Economia Para Leigos

Sean Masaki Flynn e Peter Antonioni · Capítulo 2 de 3 · parte 10/18

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Economia Para Leigos

Capítulo 2

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.

No mundo real, provavelmente, não existem curvas de oferta que sejam perfeitamente flexíveis, porque os custos de produção sempre aumentam com os níveis de produtividade; como explicamos no capítulo 10. Entretanto, no mundo virtual elas são comuns. Por exemplo, custa ao Google um valor insignificante para oferecer uma busca extra. Um problema associado a isso é que se torna bastante difícil cobrar os usuários diretos por suas buscas (nós falamos um pouco sobre algumas dessas implicações no capítulo 15).

 

A Interação entre Oferta e Procura

 

para Encontrar o Equilíbrio do Mercado

Nas seções anteriores, discutimos as curvas de demanda e oferta separadamente. Agora, é o momento de juntá-las, para que possam interagir, de modo a mostrar como os mercados determinam as quantidades, bem como os preços dos bens e serviços vendidos.

 

Encontrando o equilíbrio de mercado

Na Figura 8-8, mostramos uma curva de demanda e uma curva de oferta nos mesmos eixos, e as rotulamos como D e S, respectivamente. Há três coisas que você deve lembrar sobre o modelo de oferta e procura quando analisar este gráfico:

 

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✓ O equilíbrio do modelo de oferta e procura é onde as curvas de oferta

e procura se cruzam (Lembre-se: o X marca o local!).

✓ O preço e a quantidade onde as curvas se cruzam serão,

respectivamente, quanto os bens ou serviços em questão custam e

o montante disso que é vendido. Este preço e esta quantidade são

conhecidos como o preço de mercado e a quantidade de mercado.

✓ O preço de mercado e a quantidade de mercado representam

um equilíbrio estável, tanto que as forças de mercado sempre

empurram o preço e a quantidade de volta para esses valores. Como

consequência, o preço de mercado e a quantidade de mercado são

também chamados de preço de equilíbrio e quantidade de equilíbrio.

Rotulei o preço de mercado e a quantidade de mercado como P* e Q*, respectivamente. O que torna este preço e esta quantidade especiais é que ao preço P*, a quantidade que os compradores demandam é igual à quantidade que os produtores desejam fornecer.

 

S

 

Figura 8-8:

O equilíbrio

do mercado,

preço e Preço P*

quantidade,

acontece

onde a curva D de demanda

cruza com

a curva de oferta. Q*

Quantidade

Colocando de modo diferente, você pode ver, começando no preço P* e se movendo horizontalmente para a direita ao longo da linha pontilhada, que os compradores demandam Q* naquele preço e os vendedores oferecem Q* naquele preço. Porque a demanda é igual a oferta, ambos produtores e consumidores estão contentes. Os consumidores conseguem exatamente a quantidade que desejam comprar ao preço de P* e os produtores vendem exatamente a quantidade que querem vender ao preço de P*.

Os economistas chamam situações como esta, nas quais todo mundo está feliz, de equilíbrio. Com todas as pessoas obtendo tudo o que desejam, ninguém causará qualquer mudança.

 

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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 187

O que é ainda mais interessante é o fato de que, em qualquer outro preço diferente de P*, há sempre algum tipo de pressão exercida, tanto por compradores quanto por vendedores, para trazer o modelo de volta ao equilíbrio do mercado de preço e quantidade. O resultado agradável é que não importa onde o mercado começa, ele sempre termina voltando ao equilíbrio.

CEIT O-CH A VE Antes que falemos mais sobre o equilíbrio do modelo de oferta e procura,

ON você precisa saber algo muito importante. Repare que, na quantidade de C equilíbrio de mercado, Q*, o preço cobrado dos compradores, P*, está

sobre a curva de oferta. Isto significa que os fornecedores estão apenas obtendo dinheiro suficiente para motivá-los a oferecer a quantidade Q*. Em outras palavras, os fornecedores não são capazes de explorar os compradores. Este resultado nos mostra que o capitalismo não é basicamente explorativo. Muito pelo contrário: se há concorrência real, os produtores apenas ganham dinheiro suficiente para fazer com que sua atividade valha a pena enquanto estão nos negócios. Falamos muito mais sobre este assunto no capítulo 11.

 

Demonstrando a estabilidade

do equilíbrio de mercado

O equilíbrio do mercado é chamado de equilíbrio estável, porque não importa onde o modelo de demanda e oferta começa, ele sempre gravita de volta para o equilíbrio de mercado – contanto que forças externas não sejam introduzidas! Isto é muito bom, porque significa que os mercados são autocorretivos, e se você sabe onde as curvas de demanda e oferta estão, sabe onde os preços e as quantidades terminarão. Especialmente gratificante é o fato de que as ações dos participantes do mercado —compradores e vendedores — movem o mercado de volta ao equilíbrio, sem que seja necessária qualquer intervenção externa, tal como uma regulamentação governamental.

Queremos provar a você que o equilíbrio de mercado é, de fato, estável. Na próxima seção, nos concentraremos no fato de que os preços começam acima de P*, depois caem para P*. Depois disto, mostraremos que, se os preços começam abaixo de P*, eles sobem até P*. O fato de os preços sempre se moverem em direção a P* indica que o equilíbrio de mercado está estável.

Excesso de oferta: Reduzindo preços

até que atinjam o equilíbrio

Na Figura 8-9, você pode observar o que acontece quando se tem um preço como PH, que começa mais elevado que o preço de equilíbrio de mercado, P*. Ao preço PH, a quantidade demandada pelos compradores, QD, é menor que a quantidade fornecida pelos vendedores, QS. Utilizamos as linhas pontilhadas para mostrar onde PH intercepta as curvas de demanda e oferta. Os economistas se referem a tal situação como excesso de oferta, e ela pode não ser um equilíbrio, porque os vendedores não são capazes de vender tudo o que desejam ao preço de PH.

 

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S

Excesso de Oferta

PH

 

Preço P*

 

D

Figura 8-9:

Excesso de QD QS

oferta. Quantidade

De fato, da quantidade total que os vendedores desejam vender, QS, apenas a quantidade QD é vendida, significando que a quantidade restante, QS-QD, permanece não vendida, a menos que alguma coisa seja feita. Bem, alguma coisa é feita. Os vendedores veem a enorme pilha de produtos para vender e fazem o que qualquer loja faz quando não consegue desaguar suas mercadorias pelo preço atual: eles fazem uma liquidação.

Os vendedores baixam os preços, e os mantêm baixos até que a oferta não mais exceda a demanda. Você pode ver, na Figura 8-9, que isso significa que os vendedores continuam baixando os preços até atingir o valor de P*, porque este é o único preço em que a quantidade demandada pelos compradores é igual a quantidade que os vendedores querem oferecer.

Excesso de demanda: Aumentando

os preços até que atinjam o equilíbrio

A Figura 8-10 mostra a situação oposta àquela que acabamos de ver. O preço inicial, PL, é menor que o preço de equilíbrio de mercado, P*. Você pode perceber que, neste caso, o problema não é o excesso de oferta, mas ao contrário, o excesso de procura em razão do preço PL. A quantidade que os compradores querem comprar, QD, excede a quantidade que os fornecedores querem vender, QS.

Em outras palavras, há uma carência de QD-QS unidades. Como resultado, os compradores começam a oferecer preços maiores, competindo uns contra os outros por causa da quantidade insuficiente de mercadorias.

Enquanto o preço for inferior a P*, existirá sempre certo grau de carência, e o preço continuará a aumentar. Isto significa que, sempre que você iniciar com um preço menor que P*, ele é levado de volta a P*, retornando ao equilíbrio de mercado — o único lugar onde não existe carência e nem excesso de oferta.

 

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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 189

 

S

 

Preço P*

 

PL

D

Excesso de Demanda

Figura 8-10:

 

Excesso de QS QD demanda. Quantidade

 

Ajustando-se ao Novo Equilíbrio

 

de Mercado quando a Oferta e a

 

Procura Mudam

Como vimos nas seções anteriores, para quaisquer curvas de oferta e procura dadas, forças de mercado ajustam o mercado até que o preço e a quantidade correspondam ao lugar onde se cruzam as curvas de oferta e de procura. Quando atingem este ponto — o equilíbrio de mercado — o preço e a quantidade não mudam. Eles permanecem inalterados enquanto as curvas de oferta e procura não mudam.

Nesta seção, mostramos como os preços e quantidades se ajustam no caso de as curvas de oferta e procura mudarem. Ilustraremos este ajuste ao mostrar-lhe o deslocamento de uma curva de demanda, seguido pelo deslocamento da curva de oferta.

 

Reagindo a um aumento na demanda

Observe atentamente a Figura 8-11, que mostra o que acontece quando a curva de demanda se desloca para a direita, de D para D , enquanto que 0 1 a curva de oferta, S, permanece a mesma. Antes do deslocamento, o preço de equilíbrio do mercado é P* e a quantidade de equilíbrio de mercado 0 é Q* . Quando a curva de demanda se desloca para a direita, para D , o 0 1 preço permanece momentaneamente o mesmo em P* . Mas este preço não 0 pode se manter, porque com uma nova curva de demanda há um novo excesso na procura. Isto é, ao preço de P* , a quantidade demandada, QD , 0 1 excede a quantidade oferecida, Q* . 0

 

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S

 

P* 1

 

Preço P* 0

 

Figura 8-11: D0 D1

Deslocamento

da curva de

demanda à Q* Q* QD 0 direita. 1 1 Quantidade

Como já examinamos na seção anterior, qualquer tipo de carência faz com que os compradores subam o preço. O resultado é que o preço sobe e continua subindo até atingir P* , o preço onde a curva de demanda D , 1 1 cruza a curva de oferta, S.

Note que quando se transfere do primeiro equilíbrio para o segundo, a quantidade de equilíbrio aumenta de Q*0 para Q*1. Este resultado faz todo o sentido, uma vez que, se a demanda aumenta e os compradores estão dispostos a pagar mais por algo, você pode esperar que mais seja oferecido. Além disso, o preço sobe a partir de um equilíbrio para outro porque, para obter fornecedores para abastecer mais em um mundo de custos crescentes, você precisa pagar muito mais a eles.

Uma coisa muito mais sutil de perceber, porém, é que o aclive da curva de oferta interage com a curva de demanda para determinar quão grandes serão as mudanças nos preços e nas quantidades. Pense novamente na curva de oferta perfeitamente vertical do lado esquerdo do gráfico da Figura 8-7. Para tal curva de oferta, qualquer aumento na demanda apenas aumenta o preço porque a quantidade não pode ser aumentada. Por outro lado, se você estiver lidando com a curva de oferta perfeitamente horizontal do lado direito do gráfico da Figura 8-7, um deslocamento da demanda a direita apenas aumenta a quantidade porque o preço está fixado em P’.

Quando você considera esses dois casos extremos, vale ressaltar que, numa situação como a da Figura 8-11, nem a demanda e nem a oferta estão em completo controle. A sua interação conjunta determina os preços e as quantidades de equilíbrio, e como elas mudam se a curva de demanda ou de oferta se deslocar.

 

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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 191

Reagindo a uma diminuição na oferta

Para mostrar como o equilíbrio do mercado muda quando a curva de oferta se desloca, considere a Figura 8-12, na qual a curva de oferta se desloca de S0 para S , por causa de um aumento nos custos de produção (como discutimos 1

na seção anterior, “Alterações nos custos: deslocando a curva de oferta”, este aumento nos custos pode ser considerado para deslocar a curva de oferta tanto para cima quanto para a esquerda. Na Figura 8-12, usamos uma seta vertical para indicar um deslocamento vertical, mas uma seta à esquerda para indicar um deslocamento à esquerda também seria correto).

O deslocamento na oferta fará com que o equilíbrio do mercado se ajuste. O equilíbrio original está no preço P* e na quantidade em Q* , que é o 0 0 ponto em que a curva de demanda, D, e a curva de oferta original, S , se 0 cruzam. Quando os custos de produção aumentam, a curva de oferta se desloca para S . 1

Por um momento, o preço permanece em P* . Mas este preço não pode 0 continuar, porque a quantidade de demanda a este preço, Q*0, excede a quantidade oferecida, QS . Esta situação de excesso de demanda faz com que 1 o preço suba até atingir o novo preço de equilíbrio de P* , no qual o preço 1 de quantidade demandada é igual ao de quantidade oferecida em Q*1.

 

S1

S 0

Preço P* 1

P* 0

Figura 8-12: D

Deslocamento

vertical da QS Q* Q* curva de 1 1 0

oferta. Quantidade

Quando você compara esta situação de aumento nos custos com a situação de aumento de demanda na seção anterior, nota que em ambos os casos, o equilíbrio dos preços aumenta. Entretanto, assegure-se de reparar que as quantidades de equilíbrio vão em direções opostas. Um aumento na demanda causa um aumento na quantidade de equilíbrio, mas um aumento nos custos causa uma redução na quantidade de equilíbrio.

 

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CEIT O-CH A VE A razão da queda na quantidade de equilíbrio é porque o aumento nos

ON custos de produção não afeta apenas o produtor. Para dar continuidade aos C negócios, o produtor tem que passar o aumento dos custos adiante. Mas

quando ele repassa o aumento para frente, há a tendência de desencorajar os compradores. O resultado é que a quantidade de equilíbrio cai, porque alguns compradores não desejam pagar os altos custos. Aqueles que ainda desejam comprar estão dispostos a pagar os custos mais altos — um fato que se reflete no aumento do preço de mercado.

 

Construindo Impedimentos ao

 

Equilíbrio do Mercado

Deixado a seus próprios dispositivos, o mercado sempre se ajusta até que o preço e a quantidade sejam determinados pelo ponto em que as curvas de oferta e demanda se cruzam. O preço de equilíbrio de mercado tem uma propriedade muito interessante, em que todos que desejam comprar por um dado preço, podem fazê-lo, enquanto que todos aqueles que desejam vender pelo mesmo preço, também podem (a quantidade demandada é igual à quantidade oferecida).

No entanto, lembre-se que o preço de mercado nem sempre é o preço politicamente conveniente e os governantes sempre interferem no mercado para prevenir que seu equilíbrio seja atingido. Tais intervenções acontecem porque compradores politicamente influentes acham o preço de mercado muito alto ou porque vendedores politicamente influentes acham que os preços de mercado estão baixos demais.

Infelizmente, quando o governo intervém para ajudar as pessoas que estão reclamando, o poder estatal cria todo um novo conjunto de problemas e, em alguns casos, até mesmo prejudica aqueles cujas intervenções visavam ajudar. Para explicar como isto acontece, primeiro explicamos o preço mínimo e, em seguida, o preço máximo. O preço mínimo mantém os preços caindo, de modo a manter o equilíbrio do mercado, enquanto que o preço máximo impede que eles subam, igualmente, para manter o equilíbrio do mercado. Obviamente, você usa somente um ou outro!

 

Aumentando os preços máximos

Algumas vezes, o governo intervém no mercado para assegurar-se de que os preços permanecerão abaixo do preço de equilíbrio de mercado, P*. Lembre-se que os preços abaixo do equilíbrio de mercado normalmente sobem, portanto, tais políticas são chamadas de preço máximo, porque elas previnem que o preço aumente tanto quanto se fosse deixado sozinho. Os preços atingem o limite e, então, não podem aumentar mais.

Para ver como isto funciona, e os problemas que cria, observe a Figura 8-13, na qual o preço máximo PC está colocado ao lado do preço de equilíbrio de mercado, P*. Para deixar claro que temos um teto, em que o preço não pode ultrapassar, desenhamos uma linha sólida horizontal, começando de PC , e se estendendo à direita.

 

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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 193

 

S

 

Preço P*

 

PC

D

 

Figura 8-13: QS Q* QD

Preço máximo. Quantidade

O problema aqui é que, ao preço máximo, a quantidade demandada, QD, excede em muito a quantidade oferecida, QS. Isto pode não parecer um grande problema, mas a carência precisa ser tratada de alguma forma. Precisa-se descobrir uma maneira de distribuir a oferta insuficiente entre todas as pessoas que a querem. O que acontece é que as pessoas acabam esperando na fila para conseguir a oferta limitada.

DO REAL O mercado privado de moradia na Inglaterra costumava incluir o preço

UN máximo para quanto um proprietário poderia cobrar – uma política chamada M eufemisticamente de controle de aluguel. Esta prática tem desaparecido

como consequência de que muitas pessoas sentem que os valores dos aluguéis estão muito altos (particularmente os estudantes). Embora algumas pessoas não estejam necessariamente satisfeitas com a situação, de muitas maneiras a mudança representa uma melhoria. Na década de 1970, quando o controle de aluguel estava em atividade, era normal as pessoas terem dificuldade de conseguir uma casa ou flat por que os proprietários relutavam em colocar seus bens no mercado aos preços regulados de então. Portanto, existia uma procura excessiva por casas naquele preço. Após a abolição dos controles de aluguel, mais propriedades entraram no mercado, embora a um valor mais elevado. Após o impedimento para a oferta e procura ter mudado, o excesso de demanda foi extinto do mercado em determinado nível. Apesar de muitas pessoas ainda dizerem que os preços de moradia são um problema no Reino Unido, pelo menos os motivos são diferentes!

 

Sustentando os preços mínimos

O tipo oposto de intervenção de mercado é um preço mínimo, pelo qual o governo mantém o preço acima de seu valor de equilíbrio de mercado. Um exemplo dessa situação é mostrado na Figura 8-14, na qual o preço mínimo, PF, é maior que o preço de equilíbrio de mercado, P*. Para deixar claro que os preços não podem cair abaixo de PF, desenhamos uma linha horizontal sólida naquele preço.

 

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O problema da Figura 8-14 é que, ao preço de PF, a quantidade de oferta, QS, é muito maior que a quantidade de demanda, QD. A resposta convencional para tal situação de excesso de oferta é a queda do preço. Para prevenir isto, o governo intervém e compra a oferta em excesso, para impulsionar o preço para cima.

Em outras palavras: da quantidade total de QS que é oferecida ao preço de PF, os consumidores regulares procuram e compram QD. O restante, QS – QD, deve ser comprado pelo governo. Isto não parece ruim, até que você Lê sobre os preços mínimos na agricultura, que são, geralmente, referidos, eufemísticamente, como suportes de preço (como em “Oh, coitado! Tudo o que você precisa é de um pouco de apoio!”).

O suporte aos preços gera pilhas enormes de safras que ninguém quer comprar. Por exemplo, a política comum para a agricultura da União Europeia atua como preço mínimo. Graças à política de dar apoio a agricultores, a Europa produz montanhas de manteiga que ninguém quer, e lagos, se não oceanos, de vinhos que ninguém bebe.

 

S

 

PF

Preço P*

 

D

 

Preço mínimo. Quantidade Figura 8-14: QD Q* QS

Desse modo, com relação a ambos, preço mínimo e preço máximo, a mensagem que você deve tirar é que grandes prejuízos são causados, normalmente, quando se interfere nos mercados. Esta racionalização não significa que governos nunca devem interferir na operação de um mercado, mas sim que eles precisam ser espertos o suficiente para não interferirem de forma a levar a resultados perversos (claro, de nosso próprio ponto de vista individual e egoísta, na verdade desejamos que o governo decida apoiar o salário dos economistas acadêmicos. Adoraríamos ser pagos para não dar aulas).

 

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Capítulo 8: Oferta e Demanda de Forma Fácil 195

REAL

DO

UN

M Primeiro Mundo apoia,

Terceiro Mundo sofre

Um resultado perverso do apoio dos países enviam, muitas vezes, este material gratui-ricos aos preços na agricultura, como os tamente aos países em desenvolvimento, Estados Unidos e as nações da União Euro- como ajuda alimentar. Isto pode parecer peia fazem, é o grande prejuízo que esses bom e amigável, mas quando todo aquele apoios causam às nações em desenvolvi- trigo grátis chega à Nigéria, ele coloca os mento. Por exemplo, nos Estados Unidos agricultores nigerianos fora dos negócios. o preço do açúcar é três vezes o valor do Você pode ver que consequências isso traz preço mundial, porque os Estados Unidos à economia local.

 

restringem a importação de produtos es- Interferir nos mercados pode ser, portan-trangeiros mais baratos para ajudar as gi-to, uma coisa ruim: efeitos colaterais se-gantes empresas produtoras de alimentos cundários inesperados acabam atingindo da América. O resultado é que milhares pessoas que a política não intencionava de fazendeiros pobres do Terceiro Mun-prejudicar. Além disso, essas políticas do, que poderiam ganhar a vida vendendo são também, com frequência, ineficien-açúcar para americanos e europeus, são tes, custando mais aos perdedores do deixados sem um meio de subsistência. que trazem benefícios aos vencedores. Ainda pior é o que os Estados Unidos e a Quando você vê uma política como essas, Europa fazem com algumas das muitas to- vale a pena pensar nela cuidadosamente neladas de produtos agrícolas em excesso, e notar onde os custos ocultos estão cain-que se acumulam devido ao suporte aos do. Embora nós gostemos de agir fora da preços da agricultura. Sem querer vender o vista, fora da percepção, os custos ocul-excedente nos Estados Unidos ou na Europa, tos podem ser muito reais e assomar-se e assim pressionar os preços, os governos de forma significativa.

 

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Capítulo 9

 

 

Conhecendo o

 

Homo Economicus,

 

a Maximização da

 

Utilidade do Consumidor

 

Neste Capítulo

X Estude como as pessoas maximizam sua felicidade

X Leve em consideração a utilidade marginal reduzida

X Observe como as pessoas avaliam as alternativas

X Escolha exatamente a quantia certa dentro de um orçamento limitado

 

Este capítulo recapitula a curva de demanda (introduzida no capítulo 8), mostrando a você como as pessoas escolhem as coisas que desejam. Este processo decisório é muito importante porque são os desejos dos seres humanos que dirigem a economia. As empresas não produzem bens e serviços aleatoriamente; elas produzem aquilo que as pessoas desejam comprar e estão dispostas a gastar dinheiro nelas.

O que torna o estudo desse processo difícil é o fato de que as pessoas têm muitas coisas diferentes em que podem gastar seu dinheiro. Se um economista fosse convidado a investigar como você poderia gastar $ 100,00 em uma loja que vendesse apenas bolinhos de amoras, o trabalho do economista não seria muito difícil. O que é mesmo impressionante é que os economistas têm de apresentar uma forma para explicar como você gastaria $ 100,00 em uma loja que tem centenas ou mesmo milhares de itens à venda.

Ainda mais impressionante é o fato de que um economista pode explicar não apenas quais itens você compraria, mas também quanto de cada você compraria. Em outras palavras, os economistas podem explicar não apenas o que você procura, mas também quanto você demanda, que é de onde vêm as curvas de demanda.

 

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Começamos este capítulo discutindo utilidade, que significa como os economistas medem a felicidade humana. Os economistas pressupõem que as pessoas agem de forma a maximizar sua felicidade, mas nossas ações são condicionadas, principalmente, pelos limitados orçamentos. Explicaremos como as pessoas navegam nestas restrições para obter a máxima felicidade possível dados os limites envolvidos. Finalmente, mostraremos como essas decisões fundamentam e explicam a inclinação e posição das curvas de demanda.

 

Sabendo o Nome do Jogo:

 

Restringindo a Otimização

Mais tarde, neste capítulo, discutiremos como as pessoas escolhem o que comprar quando compram. Mas antes, vamos focar no por que elas têm que escolher.

As pessoas devem fazer escolhas porque os meios de satisfação de suas vontades são limitados. Nunca há dinheiro ou tempo suficiente para fazer tudo o que se deseja. Consequentemente, você precisa escolher sabiamente, de modo a extrair a maior felicidade possível de seus limitados recursos.

Economistas e engenheiros se referem a este tipo de situação como problemas de otimização condicionada, porque as pessoas estão tentando otimizar sua felicidade, dado o fato de que elas estão restritas a seus limitados recursos. O restante deste capítulo mostra como os economistas modelam o modo como as pessoas resolvem seus problemas cotidianos de restrições, decidindo como melhor gastar seus recursos em bens e serviços — escolhendo não apenas o que comprar, mas também quanto de cada.

 

Encontrando um Denominador Comum

 

para Medir a Felicidade: Utilidade

Para que as pessoas possam escolher entre bens e serviços extremamente diferentes disponíveis na economia, elas precisam ter um modo de comparar todos eles. Comparar os custos é muito fácil; basta apenas comparar os preços. Mas, como você compara os benefícios de vários bens e serviços? Como você avalia se é melhor gastar $ 20,00 em barras de chocolate suíço ou em uma camisa xadrez nova? De que forma são comparáveis chocolates e camisas?

CEIT O-CH A VE Obviamente, as pessoas conseguem fazer a comparação e classificar as duas

ON opções. O modo como os economistas imaginam que as pessoas fazem isto C é atribuindo uma medida em comum de felicidade para cada coisa possível

que elas poderiam comprar e usar. Os economistas chamam esta medida

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 198 04/05/2012 18:05:05 Capítulo 9: Conhecendo o Homo Economicus, a Maximização ... 199

comum de felicidade de utilidade, e imaginam que, se pudessem, de alguma forma, entrar em seu cérebro e medir a utilidade, poderiam fazê-lo utilizando uma unidade a qual eles se referem, com pouca criatividade, como um útil. Entretanto, fazer alegações tão fortes sobre como as pessoas medem sua felicidade não é necessário.

Algumas pessoas desaprovam muito naturalmente a atribuição de um número útil específico para coisas diferentes — por exemplo, 25 útils para o prazer associado de comer um brownie ou 75 útils para o prazer associado a assistir a um pôr do sol (embora o filósofo Jeremy Bentham tenha criado um esquema para fazer justamente isso). Fazer este tipo de atribuição é chamado de utilidade cardinal (como os números cardinais: l, 2, 3 ...). As pessoas desaprovam a utilidade cardinal porque não fica claro sequer se elas fazem este tipo de avaliação — afinal, quantos útils você acha que receberá por um dia de sol ou pelo sorriso de uma criança?

Algo muito menos censurável a ser feito é pensar em termos de utilidade ordinal, um sistema em que você simplesmente classifica as coisas. Por exemplo, em vez de dizer que o pôr do sol tem uma utilidade de 75, que o torna preferível ao brownie, com uma utilidade de 25, você pode apenas dizer que ele é preferível ao brownie. Este sistema traz um sentimento muito mais intuitivo para a maioria das pessoas, e elimina a necessidade de tentar medir as coisas usando uma unidade imaginaria chamada útil.

Ainda melhor, está provado matematicamente que você pode descrever o mesmo comportamento humano de escolhas, usando a utilidade ordinal melhor do que usando a utilidade cardinal, isto significa que os economistas não têm que usar a utilidade cardinal.

Mas nós a usaremos de qualquer forma!

Por quê? Porque é muito mais fácil explicar o conceito crucial de utilidade marginal reduzida utilizando o sistema de utilidade cardinal. Também é possível explicar a utilidade marginal reduzida utilizando o sistema ordinal, mas a matemática é tão difícil que, nós usualmente deixamos este método para os estudantes de doutorado. Por isso, embora o sistema de utilidade cardinal pareça um pouco fora da realidade, ele é o melhor modo de transmitir esta ideia incrivelmente importante.

 

Obtendo Menos de Mais: Utilidade

 

Marginal Reduzida

As pessoas ficam entediadas com as coisas de que gostam e se cansam da repetição e da monotonia. Os economistas têm que levar tudo isso em consideração quando estudam como as pessoas escolhem gastar o dinheiro.

EXEM PLO Se você ama pizza, e não comesse por um longo período de tempo, teria uma

enorme quantidade de utilidade para comer um pedaço. O queijo derretido, o manjericão e alho no molho e o entusiasmo em sua boca, tudo isso lhe

 

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faria muito, muito feliz. Mas, o estímulo para pizza diminui logo após aquele primeiro pedaço, e se você comer um segundo pedaço, ela ainda será muito boa, mas não tão boa quanto a primeira. E se comer um terceiro pedaço, ele não será tão bom quanto o segundo. E se continuasse comendo e comendo, os pedaços adicionais de pizza logo o deixariam passando mal e produziriam dor em vez de prazer.

Este fenômeno não está limitado a pizza; ele se aplica a quase tudo. A menos que você seja viciado em alguma coisa, caso contrário, irá se cansar do objeto de interesse, e cada unidade adicional dele o deixará menos feliz do que a primeira.

Para tornar este fenômeno mais claro, observe a Figura 9-1, que mostra o total cumulativo de utilidade do amante de pizza enquanto ele come mais e mais. Por exemplo, a utilidade total após comer um pedaço de pizza é de 20 útils. Depois de comer dois pedaços, ela é de 36 útils. E, depois de três pedaços, é de 50 útils.

80

70

60

otal 50

40

Utilidade T 30

Figura 9-1: 20

total de um 10 A utilidade

fã de pizza à 0

medida que 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

come mais e

mais pedaços. Fatias

 

Ao olhar para todos estes números, você deve notar que a utilidade extra de cada pedaço adicional está diminuindo:

✓ Primeiro pedaço: Utilidade total aumenta para 20 útils, de 0 para 20 útils.

✓ Segundo pedaço: O aumento é de apenas 16 útils; minha utilidade

total aumentou de 20 para 36 útils.

✓ Terceiro pedaço: A utilidade aumentou apenas 14 útils, de 36 para 50.

CEIT O-CH A VE Os economistas se referem a este fenômeno como utilidade marginal

ON reduzida, porque a utilidade extra, ou a utilidade marginal, que cada C pedaço sucessivo traz diminuições relativas a utilidade marginal trazida

pelo primeiro pedaço (lembre-se que só nos importa a utilidade extra de cada pedaço, a utilidade marginal). Diminuir a utilidade marginal é simplesmente um reflexo do fato de que as pessoas ficam fartas ou

 

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entediadas com o que outrora era objeto de desejo. No caso de comida e bebida, o apetite diminui a cada unidade que consomem.

Olhe o que acontece na Figura 9-1 depois do pedaço número oito. A utilidade total efetivamente cai, porque o pedaço de número nove irá fazer até mesmo o mais doente fanático por pizza passar mal. Adicione o pedaço de número dez e a utilidade total cairá novamente.

Estas diminuições na utilidade total implicam que a utilidade marginal deve ser negativa para os pedaços nove e dez. Observe a Tabela 9-1, que dá ambos, a utilidade total e marginal, para cada pedaço. Como você pode ver, os dados correspondentes à Figura 9-1 mostram que enquanto minha utilidade total aumenta nos pedaços um até sete, ela para no pedaço de numero oito e cai nos pedaços nove e dez.

 

Tabela 9-1 Utilidade Total e Marginal de Comer Até Dez

Pedaços de Pizza

Pedaço Utilidade Total Utilidade Marginal

1 20 20

2 36 16

3 50 14

4 58 8

5 64 6

6 68 4

7 70 2

8 70 0

9 68 -2

10 64 -4

A coluna da direita mostra a diminuição da utilidade marginal que vem ao comer mais e mais pedaços de pizza, porque a utilidade marginal que vem com cada pedaço adicional é sempre menor do que o pedaço anterior. Especificamente, embora a utilidade marginal seja de 20 útils para o primeiro pedaço, ela cai para 0 útils no pedaço oito e, então, efetivamente, torna-se negativa para os pedaços nove e dez, porque comê-los dará dor de barriga.

Na Figura 9-2, colocamos em gráfico a utilidade marginal para cada pedaço de pizza. Você pode ver claramente, a partir da curva decrescente de pontos, que a utilidade marginal diminui na medida em que os pedaços de pizza aumentam.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 201 04/05/2012 18:05:05 202 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

É necessário ser cuidadoso para não confundir utilidade marginal reduzida com utilidade marginal negativa. Como você observa na Tabela 9-1 e na Figura 9-2, a diminuição da utilidade marginal reduzida para todos os pedaços de pizza começa com a segunda, porque cada pedaço sucessivo tem uma utilidade marginal menor que o anterior. Mas, as utilidades marginais ainda são positivas para todos os pedaços até o sete, e tornam-se negativas apenas para os de número nove e dez.

 

25

20

15

10

5

Utilidade Marginal 0

Figura 9-2: -5

Utilidade

marginal que -10

deriva de 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

cada pedaço

de pizza. Fatias

 

Este fato aponta que você gosta de comer todos os pedaços acima, incluindo o sétimo, porque fazer isso lhe traz um aumento na utilidade (felicidade). Então, não pense que apenas porque a utilidade marginal de um pedaço está diminuindo, você não irá querer comê-lo. A utilidade marginal pode estar diminuindo, mas ainda é positiva. Os únicos pedaços que você desejara evitar completamente serão o nono e o décimo.

 

Escolhendo Entre Várias Opções

 

Quando se tem um Orçamento

 

Limitado

O fenômeno da utilidade marginal reduzida torna o estudo das escolhas do ser humano algo muito interessante, porque se você prefere sorvete de chocolate ou de baunilha, isto não pode ser determinado de forma abstrata. Pelo contrário, isso depende do que você já comeu.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 202 04/05/2012 18:05:06 Capítulo 9: Conhecendo o Homo Economicus, a Maximização ... 203

PLO Se há meses você não toma nenhum sorvete e lhe perguntassem qual sabor

EX preferiria, chocolate ou baunilha, você poderia dizer chocolate. Mas, se EM

perguntassem se você preferia chocolate ou baunilha depois de ter comido um pote de sorvete de chocolate, você diria baunilha, porque seu desejo por chocolate estaria mais do que saciado.

Por isso, a resposta para a questão “chocolate ou baunilha?” não é tão simples quanto parece. Suas preferências apresentam utilidade marginal reduzida e, mesmo algo que você normalmente gosta muito, não lhe trará muita utilidade marginal (felicidade adicional), se você já tiver essa coisa em demasia.

Este fato acaba por nos levar a uma regra bastante simples sobre como as pessoas tomam decisões quando se deparam com orçamentos limitados. Mas, antes que nós exponhamos a regra, daremos um exemplo que ajudará a explicá-la.

 

Tentando comprar tanta utilidade

(marginal) quanto possível

PLO Neste exemplo, você tem $ 10,00 para gastar e está indo para o bar local

EXEM dos estudantes, onde só há duas coisas nas quais pode gastar seu dinheiro:

cerveja e pizza. Agora você está pensando em qual a melhor maneira de gastar seus $ 10,00, e a coisa mais inteligente a fazer é pensar em termos de quanta utilidade pode comprar com seus escassos recursos. Ambas, pizza e cerveja, o fazem feliz, mas seu objetivo não é só ficar feliz, é ser tão feliz quanto possível dados os limites orçamentários. Assim, você quer ter certeza de que cada real irá comprar a quantidade máxima de utilidade.

Tenha em mente que você não se importa de onde a utilidade vem. Um útil de cerveja o faz feliz tanto quanto um útil de pizza; tudo com que se importa é comprar tantas utilidades quanto possível.

Para fazer isto, o conceito chave é o preço da utilidade. Cerveja e pizza têm, claramente, seus preços medidos em reais, mas qual é o preço de uma utilidade?

Bem, depende. Dê uma olhada na Tabela 9-2. As três primeiras colunas repetem os dados da Tabela 9-1 que dão a utilidade total e marginal para dez pedaços de pizza. Mas as duas últimas colunas incluem novos dados e são chamadas, respectivamente, de “MU por real a $ 1,00 por pedaço” e “MU por real a $ 2,00 por pedaço”. MU é a abreviação de utilidade marginal (marginal utility).

 

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Tabela 9-2 Determinando o Preço de Utilidade para Pizza

Pedaço Utilidade Total Utilidade MU por $ a MU por $ a

Marginal $ 1,00 por $ 2,00 por

Pedaço Pedaço

1 20 20 20 10

2 36 16 16 8

3 50 14 14 7

4 58 8 8 4

5 64 6 6 3

6 68 4 4 2

7 70 2 2 1

8 70 0 0 0

9 68 -2 -2 -1

10 64 -4 -4 -2

O que fizemos nestas duas últimas colunas foi calcular quanto custa para obter alguma felicidade adicional (utilidade marginal), se a maneira para conseguir isto for comprar pedaços de pizza.

Considere a quarta coluna, que pressupõe que cada pedaço de pizza custa $ 1,00. Se você comprar um pedaço, ela traz uma utilidade marginal de 20 útils a um custo de $ 1,00. Portanto, o MU, do primeiro pedaço é 20.

Mas agora considere gastar um segundo real para comprar um segundo pedaço de pizza. Como este segundo pedaço traz consigo uma utilidade marginal de apenas 16 útils, a MU é apenas 16. E porque a utilidade marginal reduzida continua a diminuir a utilidade marginal de cada pedaço adicional de pizza, cada quantia adicional que você gasta lhe compra menos utilidade adicional do que a anterior.

A última coluna da Tabela 9-2 mostra que a MU por quantia que você obtém da pizza depende de quanto custa cada pedaço. Se a pizza custa $ 2,00 por pedaço, cada quantia gasta nos traz menos utilidade marginal do que quando a pizza custa apenas $ 1,00 por pedaço.

Por exemplo, porque cada pedaço custa agora $ 2,00, quando compra o primeiro pedaço (e isto lhe traz 20 útils) você está obtendo apenas 10 útils por cada quantia gasta. Do mesmo modo, enquanto o segundo pedaço traz a você 16 útils adicionais de felicidade, porque ele agora custa $ 2,00 para obtê-los, sua UM por $ é de apenas 8 útils.

 

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Na Tabela 9-3, damos a você o mesmo tipo de informação da Tabela 9-2, mas desta vez, ela é para a utilidade total, utilidade marginal, e MU por quantia quando estou bebendo cerveja ao custo de $ 2,00 por garrafa.

Tabela 9-3 Determinando o Preço de Utilidade por Cerveja

Garrafa Utilidade Total Utilidade Marginal MU por $ a

$ 2,00 por garrafa

1 20 20 10

2 38 18 9

3 54 16 8

4 68 14 7

5 80 12 6

6 90 10 5

7 98 8 4

8 104 6 3

9 108 4 2

10 110 2 1

Como você pode ver a partir da terceira coluna, existe redução na utilidade marginal no que diz respeito a cerveja, assim como sua MU para cada cerveja cai de 20 útils para apenas 2 útils em relação a décima cerveja. Como resultado, sua MU por quantia gasta na quarta coluna cai de dez para a primeira garrafa para apenas um para a última garrafa.

 

Alocando dinheiro entre dois produtos

para maximizar a utilidade total

As Tabelas 9-2 e 9-3 mostram quanta utilidade você pode conseguir gastando dinheiro ou em pizza ou em cerveja. O truque agora é ver como pode obter o máximo de utilidade possível para seu orçamento limitado de $ 10,00.

Como uma primeira tentativa, considere as duas opções extremas: estourar todo o dinheiro em pizza ou estourar todo o dinheiro em cerveja. A pizza custa $ 1,00 por pedaço e a cerveja custa $ 2,00 por garrafa.

 

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Se gastar os $ 10,00 em pizza, você pode comprar $ 10,00 de pizza, que lhe darão um total de 64 útils. Por outro lado, se gastar os $10,00 em cerveja, poderá comprar cinco garrafas a $ 2,00 cada e assim, obter 80 útils no total. Se estas fossem suas duas únicas opções, eu você claramente preferiria gastar todo o dinheiro em cerveja, porque isto traria mais útils do que comprar apenas pizza.

Entretanto, há algo muito melhor a fazer. Você poderá obter muito mais utilidade total se, sabiamente, mesclar um pouco e gastar seu dinheiro um pouco em cerveja e um pouco em pizza.

Se você se perder na primeira vez em que passar pela próxima etapa, não entre em pânico! A chave para lembrar é que você não está interessado no item que você compra, mas na felicidade ou utilidade que você tem ao adquiri-lo.

CEIT O-CH A VE A maneira com que você obtém a maior utilidade possível de seus $ 10,00 é

ON simples: pegue cada unidade por sua vez e o gaste naquilo que lhe trará mais C utilidade. Não pense na tarefa como comprar pedaços de pizza ou garrafas de

cerveja, mas tenha em mente que seu trabalho é comprar utilidade. Para cada quantia gasta, compre tanta utilidade quanto possível, e não se importe se aquela utilidade vem da cerveja ou da pizza.

A única coisa que complica este processo, de gastar cada real em qualquer produto que trará a maior utilidade, é o fato de que você tem utilidade marginal reduzida para ambas, cerveja e pizza, o que quer dizer que a quantidade de utilidade que você será capaz de comprar com cada real extra gasto, dependerá de quanta cerveja ou pizza você já comprou. Mas, dadas as informações nas Tabelas 9-2 e 9-3, é possível calcular a melhor coisa que se deveria fazer com cada quantia:

✓ Quantia 1: Como você gasta sua primeira unidade? A partir da

quarta coluna da Tabela 9-2, você pode ver que, se gastar aquela

quantia em pizza, pode comprar 20 útils de utilidade. Por outro lado,

a quarta coluna da Tabela 9-3 diz que se gastar aquela primeira

unidade em cerveja (juntamente com uma segunda unidade, uma

vez que a garrafa custa $ 2,00), obterá apenas 10 útils de utilidade.

Assim, a coisa mais óbvia a fazer com a primeira unidade é comprar

pizza em vez de cerveja.

✓ Quantia 2: Se usar sua segunda unidade para comprar um segundo

pedaço de pizza, você obterá 16 útils de utilidade. Se comprar cerveja

com a segunda unidade (juntamente com uma terceira unidade,

porque o preço de uma garrafa de cerveja é $ 2,00), conseguirá

apenas 10 útils para aquela segunda unidade, porque ela será gasta

comprando a primeira garrafa. Assim, mais uma vez, é melhor gastar

esta unidade em pizza em vez de cerveja.

✓ Quantia 3: Também é melhor gastar a terceira unidade em pizza em

vez de cerveja, porque você conseguirá 14 útils de utilidade marginal,

em vez de 10 útils. Lembre-se: esta unidade compraria a primeira

garrafa de cerveja, o que traz 10 útils de utilidade.

 

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✓ Quantias 4 e 5: Na unidade de número quatro, tudo muda. Isto por

que se gastar uma 4º unidade em pizza, ela trará 8 útils. Entretanto,

se gastar esta segunda unidade (juntamente com a quinta) em

uma garrafa de cerveja, obterá uma MU por unidade de 10 útils.

Assim, você deveria gastar as unidades quatro e cinco comprando a

primeira garrafa de cerveja.

✓ Quantias 6 e 7: Deveria também gastar as unidades seis e sete em

cerveja, porque conseguiria uma MU por unidade de 9 útils para sua

segunda garrafa, ao passo que conseguirá apenas 8 útils se gastar a

sexta unidade em um quarto pedaço de pizza.

✓ Quantias 8, 9 e 10: Para a unidade de número oito, as MUs por

unidade estão atadas. Se usar esta unidade para comprar o quarto

pedaço de pizza, você obterá 8 útils. O mesmo vale para a unidade

em uma terceira garrafa de cerveja. Então, o que deve fazer é gastar

suas últimas três moedas comprando o quarto pedaço de pizza e a

terceira garrafa de cerveja.

Na Tabela 9-4, listamos onde você deve gastar cada um das suas 10 moedas. Observe que a utilidade total que pode comprar com suas dez moedas é de 112 útils. Isto é muito melhor do que 64 útils que obteria gastando todo o seu dinheiro em pizza ou os 80 útils em cervejas. Ao gastar cada moeda em série nos produtos que trouxessem a maior utilidade, você fez muito melhor do que poderia gastando o dinheiro em apenas um dos dois produtos.

 

Tabela 9-4 Como Otimizar os Gastos em Seu Orçamento

Unidade de Melhor Escolha MU

moeda

1 Pizza 20

2 Pizza 16

3 Pizza 14

4 Cerveja 10

5 Cerveja 10

6 Cerveja 9

7 Cerveja 9

8 Pizza 8

9 Cerveja 8

10 Cerveja 8

Total de útils 112

 

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Observe também que você acaba comprando quatro pedaços de pizza e três garrafas de cerveja. Dados este orçamento e estes preços, sua quantidade demandada de pizza é de quatro pedaços e de cerveja é de três garrafas. O processo de maximizar a utilidade também é a base da curva de demanda e a relação entre a quantidade demandada e o preço (discutimos curva de demanda no capítulo 8 e retornamos ao assunto mais adiante neste capítulo, na seção “Derivando a Curva de Demanda a partir da Utilidade Marginal Reduzida”). Na próxima seção, apresentamos a fórmula mágica de escolher onde gastar seu dinheiro em qualquer situação.

 

Equalizando a utilidade marginal de todos

os bens e serviços

Na seção anterior, passamos por um processo tedioso para determinar como gastar da melhor forma $ 10,00 em cerveja e pizza. Tomar essas decisões nem sempre demora tanto tempo. Nesta seção, explicamos uma fórmula simples, que guia as pessoas para maximizar a utilidade total que elas podem obter no gasto de qualquer orçamento, não importa quantos bens existam para serem escolhidos ou quanto cada um deles custa.

Para manter as coisas simples, vamos começar mostrando a versão da fórmula que se aplica para decidir como gastar melhor seu orçamento quando há apenas dois produtos ou serviços para serem escolhidos. Quando você aprende a fazer a versão com dois produtos, a versão com múltiplos produtos é bem mais fácil.

Vamos chamar os dois produtos de X e Y, e seus respectivos preços são P para cada unidade de X, e P para cada unidade de Y. Fora isso, suas x Y respectivas utilidades marginais são MU e MU . A fórmula é esta: X Y

MU = MU (1) x y

P P xy

 

Esta equação quer dizer que se uma pessoa alocou da melhor forma possível seu orçamento limitado entre dois produtos, a utilidade marginal de X e Y será igual às melhores quantidades de X e Y.

Esta relação é válida no exemplo da seção anterior. Olhe a Tabela 9-4. Quando você otimiza o gasto de seus $ 10,00 em cerveja e pizza, a quantidade mais adequada de cada é de quatro pedaços de pizza e três garrafas de cerveja. Na terceira coluna da Tabela 9-4, você pode notar que a utilidade marginal para o quarto pedaço de pizza e a terceira cerveja são, de fato, iguais a 8 útils, exatamente como o preceito da formula na equação (1).

 

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Observando por que a utilidade marginal deve ser igual

Nesta seção demonstramos por que a utilidade marginal tem que ser igual se você quiser maximizar sua utilidade ao gastar um orçamento limitado. Se as utilidades marginais não forem iguais, você irá querer continuar reajustando suas compras até que elas sejam. Os exemplos nesta seção mostrarão por que.

Primeiro, imagine que você escolha algumas outras quantidades de cada produto, de modo que para a unidade final de X e para a unidade final de Y que comprar:

MU MU (2) x > y

P P xy

PLO Por exemplo, vamos deixar a pizza ser X e a cerveja Y. A partir das Tabelas

EX 9-2 e 9-3, você pode ver que se comprar quatro garrafas de cerveja e dois EM

pedaços de pizza, a MU para a quarta garrafa de cerveja é 7, enquanto que a MU para o segundo pedaço de pizza é 16. Claramente, a MU de pizza é muito maior que a MU de cerveja, se você gastar seu orçamento limitado dessa maneira.

Mas, esta maneira de gastar o orçamento não é a ideal. A razão é que o dinheiro que você está gastando com a atual unidade final de X (pizza) compra mais utilidade marginal que o dinheiro gasto atualmente na unidade final de Y (cerveja). Se você puder obter mais utilidade gastando uma moeda em X do que em Y, deixe de gastar em Y, de modo a gastá-lo em X. E, enquanto a desigualdade na equação (2) for verdadeira, você deve continuar tirando dinheiro de Y, de modo a aumentar os gastos em X.

Considere um exemplo mais extremo. Suponha que você gaste os $ 10,00 comprando cinco garrafas de cerveja. Você pode ver na Tabela 9-3 que a utilidade marginal em cerveja é de apenas 6. Em contraste, se tirar o dinheiro da cerveja e usá-lo para comprar o primeira pedaço de pizza, isto lhe traria 20 útils (veja Tabela 9-2). Claramente, você deveria reduzir sua compra de cerveja, de modo a aumentar a compra de pizza.

Continuar: parte 11 de 18