Helmintologia

Adolpho Lutz · Capítulo 70 de 71

Páginas do PDF

Helmintologia

Resenhas escritas por Adolpho Lutz

 

1886

Sobre o cisticerco na pele*

 

Na 1 Real-Encyclopädie der gesammten Heilkunde (Viena, Urban e Schwarzenberg), o Prof. G. Lewin discorre, num artigo pormenorizado, sobre o Cisticerco na Pele. Uma introdução histórica com citações de inúmeros casos contém oito observações próprias, das quais três já se encontram em um trabalho detalhado anterior de Lewin (Charitéannalen, 1877, p.609). Segue-se um debate sobre o modo de infecção, no qual o autor se declara favorável à auto-infecção, e prova, por meio de numerosos exemplos, a coincidência de Taenia e cisticerco. Após um curto preâmbulo sobre as relações, ainda insuficientemente estudadas, de freqüência e disseminação, Lewin fala sobre o diagnóstico. Este é importante, em primeiro lugar para não incorrer em graves enganos (conforme aconteceu em vários casos citados), e, também, para poder estabelecer o diagnóstico do cisticerco cerebral, de outro modo totalmente incerto, pelo menos com boa probabilidade, conforme aconteceu pela primeira vez com o próprio Lewin. Dessa maneira também é provável que se possa diagnosticar os cisticercos do pulmão e dos olhos. Seguem-se a sintomatologia e o diagnóstico diferencial, com discussões sobre o tempo de vida, a capacidade de movimento e a freqüência numérica do cisticerco no caso concreto, e, finalmente, a profilaxia e a terapia. Lewin recomenda furar e, porventura, dilacerar a vesícula da cauda do cisticerco, enquanto Davaine injeta duas gotas de álcool em cada cisto, com uma seringa Pravaz. Aconselha-se a extirpação onde surgem perturbações locais. O final é constituído de um extenso índice bibliográfico. Recomendo o estudo do original a todos que se interessam por este assunto.

Nesse contexto, permitam-se comunicar o fato de que o autor destas linhas também observou várias vezes, no Brasil, o cisticerco da pele. Num caso (em um alemão) destacavam-se pedaços de solitária que pertenciam à tênia. Não foi possível efetuar uma cura radical, porque o paciente tinha um carcinoma cardíaco em estado avançado. O tumor solitário, do tamanho de uma amêndoa, situado embaixo da pele do tórax, foi diagnosticado pelo autor da presente resenha como cisticerco, e extirpado a pedido do paciente incrédulo, sendo demonstrado à vista.

Em outro caso, existiam numerosos cisticercos sob a pele, sobretudo na barriga e nas coxas. Em virtude dos seus tamanhos diferentes, era provável que a infecção tivesse ocorrido em pelo menos duas ocasiões. Um cisticerco se instalou entre as duas paredes do prepúcio e, como o paciente deixou que um diletante da medicina cortasse o tumor importuno, formou-se uma fístula que conduzia para dentro de uma cavidade semelhante a um cisto - um diagnóstico que facilmente teria dado muita dor de cabeça se o comentário necessário não tivesse sido dado através dos outros cisticercos.

 

* Resenha escrita por Adolpho Lutz e publicada em 1886 em periódico editado em Hamburgo, Monatshefte für Praktische Dermatologie, v.5, fasc.2, p.84-5. A resenha intitulava-se “Über Cysticercus in der Haut … Real-Encyclopãdie der gesammten Heilkunde (Wie, Urban und Schwarzenberg) einen eingehenden Artikel von Prof. G. Lewin”. A resenha sobre a “Etiologia da Pitiríase,” na mesma página do períodico alemão, foi traduzida e reeditada em Adolpho Lutz Obra Completa: Dermatologia e Micologia, v.1 livro 3, p.517. Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, 2004. [N.E.]

1 Enciclopédia Real de Medicina Geral. [N.E.]