Fundamentos de Odontologia: Estomatologia

Gilberto Marcucci · Capítulo 22 de 24 · parte 3/3

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Fundamentos de Odontologia: Estomatologia

14 Tratamento das Manifestações Estomatológicas Antes, Durante e Após Quimioterapia e Radioterapia

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Aproximadamente 1/3 dos PAC com disfagia desenvolve pneumonia

que necessita de tratamento. A mortalidade associada à pneumonia aspirativa varia de 20 a 65%. A disfagia não identificada causou morbidade significativa, aumentando a mortalidade e diminuindo a qualidade de vida.

Os PAC devem ser instruídos sobre os sinais e sintomas de aspiração e

devem relatá-los imediatamente aos seus prestadores de cuidados de saúde. Infelizmente, frequentemente subestimam os sintomas desencadeantes; assim, os PS devem investigar questões de deglutição e quaisquer sinais e sintomas que anunciem disfagia ou aspiração em cada consulta antes, durante e após o tratamento (Schindler et al., 2015).

Evidências crescentes apoiam a importância do esforço contínuo para

manter a deglutição durante e após o curso da RT, a fim de minimizar a atrofia por desuso e fibrose e aperfeiçoar a função de deglutição a longo prazo. O manejo adequado da dor para prevenir e tratar o sintoma pode melhorar substancialmente o esforço de deglutição.

Analgésicos tópicos ou sistêmicos de potência diretamente proporcional

à intensidade da dor são usados para tratar a odinofagia, desde os mais corriqueiros até os opiáceos e a morfina.

A administração sistêmica de opioides pode ser complicada por efeitos

colaterais conhecidos, como náuseas, vômito, opacificação mental, constipação intestinal, sedação e tolerância, que devem ser avaliados com frequência e evitados sempre que possível (Mirabile et al., 2016).

 

Neurotoxicidade e dor neuropática

Efeitos adversos autolimitantes secundários às terapias do câncer bucal. Os sintomas comuns de neurotoxicidade incluem fadiga, neuropatia e função cognitiva alterada. Pouco se sabe sobre o mecanismo da neurotoxicidade induzida pela quimioterapia, embora a inflamação, o estresse oxidativo e o dano ao DNA tenham sido implicados.

A cirurgia de câncer bucal também pode perturbar os nervos adjacentes no campo cirúrgico e causar dor neuropática oral.

ORN extensa também pode causar parestesia e/ou anestesia, deixando o PAC desconfortável.

O tratamento depende da gravidade dos sintomas e objetiva o controle da dor com analgésicos ou opioides. Outros medicamentos usados para tratar a neurotoxicidade induzida pela quimioterapia incluem anticonvulsivantes, antidepressivos e corticosteroides, bem como suplementação nutricional com ácido alfalipoico, vitamina E, eritropoetina e acetil-L-carnitina.

 

Osteonecrose associada aos medicamentos

Há algum tempo essa doença osteolítica era conhecida como osteorradionecrose ligada aos bifosfonatos. Atualmente foi descrita pela American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS) como osteonecrose associada aos medicamentos (OAM).

Os bifosfonatos (BF) são medicamentos que evitam a perda de massa óssea. BF de alta potência de uso intravenoso modificam a progressão das metástases neoplásicas ósseas em vários tipos de câncer, especialmente os da mama e da próstata. BF VO são usados para tratar osteoporose, osteíte deformante (doença óssea de Paget) e outras condições que levem à fragilidade óssea.

Depois de empregados (por via oral ou intravenosa), os BF ligam-se

fortemente aos osteoclastos, prejudicando suas funções osteolíticas, por indução de apoptoses. Como resultado, os osteoblastos continuam atuando e ocorre o abrandamento da perda óssea, o aumento da densidade óssea e, consequentemente, a diminuição do risco de fraturas.

Os BF são coadjuvantes no tratamento de neoplasias ósseas primárias

que se tornam metastáticas ou de lesões que sempre se manifestam de forma poliostótica como, por exemplo, o mieloma múltiplo, reduzindo expressivamente essas complicações ósseas.

Esses medicamentos revelaram-se eficazes quando ingeridos oralmente

pelos PAC com ou em risco de osteoporose. Os benefícios da terapia de BF para pessoas que sofrem de osteoporose são ainda mais evidentes vários anos após o tratamento.

A FDA aprovou recentemente uma nova classe de medicamentos

denominados anticorpos monoclonais (denosumabe) para tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa em risco elevado de fraturas e para reduzir a perda óssea ou fragilidade em PAC com câncer. O denosumabe foi identificado como fator de alto risco para OAM.

Outra classe de medicamentos – o denosumabe – vem sendo utilizada

como o mesmo propósito dos BF, que é o controle da osteoporose e de metástases ósseas. Os inibidores de RANK-L (ativador do receptor do fator nuclear kappa-B ligante), que participam da diferenciação de macrófagos em osteoclastos. Suas formulações comerciais: o Denosumab® SC (60 mg) a cada 6 meses – usado para o tratamento de osteoporoses, e o Xgeva®, 1 vez por mês (120 mg) – usado para metástases ósseas.

Diferentemente dos BF, estes medicamentos têm seus efeitos

diminuídos após 6 meses. Entretanto, tanto os anticorpos monoclonais como os BF têm sido associados ao desenvolvimento de necroses ósseas, principalmente nos ossos gnáticos, sendo a mandíbula o principal osso afetado. A importância de se evitar o tratamento odontológico intervencionista até que o denosumabe tenha sido suspenso por 6 meses pode ser razoável.

Devido ao constante aumento da prescrição do denosumabe para o manejo da osteoporose, em ambos os sexos, os médicos devem estar cientes desse risco potencial. Resultados adicionais em relação à segurança do esqueleto a longo prazo (i. e., ORN da mandíbula e fratura femoral diafisária atípica) são necessários.

O denosumabe vem sendo usado para curar, aliviar a dor e/ou diminuir o volume para possibilitar abordagem cirúrgica com menor ressecção em um segundo tempo de tratamento. Entre as doenças referidas entre alguns pesquisadores estão cisto ósseo aneurismático, displasia fibrosa e lesões centrais de células gigantes muito agressivas.

Outro medicamento que também pode estar relacionado com a OAM é o bevacizumabe (Avastin®), aprovado pela FDA em 2004 para o tratamento de câncer colorretal metastático. O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal recombinante humano antiangiogênico que age ao se ligar ao fator de crescimento vascular endotelial (VEGF; do inglês, vascular endothelial growth factor). O medicamento, em combinação com outros agentes, também demonstrou eficácia clínica em muitos outros tipos de câncer, incluindo os de mama e pulmão.

A propriedade antiangiogênica de bevacizumabe pode comprometer a integridade microvascular na mandíbula e levar ao comprometimento subclínico do osteon. Traumatismo ao escovar os dentes ou mastigar pode aumentar a demanda por esse osso comprometido para reparar-se, resultando em necrose óssea localizada, morte do periósteo, sequestração e osso necrótico exposto.

As toxicidades observadas associadas ao bevacizumabe incluem hipertensão, proteinúria ligeira a moderada hemorragia, retardo na cicatrização, complicações tromboembólicas e perfuração gastrintestinal e do septo nasal.

Começam a surgir implicações semelhantes com outros medicamentos:

o denosumabe, receptor monoclonal ativador do anticorpo contraligante do fator kappa B (RANKL), usado para tratamento da osteoporose, e o sunitinibe, medicamento com pequena molécula usado por via oral para tratamento do carcinoma renal. Em outras palavras, ultrapassou-se a abordagem dos bifosfonatos, daí o título deste capítulo.

O risco de desenvolvimento de OAM em um PAC que não tem câncer

parece ser baixo, sendo de 0,1% em PAC fazendo uso de BF orais, subindo para 0,21% em PAC fazendo uso desses medicamentos há mais de 4 anos – BF intravenosos e denosumabe (AAOMS, 2014).

OAM pode ocorrer espontaneamente, mas ocorre mais frequentemente

em associação a procedimentos odontológicos e condições que aumentem o risco de traumatismo ósseo, principalmente com abordagens invasivas, como ocorre, por exemplo, nas exodontias. Afeta mais os PAC que têm mais de 65 anos de idade, que utilizam esses medicamentos há mais de 2 anos, os diabéticos, obesos, em corticoterapia, fumantes e usuários de próteses totais.

Deve-se atentar para outros medicamentos antiangiogênicos e futuras

substâncias que possam estar relacionados com necrose óssea. Os principais

medicamentos estão listados no Quadro 14.20.

No Japão, estudo populacional demonstrou que a doença primária

associada aos BF mais comum foi a neoplasia maligna (46,5%), seguida pela osteoporose (45,3%, incluindo o uso preventivo do medicamento). A proporção de PAC submetidos aos BF aumentou, aproximando-se à incidência de PAC recebendo BF parenterais, com consequente elevação da incidência de ORN. Este dado é preocupante, já que, em nosso meio, o uso de BF por via oral para tratamento e prevenção da osteoporose é muito menor que o uso parenteral.

 

Aspectos clínicos e estadiamento da osteonecrose associada aos medicamentos A OAM pode surgir espontaneamente, afetando mais mulheres na menopausa – são elas as que mais usam substâncias antirreabsortivas.

A sintomatologia se caracteriza por ulceração da mucosa com exposição óssea, fístula; dor localizada; inflamação, infecção e dor em osso e tecidos moles circundantes, friabilidade, sequestração e/ou fratura óssea, edema dos tecidos moles e mobilidade dental. A mandíbula é muito mais afetada que a

maxila. O Quadro 14.21 mostra o estadiamento e as estratégias de tratamento de acordo com a AAOMS.

 

Prevenção e tratamento da osteonecrose associada aos medicamentos

Apesar de vários estudos, o tratamento da ORN não é fácil e, em alguns casos, é frustrante para PS e PAC. O pouco tempo que decorreu desde a primeira descrição da ORN (2003) e, portanto, destinado ao conhecimento profundo da sua biopatogenia e prevenção, não contribuiu para que fossem

obtidas grandes alternativas terapêuticas (Quadro 14.22).

 

Principais medicamentos antirreabsortivos existentes no Brasil.

Quadro 14.20

 

Nomes Nomes comerciais Indicações*

genéricos

 

Risedronato Actonel, Risedross Prevenção da osteoporose em mulheres após

e ácido menopausa (principalmente) e em homens;

risedrônico tratamento da doença óssea de Paget

 

Clodronato Bonefós Prevenção da osteoporose em mulheres após

menopausa

 

Ibandronato Bonviva Prevenção da osteoporose em mulheres após

menopausa, tratamento de hipercalcemia e

osteólise em neoplasias e metástases ósseas

de neoplasia mamária

 

Alendronato Alendil, Bonalen, Cleveron, Prevenção da osteoporose em mulheres após

Endronax, Fosamax, menopausa (principalmente) e em homens;

Minusorb, Ossomax, Ostenan, tratamento da doença óssea de Paget

Osteofar, Osteoform

 

Pamidronato Aredia, Fauldpami, Pamidron, Tratamento de condições associadas ao

Pamidronato sódico aumento da atividade osteoclástica:

metástases ósseas predominantemente

líticas; hipercalcemia induzida por tumor;

doença óssea de Paget e mieloma múltiplo

 

Ácido Ácido zoledrônico, Aclasta, Para o tratamento de hipercalcemia de

zoledrônico Zolibbs, Zometa neoplasias, para reduzir e retardar as

complicações ósseas devido ao mieloma

múltiplo e às metástases ósseas de tumores

sólidos, em conjunto com medicamentos

antineoplásicos

 

*Devido ao efeito dos bifosfonatos na remodelação óssea, os medicamentos antirreabsortivos

estão agora sendo usados fora do seu uso normal indicado (off label) para tratamento de diversos

processos patológicos ósseos que não a osteoporose, como lesões centrais de células gigantes,

tumor ósseo de células gigantes, osteogênese imperfeita, displasia brosa, doença de Gaucher e

osteomielite.

 

Estadiamento da osteonecrose associada aos medicamentos e estratégias

de tratamento.

Quadro 14.21

 

Estágios Estratégias

 

Pacientes de risco (pacientes em uso de Nenhum tratamento. Pacientes devem ser

medicamentos antirreabsortivos) orientados sobre o uso desses medicamentos

 

Estágio 0 (sem evidência clínica, mas com Antibióticos e analgésicos

achados inespecí cos, alterações radiográ cas

e sintomas)

 

Estágio 1 (osso exposto e necrótico ou fístulas; Enxaguatórios bucais bactericidas,

pacientes não apresentam dor e sem acompanhamento clínico. Solicitar avaliação

evidência de infecção) sobre a necessidade de continuar o uso do

medicamento antirreabsortivo

 

Estágio 2 (osso exposto e necrótico ou fístulas, Antibióticos, enxaguatórios e desbridamentos

ambos associados à infecção; dor e drenagem se necessário

purulenta e edema nos tecidos moles ao redor

do osso exposto)

 

Estágio 3 (osso exposto e necrótico ou fístula Enxaguatórios bactericidas, antibióticos e

em pacientes com dor, e mais de um dos controle da dor. Desbridamento ou ressecção

seguintes sinais: osso exposto estendendo-se do osso afetado

além da região alveolar [p. ex., cortical basal

ou ramo da mandíbula, seio maxilar, osso

zigomático], resultando em fratura

patológica, fístula extraoral, comunicação

buconasal ou bucossinusal)

 

Trismo

A RT na região de cabeça e pescoço pode ser complicada pela fibrose cicatricial ou não dos músculos de mastigatórios, alterações degenerativas nas articulações temporomandibulares (ATM) e danos nos nervos motores. Estas alterações provocam o trismo caracterizado pela redução da abertura da boca causada por amplitude limitada dos músculos da mastigação.

O risco do trismo deve ser considerado durante a fase de planejamento

da RT. A dose de radiação no aparelho mastigatório deve ser minimizada o máximo possível sem comprometer o controle locorregional do tumor.

O trismo pode surgir nos primeiros 3 dias de RT e o PAC pode não notar

redução gradual na abertura da boca até ela tornar-se associada à dor ou à disfunção significativa. A gravidade do trismo geralmente se relaciona com o aumento das doses e o efeito cumulativo de radiação.

O trismo tem impacto significativo em mastigação, fala, capacidade de

manter a higiene bucal ideal, bem como na capacidade de receber atendimento odontológico por causa do acesso limitado para a cavidade bucal.

Pacientes que desenvolvem trismo apresentam comprometimento do

estado nutricional, o que pode dificultar cicatrização pós-operatória de estruturas orofaciais e piora na qualidade de vida.

O trismo foi identificado em 45% dos indivíduos que receberam doses

curativas de RT. Sua ocorrência se deve a alterações fibróticas dos músculos e da cápsula da ATM e está associada à disfagia. Também pode decorrer de tratamento cirúrgico, especialmente em casos de tumores com estadiamento clínico avançado ou em casos de reconstrução microcirúrgica. Tem impacto na qualidade de vida do PAC.

Tratamento da osteonecrose associada aos medicamentos (OAM).

Quadro 14.22

 

Informações preventivas

 

• Obter detalhadamente o tratamento médico atual para a osteoporose

 

• Informar ao paciente que ele está em tratamento com medicamentos de risco, baixo mas

existente, para desenvolvimento de OAM

 

• Em geral os pacientes desconhecem o risco

 

• A eventual suspensão do uso dos medicamentos, discutida com o médico prescritor, não

elimina esse risco e prejudica o tratamento da osteoporose

 

• Não existe técnica válida para determinar o grau de risco

 

• Os riscos podem ser diminuídos, mas não eliminados

 

• O risco com o uso de pamidronato e ácido zoledrônico é maior

 

• Dar informações atualizadas ao paciente

 

• Obter do paciente, por escrito, o consentimento informado

 

• Estabelecer um plano de tratamento odontológico

 

■ Exame clínico completo de mucosa bucal, dentes e periodonto

 

■ Em linhas gerais, o plano de tratamento odontológico será rotineiro

 

■ Boas práticas de higiene oral

• Consultas regulares

 

■ Procurar imediatamente o cirurgião-dentista em caso de suspeição de alteração oral

 

■ Informar o paciente sobre os tratamentos odontológicos necessários, suas alternativas e

quais deles são mais associados aos riscos de OAM

 

∘ Tratamentos cirúrgicos não são contraindicados

∘ Obter fechamento primário da ferida cirúrgica

∘ Recomendar o uso de antissépticos durante o pós-operatório

∘ Considerar o uso de antibióticos sistêmicos

∘ Pacientes que usarão pamidronato e ácido zoledrônico: idealmente as exodontias ou

qualquer outro procedimento cirúrgico devem ser realizados pelo menos 1 mês antes

do início do uso dos medicamentos

 

■ É preferível realizar os procedimentos odontológicos de maior risco a evitálos. Se não

tratados, os riscos são maiores

 

■ Existirão riscos, se o tratamento odontológico não for bem conduzido e com a

regularidade necessária

 

■ Fluoretar os dentes

 

■ Tratar as infecções orais agressivamente

 

∘ Tratar as infecções focais antes que se tornem multifocais

 

■ Abordagens iniciais localizadas para sugerir o grau de risco de um paciente. Por

exemplo, exodontia de um dente em vez de exodontias múltiplas por quadrante

■ Atenção para o tempo de cicatrização. Di culdades cicatriciais notadas: prescrever

antissépticos por longo período

 

■ Implantes

 

∘ Não existem estudos conclusivos para o uso de implantes, enxertos ósseos e

regeneração óssea guiada

∘ Existem relatos de que muitos pacientes receberam implantes com sucesso

∘ Aconselha-se juízo rigoroso sobre a necessidade de se colocarem implantes

 

■ Os tratamentos endodônticos devem limitar-se às raízes, sem invadir o periápice, e são

preferíveis no lugar de exodontia

 

■ A má oclusão não aparenta ser risco para a OAM

 

• As próteses removíveis deverão ser atraumáticas

 

■ O tratamento ortodôntico não é contraindicado, mas pode haver di culdades na

movimentação dos dentes, tornando-o mais longo

 

Curativo

 

• Irrigação diária e uso de enxaguatórios antimicrobianos

 

• Antibióticos em altas dosagens para controlar a infecção

 

• Tratamento cirúrgico (geralmente conservativo, postergado e limitado)

 

■ Remoção das bordas ósseas agudas

 

■ Sequestrectomia

■ Ressecção segmentada

 

■ Laserterapia + cirurgia: alguns bons resultados obtidos

 

• Laserterapia + plasma rico em plaquetas: laser de diodo contínuo (InGaAlP, 660 nm)

utilizando o modo pontual e de contato, 40 mW, tamanho do ponto, 0,042 cm2 2 (2), 6 J/cm

(6 s) e energia total de 0,24 J por ponto

 

Tratamento

O trismo induzido por RT é um desafio a ser administrado. Qualquer limitação na mobilidade da articulação temporomandibular pode desencadear a atrofia por desuso dos músculos da mastigação, o que agrava ainda mais o trismo. Portanto, o início dos exercícios de alongamento da mandíbula antes de o trismo se estabelecer é uma abordagem preventiva eficaz. O uso contínuo de exercícios de alongamento passivo durante o período pós-RT impede a contração muscular tônica e melhora a abertura mandibular. Melhora do trismo com cirurgia e medicações, como injeções de toxina botulínica e pentoxifilina, constitui outra abordagem de tratamento que está sendo explorada.

Nos EUA, existe um dispositivo para facilitar a fisioterapia para

abertura da boca, que se sabe não estar disponível no Brasil: o TheraBite.

No Quadro 14.23 são apresentadas as medidas mais comuns para

tratamento de trismo.

 

Radiodermite

Embora não se julgue que o tratamento da radiodermite seja feito pelo estomatologista, nada custa saber alguns cuidados que podem ser

informados ao PAC (Quadro 14.24). Esta alteração tende a regredir em 2 a 3 semanas após a conclusão da RT, porém em alguns PAC pode ocorrer alteração mais duradoura na pigmentação da pele irradiada.

Alopecia

As células de proliferação mais rápida no ser humano estão no seu cabelo; por isso, um dos efeitos comuns dos medicamentos citotóxicos, como os quimioterápicos, é a queda de cabelo ou alopecia. O efeito do processo

pode ser devastador para a autoestima do PAC (Quadro 14.25).

 

Tratamento do trismo.

Quadro 14.23

 

• Microcorrentes elétricas (TENS, transcutaneous electrical nerve stimulation)

 

■ Produz analgesia e relaxamento muscular

 

■ Recomendam-se 10 aplicações de 30 min cada

 

• Relaxantes musculares

 

■ Carisoprodol com:

 

∘ Paracetamol

∘ Paracetamol, diclofenaco e cafeína (1 comprimido, 3 vezes/dia)

 

■ Cloridrato de ciclobenzaprina (5 ou 10 mg, 3 vezes/dia)

 

• Fisioterapia

 

■ Calor: em compressas, por radiação infravermelha ou com uma fronha em que se

colocou cloreto de sódio aquecido em frigideira ou micro-ondas

 

■ Laser de baixa potência (He-Ne): em varreduras nos músculos mastigatórios em pontos

de acupuntura (ver a seguir)

■ Mobilização da musculatura e da articulação temporomandibular: o paciente faz os

exercícios tanto quanto puder (ad libitum)

 

■ Pregadores de roupa de plástico: a parte que prenderia a roupa é colocada entre os

incisivos, e o paciente forçará a abertura dela pressionando intermitentemente o lado

que ca externo

 

■ Espátulas de madeira (abaixadores de língua): colocadas umas sobre as outras,

progressivamente

 

■ Goma de mascar com xilitol

 

• Acupuntura

 

■ Pontos P 7 e 11, IG 4 e 19, E 4, 5 e 36, ID 16 e 17, V 4, TA 17, 20 e 22, VG 11 e 27 e VC 24

 

Radiodermite | Orientações ao paciente.

Quadro 14.24

 

• Evitar irritar a região

 

• Lavar com água morna e sabonete neutro

 

• Evitar roupas apertadas sobre a área

 

• Não coçar, escovar, ou atritar a área

 

• Evitar colocar no local coisas muito quentes ou muito frias

 

• Informar-se sobre produtos que não irritem a sua pele

Durante várias semanas, evitar o uso de talcos, cremes, perfumes desodorantes, óleos,

•

linimentos, loções ou remédios caseiros não recomendados, principalmente durante as

primeiras 2 h após a RT

 

• Evitar a exposição solar e proteger o local com roupas e protetores solares recomendados

 

• Informar por quanto tempo o paciente deve continuar com esses cuidados

 

Alopecia | Informações para o paciente.

Quadro 14.25

 

• Pode ocorrer inibição parcial, o que leva os cabelos a se tornarem mais nos e friáveis. Pelos

de outras regiões são variavelmente afetados

 

• A alopecia ocorre 1 a 2 semanas após o início da QT e torna-se mais evidente 1 a 2 meses

depois

 

• Existe uma técnica de resfriamento (hipotermia) do couro cabeludo, que produz

vasoconstrição, logo após a QT

 

• A recuperação ocorre em tempos variados após a cessação do tratamento e o cabelo pode

retornar mais no e com alterações de cor e textura

 

• A recuperação depende do tratamento e de cada pessoa

 

• Cubra a cabeça com chapéu, turbante ou lenço

 

• Proteja contra o sol e o frio

 

• Se quiser usar peruca, certi que-se de que ela não irrite a sua pele

• Escolha a peruca antes do tratamento e peça para produzir uma que combine com o seu

cabelo natural

 

• Se possível, corte seu cabelo antes da oncoterapia e solicite que façam a peruca com ele

 

• Consulte um dermatologista especializado em alopecia

 

Este efeito pode ser observado, em menor escala, em PAC irradiados na

região de cabeça e pescoço, especialmente do sexo masculino, que ficam sem os pelos faciais (barba) na região tratada por período variável ou indeterminado, dependendo da dose e terapia de radiação ionizante utilizada.

 

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