Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição
Em Busca de Cinderela
Depois de meses de súplicas, nunca estive tão animada com o lançamento de um livro quanto estive com este aqui. Porque ele não está nas prateleiras por minha causa. Está nas prateleiras por causa de vocês.
Dedico esta obra a todos os meus fãs incrivelmente loucos, por seu apoio sem fim e sem limites. Amo todos vocês!
EM BUSCA DE CINDERELA
Minha história de Cinderela
Há dois anos, eu morava num trailer com meu marido e nossos três filhos, e meu trabalho pagava 9 dólares por hora. Estava contente com o que tinha, mas não era exatamente a vida que imaginara para minha família nem para mim mesma.
Eu sonhava em ser escritora desde pequena, mas passei trinta e um anos dando desculpas para não fazer isso:
“Não tenho tempo livre.”
“Não escrevo tão bem.”
“Nunca vão publicar o que eu escrever.”
“Estou ocupada demais escrevendo desculpas para escrever um romance.”
Na verdade, eu só não estava indo atrás do meu sonho por achar que sonhos não passavam disso... de sonhos. Eram intangíveis. Irreais. Infantis.
Sempre fui realista, nunca achava que o copo estava meio vazio ou meio cheio. Sou o tipo de pessoa que fica agradecida por simplesmente ter um copo. Era exatamente assim que eu enxergava minha vida há dois anos.
Nunca me permiti sentir ingratidão ou querer mais do que tinha.
Meu marido e eu viemos de famílias humildes e fizemos o nosso melhor para pagar as contas e conseguir financiar nossos estudos universitários.
Peguei empréstimos estudantis, e nós dois trabalhávamos em tempo integral, alternando os dias de folga para não termos que pagar creche. Eu me formei em serviço social na Texas A&M University — Commerce em dezembro de 2005, dois meses antes do nascimento do nosso terceiro filho.
Após alguns anos nos mudando de uma casa alugada para outra, enquanto trabalhava como assistente social, meus pais nos ajudaram a comprar um trailer de pouco mais de 90m2 com três quartos e dois banheiros. Eu me sentia abençoada por ter três filhos saudáveis, um marido maravilhoso que me apoiava, além de um teto sobre nossas cabeças.
Por mais que eu estivesse feliz, sentia que faltava algo. Aquele sonho de infância de escrever um livro não parava de ressurgir, e eu continuava o ignorando com mais desculpas.
Então, em outubro de 2011, quando vi um dos meus próprios filhos indo em busca de um dos seus sonhos, comecei a considerar a ideia de que talvez os sonhos fossem, sim, algo tangível.
Meu filho do meio, com 8 anos na época, queria fazer um teste para o teatro local. Fiquei felicíssima com sua coragem, mas, quando ele realmente conseguiu o papel, fui obrigada a enfrentar a realidade. Eu nunca seria capaz de trabalhar onze horas por dia e levá-lo aos ensaios durante cinco noites na semana. Meu marido trabalhava como motorista de caminhão em tempo integral na época e só passava alguns dias por mês em casa, então eu era basicamente uma mãe solo. No entanto, a felicidade dos meus filhos sempre foi minha prioridade, e eu não ia desapontar um deles. Tive a ajuda de uma amiga que o deixava no meu trabalho depois da escola para que pudéssemos ir aos ensaios dele enquanto minha mãe cuidava dos meus outros dois filhos.
Nos dois meses seguintes, passei três horas na plateia todas as noites assistindo aos ensaios. Ficava vendo meu filho no palco e me enchia de orgulho ao vê-lo seguir sua paixão ainda tão novo. Aqueles momentos me fizeram pensar nas minhas próprias paixões de infância e em como eu sonhava em me tornar escritora. Quando era mais nova, eu escrevia durante todo momento livre que tinha, em qualquer superfície que encontrasse.
Minha mãe lia entusiasmada as histórias do “Mystery Bob” (“Bob Misterioso”), que eu escrevia com giz de cera em folhas de papel grampeadas. Continuei escrevendo por lazer durante o ensino médio e até comecei a estudar jornalismo no meu primeiro ano na universidade. No entanto, depois que me casei com minha paixão de colégio e tive nosso primeiro filho aos 20 anos, meu sonho começou a esvaecer à medida que as responsabilidades da vida real passaram a falar mais alto. Por mais que eu quisesse ser escritora, parecia algo impossível. Em vez disso, fiquei dez anos duvidando de mim mesma, insegura, deixando uma responsabilidade após a outra servir de desculpa.
Enquanto estava sentada na plateia dos ensaios do meu filho, vi nele algo adormecido em mim havia muito tempo: a paixão criativa.
Por mais que tenha sido um momento extraordinário ver meu filho ir em busca do próprio sonho, aquilo também me acordou bruscamente. Eu estava fazendo um desserviço aos meus filhos ao dar o exemplo de que é aceitável se colocar em último lugar... deixar os próprios desejos em segundo plano ao cuidar de todas as outras pessoas. Naquela noite, prometi a mim mesma
que recomeçaria a escrever, mesmo que fosse apenas por prazer. Após perceber isso, passei a me inspirar e me motivar com outras coisas.
Uma das maiores motivações que tive foi um show dos Avett Brothers ao qual assisti com minha irmã. Foi uma das melhores experiências da minha vida, não porque estávamos na primeira fila, mas por causa da música “Head Full of Doubt, Road Full of Promise” (“Mente cheia de dúvidas, caminho cheio de promessas”). Já havia escutado aquela música muitas vezes, mas nunca tinha captado o significado da letra até aquele momento.
“Decida o que quer ser, e simplesmente seja.”
A frase era simples e direta, mas me marcou profundamente. As palavras continuaram se repetindo na minha cabeça por vários dias até que acabei compreendendo: se eu queria ser escritora, não existia nenhum motivo para que eu não pudesse “simplesmente ser”. Peguei meu laptop durante um dos ensaios da peça e escrevi a primeira frase de Métrica:
“Kel e eu guardamos as duas últimas caixas no caminhão de mudança da U-Haul.”
Foi a primeira frase do livro que mudaria minha vida.
Naquela época, eu estava escrevendo-o só para mim mesma, mas minha mãe sempre foi uma grande entusiasta dos meus textos. Afinal de contas, ela ainda guardava as fascinantes histórias de “Mystery Bob”, que eu tinha escrito com giz de cera. Apesar de saber que sua opinião não seria imparcial, deixei que ela lesse o que eu havia acabado de escrever. Ela adorou, assim como qualquer boa mãe, e começou a me pentelhar querendo mais capítulos.
Além dela, deixei minha chefe e minhas duas irmãs lerem os primeiros capítulos, e elas também pediram mais. O fato de quererem que a história continuasse me inspirou a seguir em frente. Eu gostava tanto que escrevia sempre que tinha oportunidade. Colocava as crianças para dormir, escrevia até bem depois da meia-noite e na manhã seguinte tinha que estar no trabalho às sete. No fim de dezembro, eu havia perdido tantas horas de sono para escrever que já estava com um manuscrito completo. Também cuidava de três filhos, que, àquela altura, haviam se tornado grandes adeptos do micro-ondas.
Quando cheguei àquela última palavra, Fim, senti como se tivesse realizado o meu sonho de infância, mesmo sem ter um livro de verdade, uma editora ou mesmo leitores.
Após a notícia de que eu havia escrito um livro se espalhar, amigos e familiares começaram a me pedir para ler. Eu não tinha dinheiro para publicá-lo, então fiz uma pesquisa e descobri o programa Kindle Direct Publishing da Amazon. Depois de dias de mais pesquisas tentando aprender tudo o que podia sobre como fazer uma autopublicação, fiz o upload do meu livro no site da Amazon.
Eu não tinha nenhuma expectativa. Nem havia tentado publicar o livro da maneira tradicional, pois na minha cabeça eu já tinha realizado meu sonho de escrever o livro. Não achava que haveria chance alguma de pessoas que não me conheciam lerem aquilo.
Aconteceu o oposto. Centenas de pessoas, totalmente desconhecidas, começaram a baixar meu livro. Comecei a receber pedidos de continuação da história e, como gostei tanto de escrever o primeiro livro, fiquei muito animada em fazer uma sequência. Publiquei Pausa em fevereiro de 2012.
Logo depois, passei a receber royalties pelos direitos autorais. As coisas estavam acontecendo tão rápido que me agarrei a cada momento, achando que tudo acabaria da noite para o dia. Como as vendas não eram garantidas, me recusei a aceitar a possibilidade de que os fatos poderiam melhorar dali em diante. Ficava esperando que o entusiasmo, as resenhas positivas e os pedidos de mais livros chegassem ao fim, pois aquilo tudo era bom demais para ser verdade.
Mas não chegaram ao fim. A cada dia surgiam novos leitores, até que os livros acabaram chegando à lista de mais vendidos do New York Times. As editoras perceberam o rápido sucesso dos dois livros e, após contratar um agente literário, aceitei uma oferta da Atria Books para publicá-los.
Minha vida ficou tão movimentada que precisei largar meu emprego e passar a escrever em tempo integral. Fiquei preocupada achando que talvez não fosse ganhar o suficiente para sustentar minha família, mas, com o lançamento do meu terceiro livro, Um caso perdido (Hopeless), em dezembro de 2012, finalmente me convenci de que essa se tornara minha nova carreira. Um caso perdido chegou ao primeiro lugar da lista de mais vendidos do New York Times, foi o e-book autopublicado mais vendido de 2013 e o décimo sexto e-book mais vendido de 2013.
Nós nos mudamos do nosso trailer há menos de dez meses e agora moramos numa casa à beira de um lago que nunca pensamos que poderia ser nossa. Todas as manhãs acordo sem acreditar que essa é a nossa vida.
Conseguimos pagar todas as nossas dívidas e começamos a juntar dinheiro
para financiar as universidades dos nossos meninos. Também fizemos doações para várias instituições de caridade como forma de retribuir todos os acontecimentos incríveis pelos quais passamos.
Nos últimos dois anos, deixei de ser uma mãe que se recusava a acreditar que uma fantasia de infância poderia tornar-se realidade para me transformar em uma autora de cinco livros que estiveram na lista de mais vendidos do New York Times, um conto gratuito e mais dois romances que em breve serão publicados.