Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição
Capítulo Sete
Karen está de olhos arregalados, encarando Six.
— Você… você teve um bebê?
Six faz que sim.
— Tive, e não me leve a mal, mas não temos tempo de explicar agora.
Precisamos contar para os nossos pais que eles são avós.
— Seus pais não sabem? — pergunta Jack. Por algum motivo, ele encara Holder com um olhar fulminante. — Você e Sky têm algo a nos dizer agora que isso tudo veio à tona?
Holder balança a cabeça.
— Não. Não, senhor. Nada de bebês no nosso caso. Ainda não. Quero dizer, só daqui a um bom tempo. Anos.
Por mais que eu goste de ver Holder nervoso, Six e eu temos mais o que fazer. Temos pessoas para informar. Pais para irritar. Seguro sua mão e a levo até a porta da casa.
— Me desculpem por ter sido um babaca mais cedo! — grito para todo mundo. Depois olho para Breckin. — E nunca mais vou te chamar de Bambi. Agora sou pai e preciso dar um bom exemplo.
Breckin faz que sim.
— Valeu. Eu acho.
Six me empurra para fora.
— Vamos contar para os seus pais primeiro — diz ela. — De manhã, a gente conta para os meus. Eles já estão dormindo.
Capítulo Sete Six e eu estamos sentados na namoradeira. Ela está segurando minha mão.
Hannah e Bolota estão no sofá. Meus pais estão preocupados demais para se sentar, então não param de andar de um lado para o outro da sala.
— Você está assustando a gente, Daniel — diz minha mãe.
— O que aconteceu? — pergunta meu pai. — Você nunca convocou nenhuma reunião de família. — Ele olha para Six. — Ah, meu Deus. Você está grávida? Daniel te engravidou?
Nós nos entreolhamos e Six diz:
— Não. Bom… tecnicamente, não.
— Você quer engravidar? — pergunta ele, ainda tentando adivinhar.
— Não — responde Six.
— Estão noivos? — pergunta minha mãe.
— Não.
— Doentes? — pergunta ela.
Queria que eles apenas calassem a boca e me deixassem elaborar meus pensamentos. É algo difícil de falar.
— Vão terminar o namoro? — pergunta meu pai.
— Largou a universidade? — pergunta minha mãe.
— Jesus amado! Eles tiveram um filho! — grita Bolota, irritada. Na mesma hora, ela cobre a boca com sua mão e me encara de olhos arregaladíssimos. — Foi mal, Daniel. Essas tentativas de adivinhar estavam me enchendo o saco.
— Tudo bem — tranquilizo-a.
Meus pais me olham com um silêncio perplexo. E confusos.
— Vocês… como é que é?
— Six e eu… hum…
Não sei direito o que dizer.
— A gente transou num armário escuro mais ou menos um ano antes de nos conhecermos oficialmente — diz Six. — Eu engravidei. Descobri durante meu intercâmbio na Itália. Eu não sabia com quem eu tinha transado, então não sabia quem era o pai e coloquei o bebê para adoção.
Mas quando voltei e comecei a ficar com Daniel, nós dois descobrimos tudo. E agora sabemos onde está o bebê e vamos conhecê-lo no recesso depois do Natal.
Não foi uma explicação tão delicada quanto eu queria, mas agora já foi.
E meus pais continuam calados.
— Me desculpem — murmuro. — A gente usou camisinha.
Eu estava achando que eles ficariam zangados ou tristes, mas meu pai começa a gargalhar.
E minha mãe também.
— Essa foi boa — diz meu pai. — Mas não vamos cair nesse papo.
— Não é uma pegadinha — digo.
Olho para Hannah e para Bolota em busca de apoio, mas elas estão totalmente boquiabertas.
— Pera aí — diz Hannah. — Você o achou? Você realmente o achou?
Ah, é. Eu tinha esquecido que Hannah e Bolota não sabiam dessa parte.
Six faz que sim e pega seu celular para mostrá-lo a Hannah.
— Eles nos mandaram um e-mail hoje.
Hannah pega o celular de Six.
Minha mãe olha para Bolota como se ela fosse a única pessoa incapaz de mentir.
— É verdade — diz Bolota. — Daniel contou pra gente uns dias atrás.
Aconteceu mesmo.
— Temos fotos — falo, pegando meu celular.
Minha mãe balança a cabeça e começa a andar de um lado para o outro novamente.
— Daniel, se isso for uma brincadeira sua, nunca vou te perdoar.
— Não é brincadeira, sra. Wesley — diz Six. — Eu nunca brincaria com algo assim.
— Escutem, sei que estão chocados.
Meu pai ergue a mão para que eu me cale.
— Vocês tiveram um filho e o colocaram para adoção sem nem contar para nós dois?
— Ele só soube depois que aconteceu — diz Six para me defender. —
Eu não sabia quem era o pai.
Meu pai está parado ao lado da minha mãe, ainda me fulminando com os olhos.
— Como você não…
Minha mãe põe a mão no ombro do meu pai para que ele não termine a frase.
— A gente precisa de um momentinho — diz minha mãe.
Six e eu nos entreolhamos. Estávamos tão animados que nem pensamos em como seria contar para nossos pais. Vamos para o meu quarto, mas esperamos com a porta aberta para poder escutar o que eles têm a dizer.
Mas ninguém diz nada. Ouvimos apenas suspiros. Muitos suspiros.
Meu pai é o primeiro a falar:
— Será que devemos deixá-lo de castigo? — pergunta ele para minha mãe.
— Ele tem 19 anos.
Outra pausa. Em seguida:
— Nós somos avós? — diz minha mãe.
— Não temos idade para ser avós.
— Pelo jeito, temos. E eles disseram que era um menino? — pergunta ela.
— Isso. Um menino. Nosso menino teve um menino. Nosso filho tem um filho. Meu filho teve seu próprio filho. Eu tenho um neto.
— Eu também — murmura minha mãe, incrédula.
Six e eu esperamos com paciência e escutamos os dois elaborarem a situação.
— Não estou pronta para ser avó — diz minha mãe.
— Bom, você já é.
— Qual será o nome dele? — pergunta meu pai.
Essa eu quero responder.
— Matteo! — grito para o corredor.
Da sala de estar, meu pai dá uma olhadela no corredor. Quando o vejo, abro totalmente minha porta. Nós dois nos encaramos por um instante. Ele parece decepcionado. Eu quase diria que acharia melhor vê-lo zangado.
— Bom — diz ele, gesticulando para que voltemos à sala. — Vejamos as fotos então.
Nós nos sentamos à mesa e meu celular passa por todos eles, que se revezam vendo as fotos. É só depois de uns dez minutos que a ficha cai para minha mãe, que começa a chorar.
— Ele é tão lindo — diz ela.
Six está apertando minha mão de novo. Depois começa a chorar, pois sempre que Six vê alguém chorando, ela chora.
— Me desculpem por ter deixado alguém adotá-lo — diz ela para meus pais. — Eu não sabia o que fazer.
Os olhos da minha mãe viram-se com rapidez para Six. Ela levanta da cadeira, segura as mãos de Six e a olha bem nos olhos.
— Não precisa se desculpar por nada. Não mesmo. Nós te amamos tanto, Six.