Economia Para Leigos

Sean Masaki Flynn e Peter Antonioni · Capítulo 2 de 3 · parte 13/18

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Economia Para Leigos

Capítulo 2

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 18 partes.

delimitado. Número de Vacas

Medindo o excedente de consumo de um bem contínuo

O excedente de consumo também pode ser computado em bens de consumo contínuo e serviços — coisas como terra ou óleo de cozinha ou horas de aulas de música, que não são necessariamente vendidas em unidades delimitadas. Em outras palavras, você pode comprar quantidades fracionadas de bens medidos continuamente, tais como, 31,7678 hectares de terra, 23,9616 litros de óleo de cozinha ou 2 horas e 50 minutos de aulas de música.

As curvas de demanda para bens medidos continuamente são mais agradáveis do que as funções degrau que você obtém para bens medidos discretamente. De fato, as curvas de demanda para bens medidos continuamente são linhas planas, inclinadas para baixo, que você já está acostumado a ver (como no Capítulo 8).

A suavidade de tais curvas de demanda significa que quando você coloca em gráfico o excedente de consumo para um bem medido continuamente, obtém uma área triangular que se situa abaixo da curva de demanda e acima do preço de mercado. Você pode ver essa fatia ilustrada na Figura 11-4, que representa o mercado de óleo de cozinha.

 

EX EM PLO Na Figura 11-4, o preço do óleo de cozinha é de $ 5,00 por litro. A este preço, as pessoas querem comprar 1.000 litros de óleo de cozinha. A curva

de demanda se encontra acima da linha horizontal de preço, $ 5,00, o que significa que os compradores fazem melhor se comprarem esses 1.000 litros, porque eles têm mais valor para os compradores que os $ 5,00 por litro que custa para comprá-los.

 

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$10

9

8

7

6

Preço 5 Preço = $5

Excedente de Consumo = $2,500

4

3

Figure 11-4: 2 D

Excedente 1

de consumo

para um bem 1,000

contínuo. Litros de Óleo de Cozinha

Para calcular o excedente de consumo de um bem contínuo, você totaliza todos os ganhos que as pessoas recebem quando compram por menos dinheiro do que estão dispostas a pagar — exatamente como você faria para um bem delimitado. Mas agora que estamos lidando com um triângulo, o total máximo requer um pouco de geometria. Não se preocupe, é fácil. Você simplesmente utiliza a fórmula para calcular a área de um triângulo (½ x base x altura) para encontrar o excedente total. Neste caso, multiplique ½ x 1.000 x 5 = $ 2.500,00.

Medindo o excedente de produção

O excedente de produção mede o ganho que as empresas recebem quando podem vender sua produção por mais que o preço mínimo que estariam dispostas a aceitar. Você pode calcular o excedente de produção para ambos os bens delimitados e contínuos, assim como você pode calcular o excedente de consumo para cada um deles. Nesta seção, oferecemos um exemplo do cálculo de excedente de produção para um bem contínuo.

Para obter um bom exemplo sobre excedente de produção, observe a Figura 11-5, que mostra a curva de oferta, S, para óleo de cozinha. Esta curva de oferta é crucial para determinar o excedente de produção, porque cada ponto na curva de oferta diz a você o mínimo que teria que pagar aos fornecedores para que eles lhe dêem a respectiva quantidade de produtos. Comparando cada valor mínimo com o mais alto preço de mercado que eles realmente recebem ao vender sua produção, você pode computar o excedente de produção. Para saber mais sobre curvas de oferta e como interpretá-las, consulte o Capítulo 8.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 252 04/05/2012 18:05:14 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 253

 

$10

9

8 S

7

Preço 6 Excedente de Consumo = $2,000

5 Preço = $5

4

3

Figura 11-5: 2

de produção Excedente 1

para um bem

contínuo. 1,000

Litros de Óleo de Cozinha

O preço do óleo de cozinha ainda é $ 5,00 por litro. E da forma como desenhamos o gráfico, os produtores vão querer oferecer exatamente 1.000 litros de óleo de cozinha por este preço. Eles querem oferecer a este preço porque para cada gota de óleo, incluindo até a última gota do milésimo litro, os custos de produção dados pela curva de oferta são menores que $ 5,00 por litro, que é o valor que os produtores obtêm quando eles vendem este óleo.

Mas, fundamentalmente, os produtores estão dispostos a fornecer quase todo esse óleo de cozinha por menos de $ 5,00 por litro, preço de mercado. Você pode ver isso pelo fato de que a curva de oferta fica abaixo da linha horizontal de preço, até a última gota do milésimo litro. O fato de eles receberem $ 5,00 por litro para todo o óleo, a despeito de estarem dispostos a produzi-lo por menos, é a fonte para o excedente de produção, que é representado pela área sombreada do triângulo.

Usando a fórmula para a área do triângulo (1/2 x base x altura), você pode calcular que o excedente de produção neste exemplo é de $ 2.000,00. Os produtores estão $ 2.000,00 mais ricos por vender os 1.000 litros de óleo, porque o total em espécie que eles obtêm da venda desses mil litros excede a quantidade mínima que estariam dispostos a aceitar pelos $ 2.000,00.

Calculando o total excedente

O total excedente que a sociedade recebe pelo excelente nível de produção determinado bem ou serviço é, simplesmente, a soma do excedente de consumo e produção gerados pelo nível de produção.

 

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A Figura 11-6 ilustra o excedente total para um mercado, no qual o preço de equilíbrio e a quantidade são, respectivamente, p* = $ 5,00 e q* = 4 (se este gráfico parecer familiar é porque ele é o mesmo da Figura 11-1.)

 

$10 9 Total Excedente = Excedente de Consumo

+ Excedente de Produção

8 S

Figura 11-6: 7 O total

é a soma do Preço 5 excedente 6

 

(área listrada de consumo excedente 4 3

 

na vertical) e 2 D de produção o excedente 1

(área listrada

na diagonal). 1 2 3 4 5 6 7

Quantidade

Desenhamos a área de excedente total para que você possa ver claramente que ela é formada pelo excedente de consumo e o excedente de produção. Os dois são separados pela linha horizontal que se estende a partir do preço de ponto de equilíbrio do mercado ($ 5,00). O triângulo de excedente de consumo é preenchido com linhas verticais, enquanto que o excedente de produção é preenchido com linhas diagonais.

Usando a fórmula novamente para a área do triângulo, nós multiplicamos ½ x 4 x 8 para descobrir que para este gráfico, o excedente total é de $ 16,00. O ganho total da sociedade a este nível de produção é de $ 16,00.

Contemplando o excedente total

O excedente total é muito importante porque ele coloca um número nos ganhos que vêm da produção e do comércio. As empresas fazem coisas para obter lucro. As pessoas gastam dinheiro nas coisas porque consumir aquelas coisas as deixam satisfeitas. E o total excedente diz exatamente o quanto os consumidores e produtores estão em melhor situação financeira após interagirem uns com os outros.

Ao colocar um número nos ganhos obtidos por esta interação, o excedente total também oferece uma marca de referência pela qual os economistas podem medir o dano que vem das políticas governamentais que interferem no mercado. Por exemplo, dizer que o subsidio de preços fere o consumidor é uma coisa, mas ser capaz de dizer exatamente em quanto dinheiro os consumidores são lesados é outra. E este é o próximo tema que abordamos.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 254 04/05/2012 18:05:15 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 255

 

Quando os Livres Mercados

 

Perdem a Liberdade: Lidando com

 

Perdas Inesperadas

Como observamos anteriormente neste capítulo, os economistas amam os livres mercados porque eles produzem apenas aquelas unidades para as quais os benefícios excedem os custos. Em outras palavras, o equilíbrio de mercado assegura que o total excedente seja o maior possível.

CEIT O-CHAVE Qualquer coisa que interfira na capacidade do mercado de alcançar o

ON equilíbrio e produzir a quantidade de mercado, reduz o total excedente. Os C economistas usam o pitoresco termo perdas inesperadas para se referirem à

quantia em que o excedente total é reduzido.

Nas seções seguintes, daremos exemplos detalhados de perdas inesperadas causadas por preço máximo e taxas. Estes tipos de interferência no mercado estão ambos sob o controle governamental, mas não pense que as perdas inesperadas são causadas apenas pela política do governo. Qualquer coisa que reduza a produção abaixo da quantidade de mercado causa uma perda inesperada. Monopólios e oligopólios podem ser os culpados, como também podem ser as informações assimétricas e problemas com bens públicos — todos esses assuntos serão discutidos nos próximos capítulos.

 

Dissecando as perdas inesperadas a partir

de um preço máximo

Como exemplo de uma perda inesperada, olhe a Figura 11-7, na qual o governo impôs o preço máximo de PC. Conforme apresentamos no capítulo 8, preço máximo é o maior preço pelo qual os vendedores podem vender seus produtos legalmente. Geralmente, os preços máximos têm a intenção de ajudar os compradores a obterem um preço baixo, mas, como vamos mostrar a vocês, eles causam muitos prejuízos.

Para ver os danos que o preço máximo inflige, primeiro note que ao preço máximo de PC, os fornecedores querem vender apenas qL unidades de produção (o L representa baixo - low). Em outras palavras, naquele preço, apenas a primeira unidade de produção qL é lucrativa para se produzir. Em contraste, se não existisse preço máximo e o mercado fosse deixado aos seus próprios dispositivos, os fornecedores escolheriam produzir a quantidade de produtos para o equilíbrio do mercado, q*.

Consequentemente, se este fosse um livre mercado, o excedente total seria representado graficamente por um triângulo definido pelos pontos A, B e C. Mas como apenas qL unidades de produção podem ser produzidas, a área excedente total é reduzida para a área sombreada com os ângulos em A, B, F, e E.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 255 04/05/2012 18:05:15 256 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

 

B Excedente Total

S

F

Perdas Inesperadas

C

Preço

 

pC Preço Máximo

Figura 11-7: E

D

Redução do A excedente

total causada L q q pelo preço

máximo. Quantidade

A diferença entre o excedente total gerado pela produção de q* versus qL unidades de produção é o triângulo assinalado com listras diagonais, definido pelos pontos E, F, e C. A área deste triângulo ilustra a perda inesperada que vem da redução da produção abaixo do melhor nível social, q*.

O preço máximo é prejudicial porque para todas as unidades entre qL e q*, os benefícios excedem os custos, o que significa que tais unidades deveriam ser produzidas. Totalizando os ganhos que deveriam ter vindo da produção e consumo dessas unidades, o triângulo das perdas inesperadas pode medir precisamente o prejuízo resultante da interferência no mercado. Se essa não parece ser a causa, considere a oferta de casas alugadas. Uma renda máxima irá – sendo as demais coisas iguais – reduzir a oferta de casas que os proprietários estejam dispostos a alugar. A perda inesperada incorpora aquela perda de oferta.

 

Analisando as perdas inesperadas

de um imposto

Impostos sobre bens e serviços sempre causam perdas inesperadas. Isto acontece porque tais impostos aumentam os custos da produção e do consumo da mercadoria. Quando estes custos são aumentados artificialmente pelo imposto, as pessoas respondem produzindo e consumindo menos unidades de mercadoria que antes do imposto ser ordenado. Porque cada unidade que havia sido consumida antes do imposto ser ordenado era uma unidade cujo benefício havia excedido os custos, a redução na produção que resulta de impostos, necessariamente, reduz o excedente total e causa uma perda inesperada.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 256 04/05/2012 18:05:16 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 257

Considerando como os impostos alteram a curva de oferta

PLO Antes de expor com mais detalhes a perda inesperada que resulta de um

EX imposto, temos que mostrar que a obrigatoriedade do imposto sobre o EM

vendedor altera a curva de oferta verticalmente, pela quantia do imposto. Vamos considerar um exemplo concreto — a oferta de carne bovina no mercado de carne no qual o governo cobra um imposto de $ 1,00 por quilo.

A Figura 11-8 mostra duas curvas (bem, na verdade são duas retas, mas entre na nossa onda aqui). A menor, S, é a curva de oferta para carne bovina. A maior, designada S + imposto, é a curva de oferta na qual o imposto é estabelecido. O que é importante de compreender é que a curva S + imposto é simplesmente a curva de oferta original alternada verticalmente pela quantia do imposto, que neste caso é $ 1,00.

 

S + imposto

 

$6.00 S B

$5.50 F $1

Figura 11-8: $5.00 A

Cobrar um $4.50 E Preço por Quilo

imposto de

$ 1,00 sobre

a carne

bovina alterna

verticalmente

a curva de

oferta por 9 10 $

1,00 de S para Mil Quilos de Carne Bovina S + imposto .

A razão pela qual a curva de oferta alterna verticalmente pelo montante do imposto tem relação com a motivação dos fornecedores. No capítulo 8, explicamos que cada ponto da curva de oferta diz o mínimo que você deveria pagar aos fornecedores para conseguir que eles forneçam uma quantidade relevante. Por exemplo, olhe para o ponto A. Como o ponto A está na curva de oferta, você sabe que tem que pagar $ 5,00 por quilo se quiser que os fornecedores ofereçam 10 mil de quilos de carne bovina. Do mesmo modo, o ponto E diz que você tem que pagar aos fornecedores $ 4,50 por quilo, se quiser que eles forneçam apenas 9 mil de quilos de carne.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 257 04/05/2012 18:05:16 258 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Se o governo vier e exigir um imposto de $ 1,00 por quilo, isto afetará o quanto você terá que pagar aos fornecedores para motivá-los. Se você ainda quiser 10 mil de quilos de carne, terá que pagar a quantia original solicitada para motivar os fornecedores a vender-lhe toda aquela carne ( $ 5,00 por quilo), bem como dinheiro suficiente para pagar os impostos sobre toda aquela carne ($ 1,00 por quilo).

Graficamente, isto significa que o ponto A na curva de oferta S alterna para cima na quantia de $ 1,00 de imposto para tornar-se o ponto B na curva S + imposto. Pelas mesmas razões motivacionais, o ponto E na curva de oferta deve alternar-se para cima, para o ponto F na curva S + imposto. Isto é, se você tiver que pagar aos fornecedores $ 4,50 por quilo para motivá-los a dar-lhe os 9 mil quilos de carne bovina em um mundo onde $ 1,00 por quilo deve ir para o governo em forma de imposto, você tem que reunir um total de $ 5,50 por quilo. E é isto exatamente o que acontece no ponto F.

Todo ponto na curva de oferta, S, deve alternar verticalmente para cima, da mesma forma que os pontos A e E, assim a curva S + imposto capta o que a curva de oferta aparenta depois do imposto cobrado. Com esta alternação em mente, você está pronto para descobrir como este tipo de taxação causa perdas inesperadas.

Considerando como os impostos causam perdas inesperadas

A Figura 11-9 adiciona uma curva de demanda, D, à Figura 11-8. Assim, podemos ver o que acontece com o excedente total quando o governo cobra um imposto de $ 1,00 por quilo de carne vendido no mercado.

 

D

S + imposto

B

$6.00 S

F

$5.50

$5.00

Preço por Quilo $4.50 A E

D

Figura 11-9: G

inesperada A perda Perda Inesperada = £500,000

causada pelo C

imposto de $

1,00 sobre a 9 10

carne bovina.

Mil Quilos de Carne Bovina

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 258 04/05/2012 18:05:16 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 259

Antes do imposto, o equilíbrio de mercado acontece no ponto A, onde a curva de oferta S cruza a curva de demanda D. Neste ponto, os produtores oferecem 10 mil quilos de carne a um preço de $ 5,00 por quilo. O excedente total neste caso é dado pelo triângulo definido pelos pontos C, D e A.

Depois de o imposto ser cobrado, entretanto, o equilíbrio acontece no ponto F, onde a curva S + imposto cruza a curva de demanda, Naquele ponto, o preço da carne bovina é $ 5,50 por quilo e 9 mil quilos são fornecidos. Apenas 9 mil quilos são oferecidos porque depois que o governo leva seu $ 1,00 por quilo em impostos, apenas $ 4,50 restam para motivar o fornecedor. Você pode ver, a partir da curva de oferta que a este valor por quilo, os fornecedores querem fornecer apenas 9 mil quilos.

Em razão do imposto, a quantidade de carne bovina cai de 10 mil para 9 mil quilos. Além disso, o total oferecido é reduzido para o triângulo cujos ângulos são G, D,e F.

Você pode ver imediatamente que este novo excedente total é muito menor que o velho. Mas antes de começarmos a esbravejar sobre os males do governo, precisamos levar em conta a razão pela qual o imposto está sendo cobrado. Impostos (ao menos teoricamente) beneficiam a sociedade, portanto precisamos incluir esta quantia quando calculamos o total excedente do bem vendido a este preço. No novo equilíbrio, 9 mil em impostos serão coletados porque 9 mil quilos de carne bovina vendida será tarifada em $ 1,00 o quilo.

Os $ 9 mil em impostos recolhidos são representados graficamente pelo paralelogramo, cujos ângulos são C, G, F e E. Esta área estava precisamente contida no velho triângulo de total excedente, cujos ângulos eram C, D e A. Consequentemente, esta área que costumava ser parte do velho excedente total não foi destruída, ela foi simplesmente transferida para o governo.

Entretanto, parte do velho excedente total foi destruída. Esta parte é representada graficamente pela área sombreada do triângulo de perdas inesperadas (com os ângulos E, F, e A). Esta área capta o fato de que a sociedade ficou pior por causa da redução na produção de carne bovina de 10 mil para 9 mil quilos. (Bem, agora você pode começar a esbravejar sobre os males do governo.)

Medir o tamanho das perdas inesperadas usando a fórmula para a área do triângulo (l/2 x base x altura) nos diz que o imposto levou a perdas inesperadas de $ 500.000,00. Este é um número muito grande representando uma enorme redução no excedente total que deriva do fato de que para cada 1.000 quilos de carne bovina que não está mais sendo produzida, os benefícios excediam os custos. Todos estes ganhos são perdidos quando o imposto é cobrado.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 259 04/05/2012 18:05:16 260 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

CEIT O-CH A VE Perdas inesperadas são assim chamadas porque você não pode dizer “Sua

ON perda é meu ganho” nesta situação. Os benefícios não foram passados dos C consumidores para os produtores; pelo contrário o nível total de benefícios

para a sociedade como um todo (neste caso), é menor. Não estamos falando sobre algo que passa de uma pessoa para outra. Pelo contrário, perdas inesperado são perdas no sentido de aniquilação. Os ganhos que teriam resultado se todos aqueles quilos de quilos de carne bovina tivessem sido produzidos simplesmente desapareceriam; eles são um peso morto que devemos tolerar em nossos esforços para maximizar a felicidade humana, dados nossos recursos limitados.

 

Características de Concorrência

 

Perfeita: Zero de Lucros e os Custos

 

mais Baixos Possíveis

Anteriormente neste capítulo, demonstramos que os livres mercados produzem apenas as unidades em que os benefícios são, pelo menos, maiores que os custos. Outra coisa maravilhosa sobre livres mercados e concorrência é que a mercadoria é produzida ao menor custo possível.

Este fato é extremamente importante, porque significa que os livres mercados são tão eficientes quanto possível ao converter os recursos em bens e serviços que as pessoas querem comprar.

Além disso, os mercados economizam para a sociedade muito dinheiro, porque eles produzem eficientemente sem requerer qualquer intervenção humana. Não precisamos pagar grandes salários aos peritos para ter certeza de que os mercados funcionam com eficácia, os mercados fazem o trabalho de graça.

 

Entendendo as causas e consequências da

concorrência perfeita

Para assegurar que os mercados funcionem eficientemente, você precisa de uma concorrência forte entre empresas, uma situação que os economistas chamam de concorrência perfeita.

Como explicamos no capítulo 10, a concorrência perfeita existe quando muitas empresas dentro de um mesmo ramo de atividade estão fabricando produtos idênticos (ou muito semelhantes). Os seguintes aspectos são também verdadeiros quando a concorrência perfeita existe.

✓ Cada empresa é uma tomadora de preços – ela tem que aceitar o

preço de equilíbrio de mercado para o que produz – por que sua

mercadoria é uma fração muito pequena em relação à produção

total da indústria (consulte o Capítulo 10).

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 260 04/05/2012 18:05:16 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 261

✓ Todas as empresas tem tecnologia de produção idêntica.

✓ As empresas estão livres para entrar ou sair do ramo de atividade

quando quiserem.

Quando estes requisitos são encontrados, a concorrência perfeita conduz a dois excelentes resultados:

✓ Toda empresa do mesmo setor econômico obtém zero lucro

econômico.

✓ Toda empresa produz mercadoria ao mínimo custo possível.

O primeiro resultado não significa que as empresas não ganham dinheiro sob os custos do negócio, se isso fosse verdade, ninguém entraria no negócio. As empresas devem ganhar dinheiro suficiente para manter os empreendedores motivados a permanecer no negócio (e atrair outros empreendedores a abrirem novas empresas).

Então, o que significa o primeiro resultado? No Capítulo 10, explicamos que os lucros ganhos por uma empresa são quaisquer verbas recolhidas acima e além do que é requerido para manter um proprietário empreendedor interessado em continuar no negócio. Portanto, o fato de a concorrência perfeita conduzir a zero lucro econômico significa que as empresas apenas raramente querem permanecer em seus ramos de atividade.

Isto também significa que ninguém na indústria está enriquecendo de maneira obscena a custa de outra pessoa. Na verdade, os empreendedores estão apenas fazendo o suficiente para manter o suprimento de mercadorias que a sociedade deseja que mantenham. Esta situação é boa para a sociedade, pois seria desperdício pagar aos empreendedores mais do que o necessário para conseguir que façam o que ela deseja.

Discutiremos o segundo resultado da concorrência perfeita — o fato de que todas as empresas acabam produzindo mercadorias ao menor custo possível — na seção “Representando graficamente como os lucros guiam as empresas a entrar e sair dos mercados”. Este resultado também é bom para a sociedade, porque significa que a menor quantidade possível de recursos é consumida enquanto as mercadorias que a sociedade deseja produzir são fabricadas.

 

Espiando o processo de concorrência perfeita

As seções anteriores nos dão uma ideia de como mercados de concorrência perfeita surgiram e como beneficiam a sociedade. Mas, como funciona a concorrência perfeita atualmente? Os próximos quatro passos explicam:

1. O preço de mercado dos produtos vendidos por todas as empresas do

ramo é determinado pela interação geral das curvas de oferta e demanda.

2. Cada uma das empresas tem o preço de mercado dado e produz

sempre a mesma quantidade de produtos que irão maximizar seus

próprios lucros (ou minimizar suas próprias perdas se o preço estiver

tão baixo que não seja possível obter lucro).

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 261 04/05/2012 18:05:17 262 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

3. Como cada empresa tem tecnologia de produção idêntica, cada

uma escolherá produzir a mesma quantidade e, consequentemente,

obterão o mesmo lucro ou perda como todas as outras empresas da

mesma atividade.

4. Dependendo se as empresas do setor estão obtendo lucros ou

prejuízos, as empresas irão ou entrar ou sair do setor até que o preço

de mercado se ajuste ao nível onde todas as empresas remanescentes

estão obtendo lucro econômico zero.

O quarto ponto neste processo — a entrada e saída de empresas — é muito importante. Para entender isto claramente, deixe-nos dividir o assunto em dois casos, um em que cada empresa no setor está obtendo lucro, porque o preço de mercado está alto, e outro em que cada empresa do setor está tendo prejuízo, porque o preço de mercado está baixo.

✓ Atraindo novas empresas fazendo lucros: Se cada empresa no

setor estiver obtendo lucro, novas empresas serão atraídas a entrar no

setor, na esperança de partilharem os lucros também. Mas quando

elas entram, toda a produtividade do setor aumenta muito e o preço

de mercado começa a cair. Como o preço cai, os lucros caem, desse

modo baixando o incentivo para futuras empresas entrarem no setor.

O processo de novas empresas entrando no setor continua até o

preço de mercado cair tão baixo que os lucros chegam a zero.

Quando isto acontece, o incentivo para entrar no setor desaparece e

nenhuma outra empresa entra.

✓ Perdendo as empresas existentes quando apresentam prejuízos:

Se cada empresa no setor começar a apresentar prejuízos porque o

preço de mercado está baixo, algumas das empresas existentes deixam

o setor, porque elas não podem continuar perdendo dinheiro. Quando

agem assim, a produção total do setor cai. Esta redução no fornecimento

total, por sua vez, faz o preço de mercado subir. E quando os preços de

mercado sobem, as perdas das empresas diminuem.

O processo das empresas saindo e os preços aumentando continua até

que as empresas remanescentes não mais estejam perdendo dinheiro.

Como explicamos na seção anterior, o fato de as empresas poderem entrar e sair livremente do setor significa que após todos os ajustes serem feitos as empresas sempre obtém um lucro econômico zero. Em outras palavras, se há concorrência perfeita, você não precisa se preocupar sobre empresas explorando quem quer que seja; elas só obtêm dinheiro suficiente para permanecer no negócio.

Outro resultado importante da concorrência perfeita — que as empresas concorrentes produzem a custo mínimo — se torna aparente se nos aperfeiçoarmos no processo de quatro estágios da concorrência perfeita usando as curvas de custos, que explicamos no Capítulo 10. Se você não o leu, esta seção o deixará vesgo (e você sabe o que sua mãe dizia sobre os perigos de brincar de vesgo). Queremos encorajá-lo a ler o Capítulo 10 antes de continuar lendo esta seção.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 262 04/05/2012 18:05:17 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 263

Representando graficamente como os

lucros guiam as empresas a entrar e sair

dos mercados

Nesta seção, utilizamos as curvas de custos apresentadas no Capítulo 10 para demonstrar como as forças de mercado provocam, automaticamente, as empresas a produzirem ao menor custo possível. Para deixar este processo claro, apresentamos dois casos. No primeiro, as empresas começam tendo lucros. No segundo, as empresas começam tendo prejuízos. De qualquer maneira, os ajustes acontecem, assim, elas terminam obtendo lucro econômico zero e produzindo ao custo mínimo.

Visualizando a entrada da empresa quando há lucro

PLO Para ver como um setor se ajusta quando começa a obter lucros, observe

EX a Figura 11-10, que consiste em dois gráficos. O primeiro, à esquerda, dá a EM

curva de demanda de mercado, D, e a curva inicial de oferta de mercado, S , para bolas de tênis. O gráfico á direita dá a curva de custos para uma das 0

muitas empresas idênticas do setor, que também fazem bolas de tênis.

Indústria Empresa

Figura 11-10: S o Lucro Curvas de MC

oferta do setor P demanda e

P 0

(à esquerda) 0

ATC

determinam

o preço de AVC

mercado que

uma empresa

concorrente (à D

direita) deve

tomar como

preço dado. Qo qo

Como as empresas neste setor são idênticas, elas têm a mesma estrutura de custos. Em especial, elas têm a mesma curva de custo marginal (MC). Este ponto é importante porque, como mostramos no Capítulo 10, a curva de custo marginal de uma empresa concorrente é sua curva de oferta.

A empresa, em nosso exemplo, toma o preço de mercado, P , que é 0 determinado pela curva de oferta e demanda no gráfico à esquerda, e utiliza-o para calcular seu lucro, maximizando o nível de produtividade no gráfico à direita (para enfatizar que P é igual em ambos os gráficos, 0 desenhamos uma sólida linha horizontal que cruza os dois gráficos).

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 263 04/05/2012 18:05:17 264 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Como mostramos no Capítulo 10, cada empresa escolhe fabricar o nível de produtividade no qual o preço na linha horizontal se cruza com a curva MC. No gráfico à direita, chamamos o nível de produtividade de q . No 0 gráfico à esquerda, você pode ver que o total de oferta para o setor é Q . 0 O total de oferta do setor é simplesmente a produção de cada empresa individual, q , vezes o número total de empresas no setor. 0

A seguir, preste atenção no fato de que cada empresa administra um lucro quando o preço de mercado é P . O lucro é mostrado pelo retângulo o sombreado no gráfico da direita (eu explico estes lucros em forma de retângulos no — onde mais? — capítulo 10).

Este lucro é importante, uma vez que atrai empreendedores para o setor. Eles percebem que podem criar empresas idênticas e ainda assim obter bons lucros. Como os economistas gostam de dizer, lucros atraem estreantes.

Visualizando como as novas entradas reduzem os lucros

A Figura 11-11 mostra o que acontece quando os estreantes em determinado setor de mercado chegam. Sua nova produção aumenta a produção geral, assim a curva do total de oferta se desloca de S para S no 0 1 gráfico à esquerda. O que baixa o preço de equilíbrio de mercado de P0 para P . 1

Indústria Empresa

S o

S Lucro 1 MC

P P 0

Figura 11-11: P ATC 0

P 1

Os estreantes 1

no mercado AVC

aumentam

a oferta do D setor, os

preços caem e

os lucros são

reduzidos. Qo Q1 q1 qo

Cada uma das empresas seguidoras do preço de mercado reage ao preço baixo fabricando a um nível de produção mais baixo, q , que você pode 1 ver ilustrado no gráfico à direita. Mais importante, os lucros das empresas diminuem, o que você pode ver comparando os retângulos sombreados dos lucros nas Figuras 11-10 e 11-11.

A nova entrada resulta em lucros menores. Os lucros menores são menos atrativos aos empreendedores. Embora ainda existam novas entradas, causadas pelo fato de que alguns lucros ainda estão disponíveis, não haverá muitas novas entradas como quando os lucros eram maiores.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 264 04/05/2012 18:05:17 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 265

Visualizando como as novas entradas levam ao lucro zero

O que acaba acontecendo, de fato, é que as entradas continuam até que os preços caiam tanto, que todos os lucros se dispersam. Esta situação está ilustrada na Figura 11-12, na qual as novas entradas aumentam a oferta ainda mais, para S . O resultado é que o preço de mercado cai para P , o que 2 2 resulta em lucro zero. Note que não há retângulo sombreado no lucro do gráfico à direita. Uma vez que os lucros caem para zero, as entradas cessam.

Indústria Empresa

S o

S1 Lucro Zero MC

S 2

P P 0

0 ATC P

Figura 11-12: 1 P

1

Eventualmen- P 2 AVC P 2 te, as novas

zem os preços entradas fa- D baixarem tanto

que os lucros

desaparecem. Qo Q1 Q2 q2 q1 qo

 

Percebendo que lucro zero também significa

custo mínimo de produção

Quando os lucros caem para zero, em razão da entrada de uma nova empresa, o custo por unidade do produto fabricado é minimizado. Você pode ver este fato no gráfico à direita, na Figura 11-12, notando que, quando confrontadas com o preço P , as empresas escolhem produzir a 2 quantidade que minimiza o custo de produção por unidade.

A produção que a empresa escolhe produzir, q2, se assenta exatamente no ponto mínimo da forma em U da média da curva de custo total (ATC). Quando a produção está neste nível, a média de custo por unidade é menor que em qualquer outro nível de produção (em outras palavras, qualquer outro nível de produção resulta em uma média de custo total mais alta). Esta situação é maravilhosa, porque significa que cada empresa está sendo o mais eficiente possível, produzindo ao menor custo por unidade. Ademais, cada empresa está escolhendo voluntariamente produzir aquele nível, sem qualquer necessidade de coerção.

CEIT O-CH A VE Os lucros servem como uma resposta autocorretiva do mecanismo. Os

ON altos lucros atraem os novos interessados que automaticamente aumentam C a oferta e derrubam os preços. Este processo continua até que não exista

mais lucro e nenhum novo interessado. Mas, mais importante, o ciclo continua até que todas as empresas estejam produzindo ao nível mais eficiente e com o nível mínimo de custos. Esta é a verdadeira mão invisível de Adam Smith em ação.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 265 04/05/2012 18:05:18 266 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Visualizando a saída quando há prejuízo

Um mecanismo de resposta semelhante conduz os lucros a zero e a produção eficiente caso o setor comece a obter prejuízos. Para ver como isto ocorre, dê uma olhada na Figura 11-13, onde a curva de oferta inicial, S , interage com a curva de demanda, D, para produzir um preço de 3

mercado muito baixo, de P . 3

Indústria Empresa

MC

S 2 Perdas

S 3 ATC

 

Baixos preços Figura 11-13: P 2 AVC P 2

 

de mercado P 3 P conduzem 3 D a perdas e

a saída das

empresas Q2 Q3 q3 q2

A este preço de mercado, você pode ver no gráfico à direita que cada empresa do setor está obtendo prejuízo, o que é mostrado pelo retângulo sombreado.

Esta perda desencoraja todas as empresas do setor e, aquelas que estão em uma condição financeira mais fraca, começam a sair. Quando isto acontece, a curva de oferta do setor, o gráfico à esquerda, se desloca para a esquerda (porque a oferta diminui). Esta mudança aumenta o preço de mercado e reduz as perdas das empresas que permanecem no setor. Mas enquanto houver prejuízos, as empresas continuarão a deixar o setor até que a curva de oferta se mova de volta para S , no ponto em que o preço de mercado é P , e 2 2 as empresas estejam obtendo zero lucros, como na Figura 11-12.

Quando o preço de mercado atinge P e as empresas estão tendo lucros 2 zero, as saídas das empresas param e, mais importante, cada empresa está produzindo ao nível de produtividade de menor custo, q . 2

Compreendendo que a entrada e a saída do mercado não

acontecem instantaneamente

Você viu que as pressões do mercado sempre empurram as empresas de concorrência perfeita para produzirem ao menor custo possível por unidade. Tenha em mente que este resultado agradável não acontece da noite para o dia. Quando as empresas estão obtendo lucros ou suportando prejuízos, leva tempo para que novas empresas entrem (se há lucros) ou para que antigas empresas saiam (se há prejuízos).

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 266 04/05/2012 18:05:18 Capítulo 11: Por que os Economistas Amam o Livre Mercado e a Concorrência 267

PLO Dependendo do setor, estes processos de ajuste podem levar algo em torno

EX de umas poucas semanas até alguns anos. Por exemplo, a montagem de EM

uma nova e poderosa fábrica demora um pouco, porque sua construção demora pelo menos um ano. De modo semelhante, mesmo que os preços da agricultura caiam e os agricultores obtenham prejuízos, aqueles fazendeiros que se retiraram do setor não poderão fazê-lo ate a próxima temporada de cultivo. Por outro lado, se a produção de bandeiras americanas, de repente, se tornar realmente popular, pode ter certeza de que os registros de novas empresas irão aumentar dentro do setor em semanas.

O que é maravilhoso em relação à concorrência perfeita é que sempre existem forças de mercado atuando para dirigir as empresas para a produção ao menor custo possível. Como mostramos nos próximos capítulos, este resultado adorável desmorona quando os monopólios, oligopólios, bens públicos e outros problemas evitam ou impedem a concorrência perfeita.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 267 04/05/2012 18:05:18 268 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 268 04/05/2012 18:05:18

Capítulo 12

 

 

Monopólios: O Quanto

 

Você se Comportaria

 

Mal se Não Tivesse

 

Concorrência?

 

Neste Capítulo

X Produzindo menos e cobrando mais que as empresas concorrentes

X Maximizando o lucro

X Beneficiando a sociedade (em determinadas situações)

X Agindo de acordo com a regulamentação

 

Uma empresa que não tem concorrentes em seu setor é chamada monopólio . Os monopólios são mal vistos, porque o lucro deles as conduz a aumentar os preços e diminuir a produção, de modo a espremer mais dinheiro dos consumidores. Como resultado, os governos normalmente agem com o intuito de fragmentar os monopólios e substituí-los por setores competitivos, que geram preços baixos e alta produtividade.

Ao mesmo tempo, entretanto, os governos também criam os monopólios intencionalmente em outras situações. Por exemplo, os governos emitem patentes que dão direitos de monopólio para os inventores venderem e comercializarem suas invenções. Do mesmo modo, muitos serviços locais, como TV a cabo e coleta de lixo, são também monopólios criados e executados pelo governo local.

Neste capítulo, explicamos por que a sociedade proíbe monopólios em algumas situações e os promove em outras. Primeiro, mostramos uma comparação desfavorável dos monopólios maximizadores de lucros com as empresas competitivas, porque eles fixam altos preços e produzem menos que elas. Em seguida, explicamos como estes problemas podem, em determinados casos, ser compensados por outros fatores — a necessidade

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 269 04/05/2012 18:05:18 270 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

de promover inovação, por exemplo, e o fato singular de que em alguns casos, ter diversos concorrentes é simplesmente muito importuno.

Este é um assunto interessante, então esperamos ter o monopólio de sua atenção! (Você tem nossa permissão para resmungar agora.)

 

Examinando Maximização de Lucro

 

em Monopólios

Basicamente, este capítulo é um grande exercício de análise de custo-benefício. Os monopólios não são de todo ruins. Nem são completamente bons. Se você deseja ter um em qualquer instância específica, depende se, nessa situação, os benefícios superam os custos.

Esta seção dará detalhes sobre os custos associados aos monopólios. Quando terminarmos nossa análise de custos, passaremos aos benefícios dos monopólios. Ao final do capítulo, você entenderá por que as sociedades proíbem impiedosamente os monopólios em alguns setores enquanto os defendem entusiasticamente em outros.

 

Concentrando-se nos problemas que os

monopólios causam

Em um setor que tem apenas uma empresa de monopólio em vez de várias empresas concorrentes, três coisas prejudiciais à sociedade acontecem:

✓ A empresa de monopólio produz menos produtos que as empresas

em um setor competitivo produziriam.

✓ A empresa de monopólio vende sua produção por um preço mais

alto do que seria o preço de mercado caso o setor fosse competitivo.

✓ A produtividade do monopólio é menos eficiente e tem um custo

mais alto do que o produto de uma empresa num setor competitivo.

Todas essas coisas são prejudiciais aos consumidores, entretanto, é importante ter em mente que os monopólios não fazem estas coisas por falta de conhecimento. Ao invés, estas consequências são simplesmente o resultado da ação dos monopólios para maximizar seus lucros — que é certamente a mesma coisa que as empresas competitivas tentam fazer.

 

ONCEIT O-CH A Consequentemente, a diferença nos resultados entre o setor competitivo e o VE setor de monopólio não tem nada a ver com más intenções. Antes, resulta do C fato de que os monopólios são livres de pressões, pressões estas que conduzem

os setores competitivos a atingir o nível de produção socialmente ótimo (consulte o Capítulo 11). Sem esta pressão, as empresas de monopólios podem aumentar e restringir a produtividade para aumentar seus lucros – coisas que as empresas competitivas também adorariam fazer, mas não podem.

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 270 04/05/2012 18:05:18 Capítulo 12: Monopólios: O Quanto Você se Comportaria Mal... 271

A falta de pressão competitiva também significa que as empresas de monopólio podem deixar a produção mais cara e ineficiente. Este é um problema real que você deve encarar seriamente quando considerar se os benefícios do monopólio excedem seus custos. Falamos mais sobre esta questão posteriormente neste capítulo.

 

Identificando a fonte do problema:

Diminuição da receita marginal

CEIT O-CH A VE Todos os maus resultados gerados por um monopólio derivam da mesma

ON fonte: ao contrário de uma empresa competitiva que enfrenta uma curva C de receita marginal horizontal, o monopólio enfrenta uma curva de receita

marginal inclinada descendente (a receita marginal é o aumento no total das receitas que vêm da venda sucessiva de cada unidade de um produto; consulte o Capítulo 10). Este simples fato faz os monopólios cobrarem mais, produzirem menos e produzirem a custos mais altos do que as empresas competitivas.

Como poderia uma pequenina curva causar tamanha mutilação? Uma curva de receita marginal inclinada decrescente implica que cada unidade adicional que o monopólio vende traz menos receitas que a primeira unidade. Por exemplo, enquanto a décima unidade vendida pode trazer $ 8,00, a décima primeira traz apenas $ 3,00. Obviamente, tal situação reduz o incentivo para produzir muito.

Esta situação também está em gritante contraste com a situação da receita marginal enfrentada pelas empresas competitivas. Como explicamos no Capítulo 11, empresas competitivas encaram as curvas de receita marginal horizontal, significando que, se elas vendem 11 unidades ou 11.000, cada unidade traz a mesma quantia em dinheiro. Naturalmente, isto é muito mais que um incentivo para produzir mais.

Enfrentando a queda na demanda

Por que existe tal diferença entre as curvas de receita marginal enfrentadas pelos monopólios e pelas empresas competitivas? Um monopólio é livre para escolher o preço que deseja cobrar ao longo da curva de demanda que enfrenta para seu produto. Uma empresa competitiva, por outro lado, tem que pegar o preço de mercado como lhe é dado (como explicamos no Capítulo 11).

Uma empresa de monopólio pode escolher seus preços porque, sendo a única empresa em seu setor, ela controla toda a produção daquele setor. Como resultado, pode criar um preço relativamente alto produzindo apenas umas poucas unidades ou pode induzir um preço relativamente baixo inundando o mercado. Em contraste, cada empresa do setor competitivo é apenas uma parte tão pequena do setor, que suas escolhas de produção fazem pouca diferença na produção total para causar qualquer alteração (Consulte o Capítulo 11 para saber mais sobre a razão pela qual as empresas competitivas não podem afetar os preços).

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 271 04/05/2012 18:05:19 272 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

A habilidade do monopólio de controlar o preço ao alterar seu nível de produção significa que ele tem que retroceder e considerar qual nível de produtividade adotar. Obviamente, como seu objetivo é maximizar o lucro, a empresa tem que calcular que nível de produção irá maximizar seus lucros.

Acontece que o nível de produção de maximização de lucro do monopólio é definido pela mesma condição que o de uma empresa competitiva: produzir no nível de produção onde a curva de receita marginal cruza a curva de custo marginal.

Assim, o primeiro passo para descobrir quanto um monopólio produzirá é descobrir qual a aparência de sua curva de receita marginal. Ao fazer isto, você pode ver onde aquela curva cruza a curva de custo marginal do monopólio para calcular quanto ele irá produzir.

Derivando a receita marginal da curva de demanda

Uma curva de receita marginal do monopólio tem uma relação precisa com a curva de demanda para a produção do monopólio. A receita marginal de cada unidade de produção sucessiva é menor que a receita marginal da unidade anterior, porque a curva de demanda é inclinada decrescente. Se a curva de demanda for uma linha reta, a inclinação da curva de receita marginal é duas vezes mais íngreme que a inclinação da curva de demanda, o que significa que a receita marginal cai muito rapidamente conforme a produtividade aumenta.

Para ver como isto é feito, dê uma olhada na Figura 12-1, onde desenhamos a curva de demanda e sua associada curva de receita marginal.

 

$10

Figura 12-1: $9 A

A curva B $8

MR para o C $7

enfrentando $6 monopólio

uma curva Preço $5

 

em linha reta G $3 tem uma H de demanda $4

inclinação $2

mais íngreme duas vezes $1 D

curva de 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 do que a

demanda. Quantidade

Receita Marginal (MR)

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 272 04/05/2012 18:05:19 Capítulo 12: Monopólios: O Quanto Você se Comportaria Mal... 273

Fornecemos os dados necessários para desenhar estas duas curvas na Tabela 12-1. A primeira coluna contém níveis diferentes de produção, variando de zero até dez unidades. A segunda coluna mostra o preço por unidade que pode ser cobrado em cada nível de produção. A terceira coluna mostra a receita total que o monopólio obteria produzindo e vendendo cada nível de produção—o preço por unidade vezes o número de unidades. E a coluna final dá a receita marginal – a mudança na receita total – que acontece quando você aumenta a produção em uma unidade.

 

Tabela 12-1 Preço e Receita Marginal (MR) para Vários Níveis

de Produção na Curva de Demanda da Figura 12-1

Produção Preço de Venda Receita Total Receita Marginal

0 10 0

9

1 9 9

7

2 8 16

5

3 7 21

3

4 6 24

1

5 5 25

-1

6 4 24

-3

7 3 21

-5

8 2 16

-7

9 1 9

-9

10 0 0

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 273 04/05/2012 18:05:19 274 Parte III: Microeconomia: A Ciência do Comportamento do Consumidor...

Para deixar claro que a receita marginal representa a mudança na receita total, as entradas na coluna de receita marginal são exibidas entre os dois números da receita total à qual eles correspondem. Por exemplo, a receita total aumenta de $ 0,00 para $ 9,00 quando você se move de não produzir nada para a primeira unidade de produção. É por isso que colocamos a receita marginal de $ 9,00 na parte superior da coluna de receita marginal, entre a entrada da receita total de $ 0,00 e $ 9,00.

Como você observa na Figura 12-1, a curva de receita marginal (MR) começa no mesmo ponto que a curva de demanda, mas ela cai com duas vezes mais inclinação. Ela atinge o eixo horizontal a um nível de produção de q = 5 em vez de q = 10, nível de produção no qual a demanda atinge o eixo horizontal (onde q representa a quantidade produzida).

Relacionando receita marginal à receita total

Você pode compreender a razão pela qual a curva de receita marginal cai tão rapidamente se examinar primeiro a receita total, ou TR. A receita total que o monopólio pode obter é simplesmente sua produção vezes o preço ao qual ele pode vendê-la. Isto é, TR = p x q. Entretanto, o preço no qual um monopólio pode vender depende de quanto ele produz.

A relação entre a mercadoria produzida e o preço pelo qual ela pode ser vendida depende da curva de demanda. Por exemplo, considere o ponto A na curva de demanda na Figura 12-1. Naquele ponto, uma unidade começa a ser produzida e pode ser vendida a $ 9,00. Consequentemente, a receita total naquele ponto é $ 9,00. Em seguida, olhe para o ponto B, no qual duas unidades de produção estão sendo vendidas. Naquele nível de produção, cada unidade pode ser vendida por $ 8,00. Consequentemente, a receita total é $ 8,00 x 2 = $ 16,00. E, no ponto C, onde três unidades podem ser vendidas por $ 7,00 cada, a receita total é $ 21,00.

O importante é notar como a receita total muda à medida que você move de A para B para C e aumenta a produção de uma para duas e depois para três unidades. A receita total vai de $ 9,00 para $ 16,00 para $ 21,00. Obviamente, a receita total aumenta.

Mas, olhe mais de perto. Movendo-se de A para B, a TR aumenta para $ 7,00 (de $ 9,00 para $ 16,00). Mas, movendo-se de B para C, ela aumenta para apenas $ 5,00 (de $ 16,00 para $ 21,00). Cada aumento sucessivo na receita total é menor que o aumento anterior.

Aumentando a produção, diminuindo a receita marginal

Em razão de a receita marginal ser definida como a mudança na receita total, que acontece quando você aumenta a produção em uma unidade, o fenômeno que descrevemos na seção anterior é o mesmo que dizer que a receita marginal declina quando o monopólio aumenta sua produção.

Se você olhar para a Tabela 12-1, verá que a receita marginal continua a cair para cada unidade sucessiva. Na verdade, ela se torna negativa para

 

economy_for_dummies_cad1_mariana.indd 274 04/05/2012 18:05:19 Capítulo 12: Monopólios: O Quanto Você se Comportaria Mal... 275

todas as unidades depois da quinta. Você pode ver por que olhando os ponto G e H na Figura 12-1 como exemplos. No ponto G, os monopolistas podem vender sete unidades de mercadoria por $ 3,00 cada. Isto perfaz uma receita total de $ 21,00. Mas, se ele aumenta a produção para oito unidades no ponto H, pode vender estas unidades somente a $ 2,00 cada, implicando numa receita total de $ 16,00.

Aumentar a produção de sete para oito unidades significa diminuir a receita total de $ 21,00 para $ 16,00. Isto é a mesma coisa que dizer que a receita marginal está negativa em $ 5,00 quando você muda de sete para oito unidades de produção.

Deslizando para baixo na curva de demanda: Alta produtividade, baixos preços

A razão pela qual a receita marginal continua declinando e até mesmo se torna negativa, é que a curva de demanda se inclina para baixo, o que significa que a única maneira de conseguir que as pessoas comprem mais coisas é oferecê-las a um preço mais baixo. Você tem que oferecer um valor mais baixo não apenas para as unidades adicionais, mas para as primeiras unidades também.

Continuar: parte 14 de 18