Essa Garota
Capítulo 2
A lua de mel
"Uau", Lake diz em descrença. "Que vadia egoísta."
"Sim. Graças a Deus por isso”, digo. Cruzo minhas mãos atrás da cabeça e olho para o teto, espelhando a posição que Lake está deitada. "É engraçado como a história quase se repetiu."
"Como assim?"
"Pense sobre isso. Vaughn terminou porque não quis ficar comigo só porque sentia pena de mim. Você terminou comigo porque achou que eu estava com você porque sentia pena de você.”
"Eu não terminei com você", diz ela defensivamente.
Sento-me na cama rindo. "O caramba que você não fez! Suas palavras exatas foram: "Não me importo se você leva dias ou semanas, ou meses. Isso é um rompimento."
"Não foi. Eu estava dando-lhe tempo para pensar.”
"O tempo que eu não precisava." Deito de volta no meu travesseiro e a encaro novamente. "Com certeza senti como um rompimento."
"Bem", ela diz, olhando para mim. "Às vezes, duas pessoas têm que se separar, para perceber o quanto elas precisam estar juntas novamente.”
Pego sua mão colocando-a entre as minhas, então a acaricio com o meu polegar. "Não vamos nos separar de novo”, sussurro.
Ela me olha nos olhos. "Nunca mais."
Há vulnerabilidade na maneira como ela olha para mim em silêncio.
Seus olhos percorrem o meu rosto e sua boca contrai-se em um ligeiro sorriso. Ela não fala, não precisa. Sei que nestes momentos, quando estamos somente eu e ela e nada mais, que ela, em sua alma me ama profunda e verdadeiramente.
"Como foi a primeira vez que você me viu?", pergunta. "O que havia em mim que o fez querer me convidar para sair? Conte-me tudo, até mesmo os maus pensamentos.”
Eu rio. "Não havia nenhum pensamento ruim. Talvez pensamentos impertinentes. Mas não eram maus.”
Ela sorri. "Bem, então me conte esses também."
A APRESENTAÇÃO
Seguro o telefone na minha orelha com meu ombro e termino de abotoar minha camisa. "Eu prometo, vovó," digo no telefone. "Sairei direto do trabalho na sexta-feira. Estaremos lá por volta das cinco, mas agora estamos atrasados, preciso ir. Te ligo amanhã."
Ela despede-se e eu desligo o telefone. Caulder anda pela sala com a sua mochila pendurada em seu ombro e um capacete de plástico verde do exército em sua cabeça. Ele está sempre tentando esgueirar acessórios aleatórios para a escola. Na semana passada, quando o deixei, ele estava fora do carro antes de eu reparar que ele estava usando um coldre.
Chego e arranco o capacete da sua cabeça atirando-o no sofá. "Caulder, entre no carro. Tenho que pegar minhas coisas.”
Caulder vai para fora e luto para reunir todos os papéis espalhados pelo balcão. Fiquei acordado até depois da meia-noite. Estou lecionando somente há oito semanas até o momento, mas estou começando a entender porque há falta de professores. Guardo a pilha de papéis dentro da minha pasta e, em seguida, cruzo-a em meus ombros.
"Ótimo," murmuro assim que vejo um caminhão de mudanças manobrando do outro lado da rua. Esta é a terceira família a mudar-se para a casa em menos de um ano. Não estou com vontade de ajudar as pessoas a se mudar novamente, especialmente depois de apenas quatro horas de sono. Espero que eles concluam a descarga na hora que eu chegar em casa hoje, ou vou me sentir na obrigação de ajudar. Viro-me e tranco a porta atrás de mim, então vou rapidamente para o carro. Quando abro a porta do carro, Caulder não está lá dentro. Gemo e jogo minhas coisas no banco. Ele sempre escolhe os piores momentos para brincar de esconde-esconde, já estamos dez minutos atrasados.
Dou uma olhada no banco de trás, na esperança de que ele esteja escondido no assoalho de novo, mas o avisto na rua.
Ele está rindo e brincando com outro menino que parece ter a sua idade. Esta é uma vantagem. Talvez ter um vizinho para ele brincar seja vantajoso e ele me deixa a vontade.
Começo a chamar o seu nome quando o caminhão chama a minha atenção novamente. A menina que está conduzindo não pode ser mais velha do que eu, mas está confiante manobrando o caminhão, sem qualquer ajuda. Inclino-me contra a porta do carro e decido assistir a sua tentativa de estacionar em torno desses gnomos. Isso será interessante.
Rapidamente me prova que estou errado e ela está estacionando perfeitamente na garagem. Em vez de saltar para fora e inspecionar seu trabalho de estacionamento, ela desliga o motor e desliza para baixo em seu assento, então coloca as pernas sobre o painel.
Não sei por que essas simples ações me parecem estranhas. Intrigante mesmo. Ela bate os dedos no volante, logo após, puxa os cabelos ajeitando-o, desfazendo um rabo de cavalo. Seu cabelo esparrama-se para baixo em torno dos seus ombros e ela massageia o seu couro cabeludo, sacudindo o cabelo.
Santo Deus.
Seu olhar recai sobre os meninos que brincam na rua entre nós e eu não posso deixar a minha curiosidade ter o melhor de mim. Ela é sua irmã? Sua mãe? Ela não parece velha o suficiente para ter um filho nessa idade, mas também estou em desvantagem visual do que está do outro lado da rua. E por que ela ainda está sentada no caminhão?
Percebo que estive olhando por vários minutos quando alguém estaciona ao lado dela em um jipe.
"Por favor, não deixe que seja um cara", sussurro em voz alta para mim, esperando que não seja um namorado. Ou pior, um marido.
Por que ainda me importo? A última coisa que preciso agora é de uma distração. Especialmente alguém que mora do outro lado da rua.
Exalo um suspiro de alívio surpreendente quando a pessoa que sai do Jeep não é um homem. É uma mulher mais velha, talvez sua mãe. A mulher fecha a porta e caminha para cumprimentar o proprietário, que está de pé na entrada. Antes que eu possa me convencer do contrário, estou caminhando em direção à sua casa. De repente tenho o desejo de ajudar as pessoas com a mudança, hoje, depois de
tudo. Atravesso a rua, incapaz de tirar os olhos da menina no caminhão. Ela está observando Caulder e o outro garoto brincando e em nenhum momento olhou na minha direção.
Não sei o que há nela que está me puxando para dentro daquele olhar em seu rosto. Parece triste. E por alguma razão, não gosto disso.
Estou discretamente do lado do passageiro do caminhão, olhando para ela através da janela, praticamente em transe. Não estou olhando somente porque ela é atraente, o que ela é. É esse olhar em seus olhos. A profundidade. Quero saber o que ela está pensando.
Não, preciso saber o que ela está pensando.
Ela desvia sua atenção para fora da janela e fala algo para os meninos, em seguida, abre a porta e sai.
De repente percebo que estou prestes a parecer um idiota de pé na sua frente, olhando. Olho para o outro lado da rua para a minha casa e verifico como posso voltar para lá sem que ela me veja. Antes de ter uma chance de fazer um movimento, Caulder e o outro menino correm em volta do caminhão e esbarram em mim, rindo.
"Ela é um zumbi!" Caulder grita depois de ser agarrado em sua camisa. A menina circulou o caminhão e não posso deixar de rir. Está com a cabeça inclinada para o lado e está andando com as pernas rígidas.
"Pegue-os!" Grito para ela. Eles estão tentando lutar para fugir assim que aperto mais ainda. Viro-me olhando para trás em sua direção e ela fixa seu olhar em mim.
Uau. Aqueles olhos. Eles têm o mais incrível tom de verde que já vi.
Tento comparar a cor com alguma coisa, mas nada me vem à mente. É tão único, é como se a tonalidade de seus olhos fosse criada exclusivamente para ela.
Estudando suas características, concluo que ela não pode ser a mãe do menino. Parece ter a minha idade. Pelo menos, talvez dezenove ou vinte anos. Preciso descobrir seu nome. Se souber o nome dela poderei procurar sua página no Facebook e ao menos ver se ela é solteira.
Cristo. Esta é a última coisa que preciso na minha vida agora. Uma namorada.
Sinto que ela sabe o que estou pensando, então me forço a quebrar o nosso olhar. O menino utiliza o meu momento de distração a seu favor. Ele se liberta e me atinge como se tivesse uma espada imaginária, então olho de volta para a menina e gesticulo com a boca "me ajuda".
Ela grita "cérebros" de novo e pula para frente, fingindo morder Caulder no topo da cabeça. Ela os diverte até que eles correm pela entrada de automóveis, então ela está de volta e ri. Suas bochechas coram quando percebe o meu olhar novamente contorcendo a boca em uma careta desconfortável, como se de repente se sentisse envergonhada. Seu desconforto desaparece tão rápido como apareceu e é substituído por um sorriso que me faz querer saber todos os detalhes num único minuto com ela.
“Ei, meu nome é Will," digo, estendendo a mão para ela. "Nós moramos do outro lado da rua." Ela coloca a mão na minha. É macia e fria e no momento em que envolvo meus dedos em torno dela, o contato físico envia uma onda de choque rapidamente através do meu corpo. Não lembro a última vez que uma menina me provocou esse efeito imediato. Deve ser minha falta de sono da noite passada.
"Meu nome é Layken.", diz ela, seu mal-estar mais uma vez mascarando seu sorriso. "Pelo jeito, eu moro aqui." Ela aponta para a casa atrás dela e depois de volta para mim.
Ela não parece muito contente com o fato dela morar "aqui". Esse mesmo olhar que ela tinha quando estava sentada no caminhão a entristece novamente e seus olhos de repente crescem mais tristes. Por que esse olhar me afeta tanto?
"Bom, bem vinda à Ypsilanti," digo, querendo desesperadamente fazer aquele olhar ir embora. Ela olha para baixo e ocorre-me que ainda estou meio sem jeito sacudindo as mãos, então rapidamente puxo-as afastando-as para longe dela enfiando-as nos bolsos do casaco. "Onde vocês moravam?"
"Texas", diz.
Por que ela diz isto soando como uma pergunta? Acabei de fazer uma pergunta idiota? Sério. Estou parecendo ligeiramente estúpido.
"Texas é?" digo. Ela concorda com a cabeça, mas não volta com uma resposta. De repente me sinto como um vizinho enxerido. Não sei mais o que dizer, sem que me torne ainda mais complicado, então acho que a minha melhor jogada neste momento é recuar. Ando e agarro Caulder pelos pés, atirando-o por cima do meu ombro, então digo a ela que tenho que levá-lo para a escola. ”Esta noite vai chegar uma frente fria. É melhor vocês descarregarem o máximo possível hoje. Ela deve durar alguns dias, então, se precisarem de ajuda à tarde, me avisem. Vamos chegar em casa lá pelas quatro horas.”
Ela encolhe os ombros. "Claro, obrigado."
Suas palavras possuem um indício de um sotaque do sul. Eu não sabia o quanto gostava do sotaque sulista até agora. Continuo me dirigindo para o outro lado da rua ajudando Caulder a entrar no carro. Enquanto ele está entrando, olho para o outro lado da rua. O menino a está esfaqueando imaginariamente nas costas e ela solta um falso grito caindo de joelhos. Sua interação lúdica com ele é apenas mais uma coisa que me intriga nela.
Depois que ele pula em suas costas, ela olha para cima e me pega olhando para ela. Fecho a porta do Caulder e vou para o meu lado. Antes de chegar, um sorriso se forma em meu rosto, em seguida, entro no carro com uma vontade avassaladora de me socar.
Tão logo o sinal para a terceira aula toca, eu abro a tampa do meu copo de café e coloco dois pacotes a mais de açúcar dentro; estou precisando disso. Há alguns estudantes na terceira aula que estão no caminho errado. Especialmente Javier. Esse garoto é um idiota.
"Bom dia, Sr. Cooper", diz Eddie, sentando-se em seu assento. Está tão borbulhante, como sempre. Nunca vi Eddie de mau humor, nem sei se ela pensa nisso. Preciso descobrir o seu segredo, uma vez que o café, obviamente, não está fazendo isso por mim hoje.
"Bom dia, Eddie."
Ela se vira e beija Gavin na bochecha, em seguida, se instala em sua mesa. Eles estão namorando desde que me formei. Eles são provavelmente as únicas duas pessoas que não se incomodam
comigo aqui. Bem, eles e talvez Nick. Nick parece legal.
Depois que os alunos estão todos sentados, peço para eles pegarem seus livros. O tempo todo que estou dando a minha palestra sobre os elementos de poesia, minha mente continua vagando para a nova vizinha.
Layken.
Gosto desse nome.
Seis horas depois e algumas dezenas de pensamentos sobre a nova vizinha, Caulder e eu finalmente estacionamos na calçada. Fecho a porta do carro e abro a porta de trás para remover a caixa de papéis. Quando me viro, o irmão mais novo de Layken aparece do nada e está em pé bem na minha frente, olhando-me silenciosamente. Parece que ele está esperando ser apresentado. Vários segundos se passam sem que se mova um único músculo. Estamos num impasse? Movo a caixa para meu braço esquerdo e estendo a minha mão.
"Oi meu nome é Will."
"Kel é nome meu”, diz ele.
Fico olhando para ele fixamente. Isso é inglês?
"Eu posso conversar de trás para frente", diz ele, explicando a confusão de palavras que acabou de sair de sua boca. "Como isto. Frente para trás conversar posso eu."
Interessante. Alguém, possivelmente, mais estranho do que Caulder? Não achava que isso fosse possível.
"Kel você encontrar legal foi”... bem, digo, um pouco mais lento do que ele quando faz isso. Ele sorri, em seguida, atravessa a rua com Caulder. Olho para sua casa e vejo que o caminhão está agora estacionado na rua com a porta traseira fechada. Estou desapontado que eles já descarregaram tudo, estava realmente ansioso para ajudar.
Passei o resto da noite fazendo horas extras de trabalho de graça. Outro efeito colateral de ser um professor. Decido depois de tomar meu banho fazer um desvio pela sala de estar e olhar em frente pela janela por um tempo, mas não a vejo.
"Por que você continua olhando para fora pela janela?" Caulder pergunta atrás de mim.
Sua voz me assusta e fecho a cortina da sala. Não sabia que ele estava sentado no sofá. Vou até ele e puxo a sua mão, então o empurro em direção ao corredor. "Vá para a cama", digo.
Ele gira na minha volta antes de fechar a porta do quarto atrás dele. "Você estava olhando para fora da janela para ver se podia ver a menina, não é? Você gosta da irmã de Kel?”
"Boa noite, Caulder", digo, ignorando sua pergunta.
Ele sorri e fecha a porta de seu quarto. Antes de ir para o meu quarto, ando até a janela mais uma vez. Quando abro a cortina, alguém está de pé na janela do outro lado da rua, com as cortinas parcialmente abertas. De repente eles se fecham rapidamente e não posso deixar de sorrir, imaginando se ela está tão curiosa sobre mim como estou com ela.
"Está frio, está frio, está frio, está frio, está frio", diz Caulder, correndo no lugar enquanto destranco as portas do carro. Ligo o motor, jogando ar quente para dentro, em seguida, volto para dentro para pegar o resto das minhas coisas enquanto Caulder espera no carro. Quando abro a porta para sair de casa, paro quando vejo Layken de pé em sua entrada. Ela se abaixa e recolhe um punhado de neve para inspecioná-la, então rapidamente a abandona. Levanta-se e caminha para fora, fechando a porta atrás de si. Balanço minha cabeça, sabendo exatamente o que está prestes a acontecer. Está nevando e ela nem sequer está vestindo uma jaqueta sobre seu pijama. Não sei o que ela está fazendo, mas não vai durar muito tempo aqui. Ela não está mais no Texas. Ela começa a caminhar em direção à calçada quando vejo seus pés.
Ela está usando pantufas? Sério? Antes mesmo que eu possa gritar algo, ela está deitada de costas.
Sulistas. Eles simplesmente não entendem.
Ela não se move imediatamente. Ainda está na calçada, olhando para o céu. Uma onda de pânico atinge-me, pensando que ela pode ter se machucado, mas depois ela começa a levantar-se. Por mais que eu não queira parecer como um idiota desastrado novamente, atravesso a rua para me certificar de que ela não precisa da minha ajuda.
O olhar em seu rosto quando tira um dos gnomos de baixo dela me faz rir. É quase como se estivesse culpando o pobre rapaz pela sua queda. Ela joga o braço para trás para jogá-lo quando eu paro.
"Não é uma boa ideia!" Grito, caminhando até a garagem. Ela inclina a cabeça e olha para mim apertando mortalmente o gnomo. "Você está bem?" Pergunto, ainda rindo. Não posso deixar de rir, ela parece tão irritada!
Suas bochechas coram e ela olha para longe. “Vou ficar bem melhor depois de arremessar esta coisa."
Pego o gnomo de suas mãos quando o alcanço. “É melhor não fazer isso, gnomos dão sorte."
Coloco o gnomo recentemente ferido de volta em seu lugar antes que ela o destrua completamente.
"Pois é", ela diz, inspecionando seu ombro. "Uma sorte enorme."
Imediatamente me sinto culpado quando vejo o sangue em sua camisa. "Ah, meu Deus, desculpe. Não teria rido se soubesse que você tinha se machucado." Ajudo-a a se levantar e olho a quantidade de sangue proveniente de sua lesão. "É melhor você colocar um curativo nisso aí.”
Ela olha de volta para sua casa e balança a cabeça. “Nesse momento, não faço ideia de onde encontrar um.”
Olho em direção a minha casa, sabendo que tenho uma coleção de curativos no kit de primeiros socorros. Estou hesitante em oferecer-lhe, porém, já estou atrasado para o trabalho de qualquer maneira. Estou olhando para minha casa, lutando contra a minha indecisão, quando todos os meus cinco sentidos são subitamente inundados.
O mais leve cheiro de baunilha que permeia o ar em torno de mim... o som do seu sotaque quando ela fala, a forma como sua proximidade desperta algo dentro de mim que está há muito tempo adormecido. Puta merda. Estou em apuros.
O trabalho pode esperar.
“Vem comigo. Tem na nossa cozinha" Tiro meu casaco e coloco em volta de seus ombros, em seguida, ajudo-a a atravessar a rua. Tenho certeza que ela pode caminhar por conta própria, mas por alguma razão não quero largar o seu braço. Gosto de ajudá-la. Gosto da maneira como ela fica inclinada contra mim. Parece...certo.
Uma vez que estamos dentro da minha casa, ela me segue pela sala de estar enquanto vou para a cozinha para procurar o curativo. Puxo o kit de primeiros socorros fora do gabinete e pego um curativo. Quando olho para ela, ela está olhando para as fotos na parede. As fotos dos meus pais.
Por favor, não me pergunte sobre eles. Por favor.
Esta não é uma conversa que quero ter agora. Rapidamente digo algo para desviar a sua atenção para longe das fotos. "Precisamos limpar antes de colocar o curativo." Arregaço as mangas da camisa e abro a torneira, em seguida, molhando um guardanapo. Estou me atrasando, quando sei que eu deveria estar com pressa.
Por alguma razão, só quero me demorar desta vez com ela. Não sei por que o desejo de conhecê-la melhor, de repente se transformou em uma necessidade de conhecê-la melhor. Viro-me para ela novamente e ela desvia seu olhar para longe de mim, enquanto estou olhando para ela. Realmente não entendo o seu súbito olhar envergonhado, mas é bonito como o inferno.
"Está tudo bem", disse, pegando o guardanapo. "Eu faço."
Entrego-lhe o guardanapo e abro o curativo. Está estranhamente calma enquanto brinco com o curativo. Por alguma razão, sua presença faz com que a casa pareça estranhamente vazia e tranquila. Nunca percebi o silêncio quando estou sozinho, mas a falta de conversa ocorrendo agora é desconfortavelmente óbvia. Penso em algo a falar e preencher o vazio.
"Então, o que você estava fazendo lá fora de pijama, às sete horas da manhã? Ainda estão descarregando as coisas?”
Ela nega com a cabeça e joga o guardanapo na lixeira. "Café", diz ela, esclarecendo.
“Ah. Estou vendo que não gosta de acordar cedo." Estou secretamente esperando que seja o caso. Ela parece estar um pouco irritada.
Gostaria de colocar a culpa em sua falta de cafeína, em vez de indiferença em relação a mim. Dou um passo me aproximando e coloco o curativo em seu ombro. Brevemente faço uma pausa antes de tocá-la e respirando fundo, antecipando-me ao nervosismo que me atinge cada vez que a toco. Coloco o curativo no lugar e pressiono suavemente, pressionando as bordas com meus dedos. Sua pele se arrepia e ela envolve seus braços em sua volta, esfregando os braços para cima e para baixo.
Dei-lhe calafrios. Isso é bom.
"Pronto", digo, dando-lhe uma última, desnecessária pressionada. "Novinha em folha."
Ela limpa a garganta. "Obrigada", diz, levantando-se. "E gosto de acordar cedo. Mas só depois que tomo meu café."
Café. Ela precisa de café. Eu tenho café.
Ando rapidamente até o balcão onde a bebida restante ainda está quente na cafeteira. Pego uma caneca do armário e encho-a para ela, em seguida, coloco-a sobre o balcão em sua frente. "Quer açúcar ou creme?"
Balança a cabeça e sorri para mim. "Puro está ótimo. Obrigada”, diz. Inclino-me sobre o balcão observando-a enquanto ela leva a caneca de café até os lábios. Sopra suavemente na caneca antes de apertar os lábios nas bordas e bebê-lo, sem tirar os olhos dos meus.
Nunca quis tanto ser uma caneca de café assim na minha vida.
Por que tenho que ir trabalhar? Poderia ficar aqui e vê-la beber café o dia todo. Está olhando para a minha direita, deve estar se perguntando o que diabos estou fazendo olhando tanto para ela. Endireito-me e olho para o relógio atrás de mim. "Preciso ir, meu irmão está me esperando no carro e tenho de trabalhar. Acompanho você até em casa. Pode ficar com a caneca."
Ela olha para a caneca e observa. Nem percebi que dei a caneca do meu pai. Ela tem seus dedos sobre as letras e sorri. "Vou ficar bem", diz enquanto está partindo. "Acho que agora já dou conta desta história de andar ereta." Ela caminha através da sala e está abrindo a porta da frente quando percebo o meu casaco abandonado nas costas do meu sofá. Estendo a mão para agarrá-lo.
"Layken pegue isso. Está frio lá fora." Ela tenta recusar, mas balanço minha cabeça e a faço tomar o meu casaco. Se ela usar o meu casaco, terá eventualmente que trazê-lo de volta, o que é exatamente o que estou esperando que vá acontecer. Ela sorri e puxa meu casaco sobre os ombros, em seguida, parte atravessando a rua.
Quando chego ao meu carro me viro para vê-la fazer o seu caminho de volta para sua casa. Gosto da maneira como ela parece engolida pelo meu casaco por cima do pijama. Quem pode dizer que pijamas e pantufas do Darth Vader podem ser tão sexys caramba?
"Layken!" Grito. Ela vira-se um pouco antes de chegar à porta da frente. "Que a força esteja com você!"
Rindo entro no carro antes que ela possa dizer qualquer coisa.
"Por que você demorou tanto tempo? Estou cococon-congelando”, diz Caulder.
"Desculpe," digo. "Layken machucou-se." Manobro o carro em direção à rua.
"O que aconteceu?", Ele pergunta.
"Ela tentou andar sobre o concreto congelado com pantufas do Darth
Vader. Caiu e se cortou.”
Caulder ri. "Ela tem pantufas do Darth Vader?"
Sorrio para ele. "Sim tem."