Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição

Colleen Hoover · Capítulo 10 de 23

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Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição

Capítulo Sete

Viro o balanço até ficar de frente para ela.

— Gosto de você, Six. Demais. E sei que isso parece a maior loucura, mas fingir fazer amor com você naquele dia foi o mais perto que já cheguei de realmente amar alguém até agora.

Viro o balanço para a frente e me levanto. Vou até ela, fico à sua frente de joelhos e ponho os braços ao redor de sua cintura. Olho para Six e vejo a mágoa surgir em seu rosto no instante em que encosto nela.

— Six. Por favor, não deixe o que aconteceu entre a gente virar uma coisa negativa. Por favor. Porque aquele dia foi um dos melhores da minha vida. Na verdade, foi o melhor dia da minha vida.

Ela afasta a cabeça do braço e abre os olhos, em seguida olha diretamente para mim. Lágrimas escorrem pelo seu rosto. Meu maldito coração se parte.

— Daniel — sussurra ela entre lágrimas. Ela aperta os olhos e vira a cabeça como se nem conseguisse olhar para mim. — Eu engravidei.

Capítulo Sete

Às vezes, quando estou quase pegando no sono, escuto alguma coisa que me faz despertar imediatamente. Fico prestando atenção, me perguntando se escutei mesmo aquilo ou se foi apenas imaginação. Prendo a respiração e fico imóvel, em silêncio, apenas tentando escutar algo.

Estou em silêncio.

Estou parado.

Estou prendendo a respiração.

Estou tentando escutar alguma coisa.

Estou me concentrando o máximo que consigo com a cabeça encostada nas coxas dela. Nem sei quando foi que a abaixei, mas minhas mãos ainda estão agarrando sua cintura. Estou tentando descobrir se aquelas palavras vão me atingir e golpear meu coração mais uma vez como se ele fosse um saco de pancadas ou se foi apenas minha imaginação.

Meu Deus, espero que tenha sido só minha imaginação.

Uma lágrima que acabou de cair dos olhos de Six atinge minha bochecha.

— Só descobri quando estava na Itália — diz ela, com a voz cheia de vergonha e sofrimento. — Sinto muito, mesmo.

Na minha cabeça, estou contando o tempo que se passou. Contando os dias e semanas e meses e tentando entender o que ela está dizendo, pois é óbvio que não está mais grávida. Minha mente ainda está agitada, fazendo contas, apagando erros, fazendo mais contas.

Ela ficou quase sete meses na Itália.

Sete meses lá, três meses antes de ir para lá e um mês desde que voltou.

É quase um ano.

Minha cabeça está doendo. Tudo está doendo.

— Eu não sabia o que fazer — conta ela. — Não podia criá-lo sozinha.

Eu já tinha 18 anos quando descobri, então...

Eu me levanto imediatamente e olho para o rosto dela.

— Ele? — pergunto, balançando a cabeça. — Como sabe... — Fecho os olhos, solto o ar com calma e largo a cintura dela. Eu me levanto e me viro,

em seguida fico andando de um lado para outro, assimilando tudo que está acontecendo. — Six — digo, balançando a cabeça. — Eu não... está querendo dizer que... — Paro, me viro e olho para ela. — Está querendo dizer que a gente teve um bebê, porra? Que a gente teve um bebê?

Six começa a chorar outra vez. Até mesmo a soluçar. Porra, não sei nem se ela tinha parado de chorar. Ela faz que sim com a cabeça como se fosse doloroso.

— Eu não sabia o que fazer, Daniel. Fiquei com tanto medo.

Ela se levanta, anda até mim e coloca as mãos nas minhas bochechas delicadamente.

— Eu não sabia quem você era, então não sabia como contar pra você.

Se eu soubesse seu nome ou sua aparência, eu nunca teria decidido isso sem você.

Ergo as mãos e afasto as dela do meu rosto.

— Não — digo, sentindo o ressentimento surgir dentro de mim.

Estou me esforçando ao máximo para contê-lo. Para compreender. Para assimilar tudo isso.

Mas não consigo.

— Como pôde não me contar? Não é como se você tivesse encontrado um cachorrinho, Six. Isso é... — Balanço a cabeça, ainda sem entender. —

Você teve um filho. E nem se deu ao trabalho de me contar!

Ela agarra minha camisa com os punhos cerrados, balançando a cabeça, querendo que eu entenda o lado dela.

— Daniel, é isso que estou tentando dizer! O que eu devia ter feito?

Queria que eu colasse cartazes por toda a escola, pedindo informações sobre o garoto que me engravidou no armário dos zeladores?

Olho-a bem nos olhos.

— Sim — respondo, baixinho.

Ela dá um passo para trás, então dou um passo para a frente.

— Sim, Six! É exatamente isso que eu esperava que você fizesse. Você devia ter colado cartazes em todos os corredores, avisado no rádio, colocado uma propaganda numa porra de jornal! Você engravida de mim e só consegue se preocupar com a sua reputação? Está brincando, não é?

Minha mão cobre minha bochecha um segundo após ela me dar um tapa.

A mágoa em sua expressão nem se compara à mágoa no meu coração, então não me sinto mal por ter dito aquilo. Nem quando ela começa a

chorar mais intensamente do que eu imaginava que fosse possível.

Ela vai correndo para seu carro.

Eu a deixo ir.

Volto para o balanço e me sento.

Que merda de vida.

Que caralho de vida.

Daniel: Onde você está?

Holder: Acabei de sair da casa de Sky. Quase chegando em casa.

O que foi?

Daniel: Chego aí em cinco minutos.

Holder: Está tudo bem?

Daniel: Não.

Cinco minutos depois, encontro Holder no meio-fio, me esperando.

Estaciono na lateral da rua, ele abre a porta do carona e entra. Ponho o carro em ponto morto e coloco os pés no painel, olhando pela janela ao meu lado.

Estou surpreso por estar tão furioso. Estou surpreso até por estar tão triste. Não sei como distinguir tudo que estou sentindo para entender o que está me deixando mais chateado. Até agora não sei se é porque não pude fazer parte da decisão que ela tomou ou se é porque ela ficou na situação de ter que tomar uma decisão dessas.

Estou furioso porque não estava lá para ajudá-la. Estou furioso por ter sido tão descuidado a ponto de fazer uma garota passar por isso.

Estou triste porque... caramba. Estou triste por estar com tanta raiva dela. Estou triste por descobrir algo tão avassalador e não poder fazer merda nenhuma a respeito, mesmo se eu quisesse. Estou triste por estar aqui num carro estacionado, prestes a ter um colapso nervoso na frente do meu melhor amigo. E, por mais que eu não queira que isso aconteça, é tarde demais.

Esmurro o volante no segundo em que começo a chorar. Esmurro-o várias vezes, sem parar, até o carro começar a me sufocar e eu precisar sair dali o mais rápido possível. Abro a porta, saio, me viro e chuto o pneu.

Chuto-o várias vezes seguidas até meu pé ficar dormente, em seguida deixo meu corpo cair no capô, apoiando-me nos cotovelos. Pressiono a testa no metal frio do carro e me concentro em me livrar dessa raiva.

Não é culpa dela.

Não é culpa dela.

Não é culpa dela.

Quando finalmente me acalmo o suficiente para voltar ao carro, encontro Holder sentado em silêncio no banco do carona, me observando com atenção.

— Quer conversar sobre isso? — pergunta ele.

Balanço a cabeça.

— Não.

Ele assente. Deve estar aliviado por eu não querer conversar.

— O que quer fazer? — pergunta ele.

Ponho os dedos ao redor do volante e ligo o carro.

— Qualquer coisa, não me importo.

— Nem eu.

Coloco o carro em drive.

— Podíamos ir para a casa de Breckin e aí você desconta sua raiva no videogame — sugere.

Faço que sim com a cabeça e começo a ir para a casa de Breckin.

— Acho bom não contar pra ele que eu chorei, porra.