Manual do Xavequeiro

Fabiano Rampazzo e Ismael de Araújo · Capítulo 21 de 50

Páginas do PDF

Manual do Xavequeiro

Xaveco na Livraria 40

DICA DO ISMÁ:

Vamos agora cogitar o outro lado da moeda. O pitéu não só ouviu o que você tinha pra dizer, não só deu o telefone como foi, nitidamente, muito com a sua cara. Use toda a sua sensibilidade, analise o terreno e cogite, sim, agarrar a mina ali mesmo. E põe happy hour nisso!

 

XAVECO NA LIVRARIA

 

Interpretação - ●●●

Risco - ●

Ousadia - ●●●

 

Taí, a livraria. Eis outro ambiente que definitivamente é bem freqüentado. Mulheres de todos os tipos vão à livraria atrás de livros de todos os tipos.

A sugestão aqui não é que você vá até a livraria mais próxima para xavecar meninas, mas sim para ficar atento quando de fato for precisar comprar ou consultar um livro.

Uma abordagem interessante, ousada e irreverente, mas acima de tudo pertinente, é chegar para a gatinha que está remexendo as estantes com um doce pedido: "Por favor, posso te pedir uma coisa?". Diga isso com simpatia, com toda a educação e serenidade que um ambiente como uma livraria requer. Ante a provável interrogação da moça, prossiga: "Eu queria que você me indicasse um livro". Ao proferir essa segunda frase seria interessante o uso de uma sutil risadinha. Dê a entender, com essa sutil risadinha, que você não a está confundindo com um atendente livreiro. Deixe transparecer a sua ciência de que isso tudo é meio non sense, incomum e até cômico. Seguindo nas projeções do que deve ocorrer nesse diálogo, ela, a delicinha da livraria, deve exigir explicações sobre o fato. Isso pode vir com um simples "eu? Indicar um livro? Como assim?", ou mesmo com a já cogitada resposta "desculpe, mas eu não trabalho aqui", enfim, seja lá qual for o comentário, dê a ela a justificativa de sua abordagem e de seu pedido: "É o seguinte, eu tava te observando ali de longe, o jeito como você olha os livros, mexe nas coisas, sei lá, fiquei meio que viajando, mas você me transmitiu uma coisa boa, uma sensibilidade, mesmo sem eu te conhecer, acredite! Aí me deu uma vontade de ler alguma coisa sob sua indicação. Acho que seu palpite seria interessante e bom para mim". Ao mesmo tempo em que isso pode envaidecer a moça, afinal você enxergou na estética e nos trejeitos dela uma autoridade literária e intelectual, pode também fazer com que se sinta pressionada. Cria-se uma expectativa em cima da mega-sugestão da gatinha. Livre-a desse peso. "Olha, antes de você falar qualquer coisa, eu quero deixar claro que não espero nada extraordinário, filosófico, quero apenas ter o prazer de ler alguma coisa indicada por você, que me passou uma coisa tão boa. Se você me indicar um gibi da Mônica tá tudo bem, desde que seja com sinceridade". Não transforme essa conversa num papo sério, professoral. Diga tudo com humor, com a tal risadinha, faça a moça pensar que você está tirando uma com a cara dela. Óbvio, se ela cogitar isso, negue, até porque não é verdade mesmo. A coisa toda deve ser engraçada, mas é real. Você quer mesmo ler algo que aquele pitéu lhe indicar. Mas veja, não precisa comprar o tal livro no mesmo dia; se for o caso, diga que só foi à livraria pesquisar, que está sem a carteira, e em último caso vale a anotação do título e do autor num pedaço de papel. Não há a necessidade de vocês entrarem em assuntos mais pessoais -- caso a moça realmente indique um livro pra você, já existirá o pretexto para angariar o número dela. Pergunte seu nome (caso ainda não o tenha feito) e peça o tel dizendo que vai ligar pra dizer o que achou do livro. Note que esse pedido de telefone é absolutamente normal e justificável, você vai passar momentos de sua vida lendo algo por indicação da moça, é justíssimo que possa comentar com ela depois. Ela não terá por que recusar. Mas, caso recuse, cabe uma boa insistência da sua parte; motivos para tal não te faltam.