Economia Para Leigos
Capítulo 2
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.
Por exemplo, se o valor do dinheiro estiver caindo rapidamente,
quanta madeira é exatamente “$50 de madeira serrada”?
✓ Dinheiro é um padrão de pagamento deferido. Se você quer
uma vaca, certamente não irá alugar uma com a promessa de restituir
duas vacas no próximo ano. Em vez disso, seria muito mais plausível
emprestar e reembolsar em termos de dinheiro. Assim, você emprestaria
uma moeda de ouro e a usaria para comprar uma vaca, com a promessa
de pagar de volta duas moedas de ouro no ano seguinte.
A desvalorização progressiva do dinheiro durante um período de
inflação faz com que os emprestadores fiquem relutantes em utilizar
o dinheiro como padrão de pagamento deferido. Suponha que um
amigo peça emprestado $100,00 prometendo pagar $120,00 após um
ano. Parece ser um bom negócio – afinal a taxa de juros é de 20 por
cento. Mas, se os preços subirem rapidamente e o valor do dinheiro cair,
quanto você será capaz de comprar com os $ 120,00 no próximo ano?
A inflação deixa as pessoas relutantes em emprestar dinheiro. Elas
temem que quando os empréstimos forem ressarcidos o dinheiro
reembolsado não terá o mesmo poder de compra da época em que
foi emprestado. Esta incerteza pode ter um efeito devastador no
desenvolvimento de novos negócios, que contam com empréstimos
pesados para financiar suas operações.
✓ Dinheiro é um meio de troca. O dinheiro é um meio (literalmente
significando “algo no centro”) de comércio entre compradores e
vendedores, porque pode ser trocado diretamente por qualquer outra
coisa, facilitando a compra e a troca. Em uma economia de troca, um
produtor de laranjas que queira comprar cerveja terá primeiro que
comercializar as laranjas por maçãs e, então, as maçãs por cerveja,
porque o comerciante de cerveja quer apenas maçãs. O dinheiro
pode eliminar esse tipo de inconveniência.
Porém, se uma inflação estiver suficientemente ruim, o dinheiro deixará
de ser um meio de troca. Durante as hiperinflações as economias
frequentemente revertem ao escambo, de forma que ambos, compradores
e vendedores, não precisam se preocupar com a queda no valor do
dinheiro. Por exemplo, em uma economia saudável, o vendedor de
laranjas pode primeiramente vender suas laranjas por dinheiro e então
trocar o dinheiro por cerveja. Mas durante uma hiperinflação, entre o
tempo em que ele vende as laranjas por dinheiro e compra a cerveja,
o preço da cerveja pode ter decolado tanto, que ele não conseguirá
comprar muita cerveja. Durante uma hiperinflação, economias devem
recorrer ao meio incômodo de escambo. No mínimo, se uma moeda se
torna defasada, as pessoas geralmente recorrem ao uso de uma moeda
estrangeira confiável, geralmente o dólar americano, como meio de troca.
Outro efeito da inflação é que ela funciona como um colosso de aumento de impostos. Isto parece estranho porque você sempre pensa no governo criando taxas para arrancar grandes pedaços do dinheiro do povo, não pela
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impressão de mais dinheiro. Mas uma taxa é basicamente qualquer coisa que transfira propriedade particular para o governo. Depreciar a moeda ou imprimir mais dinheiro pode ter esse efeito.
EXEM PLO Suponha que o governo queira comprar uma van no valor de $ 20.000,00 para um vilarejo. O jeito honesto de fazer isto é usar $ 20.000,00 das
receitas fiscais para pagar pelo carro. Porém, o jeito sorrateiro é imprimir $ 20.000,00 em dinheiro novo para fazer a compra. Imprimindo e gastando o dinheiro novo dessa maneira, o governo está convertendo $ 20.000,00 em propriedade privada – a van – em propriedade pública. Assim, imprimir dinheiro novo funciona exatamente como um imposto. Como imprimir dinheiro novo termina causando inflação, este tipo de taxação é frequentemente classificada como taxa de inflação.
A taxa de inflação não só é furtiva, como também atinge injustamente os pobres, porque eles gastam quase todas as suas receitas em bens e serviços, custos estes que são grandemente afetados durante uma inflação. Em contraste, como os ricos têm condições de economizar muito mais de suas receitas em vez de gastar tudo o que adquirem, eles proporcionalmente são menos afetados pela taxa de inflação. Investindo suas economias em ativos (como bens imóveis), cujos preços sobem durante uma inflação, os ricos podem se prevenir de muitos danos causados por ela.
Computando a Inflação:
Índice de Preços
A inflação pode causar muitos problemas. Para mantê-la sob controle, o governo precisa medi-la de maneira cuidadosa.
Como explicamos na seção anterior “Comprando uma Inflação: Os Riscos de Muito Dinheiro”, o valor do dinheiro é determinado pela interação entre a oferta e a procura por dinheiro. A oferta está sob o controle do governo, mas este não pode averiguar diretamente a demanda, portanto, ele precisa observar como a oferta e a demanda interagem, de modo a determinar quanto aumentar ou diminuir da oferta de dinheiro:
✓ Se uma inflação está acontecendo, o governo sabe que a oferta de
dinheiro está aumentando mais rapidamente do que a procura por ele.
Se o governo quiser tratar a inflação, deve reduzir a oferta de dinheiro.
✓ Se uma deflação está acontecendo, o governo sabe que a procura
por dinheiro está aumentando mais rapidamente do que a oferta
dele. Se o governo quiser terminar com a deflação, deve aumentar a
oferta de dinheiro.
Como a inflação é um aumento geral dos preços, a melhor maneira de procurá-la é ver se o custo de compra de uma grande quantidade de produtos diferentes está se alterando ao longo do tempo. Se, em vez disso,
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você checar apenas um ou dois preços, pode terminar confundindo uma mudança de preços relativa com uma mudança de preços geral (uma mudança de preços relativa é quando um preço aumenta em relação aos outros, que permanecem estáveis).
Arbitrariamente, os economistas definem uma ampla coleção de bens e serviços e se referem a eles como uma cesta de mercado. Então eles descobrem quanto dinheiro é necessário para comprar esta cesta em diferentes ocasiões para assim medirem a inflação. No Reino Unido medições diferentes foram utilizadas para tentar capturar o efeito da inflação. Até recentemente, a medida padrão era o RPI-X; ou seja, o Retail Price Index (Índice de Preço no Varejo) menos o juros hipotecário (para retirar os efeitos das taxas de juro, que de outra forma complicariam demais a figura). Recentemente, contudo, uma nova medida chamada CPI ( Consumer Price Index – no Brasil, IPC – Índice de Preços ao Consumidor) faz basicamente a mesma coisa. Você pode encontrar a figura CPI no website inglês de Estatísticas nacionais (www.statistics.gov.uk).* A CPI captura os preços de uma cesta de mercado, e é com frequência manipulada para levar em conta as mudanças nos hábitos do consumidor ao longo do tempo. Às vezes produtos são retirados da cesta e substituídos por outros, por exemplo, o preço de voos substituindo o preço de hotéis em Margate. Outras entidades como a Organização do Desenvolvimento e Cooperação Econômica (ODCE) produzem números que são internacionalmente comparáveis (ou seja, definidas em uma mesma base entre os países).
Criando sua própria cesta básica
PLO O Índice de Preços ao Consumidor envolve um grande número de produtos
EXEM e serviços – e uma grande cesta básica. Entender os índices de preços é
mais fácil se você criar um índice simplificado com uma pequena cesta básica. Nesta seção, vamos observar uma cesta básica muito pequena contendo pizza, cerveja e livros didáticos. Como estes três itens são comprados regularmente pela população de estudantes universitários, iremos chamá-lo de Índice de Preços Universitários.
Para cada um dos três itens do Índice de Preços Universitários, criamos preços para os anos de 2009, 2010 e 2011, e os listamos na Tabela 5-1.
Tabela 5-1 Índice de Preços Universitários
Item Quantidade Adquirida 2009 2010 2011
Pizza 10 $ 10,00 $ 9,00 $ 9,00
Cerveja 60 $ 2,00 $ 2,00 $ 2,25
Livros Didáticos 1 $ 120,00 $ 160,00 $ 170,00
* N T. – No Brasil, o IPC pode ser consultado no site do Ministério da Fazenda, no endereço http://www.
fazenda.gov.br/ipc.
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Em 2009, uma pizza média de queijo custa $ 10, 00, uma garrafa de cerveja gelada custa $2,00 e um livro excessivamente longo, mal escrito, com uma incompreensível introdução à Economia custa $ 120,00. No ano seguinte, o preço de uma pizza média de queijo baixou para $ 9,00 porque outra pizzaria pequena foi aberta próximo a antiga, causando uma guerra de preços. A cerveja ainda custa $ 2, 00, mas a livraria da universidade resolve que pode, de fato, apunhalar os estudantes aumentando o preço do livro didático para $ 160,00 (não se preocupe com a coluna de 2011 ainda, daremos a você a chance de por mãos a obra e calcular a inflação utilizando os números de 2011 mais adiante neste capítulo).
Até aqui tudo bem. Mas, avaliando o índice, você também precisa ficar atento para a quantidade de cada item que é comprada a cada ano pelo suposto estudante. Para simplificar, vamos assumir que cada estudante compre dez pizzas de muçarela, sessenta cervejas e um livro didático de economia por ano.
Calculando a taxa de inflação
Para calcular quanto de inflação a economia de sua universidade tem (ou deflação, se o custo de vida acontecer de baixar), primeiro, totalize quanto a cesta básica custa a cada ano. Em 2009, ela custa $ 340,00: $ 100,00 em pizza (10 pizzas a $ 10,00 cada), $ 120,00 em cerveja (60 cervejas a $ 2,00 cada) e $ 120,00 em um livro didático de economia (um livro a $ 120,00). O custo de compra da mesma cesta básica em 2010 é de $ 370,00. Assim, o custo de compra da mesma cesta básica subiu $ 30,00.
Agora que você fez a soma, precisa fazer alguns cálculos simples de álgebra. Os economistas utilizam a letra maiúscula P para denotar quanto dinheiro custa a cesta básica definida. Assim, neste caso, P significa o 2009 custo de compra da cesta básica em 2009 e P e o custo de compra da 2010 cesta básica em 2010. A economia também tem uma pratica padrão para denotar a taxa de inflação por uma letra grega π (pronunciado “pi”).
Para calcular a taxa de inflação, você utiliza uma fórmula bastante simples:
π= (P - P ) / P segundo ano primeiro anoprimeiro ano
Neste caso, a fórmula fica:
π= (P - P ) / P 2010 20092009
Substituindo em P = 340,00 e P 2009 $ = 370, 00, você chega ao valor de π 2010 $ = 0,088. Converta este número em porcentagem multiplicando-o por 100 e, a inflação do Índice de Preços Universitários é de 8,8 por cento entre 2009 e 2010. Assim, com base nesses números, um estudante precisa de 8,8 por cento a mais de dinheiro em 2010 para comprar a cesta básica.
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Estabelecendo um índice de preços
A cesta básica universitária é um exemplo simples, porém quando os estatísticos do governo avaliam o Índice de Preços ao Consumidor eles fazem, basicamente, a mesma coisa, só que utilizando uma quantidade maior de mercadorias. Eles também apresentam o conceito de um índice de preços (ou índice de nível de preços) para calcular e interpretar as taxas de inflação de muitos anos com maior facilidade. Para estabelecer um índice de preços, eles primeiro estabelecem um ano base ou ano índice. Continuando o nosso exemplo, vamos imaginar que 2009 seja o ano base para o Índice de Preços Universitários. Você pode então fazer uma conversão matemática conveniente, dessa forma, o nível de preços de 2009 é fixado no numero 100 e os níveis de preços de qualquer outro ano são fixados, de modo que sejam relativos ao 100 do ano base.
Para tornar P = 340,00 seu ano base, divida-o por ele mesmo. Que, 2009 $
claro, dará valor 1, que você multiplicará por 100 para obter 100 (100 x 1 = 100). Pode parecer uma coisa idiota de fazer até que você compreenda que se fizer o mesmo com os outros anos, terminará com algo bastante útil. Divida P por P e então multiplique o resultado por 100 para obter 2010 2009
108,8. Este número é simples de interpretar: ele é 8,8 por cento maior que 100. Ou, colocando de outra maneira, o nível de preços em 2010 é 8,8 por cento maior que o nível de preços em 2009 (claro, você já descobriu esta taxa de inflação usando a equação (1) na seção anterior).
Você pode continuar, utilize os números para 2011 que aparecem na Tabela 5-1. Por exemplo, P = 395,00. Se você dividir P 2011 $ por P e 2011 2009 multiplicar por 100, obterá 116,2; o nível de preços em 2011 é 16,2 por cento maior que em 2009.
Calcular a taxa de inflação entre 2010 e 2011 utilizando estes índices numéricos é igualmente fácil. Visto que o nível do índice de preços em 2010 é 108,8 e o nível em 2011 é 116,2, a inflação é, simplesmente, (116,2 – 108,8) / 108,8 = 0,068 ou 6,8 por cento (você esta usando a equação (1) aqui, mas está colocando índices numéricos ao invés dos custos de verdade da cesta básica).
A Figura 5-1 demonstra o gráfico dos valores atuais do Índice de Preços ao Consumidor de 1987 até 2006. O índice foi fixado ao nível de 100, utilizando preços que os consumidores pagaram em média, no período de dois anos, terminado em janeiro de 1987.
Você pode notar que o Índice de Preços ao Consumidor cresceu de seu nível inicial de 100, em 1987, para um nível de 200 em 2006. Ou seja, para comprar o que uma típica família com quatro pessoas consome, você precisaria do dobro de dinheiro em 2006 do que em 1987, com o pior dos aumentos ocorrendo no final dos anos 1980 e começo de 1990. Colocando em outras palavras, o aumento no fornecimento de dinheiro fez com que os preços dobrassem em 20 anos.
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250
200
150
C
IP
100
50
Figura 5-1:
Índice de
Preços ao 0
Consumidor,
1987-2006. Jan-87 Jan-88 Jan-89 Jan-90 Jan-91 Jan-92 Jan-93 Jan-94 Jan-95 Jan-96 Jan-97 Jan-98 Jan-99 Jan-00 Jan-01 Jan-02 Jan-03 Jan-04 Jan-05 Jan-06 Ano
Determinando o padrão de vida real
com o índice de preços
CEIT O-CH A VE Além de tornar a inflação fácil de ser medida e interpretada, os índices de
ON preços também ajudam a mensurar uma diferença bastante importante C entre os preços reais e os nominais. Preços nominais são simplesmente
os preços em dinheiro, que podem mudar ao longo do tempo devido a inflação. Uma vez que os preços nominais podem mudar, os economistas gostam de focar nos preços reais, que indicam quanto de uma determinada mercadoria você terá que abrir mão para adquirir outro tipo de mercadoria, não importando o que acontece com os preços nominais.
Por exemplo, suponha que em 2010, você ganhou $10,00 por hora trabalhando num acampamento para jovens, e o custo de um DVD é de $20,00. O custo real do DVD para você é o de duas horas de trabalho. Suponha que no ano seguinte os preços de todas as mercadorias dobrem, mas o seu salário também dobra e, agora, você esta ganhando $ 20,00 por hora e o DVD custa $ 40,00. O resultado é que você ainda precisa de duas horas de trabalho para comprar o DVD. Assim, embora o preço nominal do DVD tenha dobrado, o preço real dele, em termos de trabalho – quanto você precisa trabalhar para comprá-lo – não mudou.
Ao construir índices de preços como o IPC, os economistas podem dizer como o padrão de vida real muda para as pessoas de ano em ano. No exemplo da seção anterior (utilizando os dados da Tabela 5-1), a inflação é de 8,8 por cento entre 2009 e 2010, isto significa que o custo de vida de um estudante universitário subiu 8,8 por cento. Assim, se nesse mesmo tempo, as receitas dos estudantes subiram apenas 5 por cento, eles estão em pior situação porque os custos subiram mais rapidamente que as receitas.
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O padrão de vida real – padrão de vida medido em temos de quanta mercadoria você pode comprar com sua renda – caiu.
Identificando problemas
no índice de preços
Utilizar os índices de preços para rastrear o custo de vida não é um sistema sem defeitos. Aqui estão três grandes questões:
✓ A cesta básica pode não refletir perfeitamente os gastos da
família. As instituições responsáveis por este levantamento (IBGE,
FGV e a FIPE) tentam não perder de vista o que uma família comum,
com quatro pessoas, compra quando calculam o Índice de Preços
ao Consumidor (IPC). Mas, as famílias diferem grandemente, não
apenas em termos do que elas compram, mas também em termos da
quantidade que compram.
✓ A cesta básica se torna desatualizada. Quando substituir um
produto por outro na lista for uma decisão difícil, suponha, por
exemplo, que os economistas estejam decidindo se incluem na cesta
básica aparelhos de DVDs no lugar dos antigos videocassetes. Se
os órgãos demorarem demais não irão capturar completamente as
alterações de preços, mas se fizerem cedo demais, correm o risco de
ver os DVDs não “pegarem” e serem relegados a se juntar ao museu
da tecnologia (bem ao lado do Sinclair ZX81 e do Batamax), e em
ambos os casos, os números estariam errados.
✓ A cesta básica não leva em consideração a qualidade. O preço
não é o único item que interessa aos consumidores. Por exemplo,
o que acontece se uma cerveja mantém seu preço, mas melhora
a qualidade de um ano para outro? Você irá adquirir uma cerveja
melhor pelo mesmo preço, mas isto não se reflete nos dados. Este
problema é especialmente grave para produtos como computadores,
telefones celulares e video games. A qualidade desses produtos
melhora dramaticamente ano após ano, enquanto que os preços
continuam os mesmos ou até mesmo baixam.
Cada um desses problemas preocupa os estatísticos do governo, que estão sempre elaborando melhores índices de preços e métodos estatísticos para tentar superá-los. O Banco Central Norte-Americano (órgão do governo que regulamenta o fornecimento de dinheiro nos EUA) publicou recentemente uma avaliação sugerindo que o CPI (IPC americano) exagera no índice de inflação de 1 a 2 pontos percentuais ao ano. Muito desse exagero vem do fracasso do CPI em levar em conta novas mercadorias e o aperfeiçoamento da qualidade.
A principal consequência é que o governo é demasiadamente generoso com o aumento do custo de vida que concede aos trabalhadores e aposentados. Cada ano, os trabalhadores e aposentados do governo
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recebem aumentos salariais baseados no aumento do IPC. Estes aumentos salariais são destinados a garantir que os ganhos reais das pessoas não sejam corroídos pela inflação, mas como o IPC provavelmente exagera a taxa de inflação em cada ano, os aumentos do custo de vida são excessivamente generosos.
Na Inglaterra, revisões regulares nos índices de preços e requerimentos regulares para apresentações de dados diferentes levaram os economistas a se distraírem. Entretanto, neste caso, revisões são um mal necessário, por que sem elas, você não pode comparar preços historicamente.
Atribuindo Preços ao Futuro: Taxas
de Juros Nominais e Reais
Como a inflação corroeu o valor do ressarcimento dos empréstimos (veja “Calculando os efeitos da inflação”, anteriormente neste capítulo), os economistas precisam distinguir entre taxas de juros nominais e taxas de juros reais. Taxas de juros nominais são simplesmente as taxas normais de juros com as quais você está acostumado a lidar. Elas medem os retornos de um empréstimo em termos de quanto dinheiro foi emprestado e quanto dinheiro retornou. Taxas de juros reais, entretanto, compensam a inflação medindo o retorno dos empréstimos em termos de unidades de bens emprestados e unidades de bens retornados. Esta distinção é muito importante porque o que faz com que as pessoas queiram economizar ou investir é a taxa de juros real. Afinal, os emprestadores realmente estão mais interessados não na quantidade de dinheiro que receberão de volta, mas na quantidade de mercadorias que podem comprar com este dinheiro.
Imagine que você tomou emprestado $ 1.000,00 com a promessa de pagar $ 1.100,00 em um ano ao emprestador. Sua taxa de juros nominal é de 10 por cento, porque você está restituindo um adicional de $ 100,00, ou 10 por cento mais dinheiro do que emprestou. Mas, se ocorrer inflação, a quantidade de mercadorias que $ 100,00 podia comprar irá diminuir ao longo do tempo.
PLO Digamos que uma boa refeição para dois com uma garrafa de vinho custe
EX agora exatamente EM $ 100,00, mas custará $ 105,00 no próximo ano. Agora, o
emprestador está abrindo mão de 10 dessas excelentes refeições ( $ 1.000,00 divididos por $ 100,00 por refeição), a fim de dar-lhe o empréstimo. No próximo ano, quando for reembolsado em $ 1.100,00, ele poderá comprar 10,47 refeições ao preço de $ 105,00. O emprestador está abrindo mão de 10 refeições agora, em troca de 10,47 no próximo ano, o que significa que a taxa de juros real sobre o empréstimo é de 4,7 por cento. Por causa da inflação, a taxa de juros real sobre o empréstimo é substancialmente menor que a taxa nominal.
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Quando os emprestadores e os tomadores de empréstimos negociam uma taxa de juros nominal sobre um empréstimo, ambos tentam estimar quanto será a taxa de inflação para o período do empréstimo. Essa taxa de inflação esperada é denotada algebricamente como πe (não confunda inflação esperada, πe, com a inflação atual, π. O primeiro é o que as pessoas esperam que aconteça de antemão, enquanto que o último é o que realmente acontece). As seções seguintes mostram como estimar e utilizar esta taxa.
Utilizando a equação de Fisher
O economista Irving Fisher desenvolveu uma fórmula simples, conhecida como a equação de Fisher, que vincula as taxas de juros nominal e real. Utilizando i para denotar a taxa de juros nominal e r para denotar a taxa de juros real, a fórmula é mostrada a seguir:
i = r + πe (3)
Esta equação diz simplesmente que a taxa de juros nominal é a taxa de juros real mais a taxa de expectativa de inflação. Esta relação é muito importante para os que fazem empréstimos e os emprestadores porque embora todos os contratos de empréstimos especifiquem uma taxa de juros nominal, seu objetivo é alcançar uma taxa de juros real especificada, mesmo depois que qualquer inflação subsequente reduza o valor do dinheiro. Utilizando a equação Fisher, os envolvidos em empréstimos podem determinar qual juro nominal cobrar agora, de modo a alcançar uma taxa de retorno real, levando em conta a taxa de expectativa da inflação.
Para ver como isso funciona, suponha que um tomador de empréstimo e um emprestador concordem que seis por cento é uma taxa de juros real justa, e que é provável que a inflação seja de 3,3 por cento ao longo de um ano. Usando a equação de Fisher, eles escrevem um contrato de empréstimo com uma taxa de juros nominal de 9,3 por cento. Um ano depois, quando o devedor restitui ao credor 9,3 por cento a mais de dinheiro do que havia emprestado, espera-se que aquele dinheiro tenha apenas 6 por cento mais de capacidade de compra do que tinha o dinheiro emprestado, dada a expectativa de aumento de preços.
Compreendendo que as previsões
não são perfeitas
Negociações como as descritas na seção anterior dependem crucialmente da estimativa da taxa de inflação esperada, πe, e existem muitos economistas cujo trabalho é, essencialmente, tentar prever a taxa de inflação futura. Suas previsões são amplamente divulgadas pela mídia empresarial, porém cada pessoa acaba projetando sua inflação, ao seu próprio modo. Algumas pessoas ouvem os especialistas, enquanto outras fazem estimativas baseadas em suas próprias experiências diárias.
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Note, contudo, que como as previsões não são cem por cento exatas, ninguém pode dizer ao certo qual será a taxa real de retorno de um empréstimo. Por exemplo, se a taxa de inflação se tornar 9,3 por cento no exemplo anterior, então a taxa real de retorno será 0 por cento. Por outro lado, se a taxa de inflação for de 0 por cento, então os emprestadores terão um retorno de 9,3 por cento de mais dinheiro e podem comprar 9,3 por cento mais produtos, o que significa uma taxa real de retorno de 9,3 por cento (veja na seção anterior “Sentindo a pressão para a impressão: A política da inflação” a discussão do porquê os devedores gostam de inflação e os credores não gostam).
DO REAL A Figura 5-2 traça um mapa das atuais taxas de inflação juntamente
MUN com a média de taxas de inflação esperadas. As taxas atuais vêm dos
números mensais do IPC e as taxas de inflação esperadas vêm de uma pesquisa com consumidores, realizada mensalmente pela Universidade de Michigan. A inflação vigente entre janeiro de 1980 e janeiro de 1981 era de, aproximadamente, 13 por cento. Em comparação, os consumidores que foram questionados em janeiro de 1980, sobre o que eles pensavam que seria a taxa de inflação para os 12 meses seguintes, em média responderam que esperavam uma taxa de inflação de 10 por cento, aproximadamente. Assim, neste caso concreto, as expectativas inflacionárias de consumidores típicos estavam fora em aproximadamente 3 por cento.
Inflação esperada Inflação atual
16
14
12
10
8
Percentual 6
Figura 5-2: 4
Taxas 2
esperada 0
e real de
Inflação em Jan-78 Jan-80 Jan-82 Jan-84 Jan-86 Jan-88 Jan-90 Jan-92 Jan-94 Jan-96 Jan-98 Jan-00 Jan-02
um ano. Ano
Começando por volta de 1980, esses dois conjuntos de números têm estado notavelmente próximos, o que significa que as suposições das pessoas sobre inflação, nas últimas duas décadas estavam geralmente erradas por não mais que um por cento. Claro, este período também corresponde a um momento da história dos Estados Unidos em que o governo estava comprometido com taxas de inflação baixas e estáveis. Em locais cujos governos estejam menos compromissados com esta meta, a inflação esperada e a real provavelmente divergem, por que a probabilidade dos palpites estarem corretos é menor. Você pode ver no gráfico da Figura 5.2 que os dois conjuntos de números diferem mais no período que compreende o final da década de 1970. A previsibilidade ganha por seguir
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uma política inflacionária baixa e estável geralmente é tida como útil para ajudar as pessoas e firmas a tomarem boas decisões de investimentos, e consequentemente capacitá-las a fazer um planejamento mais eficiente. Por conta disso, as pessoas e empresas provavelmente aumentarão seus níveis de investimentos. Este nível reduzido de previsibilidade, planejamento e investimento é um dos motivos pelos quais os britânicos tiveram um desempenho mais pobre nos investimentos do que, por exemplo, a Alemanha (que tem estado mais comprometida com taxas inflacionárias baixas e estáveis).
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Capítulo 6
Entendendo Por Que
Ocorrem Recessões
Neste Capítulo
X Visualizando ciclo econômico
X Esperando o ideal: Permitindo que os ajustes de preços eliminem a recessão
X Lidando com a realidade: preços incômodos e longas recessões
X Vinculando lentos ajustes de preços a lentos ajustes de salários.
X Apresentando do modelo Keynesiano
A principal tarefa dos macroeconomistas é tentar prevenir – ou pelo menos reduzir – as recessões , aqueles períodos nos quais a produção de bens e serviços declina. Economistas, políticos e muitas outras pessoas que trabalham para viver, desprezam as recessões em razão do alto preço que cobram em sofrimento humano. Por isso, quando a produção cai, as empresas precisam diminuir o quadro de funcionários. O resultado típico é a demissão em massa, o que causa o aumento significativo do desemprego. Recessões podem ter consequências de longa duração: a recessão dos anos 1980 na Inglaterra foi acompanhada por um longo período de desemprego para o mercado de produção, e levou muitos anos até que ele se recuperasse, já na década seguinte. Antecipar e prever, ou ao menos minimizar essas consequências é uma das tarefas que atualmente ocupam os políticos. Neste capítulo, utilizamos o modelo de oferta agregada/ demanda agregada para demonstrar como os economistas analisam as recessões. Normalmente, elas começam com o que costumamos chamar de choques — eventos ruins e inesperados, como ataques terroristas, desastres naturais, a introdução de péssimas políticas governamentais ou aumentos súbitos no custo de importantes recursos naturais, como petróleo.
A primeira grande lição deste capítulo é que se os preços de bens e serviços na economia fossem livres para se ajustar às mudanças na demanda e oferta causadas pelos choques, a economia seria capaz de se recuperar muito rapidamente. Infelizmente, entretanto, a segunda grande lição é que nem todos os preços no mundo real são totalmente livres para se ajustarem aos choques. Particularmente, alguns preços muito importantes são completamente lentos para se ajustar — eles são, como os economistas
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gostam de dizer, rígidos. Como resultado, as recessões podem prolongar-se e causar muitos prejuízos, a menos que o governo intervenha para ajudar a economia a se recuperar mais rapidamente (no capítulo 7, discutiremos as melhores maneiras de o governo intervir).
Por todo este capítulo usamos os choques com uma conotação negativa – coisas e eventos que impactam adversamente na economia. Tenha em mente que choques também podem ser positivos, ou seja, fatores que levam a um súbito crescimento na demanda de uma economia, como a descoberta de um novo recurso ou o corte de um importante imposto.
Examinando o Ciclo Econômico
As economias passam por períodos alternados durante os quais a produção de bens e serviços expande e depois se contrai. No capítulo 4, explicamos que Y representa a produção total de uma economia, assim usaremos Y nesta seção para conservar os termos.
A alternância no padrão econômico de expansão e contração, ilustrado na Figura 6-1, é frequentemente chamada de ciclo econômico, porque as empresas são grandemente afetadas pelas mudanças na produção.
Y
Tendência
de crescimento
Picos médio paraY
Declínios
Figura 6-1:
O ciclo
econômico. Tempos
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 113
CEIT O-CH A VE A linha sólida na Figura 6-1 representa a variação da produção, Y, ao longo
C ON do tempo. Ela alterna entre picos e declínios, o que nos ajuda a identificar
períodos de recessão e recuperação. Veja como distinguimos entre os dois:
✓ Recessão, ou contração, é o período de tempo durante o qual Y cai
— isto é, depois de um pico e antes do próximo declínio.
✓ Recuperação, ou expansão, é o período de tempo durante o qual Y
aumenta — isto é, depois de um declínio e antes do próximo pico.
A linha pontilhada na Figura 6-1 representa, a longo prazo, uma tendência de crescimento médio para Y. Desenhamos a Figura 6-1 apresentando uma tendência de média de crescimento ascendente para Y, para capturar o fato de que as economias da maioria dos países apresenta atualmente crescimento econômico sustentado. Em outras palavras, em média, a produção tende a aumentar ano após ano. Como as recessões ainda acontecem, entretanto, o caminho vigente para Y dado pela linha sólida oscila ao redor do caminho de crescimento a longo prazo dado pela linha pontilhada.
Observando a Figura 6-1, podemos ver que a política de macroeconomia tem duas metas muito naturais:
✓ Tornar a linha de crescimento médio a longo prazo tão
íngreme quanto possível: Quanto mais íngreme ela for, mais
rapidamente (em média) a produção e o padrão de vida aumentam.
✓ Reduzir a dimensão de flutuação do ciclo econômico ao redor
da linha de crescimento médio a longo prazo. Distâncias menores
entre picos e declínios se traduzem em um menor número de pessoas
sofrendo por surtos de desemprego quando a produção cai.
No capítulo 7, explicamos as políticas que os economistas acreditam ser melhores para atingir estes dois objetivos. Mas para que o capítulo 7 faça sentido, temos que primeiro explicar o que causa o ciclo econômico — especialmente as recessões e as altas taxas de desemprego que as acompanham. Afinal, se você não compreender o que está errado, não poderá corrigi-lo de maneira sensata.
Empenhando-se na Produção
de Pleno-Emprego
Antes que se possa dizer se uma economia vai bem ou não, é preciso ter um objetivo padrão do que “indo bem” significa. Os economistas utilizam o conceito de produção de pleno-emprego (representada pelo símbolo Y*) como medida de quão bem uma economia deve estar.
CEIT O-CH A VE
ON A ideia de produção de pleno-emprego gira em torno do conceito de pleno C emprego que, para os economistas, significa uma situação na qual todos os
que desejam um emprego em tempo integral podem obter um. Produção de
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pleno-emprego é o quanto é produzido na economia, quando há empregos para todos no mercado de trabalho. Não confunda produção de pleno-emprego com produtividade máxima da economia, que é a maior quantidade de produtos que seriam produzidos se todos fossem forçados a trabalhar tanto quanto humanamente possível.
Também não cometa o erro de pensar que pleno-emprego é o mesmo que ter uma taxa de desemprego zero. Mesmo quando todos os que desejam um emprego conseguem um, sempre haverá algum desemprego, como quando as pessoas deixam um emprego voluntariamente para procurar outro melhor. Enquanto durar sua procura, essas pessoas serão contadas como desempregadas. De forma parecida, embora a economia possa estar crescendo, algumas empresas podem despedir trabalhadores e esses também estarão procurando empregos. Os economistas chamam esta situação de desemprego temporário, como se a demora em encontrar um emprego melhor fosse devido a algum tipo de atrito retardando o processo.
Quando a tecnologia avança, a produção de pleno-emprego (Y*) cresce, porque melhor tecnologia significa que uma força de trabalho plena pode produzir mais mercadorias. Mas para simplificar suas análises, os economistas geralmente ignoram a tendência de crescimento a longo prazo e olham apenas para se a produtividade real, Y, está, atualmente acima ou abaixo de suas melhores estimativas para Y* naquele determinado momento.
Seguiremos essa convenção para o restante do capítulo. Consequentemente, você descobrirá como a economia se ajusta em situações nas quais a produtividade está acima ou abaixo de seu potencial em dado momento.
Como apresentamos neste capítulo, a economia naturalmente deseja voltar a ajustar-se a Y* sempre que há um desvio dele. Se este processo de ajuste fosse suficientemente rápido, não seria necessário nos preocuparmos com o ciclo econômico, recessões e desemprego. Se a economia revertesse para Y* rápido o suficiente, as recessões seriam muito breves para causar quaisquer consequências negativas graves. Infelizmente, o processo de ajuste pode ser muito lento e, como resultado, as recessões podem ser longas e graves.
Retornando a Y*: O Resultado
Natural dos Ajustes de Preço
Depois de um choque econômico, tal como uma catástrofe natural ou um aumento no custo dos recursos naturais, os ajustes de preços tendem a retornar uma economia para a produção de pleno-emprego (Y*). Isso mesmo, dissemos ajustes de preços — não as ações do governo, tampouco do presidente do Federal Reserve Board (Reserva Federal dos Estados Unidos). Não acredita em nós? Continue lendo.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 115
Considere uma situação na qual a demanda agregada (total) para bens e serviços na economia diminui: as pessoas, as empresas e o governo procuram e compram menos produtos do que a economia está atualmente produzindo. O resultado é um excesso de oferta de produtos que, por outro lado, baixam os preços. Afinal, o que faz qualquer negócio quando não pode vender tudo que produz aos preços que são atualmente praticados? Ele abaixa os preços para vender. Os preços baixos atraem mais compradores e logo, o negócio está apto a vender o restante de sua produção.
Este processo se repete por toda a economia durante uma desaceleração econômica. Quando a demanda agregada diminui, devido a um choque econômico, as empresas baixam os preços para assegurar que venderão seus produtos. Eventualmente, este processo conduz a dois resultados:
✓ Os preços em toda a economia caem (mais ou menos).
✓ A economia produz novamente em pleno-emprego, Y*.
Para que este processo funcione, os preços devem poder mudar rapidamente; se puderem, a economia retorna rapidamente para Y*. Se, contudo, os ajustes dos preços forem lentos, a economia pode produzir menos produtos que Y* por uma quantidade significativa de tempo. Em outras palavras, se os preços não se ajustarem rapidamente, você pode ter uma recessão. E até os preços se ajustarem, a inflação continua.
Acabamos de dar a você o mais breve panorama de como a economia responde a um choque econômico. A próxima seção fornece mais detalhes, assim você pode entender como e por que a economia eventualmente retorna para Y* (e, assim você poderá passar no seu próximo exame, se for esse o seu objetivo).
Respondendo aos Choques
Econômicos: Efeitos de Curto e
Longo Prazos
Os economistas gostam de dividir o período de tempo após um choque econômico em duas partes, que eles chamam de curto prazo e longo prazo. Uma forma simples de compreender o que ambas as partes significam para a macroeconomia é:
✓ A curto prazo refere-se ao período de tempo em que as empresas
ainda não fizeram alterações nos preços em resposta a um choque
econômico.
✓ A longo prazo refere-se ao período de tempo após as empresas terem
feito todas as alterações de preços necessárias em resposta a um
choque econômico.
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Estas definições são intencionalmente vagas, porque a velocidade com que as empresas ajustam os preços varia de choque para choque. Nesta seção, mostramos que existem grandes diferenças entre o que acontece a curto prazo e longo prazo.
Usamos um modelo simples que mantém o fornecimento de dinheiro constante. Tenha em mente que na medida em que o modelo ficar mais complicado, podemos nos desfazer de algumas restrições. Para entender do que se trata, comece com o modelo simples e vá desbravando caminho até o topo!
Definindo alguns termos críticos
Para ver a diferença entre uma resposta econômica para um choque a curto prazo versus a longo prazo, comece observando a Figura 6-2, que é um modelo da macroeconomia. O eixo horizontal mede o valor em dinheiro da produção de bens e serviços vendidos na economia (Y). Este número é o mesmo do produto interno bruto (PIB) do país, que discutimos no capítulo 4. O eixo vertical mede o nível global de preços na economia, P.
P LRAS
Palto
P*
Pbaixo
Figura 6-2:
Um modelo de
macroecono- AD mia.
Ybaixo Y* Yalto Y
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 117
Para compreender o significado de P, considere o seguinte: embora cada produto e serviço tenha seu próprio preço e alguns desses preços possam subir enquanto outros baixam, existe sempre uma tendência geral de preços para a economia como um todo. P é simplesmente uma medida de como os preços de bens e serviços se comportam como um todo. Se P sobe, então em média, os preços estão subindo; se P baixa, então em media, os preços estão caindo. E, se os preços se mantêm os mesmos, então P (certamente) permanece o mesmo. Consulte o capítulo 5 para mais detalhes sobre como os economistas medem P.
Na Figura 6-2 você vê o símbolo P*. Este símbolo representa o nível de equilíbrio de preços. O que isto significa? P* é o nível de preços que os consumidores desejam comprar, exatamente a quantidade de produtividade do pleno-emprego (Y*).
Como os economistas determinam o P*? Este nível de preço é determinado pela junção da chamada LRAS (long-run aggregate supply curve, Curva de oferta agregada de longo prazo) com AD (Aggregate demand curve, Curva de demanda agregada). Antes que você comece a hiperventilar, deixe-me explicar o que são essas coisas:
✓ A curva de demanda agregada representa a quantidade total de bens
e serviços que as pessoas desejam comprar.
CEIT O-CH A VE Note que na Figura 6-2, a curva AD está em declive. Isso porque
ON há uma relação inversa entre o nível de preços e a quantidade de C produtos que as pessoas desejam comprar. Relação inversa significa,
simplesmente, que com preços em alto nível (Palto), as pessoas
desejam comprar um nível baixo de produtos (Ybaixo). Mas, se os
preços caem para Pbaixo, as pessoas procuram uma quantidade maior
de produtos (Yalto). O declive da curva AD capta o fato de que com
preços baixos as pessoas compram mais.
✓ A curva de oferta agregada de longo prazo representa o montante de
bens e serviços que uma economia irá produzir quando os preços
forem ajustados após um choque econômico.
Na Figura 6-2, você pode ver que LRAS é uma linha vertical – e
de maneira alguma uma curva! (se estiver se sentindo enganado,
lembre-se que uma linha reta é apenas um tipo especial de curva,
uma sem curvatura!). A LRAS é estabelecida acima do ponto do
eixo horizontal, que representa o nível de produtividade do pleno-
emprego, Y*. Por quê? Porque, a longo prazo, as mudanças nos
preços sempre fazem a economia tronar a produzir no nível de
produtividade de pleno-emprego.
Ainda não acredita? Você é um leitor exigente. Continue lendo — ainda vamos te convencer, mas primeiro tem que prestar atenção por que lá vem ciência!
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O Tao de P: Observando o ajuste de preços
a longo prazo
Vamos examinar o que acontece quando a economia começa em um nível de preços diferente de P*. Por exemplo, veja novamente o nível de preço de Palto e seu nível correspondente de demanda agregada, Ybaixo. Obviamente, Ybaixo é menor que o nível de produção de pleno-emprego da economia (Y*). Isto é importante, porque as empresas prefeririam produzir ao nível de saída Y*. Na verdade, elas investiram em fábricas e equipamentos que seriam desperdiçadas se baixassem os níveis de produção. Consequentemente, sua resposta é cortar os preços para aumentar as vendas. E elas continuam a reduzir os preços até que o nível de preço geral na economia caia para P*, porque este é o nível de preço no qual os consumidores desejam comprar, exatamente Y* como valor de produção.
CEIT O-CH A VE Você está preocupado que todos esses cortes nos preços façam as empresas
ON perderem dinheiro? Tenha fé: as empresas não têm que, necessariamente, C perder seus lucros nesta situação, porque seus custos também estão caindo
ao mesmo tempo. Isso por que quando a economia está produzindo abaixo de Y*, há um grande número de trabalhadores desempregados disponíveis, assim como muitos insumos produtivos fora de uso, como ferro e petróleo. O desemprego pressiona os salários para baixo; em outras palavras, ter muita mão de obra disponível significa que você pode contratar pessoas por salários mais baixos. E, quanto mais insumos produtivos não utilizados houver, mais os preços cairão.
Certo, então os preços baixos atraem mais consumidores, aumentam as vendas e fazem com que as empresas contratem novamente os trabalhadores que estavam desempregados. Este processo continua até que os preços atinjam P*’, e neste ponto, a economia está operando a pleno-emprego novamente, o que significa que qualquer trabalhador que deseje um emprego em tempo integral conseguirá um.
De forma semelhante, os preços não podem permanecer abaixo de P* por muito tempo. Ao nível de preço Pbaixo, as pessoas desejam comprar Yalto valor da produção (output). Mas isso é mais do que as empresas podem produzir a pleno-emprego. A única maneira de produzir mais é se os empregados trabalharem mais que o padrão de 40 horas semanais. Um modo de obter isso é pagando mais, e para tanto, as empresas precisarão aumentar os preços. Portanto, com a demanda excedendo a oferta, os preços são aumentados até atingirem P*, ao nível de preço em que a quantidade solicitada pelos consumidores é exatamente igual ao nível de produção de pleno-emprego, Y*.
Como você pode ver, se os preços tiverem tempo suficiente para se ajustarem, a economia sempre retornará ao nível de produção (output) de produtividade Y*. Já que chamamos o tempo necessário para o ajuste de preços de longo prazo, faz sentido chamar a linha vertical sobre Y* de curva de oferta agregada de longo prazo, por que
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 119
ela mostra quanta produção a economia oferecerá após os preços terem tido tempo suficiente para se ajustarem e equalizarem a oferta e procura por bens e serviços (para saber muito mais sobre oferta e procura consulte o capítulo 8).
Um choque para o sistema: Ajustando
para uma mudança na demanda agregada
A seção anterior mostra o que acontece se os preços dos bens e serviços estiverem, como um todo, muito altos ou baixos: eventualmente, eles se ajustam para o nível de preço de equilíbrio (P*) para que a economia possa voltar a produzir ao nível de produção de pleno-emprego (Y*). Mas, em primeiro lugar, o que faz os preços ficarem tão altos ou tão baixos? A causa principal costuma ser um choque para a demanda agregada – a quantidade total de bens e serviços que as pessoas desejam comprar.
Primeiro, vamos visualizar como um choque de demanda se parece: a Figura 6-3 mostra a curva de demanda agregada se movendo para a esquerda de AD para AD . A mudança à esquerda da demanda agregada 0 1 é chamada de choque de demanda negativa e poderia ser causada, por exemplo, por um declínio na confiança na economia, o que faz com que as pessoas queiram poupar mais e consumir menos. A mudança à direita de AD é chamada de choque de demanda positiva.
P LRAS
P 0
P 1
Figura 6-3: AD 0
Choque
negativo para
a demanda AD 1 agregada. Y* Y
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O nível de preço original, P , foi determinado por onde a curva original 0 AD intercepta a curva vertical LRAS. A longo prazo, após as empresas se 0
adaptarem ao choque da demanda, o novo nível de preços, P , será onde a 1 nova curva AD intercepta a curva vertical LRAS . 1
O novo nível de preço (P ) é menor que o nível de preço original (P ). Por 1 0 quê? A procura por bens e serviços diminuiu após o choque de demanda negativa. A única maneira de seduzir os consumidores para comprarem novamente em níveis de produtividade de pleno-emprego (Y*) é baixando o custo de compra de muitos produtos, então o nível de preço tem que cair. Levará algum tempo para que as empresas façam as reduções de preços necessárias, mas quando fizerem, a economia novamente produzirá em Y* a longo prazo.
Esperamos que você esteja convencido agora de que, a longo prazo, após os preços terem uma chance de se ajustarem, seja qual for o choque que ocorra, a economia voltará a produzir no nível de produção de pleno-emprego, Y*. Este é um grande contraste com o que pode acontecer a curto prazo, antes do ajuste de preços, que discutiremos a seguir.
Lidando com preços fixos a curto prazo
Como discutimos nas seções anteriores, após um choque econômico acontecer, os preços eventualmente ajustam-se para retornar a economia à produtividade de pleno-emprego (Y*). Entretanto, este processo pode demorar um pouco, porque, a curto prazo, os preços são essencialmente fixos. Mesmo os gestores das mais ágeis empresas precisam de algum tempo para decidir quanto cortar dos preços. E algumas empresas não são tão ágeis.
PLO Vamos supor que uma empresa tenha imprimido catálogos listando os
EX preços dos produtos que vende. Esta empresa distribui catálogos uma vez EM
ao ano, o que significa que ela é obrigada a vender aos consumidores aqueles preços até o próximo catálogo ser expedido. Em tal situação, a empresa ajustará sua produção para atender qualquer quantidade de demanda que possa acontecer com esses preços fixos. Se um grande número de pessoas começar a comprar a estes preços, a empresa aumentará sua produção contratando mais empregados. Se apenas poucas pessoas comprarem, ela reduzirá sua produção, empregando um numero menor de funcionários.
A Figura 6-4 retrata uma situação em que as empresas se comprometem com um conjunto fixo de preços e podem responder às mudanças na demanda apenas ao ajustar seus níveis de produção. A figura mostra a curva de oferta agregada de curto prazo (SRAS) na horizontal, que na verdade não é uma curva, mas sim uma linha reta. Esta “curva” corresponde ao nível de preço P porque as empresas, a curto prazo, não 0 podem ajustar seus preços. Os movimentos à direita e esquerda ao longo da curva SRAS captam os aumentos e as diminuições da produção que as empresas têm que fazer, conforme a demanda pelos seus produtos variarem ao nível de preço fixo.
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Capítulo 6: Entendendo Por Que Ocorrem Recessões 121
P
P SRAS 0
Figura 6-4:
Curva de
oferta AD1 AD0
agregada de
curto prazo. Y 1 Y0 Y
A curto prazo faz sentido pensar em uma empresa como tendo mais controle sobre seus níveis de produção do que sobre os preços, o que leva a modelar a curva SRAS como uma linha horizontal. A longo prazo, a produção potencial é excedida em um nível dado por um número de fatores subjacentes de longo prazo. Num meio termo, temos diversos modelos de vários níveis de elaboração que explicam o que acontece. Em geral, a certo ponto, todos os modelos concordam: a SRAS primeiro é uma curva inclinada ascendente (o que implica que preços e produção ascendem juntos) e depois vertical. O que faremos aqui é pular a parte do meio em nome da simplicidade. Claro, na realidade, as economias não pulam simplesmente de uma SRAS horizontal para uma LRAS vertical, do crescimento para a recessão, de um nível de preços para outro. Entretanto, o modelo se torna mais simples de ser entendido, sem perder as características principais da análise, se fingirmos por ora que isso acontece de verdade na economia. Se você concordar com este trato, iremos usar somente a curva horizontal inicial e a curva vertical final, chamando a primeira de SRAS e a última de LRAS.