Essa Garota
O Rompimento
"Minha mãe teria amado você", digo.
Ela sorri. "Só mais uma coisa sobre o passado, então vou parar de questioná-lo” ela me olha com um sorriso um pouco maldoso em seu rosto. "Estou tão feliz que a cadela da Vaughn terminou com você."
Eu rio. "Sem dúvida."
Ela sorri e libera os dedos dos meus. Vira-se para mim na cama e olha para mim. Puxo a sua mão à boca e beijo o interior de sua palma.
"Você acha que teria se casado com ela?"
Reviro os olhos rindo. "Sério Lake? Você realmente quer falar sobre isso agora?”
Ela sorri timidamente para mim. "Estou apenas curiosa. Nós nunca conversamos sobre o passado antes. Agora que sei que você não vai a lugar algum, me sinto mais confortável falando sobre isso. Além disso, há uma série de coisas que quero saber sobre você”, diz ela. "Gosto de como me senti quando ela terminou com você da maneira que ela fez."
"Isso é uma coisa estranha para ouvir ou falar em sua lua de mel."
Ela encolhe os ombros. "Eu só quero saber tudo sobre você. Já tenho o seu futuro, agora quero conhecer o seu passado. Além disso”, ela sorri. "Nós temos algumas horas para matar antes da sua energia estar totalmente de volta. O que mais vamos fazer?"
Realmente estou exausto, sem condições de fazer alguma coisa agora, por mais que finja que não estou contando, nove vezes em 24 horas deve ser algum tipo de recorde. Fico de bruços e apoio um travesseiro sob meu queixo e então começo a contar a minha história.
O ROMPIMENTO
"Boa noite, Caulder." Me viro e desligo a luz esperando que ele não se arraste para fora da cama novamente. Será a nossa terceira noite com apenas ele e eu sozinhos aqui. Ele estava com muito medo de dormir sozinho na noite passada e deixei dormir comigo. Espero que isto não se torne um hábito, mas entenderia completamente se ele o fizesse.
Ainda não consegui avaliar as consequências de tudo o que aconteceu nas duas últimas semanas, muito menos as decisões que tomei. Espero que esteja fazendo a coisa certa. Sei que meus pais gostariam que ficássemos juntos, só não acho que eles aprovariam o fato de eu ter abandonado a minha bolsa de estudos para que isso pudesse acontecer.
Por que continuo referindo-me a eles no tempo presente?
Isto realmente necessitará de ajustes. Faço o meu caminho para o meu quarto e caio na cama. Estou exausto demais até mesmo para levantar-me de novo e desligar a lâmpada. Assim que fecho meus olhos, há uma leve batida na porta do meu quarto.
"Caulder, você vai ficar bem. Volte a dormir”, digo, de alguma forma me arrastando para fora da cama novamente para persuadi-lo a voltar para seu quarto. Ele dormiu com sucesso sozinho durante sete anos, sei que será capaz de fazê-lo novamente.
"Will?" A porta se abre e Vaughn entra, não tinha ideia de que ela viria hoje à noite, mas estou grato que está aqui. Parece que ela sabe exatamente quando mais preciso dela. Ando até ela e fecho a porta do quarto, em seguida, envolvo meus braços em sua volta.
"Oi," falo. "O que você está fazendo aqui? Eu pensei que você estivesse voltando para universidade."
Ela coloca as mãos nos meus braços e se afasta de mim, dando-me o sorriso mais triste que já vi.
Caminha até a minha cama e senta-se, evitando contato com os meus olhos o tempo todo. "Nós precisamos conversar."
O olhar em seu rosto envia um arrepio na parte de trás do meu pescoço. Nunca vi seu olhar tão perturbado assim antes. Sento-me imediatamente na cama ao lado dela e levo a sua mão à minha boca beijando-a. "O que está errado? Você está bem?" Deslizo uma mecha de seu cabelo atrás da sua orelha, logo as lágrimas começam a cair. Envolvo meus braços ao redor dela trazendo-a para o meu peito. "Vaughn, o que está errado? Conte-me.”
Ela não diz nada. Continua a chorar por isso dou-lhe tempo. Às vezes, as meninas precisam apenas chorar.
Quando as lágrimas finalmente começam a diminuir, ela ajeita para trás e leva as mãos até as minhas, mas ainda não me olha nos olhos.
"Will." Ela faz uma pausa. O jeito que ela diz o meu nome, o tom de sua voz... imediatamente deixa meu coração em pânico. Ela olha para mim, mas não consegue manter o seu olhar, então ela se afasta.
"Vaughn?" falo hesitante, esperando que esteja interpretando-a mal. Coloco a minha mão em seu queixo puxando o seu rosto, fazendo que ela olhe na minha direção. O medo em minha voz é nítido quando falo. "O que você está fazendo, Vaughn?"
Ela parece quase aliviada por eu ter percebido suas intenções. Ela balança a cabeça: "Me desculpe Will. Lamento muito. Eu simplesmente não posso mais fazer isso."
Suas palavras me atingem como se fossem uma tonelada de tijolos. 'Isso'? 'Ela não pode fazer isso'? Quando nos tornamos 'isso'? Eu não respondo. O que diabos posso falar sobre 'isso'?
Ela sente o choque do meu comportamento, de modo que ela aperta as minhas mãos e sussurra novamente. "Eu sinto muito."
Levanto-me ficando de pé e me afasto dela. Corro minhas mãos pelo meu cabelo e respiro profundamente.
A raiva cresce dentro de mim de repente acompanhada por lágrimas que não tenho nenhuma intenção de deixá-la ver.
"Eu não esperava nada disso, Will. Sou muito jovem para ser mãe. Não estou preparada para este tipo de responsabilidade.”
Ela está realmente fazendo isso. Ela realmente está terminando comigo. Duas semanas depois que meus pais morreram, está partindo meu coração mais uma vez? Quem faz isso? Ela não está pensando direito. Isto é chocante. Isso é tudo. Viro-me e a encaro, não me importando que ela possa ver o quanto isso está me afetando.
"Eu não esperava isso também", digo. "Está tudo bem, você está com medo." Sento-me na cama ao lado dela puxando-a para mim. "Eu não estou lhe pedindo para que seja a mãe dele, Vaughn. Não estou pedindo que você seja nada agora" abraço-a com mais força e pressiono meus lábios contra sua testa, uma ação que imediatamente faz com que ela comece a chorar novamente. "Não faça isso", sussurro em seu cabelo. "Não faça isso comigo. Não agora."
Ela vira a cabeça para longe de mim. "Se eu não fizer isso agora, nunca serei capaz de fazê-lo."
Levanta-se e tenta ir embora, mas a puxo de volta para mim e enlaço meus braços em volta de sua cintura, pressionando minha cabeça contra sua barriga.
"Por favor."
Ela corre as mãos sobre o meu cabelo e no meu pescoço, em seguida, curva-se para frente e beija o topo da minha cabeça.
"Eu me sinto horrível, Will", ela sussurra. "Horrível. Mas não estou prestes a viver uma vida a qual não estou preparada, só porque sinto pena de você.”
Pressiono minha testa contra a sua camisa e fecho os olhos, absorvendo suas palavras.
Ela sente pena de mim?
Libero meus braços dela e a empurro. Ela deixa cair às mãos dando um passo atrás. Levanto-me e caminho até a porta do quarto, mantendo-a aberta, indicando que ela precisa sair. "A última coisa que quero é a sua pena”, digo, olhando-a nos olhos.
"Will, não", ela pede. "Por favor, não fique com raiva de mim." Ela está olhando para mim com lágrimas nos olhos.
Quando ela chora, seus olhos viram um brilhante, num tom profundo de azul. Costumava dizer-lhe que era exatamente a mesma cor do oceano. Olhando em seus olhos agora quase me faz desprezar o oceano.
Dirijo-me para longe dela e me seguro no batente da porta, pressionando minha cabeça contra a madeira. Fecho meus olhos e tento segurar a pressão, o stress, às emoções que foram se acumulando pelas duas últimas semanas, parece que estou prestes a explodir.
Ela coloca gentilmente a mão no meu ombro, na tentativa de me consolar. Ignorando-a me viro para encará-la novamente. "Duas semanas, Vaughn!" grito. Percebo o quão alto estou falando, por isso abaixo a minha voz e me aproximo mais dela. "Eles estão mortos há duas semanas! Como você pode pensar em si mesma agora?”
Ela passa por mim através da porta, em direção à sala de estar. Eu a sigo enquanto ela pega sua bolsa do sofá e caminha até a porta da frente. Ela abre a porta e se vira para mim antes de sair.
"Você vai me agradecer por isso um dia, Will. Eu sei que não parece isso agora, mas um dia você saberá que estou fazendo o que é melhor para nós.”
Ela se vira para sair e eu grito depois dela, "O que é melhor para VOCÊ, Vaughn! VOCÊ está fazendo o que é melhor para VOCÊ!”
Assim que a porta se fecha atrás dela eu desabo. Corro de volta para o meu quarto e bato a porta, em seguida, viro e começo a socar a porta mais e mais, mais e mais forte. Quando já não consigo mais sentir a minha mão, aperto meus olhos fechados e pressiono minha cabeça contra a porta. Tive tanta coisa para processar nestas últimas duas semanas. Não sei como processar isso também.
Que diabos aconteceu com a minha vida?
Acabo voltando para a cama, sento-me com os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça em minhas mãos. Minha mãe e meu pai estão sorrindo para mim a partir do porta-retratos em meu criado-mudo, olhando-me encolher.
Prestando atenção como o resultado de tudo o que aconteceu nestas duas últimas semanas, lentamente, me parte em pedaços.
Por que não estavam mais bem preparados para algo assim? Por que eles iriam arriscar deixando-me com toda essa responsabilidade? Seu despreparo custou minha bolsa de estudos, o amor da minha vida e agora, muito possivelmente, todo o meu futuro. Pego o porta-retratos e coloco meus dedos sobre sua fotografia. Com toda a minha força, aperto até que o vidro estilhaça entre os meus dedos. Quando está destruído com sucesso, exatamente como minha vida, jogo-o tão fortemente quanto posso contra a parede em minha frente. O quadro divide-se em dois quando se encontra com a parede e cacos de vidro espalham pelo tapete.
Estendo a mão para desligar a minha lâmpada quando a porta do quarto se abre novamente.
"Deixe-me em paz Vaughn. Por favor.”
Olho para cima e vejo Caulder de pé na porta, chorando. Ele olha aterrorizado. É o mesmo olhar que tenho visto tantas vezes desde o momento em que nossos pais morreram. É o mesmo olhar que ele tinha quando o abracei no hospital dando-lhe adeus quando o fiz partir com meus avôs. É o mesmo olhar que rasga meu coração em dois cada vez que vejo isso.
É um olhar que imediatamente me traz de volta para a Terra.
Limpo meus olhos acenando para que ele se aproximasse. Quando ele vem, envolvo meus braços em torno dele, puxando-o em meu colo, em seguida, abraço-o enquanto ele chora em silêncio na minha camisa. Embalo-o para trás e para frente, acariciando o seu cabelo. Beijo-o na testa puxando-o para mais perto.
"Quer dormir comigo de novo esta noite, Amigo?"