Empreendedorismo Corporativo: Como Ser Empreendedor, Inovar e Se Diferenciar na Sua Empresa
7. Identificando, avaliando e implementando novas oportunidades de negócios
Identificando, avaliando e
implementando novas oportunidades de
negócios
Ideias versus oportunidades
Talvez um dos maiores mitos a respeito de novas ideias de negócios é que elas devem ser únicas. O fato de uma ideia ser ou não única não importa. O que importa é como as empresas, por meio de seus empreendedores corporativos, utilizam uma ideia, inédita ou não, de forma a transformá-la em um produto ou serviço que as faça prosperar. As oportunidades é que geralmente são únicas, pois a empresa pode ficar vários anos sem observar e aproveitar uma oportunidade de desenvolver um novo produto, ganhar um novo mercado ou estabelecer uma parceria que a diferencie de seus concorrentes. Uma empresa pode buscar novas ideias devido a vários fatores, entre os quais destacam-se os seguintes propósitos:
• Necessidade de crescimento
• Existência de gaps (espaços, lacunas não preenchidas) no mercado • Necessidade de melhorar a performance financeira • Necessidade de conquistar novos clientes, através de novos produtos
• Necessidade de inovação
A necessidade de inovação pode ser traduzida na criação de algo diferente, como foi bastante enfatizado no quarto capítulo. Essa criação
pode ser tanto incremental quanto radical, como mostra a Figura 7.1. A inovação radical é a criação de uma nova linha de negócio, para a empresa e para o mercado. “Nova linha” pode se referir tanto ao produto como ao processo, tanto com características de performance sem precedentes ou mesmo com características já familiares que ofereçam de cinco a dez vezes (ou mais) em melhoria de performance ou de 30-50 % em redução de custos. Partindo dessa definição, pode-se dizer que o PC (personal computer) foi uma inovação radical, descontínua, mas muitas de suas melhorias subsequentes não foram, ou melhor, foram melhorias...
FIGURA 7.1 Atributos de ideias incrementais e radicais.
Para que as ideias floresçam na organização e transformem-se em oportunidades, deve-se criar um ambiente corporativo propício ao surgimento de novas ideias. Isso ocorre em organizações que priorizam o empreendedorismo corporativo. Assim, para se ter um ambiente interno de geração de ideias, são necessárias duas características:
1. Desenvolvimento de uma estrutura para o empreendedorismo.
2. Ter as pessoas certas.
O ambiente empreendedor deve estar presente em toda a corporação, em todos os níveis. Para isso, as pessoas devem ser encorajadas a agir como empreendedoras, e a organização deverá:
• Prover tempo e recursos.
• Incentivar o pensamento criativo. • Enfatizar ideias passadas que viraram oportunidades.
• Tolerar falhas!
O desenvolvimento de uma estrutura para o empreendedorismo corporativo passará necessariamente por uma reestruturação da organização que vise à identificação, avaliação e captura de oportunidades (estágio posterior ao da identificação de ideias). Para isso se faz necessário:
• Organizar a geração e armazenamento das oportunidades (banco de
dados, reuniões periódicas etc.).
• Rever processos ou estrutura formal e/ou informal. • Definir meios de recompensar ou incentivar a geração de ideias.
• Fazer com que tais políticas sejam parte da cultura da organização.
• Incentivar o aprendizado.
Ter as pessoas certas significa ter na corporação pelo menos dois tipos de pessoas (ambos empreendedores corporativos):
• O líder empreendedor (criativo, gerador das ideias).
• O gerente (executa, incentiva os pensadores criativos, facilita o
processo, complementa o time).
É sempre importante que o empreendedor corporativo teste suas ideias ou novos conceitos para o negócio da organização junto aos clientes em potencial, empreendedores mais experientes (conselheiros), colegas de trabalho etc., antes que a paixão pela ideia cegue sua visão analítica do negócio. Uma ideia sozinha não vale nada. Em empreendedorismo, elas surgem diariamente. O que importa é saber desenvolvê-la, implementá-la e contribuir para o sucesso da organização. O que conta não é ser o primeiro a pensar e ter uma ideia revolucionária, mas o primeiro a identificar uma necessidade de mercado e saber como atendê-la, antes que outros o façam. Uma ideia isolada não tem valor se não for transformada em algo viável de implementar, visando a atender a um público-alvo que faz parte de um nicho de mercado mal explorado. Isso é detectar uma oportunidade.