivos da Virgin prometeram disponibilizar a informação incriminadora em troca de imunidade, o que resultou em seu rival recebendo a multa (e no rompimento do cartel).

 

Estudando um Híbrido:

 

Concorrência Monopolística

Uma interessante forma de competição que é encontrada em alguns setores tem o estranho nome de concorrência monopolística. Em tais setores, você encontra características de ambos, monopólios (veja capítulo 12) e empresas competitivas (veja capítulo 11).

 

Benefícios da diferenciação do produto

De modo semelhante às empresas competitivas operando em mercados livres, os setores caracterizados como concorrência monopolística têm muitas empresas competindo umas contra as outras. Mas, diferente da situação dos mercados de livre concorrência onde todas as empresas vendem um mesmo produto, na concorrência monopolística o produto de cada empresa é ligeiramente diferente.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 307 04/05/2012 18:05:24 308 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

PLO Pense no mercado de vinho. O vinho é facilmente entendido como um

EX produto genérico. Entretanto, os apreciadores de vinho irão dizer a você EM

que eles reconhecem diferenças entre os vinhos produzidos pelas vinícolas. Embora vinhos estejam disponíveis aos mais diversos preços que refletem os processos envolvidos em sua manufatura, em geral a chave é que os produtos de duas vinícolas diferentes provavelmente diferirão um do outro de alguma maneira.

Os economistas utilizam o termo diferenciação do produto para descrever as coisas que fazem cada produto de uma empresa ser um pouco diferente dos produtos dos concorrentes. O resultado geral dessas diferenças é que elas diminuem um pouco a intensidade da concorrência. Seu posto de gasolina, por exemplo, pode ser capaz de lhe dar um desconto de dois ou três centavos a mais por litro do que seus concorrentes, isso se este posto tiver algumas facilidades e o concorrente mais próximo estiver a muitos quilômetros de distancia.

Por outro lado, há ainda muita pressão competitiva no setor. Embora seu posto local possa ser capaz de usar suas características únicas para lhe cobrar um pouco menos, ele não poderia cobrar muito mais — se tentasse fazer isto, você abasteceria nos concorrentes.

De modo semelhante, todos os restaurantes em sua vizinhança precisam se preocupar com o preço que os demais estão cobrando, mesmo se os outros se especializaram em culinárias completamente diferentes. Mesmo que você queira pagar 20 por cento a mais por alguma refeição exótica, é improvável que esteja disposto a pagar 90 por cento a mais por tal refeição. As diferenças entre produtos diminuem, mas não eliminam a concorrência dos preços.

 

Enfrentando os limites de lucro

Você pode pensar que em razão de as empresas monopolisticamente competitivas poderem usar suas características únicas para aumentar os preços, suas agradáveis margens de lucros estão garantidas. Afinal, em pura concorrência, em que todas as empresas vendem os mesmos produtos e não tem qualquer modo de diferenciá-los de seus concorrentes, os preços caem tanto, que as empresas acabam obtendo zero de lucros econômicos (consulte o capítulo 11). Se as empresas monopolisticamente concorrentes podem aumentar seus preços acima da concorrência, parece óbvio que elas tenham a garantia de lucros.

Infelizmente para elas, não é este o caso.

 

CEIT O-CH A Como foi apontado pela economista de Cambridge, Joan Robinson, VE durante a década de 1930, as empresas monopolisticamente concorrentes

ON C ainda enfrentam concorrência. Em especial, elas enfrentam a expectativa

de que se estão obtendo lucros satisfatórios, estes lucros atrairão novos empreendedores para o setor. Quando os novos participantes começam a produzir, eles tomam os negócios das empresas já estabelecidas, e arruínam

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 308 04/05/2012 18:05:24 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 309

seus lucros anteriormente bem ordenados. De fato, novos empreendedores continuam a chegar até que os lucros sejam levados a zero.

Lidando com a demanda inclinada decrescente

Robinson foi capaz de mostrar como funciona este processo, ao modificar ligeiramente o modelo de monopólio, que apresentamos no capítulo 12. Para ver o que ela fez, observe a Figura 13-4, que mostra uma empresa monopolisticamente concorrente fazendo um lucro inicial. A Figura mostra a curva de custo marginal da empresa, MC, e a curva de média de custo total, ATC, ao longo de sua curva de demanda, D1, e a curva de receita marginal associada, MR1.

MC

 

Lucros ATC

 

Uma empresa Figura 13-4: p * C 1 Preço B monopolis-

ticamente

obtendo um competitiva A D1

lucro igual MR1

sombreada do q * 1 ao da área

retângulo.

Quantidade

Em razão da diferenciação do produto, a empresa na Figura 13-4 enfrenta uma curva de demanda inclinada descendente, D . Sua curva 1 de demanda está inclinada descendente porque, como um monopólio, ela tem algum controle sobre seus preços. A diferenciação do produto significa que ela pode escolher se estabelece preços altos ou baixos. A um preço alto, a quantidade demandada de seu produto cai, porque alguns consumidores não pensarão que as características únicas do produto daquela empresa valem o dinheiro extra. A um preço baixo, a quantidade demandada aumenta, porque o preço baixo rouba os clientes das outras empresas concorrentes.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 309 04/05/2012 18:05:25 310 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Em contrapartida, as empresas concorrentes que vendem produtos idênticos não têm controle sobre os preços que estabelecem. Como explicamos no Capítulo 11, porque as empresas competitivas vendem produtos idênticos, a única coisa que importa aos consumidores, quando escolhem, é saber quem oferece o preço mais baixo. O resultado é que todas as empresas têm que vender ao mesmo preço, o preço de mercado, que é determinado por onde a curva de oferta geral do setor se cruza com a curva de demanda do setor. A curva de demanda do produto individual de uma empresa competitiva é uma linha horizontal no nível do preço de mercado (veja o Capítulo 11). Isto está em nítido contraste com a curva de demanda inclinada descendente voltada para a empresa monopolisticamente concorrente na Figura 13-4.

Uma importante consequência da curva de demanda inclinada descendente, D , é que a curva de receita marginal, MR , associada com 1 1 a curva de demanda D , também tem inclinação descendente. Por que 1

isto acontece? A receita adicional, ou marginal, que a empresa pode obter da venda de uma unidade adicional de produto é menor que a receita marginal se ela vender a unidade anterior.

Como explicamos no capítulo 12, o declínio da receita marginal é uma consequência natural de uma curva de demanda inclinada descendente. Como a única maneira de conseguir que os consumidores comprem mais de seu produto é instigando-os com preços baixos, a receita marginal que você consegue tem que cair com cada unidade adicional que você vende.

Uma empresa monopolisticamente concorrente otimiza seus lucros porque escolhe produzir no ponto A, onde a curva de receita marginal inclinada descendente, MR , cruza a curva de custos marginais inclinada ascendente, 1

MC. Produzir a quantidade associada, q* , ou irá maximizar os lucros da 1 empresa (se for possível obter lucro) ou irá minimizar as perdas. Se fazer lucro é possível, depende da posição da curva de demanda da empresa — do quanto de demanda há para os produtos da empresa.

Na Figura 13-4, a demanda é forte o bastante para que a empresa tenha lucro. Você pode ver isto comparando a média total de custos por unidade da empresa, ao nível de produção q* , com o seu preço por 1 unidade naquele nível de produção. A média de custo total por unidade é encontrada indo verticalmente para cima, a partir do eixo horizontal ao nível de produção q* , até atingir a curva ATC no ponto B. O preço por 1

unidade que a empresa pode cobrar a este nível de produção, q* , é dado 1 subindo verticalmente até atingir a curva de demanda no ponto C.

Uma vez que a distância vertical até o ponto C excede a distância vertical até o ponto B, você pode determinar imediatamente que o preço de venda da empresa excede o custo total de produção por unidade — o que significa que a empresa deve estar lucrando em cada unidade vendida. O tamanho do lucro total da empresa, em todas as unidades, é o lucro por unidade vezes o número total de unidades vendidas, assim seu lucro total é equivalente a área total do retângulo sombreado na Figura 13-4. A área sombreada do retângulo é a largura de q* unidades vezes a altura do lucro 1 por unidade — a distância vertical entre os ponto B e C.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 310 04/05/2012 18:05:25 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 311

Encontrando o equilíbrio: Entrada e saída da empresa

Joan Robinson percebeu que este lucro atrai novos aspirantes ao setor de competição monopolística. Cada novo participante rouba alguns negócios das empresas existentes. Graficamente, isto significa que a curva de demanda de qualquer empresa existente, como aquela da Figura 13-4, desloca-se para baixo e para a esquerda. A cada preço possível que a empresa pode cobrar, ela vende menos unidades que antes, porque alguns de seus antigos negócios foram roubados pelos novos integrantes do setor.

Além disso, os estreantes no setor continuam a mover as curvas de demanda para baixo e para a esquerda, até que os lucros sejam impulsionados por todo o caminho até descer a zero. Só depois a entrada de novas empresas faz uma pausa.

Você pode ver esse tipo de equilíbrio na Figura 13-5. Ali, a curva de demanda é deslocada para a esquerda até D , onde ela é apenas a tangente 2 para a curva ATC no ponto B. Do mesmo modo como a curva de demanda se move para a esquerda, o mesmo faz a curva de receita marginal, que está agora em MR . Consequentemente, quando a empresa otimiza seu nível de 2

produção, produzindo onde a curva MC cruza MR , ela agora produz ao 2 nível de produção q* . 2

MC

 

Figura 13-5: ATC

Uma empresa

monopolis-

ticamente

 

obtém lucro * B Preço p 2 zero após a competitiva

entrada (ou C

saída) que

desloca sua

 

demanda até curva de A D MR2 2 sua tangente q * comp com a curva 2 q

ATC. Quantidade

Neste nível de produção, o lucro é zero. Você pode ver isto ao usar o gráfico para mostrar que a média de custo total por unidade ao nível de produção q*2 é igual ao preço por unidade que a empresa pode conseguir vendendo estas unidades. Suba verticalmente a partir do eixo horizontal até o ponto q* para o ponto B. Uma vez que o ponto B está tanto na curva de demanda, 2

D , quanto na curva de média de custo total, ATC, a distância vertical a partir 2

do eixo horizontal até o ponto q* para o ponto B, representa tanto a média 2 total de custo por unidade quanto o preço por unidade que a empresa pode cobrar. Eles são iguais, portanto, a empresa está obtendo lucro zero.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 311 04/05/2012 18:05:25 312 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Se, por alguma razão as empresas em um setor monopolisticamente concorrente estiverem gerando perdas, algumas empresas deixam o setor. À medida que cada uma delas sai, as empresas remanescentes ganham mais negócios, e as curvas de demanda das empresas que ainda estão no setor se deslocam para cima e para a direita. As saídas continuam até atingirem um equilíbrio, como mostrado na Figura 13-5, na qual todas as empresas estão obtendo lucros zero.

Produzindo de modo ineficiente

Um ponto principal a se notar, sobre o equilíbrio na Figura 13-5, é que ele indica que cada empresa produz de modo menos eficiente do que empresas em um setor competitivo. A melhor maneira de compreender este fato é comparando o nível de produção da empresa monopolisticamente competitiva quando o setor esta em equilíbrio, q* , com o nível de 2 produção que deveria ser produzido por uma empresa com as mesmas curvas de custos que estava operando em um setor de plena concorrência, no qual todas as empresas vendem um produto idêntico. Denominamos este nível de produção como qcomp, na Figura 13-5.

No Capítulo 11, explicamos como as forças de mercado impulsionam as empresas concorrentes a produzirem em qcomp, e por que isso acaba exatamente no nível de produção onde a curva ATC atinge seu mínimo — isto é, qcomp é o nível de produção na parte inferior da curva ATC em forma de U. A implicação socialmente significativa deste fato é que as empresas competitivas produzem com a menor média de custo possível por unidade. Isso faz delas tão eficientes quanto possível em termos de custos de produção por unidade.

Por outro lado, uma empresa monopolisticamente competitiva operando em um setor onde a diferenciação de produto permite ter algum controle sobre os preços que ela cobra, acaba por produzir uma alta média de custo total por unidade. Este claramente é o caso da Figura 13-5, porque a distância vertical do eixo horizontal para o ponto B é mais longa do que a distância vertical do eixo horizontal acima do ponto C. Este fato significa que as empresas nos setores monopolisticamente concorrentes não são tão eficientes quanto as empresas dos setores competitivos.

Algumas pessoas observam este resultado e concluem que a sociedade estaria melhor se pudesse transformar setores de concorrência monopolística em setores competitivos. Mas a redução dos custos pode não recompensar a perda da diferenciação do produto.

Afinal, a variedade é o tempero da vida. Você realmente gostaria que todo restaurante fosse idêntico em todos os sentidos, para servir a mesma comida, no mesmo tipo de ambiente, sob as mesmas luzes, com mobília igual? Certamente, nós não gostaríamos disso. E se o custo da variedade for que as empresas monopolisticamente competitivos fabriquem sua produção a um custo mais alto do que as empresas nos setores competitivos, nós estaríamos dispostos a aguentar estes custos mais altos por uma questão de variedade.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 312 04/05/2012 18:05:25 Capítulo 13: Oligopólio e Competição Monopolista: Meio Termo 313

REAL

DO

UN

M Comunismo, hambúrgueres e diferenciação

de produto

Um dos mais engraçados comerciais de TV com a diferenciação do produto. Eles sim-nos EUA fez sua estreia em 1985, no auge plesmente desenvolviam um único design do poder comunista soviético. O comercial para os produtos, de modo a serem capa-apresentava uma rede de hambúrgueres zes de massificar a produção ao menor chamada Wendy e descrevia um desfile custo possível. O resultado foi uma socie-de moda comunista. Uma mulher caminha dade onde havia tanta monotonia, que o por uma rampa vestida com um uniforme comercial da Wendy era apenas um mo-de trabalhadores de fábrica de cor cinza e desto exagero.

 

sem graça; e o locutor grita, “moda dia!” O comercial ajudou a enfatizar aos con-Então, ela marcha pela rampa novamente, sumidores americanos a ideia de que no mesmo modelito, mas, desta vez, segu-eles deveriam admitir o fato de que a co-rando uma lanterna. O locutor grita, “moda mida produzida pela Wendy era diferente noite!”. Em seguida, ela marcha nova-daquela produzida por seus principais mente pela rampa — ainda com o mesmo rivais, McDonald’s e Burger King . Ao con-uniforme — segurando uma bola de praia trário da rígida e planejada economia so-inflável, “moda praia!” viética, o capitalismo dos livres mercados O comercial zombava do fato de que os americanos permite grandes quantidades planejadores centrais, que dirigiam os de produtos diferenciados. O comercial da países comunistas, não se importavam Wendy dava ênfase à diferença da rede.

 

Mas, você precisa decidir sozinho se os altos custos da variedade valem a pena — e em quais situações. Embora eles possam valer muito em termos de restaurantes, você pode ter uma opinião diferente sobre a diferenciação de produtos encontrados, por exemplo, em postos de gasolina.

 

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Capítulo 14

 

 

Direitos de Propriedade

 

e Injustiças

 

Neste Capítulo

X Definindo um mercado ideal

X Observando como as externalidades criam resultados socialmente ineficientes

X Tomando medidas para corrigir problemas causados pelas externalidades

X Explorando e esgotando a propriedade de recursos com frequência

 

No Capítulo 11, nós explicamos a mão invisível de Adam Smith — a ideia que, apesar dos indivíduos perseguirem seus próprios interesses, se você permitir aos mercados alocarem seus recursos, o bem comum é atingido. Adam Smith estava perfeitamente consciente, entretanto, que para atingir este bom resultado, os direitos de propriedade da sociedade tinham que ser corretamente estabelecidos antes de as pessoas iniciarem seu comércio de bens e serviços nos mercados. De fato, Smith passou boa parte de seu famoso livro, A Riqueza das Nações (1776), falando sobre como os governos devem definir corretamente os direitos de propriedade se quiserem que os mercados produzam resultados socialmente benéficos.

A essência do problema é que, se os direitos de propriedade não são estabelecidos corretamente, uma pessoa não levará totalmente em consideração como os atos dele ou dela afetam outras pessoas. Por exemplo, considere dois pedaços de terra. Um é propriedade privada, enquanto que o outro é um lugar selvagem, sem dono, e onde todos são livres para usar como bem entenderem. Se você quiser jogar seu lixo na propriedade privada, terá que pagar ao proprietário pelo direito de fazer isso. Em outras palavras, o proprietário está administrando um aterro sanitário. Mas, como qualquer outro, você pode despejar seu lixo de graça naquele terreno baldio, porque ninguém tem o direito de impedi-lo.

Naturalmente, as diferenças no direito de propriedade, com respeito aos dois pedaços de terra, conduzem as pessoas a despejar muito mais lixo no terreno baldio, porque é menos oneroso. Mas o problema é que, embora o custo seja menor pessoalmente, a decisão de despejar o lixo em terreno baldio impõe muitos outros custos sobre os outros. Por exemplo, o que poderia ser um agradável parque agora é um amontoado de lixo podre. Maus direitos de propriedade levam a maus resultados.

 

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Neste capítulo, conversamos a respeito das externalidades positivas e negativas – situações em que o comportamento de uma pessoa resulta ou em benefícios ou em prejuízos para outras pessoas, mas nas quais os direitos de propriedade são tão mal definidos, que os custos e benefícios não são devidamente contabilizados (externalidades negativas resultam em sérios problemas, tais como poluição e aquecimento global). Também mostramos como a maioria dos casos de espécies extintas ou em risco de extinção resulta da não existência de direitos de propriedade, e como redefinir os direitos de propriedade pode salvar as espécies da extinção.

 

Permitindo ao Mercado Alcançar

 

Excelentes Resultados Sociais

CEIT O-CH A VE Para que os mercados atinjam resultados socialmente excelentes, eles

ON devem levar em consideração todos os custos e benefícios envolvidos em C qualquer atividade, não importando quem sente os efeitos destes custos e

benefícios. Se os mercados fizerem isto, a curva de demanda capta todos os benefícios, a curva de oferta capta todos os custos e a quantidade de equilíbrio do mercado assegura que apenas as unidades de produção para as quais os benefícios excedem os custos serão produzidas.

O Capítulo 11 contém todos os detalhes sobre como a oferta e procura criam resultados socialmente excelentes, mas queremos oferecer uma breve revisão aqui. Observe a Figura 14-1, que mostra uma curva de demanda e uma curva de oferta para sorvete. A quantidade de equilíbrio de mercado é q*, e o preço de equilíbrio de mercado é P*.

S

 

P0

 

Figura 14-1: * P Com Preço direitos de

propriedades completos C

0

e totais, a D

quantidade

de mercado

produzida, q*,

é socialmente q q* 0

excelente.

Quantidade

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 316 04/05/2012 18:05:26

Capítulo 14: Direitos de Propriedade e Injustiças 317

É importante perceber que é socialmente benéfico produzir cada unidade até, e incluindo, q*. A razão para isto pode ser vista ao examinar a unidade q . Você pode ver pela curva de demanda que os compradores 0

estão dispostos a pagar o preço de P por unidade de q , mas custa aos 0 0 fornecedores apenas C para produzir a unidade q . 0 0

O que isto significa? A satisfação global da sociedade é melhorada ao produzir a unidade q , porque as pessoas julgaram claramente que ter esta unidade vale 0

a pena os custos dos recursos usados para fabricá-la. Uma vez que a curva de demanda está acima da curva de oferta para todas as unidades até, e incluindo q*’, todas aquelas unidades são socialmente benéficas de produzir.

CEIT O-CH A VE Como explicamos no Capítulo 11, a coisa maravilhosa sobre os mercados é

ON que a oferta e a demanda apenas acontecem para que o nível de produtividade C socialmente ótimo, q*, seja produzido. O fato de este resultado ocorrer

inteiramente por que as pessoas estão buscando seus próprios interesses egoístas é, com certeza, a razão de os mercados serem tão surpreendentes. É como se a mão invisível de alguma divindade mágica transformasse a procura dos objetivos individuais em um resultado socialmente ótimo.

O que mostramos em seguida é que estes resultados agradáveis acontecem somente se os direitos de propriedade forem totais e completos, o que significa que a curva de demanda capta todos os benefícios que as pessoas querem, e a curva de oferta capta todos os custos associados com a produção. Como você poderá observar, se os direitos de propriedade não forem plenos e completos, os mercados não gerarão os níveis de produção socialmente ótimos, como q*. Nesses casos, a mão invisível se torna, realmente, invisível — porque ela não esta lá!

Continuar: parte 16 de 18