Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição

Colleen Hoover · Capítulo 21 de 23

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Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição

Capítulo Oito

Elas se abraçam, e agora sou eu que fico com lágrimas nos olhos. Por mais que eles me façam passar vergonha, dei a maior sorte com os pais que tenho.

Na real, acho que também dei sorte com as irmãs que tenho.

— Quero conhecê-lo — diz Bolota. — Quando a gente pode ir conhecê-lo?

— Espero que todos vocês o conheçam. Mas acho que é melhor irmos só nós dois na primeira viagem.

Todos parecem concordar.

— Ah, e mais uma coisa — acrescento ao me virar para meus pais. —

Vocês poderiam comprar nossas passagens de avião para Connecticut?

Capítulo Oito

Três semanas depois

Concordamos em pegar um Uber do aeroporto para a casa deles. Conhecer nosso filho num aeroporto parecia sem graça demais.

Não dizemos muita coisa durante o trajeto. Essas foram as três semanas mais longas das nossas vidas, e, por mais que a gente quisesse ligar para eles todos os dias, nós nos seguramos. Não queríamos assustá-los.

— O bairro parece ótimo — digo enquanto nos aproximamos.

Todas as casas estão decoradas para o Natal. Olho para Six, que parece nervosíssima. Ela está pálida.

Quando chegamos ao endereço, ficamos olhando pela janela por um momento. A casa é bonita. Maior do que qualquer outra onde eu e Six o criaríamos. Não que o tamanho da casa importe, mas é óbvio que quero o melhor para ele.

— Está pronta? — pergunto para Six.

Ela balança a cabeça. Seus olhos estão vermelhos, e percebo que está se segurando para não chorar.

É um momento muito importante para nós. Apavorante. Mas nosso motorista do Uber não entende isso e nos diz:

— Ei, eu não sou pago para vocês dois ficarem chorando aí atrás.

O que me irrita para cacete. Bato na parte de trás do apoio de cabeça dele.

— Ela está prestes a conhecer o filho, seu otário! Dê um minutinho pra gente aqui! Além disso, seu carro está fedendo a tacos. Ponha um aromatizador aqui dentro.

O motorista percebe meu olhar fulminante pelo espelho retrovisor e depois murmura:

— Desculpe. Sem pressa. Não sabia que era um momento importante.

— Bom, é sim.

Six revira os olhos para mim.

— Tudo bem — diz ela, fungando. — Estou pronta. Vamos.

Saímos e vou até a traseira do carro para pegar nossas malas. Uma delas tem roupas nossas para uma semana. A outra, brinquedos e roupas que todos mandaram. Sky e Holder, Karen e Jack, Breckin, meus pais e os de Six. Até mesmo os irmãos de Six, que me atormentaram quando descobriram, também nos entregaram alguns presentes antes de partirmos.

O motorista do Uber até nos ajuda e carrega uma das bagagens. Ao fechar o porta-malas do carro, ele me olha:

— Acha mesmo que meu carro está fedendo a tacos?

Dou de ombros.

— Acho. Mas a tacos dos bons.

— Comi tacos no almoço. Seu olfato é ótimo.

Agora estou me sentindo mal por ter sido grosseiro com o cara, mas ele não devia apressar os passageiros daquela maneira.

— Não falei para te insultar. Eu adoro tacos.

O motorista dá de ombros.

— Beleza. E ah, também sou entregador do Uber Eats. Posso até buscar tacos para você, se quiser. Tem uma barraquinha excelente na Jackson Street.

Estou com fome.

— São bons mesmo? Sou do Texas, e lá tem tacos maravilhosos.

— Cara, são os melhores tacos que você...

— Daniel? — interrompe Six. Ela ergue a mão e gesticula na direção da casa atrás de si. — Estamos prestes a conhecer nosso filho em questão de segundos. Vai mesmo me deixar plantada aqui enquanto você fica batendo papo sobre tacos?

— Eu… foi mal. É que sou louco por tacos.

— Tacos são bons mesmo — murmura o motorista. — Boa sorte com seu filho e tal.

Ele volta para o carro e o liga. Olhamos para a casa no instante em que a porta da frente se abre. Um homem aparece. Suponho que seja Graham.

— Merda — sussurro. — Ele é bonitão. Não sei por que isso me deixa mais nervoso ainda.

— As meias dele são diferentes uma da outra — diz Six enquanto nos aproximamos da casa. — Já gostei dele.

Encontramos Graham perto da porta. Ele aperta minha mão e se apresenta.

— Você deve ser o Daniel — diz ele, depois olha para Six e a abraça. —

E você, Six. — Ele se afasta e abre a porta. — Como foi o voo?

Nós entramos com ele, e deixo as duas malas perto da porta.

— Foi bom — digo, olhando ao redor.

Que esquisito estar aqui. Parece que estou prestes a vomitar. Nem consigo imaginar como Six deve estar se sentindo.

Há fotos decorando o corredor que leva até a sala. Six e eu andamos devagar e as olhamos. Já vimos a maioria delas, mas não todas.

Quinn aparece, e é exatamente como eu imaginava. Acolhedora, feliz e parece estar sentindo tantas emoções quanto Six. Ela se apresenta, e depois nós meio que só ficamos parados, constrangidos.

— Está pronta para conhecer Matteo? — pergunta Quinn.

Six expira pela boca e sacode as mãos.

— Não quero assustá-lo. Preciso me recompor.

— Não se preocupe — diz Graham. — Passamos o primeiro ano da vida dele como duas pilhas de nervos. Às vezes caímos no choro quando estamos com ele no colo, pois é muita sorte que temos.

Graham e Quinn sorriem um para o outro.

Ele gesticula para que os acompanhemos até a sala de estar, onde finalmente vemos nosso filho. Matteo está deitado no chão, cercado de brinquedos.

Vê-lo pelas fotos foi uma coisa, mas ao vivo é uma experiência totalmente diferente. Six aperta minha mão, e nós dois ficamos boquiabertos. De repente, sinto que não sou bom o bastante para estar aqui.

Que não sou digno.

E agora só consigo pensar em Wayne e Garth se abaixando e repetindo: Não somos dignos! Não somos dignos! Eu meio que quero me ajoelhar na frente deste lindo menininho e fazer a mesma coisa.

Quinn pega Matteo no colo e o traz até a gente.

Nós dois começamos a chorar. Six encosta os dedos no braço dele e depois em seu cabelo. Depois, ela afasta a mão e cobre a própria boca.

— Quer segurá-lo? — pergunta Quinn.

Six faz que sim, então Quinn entrega Matteo nos seus braços. Six aproxima-o do seu peito e pressiona a bochecha na cabeça dele. Ela fecha os olhos e fica parada, sentindo o cheirinho do menino.

É uma cena bonita para cacete.

Quero tirar fotos, mas seria estranho. Eu não queria esquecer isso nunca, esse momento inteiro, essa cena de Six com nosso bebê. Nosso bebê feliz, saudável, perfeito. Six sorrindo. Vendo o pedaço que lhe faltou por tanto tempo finalmente reconectar todas as partes dela que estavam quebradas.

Nós nos sentamos no sofá com ele, o encaramos, revezamos quem fica com ele no colo.

— Como ele é? — pergunto. — Tímido? Extrovertido? Chora muito?

Minha mãe disse que eu adorava abrir o berreiro.

— Matteo é muito simpático — diz Graham. — Como se conhecesse todo mundo.

Six ri e diz:

— Isso ele puxou ao Daniel.

Graham e Quinn estão sentados no sofá na nossa frente. Não parecem nem um pouco nervosos com a nossa presença aqui. Quinn está colada em Graham, com a mão no peito dele. Os dois estão sorrindo. É quase como se parte deles também estivesse precisando disso.

— Matteo não chora muito — diz Quinn. — Mas tem bons pulmões.

Adora se ouvir tagarelando.

— Isso ele também puxou a mim — digo.

Passamos um tempo conversando, e eu e Six continuamos revezando quem fica com Matteo no colo. Após cerca de uma hora, Quinn está mostrando a Six um álbum cheio de fotos do bebê.

Graham se levanta, alonga os braços e depois põe as mãos nos quadris.

Ele vira a cabeça na direção da cozinha.

— Quer me ajudar com o jantar, Daniel?

Eu me levanto, mas acho melhor adverti-lo.

— Posso tentar, mas normalmente eu só pioro a experiência de cozinhar.

Graham dá uma risada, mas vai para a cozinha mesmo assim, esperando que eu o acompanhe. Tira verduras e legumes da geladeira e os põe no balcão. Desliza uma faca para mim e logo após rola um dos tomates por cima da ilha da cozinha.

— Acha que consegue fatiar um tomate?

— Há uma primeira vez para tudo — digo. Começo a fatiá-lo enquanto Graham prepara o resto da salada. Sinto como se eu devesse agradecer a ele, mas fico muito constrangido durante conversas mais sinceras.

Pigarreio. Quando ele me olha, volto a encarar o tomate que estou destruindo. — Não sei se consigo te agradecer o suficiente por ter feito isso por Six.

Graham não diz nada. Quando olho para ele, vejo que está me encarando. Ele dá um sorrisinho e depois diz:

— Não foi por Six que fiz isso. Foi por você.

Isso me faz parar.

— Quando te liguei naquele dia, para ser bem sincero, eu estava preparado para mandar você sumir da nossa vida.

Solto a faca e o tomate e pressiono as palmas da mão no balcão.

— Sério?

Graham faz que sim enquanto fatia meticulosamente uma cebola.

— Eu não queria trazer um possível estresse para a vida de Quinn. Não conseguia enxergar nenhum motivo bom para ter contato com os pais biológicos de Matteo. Já tinha visto histórias nos noticiários, nos jornais…

as arrasadoras disputas de guarda. Não queria abrir essa porta. Mas quando te liguei… nem sei dizer. Deu para ouvir o desespero na sua voz. Sei como é não querer nada além da felicidade da mulher que amamos. — Ele me olha nos olhos. — Você me lembrou de mim mesmo e de como era se sentir daquele jeito. Da angústia que é não conseguir acabar com a dor da pessoa que você ama mais do que a si mesmo.

Droga. Talvez sejam as cebolas. Sei lá. Preciso desviar a vista, pois sinto meus olhos ficarem lacrimosos. Pego a manga da camisa e a encosto neles.

— Que cebolas fortes, cara — murmuro.

Graham dá uma risada.

— Pois é. Devem ser.

Depois de me recompor, volto a ajudar Graham com a comida. Quinn entra na cozinha, olha o tomate na minha tábua de corte e dá uma risada.

— O que você fez com o coitadinho do tomate?

— Tentei avisar a Graham que não presto para nada na cozinha.

Quinn aponta para a faca.

— Eu assumo. Pode ir ficar na sala com sua família.

Sorrio e deixo que ela assuma. No entanto, quando saio da cozinha, preciso parar um instante no corredor para me recompor.

Ela acabou de dizer que somos uma família.

— Essas cebolas de merda — murmuro para mim mesmo.