Essa Garota

Colleen Hoover · Capítulo 19 de 30

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Essa Garota

Insanidade

Lendo claramente a expressão no meu rosto, vira a cabeça e volta para dentro.

Lake coloca sua camisa, enquanto recupero suas calças e nado de volta para ela. "Você é uma má influência Sra. Cooper," digo.

"Ei, meu plano era parar na camisa", diz. "Você é o único que tinha outras ideias."

Deixei que ela se segurasse em mim enquanto a ajudava a colocar seu jeans. "Bem, se o que aconteceu não era a sua intenção, por que você me atraiu para dentro da água para começar?" digo.

Ela ri e balança a cabeça. "Eu acho que simplesmente não consigo resistir a esse abdômen.”

Beijo seu nariz e me viro, em seguida, levo-a para fora da piscina. Deixamos um rastro molhado em todo o caminho de volta ao nosso quarto.

Lake está esparramada na cama de barriga para baixo, vestindo o roupão que eu me apaixonei. Vou roubar esse roupão antes de sairmos daqui. Ela está mudando os canais na TV com o controle remoto, então subo na cama ao seu lado e tomo o controle remoto de sua mão.

"Minha vez", digo. Mudo para a ESPN e ela agarra o controle remoto de mim.

"É a minha lua de mel", diz. "Deveria poder ver o que quero." Ela volta sua atenção para a TV.

"A SUA lua de mel? O que eu sou? Um objeto?"

Ela continua a olhar para a TV sem responder. Olha para mim e volta para a TV. Depois de alguns segundos, muda seu olhar em minha direção novamente e ainda estou olhando para ela. "O que você disse?" brinca. "Você estava falando?"

Pego o controle remoto dela e pressiono o botão de desligar, em seguida, jogo-o através do quarto. Agarro-lhe os pulsos e a coloco de costas, prendendo-a na cama. "Talvez você precise ser lembrada de quem veste as calças nesta família."

Ela ri. "Oh, acredite em mim, sei que você veste as calças, Will. Você pode até mesmo usá-las na banheira, lembra?"

Eu rio e beijo seu ouvido. "Se bem me lembro, você usou roupas no chuveiro uma vez, também."

"Sem querer", ela ri.

INSANIDADE

Depois que termino de fazer o café da manhã para os meninos, vou para o meu quarto e entro, fechando a porta atrás de mim. A última coisa que preciso é que eles saibam que Lake passou a noite passada aqui.

Sento-me na beirada da cama aos seus pés. Se me sentasse mais perto, não seria capaz de impedir-me de querer mais, tocá-la, abraçá-la ou acariciar seu cabelo. Foi uma tortura abraçá-la ontem à noite, enquanto segurava a vontade de beijá-la e tirar sua dor. Tortura. Não que não tenha lhe dado um beijinho leve, depois que tive certeza que estava dormindo. Também posso ter dito a ela que a amava depois que beijei seus cabelos.

Tortura.

"Lake", sussurro. Ela não se move, então repito o seu nome. Mexe um pouco, mas não abre os olhos. Parecia tão calma e serena no momento. Se a acordasse, a realidade iria apenas bater nela novamente. Levanto e resolvo deixá-la ter mais alguns momentos de paz. Antes de sair do quarto, ando até a cabeceira da cama e levemente beijo-a na testa.

"E se ela perder peso?" Diz Kel.

"Ela não precisa perder peso", digo, enquanto coloco uma colher de ovos em seu prato. Volto para o fogão e deixo a panela.

"Bem, se não acha que ela é gorda e gostaria de beijá-la, então por que você não a quer como sua namorada?"

Viro e encaro os dois meninos. "Eu gostaria de beijá-la?" Pergunto com medo de sua resposta. Ele apenas balança a cabeça e dá uma mordida em sua comida.

"Você beijou naquela noite, em seu primeiro encontro. Lake disse que você não a beijou, mas eu vi. Ela disse que você pode se meter em um monte de problemas se a beijar e que eu não vi o que pensei que vi."

"Ela disse isso?" pergunto.

Caulder concorda. "Isso é o que ela nos disse. Mas Kel diz que viu o que pensou ter visto e eu acredito nele. Por que você iria ficar em apuros por beijá-la afinal?"

Não estava esperando esse interrogatório pesado de manhã. Mas, estou cansado demais para transformar isso em uma lição de vida. Depois de tudo o que aconteceu ontem à noite e ter Lake ao meu lado, na minha cama, tenho certeza que nem sequer tive uma hora de sono.

"Escutem meninos", digo, andando de volta para eles. Coloco minhas mãos no balcão e fico cara-a-cara com eles. "Às vezes, há coisas na vida que estão fora de nosso controle. Não posso ser o namorado de Lake e ela não pode ser minha namorada. Nós não vamos nos casar e os dois não vão ser irmãos. Aproveitem o fato de que vocês podem

ser melhores amigos e vizinhos."

"Será que é porque você é um professor?" Caulder pergunta incisivamente.

Deixo a minha cabeça cair em minhas mãos. Eles são implacáveis. E intuitivos.

"Sim", digo, exasperado. "Sim. É porque sou um professor. Os professores não podem pedir a suas alunas para serem suas namoradas e vice-versa. Então Lake não vai ser minha namorada. Não vou ser seu namorado. Não vamos nos casar.

Nunca. Agora esqueçam isso." Volto para o fogão e coloco as tampas em todas as panelas para manter a comida quente. Não sei quando Lake vai acordar, mas preciso ter estes meninos alimentados e fora desta casa antes que ela saia do meu quarto. Como diabos iria explicar-lhes que professores e alunas não podem namorar, mas podem dormir na mesma cama.

Depois do café da manhã, ela ainda está dormindo, levo os meninos para Julia. Kel e Caulder correm, mas sinto-me inclinado a bater na porta, então fico para trás. Quando Julia abre a porta, protege os olhos do sol e olha para longe.

"Sinto muito. Será que a acordei?"

Ela dá um passo para o lado para me deixar entrar e balança a cabeça. "Acho que nem dormi", diz. Ela caminha de volta para a sala de estar, para que eu a siga e senta no sofá. "Como ela está?"

Dou de ombros. "Ainda dormindo. Não saiu do quarto desde que chegou lá na noite passada."

Julia balança a cabeça e se recosta no sofá, em seguida, esfrega as mãos no rosto. "Ela está com medo, Will. Estava tão assustada quando contei pra ela. Sabia que não iria aceitar, mas não desse jeito. Não estava esperando essa reação. Preciso dela forte, para quando contarmos a Kel, mas não posso falar enquanto ela está tão sentimental."

"Faz apenas sete meses que seu pai morreu Julia. Perder um pai é difícil, mas a possibilidade de perder os dois na sua idade é incompreensível."

"Sim", sussurra. "Acho que você sabe."

Ela ainda não parece convencida de que a reação de Lake é normal. Cada um reage de forma diferente à notícia devastadora. Eu nem sequer chorei imediatamente quando descobri que meus pais morreram, mas isso não quer dizer que não foi o pior momento da minha vida.

Estava a caminho para um jogo quando recebi o telefonema. Eu era o contato de emergência em seus registros. A pessoa do outro lado da linha estava me dizendo que houve um acidente e que eu precisava ir para o hospital em Detroit.

Não me disseram nada, não importando o quanto implorei. Tentei ligar para o celular dos meus pais várias vezes, mas nunca recebi uma resposta. Liguei para os meus avós para lhes contar sobre o acidente, uma vez que estavam a poucos minutos do hospital. Esse foi um dos telefonemas mais difíceis que já tive que fazer.

Dirigi o mais rápido que pude, segurando meu celular na minha mão contra o volante, mantendo uma vigilância constante sobre ele. Tudo o que conseguia pensar era em Caulder. Sabia que algo terrível tinha acontecido e que meus pais não estavam atendendo seus celulares, porque queriam me dizer pessoalmente.

Quando uma hora se passou e até mesmo meus avós ainda não tinham telefonado, tentei o telefone deles pela quinta vez.

Não estavam respondendo, também. Acho que foi após a sexta vez que liguei e caiu na caixa postal, que soube.

Meus pais. Caulder. Todos eles. Estavam todos mortos.

Estacionei na entrada de emergência e corri para dentro. A primeira coisa que vi foi a minha avó dobrada em uma cadeira, chorando.

Não, não estava chorando. Estava gemendo. Meu avô estava de costas para mim, mas seus ombros estavam tremendo. Seu corpo inteiro estava tremendo. Fiquei lá e os observei por alguns minutos, pensando nessas pessoas que estavam na minha frente. Essas pessoas fortes, independentes que eu tinha admirado e respeitado desde sempre. Essas pessoas que não poderiam ser quebradas por nada.

No entanto, lá estavam eles. Quebrados e fracos. A única coisa que pode quebrar o inquebrável é o impensável.

Sabia no momento em que os vi sozinhos na sala de espera, que meus piores temores estavam confirmados.

Estavam todos mortos.

Virei-me e saí. Não queria estar lá. Tive que ir para fora. Não conseguia respirar.

Quando cheguei à grama em frente ao estacionamento, caí de joelhos. Não chorei. Em vez disso, passei mal. Mais e mais, meu estômago repeliu a verdade que me recusei a acreditar. Quando não havia nada dentro de mim, caí para trás na grama e olhei para o céu, as estrelas me observando. Milhões de estrelas olhando para o mundo inteiro. Um mundo onde os pais e irmãos morrem e nada para de se mover para respeitar esse fato. O universo inteiro apenas continua se movendo, como se nada tivesse acontecido, mesmo quando a vida de uma pessoa é forçada a uma parada completa.

Fechei os olhos e pensei sobre isto. Fazia duas semanas que tinha falado com ele ao telefone. Tinha prometido que chegaria até o próximo fim de semana para levá-lo para o seu jogo de futebol. Esse foi o mesmo fim de semana que Vaughn me implorou para não ir. Ela disse que as provas seriam em duas semanas e que precisávamos passar mais tempo juntos antes. Então, liguei para Caulder e cancelei minha viagem. Essa foi a última vez que tinha falado com ele.

A última vez que falaria com ele.

"Will?" Olhei para cima depois de ouvir a voz do meu avô que estava em cima de mim, olhando para baixo. "Will, você está bem?" Perguntou, enxugando as lágrimas frescas de seus olhos derrotados. Odiava aquele olhar em seu rosto.

Não me mexi. Apenas permaneci ali na grama, olhando para ele, não querendo que dissesse mais nada. Não queria ouvir.

"Will... eles..."

"Eu sei," disse rapidamente, não querendo ouvir as palavras saírem de sua boca.

Ele balançou a cabeça e desviou o olhar. "Sua avó quer..."

"Eu sei", disse mais alto.

"Talvez você devesse vir..."

"Não quero."

E não queria. Não queria colocar os pés de volta naquele hospital. De volta no prédio que agora abrigava os três. Sem vida.

"Will, você precisa vir..."

"Eu não quero!" gritei.

Meu avô, meu pobre avô apenas balançou a cabeça e suspirou. O que mais poderia ter feito? O que mais poderia ter dito? Toda a minha vida tinha acabado de ser arrancada de mim e não estava disposto a ouvir palavras de conforto dos enfermeiros, médicos, sacerdotes ou mesmo meus avós. Não queria ouvir isso.

Meu avô hesitantemente deu alguns passos para longe de mim, me deixando sozinho na grama. Antes de voltar para dentro, virou-se uma última vez.

"É que Caulder tem perguntado por você. Ele está com medo. Então, quando você estiver pronto..."

Imediatamente virei minha cabeça em sua direção. "Caulder?"

Disse. "Caulder não está..."

Meu avô sacudiu a cabeça. "Não, meu filho. Não. Caulder está bem."

No momento que essas palavras saíram de sua boca, tudo me atingiu de uma só vez. Meu peito inchou e o calor subiu para o meu rosto, então para os meus olhos. Coloquei as mãos na minha testa e rolei de joelhos, meus cotovelos enterrados na grama, completamente perdido. Sons vinham de dentro de mim que eu nem mesmo sabia que era capaz de fazer. Chorei mais do que já tinha chorado antes, mais do que chorei desde então. Sentei no gramado daquele hospital e chorei lágrimas de alegria, porque Caulder estava bem.

"Você está bem?" Julia perguntou me tirando do transe.

Concordo com a cabeça, tentando empurrar para trás as lembranças daquele dia. "Estou bem."

Ela se ajeita no sofá e suspira. "Não quero que ela tenha que ficar com Kel", diz. "Lake precisa de uma chance de viver sua própria vida. Nunca vou sobrecarregá-la assim."

"Julia", digo, falando com confiança a partir da experiência, "seria um fardo para ela não ficar com ele." Não ter a escolha de ficar com Kel mataria Lake. Assim como isso me matou quando pensei que tinha perdido Caulder. Isso seria absolutamente devastador para ela.

Julia não responde, indicando que posso ter ultrapassado os meus limites com esse comentário. Nós dois ficamos sentados tranquilamente no sofá por um tempo. Sinto que nenhum de nós tem mais nada para dizer, então me levanto.

"Vou levar os meninos em algum lugar esta tarde. Vou me certificar de que Layken acorde antes de ir, assim vocês podem ter tempo para conversar."

"Obrigada", diz ela, com um sorriso verdadeiro para mim. Foi uma sensação boa. Respeito a opinião de Julia e ela estar desapontada comigo, me faz sentir quase tão mal quanto Lake estar desapontada comigo.

Concordo com a cabeça, em seguida, viro e vou embora. Volto para casa e vou para o quarto, onde Lake ainda está dormindo. Facilmente sento ao seu lado na cama.

"Lake", sussurro, tentando acordá-la com sucesso desta vez.

Ela não se move, então puxo as cobertas da sua cabeça. Ela geme e puxa-as de volta.

"Lake, acorde."

Ela chuta, em seguida, joga as cobertas. Já passou da hora do almoço e ela age como se pudesse dormir mais 12 horas. Abre os olhos e vira de lado, em seguida, me encontra sentado ao seu lado. Tem restos de rímel embaixo de seus olhos, e um pouco na minha fronha. Seu cabelo está desarrumado. Seu prendedor está no lençol ao lado dela. Ela parece um inferno. Um belo inferno.

"Você não é mesmo de acordar cedo", digo.

Ela senta na cama. "Banheiro. Onde é o banheiro?"

Aponto para o banheiro do outro lado do corredor e vejo quando ela pula para fora da cama e corre para a porta. Ela está definitivamente acordada agora, mas posso quase garantir que precisa de café.

Vou para a cozinha fazer um pouco. Quando ela sai do banheiro, sento e coloco seu café ao meu lado.

"Que horas são?"

"Uma e meia."

"Ah", diz ela, chocada. "Bem... sua cama é bem confortável."

Sorrio e empurro seu ombro de leve. "Pelo jeito é."

Nós bebemos o nosso café e ela não fala mais nada. Não tenho a mínima ideia de onde sua cabeça está, então permaneço em silêncio, permitindo que ela pense. Quando terminarmos nosso café, coloco os copos na pia e digo que vou levar os meninos para uma matinê. "Vamos sair daqui a alguns minutos. Depois, devo levá-los para jantar, então só voltaremos lá pelas seis horas. Assim, você e sua mãe vão ter tempo de conversar."

Ela franze a testa para mim. "E se eu não quiser conversar? E se quiser ir para a matinê?"

Inclino para frente sobre o balcão. "Você não precisa ver um filme. Precisa conversar com sua mãe. Vamos." Pego minhas chaves e jaqueta e vou em direção à porta da frente.

Ela recosta em sua cadeira e cruza os braços sobre o peito. "Acabei de acordar. A cafeína nem fez efeito ainda. Posso ficar aqui um pouquinho?"

Ela está praticamente fazendo beicinho, o lábio inferior de fora, implorando para mim. Fico olhando para a sua boca por um tempo muito longo. Acho que ela percebe, porque puxa o lábio inferior com os dentes e as bochechas coram. Balanço minha cabeça um pouco, desviando meu olhar para longe de sua boca.

"Tá certo," digo, saindo do meu transe. Ando até ela e beijo sua testa. "Mas não o dia inteiro. Precisa conversar com ela." Vou embora, plenamente consciente do fato de que o beijo na testa provavelmente estava cruzando a linha. No entanto, o fato de que ela dormiu na minha cama na noite passada já ultrapassou os limites.

A linha não é mais tão preta e branca. Tenho certeza de que cinza se tornou minha nova cor favorita.

Já faz mais de cinco horas desde que saí com os meninos, então Lake e Julia provavelmente já tiveram a chance de se entender. Digo a Kel para passar a noite comigo, para dar-lhes mais tempo para se acertarem. Abro a porta da frente e acompanho os meninos na sala de estar. Todos nós congelamos, não esperando encontrar Lake no chão da minha sala de estar. Existem dezenas de fichas brancas esparramadas na frente dela.

Que diabos ela está fazendo?

"O que está fazendo?" Diz Caulder, verbalizando exatamente meus pensamentos.

"Colocando em ordem alfabética", responde sem olhar para cima.

"Colocando o que em ordem alfabética?" pergunto.

"Tudo. Primeiro foram os filmes, depois os CDs. Caulder, também fiz isso com os livros do seu quarto. E também com alguns jogos, mas um ou outro começavam com números, por isso coloquei os números primeiro, depois os títulos." Aponto para as pilhas na minha frente. "Isso são receitas. Encontrei em cima da geladeira. Estou colocando em ordem alfabética de acordo com a categoria, tipo: cordeiro, frango, porco, vaca. E dentro das categorias estou colocando em ordem alfabética por..."

"Meninos, vão pra casa de Kel. Vão avisar a Julia que vocês voltaram", digo, sem olhar para eles.

Os meninos não se moveram. Continuam a olhar para Lake. "Agora!" Grito. Eles ouviram neste momento, abrindo a porta e desaparecendo para fora.

Lentamente caminho para o sofá e sento. Tenho medo de falar qualquer coisa. Alguma coisa está errada. Ela parecia tão... tagarela.

"Você que é o professor", diz olhando para mim e piscando. "Devo colocar ‘Sopa de batata’ em sopa ou em batata?"

Mas que diabos? Ela está em negação. Negação intensa.

"Pare," digo. Não estou retornando seu sorriso. Não sei o que aconteceu com sua mãe hoje, mas seja o que for ela precisa parar. Ela precisa enfrentar isso.

"Não posso parar, bobo. Ainda estou na metade. Se parar agora, você não vai saber onde encontrar..." Pega uma carta aleatória do chão. "Frango caipira?"

Olho ao redor da sala e observo que os DVDs foram todos dispostos ao lado da minha televisão. Levanto e ando devagar para a cozinha, olhando os arredores. Será que ela limpou os malditos rodapés? Sabia que não deveria tê-la deixado hoje. Meu Deus, aposto que limpou a casa inteira e não foi falar com sua mãe. Vou para o meu quarto e minha cama está feita. Não só está feita, está perfeita. Hesito antes de abrir a porta do meu armário, com medo do que posso encontrar. Meus sapatos foram reorganizados. Minhas camisas todas foram movidas para o lado direito do armário e minhas calças estão à esquerda. A maneira como estão penduradas, suas cores passando de claro a escuro.

Ela organizou meu armário por cores? Tenho medo de terminar a inspeção. Não há como falar tudo o que fez na casa. Provavelmente não deixou nada intocado.

Merda. Corro até a cama e abro o criado-mudo. Puxo o livro e abro, mas o recibo do leite com chocolate dela parece que não foi tocado. Dou um suspiro de alívio, feliz que ela não o viu, em seguida, coloco o livro de volta onde estava. Que vergonha isso teria sido?

Ando de volta para sala de estar, mais consciente da condição impecável da minha casa do que antes. Ela esteve um pouco ocupada, o que só pode significar uma coisa. Ainda está evitando sua mãe.

“Você organizou meu armário por cores?" Digo. Eu estou olhando-a da entrada do corredor. Ela encolhe os ombros e sorri, como se nada tivesse acontecido.

"Will, não foi tão difícil. Você só tem, tipo, três cores diferentes de camisa." Quando ri, me faz estremecer. Ela tem que parar com isso. Sua negação não é uma coisa boa e certamente não vai ser bom

para Kel quando Julia contar a ele. Ando rapidamente pela sala e me abaixo para pegar os cartões de receitas. Estamos prestes a ter uma conversa séria.

"Will! Pare! Demorei um tempão pra fazer isso!" Ela começa a pegar os cartões de receitas assim que os alcanço. Percebo que não estamos chegando a lugar nenhum, então jogo os cartões e tento levantá-la do chão. Preciso que ela me olhe nos olhos e se acalme.

Isso não acontece.

Ela, na verdade, começa a me chutar. Literalmente me chuta. Está agindo como uma criança mimada.

"Me solta!" Grita. "Eu... não... acabei!"

Solto suas mãos como pediu e ela cai de volta para o chão. Ando até a cozinha e pego um jarro vazio debaixo da pia e encho-o com água. Sei que vou me arrepender disso, mas ela precisa para sair dessa. Volto para a sala e ela nem percebe. Estico o meu braço e viro o jarro de cabeça para baixo em cima de sua cabeça.

"Que porra", grita. Joga as mãos para cima em estado de choque, então olha para mim com puro ódio. Percebo quando se atira contra mim que talvez essa não tenha sido a melhor ideia. Não foi água suficiente, talvez?

Quando se levanta e tenta me bater, agarro o seu braço e a viro, em seguida, passo para trás dela enquanto a empurro em direção ao banheiro. Uma vez que estamos entrando, envolvo meus braços em torno dela e com força a levanto. Não há outra maneira de fazer isso. Ela está fazendo o seu melhor para me atacar e está quase conseguindo.

Seguro-a contra a parede do chuveiro com um braço e abro a água com a outra mão. Assim que o jato de água bate em seu rosto, ela engasga.

"Babaca! Idiota! Desgraçado!"

Ajusto a torneira e a encaro. "Tome um banho, Layken! Tome logo um maldito banho!" A solto e vou para longe dela. Quando fecho a porta do banheiro, seguro a maçaneta da porta, caso ela tente sair. Claro que ela tenta.

"Deixe-me sair, Will! Agora!" Bate na porta e tenta girar a maçaneta.

"Layken, não vou deixar você sair do banheiro até você tirar a roupa, entrar no chuveiro, lavar o cabelo, e se acalmar."

Continuo a segurar a maçaneta da porta até ouvir a cortina do chuveiro fechar um minuto depois. Quando estou confiante de que não vai tentar sair novamente, coloco meus sapatos e atravesso a rua para pegar-lhe algumas roupas extras.

"Ela está bem?" Julia pergunta assim que abre a porta. Faz gestos para me informar que Kel e Caulder podem ouvir nossa conversa.

"Um pouco bem demais", sussurro. "Está agindo de forma estranha. Vocês conversaram hoje?"

Julia balança a cabeça, mas não continua. É óbvio que não quer correr o risco de ser ouvida por Kel. "Ela está no chuveiro. Vim para pegar uma troca de roupa", digo, contornando o assunto.

Julia balança a cabeça e fica de lado, em seguida, caminha em direção à cozinha. "Você pode pegar no quarto dela. Última porta à direita", diz. "Estou lavando pratos." Ela volta para a pia e eu hesito, um pouco desconfortável com a ideia de ir até o quarto de Lake.

Ando pelo corredor e abro lentamente a porta. Quando entro, não é o que espero. Não sei se pensei que seria o quarto de uma adolescente típica, mas estou agradavelmente surpreso que não há cartazes nas paredes e luzes negras no teto. É surpreendentemente maduro para alguém de dezoito anos de idade. Ando até a cômoda e abro a gaveta superior, pegando uma regata. Quando abro a próxima gaveta para procurar calças, me deparo com uma gaveta cheia de sutiãs e calcinhas. Sinto um pouco de culpa, sabendo que ela não tem ideia de que estou em seu quarto agora. Falo pra mim mesmo apenas para pegar uma e fechar a gaveta, mas começo a percorrer todo o conteúdo, imaginando como ficariam nela.

Droga, Will! Pego uma qualquer e bato com a gaveta fechada, em seguida, procuro até encontrar algum pijama. Quando fecho a última gaveta, a regata cai das minhas mãos no chão. Curvo-me para pegar e uma presilha chama minha atenção. Parece uma presilha de cabelo de uma criança. Pego e prendo entre meus dedos, curioso por que ela iria manter algo tão velho.

"Ela costumava pensar que era mágica", diz Julia da porta. Viro minha cabeça, assustado com sua voz.

"Esta?" digo, segurando a fivela.

Julia balança a cabeça, em seguida, entra no quarto e senta-se na cama. "Quando era criança o pai dela entrou logo depois que tinha cortado um pedaço enorme de sua franja. Ela estava chorando, com medo de que eu ficasse brava, então ele afastou um pouco de cabelo longo e colocou a fivela. Disse que era mágica e que enquanto mantivesse essa fivela no cabelo, eu não iria perceber."

Ri, tentando imaginar Lake com um pedaço de sua franja faltando. "Acho que você percebeu?"

Julia ri. "Oh, era tão óbvio. Terrivelmente óbvio. Ela cortou uma faixa da frente de mais de sete centímetros do seu cabelo. Seu pai me ligou para avisar e disse para não falar nada. Foi tão difícil. Seu cabelo levou meses para voltar a crescer e ela ficou ridícula. Mas eu não podia dizer nada, porque a cada dia que acordava, a primeira coisa que fazia era colocar a fivela no cabelo para que eu não percebesse."

"Uau", digo. "Ela tinha o temperamento forte, desde então, né?"

Julia sorri. "Você não tem ideia. Eu nunca conheci uma pessoa com mais força de vontade na minha vida."

Abaixei e coloquei a fivela de volta onde a encontrei, em seguida, virei para Julia. Ela estava olhando para as mãos, cutucando suas unhas. Parecia com Lake agora, mas de alguma forma ainda mais triste.

"Ela me odeia agora, Will. Não consegue entender onde quero chegar. Ela quer Kel, mas não sei se posso fazer isso por ela."

Nem sequer sei se isso é minha deixa para dar-lhe conselhos, mas ela parece estar pedindo por isso. Só sei que se estivesse no lugar de Lake nada poderia ter me impedido de tirar Caulder da casa dos meus avós naquela noite.

Coloco as roupas de Lake debaixo do braço e me dirijo para a porta, em seguida, viro para Julia. "Talvez você devesse tentar entender aonde ela quer chegar. Kel é a única coisa que vai restar a ela. A única coisa. E agora, se sente como se estivesse tentando tirar isso dela, também."

Julia olha para mim. "Não estou tentando levá-lo para longe dela. Só quero que seja feliz."

Feliz?

"Julia", digo. "O pai dela morreu. Você está prestes a morrer. Ela tem dezoito anos e está de frente para uma vida sem as duas pessoas que mais ama. Nada que você possa fazer a fará feliz. Seu mundo está sendo arrancado dela e ela não tem absolutamente nenhum controle sobre isso. O mínimo que pode fazer é deixá-la ter a única coisa que restará. Porque posso garantir por experiência própria...

Caulder é a única coisa que me permitiu seguir adiante. Deixar Kel longe dela, porque você acha que vai melhorar a sua situação? É a pior coisa que poderia fazer para qualquer um deles."

Temendo ter ultrapassado meus limites mais uma vez, saio do quarto e faço o meu caminho para o outro lado a rua.

Abro a porta do banheiro e entro. Coloco a roupa e uma toalha no balcão, em seguida, olho no espelho. Está embaçado, mas claro o suficiente para que possa ver o reflexo do chuveiro. Há uma abertura de alguns centímetros, onde a parede deveria encontrar a cortina do chuveiro, mas está puxada ligeiramente para trás. O pé de Lake está encostado na porcelana da banheira e ela está depilando as pernas. Usando a minha gilete.

E o meu chuveiro.

E suas roupas estão no chão, junto aos meus pés. Não nela. Está a três passos de mim e sem suas roupas.

É um dos piores dias da sua vida e estou aqui pensando em como ela não está usando nada.

Babaca.

Se eu tivesse qualquer resquício de uma consciência decente, nunca teria permitido que ela ficasse na minha casa ontem à noite, para começar. Agora estou assistindo a gilete deslizar até o seu tornozelo, rezando para que ela esteja muito chateada para ir para casa por pelo menos mais uma noite.

Apenas mais uma noite. Não estou pronto para deixá-la ir.

Calmamente saio do banheiro e fecho a porta atrás de mim. Vou direto para a pia da cozinha e jogo água no meu rosto.

Agarro a borda da pia e respiro profundamente, preparando o meu pedido de desculpas para quando ela sair furiosa do banheiro. Ela está tão chateada comigo agora por ter gritado e a jogado no chuveiro. Não a culpo. Tenho certeza de que havia uma maneira mais fácil de acalmá-la.

"Preciso de uma toalha", grita do banheiro. Ando até a entrada do corredor.

"Está na pia. Suas roupas também." Volto para a sala e sento no sofá em uma tentativa idiota de parecer casual. Talvez se não parecer tão chateado, ela vai manter a calma.

Deus, não posso suportar a ideia de ela estar com raiva de mim por mais um dia. O dia em que recitou seu poema na classe foi, provavelmente, a mais dolorosa batida que meu coração já deu por uma garota... e isso aconteceu na frente de dezessete alunos. Sei que nenhum deles sabia que eu era o seu alvo, além de Gavin, mas mesmo assim. Parecia que tinha levado mais de trinta balas direto no coração com cada insulto que saiu de sua boca.

A porta do banheiro começa a se abrir e minha tentativa de parecer casual sai pela janela. Salto sobre o encosto do sofá, querendo nada mais do que abraçá-la e pedir desculpas por tudo o que fiz hoje.

Quando me vê correndo na direção dela, seus olhos se arregalam e ela encosta-se à parede. Envolvo meus braços em torno dela e aperto com força. "Desculpe Lake. Me desculpe por ter feito isso. É que você estava surtando", digo na minha melhor tentativa de justificar minhas ações. Ao invés de tentar me bater, envolve seus braços em meu pescoço, fazendo com que o meu peito aperte enquanto tento controlar a minha força de vontade antes que fuja de mim novamente.

"Tudo bem", diz em voz baixa. "Eu meio que tive um dia ruim."

Não quero nada mais do que abafar suas palavras com a minha boca agora. Quero falar o quanto preciso dela. O quanto a amo. Como, não importa o quão ruim as coisas fiquem para ela, estarei ao seu lado a cada segundo.

Mas não faço isso. Por causa de Julia, não faço. Relutantemente me afasto e coloco meus braços em seus ombros.

"Então, somos amigos? Não vai tentar dar um soco em mim de novo?"

"Amigos", diz com um sorriso forçado. Posso garantir que ela quer ser minha amiga tanto quanto quero ser dela. Tenho que me afastar e abaixar a cabeça para o chão do corredor antes que as palavras "eu

te amo" saiam da minha boca.

"Como foi a matinê?" Pergunta atrás de mim.

Não posso ter conversa fiada. Precisamos chegar ao motivo de por que ela está aqui, ou vou esquecer que não está aqui por mim.

"Você conversou com sua mãe?" Pergunto.

"Nossa. Que mudança de assunto."

"Falou com ela? Por favor, não diga que passou o dia inteiro fazendo limpeza." Vou para cozinha e pego dois copos. Ela ocupa um lugar no balcão.

"Não. O dia inteiro, não. Nós conversamos."

"E?" pergunto.

"E... ela tem câncer."

Porra que vontade indomável.

Rolo os meus olhos para sua teimosia e caminho até a geladeira, pegando o leite. Quando começo a derramá-lo em seu copo, ela se afasta do balcão e vira a cabeça para baixo, em seguida, puxa a toalha da cabeça.

Seu cabelo cai ao seu redor e ela escova os emaranhados com os dedos. Desembaraça os fios, trabalhando seus dedos por eles delicadamente. O que não daria para tocá-la, porcaria! Sei, assim que levanta a cabeça, que derramei muito leite. Está escorrendo na minha mão e em cima do balcão. Rapidamente limpo com uma toalha de mão.

Por favor, me diga que ela não viu isso.

Pego o chocolate em pó no armário e uma colher, em seguida, misturo um pouco do chocolate em seu copo.

"Ela vai ficar bem?"

"Não. Provavelmente não."

Eu deveria saber mais ao invés de fazer perguntas diretas para ela. Mas não perguntei a Julia quaisquer detalhes e estou curioso.

"Mas está fazendo tratamento?"

Ela revira os olhos e parece incrivelmente aborrecida. "Ela está morrendo, Will. Morrendo. Provavelmente vai morrer em um ano, talvez até menos. Ela está fazendo quimioterapia apenas para se sentir melhor. Enquanto morre. Porque ela está morrendo. Pronto. Era isso que queria ouvir?"

Sua resposta envia uma onda de culpa por mim. Estou fazendo exatamente a mesma coisa para ela que odiava que fizessem para mim. Forçá-la a falar sobre algo que nem sequer aceitou ainda. Decidi deixá-la aceitar. Chegará a isso da sua maneira. Caminho até o freezer e pego um punhado de gelo, em seguida, os solto em seu copo, deslizando-o sobre o balcão para ela. "Com gelo."

Ela olha para o leite com chocolate e sorri. "Obrigada", diz. Termina sua bebida em silêncio.

Quando o copo está vazio, se levanta do balcão e vai até a sala de estar. Deita no chão e estica os braços acima da cabeça.

"Apague as luzes", diz. "Quero ficar apenas escutando a música por um tempo."

Apago as luzes, depois ando até onde ela está e me deito no chão ao seu lado. Está tranquila, mas o estresse irradia dela.

"Ela não quer que eu cuide de Kel", sussurra. "Ela quer dar ele para Brenda."

Respiro fundo, entendendo completamente de onde a sua dor está vindo. Estendo a mão pelo chão até encontrar a sua e a seguro, querendo mais do que qualquer coisa que saiba que não está sozinha nessa.

Meus olhos abrem ao som da voz de Eddie. Sento-me no chão, chocado que adormeci e vejo Lake observando Eddie sair pela porta.

Merda! Merda, merda, merda! Que diabos Eddie estava fazendo na minha casa? Por que Lake a deixou entrar? Vou ser demitido. É isso aí. Estou ferrado.

Depois que a porta se fecha atrás de Eddie, Lake se vira e me vê sentado no chão. Franze os lábios e tenta sorrir, mas sabe que não estou feliz.

"O que diabos ela estava fazendo aqui?"

Ela encolhe os ombros. "Visitando", murmura. "Vendo como estou."

Ela não tem ideia de que tipo de perigo acabou de colocar toda a minha carreira!

"Droga, Layken!" Levanto do chão e jogo as minhas mãos no ar, derrotado. "Está tentando fazer com que eu seja demitido? Você é tão egoísta assim a ponto de não estar nem aí para os problemas das outras pessoas? Sabe o que aconteceria se a notícia se espalhasse por causa dela?"

Os olhos de Lake vão para o chão.

Oh, Deus. Ela sabe. Eddie já sabe.

Dou um passo para mais perto e ela olha para mim de novo. "Ela sabe que você passou a noite aqui?" Exijo. Ela olha para seu colo. "Layken, quanto ela sabe?"

Não olha para mim, o que responde à minha pergunta.

"Nossa, Layken. Vá para casa."

Ela acena com a cabeça, em seguida, caminha até a porta. Calça seus sapatos e faz uma pausa antes de sair, olhando para mim desculpando-se. Estou em pé no meio da sala de estar com as mãos cruzadas atrás da minha cabeça, olhando para ela. Mesmo louco como estou agora, dói deixá-la ir. Sei que precisa de mim, mas há muito que ambos precisamos processar neste momento. Além disso, ela precisa estar em casa com a mãe. Estar aqui em vez de em sua própria casa não está ajudando a enfrentar a situação.

Uma lágrima rola pelo seu rosto e ela rapidamente se vira.

"Lake", digo baixinho, soltando minhas mãos para os lados. Não posso deixá-la sair com o stress do meu desabafo persistindo em sua mente. Ando até a porta onde ela está em pé, estendo a mão e toco

seus dedos, em seguida, pego sua mão na minha. Ela me permite segurar sua mão, mas não me encara novamente. Mantém uma mão na porta e funga, a cabeça ainda está focada no chão.

Esta garota. Apaixonada pelo cara que não pode ter. Em luto pela morte de seu pai, acabou de descobrir que está prestes a lamentar a morte do único adulto que restou em sua vida? Esta menina, que está sendo avisada que não pode manter o único membro da família dela que restou? Aperto-lhe a mão e esfrego o meu polegar sobre o dela. Lentamente ela levanta seus olhos para encarar os meus. Vendo a dor neles e sabendo que muito disso é por minha causa me faz lembrar todas as razões pelas quais tenho que deixá-la ir.

Sua mãe.

Minha carreira.

Sua reputação.

O meu futuro e de Caulder.

Seu futuro.

Fazer a coisa certa. A coisa responsável.

Fora todas as razões que tenho para deixa-la ir, há uma única razão que tenho para ela ficar. Eu a amo. Esta razão para ela ficar é a única razão que vem do puro egoísmo.

Se eu continuar nisso com ela, vai ser completamente egoísta da minha parte. Estarei colocando tudo o que trabalhei e todos que amo em risco, apenas para cumprir meus próprios desejos.

Solto sua mão. "Vá para casa, Layken. Ela precisa de você."

Eu me viro. E me afasto.