Essa Garota

Colleen Hoover · Capítulo 7 de 30

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Essa Garota

Capítulo 6

 

A lua de mel

Lake sorri, lembrando o quanto nós dois fomos muito felizes após esse dia. "Nunca tive uma noite como aquela na minha vida", diz ela. "Tudo foi perfeito, do começo ao fim. Mesmo o sanduiche de queijo quente."

"Tudo, exceto o fato de que eu não mencionei a minha profissão."

Ela franze a testa. "Bem, sim. Essa parte foi uma droga."

Eu sorrio. "Droga é um eufemismo para como me sentia naquela garagem", digo. "Mas, nós superamos. Mesmo que tenha sido difícil, olhe para nós agora."

"Espere", diz ela, apertando os dedos em meus lábios. "Não passe nada. Comece a partir de onde você parou. Quero saber o que você estava pensando quando me viu no corredor naquele dia. Meu Deus, você estava tão bravo comigo", diz ela.

"Bravo com você? Lake, você pensou que eu estava com raiva de você?"

Ela encolhe os ombros.

"Não, querida. Eu não estava nem um pouco bravo com você."

OH, MERDA

Meu fim de semana. O que posso dizer sobre o meu fim de semana, diferente de que foi o mais longo, os mais traiçoeiros três dias de toda a minha vida. Estava distraído o tempo todo, pensando nela. Poderia ter me chutado por não ter pedido seu número de telefone antes de sair, pelo menos poderia ter mandado uma mensagem. Meu avô aparentemente notou a diferença na minha atenção durante minha visita. Antes de sairmos de sua casa ontem à noite, ele me puxou de lado e disse: "Então? Quem é ela? "

É claro que me fiz de bobo e neguei ter encontrado alguém. O que ele pensaria se soubesse que fui a um encontro com uma garota e ela já tinha me deixado em um estado de estupor? Ele riu quando neguei e apertou meu ombro. "Mal posso esperar para conhecê-la", disse ele.

Costumava temer as manhãs de segunda, mas há um ar diferente hoje. Provavelmente porque sei que vou começar a vê-la depois do trabalho hoje. Prendo um bilhete sob o limpador do para-brisa de seu Jeep, em seguida, atravesso a rua, para o meu carro. Assim que coloco meus dedos na maçaneta da porta, reconsidero. Estou sendo muito atrevido. Quem diz: "Não posso esperar para vê-la" em um bilhete depois de um encontro? A última coisa que quero fazer é assustá-la. Ando de volta para seu Jeep e levanto a lâmina do limpador, para retirar o bilhete de seu para-brisa.

"Deixe-o."

Viro e Julia está de pé em sua porta, segurando uma xícara de café entre as mãos. Olho para baixo, para o bilhete, depois de volta para o jipe, então me viro para Julia, sem saber o que dizer.

"Você deveria deixá-lo", diz ela, apontando para o papel na minha mão. "Ela vai gostar." Ela sorri e volta para a casa, deixando-me em sua garagem completamente e totalmente embaraçado. Coloco o bilhete de volta sob o limpador e caminho para o outro lado da rua, esperando que Julia esteja certa.

"Eu te falei na semana passada que ele estava vindo" Sra. Alex diz em um tom de voz defensivo.

"Não, você falou que ligou sobre sua vinda. Você nunca me falou que era hoje."

Ela se vira para o seu computador e começa a digitar. "Bem, estou falando para você agora. Ele estará aqui às onze horas para observar a sua classe do quarto período." Ela vai até a impressora e pega um formulário recém-impresso. "E você terá uma aluna nova na sua próxima aula. Registrou-se esta manhã. Aqui estão suas informações." Ela me dá a folha e sorri. Reviro os olhos e enfio o papel na minha mochila, de repente temendo o resto do dia.

Ando com pressa para o terceiro período, considerando que já estou cinco minutos atrasado. Olho para o meu relógio e solto um gemido. Uma avaliação às onze horas? Isso é apenas daqui uma hora. Tudo o que programei para minhas aulas hoje, são testes de fim de capítulo. Não estava preparado para dar aula, de qualquer maneira, muito menos na frente do meu orientador. Vou ter que usar esse período para preparar algo de última hora.

Deus, este dia poderia ficar pior?

Quando viro o corredor para o Bloco D, o dia, de alguma forma, fica cem por cento melhor assim que coloco os olhos nela.

"Lake?"

Ela tem as mãos em seus cabelos, puxando-o em um nó novamente. Vira-se e seus olhos se arregalam quando me vê. Coloca uma folha de papel entre os lábios e sorri, logo em seguida envolve os braços ao redor do meu pescoço.

"Will! O que você está fazendo aqui?"

Devolvo seu abraço, mas a folha de papel que ficava passando na frente da minha cara deixou meu corpo todo parecendo um bloco sólido de concreto.

Ela está segurando um cronograma de aulas.

De repente não consigo respirar.

Ela está segurando um horário de aula.

Isso não pode ser bom.

Sra. Alex disse algo sobre a inscrição de uma nova aluna.

Oh, merda.

Puta merda.

Imediatamente começo a entrar em pânico internamente. Envolvo meus dedos em torno de seus punhos e puxo seus braços para longe do meu pescoço antes que alguém nos veja. Por favor, deixe-me estar errado. Por favor.

"Lake", digo, balançando a cabeça, tentando dar sentido a isso. "Onde... O que está fazendo aqui?"

Ela solta um suspiro de frustração e empurra a programação no meu peito. "Estou tentando achar essa aula idiota, mas me perdi", ela lamenta. "Me ajude!"

Oh, merda. O que diabos eu fiz?

Dou um passo para trás contra a parede, tentando me dar espaço para pensar. Espaço para respirar.

"Lake, não..." Digo. Entrego de volta sua programação sem sequer olhar para ela. Não há necessidade de olhar. Sei exatamente onde a "aula idiota" é. Não consigo processar um pensamento coerente ao olhar para ela, então viro e aperto as mãos na minha nuca.

Ela é uma aluna?

Eu sou seu professor?

Oh, merda.

Fecho meus olhos e penso na semana passada. O que foi que eu disse? Quem nos viu juntos? Gavin. Merda. Não tenho como dizer quem mais estava no Club N9NE. E Lake! Ela está prestes a descobrir isso a qualquer segundo. E se pensar que eu estava tentando

esconder isso dela? Ela poderia ir direto para a administração e acabar com a minha carreira.

Assim que o pensamento passa pela minha cabeça, ela pega sua mochila e começa se afastar. Estico-me e a paro. "Aonde está indo?" É óbvio que ela está chateada e espero que sua intenção não seja me denunciar.

Ela revira os olhos e suspira. "Já entendi, Will. Já entendi. Vou deixar você sozinho antes que sua namorada nos veja." Ela puxa o braço para fora do meu alcance e se afasta.

"Namora... não. Não, Lake. Acho que você não está entendendo..." Espero ela processar o que está acontecendo. Poderia apenas chegar e contar, mas não posso. Não acho que poderia falar isso em voz alta, nem que quisesse.

O som de passos se aproximando de nós, desvia sua atenção para longe de mim. Javier de repente vira o corredor e para rapidamente, quando me vê.

"Caramba, achei que estava atrasado", diz ele.

Se Lake não descobriu tudo até agora, está prestes a fazer.

"Você está atrasado, Javier", respondo. Abro a porta da minha sala de aula e aceno para dentro. "Javi, volto em alguns minutos. Avise a classe que eles têm alguns minutos para revisar antes da prova." Lentamente fecho a porta atrás de mim e olho para o chão. Não posso olhar para ela. Não acho que meu coração pode aguentar o que ela está prestes a sentir. Há um breve momento de silêncio antes dela calmamente suspirar. Levanto os meus olhos até os dela, e o desapontamento em seu rosto, parte meu coração em dois. Ela percebeu agora.

"Will", ela sussurra dolorosamente. "Não me diga que..."

Sua voz é fraca e ela inclina a cabeça ligeiramente para o lado, lentamente, balançando para trás e para frente. Não está com raiva. Está ferida. Eu quase preferia que ela ficasse puta agora a sentir o que está sentindo. Olho para o teto e esfrego minhas mãos sobre meu rosto em uma tentativa de não perfurar a parede toda. Como pude ser tão estúpido? Por que não foi a minha profissão, a primeira coisa que pensei em compartilhar com ela? Por que não pensei nessa possibilidade? Continuo andando, perdendo a esperança de que isso não esteja acontecendo. Quando chego aos armários a minha frente, bato minha cabeça contra eles, em silêncio, me xingando. Realmente estraguei tudo agora. Para nós dois. Deixo cair minhas mãos e relutantemente viro para enfrentá-la.

"Como não percebi isso? Você ainda está no colégio?"

Ela apoia na parede, se inclinando para obter suporte. "Eu?", Diz em tom defensivo. "Como é que o fato de que você ser um professor não foi mencionado? Como pode ser um professor? Você só tem vinte e um anos."

Percebo que vou ter que responder muitas de suas perguntas. Minha situação de professor não é particularmente normal, então entendo sua confusão. Mas não podemos fazer isso aqui. Não agora.

"Layken escute." Percebo quando seu nome sai da minha boca que não a chamei de "Lake." Acho que provavelmente é o melhor neste momento. "Aparentemente houve um grande mal-entendido entre nós." Desvio o olhar dela quando termino minha frase. Um enorme sentimento de culpa me consome quando encaro seus olhos, então simplesmente não encaro. "Precisamos conversar sobre isso, mas agora definitivamente não é a hora certa."

"Concordo", sussurra. Parece que ela está tentando não chorar. Não posso aguentar se ela chorar.

A porta da minha sala de aula se abre e Eddie vem para o corredor, olhando diretamente para Lake. "Layken, estava indo te procurar", diz ela. "Guardei um lugar para você." Ela olha para mim, depois para Lake, sem deixar nenhum indício de que juntou dois e dois. Bom. Isso só me deixa Gavin para lidar. "Ah, desculpa, Sr. Cooper. Não reparei que estava aqui."

Endireito-me e caminho em direção à porta da sala de aula. "Tudo bem, Eddie. Estava apenas repassando o horário de Layken com ela." Abro a porta mais e espero por Lake e Eddie caminharem para a sala. Sou grato por ser um dia de teste. De maneira nenhuma seria capaz de lecionar agora.

"Quem é a gatinha?" Javier pergunta quando Lake se senta.

"Cale-se, Javi!" Estouro. Não estou com disposição para seus comentários espertinhos agora. Alcanço e agarro a pilha de testes.

"Relaxe, Sr. Cooper. Era um elogio." Ele se recosta na cadeira e lança um olhar a todo corpo de Lake, o que faz meu sangue ferver. "Ela é gatinha. Olhe só para ela."

Eu aponto para a porta da sala de aula. "Javi, saia!"

Ele muda seu foco de volta para mim. "Sr. Cooper! Caramba! Que mau humor é esse? Como eu disse, estava apenas..."

"Como eu disse, saia! Não pode desrespeitar as mulheres nesta sala de aula!"

Ele agarra seus livros de sua mesa. "Tá bom. Vou desrespeitá-las no corredor!"

Depois que a porta se fecha atrás dele, me encolho no meu próprio mundo. Nunca perdi a calma em uma sala de aula antes. Olho para os alunos e todos estão observando Lake, esperando algum tipo de reação dela. Todos, exceto Gavin. Seus olhos estão cavando um buraco através de mim. Dou-lhe um leve aceno de cabeça, deixo-o saber que reconheço o fato de que, obviamente, temos muito o que discutir. Por agora, porém, ele volta para sua tarefa.

"Turma, temos uma nova aluna. Essa é Layken Cohen," digo, rapidamente querendo varrer o que acabou aconteceu para debaixo do tapete. "Acabou a hora da revisão. Guardem os cadernos."

"Não vai deixar que ela se apresente?" Pergunta Eddie.

"Depois fazemos isso", digo, levantando os papéis. "Hora das provas."

Começo a entregar os testes. Quando chego à mesa de Gavin, ele olha para mim curioso. "Almoço" sussurro, deixando-o saber que vou explicar tudo depois. Ele balança a cabeça e pega a sua prova, finalmente quebrando o contato.

Quando entrego a última prova, relutantemente chego mais perto de sua mesa. "Lake", digo. Rapidamente limpo minha garganta e me corrijo. "Layken, se tiver outra coisa para fazer, sinta-se à vontade. A turma está fazendo um teste de fim de capítulo. "

Ela endireita-se em sua mesa e olha para suas mãos. "Prefiro fazer o teste", diz em voz baixa. Coloco o papel sobre a mesa, em seguida, caminho de volta para o meu lugar.

Passo o resto da hora corrigindo trabalhos das duas primeiras aulas. Às vezes me pego espiando em sua direção, tentando não olhar. Ela só continua a apagar e reescrever respostas mais e mais. Não sei por

que escolheu fazer o teste, não esteve aqui em nenhuma das aulas. Desvio minha atenção de seu papel e olho para frente. Gavin está olhando para mim novamente, então lanço meu olhar para o meu relógio quando o sinal toca. Todos pegam suas folhas rapidamente e colocam em minha mesa.

"Ei, você trocou o horário de almoço?" Eddie pergunta a Lake.

Vejo como Eddie e Lake conversam sobre sua agenda e estou secretamente aliviado que ela já tenha encontrado uma amiga. Mas, não tenho tanta certeza se gosto que seja Eddie. Não tenho qualquer problema com Eddie. É apenas por Gavin saber demais e agora não tenho certeza se ele iria contar a Eddie ou não. Espero que não. Olho de volta para minha mesa assim que Eddie começa a se afastar de Lake. Em vez de sair da sala de aula, ela vem direto para minha mesa. Olho para ela que tira algo de sua bolsa. Balança algumas balas em sua mão e coloca na minha mesa.

"Altoids", diz. "É só uma suposição, mas ouvi falar que Altoids são uma maravilha para quem está de ressaca." Ela empurra as balas em minha direção e vai embora.

Fico olhando para as balas, nervoso por ela achar que estou de ressaca. Não devo ser tão bom em esconder minhas emoções como achava que era. Estou frustrado comigo mesmo. Frustrado por perder a calma, frustrado por não usar a cabeça em toda essa situação com Lake, frustrado por agora ter esse enorme dilema a minha frente. Ainda estou olhando para as balas quando Lake caminha até a mesa e coloca sua prova em cima da pilha.

"O meu humor está tão óbvio assim?" Digo retoricamente. Ela pega duas das balas e sai da sala, sem dizer uma palavra. Suspiro e me inclino para trás na cadeira, colocando meus pés em cima da mesa. Este é, de longe, o segundo pior dia da minha vida.

"Não posso esperar tanto tempo, cara." Gavin caminha de volta para a sala e fecha a porta atrás de si. Joga sua mochila em cima da mesa na minha frente, então se aproxima mais e sobe nela. "Caramba, Will? O que você estava pensando?"

Balanço minha cabeça e encolho os ombros. Não estou pronto para falar sobre isso agora, mas devo a ele uma explicação. Trago meus pés para baixo da mesa e descanso minha cabeça nas mãos, esfregando minhas têmporas com meus dedos. "Nós não sabíamos."

Gavin ri incrédulo. "Não sabiam? Como diabos vocês poderiam não saber?"

Fecho meus olhos e suspiro. Ele está certo. Como é que nós não sabíamos? "Não sei. Isso apenas... nunca veio à tona", digo. "Estive fora da cidade todo fim de semana. Nós não conversamos desde nosso encontro de quinta-feira. Isso apenas... de alguma forma o assunto não surgiu." Balanço minha cabeça, sem filtrar os pensamentos que estão saindo dos meus lábios.

Sou uma bagunça confusa.

"Então, você acabou de descobrir que ela é uma aluna? Tipo, agora?"

Concordo com a cabeça.

"Você não transou com ela, não é?"

Sua pergunta leva um tempo para ser assimilada por mim. Ele toma o meu silêncio como uma admissão de culpa e se inclina para frente e sussurra: "Fez sexo com ela, não é? Você vai ser demitido, cara."

"Não, eu não fiz sexo com ela!" Estouro.

Ele continua a olhar para mim, tentando analisar meu comportamento. "Então por que está tão chateado? Se você não transou com ela, não pode realmente ficar em apuros. Duvido que ela vá denunciá-lo, se tudo o que fez, foi beijá-la. É com isso que está preocupado? Que ela vá denunciá-lo?"

Nego com minha cabeça, porque isso não é todo o motivo de eu estar preocupado. Pude ver no comportamento de Lake, que o pensamento de me relatar nem passou pela sua cabeça. Ela estava chateada, mas não comigo.

"Não. Não, sei que ela não vai falar nada. É só..." Esfrego minha testa e suspiro. Não tenho ideia de como lidar com isso. Não tenho ideia. "Merda," digo, exasperado. "Só preciso pensar, Gavin."

Corro meus dedos pelo cabelo e aperto as mãos na nuca. Não acho que já estive tão confuso e sobrecarregado na minha vida. Tudo pelo que tenho trabalhado pode estar indo para o inferno hoje, simplesmente por causa da minha estupidez. Tenho três meses até a formatura e há uma boa chance de que se isto vazar, eu simplesmente arruíne toda a minha carreira.

O que me confunde, porém, é o fato de que não é a minha carreira que me deixa em uma bagunça agora. É ela. Estas emoções são um resultado direto dela. A principal razão pela qual estou tão chateado agora, é que sinto que de alguma forma, quebrei seu coração.

"Oh," Gavin diz calmamente. "Merda."

Olho para ele, confuso com sua reação. "O quê?"

Ele se levanta e aponta para mim. "Você gosta dela", diz. "É por isso que está tão chateado. Você está caidinho por ela, não é?" Ele pega sua mochila e começa a andar em direção à porta, sacudindo a cabeça. Nem me incomodo em negar. Ele viu o jeito que eu estava olhando para ela na outra noite.

Quando a porta se abre e vários alunos começam a entrar, ele caminha de volta para minha mesa e sussurra: "Eddie não sabe de nada. Não reconheci ninguém no slam, então não se preocupe com isso. Você só precisa descobrir o que vai fazer." Ele se vira em direção à porta da sala de aula e sai... assim que meu orientador entra.

Merda!

Se há uma coisa que aprendi a fazer bem em minha vida, é me adaptar.

De alguma forma passei pela avaliação, ileso e cheguei ao fim do último período sem socar uma parede. Querendo ou não vou ter que fazer isso pelo resto do dia, sabendo que estou apenas do outro lado.

Quando Caulder e eu estacionamos, ela está sentada em seu Jeep. Tem o braço sobre os olhos e parece que está chorando.

"Posso ir à casa de Kel?" Caulder pergunta quando sai do carro.

Concordo com a cabeça. Deixo minhas coisas no carro e fecho a porta, em seguida, lentamente caminho atravessando a rua. Quando chego à parte traseira de seu carro, faço uma pausa para reunir meus pensamentos. Sei o que precisa ser feito, mas saber algo e aceitá-lo são duas coisas completamente diferentes. Perguntei-me mais e mais hoje o que meus pais teriam feito nesta situação. O que a maioria das pessoas faria nesta situação? Naturalmente, a resposta é, obviamente, fazer a coisa certa. A coisa responsável. Quero dizer, nós tivemos um encontro. Quem sairia de um emprego após um encontro?

Isso não deve ser tão difícil. Por que isso é tão difícil?

Ando mais e bato levemente na janela do passageiro. Ela se ergue, abaixa o visor e olha no espelho, tentando limpar os vestígios de sua mágoa. Quando a porta abre, eu entro. Fecho a porta e ajusto o banco, em seguida, apoio meu pé no painel. Meu olhar cai para o bilhete que deixei em seu limpador esta manhã. Está desdobrado, jogado no console. Quando escrevi aquelas palavras, às quatro horas, isto não é como imaginava que fosse. Olho para ela, que está evitando me encarar. Só de vê-la, faz com que minhas palavras fiquem presas na minha garganta. Não tenho nenhuma ideia do que falar. Não tenho nenhuma ideia de onde sua cabeça está agora.

"No que está pensando?" Finalmente pergunto.

Ela lentamente se vira para mim e puxa a perna para cima do assento. Envolve seus braços em torno dela e descansa o queixo em seu joelho. Nunca quis tanto ser um joelho em toda a minha vida.

"Estou muito confusa, Will. Não sei o que pensar."

Honestamente, não sei o que pensar, também. Deus, sou um idiota. Como pude deixar isso acontecer? Suspiro e olho para fora da janela do passageiro. Não posso manter minha compostura se continuar olhando para aqueles olhos.

"Desculpe", digo. "É tudo culpa minha."

"Não é culpa de ninguém", diz ela. "Para que a culpa fosse sua, você precisaria ter tomado uma decisão consciente. Mas você não sabia Will."

Eu não sabia. Mas a culpa é minha por não saber.

"Mas é exatamente isso, Lake," digo, virando para encará-la. "Eu devia ter sabido. Meu trabalho não requer um comportamento ético apenas na sala de aula. Isto se aplica a todos os aspectos da minha vida. Não percebi porque não estava fazendo meu trabalho. Quando você disse que tinha 18 anos, imaginei que estivesse na universidade."

Ela olha para o lado e sussurra: "Eu fiz dezoito anos a apenas duas semanas."

Essa frase. Se essa frase tivesse sido dita há poucos dias, toda essa situação poderia ter sido evitada. Por que diabos não perguntei a ela quando tinha sido seu aniversário? Fecho meus olhos e descanso minha cabeça contra o assento, preparando-me para explicar a minha

situação particular para ela. Quero que tenha uma melhor compreensão de por que isso não pode funcionar entre nós.

"Sou um professor estudante", digo. "Mais ou menos."

"Mais ou menos?"

"Depois que meus pais morreram, dobrei minha quantidade de cursos. Vou poder me formar com um semestre de antecedência. Como o colégio estava com poucos professores, me ofereceram um contrato de um ano. Então tenho mais três meses como professor estudante. Depois disso, meu contrato vai até junho do próximo ano."

Encaro-a e ela está com os olhos fechados. Sacudindo a cabeça levemente como se não compreendesse o que estou dizendo, ou simplesmente não quisesse ouvi-lo. "Lake, preciso deste emprego. Foi para isso que me esforcei durante esses três anos. Estamos falidos. Meus pais me deixaram com muitas dívidas e com as mensalidades da universidade. Não posso pedir demissão agora."

Ela me fuzila com um olhar, quase como se eu a tivesse insultado.

"Will, eu entendo. Nunca pediria que você colocasse sua carreira em risco. Seria burrice jogar tudo isso fora por causa de alguém que você conhece há apenas uma semana."

Ah, mas eu faria. Se você apenas me pedisse para... Eu faria.

"Não estou dizendo que você pediria para eu fazer isso. Só quero que entenda meus motivos."

"Eu entendo", diz ela. "É até ridículo supor que o que nós temos é algo pelo qual vale a pena correr riscos."

Ela pode negar tudo o que ela quiser, mas o que estou sentindo, sei que ela está sentindo também. Posso ver em seus olhos. "Nós dois sabemos que é mais do que isso."

Assim que as palavras deixam meus lábios, lamento imediatamente. Esta garota é minha aluna. A-L-U-N-A! Tenho que conseguir colocar isso na minha cabeça. Nós dois ficamos em silêncio. A falta de conversa só aumenta as emoções que estamos tentando suprimir. Ela começa a chorar e apesar do fato de que minha consciência está gritando para mim, não posso fazer nada, a não ser consolá-la. Eu a puxo para mim e ela esconde o rosto na minha camisa. Quero tanto empurrar para fora da minha cabeça o pensamento de que esta é a última vez que vou segurá-la assim, mas sei que é verdade. Sei que, quando nos separarmos, é o fim. Não há nenhuma maneira que eu possa continuar a estar perto dela, da forma como ela consome todos os meus pensamentos. Eu sei, lá no fundo, que isso é um adeus.

"Desculpe", sussurro em seu cabelo. "Queria ser capaz de fazer algo que pudesse mudar as coisas. Eu tenho de fazer isso direito... tenho de fazer isso pelo Caulder. Não sei para onde vamos depois disso, ou como vamos fazer a transição."

"Transição", ela diz. Levanta os olhos para encontrar os meus e eles estão cheios de pânico. "Mas... e se você conversar com o pessoal do colégio? Contar para eles que a gente não sabia. Perguntar quais são as opções."

Ela não percebe, mas isso é tudo que venho tentando descobrir nas últimas cinco horas. Estive pensando em todos os cenários possíveis para mudar o resultado para nós. Não há nenhuma.

"Não posso Lake. Não vai dar certo. Não tem como isso dar certo."

Ela se afasta de mim, quando Kel e Caulder saem de sua casa. Relutantemente libero meu aperto em torno dela, sabendo que é a última vez que vou abraçá-la. Essa é provavelmente a última vez que teremos uma conversa fora da escola. Para que eu faça a coisa certa, sei que deixá-la ir é a única maneira. Preciso me distanciar dela.

"Layken?" Digo hesitante. "Preciso falar com você sobre mais uma coisa."

Ela revira os olhos como se soubesse que é algo ruim. Não responde, no entanto. Só espera que eu continue.

"Preciso que vá à administração amanhã. Quero que saia da minha turma. Acho melhor não passarmos mais tempo juntos."

"Por quê?", Diz ela, virando para me encarar. A dor em sua voz é exatamente o que estava com medo de ouvir.

"O que nós temos não é apropriado. Precisamos nos afastar."

A dor nos seus olhos é substituída por incredulidade. "Não é apropriado?", Diz, sem acreditar.

"Nos afastarmos? Você mora do outro lado da rua, Will!"

A dor em sua voz, a raiva em sua expressão, a mágoa em seus olhos, é demais. Vê-la sofrer assim e não ser capaz de consolá-la é insuportável. Se não sair desse carro agora, irei emaranhar minhas mãos em seus cabelos e meus lábios vão se prender aos dela em questão de segundos. Viro, abro a porta e saio.

Só preciso respirar.

Ela abre a porta, também e olha para mim por sobre o capô de seu carro. "Nós somos maduros o suficiente para saber o que é apropriado. Você é a única pessoa que conheço aqui. Por favor, não peça para que me comporte como se nem o conhecesse", pede.

"Ah, Lake. Você não está sendo justa. Não posso fazer isso. Nós não podemos ser apenas amigos. É a única escolha que temos."

Ela não tem ideia de quão perto cheguei de não ser seu amigo agora. Não há nenhuma maneira possível que eu possa ficar perto dessa garota e continuar a fazer a coisa certa. Não sou tão forte.

Ela abre a porta do carro para pegar suas coisas no interior. "Então, está dizendo que é tudo ou nada, não é? E já que obviamente o tudo não é uma opção...!" Bate a porta e caminha em direção a sua casa. Ela para e chuta o gnomo com o chapéu vermelho quebrado. "Antes da terceira aula de amanhã você vai estar livrar de mim!" Bate a porta da frente, deixando-me um coração partido, um desastre emocional em sua garagem.

A última coisa que eu queria de presente era perturbá-la ainda mais. Bato os punhos contra o capô de seu Jeep, chateado comigo mesmo por colocá-la nesta situação, paracomeçar. "Droga!"

Grito. Viro para ir para casa, mas dou de cara com Kel e Caulder. Ambos estão olhando para mim, com olhos arregalados.

"Por que você está tão bravo com Layken?" Pergunta Kel. "Não vai ser mais seu namorado?"

Olho de volta para a casa de Lake e aperto as mãos na minha nuca. "Não estou bravo com ela, Kel. Estou... Estou com raiva de mim mesmo." Deixo cair os braços e volto a caminhar para casa. Eles se afastam, quando passo entre eles. Ouço-os me seguindo quando

pego minhas coisas no meu carro. Ainda estou sendo seguido quando caminho para dentro e coloco a caixa sobre o balcão, então viro e olho para os meninos.

"O quê?" Digo com uma quantidade clara de aborrecimento. Os dois olham um para o outro, então de volta para mim.

"Hum. Nós só queríamos te perguntar uma coisa", diz Caulder nervoso. Ele entra e senta na banqueta do balcão com o queixo na mão. "Maya disse que se Layken virar sua namorada e vocês se casarem, eu e Kel seremos conhados."

Ambos os meninos estão olhando para mim com expressões de esperança.

"É cunhados e Layken não vai ser minha namorada", digo. "Somos apenas amigos."

Kel dá a volta em mim e sobe no outro banquinho do balcão. "Ela arrotou muito, não é? Ou deixou o sutiã em seu carro? Aposto que ela não iria deixá-lo tomar um café, iria?"

Forço um sorriso falso e vou em direção à pilha de papéis. "Você acertou em cheio", digo. "Foi o café. Ela é tão mesquinha."

Kel balança a cabeça. "Eu sabia."

"Bem", diz Caulder. "Você poderia tentar outro encontro para ver se gosta dela mais. Eu e Kel queremos ser irmãos."

"Layken e eu não teremos outro encontro. Somos apenas amigos." Olho para os dois com uma expressão séria. "Esqueçam." Sento e pego a minha caneta, em seguida, o primeiro teste de cima e o viro.

É o seu teste.

Claro que tinha que ser o dela. Fico olhando para ele, perguntando quando diabos isso vai ficar mais fácil. Apenas ver sua letra faz meu pulso acelerar. Faz meu coração doer. Levemente traço o seu nome com a ponta do meu dedo. Tenho certeza que é a mais bela caligrafia que já vi.

"Por favor?", Diz Caulder.

Recuo, depois de ter esquecido que eles estavam aqui. Tenho que parar de pensar nela desse jeito. Ela é uma aluna. Viro o teste na pilha e me levanto.

"Kel, você gosta de pizza?"

Ele balança a cabeça. "Não. Eu amo pizza."

"Vá perguntar a sua mãe se você pode relaxar com a gente esta noite. Precisamos de uma noite dos meninos."

Kel salta de sua cadeira e ambos correm em direção à porta da frente. Sento-me no balcão novamente, apoio minha cabeça nas mãos.

Todo este dia foi definitivamente o meu pior momento.

Apoio minha mão na porta do escritório da administração, quase anunciando a minha entrada. Não estou com bom humor para a Sra. Alex hoje. Infelizmente, ela me vê pela janela e acena. É seu aceno de flerte. Inspiro e, relutantemente, abro a porta.

"Bom dia, Will", diz em sua voz melodiosamente irritante.

Sei que sou "Will" há uns anos para ela, mas não faria mal se me estendesse a cortesia que dá a todos os outros professores aqui. Não me incomodo argumentando, no entanto. "Bom dia." Passo o formulário para o outro lado da mesa em direção a ela. "Você pode pedir para o Sr. Murphy assinar e enviar por fax para o meu orientador acadêmico?"

Ela pega o formulário e coloca em uma bandeja. "Qualquer coisa para você", diz e sorri. Dou-lhe um rápido sorriso em troca, em seguida, viro em direção à saída, muito consciente da minha própria bunda neste momento.

"Oh, a propósito," ela chama atrás de mim. "Essa nova aluna que se matriculou ontem, acabou de deixar sua classe. Acho que ela não é grande fã de poesia. Você precisa assinar o formulário que dei a ela antes que eu possa oficializar. Provavelmente ela está a caminho de sua sala de aula no momento."

"Obrigado," murmuro, saindo do escritório.

Isso vai ser impossível. Não é como se pudesse apagar o fato de que Lake existe. Provavelmente irei vê-la no trabalho diariamente, mesmo que seja de passagem... no refeitório. . . no estacionamento. Definitivamente vou vê-la em casa todos os dias, considerando que sua casa é a primeira coisa que vejo quando saio da minha própria porta da frente. Ou olhar para fora da minha janela. Não que vou fazer isso.

Kel e Caulder estão se tornando inseparáveis, por isso, eventualmente, terei que interagir com ela sobre eles.

Tentar evitá-la, não vai funcionar. Lake está absolutamente certa... não vai funcionar. Fiquei tentando dizer a mim mesmo, mais e mais na noite passada, que o que ela disse não era verdade, mas é. Fico me perguntando se a única alternativa seria pelo menos tentar ser seu amigo. Teremos, obviamente, que trabalhar com esta situação de alguma forma.

Quando viro o corredor da minha sala de aula, ela está de pé ao lado da minha porta com o formulário de transferência pressionado contra a parede, tentando forjar minha assinatura. Meu primeiro instinto é virar e ir embora, mas percebo este é o tipo exato de situação que vamos ter que aprender a enfrentar.

"Isso não é uma boa ideia", digo, antes que ela forje o meu nome. Se alguém pode reconhecer a minha escrita, é a Sra. Alex.

Lake vira e olha para mim. Suas bochechas coram e ela abaixa seus olhos até a minha camisa, embaraçada. Passo por ela e abro a porta, então aceno para que entre na sala de aula. Ela caminha para minha mesa e coloca o formulário para baixo.

"Bom, você ainda não tinha chegado, então achei melhor poupá-lo do incômodo", diz.

Ela não deve ter tomado seu café hoje. Pego o formulário e dou uma olhada. "Literatura Russa? Foi isso o que escolheu?"

Ela revira os olhos. "Era isso ou Botânica."

Puxo minha cadeira e sento, preparando-me para assinar o formulário. Assim que a ponta da minha caneta se encontra com o papel, ocorre-me que de certa forma, estou sendo incrivelmente egoísta. Ela escolheu a poesia como uma disciplina eletiva mesmo antes de saber que eu iria ensiná-la. Escolheu a poesia porque adora. O fato de que os pensamentos que tenho sobre ela me deixam desconfortáveis, é uma razão muito egoísta para forçá-la a cursar Literatura Russa pelo resto do ano. Hesito, em seguida, coloco a caneta de volta no papel.

"Pensei um bocado ontem à noite... sobre o que você disse. Não é justo que eu peça para você mudar de aula só porque não fico à vontade com isso. Nós moramos a 100 metros de distância um do outro, nossos irmãos estão se tornando melhores amigos. Essa aula na verdade vai ser algo bom para nós, vai nos ajudar a descobrir como nos comportar um com outro." Pego minha bolsa e retiro o teste, que de alguma forma, ela tirou uma pontuação perfeita. "Além do mais, está na cara que você vai se sair muito bem no meu curso."

Ela pega o teste de minhas mãos e olha para ele. "Não me incomodo em mudar de aula", diz em voz baixa. "Entendo porque me pediu isso."

Coloco a tampa na caneta e arrasto minha cadeira para trás. "Obrigado, mas daqui pra frente as coisas só vão ficar mais fáceis, não é?"

Ela acena com a cabeça sem convencer. "É, sim."

Sei que estou completamente errado. Ela poderia voltar para o Texas hoje e eu ainda me sentiria muito perto dela. Mas mais uma vez, não são meus sentimentos que devem importar neste momento. São os dela. Estraguei sua vida o suficiente na semana passada, a última coisa que quero fazer é colocar Literatura Russa em cima disso. Amasso seu formulário de transferência e lanço na lixeira. Quando erro, ela se aproxima e pega, em seguida, joga-o dentro.

"Então acho que nos vemos no terceiro período, Sr. Cooper", diz enquanto sai da sala.

A maneira como se refere a mim como "Sr. Cooper" me faz franzir a sobrancelha. Odeio o fato de que sou seu professor.

Preferia ser seu Will.