Manual do Xavequeiro

Fabiano Rampazzo e Ismael de Araújo · Capítulo 9 de 50

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Manual do Xavequeiro

Xaveco na Balada 3 18

XAVECO NA BALADA 3

 

Interpretação - ●●●●

Risco - ●

Ousadia - ●●●●●

 

Sejamos francos. Quase sempre que nos dispomos a sair de casa pra ir a uma balada, a intenção é se dar bem. Falando um português mais claro, queremos conhecer gatinhas, beijar na boca. E, já que você foi pra guerra, lute até o fim. Uma vez na night, é de suma importância que você tenha na ponta da língua aquele xaveco estratégico pro fim de balada. E naquela situação que, aparentemente, não renderia nada, saiba que aquela gatinha que se mostra conformada com o que a noite lhe ofereceu pode, sim, compor o cenário ideal pra você, xavequeiro de plantão, colher a fruta mais saborosa da noite, num ambiente, à primeira vista, pouco propício. Pois bem, seja na fila do caixa, na porta do pico ou no estacionamento, o fato é que ela -- assim como você -- está exausta e pronta pra ir embora. Sua abordagem será simples, direta e tranqüila. Uma vez escolhida a brota, vá calma e decididamente a ela e pergunte: "Seguinte. ..é...eu queria muito saber uma coisa... Onde você mora?". Demonstre tranqüilidade. Como se já o conhecesse, ela poderá até cogitar que vocês moram no mesmo bairro. Intrigada, curiosa, ela deve dizer a região onde mora, e é aí que você emenda. Sem afobação, com extrema normalidade, você diz: 'Tá... me dá uma carona?". Seja um cara pacato, até meio sonolento, mostre-se tranqüilo, inofensivo. Pense rápido num local entre a balada e a casa dela que seja útil para você e insista, com sensatez, no pedido de carona. "Ué? Qual o problema de uma pessoa ajudar a outra?". Explique que você veio com um amigo e que ele simplesmente o abandonou Desperte a compaixão na gatinha, deixe-a condolente, sensibilize-a. Acredite, suas chances de ganhar uma carona da bela mulher que havia minutos nem sabia de sua existência são grandes. Claro que respostas como "o carro tá cheio" ou "tô de carona com um amigo, cê sabe como é homem..." podem pintar. Nesses casos, não insista. Lamente um pouco sua sorte e dê o arremate final: "Ok, darei um jeito, então, mas gostei de você, sabia? Posso te ligar?". Pronto. Pelo menos o telefone da criança você deve pegar. Ela tem tudo para lhe dar esse crédito. Diferente de caras que chegam bêbados e melosos nos fins de baladas, você se mostrou frágil, sensível, pediu ajuda. Ao mesmo tempo em que não foi um mala, manteve-se ponderado e elegante. Se for o caso, use esses argumentos, relembre-a dos motivos que ela teria para te dar o número, ora, você é um cara legal! Evidentemente que terá de trabalhar bem nesse futuro telefonema, fique atento (pág 158 - Como proceder no primeiro telefonema) E nunca é demais alertar: se você foi contemplado com a carona, deve tomar uma série de cuidados e precauções (pág. 154 - Procedimentos caso você ganhe uma carona da gatinha).