Essa Garota

Colleen Hoover · Capítulo 15 de 30

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Essa Garota

Capítulo 11

 

A lua de mel

"Me desculpa Will.", sussurra. Ela coloca as mãos sobre o rosto e cobre os olhos. "Eu me sinto horrível. Terrível. E egoísta. Não sabia o quão difícil era para você também. Simplesmente pensei que você me chutou porque eu não valia a pena o risco."

"Lake, você não sabia o que estava passando pela minha cabeça. Tudo o que você sabia era que eu era apenas um idiota que você beijou, depois a expulsou da minha casa. Eu nunca a culpei. E você vale absolutamente o risco. Se não fosse por saber o que sabia sobre Julia, nunca a deixaria ir."

Ela puxa as mãos longe do rosto e se vira para mim. "Oh, meu Deus e os insultos. Nunca pedi desculpas por isso." Ela rola em cima de mim e traz seu rosto a centímetros do meu. "Eu sinto muito que chamei você de todos esses nomes no dia seguinte."

"Não sinta," Dou de ombros. "Eu meio que merecia."

Ela balança a cabeça. "Você não pode sentar aqui e falar que não te magoou. Meu Deus, te chamei de trinta nomes diferentes na frente de toda a turma!"

"Mas eu não quis dizer que não me irritou. Apenas disse que merecia isso."

Ela ri. "Então você estava com raiva de mim." Ela está de volta em seu travesseiro. "Quero ouvir isso", diz ela.

ARREPENDIMENTOS

Fui tão lentamente quanto possível. Chamei a cada aluno, nunca apressando nenhum deles, nunca sequer os cronometrei.

Normalmente eles não resistam tão rápido. Claro que, assim que Gavin terminou seu poema, ainda havia cinco minutos de sobra. Não tendo escolha, tenho que chamá-la. Esperei até o último, esperando que o sinal tocasse. Não sei se estou tentando poupá-la de ter que se levantar e falar depois do que aconteceu entre nós ontem à noite, ou se estou morrendo de medo sobre o que ela poderia falar. De qualquer maneira, é a vez dela e não tenho escolha a não ser chamá-la.

Limpo minha garganta na tentativa de falar o nome dela, mas sai tudo desconfigurado. Ela anda para frente da sala e deixa seu poema sobre a mesa. Sei que ela não escreveu uma única palavra ontem em sala de aula.

E, considerando os eventos que ocorreram na minha sala ontem à noite, duvido que ela estava com a cabeça até mesmo para escrever uma palavra depois. No entanto, ela parece inabalável e confiante e tem, aparentemente, memorizado o que é que ela está prestes a recitar. Isso me aterroriza.

"Tenho uma pergunta", diz ela antes de começar.

Merda. Que diabos ela poderia precisar perguntar? Ela me deixou tão irritado ontem à noite, não ficaria surpreso se ela me desafiasse aqui e agora. Inferno, ela provavelmente está prestes a me perguntar se

chuto todos os meus alunos da minha casa depois de me agarrar com eles. Concordo com a cabeça, dando-lhe o aval para a sua pergunta...

mas tudo que realmente quero fazer é correr para o banheiro e vomitar.

"Tem tempo mínimo de duração?"

Jesus Cristo. Graças a Deus é uma pergunta normal. Respiro um suspiro de alívio e limpo minha garganta.

"Não, pode durar o tempo que for, contanto que você deixe a mensagem clara. Lembre-se de que não há regras."

"Ótimo.”, diz ela. "Então. Meu poema se chama 'Malvado'."

O sangue corre da minha cabeça e inunda no meu coração, assim que o título flui de sua boca. Ela se volta para a sala e começa.

De acordo com o dicionário...

e de acordo comigo...

existem mais de trinta significados diferentes e de sinônimos para a palavra

malvado.

(Ela levanta a voz e grita o resto do poema, fazendo-me estremecer.)

Mau, idiota, cruel, imbecil, indelicado, grosso, perverso, detestável, odioso, desalmado,

virulento, implacável, tirânico, malevolente, atroz, desgraçado, bárbaro, amargo, brutal,

insensível, maligno, estúpido, imoral, ruim, feroz, difícil, implacável, rancoroso, pernicioso,

desumano, monstruoso, impiedoso, inexorável.

E meu preferido — babaca.

Meu pulso dispara quase tão rápido quanto os insultos estão voando para fora de sua boca. Quando o sinal toca, me sento atordoado enquanto a maioria dos alunos fazem o seu caminho passando pela minha mesa. Não posso acreditar que ela fez isso!

"Sobre o encontro", ouço Eddie falando com ela. A palavra "encontro" me traz de volta para o momento. "E você não disse que precisava perguntar para sua mãe?", diz Eddie. Elas estão de pé ao lado da mesa de Lake e Eddie tem as costas voltadas para mim.

"Ah, isso", diz Lake. Ela olha por cima do ombro de Eddie diretamente para mim. "Sim, claro", diz ela. "Diga a Nick que eu adoraria."

Nunca tive um problema com meu temperamento antes, mas é quase como se o dia em que conheci Lake, cada emoção que tive, foi multiplicada por mil. Felicidade, mágoa, raiva, amargura, amor, ciúme. Sou incapaz de me controlar quando estou perto dela. O fato de que ela aparentemente tinha sido convidada por Nick antes do nosso pequeno incidente na noite passada de alguma forma me irrita ainda mais. Fito o seu olhar, abro a minha gaveta e enfio meu livro de notas dentro dela, então bato bem forte fechando. Quando Eddie gira assustada com o barulho, rapidamente me levanto e começo a limpar o quadro.

"Ótimo", diz Eddie, sua atenção de volta para Lake agora. "Ah, e decidimos que vai ser na quinta, assim depois do Getty ’s podemos ver a competição de slam. Só faltam algumas semanas; é melhor nos livrarmos logo disso. Quer que a gente busque você?"

"Hum, claro.", diz Lake.

Lake poderia ter pelo menos a decência de concordar com um encontro quando ela não estivesse de pé a cinco metros de mim.

Tanto quanto quero que ela fique com raiva de mim, nunca pensei que estaria chateado com ela. Mas ela parece com a intenção de garantir que isso aconteça. Uma vez que Eddie deixa a sala de aula, deixo cair o apagador e viro em direção a Lake.

Cruzo os braços sobre o peito e vejo enquanto ela junta suas coisas e dirige-se para a porta, não olhando uma vez sequer na minha direção. Antes que ela saia, digo algo que me arrependo antes mesmo de falar.

"Layken." Ela faz uma pausa quando chega até a porta, mas não se vira para me encarar. "Sua mãe trabalha na quinta à noite. Eu sempre chamo uma babá nas quintas para poder ir à competição. É só mandar Kel ir lá pra casa antes de sair. Você sabe, antes do seu encontro."

Ela não se virou. Não gritou. Não jogou nada em mim. Simplesmente saiu pela porta, fazendo-me sentir como se tivesse merecido cada um desses nomes, que ela apenas gritou na minha sala de aula.

Após o quarto período, sento na minha mesa e olho para o nada, perguntando o que diabos deu em mim. Costumo ir à sala dos professores para o almoço, mas sei que não posso comer agora. Meu estômago está em nó pensando nas últimas duas horas. Na verdade, nas últimas vinte e quatro horas.

Por que falei isso para ela? Sei que seu poema despertou algo em mim diferente de tudo que já senti. Ele era uma mistura de constrangimento, raiva, mágoa e dor de cabeça. Mas isso não foi o suficiente para ela, ela tinha que ir e adicionar o ciúme em cima de tudo isso. Se há uma coisa que aprendi no dia de hoje, é que não sei lidar com ciúme também.

Sei que pensei que a melhor maneira de ajudá-la a me esquecer era ter certeza que ela me odiasse, mas simplesmente não posso fazer isso. Se quero manter a minha própria sanidade, não posso deixar que ela me odeie. Não posso deixar que ela me ame também. Merda! Estou tão ferrado. Como diabos vou fazer isso?

Quando chego à mesa no refeitório, ela nem sequer prestava atenção na conversa ocorrendo ao seu redor. Ela está olhando para a bandeja, alheia ao mundo. Alheia a mim. Eddie e eu tentamos chamar sua atenção. Quando ela finalmente estala fora de seu transe e olha para mim, a cor desaparece do seu rosto. Ela lentamente se levanta da mesa e me segue para a sala de aula. Quando estamos em segurança, fecho a porta e passo por ela para a minha mesa.

"Precisamos conversar", digo. Minha cabeça está girando e não tenho ideia do que mesmo quero dizer a ela. Sei que quero pedir desculpas pela maneira como reagi mais cedo na sala de aula, mas as palavras não estão vindo. Sou um homem adulto agindo como um menino de quatorze anos de idade, chorando.

"Então converse", ela retruca. Ela está do outro lado da sala olhando para mim. Sua atitude atual juntamente com o fato de que ela só concordou em ir para um encontro com outro cara bem na minha frente, me enfurece. Sei que tudo sobre a nossa situação é culpa minha, mas ela não está fazendo nada para ajudar.

"Que droga, Lake!" giro frustrado. Corro minhas mãos pelo meu cabelo e dou uma profunda respiração, em seguida, volto a encará-la. "Não sou seu inimigo. Pare de me odiar."

Juro que ela ri baixinho e seus olhos se enchem de fúria. "Parar de odiar você?", Diz ela, correndo em minha direção. "Tome uma maldita decisão, Will! Ontem à noite você disse para eu parar de amar você, e agora está dizendo para eu parar de odiar você? Você diz que não quer que eu espere por você e, mesmo assim, age como um garotinho imaturo quando concordo em sair com Nick! Quer que eu aja como se não o conhecesse, mas daí me tira do refeitório na frente de todo mundo! Temos todo esse joguinho entre a gente, como se fôssemos pessoas diferentes o tempo inteiro, e isso é exaustivo! Nunca sei se você está sendo Will ou o Sr. Cooper e não sei mesmo quando é para eu ser Layken ou Lake."

Ela se joga em uma cadeira e cruza os braços sobre o peito, deixando escapar uma onda de frustração. Ela está me encarando, esperando eu falar ou fazer alguma coisa. Não há nada a falar. Não posso refutar uma única palavra do que ela disse, porque é a verdade. O fato de não ter sido capaz de manter meus próprios sentimentos em cheque deve ter feito mais danos a ela do que imaginava.

Lentamente caminho em torno de sua mesa e sento na carteira de trás. Estou exausto. Emocionalmente, fisicamente e mentalmente. Nunca imaginei que iria tomar essa dimensão. Se tivesse a menor ideia de que a decisão de manter meu trabalho ao invés dela teria esse tipo de efeito em mim, teria escolhido ela, apesar de tudo o que está acontecendo com Julia. Deveria ter escolhido ela.

Inclino para frente até que estou perto de seu ouvido. "Não achei que seria tão difícil", sussurro. E essa é a verdade. Nunca em um milhão de anos acharia que algo tão trivial como um primeiro encontro poderia se transformar em algo tão incrivelmente complicado. "Me desculpe pelo que falei mais cedo sobre a quinta-feira" digo. "Em grande parte, estava sendo sincero. Sei que precisa de alguém para cuidar de Kel e sei que fiz da competição uma tarefa obrigatória. Mas não era para eu ter reagido daquela maneira. Foi por isso que pedi para você vir aqui: só queria pedir desculpas. Não vai acontecer de novo, prometo."

Ouço-a fungar, isso significa que ela está chorando. Jesus. Continuo fazendo isso pior para ela quando tudo que quero fazer é melhorar. Levanto minha mão para acariciar a parte de trás de seu cabelo, quando a porta da minha sala de aula abre. Imediatamente puxo minha mão para trás e levanto em um movimento rápido que cheira a culpa. Eddie está de pé na porta de entrada para a sala de aula segurando a mochila de Lake. Ela olha para mim, então nós dois ao mesmo tempo olhamos para Lake. Virando a cabeça longe de Eddie e para mim, finalmente vejo as lágrimas escorrendo nas bochechas de Lake. As lágrimas que coloquei lá.

Eddie coloca a mochila em uma mesa e mantém as palmas das mãos para cima e se dirige para fora da porta. "Foi mal... continuem”, diz ela.

Assim que a porta se fecha atrás dela, começo a entrar em pânico. Seja o que for que Eddie acabara de testemunhar, obviamente não foi uma conversa entre um professor e sua aluna. Acabei de acrescentar ainda outra coisa para minha lista de besteiras.

"Que maravilha", murmuro. Como diabos começo a consertar tudo isso?

Lake se levanta de sua cadeira e começa a caminhar em direção à porta. "Deixa pra lá, Will. Se ela me perguntar, digo que você estava chateado porque falei babaca. E imbecil. E idiota. E desgra..."

"Já entendi!", digo, interrompendo-a antes que ela possa terminar seu fluxo de insultos. Ela pega sua mochila e chega à porta. "Também queria pedir desculpas... por ontem à noite."

Ela lentamente se vira para mim. As lágrimas pararam, mas os efeitos residuais do seu humor ainda estão escritos em seu rosto. "Está arrependido porque aconteceu? Ou porque você parou?"

Realmente não entendo qual é a diferença. Encolho os ombros. "Tudo. Aquilo nunca devia ter acontecido."

Ela se vira de costas para mim e abre a porta. "Desgraçado."

O insulto vai direto em meu coração, exatamente onde ela mirou.

Assim que a porta se fecha atrás dela, chuto a mesa de novo. "Merda!" grito, apertando a tensão de meu pescoço com as mãos. Deixo escapar milhares de palavrões enquanto ando pela sala de aula. Não só piorei as coisas com Lake, também estraguei tudo, fazendo Eddie suspeitar. Sinto que toda essa situação está dez vezes pior. Deus, o que não daria para meu pai me dar um conselho agora.

Sra. Alex e suas perguntas sem sentido, mais uma vez me atrasaram para a terceira aula. Mas realmente não me importo de chegar tarde hoje. Após a interação na sala de aula ontem com Lake, ainda não estou pronto para enfrentá-la. Os corredores estão vazios e estou a caminho de minha sala de aula, quando passo pelas janelas que dão para o pátio. Paro e me aproximo mais da janela e vejo Lake. Ela está sentada em um dos bancos, olhando para as mãos. Fico um pouco confuso, já que ela deveria estar sentada na minha sala de aula no momento. Ela olha para o céu e solta um suspiro profundo, como se ela estivesse tentando não chorar. É evidente que o último lugar que ela precisa estar agora é a dois metros de mim em uma sala de aula. Ao vê-la lá fora, escolher o ar gelado de Michigan ao invés da minha aula, me faz doer por ela.

"Ela é maravilhosa, né?"

Viro e Eddie está de pé atrás de mim com os braços cruzados, sorrindo.

"O quê?" digo, tentando me recuperar do fato de que ela apenas me pegou olhando para Lake.

"Você me ouviu", diz ela, passando por mim em direção à entrada do pátio. "E você concorda comigo, também."

Ela sai para o pátio sem olhar para trás. Quando Lake olha para ela e sorri, fujo dali.

Tudo bem, vamos pensar, não foi tão ruim. Lake é uma estudante ignorando a minha turma e eu estava olhando para ela. Isto é tudo. Não havia nada acontecendo ali que Eddie poderia relatar. Apesar de minhas tentativas falhas de me tranquilizar, passei o resto do dia uma pilha de nervos.