Manual do Xavequeiro
Xaveco na Academia 1 87
XAVECO NA ACADEMIA 1
Interpretação - ●●●●●
Risco - ●●
Ousadia - ●●
Academia. Vamos repelir a palavra, ok? A-ca-de-mi-a. Acho que é dispensável versar sobre a quantidade de pitéus que compõem esse ambiente.
Se você, bravo colega amante da conquista, freqüenta uma academia, terá agora uma opção a mais para incrementar suas investidas. Bom, você fitou aquela coisica há alguns dias e já concluiu que a beleza e gostosura da moça chegam a atrapalhar seu treino. Só lhe resta uma coisa... ação!
Espere um momento propício durante as atividades dela dentro da academia para abordá-la -- uma hora em que ela parou pra descansar, em que está trocando de aparelho --, então, chegue perto dizendo: "Oi. Olha, eu não tô muito legal, aconteceram umas coisas chatas na minha vida, mas venho notando você aqui há algum tempo e, sei lá, você me passa uma tranqüilidade, uma coisa boa, sabia? Será que depois do treino a gente não pode tomar um suco juntos? Eu queria que você me desse cinco minutos".
Num ambiente onde a vaidade predomina, onde todos têm a preocupação de exibir seus músculos (você e ela até podem estar incluídos nesse perfil, afinal, é uma academia, oras!), você, nesse momento, mostrou que pode ir mais longe, que tem sensibilidade e, mais que isso, que viu sensibilidade nela! Você certamente a surpreenderá, e dificilmente a resposta será negativa. É possível que ela indague, ali mesmo, o que se passa. Ela ficou curiosa. Mas fuja do diálogo nessa hora, no máximo pergunte o nome dela e ratifique o pequeno encontro para depois do treino. Reafirme que você não quer mais que cinco minutos, e ela não deve recusar. Aí, volte para seus exercícios e proceda normalmente, siga seus hábitos e ritmo, apenas fique atento ao horário combinado.
É óbvio ululante que você já deve ter em mente a historinha que irá dramatizar para a moça. Por que você não tá legal? O que te aconteceu que você foi pedir auxílio para um estranho? Essas perguntas terão que ser respondidas. Chegada a hora, diga, de cara, o motivo. Busque então alguma coisa mais próxima de sua realidade, não viaje na maionese. Diga, por exemplo, que teve uma discussão chata com sua mãe ou com seu chefe; diga que bateu o carro; que está numa maré de azar; enfim, busque qualquer coisa, não muito fantástica, e fale disso rapidamente. Claro, se você não dirige, não vá dizer que bateu o carro. Se não trabalha, não vá dizer que brigou com o chefe. Como já foi dito, busque algo próximo de sua realidade (ver ensaio "A mentira que vale", pág. 144). Mas não prolongue muito esse assunto (ele foi só o mote pra você ter esse momento a sós com a dama) e, numa rápida manobra, inverta o papo para ela. Repita que viu nela uma tranqüilidade incomum, que sempre que a vê você também se sente melhor, que ela te passa uma energia muito boa. Diga coisas como "nunca ninguém te disse isso?" e "agora mesmo estou me sentindo melhor".
Se ela sorrir, elogie, no ato, o desenho que o arco de seu sorriso produz. Você quer a menina. E a grande verdade dos fatos é a seguinte, amigão: você se mostrou um cara sensível, carente, e ao mesmo tempo corajoso em revelar isso a ela. E um convite seu, ali mesmo, para um cinema ou um sorvete no sábado terá total coerência. Afinal, você gosta da companhia dela, ora bolas! Isso está dito! Aliás, mais que gostar, você precisa da companhia dela. Ela nunca recebeu um convite para sair nessas circunstâncias. Nunca imaginaria receber os elogios que recebeu na academia. Você, com um bom desempenho e um sopro da sorte, tem tudo pra ganhar esse encontro.