Essa Garota

Colleen Hoover · Capítulo 10 de 30

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Essa Garota

Capítulo 8

 

A lua de mel

"Certo", Lake diz. "Duas coisas. Primeira. Esse poema foi...

dolorosamente lindo."

"Assim como seu sujeito," digo. Inclino-me para beijá-la, mas ela levanta a mão e empurra meu rosto.

"Segundo", diz, estreitando os olhos. "Gavin e Eddie tentaram te arrumar alguém?" Ela bufa e se senta na cama. "Que bom que você não concordou com isso. Não me importo como errada nossa situação era, de maneira nenhuma eu poderia ter namorado alguém, considerando a maneira como me sentia por você."

Rapidamente mudo de assunto antes que ela perceba, apesar de não concordar com isso, Eddie é malditamente persistente.

"Certo, agora para sexta à noite", digo, tirando, com sucesso, seu foco daquele dia. "Sua mãe."

"Sim", diz, encontrando um lugar confortável ao meu lado e jogando a perna sobre a minha. "Minha mãe."

SEGREDOS

"Macarrão de novo?" Caulder lamenta. Pega seu prato de comida no balcão e leva para a mesa e senta.

"Se não gosta, aprenda a cozinhar."

"Eu gosto", diz Kel. "Minha mãe cozinha um monte de legumes e frango. Isso é provavelmente o motivo de eu ser tão pequeno, porque estou desnutrado."

Sorrio e o corrijo. "É desnutrido."

Kel revira os olhos. "Foi o que eu disse."

Pego minha própria tigela e encho com macarrão... novamente. Comemos macarrão, pelo menos três vezes por semana, mas normalmente somos apenas nós dois. Não vejo motivo para fazer refeições caras, quando é somente eu e um garoto de nove anos na maioria das vezes. Sento-me a mesa em frente aos dois rapazes e coloco chá em nossos copos.

“Hora do Melhor e pior", diz Caulder.

"O que é melhor e pior?" Pergunta Kel.

Assim que Caulder começa a explicar, há uma batida na porta da frente. Quando abro porta, fico surpreso em encontrar Julia de pé na entrada. Sua presença se tornou definitivamente mais intimidante desde o primeiro dia, quando a conheci, especialmente depois desta tarde, quando descobriu sobre eu ser um professor.

Ela olha para mim, de boca cheia, com as mãos nos bolsos de sua blusa.

"Oh. Oi," digo, tentando não parecer tão nervoso quanto estou. "Kel só começou a comer. Se você quiser, vou mandá-lo para casa assim que terminar."

"Na verdade", diz. Ela olha por cima do ombro, para os meninos e depois para mim e baixa a voz para um sussurro. "Realmente queria falar com você, se tiver alguns minutos."

Ela parece um pouco nervosa, o que só me faz dez vezes mais nervoso. "Claro." Passo para o lado e aceno para ela entrar "Vocês podem comer no seu quarto, Caulder. Preciso conversar com Julia."

"Mas nós não dissemos nosso melhor e pior de hoje", diz Caulder.

"Façam em seu quarto. Direi o meu mais tarde."

Os meninos pegam suas tigelas e bebidas e vão para o quarto do Caulder, fechando a porta atrás deles.

Quando volto para Julia sua boca está enrolada em um sorriso.

"Melhor e pior?", Diz. "É essa a sua maneira de fazer com que ele diga o que foi bom e ruim em seu dia?"

Sorrio e aceno com a cabeça. "Começamos a cerca de seis meses atrás." Sento no mesmo sofá que ela. "Foi ideia de seu terapeuta. Embora a versão original não chamasse melhor e pior. Adaptei para fazê-lo soar mais atraente para ele."

"Isso é doce", diz ela. "Eu deveria começar a fazer isso com Kel."

Dou-lhe um leve sorriso, mas não respondo. Não estou realmente certo do que ela está fazendo aqui ou quais são suas intenções, por

isso, silenciosamente espero que continue. Ela respira fundo e fixa seu olhar sobre a foto de família pendurada na parede em frente a ela.

"Seus pais?", Diz, apontando para a imagem.

Relaxo no sofá e olho para a foto. "Sim. O nome da minha mãe era Claire. O do meu pai era Dimas. Ele era meio porto-riquenho, seu nome é em homenagem a seu avô materno."

Julia sorri. "Isso explica o seu bronzeado natural."

É óbvio que está tentando desviar por algum motivo. Continua a olhar para a foto. "Você se importa se eu perguntar como eles se conheceram?", diz ela.

Apenas algumas horas atrás, ela estava pronta para arrancar minha cabeça depois de descobrir que sou o professor da Lake, agora está tentando me conhecer? Seja o que for que está acontecendo com ela, não estou em posição para questioná-la, então a acompanho.

"Eles se conheceram na faculdade. Bem, minha mãe estava na faculdade. Meu pai era na verdade um membro de uma banda que tocava no campus. Ele não foi para a faculdade até alguns anos depois de se conhecerem. Minha mãe estava no campus em uma equipe que iria ajudar a montar um de seus shows e eles se conheceram. Ele a convidou para sair e o resto é história. Casaram dois anos depois."

"O que eles faziam para viver?"

"Minha mãe trabalhava em recursos humanos. Meu pai era um... professor de Inglês." Bastou dizer a palavra professor na frente

dela para me deixar desconfortável. "Não eram bem remunerados, mas foram felizes."

Ela suspira. "Isso é o que conta."

Concordo com a cabeça. Há um silêncio constrangedor que se segue enquanto ela lentamente olha as imagens nas paredes ao nosso redor. Sinto que quer falar tudo, desde hoje cedo, mas talvez não saiba como.

"Ouça Julia." Viro na sua direção no sofá. "Eu realmente sinto muito sobre o que aconteceu entre Lake... entre Layken e eu. A posição que a coloquei não é justa e me sinto terrível. É completamente minha culpa."

Ela sorri e chega do outro lado do sofá, em seguida, dá um tapinha em cima da minha mão. "Sei que não foi intencional, Will. O que aconteceu foi um lamentável mal-entendido, sei disso. Mas...” Ela suspira e balança a cabeça. "Tanto quanto eu gosto de você e acho que é um grande cara... só não é o certo. Ela nunca se apaixonou antes e isso me assusta quando penso sobre o jeito que ela estava quando entrou pela porta da frente na noite da última quinta-feira. Sei que ela quer fazer a coisa certa, mas também sei que faria qualquer coisa para conseguir de volta aquele momento. Foi a primeira vez que a vi tão feliz desde que seu pai morreu."

Ouvindo-a confirmar que os sentimentos de Lake eram tão intensos quanto os meus, tornou tudo isso mais difícil. Sei que está apenas tentando afirmar sua posição, mas é uma posição que prefiro não ouvir.

"O que estou tentando dizer é... está em suas mãos, Will. Sei que ela não é forte o suficiente para negar ao seu coração o que ele quer, então preciso que você me prometa que vai. Você tem mais em jogo aqui do que ela. Este não é um conto de fadas. Esta é a realidade. Se vocês dois acabam seguindo seus corações e não suas cabeças, isso vai acabar em desastre."

Desloco-me no sofá e tento pensar em uma maneira de responder. Julia é, obviamente, o tipo de pessoa que pode ver através da mentira, então sei que preciso ser verdadeiro com ela.

"Gosto dela, Julia. E, de alguma forma estranha, me preocupo com ela. Sei que eu só a conheci há pouco mais de uma semana, mas... gosto. Eu me preocupo com ela. E é exatamente por isso que você não tem nada com que se preocupar. Não quero nada mais do que ajudar Layken a passar por isso, seja o que for que ela está sentindo. Sei que a única maneira de fazer isso é manter o nosso relacionamento estritamente profissional a partir de agora. E prometo a você, eu vou."

Ouço as palavras que saem da minha boca e gostaria de admitir que estou sendo cem por cento honesto com ela. Mas sendo cem por cento honesto comigo mesmo, sei que não sou tão forte. É por isso que tenho que manter distância.

Julia repousa o cotovelo no encosto do sofá e deita a cabeça sobre ele. "Você é uma boa pessoa, Will. Espero que um dia ela tenha a sorte de encontrar alguém tão bom quanto você. Só não quero que seja agora, sabe? E, definitivamente, não nessas circunstâncias."

Concordo com a cabeça. "Não quero isso para ela agora, também," digo em voz baixa. E essa resposta é certamente verdade. Se há uma coisa que sei com certeza, é que não quero sobrecarregar Lake com todas as minhas responsabilidades. Ela é jovem e, ao contrário de mim, ainda tem uma chance de um futuro imaculado. Não quero ser aquele a tirar isso dela.

Julia se recosta no sofá e olha para a foto dos meus pais novamente. Assisto enquanto ela olha para eles. Posso ver agora de onde Lake herdou aquele olhar distante. Eu me pergunto se elas tinham esse olhar antes do pai de Lake falecer, ou se é uma reação natural depois de alguém próximo a você morrer. Isso faz com que me pergunte se talvez eu também fico tão desanimado quando penso sobre os meus próprios pais.

A mão de Julia vai até sua bochecha e ela enxuga as lágrimas recém-formadas em seus olhos. Não sei por que está chorando, mas instantaneamente sinto sua tristeza. Emana dela.

"Como foi para você", ela sussurra, ainda olhando para a foto.

Eu a encaro novamente e olho para o seu rosto. "Como foi o que?" Pergunto. "Sua morte?"

Ela acena com a cabeça, mas não olha para mim. Inclino para trás e cruzo os braços sobre o peito, descansando minha cabeça contra o encosto do sofá novamente. "Foi..." Percebo que nunca falei com ninguém sobre como foi para mim. Além do slam, quando falo sobre a morte deles, nunca falei sobre isso com uma única pessoa. “Era como se cada pesadelo que já tive em toda a minha vida se tornasse realidade de forma instantânea."

Ela fecha os olhos e aperta a mão sobre a boca, rapidamente se afastando.

"Julia?"

Ela é incapaz de controlar suas lágrimas agora. Vou para perto dela no sofá e coloco meu braço em torno dela e puxando-a para mim. Sei que ela não está chorando por causa do que eu disse. Está chorando por causa de outra coisa pessoal. Há algo maior acontecendo aqui do que apenas eu e Lake. Algo muito maior. Afasto-me e olho para ela.

"Julia, me diga," peço. "O que há de errado?"

Ela se afasta e levanta, indo em direção à porta. "Eu preciso ir", diz em meio às lágrimas. Sai pela porta da frente antes que eu tenha a chance de detê-la. Quando vou para fora, ela está de pé na minha varanda chorando incontrolavelmente. Ando até ela, sem saber o que fazer. Não tenho certeza se estou em condições de fazer qualquer coisa, mesmo se quisesse.

"Olha, Julia. Seja o que for, você precisa falar sobre isso. Não tem que me dizer, mas precisa falar sobre isso. Quer que eu vá chamar Layken?"

Ela arregala os olhos para mim. "Não!", Diz. "Não faça isso. Não quero que ela me veja chateada assim."

Coloco minhas mãos em seus ombros. "Está tudo bem? Você está bem?"

Ela desvia seu olhar do meu, indicando que toquei em algo sensível. Ela não está bem. Se afasta de mim e enxuga as lágrimas com sua camisa. Inspira profundamente algumas vezes, tentando parar as lágrimas que fluem.

"Não estou pronta para que eles saibam, Will. Ainda não", sussurra. Abraça a si mesma com firmeza e olha para sua casa. "Só quero que eles tenham a chance de se ajustar. Já passaram por tanta coisa este ano. Não posso contar ainda. Vai quebrar suas almas."

Ela não se abre e conta, mas posso ouvir em sua voz. Ela está doente.

Envolvo meus braços em torno dela e a abraço. Abraço pelo que está passando, por quem tem sido. Abraço por Lake, abraço por Kel e abraço por Caulder e por mim. Eu abraço, porque é tudo que sei fazer.

"Não vou falar nada. Prometo." Não sei nem como começar a me colocar no lugar dela, a fim de empatia. Não posso imaginar o quão difícil isso deve ser para ela. Saber que seus dois filhos vão, possivelmente, ficar no mundo sem você? Pelo menos os meus pais não sabiam o que estava prestes a acontecer. Pelo menos eles não tinham que carregar o fardo que Julia está carregando.

Ela finalmente se afasta e enxuga os olhos novamente. "Basta enviar Kel para casa quando ele terminar de comer. Preciso ir trabalhar."

"Julia", digo. "Se você sentir vontade de conversar sobre isso..."

Ela sorri, então se vira e vai embora. Estou de pé na frente da minha casa com um sentimento de vazio maior que o mundo. Saber o que está prestes a acontecer com a vida de Lake me faz querer protegê-la, mais. Estive no seu lugar antes e não desejo isso a meu pior inimigo. Com certeza não para garota que estou me apaixonando.