Essa Garota
Capítulo 5
A lua de mel
Lake senta na cama e olha para mim. "Que diabos, Will? Gavin sabia? Ele sabia o tempo todo?"
Dou risada. "Ei, você e Eddie não foram as únicas guardando segredos."
Ela balança a cabeça em descrença. "A Eddie sabe que ele sabia?"
"Eu não acho que saiba. Ao contrário de algumas pessoas, Gavin pode manter um segredo."
Ela estreita os olhos e rola para o seu travesseiro, abismada. "Não posso acreditar que ele sabia", diz. "O que ele disse quando apareci na sua aula de poesia?"
"Bem, eu poderia continuar e contar tudo sobre esse dia, mas isso significaria pular nosso primeiro beijo. Você não quer ouvir sobre o resto do nosso encontro?"
Ela sorri. "Você sabe que eu quero."
PAIXÃO
"O que é ‘SAC’?", ela pergunta quando eu volto com as bebidas.
"Sacrifício. É assim que eles preparam os jurados." Eu volto para a cabine, mas sento um pouco mais perto desta vez. "Uma pessoa apresenta algo que não é parte da competição só para que os jurados possam calibrar a pontuação."
"Então, eles podem chamar qualquer pessoa? E se tivessem me chamado?", ela pergunta. Parece apavorada com o pensamento.
"Bom, então imagino que era para você estar com algo pronto", brinco.
Ela ri e então coloca um dos cotovelos sobre a mesa, virando-se para mim. Passa a mão pelo seu cabelo, enviando um ligeiro aroma de baunilha na minha direção. Ela me olha por um momento, seu sorriso se espalhando até os olhos. Amo esse olhar sereno nela agora.
Estamos sentados tão perto, que posso sentir o calor do seu corpo contra o meu, partes de nós se tocando. Nossas coxas, seu quadril contra o meu, nossas mãos a poucos centímetros de distância. Seu olhar vai dos meus olhos até meus lábios e, pela primeira vez esta noite, sinto a tensão do primeiro beijo. Há algo sobre seus lábios, que me faz querer beijá-los quando ela está tão próxima. Lembro-me que, mesmo sendo apenas "Will" hoje à noite, tenho pelo menos um aluno que provavelmente está nos espionando de vez em quando.
O momento de silêncio entre nós faz com que ela core e olhe de volta para o palco, quase como se pudesse sentir minha luta contra o
desejo de beijá-la. Eu me aproximo e pego sua mão na minha trazendo-a para debaixo da mesa, colocando na minha perna. Olho-a enquanto lentamente acaricio seus dedos. Acaricio seu pulso e quero tanto puxar seu braço, diretamente para meus lábios... mas não puxo. Faço círculos com as pontas dos dedos, desejando mais do que qualquer coisa que não estivéssemos em público agora. Não sei o que nela me cativa completamente. Também não sei o que há nela que me faz querer coisas sobre as quais sou normalmente mais cauteloso.
"Lake?" Continuo acariciando sobre sua mão com a ponta dos meus dedos. "Não sei o que você tem... mas gosto de você." Entrelaço seus dedos com os meus e volto minha atenção para o palco, para que ela não ache que espero uma resposta. Sorrio quando a vejo agarrar o copo e rapidamente beber seu leite com chocolate. Ela definitivamente sente isso também.
Quando o sac sobe ao palco, todo o comportamento de Lake muda. É quase como se esquecesse que estou aqui. Ela se inclina para frente prestando atenção quando a mulher começa sua apresentação e não remove sua atenção no artista o tempo todo. Estou tão atraído pela emoção na expressão de Lake, que não posso tirar os olhos dela. Enquanto a olho, tento decifrar a razão por trás dessa ligação intensa que sinto. Não é como se nós tivéssemos passado muito tempo juntos. Inferno, nem sequer a conheço. Ainda nem sequer sei sua idade, qual é seu nome do meio, muito menos seu aniversário. No fundo, sei que nada disso importa. A única coisa que vale a pena agora é o presente e este momento é definitivamente o melhor do dia.
Assim que o sacrifício termina com seu poema, Lake puxa sua mão da minha e limpa as lágrimas de seus olhos. Coloco meu braço em torno dela e puxo-a para mim. Ela aceita o meu abraço e descansa a cabeça no meu ombro.
"E então?", pergunto. Descanso meu queixo no topo de sua cabeça e acaricio seus cabelos, levantando uma nova onda de baunilha. Estou começando a amar o cheiro de baunilha, quase tanto quanto o sotaque do sul.
"Foi inacreditável", ela sussurra.
Inacreditável. Essa foi a mesma palavra que usei para descrevê-lo ao meu pai na primeira vez que vi.
Luto contra o desejo de levantar seu queixo e puxar seus lábios nos meus, mesmo sabendo que deveria esperar até que estejamos sozinhos. A necessidade é tão grande, porém, meu coração está em guerra com a minha consciência. Inclino-me para frente e pressiono meus lábios contra sua testa e fecho os olhos. Isso vai ter que servir por agora.
Nós nos sentamos abraçados, enquanto vários outros poetas se apresentam. Ela ri, chora, suspira, sofre e sente cada peça apresentada. No momento em que o poeta da rodada final vem ao palco, é óbvio que é tarde demais. Estava esperando para colocar tudo em ‘pratos limpos’ entre nós antes que as coisas se tornassem mais graves. Eu mal sabia que isso iria acontecer tão rápido. Estou muito longe do fim. De jeito nenhum que posso me impedir de ficar completamente apaixonado por esta menina agora.
Mantenho minha atenção no palco, mas não posso deixar de assistir Lake pelo canto do meu olho, enquanto observa o artista preparar o microfone. Ela está segurando a respiração novamente enquanto ele se aproxima do microfone.
"Este poema chama Um Longo Poema", diz o artista. Lake ri e se inclina para frente em sua cadeira.
Este poema é muito longo
Assim por muito tempo, de fato, sua atenção
Pode ser estendida além de seus próprios limites
Mas isso é bom
É o que há de tão especial sobre a poesia
Veja, a poesia leva tempo
Vivemos em um tempo
Chame de nossa cultura ou sociedade
Não importa pra mim porque nem rima
Um tempo em que a maioria das pessoas não quer ouvir
Nossas gargantas esperavam, como palitos de fósforo esperam para pegar fogo
Esperando até que possamos falar
Sem paciência para ouvir
Mas este poema é longo
É muito tempo, na verdade, que durante o tempo desse poema Você poderia ter feito muitas outras coisas maravilhosas
Você poderia ter ligado para seu pai Ligue para o seu pai
Você poderia escrever um cartão postal agora Escreva um cartão postal
Quando foi a última vez que você escreveu um cartão postal? Você poderia estar no exterior
Você provavelmente não está muito longe de um amanhecer ou um pôr do sol
Veja o sol nascer
Talvez você possa ter escrever seu próprio poema O melhor poema
Você poderia fazer uma melodia ou cantar uma canção Você poderia conhecer o seu vizinho
E memorizar o seu nome Memorize o nome de seu vizinho
Você poderia desenhar uma gravura (ou, pelo menos, um colorir uma)
Você poderia começar um livro Ou terminar uma oração
Você poderia ter falado com Deus Rezar
Quando foi a última vez que você orou? Realmente orou
Este é um longo poema
Tão longo, na verdade, que você já passou um minuto com ele Quando foi a última vez que você abraçou um amigo por um minuto? Ou disse-lhe que você o ama?
Diga a seus amigos que você os ama
... não, eu quero dizer, Diga-lhes
Diga, eu te amo
Diga, você tornou a vida digna de ser vivida Porque é isso que os amigos fazem
De todas as coisas maravilhosas que você poderia ter feito Durante este muito, muito longo poema
Você poderia estar se conectando Talvez você esteja se conectando Talvez a gente esteja se conectando
Veja, eu acredito que as únicas coisas que realmente importam No grande esquema da vida são
Deus e as pessoas
E se as pessoas são feitas à imagem de Deus Então, quando você gasta o seu tempo com as pessoas
Ele nunca é desperdiçado E neste longo poema
Estou tentando deixar um poema como um poema é: Tornar as coisas mais simples
Nós não precisamos de poemas para tornar as coisas mais complicadas
Nós temos um ao outro para isso
Precisamos de poemas para nos lembrar das coisas que realmente importam
Para tomar um tempo Há muito tempo
Para estar vivo, para o bem de alguém, por um único momento Ou por muitos momentos
Porque nós precisamos um do outro
Para segurar as mãos de uma pessoa quebrada Tudo que você tem a fazer é encontrar uma pessoa Agite sua mão
Olhe em seus olhos
Eles são você
Estamos todos quebrados juntos
Mas esses pedaços quebrados de nossa existência não tem que ser uma bagunça
Nós apenas temos que cuidar o suficiente para segurar nossas línguas, por vezes,
Para sentar e ouvir um poema muito longo A história de uma vida
A alegria de um amigo e a dor de um amigo Para abraçar e ser abraçado
E ficar quieto Então, ore
Escrever um cartão postal
Ligue para seus pais e perdoe-os e, em seguida, agradeça-lhes Desligue a TV
Crie arte da melhor forma que puder Compartilhe, tanto quanto possível, especialmente dinheiro Diga para alguém sobre um longo poema que ouviu uma vez
E como depois te influenciou.
Ela limpa outra lágrima de seu olho, quando o artista se afasta do microfone. Começa aplaudir com o resto da multidão, completamente absorta na atmosfera. Quando finalmente relaxa contra mim novamente, seguro sua mão na minha. Estamos aqui há quase duas horas, agora tenho certeza que ela está cansada, com base na semana que teve. Além disso, nunca fico para todas as performances, pois tenho que trabalhar nas sextas-feiras.
Começo a levantar para levá-la para fora da cabine, quando o mestre de cerimônias faz um último apelo para os artistas.
Ela se vira para mim e posso ver os seus pensamentos escritos claramente em seu rosto.
"Will, você não pode me trazer aqui e não se apresentar. Pelo menos um? Por favor, por favor, por favor?"
Eu não tinha a intenção de apresentar um poema hoje. Absolutamente. Mas, meu Deus, aquele seu olhar. Ela realmente vai me obrigar a fazer isso, posso garantir. Não tem como dizer não para seus olhos. Inclino minha cabeça contra a parte traseira da cabine e sorrio. "Assim você acaba comigo, Lake. Como já disse, realmente não tenho nada de novo."
"Então apresenta algo antigo", ela sugere. "Ou será que todas essas pessoas deixam você nervoso?"
Ela não tem ideia de quantas vezes me apresentei e o quão natural isso é para mim agora. É quase tão natural como respirar. Nunca estive nervoso por subir ao palco desde a primeira vez, há cinco anos.
Até agora, pelo menos.
Inclino-me mais perto e a olho diretamente nos olhos. "Todas não. Só uma."
Nossos rostos estão tão incrivelmente pertos agora, seria tão fácil fazer. Apenas mais uns centímetros e poderia sentir seu gosto. Seu sorriso desapareceu e ela mordeu o lábio inferior, enquanto seu olhar caía lentamente até minha boca novamente. Posso dizer pelo seu olhar, ela quer muito que eu a beije. Um nervosismo que nunca senti, tomou conta do meu estômago, aumentando e estou perdendo rapidamente o meu autocontrole. Assim, quando começo a inclinar para o beijo, ela aperta as mãos sob seu queixo e repete seu pedido.
"Não me faça implorar."
Por um momento, tinha esquecido que ela tinha pedido para me apresentar. Afasto-me e sorrio. "Você já está implorando."
Ela não tira as mãos de seu queixo e fica olhando para mim, com a mais adorável expressão. Uma expressão pela qual já sei, que nunca vou ser capaz de dizer não. "Tá bom, tá bom", digo, facilmente desistindo. "Mas vou logo avisando, foi você quem pediu."
Tiro minha carteira do bolso e pego o dinheiro, segurando-o no ar. "Eu topo!"
Quando o mestre de cerimônias me reconhece, saio da cabine e começo a caminhar para o palco. Não estou preparado para tudo isso. Por que não pensei que ela iria pedir para me apresentar? Deveria ter escrito algo novo. Vou fazer minha peça especial do colégio. É bastante fácil. Além disso, nem acho que falei sobre minha profissão com ela, o que pode ser uma maneira divertida de fazer isso.
Chego ao palco e ajusto o microfone e, em seguida olho para plateia. Quando cruzamos nossos olhares, ela apoia os cotovelos sobre a mesa e repousa o queixo nas mãos. Ela acena flertando comigo, com um sorriso se espalhando por seu rosto. O jeito que me olha, envia uma pontada de culpa direto ao meu coração. Ela está olhando para mim agora, da mesma forma que tenho olhado para ela.
Com esperança.
Esse olhar diz que eu não deveria perder esta oportunidade com um poema sobre a minha história. Esta é a minha oportunidade para colocar tudo para fora... para usar o meu desempenho como uma forma de mostrar quem eu realmente sou.
Se seus sentimentos por mim forem a metade do que os meus já são por ela, então ela merece saber no que está se metendo.
"Qual é o nome do seu poema hoje, Will?"
Sem quebrar o nosso olhar, a encaro fixamente de cima do palco e respondo: "Morte."
O mestre sai do palco e eu respiro profundamente, preparando-me para dizer as palavras que vão fortalecer ou acabar de vez com a possibilidade de um futuro com ela.
Morte. A única coisa inevitável na vida.
As pessoas não gostam de falar sobre a morte porque
isso as deixa tristes.
Elas não querem pensar que a vida vai continuar
sem elas,
que todas as pessoas que elas amam vão ficar de luto brevemente, mas vão continuar
respirando.
Elas não querem pensar que a vida vai continuar sem elas,
Que os filhos vão crescer do mesmo jeito E vão casar
E vão envelhecer...
Elas não querem pensar que a vida vai continuar sem elas
Que as coisas materiais serão vendidas
Que os históricos médicos serão arquivados
Que seus nomes vão se tornar uma lembrança para todos que conheciam.
As pessoas não querem pensar que a vida vai continuar sem elas, então, em vez de lidar com
isso diretamente, evita-se o assunto inteiramente,
torcendo e rezando para que, de alguma maneira, ela...
passe direto.
Se esqueça delas,
e pule para o próximo da fila.
Não, as pessoas não querem imaginar como
a vida vai continuar...
sem elas. Mas a morte
não
se esqueceu.
Em vez disso, as pessoas deram de cara com a morte, que veio disfarçada de um caminhão
de dezoito rodas atrás de uma nuvem de névoa.
Não.
A morte não se esqueceu delas.
Se ao menos elas tivessem se preparado, aceitado o inevitável, feito planos, compreendido
que
não se tratava apenas da vida delas.
Por mais que legalmente eu fosse considerado um adulto aos 19 anos, eu ainda me sentia
completamente
como um garoto de apenas 19 anos.
Despreparado
E sobrecarregado
por, de repente, passar a ter a vida inteira de um garoto de 7 anos
sob meus cuidados.
Morte. A única coisa inevitável na vida.
Eu me afasto do microfone, sentindo-me ainda mais nervoso do que quando comecei. Coloquei tudo para fora. Minha vida inteira, resumida a um poema de um minuto.
Quando saio do palco e caminho para a nossa cabine, ela está limpando as lágrimas dos olhos com as costas de sua mão. Não sei o que está pensando, então ando devagar, a fim de dar-lhe um momento para absorver minhas palavras.
Quando entro na cabine, ela parece triste, então dou um sorriso e tento quebrar a tensão. "Eu avisei" Digo enquanto pego minha bebida. Ela não responde, então não sei o que dizer neste momento. Estou desconfortável, pensando que talvez este não fosse o melhor caminho a percorrer, contando-lhe a história da minha vida. Acho que a escolha do local, também. Certamente espero que ela não se sinta como se tivesse que me dizer o quanto lamenta por mim. Odeio pena mais do que qualquer coisa.
Só quando começo a me arrepender da minha escolha de performance, ela estende a mão e pega a minha mão livre na dela. Me toca muito suavemente, como se estivesse me dizendo o que está pensando, mesmo sem falar. Coloco minha bebida em cima da mesa e viro o rosto para ela. Quando olho em seus olhos, não é pena que vejo lá.
Ela ainda está olhando para mim com desejo em seus olhos.
Essa garota apenas se tornou cúmplice de tudo o que tinha medo de contar a ela sobre a minha vida. A morte de meus pais, a raiva que senti deles, a quantidade de responsabilidade que enfrentei até agora, o fato de que sou tudo que Caulder tem e ela ainda está me olhando com desejo em seus olhos cheios de lágrimas. Me aproximo de seu rosto e enxugo uma lágrima, em seguida, passo levemente o polegar em toda faixa molhada escorrendo pelo seu rosto. Ela coloca a mão em cima da minha e lentamente a puxa à boca. Aperta os lábios na palma da minha mão sem afastar seu olhar do meu, fazendo com que meu coração suba até minha garganta. Ela acabou de alguma forma, conseguindo transmitir cada pensamento e emoção que está sentindo nesse simples gesto.
De repente não me importo onde estamos ou quem possa estar nos observando. Tenho que beijá-la. Tenho que fazer isso.
Pego seu rosto em minhas mãos e trago para mais perto, ignorando a parte da minha consciência que está gritando para esperar. Ela fecha os olhos, convidando-me para me aproximar. Hesito, mas assim que sinto a sua respiração acelerar em meus lábios, não posso me segurar. Fecho o espaço entre nós, pressionando levemente meus lábios contra seu lábio inferior. É ainda mais suave do que parece. De alguma forma, o ruído de fundo sumiu e tudo que posso ouvir é o som do meu próprio coração, pulsando em todo meu corpo. Lentamente movo meus lábios até seu lábio superior, mas logo que sinto sua boca corresponder, relutantemente me afasto. Mesmo que eu queira muito beijá-la, também estou vagamente consciente de que estamos em público e tenho pelo menos dois alunos aqui esta noite. Decido deixar o melhor beijo para mais tarde, porque se não fizermos isso agora, sei que não vou querer parar.
"Paciência", sussurro, reunindo todo o auto controle que tenho. Acaricio seu rosto com o polegar e ela sorri para mim compreendendo. Ainda segurando seu rosto em minhas mãos, fecho meus olhos e pressiono os lábios contra sua bochecha. Ela solta a respiração quando solto seu rosto e deslizo minhas mãos por seus braços, tentando lembrar como respirar de novo. Sou incapaz de afastar-me dela, então pressiono minha testa contra dela e abro os olhos. É neste momento que sei que ela está sentindo exatamente o que sinto. Posso ver em seus olhos.
"Caramba", ela exala.
"Pois é", concordo. "Caramba."
Nós mantemos o olhar um no outro por mais alguns segundos. Quando o apresentador começa a anunciar as eliminatórias para a segunda rodada, sou rapidamente puxado de volta à realidade. Não há nenhuma maneira que eu possa ficar aqui por mais tempo, sem puxá-la para o meu colo e beijá-la pra cacete. A fim de evitar isso, acho que o melhor seria apenas ir embora.
"Vamos", sussurro. Pego sua mão para sair da cabine e a levo até a saída.
"Não quer ficar mais?", diz depois de sairmos.
"Lake, você está fazendo mudança e desempacotando coisas há dias. Precisa dormir."
Assim que falo isso, ela boceja. "Dormir seria ótimo."
Quando chegamos ao carro, abro a porta para ela, mas antes que entre, a abraço e puxo-a para mim. Tudo acontece tão rapidamente, que nem sequer pensei sobre isso antes. Por que ela tem esse efeito em mim? É como se a minha consciência saísse pela janela quando ela está por perto.
Sei que deveria soltá-la antes que fique estranho, mas não posso. Ela devolve o meu abraço, depois descansa a cabeça no meu peito e suspira. Nós ficamos lá, nenhum de nós fala ou se move, por vários minutos. Não há um único beijo entre nós, nenhuma única passada da minha mão na sua pele e nenhuma palavra dita... mas de alguma forma, este é o momento mais íntimo que já compartilhei com alguém.
Jamais.
Não quero soltá-la, mas assim que olho para cima, vejo Gavin e Eddie saindo do clube, me afasto e a guio para subir no carro. Agora não é o momento para apresentar Eddie.
Quando estamos saindo do estacionamento, ela inclina a cabeça contra a janela e suspira.
"Will? Obrigada."
Chego mais perto e pego sua mão. Tudo o que realmente quero fazer é agradecê-la, mas não respondo. Eu tinha muita expectativa para esta noite, mas ela as superou. Ela está exausta e garanto que está prestes a adormecer. Ela fecha os olhos e eu dirijo para casa em silêncio e a deixo dormir.
Quando paro em sua garagem, espero que ela acorde, mas isso não acontece. Desligo o motor e me aproximo para acordá-la, mas a tranquilidade em suas feições me para. Fico olhando-a dormir, enquanto tento peneirar tudo o que estou sentindo. Como posso me importar com alguém depois de conhecê-la há apenas alguns dias?
Eu amei Vaughn, mas posso dizer honestamente que nunca me conectei desta forma. Não nesta espécie de nível emocional. Não me lembro de me sentir assim desde... bem, nunca. Isso é novo. Assustador. Emocionante. Desesperador. Calmante. Cada emoção que já senti misturada com um desejo intenso de agarrar e segurá-la e nunca mais soltar.
Eu me inclino mais e pressiono os meus lábios contra sua testa enquanto ela dorme. "Obrigado por isso", sussurro.
Quando saio e abro a porta, ela acorda. Ajudo-a a sair do carro e estamos ambos em silêncio enquanto caminhamos para a porta da frente, de mãos dadas. Antes que ela vá para dentro, a puxo para mim novamente. Ela descansa a cabeça no meu peito e retomamos ao mesmo abraço de antes, fora do clube. Não posso fazer nada, mas me pergunto se isso parece tão natural para ela como é para mim.
“Olha só", diz ela." Você vai passar três dias inteiros fora. É exatamente o tempo que nos conhecemos. "
Eu rio e a aperto com mais força. ”Vão ser os três dias mais longos da minha vida." Continuamos a abraçar um ao outro, nenhum de nós querendo soltar, porque nós percebemos que realmente será o mais longo período de três dias de nossas vidas.
Percebo seu olhar para a janela, como se estivesse preocupada que alguém está nos observando. Por mais que queira ceder à insaciável necessidade que tenho de beijá-la, dou-lhe um beijo rápido na bochecha, no lugar. Solto-a e lentamente caminho de volta para o meu carro. Quando seus dedos libertam os meus, seu braço cai para
o lado e ela sorri de um jeito que faz com que rapidamente me arrependa de não beijá-la melhor. Assim, quando chego ao meu carro, concluo que não há absolutamente nenhuma maneira de conseguir dormir esta noite se não corrigir esta situação.
Abaixo minha janela. "Lake, vou demorar um tempão para chegar em casa. Que tal um beijo de boa viagem?"
Ela ri, depois vem para o meu carro e inclina-se pela janela. Coloco minha mão atrás da sua cabeça e a puxo para mim. No segundo que nossos lábios se encontram, sou um caso perdido. Ela abre os lábios e num primeiro momento, o nosso beijo é lento e doce. Ela alcança a janela e passa as mãos pelo meu cabelo, me puxando para mais perto, e me deixa completamente louco. Minha boca se torna mais urgente contra a dela e por um breve segundo, penso em cancelar minha viagem neste fim de semana. Agora que finalmente a provei, sei que não vou ser capaz de ficar três dias sem ela. Seus lábios são exatamente como estava imaginando que seriam. A porta entre nós é pura tortura. Quero puxá-la pela janela e no meu colo.
Nós continuamos beijando até chegarmos a um ponto em que ambos percebem que ela deve entrar no carro comigo, ou precisamos parar. Nós diminuímos simultaneamente e eventualmente paramos, mas nenhum de nós se afasta.
"Nossa" sussurro contra seus lábios. "Isso fica cada vez melhor."
Ela sorri e acena com a cabeça em concordância. "Nos vemos em três dias. Tome cuidado no caminho para casa." Ela pressiona seus lábios contra os meus novamente, então se afasta.
Infelizmente vou para minha própria calçada, desejando mais do que qualquer coisa que não estivesse prestes a deixar a cidade pelos próximos três dias. Quando saio do meu carro, ela está fazendo o caminho de volta até a garagem. Vejo quando ela reúne seu cabelo e puxa em um nó, prendendo-o com uma presilha enquanto se aproxima de sua porta. O cabelo dela fica bom assim. Parecia ótimo solto também. Enquanto estou admirando a vista, percebo que em nenhum momento, elogiei como ela estava bonita hoje à noite.
"Lake", grito. Ela se vira e eu corro para o outro lado da rua. "Esqueci de dizer uma coisa." Envolvo meus braços em torno dela e sussurro em seu cabelo, "Você está linda hoje." Beijo-a no topo do cabeça, em seguida, a solto e caminho de volta para a minha casa. Quando chego a minha porta, me viro e ela ainda está de pé no mesmo lugar, me olhando. Sorrio para ela e vou para dentro e então imediatamente para a janela. Quando puxo a cortina, a vejo virar para sua casa e praticamente pular para dentro.
"O que você está olhando?", pergunta Maya.
A voz dela me assusta, fecho a cortina e viro. "Nada." Pego meu casaco e piso no calcanhar do meu sapato para tirá-lo do pé. "Obrigado, Maya. Você quer vir novamente na próxima quinta-feira?"
Ela se levanta e vai para a porta da frente. "Eu não venho sempre", ela diz. "Mas não quero ver essa cena estranha outra vez." Ela fecha a porta quando sai e eu me jogo no sofá suspirando. Este foi, de longe, o melhor encontro que já tive e tenho a sensação de que só vai ficar melhor.