Em busca de Cinderela / Em busca da perfeição
Capítulo Seis
Ele é nosso filho, somos os pais dele, e nada disso teria sido possível sem você.
Assim que Graham me soltou, eu disse que precisava escrever este e-mail. Quero que Matteo saiba que, além de ter nós dois como pais, ele também tem mais um pai e uma mãe que se importam com ele tanto quanto a gente. Uma mãe biológica que se importa tanto com ele que sacrificou a própria felicidade para que ele tivesse uma vida que ela, por quaisquer que fossem os motivos, achou que seria incapaz de lhe dar na época de seu nascimento.
Nós iríamos adorar que vocês o conhecessem em algum momento. Podem nos ligar no número abaixo ou nos mandar um e-mail, se preferir. Seria uma honra finalmente ter a oportunidade de lhe agradecer pessoalmente.
Seguem anexas algumas fotos dele. Ele é o garotinho mais feliz que conheço, e não vejo a hora de ele se tornar uma parte importante da vida de vocês dois também.
Muito obrigada por nosso presente milagroso.
Com carinho,
Quinn, Graham e Matteo Wells.
Nós dois nos abraçamos.
Nos abraçamos e choramos. Muito.
Capítulo Seis
Nem sei como descrever este momento que Six e eu estamos compartilhando. É a melhor coisa que já me aconteceu. Acho que nunca chorei de felicidade antes. Acho que nunca vi Six chorar tanto e rir ao mesmo tempo. Estamos um caos, e é tão incrível.
Sempre que começo a falar, nós dois choramos. Sempre que ela começa a chorar, nós dois choramos. Nem sequer conseguimos falar, e olha que já se passaram cinco minutos desde que acabamos o e-mail.
Ficamos esperando as fotos anexas carregarem no celular, mas está demorando uma eternidade, então Six pega o notebook dela. Faço o login na minha conta de e-mail e aperto para baixar as imagens.
Quando a primeira foto carrega, ficamos tão boquiabertos que nem o ar inteiro do quarto preencheria nossas bocas.
Ele é igualzinho a mim.
Mas também é igualzinho a ela.
É tão estranho e incrível ver essa vida que criamos. De alguma maneira, isso faz com que eu me sinta ainda mais próximo de Six.
— Meu Deus — sussurra ela. — Ele é perfeito.
— Role a tela para baixo — digo, querendo urgentemente ver mais depois desse pequeno vislumbre.
Abrimos todas as fotos. Damos zoom em suas feições. Ele tem a boca de Six, meus olhos, e o cabelinho é denso e castanho.
Também damos zoom no ambiente. Ele parece ter um imenso quintal, com um conjunto inteiro de brinquedos que ainda é pequeno demais para usar. São cinco fotos no total, e, depois de olharmos vinte vezes cada uma, eu digo:
— A gente deveria ligar para eles.
Six assente.
— Devíamos mesmo. — Ela põe a mão na barriga. — Estou tão nervosa.
— Eu também. Eu também, amor.
Six se senta na beira da cama e eu fico andando de um lado para o outro enquanto disco o número que Quinn pôs no e-mail. Ponho o celular no viva-voz e, quando começa a chamar, me sento ao lado de Six.
— Alô. Graham falando.
— Alô. Oi, sou eu, Daniel. Acabamos de receber o e-mail da sua esposa.
Sinto que eu deveria dizer mais alguma coisa. Tipo obrigado ou amamos vocês ou que tal a gente passar aí agora à noite para conhecê-lo?
— Ótimo — diz Graham. — Vou chamar a Quinn.
A ligação fica em silêncio, e Six e eu nos entreolhamos nervosos. Então uma mulher diz:
— Oi. É a Quinn. Estou falando com Six e Daniel?
— Isso — dizemos em uníssono.
— Obrigada — acrescenta Six rapidamente. Ela está chorando, mas também está com o maior sorriso que já vi em seu rosto. — Obrigada mesmo. Ele é tão perfeito. Estamos muito felizes por ver que ele está feliz assim. Obrigada.
Ela cobre a própria boca para não falar mais.
Quinn dá uma risada.
— Eu que agradeço — diz ela baixinho. — Todas as minhas palavras foram sinceras.
— Onde vocês moram? — pergunto. — Ainda estão na Itália?
— Ah, não. Esqueci de mencionar no e-mail. Voltamos para Connecticut alguns meses atrás. Queríamos ficar mais perto dos pais de Graham.
— Então Matteo está aqui? A gente está no mesmo país que ele?
— Isso.
Six enxuga os olhos.
— E realmente não vai ser um problema se formos conhecê-lo?
— Seria um prazer. Mas sabemos muito pouco sobre vocês dois.
Poderiam falar um pouco disso antes? Onde vocês moram?
— Nós dois estudamos numa universidade em Dallas — digo. — Six quer ser psicóloga.
— Psiquiatra — corrige Six em meio às lágrimas.
— Alguma coisa que começa com psi — acrescento. — Já eu ainda não sei o que quero fazer. Ainda estamos no primeiro ano, então estamos resolvendo as coisas com o passar do tempo.
— E ainda estão namorando?
— Estamos. Bom, tecnicamente só começamos a namorar depois que o bebê foi adotado. Mas agora estamos namorando, sim.
— Adorei — diz Quinn.
— Daniel é maravilhoso — diz Six. — Você vai adorar ele.
Ela me olha e sorri. Aperto sua mão.
— E vai adorar Six mais ainda.
— Eu já adoro vocês dois por causa do que nos deram — diz Quinn. —
Bom, sabemos que vocês estão loucos para conhecê-lo, mas não queremos que percam muitas aulas. Até diríamos para vocês virem no próximo fim de semana, mas íamos preferir se pudessem passar mais de um ou dois dias. O
que acham do recesso de Natal? Já é daqui a algumas semanas.
Parece mais que é daqui a um século.
Percebo que Six sente o mesmo, pois ela murcha um pouco. Mas depois diz:
— Perfeito. Nós vamos.
— Isso, nós vamos.
Quinn diz:
— Precisam de ajuda para pagar as passagens aéreas?
— Não, vocês já fizeram o bastante — diz Six. — De verdade.
Há uma pausa, e então Graham pega o telefone.
— Agora vocês têm nosso número. Vamos mandar nosso endereço por mensagem. Depois avisem os dias em que vocês querem vir que a gente se organiza para recebê-los. Não vemos a hora de conhecê-los.
— Obrigada — diz Six de novo.
— Sim. Obrigado.
Six aperta tanto minha mão que está meio que doendo. Graham e Quinn se despedem. Quando desligo a ligação, passamos um instante sentados em silêncio, assimilando tudo.
— Merda — murmuro.
— O que foi?
Olho para Six.
— Isso significa que vamos ter que contar para os nossos pais que eles são avós.
Six parece preocupada, mas apenas por um segundo. Depois sorri.
— Meus irmãos vão te odiar.
Eu achava que isso ia me assustar, mas não me assusta.
— Não ligo. Nada é capaz de estragar toda essa felicidade.
Six dá uma risada, se levanta e puxa minhas mãos.
— A gente precisa contar para Sky e Holder!
Six sai pela janela e entra na janela do quarto de Sky. Vou bem atrás dela.
Quando aparecemos de supetão na sala, todos nos encaram. Eles ainda estão jogando Banco Imobiliário.
— Nós o encontramos! — diz Six.
Tenho certeza de que dá para todos perceberem que estávamos chorando, o que explicaria a expressão de preocupação na cara de cada um.
— Encontraram quem? — pergunta Karen.
Sky entende imediatamente do que estamos falando e por que parecemos tão perturbados e entusiasmados. Ela se levanta devagar e cobre a boca. Depois diz:
— Não acredito.
Six faz que sim.
— É. Acabamos de falar com eles. Vamos conhecê-lo no mês que vem.
— Conhecer quem? — diz Breckin.
— O bebê? — diz Holder.
Faço que sim.
— Isso. O nome dele é Matteo. E é muito fofo. É a nossa cara.
— Quem é Matteo? — pergunta Karen.
— Do que vocês estão falando? — pergunta Jack.
Holder e Sky atravessam a sala correndo. Holder nem deve estar ligando para o fato de que o tratei mal mais cedo, pois me abraça. Six e Sky se abraçam e soltam gritinhos. E então nós quatro nos abraçamos. Meu Deus, eu abracei demais essa semana..
Quando nos afastamos, Jack, Karen e Breckin ainda estão nos encarando, mais do que irritados.
— O que está acontecendo? — pergunta Karen para Sky.
Sky responde por nós:
— Daniel engravidou Six, ela teve o bebê na Itália e o colocou para adoção. E eles o encontraram!
— Eu não sabia que tinha engravidado Six — digo, sem saber por quê.
— E eu não sabia que tinha sido ele que tinha me engravidado — diz Six.
— É complicado — acrescenta Holder.