Jacinta Passos, coração militante

Janaína Amado · Capítulo 17 de 21 · parte 3/3

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Jacinta Passos, coração militante

Textos jornalísticos

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

grandes cidades. 47

As eleições e o interior do Estado Como vemos, o programa do Partido Comunista é um programa que procura resolver os problemas mais urgentes do povo. São problemas das populações das grandes cidades e dos municípios do interior. Nas últimas eleições, a 2 de dezembro, o Partido Comunista teve muito maior votação nas cidades grandes do que nos municípios do interior. Em alguns municípios, essa votação foi mesmo nula. Esse fato levou um jornalista reacionário a escrever que o "comunismo no Brasil é um movimento urbano e litorâneo." Está muito enganado esse jornalista. O que há é que, até agora, as populações dos municípios do interior não puderam ainda ter conhecimento exato do programa do Partido Comunista. Conhecem sobre o Partido Comunista as notícias que lhes chegam através de jornais e dos vários reacionários. O Partido Comunista se mantém à custa das contribuições dos seus membros e não dispõe ainda dos grandes meios de propagação e penetração através dos territórios do interior do país. Mas isso vai sendo feito agora, e será feito rapidamente, porque o Partido Comunista só luta pelas reivindicações justas, e a justiça tem os pés plantados na terra, mas tem asas para voar.

No dia em que esse povo tomar consciência desse fato, dessa verdade, então o povo dos municípios não mais se deixará enganar pelas falsas promessas. O povo dos municípios saberá o valor do seu voto e só votará em quem puder resolver de fato seus problemas. Então esse jornalista reacionário verá que não se trata apenas dum "movimento urbano e litorâneo". Trata-se dum movimento nascido e enraizado também nos sertões e nos campos e em todas as cidades do interior. Trata-se dum movimento profundamente brasileiro: lutar pela autonomia de cada município, pela autonomia de cada Estado, pela autonomia do próprio Brasil governado pelo seu povo."

Separando para unir48

A reação policial e desesperada investiu furiosa contra a decisão histórica dos estivadores de Santos, contra a livre manifestação popular, pacífica, no Largo da Carioca, contra os operários da Light que lutam contra a miséria e a fome.

Diante desses fatos, que vimos acontecer?

Estamos vendo o nosso povo se mobilizar, tomar posição, homens e mulheres de todos os partidos, classes e profissões, condenando, protestando, na rua, na imprensa, na Constituinte, até arrancar das garras policiais os líderes do proletariado invencível, até arrancar dos seus postos as autoridades policiais desmascaradas.

Estamos vendo a imprensa burguesa, velha prostituta, enfeitando-se para arrancar mais dinheiro dos seus amantes imperialistas. E a obsessão de Chateaubriand e de uma turma de Chotosmirins a gritarem no deserto por uma união sagrada contra o proletariado. E alguns políticos apoiando, em nome da salvação da democracia, por ignorância, burrice ou safadeza. E outros políticos, manhosos, sinuosos, aproveitando o pretexto esperado para se entregarem à sedução do poder sob a capa de uma união patriótica que é falsa, porque não tem por base a solução dos problemas mais urgentes da nação.

Estamos vendo a classe média tomando posição, essa mesma gente que oscila conforme sopra o vento, sem saber bem onde estão os seus interesses, se estão com a burguesia que tem tudo nas mãos, mas está condenada a morrer, ou estão com o proletariado que tudo herdará, mas que hoje só tem a sua luta.

E por que amplas camadas da classe média e da burguesia progressista estão se colocando contra a reação? Porque se sentiram ameaçadas em suas liberdades, como o próprio proletariado. Sentiram, pela própria experiência dos últimos anos, que a perseguição contra os comunistas é apenas um começo. O fim é a posse do poder e, através dele, de todas as coisas, por uma minoria ligada ao capital estrangeiro, que tem interesses econômicos em controlar nossa pátria contra o silêncio forçado, o paradeiro e a miséria da maioria do nosso povo. Essa maioria, o proletariado, e a burguesia média e alta que quer progredir, estão sendo levadas pelos próprios acontecimentos a uma união para defesa de seus interesses comuns. Esses interesses são: solucionar os problemas mais urgentes, a fome do povo, o atraso do país, removendo as causas que impedem o progresso.

Eis aí, portanto, as bases da união nacional.

Não é uma simples união pela união, sem um objetivo concreto. Não é uma união idealista, como a quiseram alguns políticos: o proletariado como um apêndice das forças burguesas, sem política independente, sem assumir o seu papel histórico de condutor do movimento. Numa batalha, o general que vai à frente deve ser o mais firme, o mais corajosos dos soldados. E quem luta hoje mais decididamente pela efetivação da democracia entre nós se não o proletariado e o seu partido?

Os estivadores de Santos são já um símbolo dos tempos novos: sua luta é flâmula, é bandeira desfraldada, bússola e estrela, sangue e alimento das nossas melhores esperanças.

Assim vai a marcha dos acontecimentos, aprofundando cada vez mais o processo de democratização do país, vai separando para unir, desmascarando os reacionários e unindo os democratas. É cada vez mais profunda a linha divisória. De um lado, os democratas. Do outro, os reacionários. Dentro dos próprios partidos burgueses, que não são blocos homogêneos nem parados, vemos os fatos repercutindo, cindindo, definindo, separando os homens em democratas e reacionários.

Democratas são aqueles cujos atos contribuem para o bem-estar e o progresso da maioria do nosso povo e para o crescimento do Brasil como nação independente. Reacionários são os que agem contra os interesses da maioria, contra o progresso da pátria, procurando barrar o seu desenvolvimento, não colaborando para a solução dos problemas mais urgentes.

Brasileiros democratas e reacionários houve em todos os tempos. Democratas foram Tiradentes, Frei Caneca, Padre Roma, José do Patrocínio, Maria Quitéria, Castro Alves, os negros de Palmares, os baianos do Recôncavo e os seus batalhões da Independência, os soldados da FEB, todos os que contribuíram, no seu tempo, para o Brasil progredir. Reacionários foram Domingos Jorge Velho, Calabar, os emboabas e paulistas das lutas fratricidas, o Visconde de Barbacena, Joaquim Silvério dos Reis, os que foram contra a Independência, a Abolição e a República.

Reacionários são os que lutam hoje contra a democracia. Democratas são os que lutam por uma democracia efetiva, em benefício da maioria. A vitória dos democratas contra a minoria reacionária, a vitória do desenvolvimento pacífico para o bem-estar da maioria, contra uma guerra civil, depende de todos, de cada um de nós, da nossa capacidade de união com as forças democráticas para a luta organizada, de nossa ação, firmeza, vingança e decisão.

 

Jornal O Momento, 1956

Sobre a poesia brasileira 49

(Conclusão) 50

Começou, mais ou menos em 1860, a reação contra o romantismo, que degenerava num ultrarromantismo sentimental, dentro duma forma descuidada. Começou como um duelo através duma seção, "Batalha do Parnaso", em um jornal do Rio (Parnaso designa um monte grego, morada de Apolo, deus da poesia). Foi o começo da corrente literária chamada Parnasianismo. Contra o idealismo romântico, os parnasianos propunham uma mudança de forma, uma poesia objetiva. Alguns autores fixam o predomínio da corrente parnasiana de 1860 até 1878, contemporânea portanto do fim do 2o Império e dos fatos que precederam a República. São características principais da poesia parnasiana:

No conteúdo, os mesmos motivos do romantismo (predominando pátria, natureza e amor), sob outras formas.

Na forma, descrições, linguagem pura (abolindo palavras e expressões brasileiras), imagens como um recurso verbal (explicação ou enfeite), não como um dos fundamentos do poema, preferência pelo soneto, pelo verso de doze sílabas – alexandrino -, pelas citações, pela rima rica e rara.

A poesia patriótica dos parnasianos tomou uma feição diferente da dos românticos. Em vez da pátria-sentimento, da pátria-natureza, cantam principalmente a pátria-amada cujo governo a burguesia nacional tomará em suas mãos.

São os principais representantes do parnasianismo: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Corrêa, Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luis Guimarães, Guimarães Passos, Afonso Celso, Francisca Júlia, Gonçalves Crespo, Emilio de Menezes, Olegário Mariano, Raul de Leoni, Hemes Fontes etc.

Olavo Bilac (1865-1918) nasceu no Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e um dos poetas mais influentes do seu tempo. Jornalista, foi redator de O Combate, A Cigarra, A Bruxa, A Notícia, A Gazeta de Notícias. Durante o estado de sítio que se seguiu à revolta de 1893, esteve preso durante alguns meses. Foi um propagandista do serviço militar e escreveu muitas poesias patrióticas, sonetos, além de poesias líricas, brilhantes e sensuais, outras épicas, outras filosóficas, outras didáticas, para infância e juventude, além de obras em prosa. São obras suas: Poesias, Sagres, Po esias Infantis, Juca e Chico, Tarde.

A poesia dos parnasianos não reflete as grandes mudanças do regime de monarquia para o regime republicano, assim também a poesia dos simbolistas, aparecidos no fim do século XIX. A palavra "simbolista" vem de "símbolo", muito utilizado nesta poesia; substituição do nome dum objeto por outra palavra que faça se lembrar dele, por exemplo um adjetivo que revele uma qualidade do objeto, uma palavra que faça lembrar o objeto pela semelhança dos sons etc. São características principais do simbolismo:

No conteúdo, os mesmos motivos (predominando morte, religião, natureza, amor) dos parnasianos, sob outras formas.

Na forma, forma subjetiva, vaga, imprecisa, utilizando frequentemente as onomatopeias (emprego de palavra, ou sucessão de palavras, que reproduz o som do objeto) e as aliterações (repetir as mesmas letras ou sílabas no começo de várias palavras).

Contra os parnasianos, que consideravam a poesia apenas como descrição, os simbolistas consideravam a poesia apenas como música e sugestão. São os principais representantes da poesia simbolista: Cruz e Souza, Alphonsus de Guimarães, B. Lopes, Félix Pacheco, Mário Pederneiras, Pereira da Silva, Gustavo Santiago, Emiliano Perneta etc.

A "minha terra" dos românticos, a "pátria-amada" dos parnasianos, na poesia dos simbolistas é uma pátria apenas espiritual, sem tempo nem lugar. Na poesia, por exemplo, de Cruz e Souza, é chocante a fuga da realidade material, por ser ele um negro, filho de negros escravos e que não toma conhecimento da escravidão em sua poesia. Sua revolta, se é que há revolta, está isolada, recalcada, disfarçada em fugas e mistérios. Talvez seja isso uma consequência de ter sido um escravo criado pelo senhor (Marechal de Campo Guilherme Xavier de Souza), de quem herdou o sobrenome e uma situação de outra classe.

Cruz e Souza (1861-1898) foi um dos maiores representantes do simbolismo. Negro, natural de Florianópolis, Santa Catarina, filho dum mestre pedreiro, ex-escravo alforriado pelo senhor durante a Guerra do Paraguai. Quando começou a escrever poesias simbolistas, o parnasianismo ainda predominava, e por isso caiu no ridículo, que o preconceito de cor acentuava.

Suas obras: Broquéis, Faróis.

Após o predomínio dos simbolistas, outra corrente literária surgiu em 1922. Durante os últimos anos do século XIX e os primeiros anos do século XX, sucederam fatos decisivos: a jovem República do Brasil iniciou sua existência num mundo de impérios e colônias, mundo cujo começo Camões cantara nos Lusíadas; a jovem República, ex-colônia disputada por portugueses, franceses e holandeses, continuou a ser disputada por outros impérios, o inglês e o americano; a "deusa democrática" dos tribunos republicanos nascia num mundo aceso de conflitos, que a revolução do conhecimento representada pelo marxismo, e mais o domínio da ciência, a conquista de meios rápidos de comunicação entre os homens e de domínio sobre a natureza, a grande indústria, a abolição da escravidão dos negros e outros fatos aceleravam, mundo de impérios e colônias que a Guerra entre países capitalistas, em 1914, para disputa do império mundial, pôs a nu, com todos os seus horrores e contradições.

A repercussão desses fatos na literatura, sobretudo as agitações provocadas pelos quatro anos de guerra, fez ver que o conflito entre literatura brasileira e literatura colonial brasileira (bandeira dos primeiros românticos) continuava atual e mais profundo. Mais profundo, pois dentro da literatura chamada de brasileira via-se nitidamente já a linha de demarcação entre poesia brasileira acadêmica (sobre motivos estabelecidos pelas Academias ou grupos literários) e poesia brasileira popular (sobre motivos populares). Tal conflito que reponta, desde muito antes, aqui e ali, em alguns escritos, provocou confusão entre a burguesia que, assustada, procurou dirigir a corrente que subia. Assim surgiu a corrente literária chamada Modernismo, que reuniu escritores e artistas na Semana de Arte Moderna em São Paulo. São características da poesia modernista:

No conteúdo, contra todos os motivos estabelecidos como literários e a favor de todos os motivos, mesmo aqueles considerados mais prosaicos (predominância dos motivos regionais, das anedotas).

Na forma, forma livre (sem métrica, sem rima, sem lógica), linguagem sem obedecer às regras do português clássico – emprego de palavras brasileiras e expressões populares. Alguns levaram a desordem da linguagem até a imitação do "futurismo", corrente literária iniciada pelo italiano Marinetti que pregava o emprego de substantivos ligados por traços de união, abolição de adjetivos, preposições, advérbios, orações subordinadas, tudo que chamavam de "parasitas da frase", imagens que consideravam audaciosas, ritmo desordenado. Havia, entre os que se reuniram sob o nome de modernistas, grandes diferenças. Os modernistas chamados regionalistas (sobre motivos das várias regiões do país) deixaram a melhor poesia modernista (brasileira e popular), como o poema "Essa nega Fulô", de Jorge de Lima, "Cobra Norato", de Raul Bopp (motivo do Amazonas), "Catimbó", de Ascenso Ferreira (motivos do Nordeste).

Para outros grupos modernistas, a poesia passou a ser malabarismo, anedota. Alguns poetas, representantes literários da burguesia deste país dependente, não mais tinham coragem de afirmar a existência da pátria diante dos senhores imperialistas. "Minha terra" dos românticos, "pátria amada" dos parnasianos, "pátria espiritual" dos simbolistas, "deusa democrática" dos republicanos, é, para os modernistas da "Semana de Arte Moderna", a "pátria piada". São representantes da poesia modernista: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia, Ribeiro Couto, Guilherme de Almeida, Cecília Meireles, Tasso da Silveira, Jorge de Lima, Ascenso Ferreira, Raul Bopp, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Carlos Drummond de Andrade.

Mário de Andrade (1893-1945), paulista, foi um dos participantes da Semana de Arte Moderna e, pode-se dizer, o coordenador do movimento modernista. Sua obra poética é típica do modernismo; nela aparecem as várias tendências, às vezes contraditórias, que foram chamadas, no conjunto, de modernismo. Somente alguns poemas seus são um todo homogêneo.

Os poemas de 1920 (Pauliceia desvairada) e 1922 (Losango caqui) são quase sempre anedotas, onde o pitoresco é a nota predominante. Os manifestos sobre poesia refletem a confusão do poeta diante dum mundo confuso. Tudo se decompõe na sua poesia: conteúdo e forma. Mas o pitoresco predomina. No "O poeta come amendoim", diz: "Brasil que eu sou porque é minha expressão muito engraçada". Sua poesia, como a dos outros modernistas, queria principalmente espantar. Mesmo nesse tempo, já há, em alguns de seus poemas, notas populares, mas que ficam deslocadas no conjunto. O poeta confessa, no "Acalanto do Seringueiro": "Que dificuldade enorme – Quero cantar e não posso – Quero sentir e não sinto – A palavra brasileira". O poeta consegue seus melhores poemas quando faz poesia regionalista, como com Toadas, As Midas, Acalanto do Seringueiro, A Lenda do Céu, O Coco do Major etc. São obras suas: Pauliceia desvairada, Losango caqui, Clã do jabuti, Poesias etc. Deixou também uma obra valiosa de História e Crítica da Literatura.

Alguns poetas brasileiros não podem ser incluídos dentro dessas quatro correntes citadas, porque sua poesia não apresenta as características principais que distinguem tais correntes, embora inclua contribuições trazidas por várias dessas correntes poéticas. Por exemplo, Augusto dos Anjos, que viveu no começo do século XX, fez poesia que poderíamos chamar de poesia científica (naturalismo científico), que reflete as últimas descobertas científicas do século XIX, o choque entre duas concepções de vida (metafísica e dialética), poesia do evolucionismo, onde há demasia de termos científicos, mas há sonetos bons como "A Ideia".

Sob a influência de muitos acontecimentos (entre os quais as revoltas populares, os movimentos armados, a revolução de 35, a Segunda Guerra e, principalmente, o nascimento do partido político da classe operária, força dirigente da revolução), o conflito entre poesia brasileira acadêmica e poesia brasileira popular se aprofundou, e vai explodir em conflito entre poesia popular sobre o povo e poesia popular para o povo. Para o povo significa achar uma solução para a contradição entre poesia nacional e poesia universal.

Santa Marta Fabril S.A. 51

Santa Marta Fabril S.A., peça de Abílio Pereira de Almeida, publicada pela Livraria Martins Editora – São Paulo, em 1955, já foi representada em São Paulo, pelo Teatro Brasileiro de Comédia, e no Rio de Janeiro, pelo Teatro Ginástico.

Para avaliar bem uma peça teatral, é necessário ler a peça e ver a representação. Quem julgar apenas pela leitura, fará um julgamento unilateral, porque poderá valorizar demais certos elementos, por exemplo, imagens poéticas, e não levar em consideração detalhes técnicos que, na representação, assumem importância decisiva. E teatro é escrito para ser representado. Por outro lado, quem julgar apenas pela representação, poderá não descontar as deficiências e erros dos atores, que podem valorizar detalhes secundários e deixar na sombra detalhes decisivos. Apesar de tudo, tentaremos fazer um julgamento só de leitura.

Muito verdadeira é a seguinte opinião: "nos outros gêneros literários, a fraqueza de conflito pode ser compensada pela intervenção do autor (por exemplo: digressões, descrições, retratos de personagens), mas não é assim no teatro". A Santa Marta Fabril S.A. apresenta, no primeiro ato, situado em 1928, uma família pequeno-burguesa que se transforma em proprietária industrial. Não se trata da alta burguesia paulista. A preocupação em se afirmar de "400 anos", os costumes dos personagens, as vacilações diante de questões políticas decisivas para a defesa da classe (vacilações que não teria a alta burguesia paulista), tudo indica que se trata de "novos-ricos". O primeiro ato apresenta uma situação não só real, mas típica. O interesse econômico da "Santa Marta Fabril S.A." está no centro. Marta e Cláudio unem-se em casamento, Júlia e o marido não se separam, tudo por causa da fábrica. Moral, amor, política, educação, tudo está subordinado ao interesse econômico. Isso é dito pela boca da velha fundadora da fábrica, D. Marta:

- Aqui se briga por qualquer coisa. Seu pai com sua mãe, Tonico e Vera, mas todos se unem em torno da Santa Marta.

A cena de noivado da neta, Marta, com Cláudio mostra os conflitos entre o amor e a família, conflito que Marta sofre, e que se acentua no final do primeiro ato. O segundo ato apresenta o mesmo cenário e os mesmos personagens treze anos depois. A diferença de tempo é bem marcada por alguns elementos no cenário: as relíquias e as bandeiras de 32, a parede de vidro substituindo o tijolo, o recitativo da menina. Também os personagens estão mais velhos e degradados, mais cínicos, mais farristas. Todas essas diferenças são, porém, secundárias, porque a Santa Marta Fabril S.A. continua sendo o centro de interesse. Mas a fábrica está em dificuldade. E aparece um salvador, na figura de Acrísio, agente da ditadura. Todos os escrúpulos dos adeptos de 32 (movimento constitucional protegido, através da ativa oligarquia paulista do café, pelos imperialistas ingleses) desfazem-se diante da necessidade de salvar a Santa Marta Fabril S.A. Mas quando, no final do ato, Marta se entrega a Acrísio e Cláudio conquista Nenê, mulher de Acrísio, sob pretexto de que estava salvando a Santa Marta, a impressão exata é de que eles enganam a si mesmos, e não estão representando de cínicos, são cínicos de verdade.

O terceiro ato, situado em 1938, traz outra vez, na presença de Martuxa (filha de Marta e bisneta da fundadora da Santa Marta), o mesmo conflito sofrido por Marta no primeiro ano. Martuxa é intelectual, acusada pela família de ideias socialistas, mas o que ela defende é também a propriedade da Santa Marta. Uma defesa mais inteligente, mais disfarçada, mais "progressista". Suas discussões sobre aumento de salário, greve, produção, põem a nu que a família, quando defende a Santa Marta, está defendendo só o seu lucro. Os operários da Santa Marta não aparecem. Só aparecem através de referências, vistos pelos olhos da família. O conflito de classe, entre operários e patrões, foi substituído, na peça, pelo conflito entre o amor de Martuxa e a família. Este último é um conflito sob alguns aspectos verdadeiro, mas secundário, e por isso não comove nem convence, sobretudo no final do primeiro quadro (do terceiro ato), quando a mãe diz para a filha "Agarre seu homem", nem no final da peça, quando a mãe apoia a fuga da filha com o amante, como uma vitória contra as convenções impostas pela propriedade da Santa Marta. Somente sob este aspecto de vitória contra a degradação e o cinismo é que a vitória de Martuxa consegue comover.

O conflito entre operários e patrões foi colocado em segundo plano, mas é tão verdadeiro que reponta, aqui e ali, apesar de tudo. O final da peça é mais do que uma fuga desse conflito, é uma espécie de conciliação entre patrões e operários, através do amor da filha dum patrão com o filho dum contramestre da fábrica.

A construção da peça exige os mesmos cenários e quase os mesmos personagens nos três atos. Isto não seria um defeito se o interesse do público pelo conflito que está no centro da peça fosse muito grande, e, em certos aspectos, verdadeiros. E a representação, para atingir seu fim, precisa comover e convencer. Dirigir-se à inteligência e ao coração dos espectadores. Poderiam perguntar: mas então o teatro só é válido se apresentar o referido conflito de classe? Estamos analisando uma determinada peça, e a necessidade de representar tal conflito decorre do primeiro ato como foi apresentado pelo autor.

A linguagem dos diálogos é própria, os personagens falam através de palavras e expressões usadas, não livrescas. Há porém outros personagens, estranhos à família, como Acrísio e Nenê, cuja linguagem é a mesma da família, sem as diferenças de raça (Acrísio é descendente de italiano), de profissão (Nenê é uma aventureira de alta roda), de lugar (moram no Rio) etc.

O grande mérito da peça Santa Marta Fabril S.A é a sua atualidade. O autor traz para o teatro uma situação real, e é por isso que o dito conflito se impõe, independentemente da vontade do autor. O autor, se não me engano, tem a primazia de trazer a indústria para o

teatro, no Brasil.52

História popular53

A Tocaia Um camponês passava por uma estrada e encontrou um homem capinando a terra, na encruzilhada do caminho.

- Ó homem, podes me ensinar de que lado ficam as terras de Miroró?

- Desculpe a pergunta, mas o que é que o senhor quer lá?

- Quero terra para trabalhar com minha mulher e meus filhos.

O homem ensinou o caminho, dizendo: a estrada é comprida e perigosa.

Veio um segundo, e o homem ensinou o caminho. Até que um dia passou um viajante lorde, montado num belo cavalo, com ricos arreios. Fez a mesma pergunta, e o camponês ensinou o caminho errado.

O viajante andou muito e, já cansado, chegou numas terras. Disse consigo: deve ser o Miroró. Apeou, chamou todos os moradores da redondeza, e disse:

- Resolvi dar um pedaço de terra a cada um.

Aí um camponês falou:

- Mas Vossa Senhoria dá dado, sem troco?

- O senhor está duvidando?

- Duvidar, duvido. E quem é Vossa Senhoria?

- Sou o governo de Miroró.

- Hum! – disse o camponês – eu sabia que tinha de ter um troco... Mas se Vossa Senhoria, sozinho, é governo, pode dar hoje e amanhã tomar de novo. E tem mais uma coisa que Vossa Senhoria não sabe.

- O que é?

- Aqui não é o Miroró...

- Ah! Desgraçado – disse o viajante, fulo de raiva. Tu me pagas!

Voltou, e até hoje procura o homem que lhe ensinou o caminho errado.

Sobre poetas baianos atuais 54

Fazemos hoje algumas anotações sobre autores baianos atuais. São anotações sobre alguns livros e poemas inéditos, que nos foram enviados pelos autores.

Já nos referimos, em outro estudo, ao livro Poemas Pacíficos, de M. Ribeiro Costa, editado pela Empresa Gráfica Ltda. – Bahia – 1952. Voltamos hoje a falar sobre esse poeta, residente na cidade de Seabra, porque nos enviou vários poemas inéditos. Repetimos o que então dissemos: M. Ribeiro Costa é um poeta idealista que canta um mundo de paz, de fraternidade, de igualdade, para o qual caminha. A diferença de Poemas pacíficos para os poemas que agora nos foram enviados é que, nos poemas do livro, o poeta caminhava sozinho em busca daquele mundo; agora, já caminha, no "Poema do povo", em companhia dos "párias humilhados", dos "que tombam". Ainda mais, já descobre e grita contra os "cães farejadores de Guerras", contra os "corvos do ódio":

Vai meu verso dar consolo aos que choram

esperança aos que sofrem

coragem aos que tombam,

até que desponte o dia esperado...

No "Meu poema em louvor da Anistia", do qual transcrevemos hoje um trecho, o poeta já não fala dum modo geral do "vasto presídio da Terra": vê forças opostas em luta, vê os "cárceres", os "magnatas da Norte América", os "homens do cais", o "operário", "o camponês", "os estudantes". Continua sendo um poeta idealista porque espera como que um dia mágico, uma solução ideal que virá por outras mãos. Quando entender que a solução está em nossas próprias mãos, nas mãos do povo, então seu verso deixará de ser "um consolo aos que choram" para se tornar uma arma nas mãos dos que lutam.

É por isso que saudamos com alegria os novos poemas enviados pelo poeta que, apesar de continuar um espiritualista, como demonstra o poema "Humberto Jorge", para seu filho, não faz mais poesia em que o espiritualismo é uma justificativa para fugir do mundo material em que vive.

Sobre a forma dos poemas, há uma questão que surge: será o verso livre (sem métrica e sem rima) o instrumento mais eficiente?

Preferimos o verso metrificado, mas achamos que o verso livre também pode ser um instrumento eficiente. No caso do poeta, achamos que quebrou as antigas formas metrificadas, passando a usar o verso livre, não porque ficava mais fácil fazer poesia, mas porque as mudanças de conteúdo dos poemas exigiam novas formas. Mas é preciso ter um sentido muito vivo de ritmo, um sentido não só natural, mas educado, para nunca falhar no verso livre. O final de "Poema ao povo", por exemplo, tem um belo ritmo. Mas há outros trechos – como, por exemplo, no começo de "Meu poema em louvor da Anistia", o trecho que vai de "Aquela estrela branca" até "atrás da escuridão" – como se fossem prosa com algumas imagens poéticas. E poesia não é somente ritmo nem somente imagens, embora esses dois elementos sejam fundamentais em toda poesia. O poeta ainda emprega muitas imagens que chamamos "literárias", quero dizer, foram lidas ou sugeridas pelos livros dos literatos. E não só as imagens, também a linguagem dos poemas. Exemplo: "os ledos passarinhos", "áurea bonança", "cânticos festivais à Natureza", do poema "Humberto Jorge". Veja a diferença quando emprega comparações usadas atualmente pelo povo, como adiciona a força da expressão e o poder de comunicação ao poema. Por exemplo, em "Cantiga da rua escura":

Rua escura de minha terra,

de dia que é noite e de

noite que é dia,

que cheira a...,55

a lama e a sangue...

"A Cantiga da rua escura" é um relato de uma das chagas mais impressionantes do mundo burguês, tão impressionante que impressiona quase todos os romancistas do fim do século XIX. Mas o poema não mostra por que e como esta chaga, a prostituição, está ligada à própria existência do mundo burguês e só acabará quando acabar este mundo burguês. Também não mostra uma face da prostituição, a troca direta do amor pelo dinheiro, não mostra as outras formas dessa troca que, geralmente, são aceitas, consciente ou inconscientemente, pelos mesmos que condenam a troca direta do amor pelo dinheiro. "Cantiga da rua escura" é um retrato vivo desta chaga, mas os três últimos versos mostram que é cantada por um homem, e não por uma mulher: neles aparece o salvador, que quer salvar as vítimas dessa chaga social, mas sem ao menos lhes dizer que a situação da mulher como "propriedade do homem" é uma das colunas sobre a qual se assenta a ordem burguesa.

O poeta M. Ribeiro Cota já publicou Poemas pacíficos e vai publicar Cancioneiro da saudade (1944-1945), Asas, Céu estrelado, Mansuetude, Enigmas, Rimeiro perdido.

Telmo Padilha é autor de Girassol do Espanto, editado pela Livraria Editora Casa do Estudante do Brasil. Diz o prefácio: "desprezando o hermetismo, prefere a expressão na simplicidade clássica". Os poemas do livro demonstram o contrário do dito no prefácio: são herméticos, fechados, incompreensíveis. Até alguns títulos são incompreensíveis: "Predestinação dos extremos". O autor diz:

Lírios eram pilares de cristal

subindo para as aves e para os céus

desceram sobre os mais amplos colos

de ilhargas e punhais...

Então o leitor indaga: ele queria mesmo dizer alguma coisa e não achou os meios de expressão? Ou juntou palavras por esporte ou fazendo uma experimentação, um exercício para futuros poemas? Seja como for, não é poema. Imaginemos: se um lírio escrevesse versos, seria numa linguagem que os outros homens entendessem. Isso de dizer "a poesia é para mim mesmo" (como uma estrela solitária ou uma válvula de escape), não se justifica. Respondemos: se é só para si, então não escreva. Não precisa escrever. Não queremos dizer que a poesia deve ser "objetiva", se restringir a ser uma fotografia da realidade visível. Não. Há muitas realidades invisíveis necessitando de expressão, principalmente depois dos séculos XIX e XX, quando mudanças profundas e dantes nunca imaginadas se operaram nos homens e entre os homens. Mas o que acontece com o poeta e com o prefaciador é que eles falam do homem desligado do tempo e do lugar. E tal homem não existe. Citemos um trecho do prefácio: "circunscrita a esses valores (os valores constantes são humanos e, em consequência, universais e eternos: a morte, o medo, o tempo, o nada, a memória), invulnerável a qualquer exterioridade, a poesia de Telmo Padilha pode converter-se em um marco que congregue toda a sua geração". Repetimos: o que o prefaciador chama de valores humanos, universais, eternos (morte, medo, tempo, memória) existem não como valores absolutos, mas variáveis, porque não existe o Homem, mas homens concretos, determinados, situados num tempo e num lugar. Tanto o prefaciador como o poeta, sob o pretexto de defenderem o humanismo na poesia, chegam a um resultado contrário, isto é, a uma poesia desumana, sem poder de comunicação com os outros homens. A prova disso é o livro.

No meio de alguns versos incompreensíveis, surge, às vezes, um ou outro verso compreensível, como no último poema:

O socorro da morte

não nos salva na úmida desesperança do nada.

E não seria para mascarar esse desespero, que nem o suicídio salva, que foram feitos os poemas? O que ninguém aceita é chamar tal arte de humanismo. Nem inventando outros dicionários.

Wilson Rocha é autor de O tempo no caminho, editado sob os auspícios da revista Caderno da Bahia.

Os poemas de Wilson Rocha estão também sob a influência do chamado "humanismo" a que me referi, mas não chegam a ser incomunicáveis. Há trechos de poemas, como "Desenho", belos pela imagem e pelo ritmo.

Difuso no sono

em fundo e silêncio

um rio começa

nos desvãos da memória.

É uma pena que o chamado "humanismo" leve o conjunto do poema a uma generalização demasiada, quase abstração. Essas mesmas qualidades de imagem e de ritmo estão no poema "Canção da menina afogada". O poema "A madrugada no quarto" inclui elementos novos, nomes de coisas atuais como "apitos, unhas de prisioneiro, resfolegar de máquina, língua de cão no lajedo, relógios, salários, lucros, secreções, moedas, travesseiro". Mas o poema "A noite no caminho" já não é daquele falso humanismo, e por isso mais humano, se bem que apresente um mundo desolador "e um menino perdido procurando o mundo". Este mundo desolador é falso porque o poeta vê o mundo como uma máquina:

A máquina do tempo

devora a rosa do mundo

sem tomar-lhe a cor.

No "Elegia noturna" há uma sensível influência de Augusto Frederico Schmidt. Quanto menos literárias são as imagens e a linguagem dos poemas, tanto mais verdadeiras, menos repetidas. Mas quando isso acontece nos poemas de Wilson Rocha, o que fica é, se não desespero, pelo menos desolação. Só fica o deserto. Desumano também.

Erastro de Lacerda nos tem enviado vários poemas, dos quais já publicamos um belo "Soneto de Natal" e o poema "Capitão de aço", em homenagem a Prestes, no dia 3 de janeiro último. Recebemos também um poema, "Imortalidade", dedicado a Stalin, e um poema sobre a Anistia, do qual publicamos hoje um trecho, e um poema

sobre Tiradentes, que chegou depois de 21 de Abril.56 A eloquência é uma qualidade de todos os poemas de Erastro de Lacerda. A forma metrificada apresenta, às vezes, falhas.

Queremos porém acentuar que o poeta precisa mudar a linguagem para falar sobre os motivos atuais que sempre escolhe. Sua linguagem é ainda presa às escolas literárias do passado, isto é, quase sempre palavras e expressões estabelecidas como literárias, como "a vil rapina", "os ecos", "te quedas", "Mãe Natura", "a prole terra" e até invocações aos deuses da mitologia, a Netuno, de mistura com o Deus e os santos dos cristãos. O "Soneto de Natal" e o poema "Esta terra é minha" são também eloquentes, mas a linguagem é muito menos literária, e são os melhores. Estamos nos referindo à linguagem, e não às concepções e convicções do poeta, das quais discordamos muitas vezes, como no poema "Capitão de aço", quando diz que a Natureza forjou Prestes do "metal mais forte", quando não foi a natureza, e sim o povo brasileiro, a classe operária do Brasil, o partido da classe operária, o Partido Comunista do Brasil.

Acreditamos que Erastro de Lacerda, com o domínio do ofício poético que já possui, poderia, por exemplo, utilizar a forma do soneto e fazer grandes sonetos sobre os motivos atuais.

Hélio Teixeira nos enviou três sonetos de sua autoria: "Corpo e alma", "Chão amargo" e "Retorno impossível". São todos belos sonetos, duma forma impecável. Os dois primeiros são sobre o velho conflito, já explorado por quase todas as escolas literárias, entre o "céu do sonhador" e a carne. O último, "Retorno impossível", é menos literário e mais sentido, é o soneto de um idealista que sabe que não pode mais ser idealista e não quer ser realista.

Dói-me tanto a fatal transformação:

criaram garras, não parecem flores

os lírios que trazia minha mão!

Dizemos ao poeta que ser realista não é desistir da beleza, é ver o real. E o mundo real, se tem horrores, tem também belezas nunca dantes imaginadas.

O poeta Samuel Andrade nos enviou um poema, "Petróleo", do qual transcrevemos um trecho. É um motivo atual e ainda quase não trazido para a literatura. O poeta deve procurar, porém, não falar dum modo geral sobre o petróleo no Brasil, mas sobre determinada luta pelo petróleo num determinado lugar do Brasil.

Pedro Alves de Azevedo nos trouxe um poema, "Mensageiro da Paz". A linguagem é muito literária: "Na Paz tudo é sublime", "A brisa no espaço à toa", "A brisa que a aurora espanta". Queremos porém nos referir ao final do poema, quando o poeta diz que a Paz está chegando, e "os mercenários dos trustes" serão agricultores, e "aquelas mãos criminosas fabricantes de canhão" serão "mãos de padeiro para o fabrico do pão". Assim como foi dito, parece que a paz é uma deusa que vai chegar e, do alto, ditar aquelas transformações. E a ilusão está em supor que os mercenários dos

trustes e fabricantes de canhão obedeceriam àquela deusa... 57

1 Cf. biografia de Jacinta Passos, nesta edição. Todas as referências biográficas aqui referidas estão desenvolvidas na biografia.

2 Jorge Amado escrevia em O Imparcial a coluna "A Hora da Guerra". Esses seus textos foram publicados em: Amado, Jorge. Hora da Guerra – a Segunda Guerra Mundial vista da Bahia. S.Paulo: Cia. das Letras, 2008.

3 Cf. biografia de Jacinta Passos, neste volume.

4 As notas aos poemas de Jacinta Passos indicam os jornais e revistas onde foram publicados.

5 O Imparcial, 1º de julho de 1942, p.2.

6 Este texto foi primeiro publicado na revista cultural Seiva, Salvador, agosto de 1941, ano III, nº 9, p. 9 e 10. Jacinta publicou também poemas em Seiva. Cf. Arquivo pessoal de João Falcão, coleção xerocopiada da revista Seiva.

7 O Imparcial, Salvador, 9 de outubro de 1942, p. 2.

8 A grande maioria dos textos de Jacinta Passos para O Imparcial, como este, foram escritos na véspera da publicação; as exceções estão assinaladas em nota. Ao final de cada artigo de Jacinta em O Imparcial, há a palavra "Baía", seguida da data de confecção do texto.

9 O Imparcial, Salvador, 23 de outubro de 1942, p.2.

10 O texto foi escrito três dias antes da publicação: "Baía, 20-10-42".

11 O Imparcial, 10 de agosto de 1943, p. 2.

12 O Imparcial, Salvador, 20 de janeiro de 1943, p.2. À época, Jacinta trabalhava como voluntária na LBA.

13 Áustria: no jornal, Austrália, país não europeu.

14 Que: palavra inexistente no texto do jornal.

15 Conforme informado logo abaixo do texto, ele foi escrito no mesmo dia de sua publicação.

16 O Imparcial, Salvador, 26 de março de 1943. A palestra radiofônica de Jacinta Passos foi ao ar em 27 de fevereiro de 1943.

17 O Imparcial, Salvador, 13 de julho de 1943, p. 2.

18 Frase incompleta no texto do jornal.

19 O Imparcial, 27 de Julho de 1943, p.3.

20 O Imparcial, Salvador, 3 de agosto de 1943, p. 3.

21 Palavra ilegível, devido a defeito de impressão.

22 Aos. No texto de jornal: os.

23 O Imparcial, 17 de agosto de 1943, p. 2.

24 O Imparcial, Salvador, 24 de agosto de 1943, p.2.

25 Jacinta usou o mesmo personagem e a mesma frase em um trecho do poema "Canção da Partida", do livro homônimo: Não sei, não sei se adivinho, / se Venâncio adivinhou:/ – são voltas que o mundo dá. O artigo de jornal explicita a referência autobiográfica do poema.

26 O Imparcial, 14 de setembro de 1943. No original, grafado "führer", no título e ao longo do texto.

27 O Imparcial, Salvador, 19 de outubro de 1943, p. 2.

28 Deve guiar-se.. No original: deve guiar.

29 O Corpo Expedicionário é a concretização maior desse esforço de guerra. No texto de jornal, a frase é seguida de uma vírgula e de um incompreensível o Corpo Expedicionário.

30 O Momento, Salvador, 29 de novembro de 1945, p. 5.

31 Jacinta Passos era então candidata a deputada federal constituinte pelo PCB.

32 Manuel estivador: Jacinta refere-se a ele também no poema "Canção da Partida", que abre o livro do mesmo nome: Eu te conheço, Manuel,/ tu és Manuel de Maria, / meu compadre, estivador. / Pelo sinal / da nossa cor! O cruzamento das referências lança luz sobre o estivador pobre da Bahia, compadre da autora e cuja filha mais velha estudava na Escola Normal onde talvez Jacinta a tenha conhecido.

33 Negro Benedito: Alusão provável ao mesmo homem lembrado em "Canção da Partida", que Jacinta deve ter conhecido na fazendo do pai, em Cruz das Almas: Benedito tem cem anos: / negro duro! / Cem anos de escravidão.

34 O Momento, 10 de dezembro de 1945, p. 3 e 6.

35 Ao contrário dos outros textos jornalísticos, todos de autoria de Jacinta, este é o resultado de uma entrevista feita com ela, então candidata a deputada federal. Ajuda a esclarecer as posições políticas de Jacinta à época, que seguiam o programa do PCB, principalmente sua preocupação com a situação das mulheres e os caminhos que divisava para elas.

36 Note-se que a entrevista foi realizada na sala de estar do sobrado dos Passos, no bairro de Nazaré, Salvador, em meio "a várias pessoas". A posição política dos Passos, especialmente do pai de Jacinta, Manoel Caetano, era frontalmente oposta à dos comunistas. Jacinta, junto com o marido, retornara há pouco de Porto Alegre para Salvador, por ordem do PCB, para candidatar-se na Bahia a à Assembleia Nacional Constituinte,. Não foi eleita. Cf. Biografia de Jacinta Passos, nesta edição.

37 Relação. No texto de jornal: criação.

38 O Momento, Salvador, 31 de dezembro de 1945, p. 2, e 7 de janeiro de 1946, p. 5. Logo após o título, está escrito: Jacinta Passos Amado. Até onde pudemos apurar, foi a única vez em que Jacinta publicou um texto de sua autoria (prosa ou poesia) com o nome de casada. A essa época, era candidata na Bahia a deputada federal, pelo PCB, utilizando o nome de casada. A palestra fez parte de sua campanha.

39 como cada Estado do Brasil – no texto do jornal, como em cada Estado do Brasil.

40 que governar a Bahia, – no jornal, que governar Bahia.

41 de riqueza – de riquezas, no texto do jornal.

42 às mulheres – sem a crase, no texto de jornal.

43 de lojas – no jornal: de loja.

44 chauffeurs – em francês, no texto de jornal.

45 Primeiro – 1º, no texto do jornal, aqui modificado para estar conforme o seguimento do texto.

46 quando – no jornal: que.

47 A seguir há, no texto de O Momento, a seguinte frase, entre parêntesis: "(Passo a ler outros pontos do programa mínimo estadual do Partido Comunista)." Esses "outros pontos" do programa do PC, lidos pela conferencista, foram cortados do texto do jornal, sem que a referência a eles tivesse sido igualmente excluída.

48 O Momento, 13 de junho de 1946, p. 3 e 4.

49 O Momento, Salvador, 8 de abril de 1956, p. 3 e 2 (nessa ordem).

O texto está publicado dentro da página intitulada "Literatura e Arte" (que tinha como subtítulo "Estudo-crítica-divulgação"), iniciada em O Momento no ano de 1956. "Literatura e Arte" ocupava uma página inteira, em um jornal que à época circulava com quatro, no máximo seis páginas. A seção não tinha periodicidade regular. É provável que Jacinta tenha dirigido toda a seção "Literatura e Arte" de janeiro a maio de 1956, sendo no período a responsável pela escolha das matérias que a integravam.

50 Este texto é a última parte (Conclusão) de um estudo de Jacinta Passos sobre a evolução da poesia brasileira. Ignoramos em quantos números do jornal o estudo foi publicado, já que, relativamente a 1956, a Biblioteca Pública da Bahia possui exemplares de O Momento apenas a partir de 8 de abril, data em que foi publicada esta conclusão. No ano de 1955 não há no jornal artigos assinados por Jacinta.

51 O Momento, Salvador, 29 de abril de 1956, p. 3 e 2, nessa ordem. Texto publicado na página "Literatura e Arte".

52 Após o texto, este aviso: "Para remessa de livros, folhetos, manuscritos, jornais, cartas e toda correspondência: Redação de O Momento – Av. Sete, 51 – 2º – Salvador – Bahia."

53 O Momento, 29 de abril de 1956, página "Literatura e Arte". Segue o texto anterior, "Santa Maria Fabril S.A."

54 O Momento, Salvador, 6 de maio de 1956, p. 3, 2 e 4 (nessa ordem). Este artigo, como os anteriores do ano de 1956, foi publicado na seção "Literatura e Artes".

55 Segue-se uma palavra ilegível, devido a erro de impressão.

56 Este parágrafo demonstra que Jacinta Passos escolhia as matérias incluídas na seção "Literatura e Arte", sendo portanto a responsável por ela: o poema "Imortalidade", de Erastro de Lacerda, a que se refere o parágrafo, foi efetivamente publicado no jornal no dia 3 de maio de 1956. A seção "Literatura e Arte" deve ter se iniciado a 3 de janeiro de 1956, aniversário de Prestes, data referida no parágrafo como da publicação do poema "Capitão de Aço". A partir de 6 de maio de 1956, a seção não mais publicou artigos ou poemas assinados por Jacinta, embora continuasse existindo até o final do ano. Não se sabe se, mesmo sem apresentar textos de sua autoria, Jacinta continuou responsável pela escolha das matérias da seção, a partir de maio. É possível que não, dado o incidente relatado em sua biografia, nesta edição.

57 Após o texto, este aviso: "Para remessa de livros, folhetos, manuscritos, jornais, cartas e toda correspondência: Redação de "O Momento" – Av. Sete, 51 – 2º – Salvador – Bahia."