Essa Garota
A Lake
Beijo sua testa. "Bem, como disse, você me inspirou, também. Sabia que já te amava muito antes disso, mas naquela noite, no jantar, algo apenas ligou dentro de mim. É como se cada vez que estivéssemos juntos, tudo estava certo com o mundo. Tinha assumido, assim como sua mãe fez, que ficar distante iria ajudá-la a concentrar-se nela, mas nós dois estávamos errados. Sabia que a única maneira de qualquer um de nós sermos verdadeiramente felizes, era se estivéssemos juntos. Queria que você esperasse por mim. Queria tanto que você esperasse por mim, mas não sabia como te falar isso, sem atravessar algum tipo de limite.”
"Na noite seguinte, no slam, quando te vi entrar, não poderia me impedir de realizar a performance para você ouvir. Sabia que era errado, mas queria que soubesse o quanto pensava em você. O quanto realmente te amava."
Ela rola e faz uma carranca para mim. "O que você quer dizer com quando me viu entrar? Você disse que não sabia que eu estava lá até que me viu saindo."
Dou de ombros. "Eu menti."
A LAKE
Assim que vou até o microfone, a vejo. Ela passa pela porta e vai direto para uma mesa vazia no fundo, não olhando nenhuma vez para o palco. Meu ritmo cardíaco acelera e gotas de suor se formam na minha testa, então as enxugo com a palma da minha mão. Não tenho certeza se é o calor dos holofotes ou o ataque de nervos por apenas vê-la caminhar através da porta. Não consigo executar este poema agora. Não com ela aqui. Por que ela está aqui? Ela disse que não viria esta noite.
Dou um passo para longe do microfone para organizar meus pensamentos. Devo fazer isso de qualquer maneira? Se fizer, ela vai saber exatamente o que sinto. Isso poderia ser bom. Talvez se for em frente e fizer isso, poderei avaliar sua reação e saber se pedir-lhe para esperar por mim é a coisa certa a fazer. Quero que espere por mim. Quero tanto que espere por mim. Não quero pensar sobre ela permitindo que qualquer pessoa além de mim possa amá-la. Ela precisa saber como me sinto sobre ela antes de ser muito tarde.
Balanço a tensão dos meus ombros. Vou até o microfone, afasto a minha dúvida e digo as palavras que despem tudo, mas é a verdade.
Eu costumava amar o oceano.
Amava tudo a respeito dele.
Os recifes de corais, as cristas espumosas, as ondas barulhentas, as rochas que elas saltam,
as lendas de piratas e as caudas de sereias,
Tesouros perdidos e tesouros encontrados...
E TODOS
Os peixes
No mar.
Sim, eu costumava amar o oceano, Amava tudo a respeito dele.
A maneira como ele cantava até eu dormir enquanto eu ficava deitado na cama
e depois me acordava com uma força
Que logo passei a temer.
As fábulas, as mentiras, os olhos enganadores, Eu o drenaria até que secasse
Se me importasse tanto assim. Eu costumava amar o oceano.
Amava tudo a respeito dele.
Os recifes de corais, as cristas espumosas, as ondas barulhentas, as rochas que elas saltam,
as lendas de piratas e as caudas de sereias,
Tesouros perdidos e tesouros encontrados...
E TODOS
Os peixes
No mar.
Bom, se você já tentou navegar um veleiro
em seus mares tempestuosos, percebeu que as cristas espumosas são suas inimigas. Já
tentou nadar até a costa quando sua perna está com cãibra e você acabou de comer uma
refeição enorme de hambúrgueres do In-N-Out, que o estão deixando mais pesado, e as
ondas barulhentas o estão deixando sem fôlego, enchendo seus pulmões com água enquanto
você agita os braços, tentando chamar a atenção de alguém, mas seus amigos
só fazem
acenar
de volta?
E se você cresceu com sonhos na cabeça
sobre a vida e como qualquer dia desses você roubaria o próprio navio e teria a própria
tripulação e todas
as sereias
amariam
apenas
você?
Bem, assim você perceberia...
Assim como terminei percebendo...
Que todas as coisas boas?
Toda a beleza?
Não é real.
É mentira.
Então, pode ficar com seu oceano,
Que eu fico com meu Lago.
Fecho meus olhos e expiro, não sei o que fazer a seguir. Vou à mesa onde está sentada?
Espero e deixo que ela venha me encontrar? Lentamente me afasto do microfone e caminho em direção as escadas laterais, descendo-as degrau por degrau, com medo de que alguma coisa possa acontecer a seguir. Sei que preciso vê-la.
Quando chego ao fundo do salão, ela não está mais na mesa. Caminho para frente do clube, em direção ao palco, para o caso dela ter vindo para me encontrar aqui. Não está. Depois de olhar ao redor por alguns minutos, vejo Eddie e Gavin sentados na mesa em que Lake estava alguns momentos antes.
O que estão fazendo aqui? Lake disse que nenhum deles viria. Graças a Deus que estão atrasados, não iria querer que Gavin ouvisse esse poema. Vou até eles e tento parecer casual, mas todo o meu corpo está nervoso e tenso.
"Ei, Will", diz Gavin. "Você quer se sentar com a gente?"
Balanço minha cabeça. "Ainda não. Vocês..." Faço uma pausa, não precisando realmente que Gavin me dê um de seus olhares de novo, quando descobrir que estou procurando Lake. "Vocês viram Layken?" Gavin se inclina para trás na mesa e levanta uma sobrancelha.
"Sim", Eddie diz com um sorriso no rosto. "Ela disse que estava indo embora. Estava indo em direção ao estacionamento atrás do clube, mas encontrei a sua bolsa aqui", diz, segurando uma bolsa. "Vai estar de volta logo que perceba que não tem isso."
Ela esqueceu? Imediatamente viro a cabeça em direção à porta sem dizer mais nenhuma palavra a nenhum deles. Se ela ficou durante todo o poema e apenas se levantou e se foi, devo tê-la irritado. Por que não troquei o poema? Por que não pensei sobre como iria fazê-la se sentir? Balanço a porta aberta e imediatamente viro a esquina em direção ao estacionamento de trás. Desesperado para pegá-la antes que vá embora, me encontro mudando de uma caminhada, para uma corrida, em seguida, para uma corrida desesperada. Encontro seu jipe, mas ela não está dentro dele. Giro em torno procurando por ela, mas não a vejo. Viro para voltar e verificar o clube novamente e ouço sua voz, juntamente com outra pessoa. Parece ser um cara. Meus punhos apertam imediatamente, preocupado com sua segurança. Não gosto da ideia dela estar aqui sozinha com alguém, então sigo o som das vozes até que a vejo.
Até que os vejo.
Ela apoiou-se contra a caminhonete de Javi, suas mãos sobre o peito dele, as mãos dele nas bochechas dela. Ver os lábios dele nos dela trás uma reação dentro de mim que nem sabia que era capaz. A única coisa passando pela minha cabeça neste momento é como conseguir tirar este idiota dela. De todos os caras que poderia optar por ajudá-la a seguir em frente sem mim, com certeza não deveria ser Javi.
Antes que possa sequer pensar em uma decisão mais sensata, minhas mãos agarram sua camisa e estou puxando-o para longe dela. Quando ele tropeça e cai de costas, solto o meu joelho em seu peito e o soco.
Assim que meu punho acerta sua mandíbula, percebo que levei três segundos para jogar fora todas as coisas pelas quais trabalhei. Não tem como sair desta situação com um emprego.
Esse pensamento nessa fração de segundo foi distração suficiente para permitir que Javi recuperasse o equilíbrio e desse um soco direto no meu olho, me mandando de volta para o chão antes que pudesse reagir. Pressiono minha mão contra o meu olho e sinto o sangue quente escorrer por entre meus dedos. Ouço Lake gritando para que ele pare. Ou ela está gritando para eu parar. Ou talvez nós dois. Levanto e abro os olhos enquanto Lake pula na frente de Javi. Ela foi arremessada para frente quando Javi bateu nela na parte de trás com um golpe que era, obviamente, destinado a mim. Ela suspira e cai em cima de mim.
"Lake", grito, rolando-a de costas. Assim que confirmo que está consciente, fico consumido pela raiva.
Vingança.
Ódio.
Quero matar esse idiota. Agarro a maçaneta da porta do carro mais próximo e levanto. Javi está indo em direção a Lake, pedindo desculpas. Não lhe dou tempo para fazer as pazes. Bato nele com toda a força do meu punho e o vejo cair no chão. Ajoelho e o acerto novamente, desta vez por Lake. Assim que trago minha mão de volta para acertá-lo novamente, Gavin me puxa para longe dele, jogando
nós dois para trás.
Gavin segura os meus braços para trás e está gritando para me acalmar. Puxo meus braços longe dele e fico em pé, com a intenção de tirar Lake daqui, para longe de Javi. Ela está provavelmente muito chateada comigo agora, mas o sentimento é malditamente mútuo.
Está sentada, apertando o peito, tentando respirar. Por mais que eu queira gritar com ela, sou imediatamente superado pela preocupação quando percebo que ela está sofrendo. Só quero levá-la para longe de todos. Seguro sua mão e a puxo para cima, em seguida, enrolo o meu braço em torno da sua cintura para ajudá-la a ficar em pé.
"Vou levar você para casa."
Quando alcançamos meu carro, ajudo-a a entrar e fecho a sua porta, em seguida, caminho para o lado do motorista.
Antes de entrar, respiro fundo várias vezes, na tentativa de me acalmar. Não posso imaginar o que a fez permitir que ele a beijasse depois de me ver praticamente confessar meu amor por ela no palco. Será que nem sequer se importou? Fecho meus olhos e inspiro pelo nariz, em seguida, abro a porta e entro. Saio do estacionamento, incapaz de formar um pensamento, muito menos uma frase coerente. Minhas mãos estão tremendo, meu coração está prestes a sair do meu peito, provavelmente preciso de pontos e minha carreira está agora em perigo... mas a única coisa que posso pensar é o fato de que ela o beijou.
Ela o beijou.
O pensamento me consome todo o caminho. Ela não disse uma única coisa, então deve estar se sentindo bem culpada agora. Assim como sinto vontade de virar para ela e dizer exatamente o que penso de
suas ações de hoje à noite, escolho sair do carro, em vez disso. É melhor para nós dois se eu conseguir respirar. Não posso mais manter tudo isso. Puxo o carro para o acostamento e dou um soco no volante. Posso vê-la estremecer com o canto do meu olho, mas não diz nada. Abro a porta do carro e rapidamente saio antes que diga algo de que possa me arrepender. Começo a andar em uma tentativa de limpar a minha cabeça. Isso não ajuda. Quando estou pelo menos a cinquenta metros de distância do carro, abaixo e pego um punhado de cascalho, em seguida, o jogo para o nada.
"Merda", grito. "Merda, merda, merda!" Não tenho certeza neste momento com o que ou por que ou com quem estou bravo. Lake não está amarrada a mim. Pode namorar quem quiser. Pode beijar quem quiser. O fato de que exagerei não é culpa dela afinal. Nunca deveria ter feito esse poema. Eu a assustei. Estávamos finalmente em um bom momento e fui e ferrei tudo.
Novamente.
Inclino minha cabeça para o céu e fecho os olhos, permitindo que os flocos frios da neve caíssem no meu rosto. Posso sentir a tensão e pressão crescente perto do meu olho. Dói como o inferno. Espero que Javi esteja mais machucado do que estou. Babaca.
Jogo outra pedra, em seguida, caminho de volta para o carro. Dirigimos para casa com tanta coisa que precisa ser dita, mas nem uma única palavra é falada.
Quando chegamos à minha casa, a ajudo ir até o sofá, depois vou à cozinha e pego gelo no congelador. A tensão entre nós nunca foi tão grande, mas não posso falar com ela sobre isso. Não quero saber por que correu quando me apresentei. Não quero saber por que correu para Javi dentre todas as pessoas.
Com certeza não quero saber por que o beijou.
Seus olhos estão fechados, quando chego ao sofá novamente. Parece tão tranquila apenas deitada lá. Observo por um momento, desejando saber o que está passando por sua cabeça, mas me recuso a perguntar. Posso esculpir abóboras tão bem quanto ela.
Ajoelho ao seu lado e seus olhos abrem levemente. Olha para mim com horror quando vê meu olho.
"Will! Seu olho!"
"Está tudo bem. Vou ficar bem", digo, deixando pra lá. Ela puxa sua mão para trás e me inclino para frente agarrando a extremidade inferior de sua camisa. "Você se importa?" Digo, pedindo permissão para levantar sua camisa. Ela balança a cabeça, então puxo a camisa sobre suas costas. Já tem uma contusão onde o idiota deu um soco. Coloco o saco de gelo sobre sua lesão, em seguida, puxo a blusa de volta para baixo.
Ando até a porta da frente e a deixo no sofá, enquanto atravesso a rua para informar Julia.
Quando bato na porta, ela leva um tempo para finalmente responder. Quando me vê ali, com sangue no rosto, imediatamente suspira o nome de Lake.
"Ela está bem", rapidamente digo. "Houve uma briga no clube e ela foi atingida nas costas. Está no meu sofá." Antes que eu possa falar mais alguma coisa, Julia me empurra e atravessa a rua correndo. Quando finalmente volto para minha sala, ela está segurando Lake em seus braços. Julia pega a mão dela e a ajuda. Seguro a porta aberta e ambas saem. Lake não faz muito contato visual comigo quando sai. Fecho a porta atrás delas, então vou para o banheiro e começo a limpar a minha lesão. Quando termino o curativo, pego meu celular e envio uma mensagem para Gavin.
Se te buscar bem cedo amanhã, você pode ir comigo para pegar o jipe de Lake e levá-lo de volta para Ypsilanti?
Aperto enviar e sento no sofá. Não consigo concentrar minha mente em tudo o que aconteceu esta noite. Sinto que estou vivendo o sonho de alguém. Um pesadelo.
Quão cedo?
Cedo. Tenho que estar na escola por volta das 7:30. 06:00 está bom?
Vou fazer isso com uma condição. Se você não for demitido amanhã, estou isento de todas tarefa pelo resto do ano.
Te vejo às seis.
Ele abre a porta do passageiro e entra. Antes até de sair de sua garagem, dispara. "Você percebe que errou, né? Sabe quem é o pai de Javier? Se ainda tem um trabalho para ir hoje, não vai tê-lo esta tarde."
Concordo com a cabeça, mas não respondo.
"Que diabos levou você a chutar o traseiro de um estudante, Will?"
Suspiro e entro na estrada principal, mantendo os olhos fixos à minha frente.
"Sei que o que aconteceu teve a ver com Layken. Mas o que diabos Javi fez? Você estava esmurrando-o como se fosse o seu saco de pancadas. Por favor, me diga que foi em legítima defesa para que, no mínimo, tenha uma chance de manter seu emprego. Foi legítima defesa?" Pergunta, olhando diretamente para mim esperando uma resposta.
Balanço minha cabeça. Ele suspira, depois se inclina para trás com força contra seu assento.
"E então você a leva para casa! Por que diabos você saiu em seu carro sozinho com ela na frente dele? Isso é o suficiente para que seja demitido sem sequer ter chutado sua bunda. Por que diabos chutou a bunda dele?"
Olho para ele. "Gavin, estraguei tudo. Sei disso. Você pode calar a boca agora."
Ele balança a cabeça, coloca os pés no painel e não diz uma palavra.
É a primeira vez que chego ao escritório antes da Sra. Alex. Aqui está estranhamente silencioso e, por um momento, realmente gostaria que ela estivesse aqui. Dou a volta em sua mesa, em direção ao escritório do Sr. Murphy. Olho para dentro e ele está casualmente sentado em sua mesa com o telefone no ouvido e os seus pés apoiados. Seu rosto se ilumina quando me vê, mas isso desaparece rapidamente quando vê os danos no meu olho. Ele levanta um dedo, então dou alguns passos para longe de sua porta para lhe dar um pouco de privacidade.
Pensei sobre este momento tantas vezes antes. O momento em que entraria no escritório do Sr. Murphy e me demitiria. Claro, sempre imaginei que o resultado final seria eu saindo do seu escritório e entrando na vida de Lake.
Minha fantasia não é nada parecida com a minha realidade atual. Lake me odeia agora mesmo e seus sentimentos são justificados. Eu a afasto cada vez que ela se aproxima de mim, então toda vez que finalmente se acostuma a ficar sem mim, faço alguma coisa para ferrar com a cabeça dela ainda mais. Por que achei que a apresentação desse poema ontem à noite seria uma boa ideia? Estávamos, finalmente, em um bom momento. Ela estava finalmente aprendendo a equilibrar toda a negatividade em sua vida, daí a torno pior.
Novamente.
Tudo o que faço é piorar as coisas para ela. Essa é provavelmente a razão pela qual foi para Javi. Gostaria de achar que ela estava beijando ele para me fazer ciúmes, mas meu maior medo é que estava beijando-o porquê quer se afastar completamente de mim. É o meu maior medo, mas é exatamente o que sei que ela precisa.
"Sr. Cooper", diz Murphy, passando por mim. "Isso é algo que pode esperar até eu voltar? Eu tenho uma reunião às oito."
"Uh," gaguejo. "Bem, na verdade, é muito importante."
Ele para ao lado da parede de caixas de correio e puxa o conteúdo da sua. "Quão importante? Tão importante que não pode esperar até as dez?"
Dou de ombros. "Não posso esperar", digo com relutância. "Eu, hum... mais ou menos entrei em uma briga na noite passada. Com um aluno."
Sr. Murphy para de separar suas correspondências e vira a cabeça para mim. "Mais ou menos? Você fez ou não fez, Sr. Cooper. Qual deles?"
"Fiz", respondo. "Definitivamente fiz."
Ele vira seu rosto totalmente para mim e se inclina contra a fileira de caixas de correio atrás dele. "Quem?"
"Javier Cruz."
Ele balança a cabeça, em seguida, esfrega a parte de trás do seu pescoço, enquanto pensa. "Vou pedir para a Sra. Alex marcar um encontro com o pai dele as dez. Nesse meio tempo, sugiro que você encontre alguém para substituí-lo", diz. "Volte aqui às dez." Ele anda até a mesa da Sra. Alex e escreve algo. Concordo com a cabeça, não de todo surpreso com a reação cautelosa dele. Pego minha mochila e caminho em direção à saída do escritório.
"Sr. Cooper", ele grita.
"Sim, senhor?"
"Havia outros alunos envolvidos? Que possam dar um relato preciso do que aconteceu?"
Suspiro. Realmente não quero envolvê-la, mas parece que não vou ter escolha. "Sim. Layken Cohen," digo.
"É a namorada do Javier?" Ele pergunta, anotando o nome de Layken.
A pergunta me faz estremecer, mas a partir dos olhares de ontem à noite diria que é uma pergunta muito legítima. "Sim, acho que sim." Saio do escritório, esperando que eles não trouxessem Lake e Javi às dez. Não sei se posso ficar junto na mesma sala com os dois.
Estou sentado à mesa, esperando a reunião começar. Felizmente, Sr. Murphy reuniu-se com Javier em particular, não querendo nós dois interagindo. Devo encontrar o Sr. Murphy, já que a reunião com o pai de Javier é logo mais. Não estou realmente ansioso para compartilhar a minha versão dos fatos, já que sou obviamente o errado aqui. O fato de que o Sr. Murphy trouxe um membro da polícia do campus não ajuda a aliviar a minha apreensão. Não sei quais as implicações legais do que ocorreu ontem à noite e se Javier está pensando em prestar queixa, mas acho que mereço o que resultará das minhas ações.
A porta se abre e Lake entra na sala. Literalmente tenho que me esforçar para não olhá-la. Não posso controlar a reação emocional que tenho com ela e estou com medo de que todo mundo na sala vá perceber. Mantenho o meu olhar centrado na mesa a minha frente.
"Srta. Cohen, sente-se, por favor", diz Sr. Murphy. Lake dá um passo adiante e desliza para a cadeira ao meu lado. Cerro os punhos, lutando contra a tensão entre nós que parece ter apenas aumentado desde a última noite.
"Este é o Sr. Cruz, o pai de Javier", diz Sr. Murphy. "Este é o Policial Venturelli", diz, apontando para ambos os homens. "Tenho certeza de que você sabe por que está aqui. É de nosso conhecimento que houve um incidente fora do colégio envolvendo o Sr. Cooper", diz ele. "Apreciaríamos se você pudesse nos contar sua versão dos acontecimentos."
Olho para Lake, assim que ela vira a cabeça para mim. Seus olhos buscam os meus procurando orientação, então aceno com a cabeça, silenciosamente incentivando-a a dizer a verdade. Nunca poderia deixá-la mentir por mim. Ela se vira para o Sr. Murphy.
A troca de olhares compartilhada entre nós não dura mais do que três segundos, mas o olhar de preocupação em seus olhos era inegável.
Ela não me odeia. Está preocupada comigo.
Ela limpa a garganta e ajusta-se em seu assento. Coloca as mãos sobre a mesa à sua frente e começa a mexer em sua unha enquanto fala. "Houve um mal-entendido entre mim e Javier", diz. "Sr. Cooper apareceu e o puxou para longe de mim."
Posso sentir o calor em meu rosto quando as mentiras começam a sair de sua boca. Por que está mentindo por mim? Será que não deixei claro que queria que dissesse a verdade sobre a noite passada? Bato meu joelho contra o dela quando faz uma pausa. Ela olha para mim, mas antes que eu possa dizer-lhe para falar a verdade, o Sr. Murphy interrompe.
"Pode começar do início, por favor, Srta. Cohen? Precisamos ser claros em toda a sequência de eventos. Onde foram e o que todos vocês estavam fazendo lá?"
"Nós estávamos em Detroit em um campeonato de slam. É parte de um trabalho exigido para a aula do Sr. Cooper. Cheguei cedo, antes dos outros alunos. Algo aconteceu, me senti desconfortável e tive que sair de lá apenas alguns minutos depois de chegar, foi quando corri para fora e Javier estava lá."
"O que aconteceu que fez você se sentir desconfortável?" O Policial Venturelli pergunta. Ela olha em minha direção, mas apenas por um momento. Olha para o Policial Venturelli e encolhe os ombros. "Talvez desconfortável não seja a palavra certa", diz em voz baixa. "Um dos artistas..." Faz uma pausa e respira fundo. Antes de continuar, toca o joelho no meu e não tira, fazendo-me engolir um caroço na minha garganta. O movimento é deliberado e me confunde. "Eu estava realmente comovida por um dos poemas apresentados ontem à noite. Significou muito para mim", sussurra. "Tanto que eu só queria sair, antes que eu ficasse muito emotiva."
Inclino para frente e coloco os cotovelos sobre a mesa, em seguida, descanso meu rosto nas palmas das minhas mãos. Não posso acreditar que ela acabou de falar estas palavras e as disse apenas para meu benefício. Sabendo que está tentando me dizer como meu poema a fez se sentir, está tornando isso demais para eu suportar. Tenho um impulso irresistível de puxá-la da cadeira e beijá-la na frente de todos, em seguida, gritar a minha demissão com toda a força dos meus pulmões.
"Meu jipe estava estacionado atrás do palco e no meu caminho até ele, encontrei Javier. Ele se ofereceu para me acompanhar até o meu carro. Precisava usar seu telefone, por isso ficamos de pé ao lado da sua caminhonete enquanto estava discando. Estávamos falando sobre o tempo e..." Sua voz cresce tranquila e ela se mexe desconfortavelmente em seu assento.
"Srta. Cohen, isso é algo que você preferiria me dizer em particular?" Pergunta o Sr. Murphy.
Ela balança a cabeça. "Não, está tudo bem", diz. "Eu estava... Eu estava perguntando a ele sobre o tempo e ele começou a me beijar. Eu disse que não e tentei afastá-lo, mas ele não parava de me beijar. Não sabia o que fazer. Ele tinha me jogado contra a caminhonete e acho que foi quando o Sr. Cooper viu o que estava acontecendo e puxou-o de cima de mim."
Seguro a borda da mesa, tão apertado, que nem percebo até que Lake bate na minha perna e olha para as minhas mãos. Solto a mesa e fecho os olhos, respirando lentamente. Sua confissão não me deu nada além de alívio, sabendo que o meu ataque de ciúmes agora será deixado como se estivesse protegendo-a. No entanto não estou nada aliviado. Estou furioso. Javier tem sorte que sua bunda não está aqui, porque haveria uma encenação extremamente detalhada de ontem à noite neste escritório.
Lake continua compartilhando sua versão da história, mas não escuto uma palavra. Faço o meu melhor para manter isso até que todo mundo esteja dispensado, mas são os cinco minutos mais difíceis que já tive que me conter. Assim que eles a dispensam, o Sr. Cruz e o Policial Venturelli a seguem para fora da porta. Levanto da minha cadeira e dou um suspiro. Dou um passo para trás sob o olhar
intenso do Sr. Murphy. Não sou capaz de falar ainda devido à raiva correndo por mim, então continuo a andar e ele continua em silêncio me assistindo.
"Sr. Cooper", diz calmamente, "você tem mais alguma coisa a acrescentar ou a versão dela é precisa?"
Faço uma pausa e olho para ele. "Gostaria que não fosse preciso", digo, "mas infelizmente tenho."
"Will", diz o Sr. Murphy. "Você fez a coisa certa. Pare de ser tão duro consigo mesmo. Javier estava completamente errado e se você não estivesse lá para detê-lo, não tem como dizer o que teria acontecido com aquela garota."
"Ele será expulso?" Pergunto, parando e segurando o encosto da cadeira.
Sr. Murphy se levanta e caminha até a porta, onde o Policial Venturelli conversa com o Sr. Cruz.
Fecha a porta e se vira para mim. "Nós não podemos expulsá-lo. Ele está alegando que foi um mal entendido e que pensou que ela queria o beijo. Nós vamos suspendê-lo por alguns dias pela briga, mas essa é a extensão de sua punição."
Aceno com a cabeça, muito consciente de que o que estou prestes a fazer é a única resposta neste momento. De jeito nenhum conseguirei estar na mesma sala com Javier novamente, isso vai acabar mal.
"Então, gostaria de me demitir", digo calmamente.