Essa Garota

Colleen Hoover · Capítulo 5 de 30

Páginas do PDF

Essa Garota

Capítulo 4

 

A lua de mel

LAKE apoia os cotovelos e repousa o queixo nas mãos.

"Você está realmente gostando disso," digo.

Ela está sorrindo. "Acho que eu nunca te disse, mas quando você me beijou na testa naquele dia foi o melhor beijo que já tive. Até aquele momento, de qualquer maneira”, diz ela, caindo de volta sobre o travesseiro.

Inclino-me dando-lhe um beijo na testa, só que desta vez não paro por aí. Planto pequenos beijos por todo o caminho até a ponta do seu nariz, então a abraço. "O meu também", digo, olhando nos olhos que verei ao acordar todas as manhãs para o resto da minha vida. Correndo o risco de soar brega, devo ser o homem mais sortudo do mundo.

"Agora quero saber tudo sobre o nosso encontro." Ela coloca as mãos atrás da cabeça e relaxa, esperando eu contar.

Deito no meu travesseiro e penso novamente neste dia. O dia em que me apaixonei pela minha esposa.

O PRIMEIRO ENCONTRO

Não estive de bom humor nos últimos dois anos. Também não tenho estado tão nervoso sobre uma garota em mais de dois anos. Na verdade, nem sequer estive em um encontro em dois anos. A carga dupla, um trabalho o tempo inteiro e uma criança realmente interferem na cena de um namoro.

Tem meia hora que Caulder saiu e tenho que ir para a escola, então decido fazer uma limpeza rápida já que estarei com Lake nesta noite. Estou hesitante em levá-la ao clube N9NE em nosso primeiro encontro. Apresentação de poesias é uma parte de mim, não sei como levar isso se ela não se identificar com aquilo. Ou pior, se odiar.

Vaughn nunca se identificou. Adorava o Clube N9NE em qualquer outra noite, simplesmente não nas noites de Slam. Quinta-feira era geralmente a única noite da semana que não passávamos juntos. Sei que este momento é a primeira vez que penso em Vaughn desde que conheci Lake.

"Caulder, certifique-se de limpar o seu quarto. Maya ficará com você esta noite", digo quando ele aparece no corredor.

Revirando os olhos ele recua para o quarto. "Limpar é isso", ele resmunga.

Ele está falando de trás para frente desde que conheceu Kel há poucos dias. Simplesmente o ignoro na metade do tempo. É muito para acompanhar.

Levo o saco cheio de lixo da cozinha e começo a me dirigir para a rua, mas faço uma pausa no corredor. Algo sobre a foto de Caulder e eu com nosso pai no jardim da frente me chama a atenção. Dou um passo à frente e olho mais atentamente. Nunca tinha notado antes desse momento, provavelmente porque realmente tem sentido agora... mas no fundo a direita sobre o ombro do meu pai, você pode ver o gnomo com o chapéu vermelho do outro lado da rua. O mesmo gnomo que Lake caiu sobre ele quebrando-o. O gnomo está olhando diretamente para a câmera com um sorriso no rosto, quase como se ele estivesse posando.

Observo o resto das fotos na parede, relembrando dos momentos em que elas foram tiradas. Costumava odiar olhar para estas imagens. Odiava o jeito que me sentia me lembrando do quanto sinto a falta deles quando olho em seus olhos. Não dói mais tanto. Agora, quando olho para eles, recordo principalmente das boas lembranças.

Vendo suas fotos me traz a percepção a minha mente de que Lake não tem nenhuma ideia das responsabilidades que tenho em minha vida. Preciso contar isso nesta noite. É melhor contar agora, de maneira que se não puder lidar com isso, não iremos mais longe. Será muito mais fácil ser rejeitado por ela hoje à noite, antes de qualquer de meus sentimentos se tornarem mais intensos em relação a ela.

Fecho a tampa da lata de lixo e a levo para a calçada. Quando me aproximo do fim da calçada, vejo que a porta de trás de Jeep de Lake está aberta. Ela está inclinando-se toda, em busca de algo. Quando ela encontra o que está procurando, sai do banco de trás com um bule de café nas mãos. Está ainda de pijama e seu cabelo está empilhado em cima de sua cabeça em um nó.

"Não é uma boa ideia", digo, atravessando a rua em direção a ela.

Ela pula quando ouve a minha voz, então, se vira para mim e sorri enfrentando-me. "O que estou fazendo de errado desta vez?" Fecha a porta para o jipe e caminha na minha direção.

Aponto para a cafeteira. "Se você beber muito café logo no início da manhã, você estará cansada depois do almoço. Então você estará exausta demais para sair em seu primeiro encontro quente hoje à noite.”

Ela ri. Seu sorriso é rápido, apesar de tudo. Olha para o seu pijama, em seguida, passa as mãos sobre o cabelo com um leve olhar de pânico em seus olhos. Está pirando silenciosamente sobre sua aparência, assim preciso aliviá-la. "Você está linda", afirmo. "Mesmo seu cabelo amassado pela cama fica bem em você."

Ela sorri e se inclina contra o seu carro. "Sei", diz ela com confiança, olhando para seu pijama. "É o que irei usar no nosso encontro hoje à noite. Você gosta?”

Lentamente olho de cima a baixo, em seguida, levo a mão à minha cabeça. "Não é verdade", digo, olhando para suas botas. "Prefiro que você use as pantufas do Darth Vader."

Ela ri. "Vou usar, então. Sete e meia, certo?”

Concordo com a cabeça e sorrio de volta para ela. Nós estamos a cerca de quatro metros de distância, mas de alguma forma seus olhos fixos nos meus e faz sentir-me como se ela estivesse a centímetros de distância. Ela sorri para mim com um brilho estranho nos olhos. Ao contrário dos últimos dois dias, ela parece realmente feliz agora.

Continuamos a olhar um para o outro, nenhum de nós fala... ou vai embora. Há um longo silêncio, mas não é estranho. O jeito que ela está me observando desta vez parece mais confiante. Mais à vontade.

Mais esperançosa.

Decido ceder antes de embaraçar tudo, então dou alguns passos em direção à minha casa. "Tenho que voltar ao trabalho", digo. "Te vejo hoje à noite."

Ela levanta a mão e acena me dando adeus antes de virar em direção a sua casa. Mais do que normal, mas também de trás pra frente. Acena sedutoramente.

Uau. Quem diria que um simples aceno poderia ser tão quente?

"Lake?"

Ela olha para mim, os cantos de sua boca, insinuando um sorriso. "Sim?"

Aponto para o seu pijama. "Realmente estou pensando sobre suas roupas. Apenas certifique-se escovar os dentes antes de eu buscá-la hoje à noite, porque eu vou te beijar." Pisco para ela e volto em direção a minha casa antes que ela possa responder.

"Bom dia, Sra. Alex," digo com cuidado para não parecer muito amigável. Tenho que prestar atenção a cada palavra que sai da minha boca quando estou próximo desta mulher, ela encara tudo da maneira errada. A maneira inadequada. Ando pela sua mesa através da sala de correspondência, em seguida, pego o conteúdo de dentro de minha caixa. Quando saio da sala de correspondência, ela já está correndo em minha direção.

"Você recebeu o meu recado? Deixei um bilhete para você." Ela olha para baixo na pilha de papéis que estou segurando.

Olho para os papéis nas mãos e dou de ombros. "Não vi ainda. Acabei de verificar minha caixa há cinco segundos.”

Sra. Alex não é conhecida por seu tipo de comportamento, exceto para mim. Seu favoritismo óbvio tornou-se uma piada trabalhosa entre os funcionários. Uma piada da qual sou o alvo. Ela é, no mínimo, vinte anos mais velha do que eu, sem mencionar que é casada. No entanto, isso não a impediu de demonstrar abertamente seu afeto, por este motivo que somente venho à sala de correspondência, uma vez por semana.

"Bem, escrevi uma mensagem. Seu orientador acadêmico ligou e precisa marcar uma reunião com você.”

Ela pega a pilha de papéis das minhas mãos e os espalha sobre a mesa, olhando para o bilhete que ela escreveu. "Ele disse que precisa fazer a sua observação trimestral. Juro que o coloquei em cima.”

Chego para frente passando o conteúdo da minha caixa de correio de volta para a pilha. "Obrigado. Estou atrasado, então darei uma olhada nisso mais tarde. Avisarei se não encontrá-lo.”

Ela sorri e acena um adeus, enquanto me afasto dela.

Oh, merda. Ela esta se insinuando. Terei que parar de vir aqui.

"Tenha um ótimo dia", digo, virando-me para sair o mais rápido que puder. Estou aliviado quando a porta do escritório da administração fecha atrás de mim. Realmente terei que arranjar outra pessoa para verificar meu escaninho a partir de agora.

"Você realmente precisa parar de tratá-la desse jeito", diz Gavin. Olho para cima e ele está olhando pela janela para a Sra. Alex.

Reviro os olhos. "Nada mudou desde o colegial, Gavin. Está ainda pior agora que sou professor.”

Gavin me olha e disfarçadamente olha para a Sra. Alex através da janela sorrindo para ela. "Ela ainda esta observando você. Talvez você devesse flexionar seus músculos, dar-lhe um pequeno show com seus braços. Ou pelo menos sinalizar que você está indo embora.”

Pensar que a Sra. Alex está me admirando através da janela me deixa levemente desconfortável, então mudo de assunto e caminho em direção à minha primeira aula. "Você e Eddie irão ao Clube N9NE hoje à noite? Não tenho visto vocês lá ultimamente.”

"Talvez. Por quê? Você vai se apresentar?”

Nego com a cabeça. "Não, não esta noite", digo. "Chegaremos lá depois das oito. Minha babá não estará disponível até às sete e meia, então provavelmente iremos perder o Slam."

Ele para no corredor, logo que chegamos à minha porta da sala de aula. "Nós? Quem somos nós? Você terá um encontro Cooper?", ele ergue uma sobrancelha e espera pela minha resposta.

Não costumo sair com os alunos fora do trabalho, mas Gavin e Eddie têm aparecido no Clube N9NE de vez em quando nos últimos meses.

Às vezes sentamos todos juntos, então comecei a conhecê-los melhor. Quando você está lecionando aos vinte e um anos de idade, é complicado interromper completamente os laços sociais com as pessoas que tem praticamente a sua idade.

"Então? Quem é ela?”, Diz ele. "Quem é a garota indescritível que pode ser apenas o fim da seca de Will Cooper? Conte!”

Abro a porta para a sala de aula e suprimo o sorriso, enquanto ligo o modo professor. "Vá para aula, Gavin."

Rindo ele se despede caminhando pelo corredor.

"Obrigado novamente, Maya," digo, enquanto saio caminhando atravessando a sala de estar. "Tem dinheiro sobre a mesa. Pedi uma pizza há cerca de quinze minutos atrás." Pego minhas chaves e enfio a carteira no bolso da calça. "Ele está falando de trás para frente, simplesmente ignore-o. Ele falará corretamente, se tiver algo importante a dizer.”

"Você me pagará o dobro?", Diz ela, caindo no sofá com o controle remoto na mão. "Não concordei em cuidar deste outro garoto.”

"Ele mora perto", digo. "Vai voltar para casa em breve. Se não voltar, então sim... Acho que vou pagar um extra." Me viro em direção à rua enquanto os meninos estão entrando em casa. Kel para na porta e coloca as mãos nos quadris, olhando para mim.

"Você tá namorado a minha irmã?"

Respondo a sua pergunta tentando não chamar atenção. "Hum, não.

Somos apenas amigos.”

"Ela disse à minha mãe que você a levaria em um encontro. Pensei que só namorados tivessem encontros.”

"Bem", paro. "Às vezes os meninos levam as meninas em encontros para ver se eles querem que elas sejam suas namoradas."

Percebo que Caulder está de pé ao meu lado, prestando atenção na conversa como se não fosse curioso. Não estava preparado para explicar as regras do namoro agora.

"Então, é como um teste?" Pergunta Caulder. "Para ver se você quer que Layken seja a sua namorada?"

Dou de ombros e mexo a cabeça. "Sim, acho que você pode dizer desta forma."

Kel ri. "Você não vai gostar dela. Ela arrota muito. E é mandona. Nunca me deixa beber café, então ela provavelmente não vai deixar você beber também. Tem muito mau gosto musical, canta muito alto e deixa seus sutiãs espalhados por toda a casa. É sinistro."

Rio. "Obrigado pelo aviso. Você acha que é tarde demais para voltar atrás agora?”

Kel balança a cabeça, não percebendo meu sarcasmo completamente.

"Não, ela já está vestida de modo que você terá que sair com ela agora.”

Suspiro, fingindo estar irritado. "Bem, serão apenas algumas horas. Espero que ela não arrote muito, seja muito mandona, roube meu café, cante uma música realmente ruim e deixe seu sutiã no meu carro.”

Na verdade espero que ela deixe.

Kel passa por mim entrando na casa. "Boa sorte", diz, com a voz cheia de compaixão. Ainda rindo fecha a porta atrás de mim. Estou quase chegando ao meu carro quando Lake abre a porta da frente e sai pela entrada de automóveis.

"Está pronta?" grito.

"Sim", ela grita de volta.

Espero que ela ande até o meu carro, mas ela não o faz. Ela está pronta. Por que está ali de pé?

"Então, venha!" grito.

Ainda não se move. Cruza os braços sobre o peito e fica parada. Ergo as mãos no ar rindo. "O que você está fazendo?"

"Você disse que me buscaria às sete e meia!", ela grita. "Estou esperando que venha me buscar."

Sorrio e entro no carro, em seguida, dou uma ré até a sua garagem. Quando saio e abro a porta, observo que ela não está usando as pantufas. Estava esperançoso que ela estivesse falando sério nesta manhã. Ainda não escureceu completamente, o que é uma lástima, pois não consigo parar de olhar para ela. Está com o cabelo em cachos e com uma maquiagem leve. Está usando jeans e uma camisa roxa que realça o tom dos seus olhos, tornando ainda mais difícil desviar do seu olhar. Parece... perfeita.

Uma vez que nós dois estamos no carro, me viro para o banco de trás e pego um saco. "Não temos tempo para comer, por isso, fiz sanduíches de queijo pra gente." Entrego-lhe um sanduíche e uma garrafa de refrigerante. Espero que ela não fique muito chateada que nós não sairemos para jantar. Simplesmente não temos tempo. Quase fui mais cedo a casa dela para avisar que não sairíamos para jantar, no caso de ela não ter comido, mas decidi arriscar no último minuto em vez disso. Desejava ver como ela reagiria a não ser levada a um típico encontro. Talvez não se chateie, quer dizer, está sorrindo, então não parece se importar.

"Uau. Isso é novidade pra mim." Coloca seu sanduíche sobre os joelhos e abre o seu refrigerante. "E pra onde é que a gente vai com tanta pressa? Está na cara que não é um restaurante."

Mordo meu sanduíche e saio da sua garagem. "É surpresa. Sei muito mais sobre você do que você sabe sobre mim, então esta noite quero mostrar a você quem eu sou."

Ela sorri para mim. "Bem, estou intrigada", diz antes de dar uma mordida em seu sanduíche.

Estou aliviado por ela não ter me pressionado sobre para aonde estamos indo. Seria meio difícil explicar que vou levá-la a um clube numa quinta-feira a noite para assistir a um monte de gente recitando poesia. Não parece tão atraente quanto realmente é. Prefiro deixá-la experimentar, pela primeira vez, em pessoa, sem ter noções preconcebidas.

Quando terminarmos nossos sanduíches, ela coloca o lixo no banco traseiro virando-se em seu banco ficando de frente para mim. Casualmente repousando a cabeça contra o encosto de cabeça. "Como são seus pais?"

Olho pela minha janela, não querendo que perceba a relutância em minha expressão. Era exatamente isso que não esperava que ela me perguntasse até estarmos voltando para casa. Odiaria que este fosse o primeiro assunto a conversarmos. Deixaria o clima sombrio a noite inteira. Respiro fundo e expiro, esperando que não esteja transparecendo o meu desconforto.

Como diabos posso redirecionar essa conversa?

Decido brincar como Caulder joga às vezes na casa dos nossos avôs. Espero que ela não ache que seja muito brega, mas fará o tempo passar e pode até mesmo ajudar-me a conhecê-la melhor.

"Não gosto de papo forçado, Lake. Depois a gente conversa sobre isso. Vamos fazer esse passeio ficar mais interessante." Ajusto-me no banco e preparo-me para explicar as regras para ela. Quando me viro para olhar para ela, ela está olhando para mim com um olhar hesitante em seu no rosto.

O que diabos eu disse? Repito minha última frase na minha cabeça e percebo como parece. Rio quando percebo que ela está interpretando mal o que eu disse. "Não ,Lake! Eu só quis pra gente conversar sobre outra coisa, não sobre os assuntos mais previsíveis."

Ela suspira e ri. "Ótimo", diz ela.

"Sei de uma brincadeira que podemos fazer. Chama-se...,’você prefere’. Já brincou disso antes?"

Ela balança a cabeça. "Não, mas sei que prefiro que você comece."

Sinto que se eu for falar como Caulder falaria ela perceberia que pareço uma fraude, então uso alguns segundos pensando em algo diferente. "Certo", digo quando me lembro de algo. Limpo minha garganta. "Você prefere passar o resto de sua vida sem braços, ou você prefere passar o resto de sua vida com braços que você não consegue controlar?”

Lembro-me quando Caulder tentou jogar com Vaughn este jogo quando fomos a Detroit certa vez e ela revirou os olhos e disse-nos para crescermos. Aguardo Lake, esperando uma reação diferente e ela fica me olhando nos olhos enquanto está realmente pensando em uma resposta.

"Bom", ela diz. "Acho que prefiro passar o resto da minha vida com braços eu não posso controlar?!"

"O quê? Sério?” Rio, olhando para ela. "Mas você não os controlaria! Eles ficariam balançando e você daria murros no próprio rosto sem parar! Ou, pior ainda, você poderia pegar uma faca e esfaquear a si mesma!"

Ela ri. Caramba, amo aquela risada.

"Não sabia que tinha uma resposta certa e outra errada", diz ela.

"Você é muito ruim nisso. É sua vez.”

Ela sorri, então ergue as sobrancelhas, muda de posição no banco. "Tá, me deixe pensar."

"Era para você já ter uma pronta!"

"Caramba, Will! Não faz nem trinta segundos que descobri essa brincadeira! Me dê um instante para eu bolar uma resposta."

Estico o braço e aperto a sua mão. "Estou brincando."

Não era minha intenção manter segurando a mão dela, mas por algum motivo me sinto bem, então não a largo.

É tão natural, como se nem sequer planejássemos o movimento. Ainda estou olhando para os nossos dedos entrelaçados, enquanto ela continua por sua vez, imperturbável. Gosto do quanto ela parece estar gostando do jogo. Gosto de como ela parece preferir os sanduíches de queijo grelhado ao restaurante. Gosto de garotas que não se importam com coisas simples de vez em quando. Gosto que estamos de mãos dadas.

Jogamos mais algumas rodadas e ela compete com Caulder nas coisas mais bizarras. Em meia hora chegamos ao clube parece que foram só cinco minutos. Decido fazer uma última pergunta enquanto estamos entrando no estacionamento. Estaciono na vaga e com a mão esquerda desligo o carro de maneira que não tenha que soltar a mão direita da dela. Olho para ela. "Só mais uma", digo. "Você preferia voltar para Texas agora? Ou permanecer aqui?”

Ela olha para os nossos dedos que estão entrelaçados e desliza o polegar na minha mão. Sua reação a minha pergunta não é uma negativa. Na verdade, parece quase exatamente o oposto quando seus lábios se abrem em um sorriso e ela me olha novamente. Somente quando ela abre a boca para responder, sua atenção é atraída para a placa no edifício atrás de mim e seu sorriso desaparece.

"Hum, Will?", Diz ela, hesitante. "Eu não gosto de dançar." Puxando sua mão da minha e começa a abrir sua porta, então faço o mesmo.

"Hum, nem eu"

Nós dois saímos do veículo, mas o fato dela não ter respondido a essa última pergunta não passou despercebido por mim. Agarro a mão dela quando chegamos à frente do carro levando-a para dentro. Quando atravessamos pelas portas faço uma verificação rápida no ambiente. Conheço vários dos frequentadores aqui, espero que eu possa, pelo menos, encontrar uma área isolada para que possamos ter um pouco de privacidade. Dirigimo-nos a uma mesa vazia no fundo da sala. Espero que ela seja capaz de aproveitar ao máximo a experiência, sem a constante interrupção da conversa alheia.

"Aqui é mais silencioso", digo. Ela está olhando ao redor com curiosidade nos olhos. Pergunta sobre o público mais jovem, quando rapidamente percebe que hoje não há musica típica para uma boate. É observadora.

"Bem, esta noite, isto aqui não está funcionando como uma boate", digo. Ela acomoda-se em uma cadeira junto à mesa. "É noite de competição de slam. Toda quinta-feira eles fecham a boate, e as pessoas vêm para competir no slam."

Ela olha para a mesa com crianças e depois olha para mim, a curiosidade ainda aparente em seus olhos. "E o que é um slam?”

Faço uma pausa por um segundo e sorrio para ela. "É poesia", digo. "É disso que eu gosto." Espero pelo riso, mas ele não vem. Ela olha diretamente para mim, quase como se não entendesse o que eu disse.

Começo a me repetir quando ela me interrompe. "Poesia, é?" Continua sorrindo para mim, mas de uma forma muito doce. Quase como se estivesse impressionada. "As pessoas leem algo de autoria ou recitam outros autores?”

Recosto-me na cadeira e olho para o palco. "As pessoas sobem lá e colocam o coração pra fora usando apenas as próprias palavras e os movimentos do corpo. É incrível. Você não vai escutar nada de Dickinson nem de Frost aqui.”

Quando a olho novamente, ela realmente parece intrigada. A poesia sempre fez parte da minha vida, estava preocupado que ela não fosse entender. Ela não apenas entendeu como parece animada com isso.

Explico as regras sobre a competição. Me faz um monte de perguntas, o que me deixa ainda mais à vontade. Quando explico tudo para ela, decido pedir as bebidas antes que o Slam comece.

"Quer tomar alguma coisa?"

"Claro", ela diz. "Quero um achocolatado."

Esperava que ela fosse rir da piada, mas não o faz.

"Achocolatado? Sério?”

"Com gelo", ela diz, complementando.

"Tudo bem. Um achocolatado com gelo saindo.”

Levanto-me e vou até o bar para pedir nossas bebidas, em seguida, me viro encostando-me no balcão observando-a. Isto que sinto quando estou com ela... Havia perdido isso. Tinha perdido a capacidade de sentir.

De alguma forma, ela é a primeira pessoa nos últimos dois anos que surgiu na minha vida, que me faz ter esperança no futuro.

Percebo enquanto a estou olhando que cometi um erro enorme. Estava comparando a sua reação baseado nas reações que Vaughn teve no passado. Não fui justo com Lake assumindo que ela desistiria do encontro pela simplicidade do jantar ou pela brincadeira que jogamos enquanto vínhamos para cá. Não fui justo com Lake supondo que ela não gostasse de poesias, simplesmente porque Vaughn não gostava. Também é injusto da minha parte supor que ela irá se afastar, se descobrir que sou o tutor de Caulder.

Essa menina não é nada parecida com Vaughn.

Essa menina não é nada como qualquer outra menina que eu conheço. Esta menina é...

"Ela é uma gracinha." A voz de Gavin interrompe meus pensamentos. Olho para ele e ele está encostado no bar próximo a mim, vendo-me observar Lake. "Qual é o nome dela?" Ele se vira e pede duas bebidas à garçonete.

"Layken", digo. "E sim. Ela é bonita.”

"Há quanto tempo vocês estão namorando?", Pergunta, voltando-se para mim.

Olho para o meu relógio. "Aproximadamente há 45 minutos."

Ele ri. "Merda. Pelo jeito que você estava olhando para ela, teria imaginado que fosse há muito mais tempo. Onde você a conheceu?”

O barman entrega meu troco e o recibo, no bar já estão nossas bebidas. Olho para baixo, vejo o copo e dou uma risada. Realmente ela pediu ‘achocolatado com gelo’. Dobro o recibo e o coloco na minha carteira.

"Realmente," digo, enquanto me viro para Gavin, "ela é a minha nova vizinha. Mudou-se há três dias."

Ele balança a cabeça e olha em sua direção. "Espero que isto dê certo. Pode ficar muito estranho, você sabe.”

Concordo com a cabeça. "Sim, acho que sim. Mas tenho um bom pressentimento sobre ela.”

Antes que ele se afaste, aponta para frente da sala. "Eddie e eu estamos ali. Vou tentar mantê-la ocupada para que vocês possam ter privacidade. Se ela te ver aqui com uma garota, estará lá em um segundo tentando ser sua nova melhor amiga.”

Ri, porque ele está certo. "Obrigado." Pego nossas bebidas e volto para a mesa, aliviado por não ter precisar apresentá-la a ninguém hoje. Não sei se estou pronto para isso.