Empreendedorismo Corporativo: Como Ser Empreendedor, Inovar e Se Diferenciar na Sua Empresa

10. O futuro da corporação empreendedora

O futuro da corporação empreendedora

 

Empreender já é um verbo bastante difundido no mundo corporativo, não só no ambiente das start-ups. A palavra empreendedorismo e o conceito de fazer diferente têm sido debatidos nos meios de comunicação e internamente nas organizações. A necessidade de se praticar o empreendedorismo corporativo é evidente e já bastante aceita por várias organizações. O como fazer, ideias de como implementar estratégias empreendedoras e disseminar o empreendedorismo por toda a organização foram apresentados nos capítulos anteriores. O grande desafio agora é a implementação desses conceitos.

O futuro da organização empreendedora dependerá de executivos ousados, daqueles que não se contentam com resultados imediatos, e que buscam deixar um legado, seu nome na história da corporação. Esses empreendedores sempre foram e continuarão a ser os grandes responsáveis pelas inovações que surgirão nos próximos anos. Não aceitar as coisas como são, as regras predefinidas e a repetição de receitas bem-sucedidas do passado é o primeiro passo para se entrar no mundo do empreendedorismo corporativo. Atualizar-se, entender o meio à sua volta, entender como se relacionar e praticar o networking são outros aspectos-chave para aqueles que anseiam ser denominados empreendedores corporativos.

É difícil, para não dizer impossível, prever o que ocorrerá com as organizações atuais nos próximos anos, como os mercados se comportarão e que teorias ou práticas administrativas serão as mais indicadas para gerir os negócios. Porém, alguns imperativos continuarão, certamente, a estar presentes: a mudança, a necessidade de inovação e o comprometimento das pessoas da corporação em fazer esses dois imperativos anteriores acontecerem.

Conceitos como open innovation (inovação aberta, envolvendo não só a organização, mas seus relacionamentos externos), empresas trabalhando em colaboração e em rede são as formas inovadoras que muitas organizações têm buscado implementar no momento atual, revendo seus modelos de negócio. Alguns estudos já mostram que as empresas, cada vez mais, terão que se adaptar ao paradigma da colaboração, de ouvir os clientes, fornecedores e até os concorrentes e permitir com que os mesmos literalmente contribuam para o aperfeiçoamento e a criação de novos produtos. Outros estudos mostram que crescer sem limites dentro de suas próprias estruturas talvez já não seja o caminho mais adequado para as organizações que já são grandes. Fusões e aquisições não param (e talvez continuem por muitos anos até a consolidação de alguns mercados) de acontecer, mas o mais importante é gerir todos os relacionamentos da complexa rede de negócios em todos os mercados e manter a dianteira das inovações, independentemente de onde estejam (dentro ou fora da empresa) para manter a liderança e os resultados positivos, atendendo aos anseios incessantes de altos retornos dos acionistas.

As pessoas continuarão a ser a chave para o sucesso no mundo dos negócios, por mais que a tecnologia automatize a maioria dos processos organizacionais. Essas pessoas, que usam sua imaginação e criatividade, são o ingrediente principal para a promoção da mudança e da inovação. O futuro da corporação empreendedora será bem ou malsucedido se a corporação entender que a gestão de pessoas e a definição de estratégias que possibilitam os colaboradores a explorarem ao máximo seu potencial é a forma de se manter acesa a chama do empreendedorismo ao longo dos anos. A intensidade empreendedora envolve vários aspectos, porém um aspecto crítico para se ter uma maior intensidade empreendedora é a ênfase do empreendedorismo na cultura organizacional. Uma cultura organizacional focada no empreendedorismo prolongará sua prática, evitando que se torne uma receita do momento, um modismo que veio e que passará.

A manutenção de uma cultura empreendedora ao longo dos anos deverá envolver, necessariamente, alguns aspectos cruciais: o foco nas pessoas, dando-lhes condições de implementar seus projetos e de ter autonomia; a criação de valor através da mudança e da inovação; um gerenciamento com ênfase prática, no fazer acontecer, sem excesso de formalismos; a assertividade, a eficácia, que só se aprimora com a experiência e com a gestão do conhecimento; a liberdade para fazer a organização crescer, mesmo estando sujeita a falhas; o comprometimento com a organização, a responsabilidade e a ética; a ênfase no futuro, em antecipar-se aos fatos e ao senso de urgência.

Finalmente, é interessante ressaltar uma vez mais que o empreendedorismo trata de comportamento. Visto dessa forma, os conceitos aqui apresentados podem ser aplicados a qualquer organização, independentemente de seu porte ou setor, se tem fins lucrativos ou não, pública ou privada. As pessoas é que fazem as corporações existirem, e o empreendedorismo corporativo só será efetivo se ajudar a mudar o comportamento dos executivos e administradores, ampliando seus horizontes e os motivando para a ação. Caso contrário, de nada adiantarão estratégias, políticas e procedimentos. Aos que pretendem se engajar e ser chamados de empreendedores corporativos, só resta desejar-lhes boa sorte, que não se decepcionem com as prováveis falhas que cometerão pela jornada, mas aprendam com elas e exaltem e curtam as várias vitórias. Que façam sua presença no mundo corporativo ser sentida e admirada, que não sejam mais um, que se diferenciem, que se orgulhem do que fazem e que deem sentido ao termo empreender.

 

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