Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição
Capítulo Oito
— Você está acabado — diz Holder, encostando-se no armário ao lado do meu. — Conseguiu dormir um pouco essa noite?
Balanço a cabeça. Óbvio que não dormi. Como é que eu poderia dormir? Eu sabia que ela não estava dormindo, então jamais conseguiria dormir.
— Vai me contar o que aconteceu? — pergunta ele.
Fecho o armário, mas mantenho a mão em cima dele enquanto olho para o chão e inspiro devagar.
— Não. Sei que normalmente conto tudo pra você, mas isso não, Holder.
Ele bate o punho no armário ao seu lado algumas vezes e se afasta.
— Six também não contou nada pra Sky. Não sei o que aconteceu, mas... — Ele olha para mim até eu fazer contato visual. — Gosto de você com ela. Resolva isso, Daniel.
Ele vai embora e eu tranco o armário. Fico parado ali por mais alguns minutos, esperando mais do que é necessário porque minha próxima aula fica perto do armário de Six. Não a vejo desde que ela foi embora do parque ontem à noite e não tenho muita certeza se quero vê-la. Não tenho muita certeza de mais nada. Tenho tantas perguntas para ela, mas só de pensar em fazê-las sinto uma dor tão grande no peito que não consigo nem respirar, porra.
Depois que o último sinal toca, decido ir para a aula. Até considerei ficar em casa, mas imaginei que seria pior passar o dia inteiro dentro do quarto pensando nisso. Prefiro ocupar a cabeça o máximo que puder hoje, pois sei que preciso confrontá-la assim que as aulas acabarem.
Ou talvez deva confrontá-la agora mesmo, porque, assim que dou a volta no corredor, meus olhos a encontram.
Paro imediatamente e fico observando-a. Só resta Six no corredor. Está parada, virada para o armário. Quero passar por ela antes que me veja, mas não consigo parar de olhá-la. Six parece muito triste e quero tanto correr até lá e abraçá-la, mas... não consigo. Quero gritar com ela, abraçá-la, beijá-la e
culpá-la por toda essa mistura de sentimentos que estou tentando entender desde ontem.
Suspiro pesadamente, e ela se vira para mim. Estou distante o suficiente para não escutar seu choro, mas perto o bastante para ver suas lágrimas.
Nenhum de nós se mexe. Ficamos apenas nos encarando. Vários momentos se passam e percebo que Six está esperando que eu diga alguma coisa.
Limpo a garganta e começo a me aproximar dela. Quanto mais me aproximo, mais alto seu choro fica. Quando chego a um metro dela, paro.
Quanto mais me aproximo, mais dificuldade tenho de respirar.
— Ele... — Fecho os olhos e respiro com calma, em seguida os abro e me esforço ao máximo para completar a frase sem chorar. — Quando você falou que um garoto partiu seu coração na Itália... estava falando dele, não é? Do bebê?
Mal vejo ela assentir, confirmando o que eu achava. Aperto os olhos e jogo a cabeça para trás.
Não sabia que dava para sentir tanta dor assim no coração. Está doendo tanto que dá vontade de enfiar a mão lá dentro e arrancá-lo do peito para que eu nunca mais sinta algo assim.